segunda-feira, 31 de agosto de 2015

História: 35 anos do Grande Prêmio da Holanda de 1980

A temporada de 1980 chegava ao fim com Alan Jones liderando o campeonato com onze pontos de vantagem sobre Nelson Piquet quando a F1 chegou à Zandvoort, mas o australiano da Williams estava descontente por ter perdido vitórias certas na Alemanha e na Áustria, permitindo a aproximação do brasileiro da Brabham, que só havia vencido uma única vez em 1980 e na carreira, mas Piquet era um discípulo de Niki Lauda, seu antigo companheiro de equipe na Brabham, e assim o brasileiro ia amealhando pontos no campeonato a ponto de incomodar bastante Jones. A Alfa Romeo trouxe Vittorio Brambilla de sua aposentadoria para colocar o italiano no seu segundo carro, no lugar de Patrick Depailler. Jochen Mass havia sofrido um acidente na Áustria e tinha fraturado uma vértebra. O veterano alemão ainda tentou correr em Zandvoort, mas as dores impediram Mass de correr. A Arrows saiu às pressas pelo paddock à procura de um piloto para substituir o alemão e encontrou o jovem Mike Thackwell, piloto reserva da Tyrrell e na Holanda apenas como expectador. Sensação da F3 Inglesa, Thackwell estreou na Arrows 35 anos atrás com 19 anos e 5 meses, se tornando o piloto mais jovem a participar de um evento oficial da F1. Só participar mesmo, pois sem experiência prévia no Arrows, o jovem neozelandês acabou de fora do grid. Ainda fora das pistas, a Marlboro anuncia que a McLaren seria gerida pelo chefe da equipe de F2 Project Four a partir de 1981. O nome dele era Ron Dennis. 

Mesmo Zandvoort sendo bem diferente de Zeltweg, onde a Renault dominou completamente os treinos, com os carros franceses ficando com a primeira fila, com René Arnoux ficando com o melhor tempo pela segunda corrida consecutiva. Assim como ocorreu na Áustria, a Williams ficou com a segunda fila, sendo que Jones teve que superar dois grandes acidentes durante os treinos. A Brabham tinha trazido uma nova suspensão para o seu carro, deixando a dirigibilidade melhor, mas a novidade só ficaria mais evidente durante a corrida e Piquet teve que se conformar com a quinta posição. A Michelin trouxe novos pneus e a Ferrari consegue uma leve melhora em uma temporada miserável para os italianos, com Villeneuve finalmente conseguindo um lugar no top-10 no grid.

Grid:
1) Arnoux (Renault) - 1:17.44
2) Jabouille (Renault) - 1:17.74
3) Jones (Williams) - 1:17.81
4) Reutemann (Williams) - 1:17.82
5) Piquet (Brabham) - 1:17.85
6) Laffite (Ligier) - 1:18.15
7) Villeneuve (Ferrari) - 1:18.40
8) Giacomelli (Alfa Romeo) - 1:18.52
9) Watson (McLaren) - 1:18.53
10) Andretti (Lotus) - 1:18.60

O dia 31 de agosto de 1980 amanheceu frio em Zandvoort, até mesmo com algumas nuvens, mas os ventos fortes à beira da praia expulsaram as chances de chuva e a corrida aconteceria com tempo bom e pisco seco. Tentando se recuperar de alguns resultados abaixo do esperado nas duas últimas corridas, Jones larga forte, também se aproveitando do famoso retardo do turbo do motor Renault. Jones força por dentro e chega na primeira curva lado a lado com Arnoux, assumindo a ponta, enquanto Jabouille cai para quinto, ultrapassado por Reutemann e por um incrível Jacques Laffite, numa ótima largada do francês. 

Jones rapidamente abre 2s sobre o pelotão, mas de forma estranha, o australiano quase perde o controle do seu Williams na curva Hugenholtz. Jones consegue manter seu carro na pista, mas é alcançado por Arnoux. Usando sua conhecida agressividade, Jones fecha Arnoux, mas isso faz com que todo o primeiro pelotão fique compacto na frente, mas a corrida do australiano dura muito pouco. Ainda no final da segunda volta, ele vai aos boxes com problemas na saia do seu carro. Era a terceira corrida consecutiva onde Alan Jones perdia uma chance de ouro de vencer e, pior, não marcaria pontos, pois ele ficaria três voltas parado, com a equipe Williams tentando consertar o seu bólido. Contudo, o erro de Jones, admitido por ele depois da prova, fez com que os primeiros colocados ficassem juntos, proporcionando várias ultrapassagens nas primeiras voltas. Laffite ultrapassa Arnoux para ficar em primeiro, enquanto Jabouille ultrapassa Reutemann para ficar em terceiro. Utilizando os novos pneus macios da Michelin, Villeneuve sobe ao quinto lugar, mas com ultrapassagens agressivas sobre Piquet e Reutemann, logo o canadense da Ferrari estava ameaçando o terceiro lugar de Jabouille. Na sexta volta, Jabouille vai aos boxes com problemas de dirigibilidade em seu Renault. O azarado francês, que havia liderado tantas voltas em 1980, havia acertado uma parte do carro de Jones no erro do australiano ainda na segunda volta, deixando Jabouille com o carro bastante difícil de controlar. O francês ainda retornaria à corrida, mas abandonaria com problemas no diferencial do seu Renault.

Nelson Piquet tinha boas recordações de Zandvoort, onde havia pontuado pela primeira vez na F1 em 1979. Quando os pneus de Villeneuve começaram a se desgastar em demasia, o brasileiro deixou o canadense para trás e partiu para cima dos líderes. Laffite tinha problemas de estabilidade em seu Ligier, mas Arnoux fazia uma corrida de espera com seus pneus duros. Piloto mais rápido da pista no momento, Piquet rapidamente encosta em Arnoux e, por conseguinte, em Laffite. Nelson daria graças a Deus por ter se livrado de Villeneuve logo. Sem pneus, mas extremamente audacioso, Villeneuve não deixava ninguém passa-lo e fazia um buraco entre os três primeiros e o resto. Na décima volta, Piquet ultrapassa Arnoux, enquanto Bruno Giacomelli aproveita-se da indecisão de Reutemann e ultrapassa o argentino, passando a atacar Villeneuve. Quando o italiano da Alfa Romeo finalmente ultrapassa a Ferrari de Villeneuve, ele já estava 4s atrás de Arnoux. Na 13º volta, Piquet ultrapassa Laffite e assume o comando da corrida, enquanto Giacomelli se aproximava de Arnoux para brigar pelo terceiro lugar. Rapidamente Piquet abre 7s sobre Laffite, enquanto Arnoux era atacado por Giacomelli e Reutemann, após o argentino ter se livrado de Villeneuve, que acabaria tendo que fazer um pit-stop, tamanho era o desgaste dos seus pneus. Após longo e tenebroso inverno, Mario Andretti fazia uma corrida decente com a Lotus e o ítalo-americano se juntava na briga pelo quarto lugar. Outro que fazia uma corrida surpreendente era Giacomelli, que após ultrapassar Arnoux, tentava se aproximar de Laffite para brigar pelo segundo lugar, enquanto Piquet controlava a sua distância para o segundo colocado. Seja ele quem fosse. Mais atrás, Arnoux, Reutemann e Andretti garantiam o entretenimento da corrida em uma animada disputa pelo quarto lugar. Na volta 29, Reutemann tenta recuperar sua posição sobre Andretti, mas o americano não alivia (até por que ele não gostava do argentino...) e os dois andam lado a lado por algumas curvas, com vantagem para Andretti. Tudo isso fez com que um quarto elemento (Jarier), entrasse na briga.

Bruno Giacomelli fazia a sua melhor corrida na F1 e já estava colado na traseira de Jacques Laffite quando o italiano se empolgou e acabou saindo da pista numa tentativa de ultrapassagem. O piloto da Alfa Romeo, muito rápido, com certeza, mas nada muito mais do que isso, voltava à pista apenas em sétimo e com problemas na saia do seu carro. Giacomelli abandonaria a corrida voltas mais tarde devido aos problemas de dirigibilidade em seu Alfa Romeo, acabando com uma grande corrida. Jones corria em último, mas tinha um bom carro nas mãos. Quando o australiano se aproxima de Reutemann para descontar uma volta, Jones não respeita o companheiro de equipe e força a ultrapassagem. Duas voltas mais tarde, Jones ataca Andretti como se estivesse disputando posição com o piloto da Lotus. E Andretti trata Jones como um adversário na pista. Isso faz com que Andretti e Reutemann perdessem contato com Arnoux na luta pelo terceiro lugar. E com Jones finalmente ultrapassando Andretti. Arnoux fazia uma corrida de espera e após poupar seu carro, o piloto da Renault começava a descontar tempo de Laffite, trazendo atrás de si Jones (três voltas atrás), Andretti e Reutemann. Na volta 61, o grande susto da corrida. O disco de freio de Derek Daly, da Tyrrell, quebra no final da reta dos boxes e o irlandês, passageiro do seu carro, bate muito forte na barreira de pneus, fazendo com que o Tyrrell desse uma cambalhota para atrás das barreiras. Todos pensaram no pior, mas felizmente Daly teve apenas pequenos arranhões e nada demais. Era o segundo acidentes espetacular de Daly em 1980. E novamente sem consequências.

A corrida chegava ao seu final com Arnoux se aproximando rapidamente de Laffite, que parecia com problemas de dirigibilidade devido ao desgaste de pneus. Faltando duas voltas para o fim, Arnoux ultrapassa facilmente Laffite, que nem defende o seu segundo lugar. Infelizmente, Andretti não aproveita os problemas de Laffite ao ficar sem gasolina na penúltima volta. Enquanto isso, numa prova dominadora, Nelson Piquet recebe a bandeirada em primeiro, sua segunda vitória na F1 e entrava, definitivamente na luta pelo título de 1980. Apenas dois pontos atrás de Jones, Nelson Piquet era agora um piloto de ponta da F1 de fato e de direito. E o seria por mais de dez anos na F1!

Chegada:
1) Piquet
2) Arnoux
3) Laffite
4) Reutemann
5) Jarier
6) Prost  


domingo, 30 de agosto de 2015

O que vou dizer lá em casa, Juan Pablo?

Após a trágica corrida em Sonoma, Juan Pablo Montoya estava com a faca e o queijo na mão para conquistar o seu segundo título da Indy, dezesseis anos depois do primeiro, ainda no século 20. Com 34 pontos de diferença sobre o vice-líder Graham Rahal, largando ao lado do americano na última prova em Sonoma, podendo marcá-lo e mesmo com Will Power e Helio Castroneves ainda tendo pequenas chances matemáticas, Montoya teria toda a potência da equipe Penske ao seu lado. Tudo parecia conspirar à favor do colombiano. Porém, Montoya se esqueceu do monstro Scott Dixon. Fazendo um campeonato regular e sem aparecer muito, o piloto da Ganassi chegou à final do campeonato em terceiro lugar e a quarenta e sete pontos de Montoya. Ou seja, o neozelandês precisava vencer e Montoya terminar de sexto para trás. Largando em nono, as chances de Dixon eram diminutas antes da bandeira verde, tanto que o foco da disputa era todo em cima de Montoya e Rahal.

Porém, nunca é bom duvidar de um piloto da qualidade de Scott Dixon, a potência da equipe Ganassi e a imprevisibilidade do que se tornou as corridas da Indy.

A corrida de Sonoma de hoje mostrou que estar no lugar certo e na hora certo durante a corrida pode fazer uma diferença absurda na sua colocação final nas corridas da Indy. Mais até do que se o piloto tem ou não um carro rápido nas mãos. Vencedor em Sonoma três vezes e largando na pole, Will Power dominou a primeira parte da corrida, seguido de perto pela revelação Josef Newgarden. A forma como a Penske iria ajudar Montoya ficou claro na largada, quando Simon Pagenaud jogou o tapete vermelho para Juan Pablo passar e depois fechou o sinal para Rahal, que se atrapalhou todo e bateu rodas com Dixon. A corrida ficou estática, com a corrida nas mãos de Power e o título indo tranquilamente para Montoya. Então, Luca Filippi ficou lento na pista, mas não atrapalhava ninguém. Numa corrida europeia ou de Endurance, vida que segue. Mas a Indy provou o porquê perdeu tanta popularidade ao lançar mão de uma bandeira amarela marota e sem a mínima necessidade. Porém, a corrida mudou ali. Como sempre, alguns piloto que estavam numa janela diferente ficaram na pista, enquanto os líderes foram para os pits. Contudo, foi a relargada onde Montoya melou a vara, para usar um termo mais ameno.

Atrás de Power, Montoya tentou uma manobra kamikaze sobre o companheiro de equipe, o fazendo rodar, mas também danificando a asa dianteira do colombiano. Os dois pilotos da Penske procuraram os boxes e perdendo tempo para trocar a asa dianteira, Montoya caía para 22º. Rahal, principal interessado no assunto, parecia que seria o campeão pela corrida atribulada de Montoya (por culpa do colombiano), mas o americano passou a corrida reclamando do seu carro, principalmente do acerto e dos freios. Rahal era carta fora do baralho. Porém, Scott Dixon liderava a corrida e partia para uma estratégia diferente de pits, onde tentaria parar apenas mais uma vez até o fim da corrida. Melhor poupador de combustível da Indy, Dixon conseguiu o feito de permanecer na pista por um tempo maior do que o esperado, com um bom ritmo a ponto de retornar à pista ainda na liderança. A situação de Montoya fica crítica quando uma bandeira amarela o joga para 16º. A Penske começa a fazer um trabalho de limpa na frente do colombiano de forma desesperada, trazendo Pagenaud e Castroneves para os pits, mesmo que sem muita necessidade. Com Dixon conseguindo dois pontos por ter liderado o maior número de voltas, Montoya precisava terminar em quinto. Ele era 11º. Que virou 10º, com Power estendendo o tapete vermelho para Montoya fazer uma corrida tresloucada e no limite para cima dos seus adversários que via pela frente.

Contudo, Montoya ultrapassou na pista apenas Jack Hawsworth. Múnoz foi tocado, Rahal foi tirado da pista por Bourdais, que acabaria punido pela manobra. O francês estava claramente sem freios. Mais atrás, Power forçava uma ultrapassagem sobre Sato, talvez numa tentativa desesperada da Penske de trazer uma bandeira amarela. Mas Sato, conhecido pelos brancos mentais, pareceu não querer muita briga. E Power ganhou a posição limpamente. Montoya tinha que ultrapassar Briscoe. O colombiano lutou bravamente, tirou a diferença, mas nada pôde fazer. Com a sua terceira vitória em 2015, Scott Dixon conquistou seu quarto título da Indy, reforçando o papel de um dos grandes pilotos da história do automobilismo americano. 

Para Montoya, restou a frustração de liderar o campeonato de ponta a ponta, mas perde-lo na última corrida por um erro seu, quando bateu em Power numa disputa sem maiores necessidades. Numa licença poética, assim como hoje, Montoya empatou em pontos com Dario Franchitti dezesseis anos atrás, mas derrotou o escocês pelo número de vitórias. Com duas vitórias, Montoya foi derrotado pelas três vitórias de Dixon. Que é piloto da Ganassi, como Montoya era em 1999.

Caladão e avesso às badalações, Scott Dixon não é um piloto espetacular, mas sua eficiência nas provas e a frieza nos momentos decisivos fazem do neozelandês um dos maiores pilotos da história da Indy. Mesmo sem ninguém dar muita conta disso!

Doutor da chuva

Ao final da classificação em Silverstone, Valentino Rossi tinha em mãos a quarta colocação, enquanto Marc Márquez e Jorge Lorenzo pareciam intocáveis na frente. Ainda havia entre o italiano da Yamaha e os dois líderes o sempre imprevisível Dani Pedrosa. Para completar, Rossi nunca havia vencido em Silverstone. Tudo levava a crer a uma disputa com Pedrosa pelo terceiro lugar e uma torcida velada para que Márquez impedisse outra vitória de Lorenzo. Porém, o sábado aconteceu com piso seco. No domingo, a conhecida chuva britânica deu as caras e já no warm-up Rossi marcou o melhor tempo com pista molhada. Os Deuses da velocidade gostam mesmo de Rossi, pois de uma corrida onde não tinha ritmo para andar junto de Lorenzo e Márquez, Valentino passou a ser favorito à vitória numa pista onde o italiano não gosta. E nessas condições amigo, Vale não perdoa!

O início da corrida foi confuso, com a chuva aparecendo com mais força bem na hora da volta de apresentação, atrasando a largada. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Lorenzo saiu muito bem e assumiu a ponta, mas o espanhol não estava confortável com a pista molhada. O piso molhado trouxe novos elementos para a disputa mais à frente, como Pol Espargaró e Jack Miller. Porém, o entusiasmo dos dois jovens pilotos resultou em acidentes para ambos, sendo que no caso de Miller, a sua queda derrubou também o ídolo local Cal Cruthlow, que fazia uma ótima corrida e podia até sonhar com a disputa pela vitória. Detalhe: Cruthlow e Miller são companheiros de equipe...

Quando Lorenzo foi ultrapassado de forma até fácil por Rossi e Márquez, a briga da vitória ficou polarizada entre os dois agressivos pilotos, enquanto Lorenzo era alcançado por Pedrosa, a surpreendente Ducati de Doviziozo, numa incrível fase de azar, e um estupendo Danilo Petrucci, com uma Ducati de 2014, mas que foi lançada no final de 2013, que após largar em 18º, aparecia no segundo pelotão. Lorenzo caiu para sexto, enquanto a conhecida aversão de Pedrosa pela pista molhada fez com que Doviziozo e Petrucci subissem para terceiro e quarto respectivamente. Lá na frente, Rossi tinha a incômoda sombra de Márquez, virando tempos incrivelmente próximos. Apesar do bicampeonato de Márquez, a volúpia do espanhol da Honda ainda causa arrepios para quem está em disputa com Marc. Porém, a empolgação de Márquez resultou em outra queda em 2015, praticamente o tirando da disputa pelo título. Caindo sozinho e sem muito aviso, Márquez se levantou com as duas mãos para cima, como se não estivesse entendendo o que tinha acabado de acontecer. O detalhe era que os comissários que ajudaram Márquez usavam o boné de Rossi...

Porém, o que aconteceu depois também fugiu da lógica. Com 7s de vantagem, Rossi parecia que iria para um passeio até a bandeirada, mas o italiano diminuiu demais seu ritmo e Petrucci, que tinha acabado de assumir a segunda posição, partiu para uma aproximação implacável, chegando a estar 1.3s atrás de Rossi, provavelmente ídolo de Petrucci, nas últimas voltas. Com 36 anos de idade e toda uma carreira vitoriosa pela frente, Rossi viu as placas de sinalização de sua equipe e simplesmente aumentou o seu ritmo, recebendo a bandeirada com 2.2s de vantagem sobre Petrucci. Para completar a festa italiana, Doviziozo segurou um último ataque de Lorenzo e completou um pódio inteiramente italiano. Lorenzo chegou em quarto, viu sua liderança cair no colo novamente de Rossi e apontando para a viseira embaçada, colocou a culpa na sua corrida apática na peça de plástico que o protegeu da chuva, mas não do ataque feroz de Rossi.

Com doze pontos de vantagem no campeonato, Valentino Rossi vai para a sua corrida caseira com a certeza que terá uma torcida inteira torcendo loucamente por ele. Rossi já é aquele personagem que está na categoria de lenda viva de uma categoria. A forma como a torcida inglesa o saudou em sua vitória mostra quem o mundo está torcendo na disputa interna da Yamaha pelo título mundial da MotoGP.


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

História: 15 anos do Grande Prêmio da Bélgica de 2000

Spa-Francorchamps era e ainda é uma pista tão especial, onde a F1 sempre fez um grande esforço para correr lá. Quinze anos atrás, o Grande Prêmio da Bélgica ficou em risco devido a proibição do governo belga da propaganda tabagista, mas para se ter a F1 em seu país, os governantes tiveram que abrir uma exceção e a corrida seria realizada normalmente. Afinal, se em Mônaco se ganha o dinheiro na F1, em Spa se formam os heróis. Circuito de baixo downforce, Spa era ideal para a McLaren do agora líder Mika Hakkinen, enquanto a Ferrari teria que sair de sua má fase de quinze anos atrás se quisesse quebrar o tabu de 21 anos, mas a McLaren era a grande favorita em Spa.

Os treinos livres foram realizados com pista seca e clima agradável, com domínio absoluto de Hakkinen. Na classificação, Hakkinen consegue a pole com certa facilidade, abdicando até mesmo de sua tentativa, mas atrás dele várias surpresas aconteceram. A Jordan tinha feito uma ótima corrida em 1999 e um ano depois os carros amarelos de Eddie Jordan continuavam muito bem, com Trulli conseguindo um ótimo segundo lugar no grid. Jenson Button, já sabendo que será emprestado para a Benetton em 2001 para dar lugar ao caliente Juan Pablo Montoya, conseguiu o melhor resultado da Williams em 2000 e ficou em terceiro, colocando três décimos em cima de Ralf Schumacher, sexto. Michael Schumacher acabou atrapalhado por uma bandeira amarela em sua volta final e terminou em quarto, mas o alemão ainda superou a McLaren de Coulthard, irreconhecível após sua vitória em 1999. Para os pilotos de equipe de ponta, o pior foi Barrichello, apenas décimo.

Grid:
1) Hakkinen (McLaren) - 1:50.646
2) Trulli (Jordan) - 1:51.419
3) Button (Williams) - 1:51.444
4) M.Schumacher (Ferrari) - 1:51.552
5) Coulthard (McLaren) - 1:51.587
6) R.Schumacher (Williams) - 1:51.743
7) Villeneuve (BAR) - 1:51.799
8) Frentzen (Jordan) - 1:51.926
9) Herbert (Jaguar) - 1:52.242
10) Barrichello (Ferrari) - 1:52.444

O dia 27 de agosto de 2000 amanheceu até com tempo bom na Bélgica, mas Spa não seria Spa se não chovesse pelo menos em um dos três dias do Grande Prêmio da Bélgica. Com pista molhada, o warm-up viu o fortíssimo acidente de Giancarlo Fisichella na curva Stavelot, que destruiu o seu Benetton, com o italiano tendo que largar com o carro reserva. Quando a corrida estava prestes a começar, a chuva parou e começou a interrogação: com qual pneu largar? Diniz, largando apenas em 15º, apostou alto e saiu para a volta de apresentação com pneus slicks. O único a fazê-lo. Ainda na memória da famosa carambola da largada de 1998, decidiu-se largar atrás do safety-car e Hakkinen liderava o pelotão sem qualquer mudança significativa na ordem, apenas com Barrichello tomando o nono lugar do seu ex-companheiro de equipe Herbert.

Com Trulli tendo dificuldades na pista molhada, Hakkinen logo disparou na frente, com Trulli, Button, Schumacher e Coulthard andando colados. O inglês tentou tomar o segundo lugar de Trulli na Bus Stop, mas Jenson acabou errando e abriu passagem para Schumacher, que não quis perder tempo e logo atacou Trulli, ganhando o segundo lugar na Le Source. Button tenta pegar uma carona de Schumacher, mas acaba acertando a traseira de Trulli, o fazendo rodar e abandonar no local. O italiano ficou furioso com a manobra do inglês da Williams. Com a direção avariada, Button perderia rendimento a partir de então, enquanto deixava Coulthard em terceiro e Ralf Schumacher em quarto. Ainda na quinta volta, os primeiros pilotos arriscam e colocam pneus slicks, enquanto a pista secava a olhos vistos. Com pneus trocados, Alesi marca a volta mais rápida e sinalizava claramente: era hora de colocar pneus slicks. Schumacher e os estrategistas da Ferrari trazem o alemão imediatamente para os boxes. A McLaren traz Hakkinen aos boxes na volta seguinte, enquanto Coulthard, coitado, teria que andar mais uma volta com os pneus inadequados e perde muito tempo. Após todas as paradas, Hakkinen ainda liderava à frente dos irmãos Schumacher, com Michael claramente sendo mais rápido do que o piloto da McLaren. Na volta 13, com o ferrarista cada vez mais próximo e bem mais rápido, Hakkinen comete um erro não forçado na Stavelot e deixa a liderança para Schumacher. A transmissão da TV não mostrou a imagem da rodada de Hakkinen, mas mostrou Mika voltando rapidamente à pista e Schumacher passando voando no asfalto. Até que o piloto da McLaren se recuperasse, já com a pista praticamente seca, Schumacher já tinha ganho uns 10s de vantagem.

De um final de semana até então decepcionante, Michael Schumacher tinha uma boa vantagem de 11s sobre o rival Mika Hakkinen na liderança da corrida, quando o alemão abre a segunda rodada de paradas na volta 22. Hakkinen faz sua paradas cinco voltas depois, voltando à pista apenas 7s atrás do líder e começando a andar constantemente mais rápido do que Schumacher, cuja Ferrari tinha desgastado os pneus mais rápido do que a McLaren no primeiro stint com pneus slicks. Era o prenúncio de uma briga histórica. Mais atrás, Coulthard 'ultrapassa' Frentzen na segunda rodada de paradas, assumindo apenas o sétimo lugar, enquanto Barrichello, após fazer várias voltas mais rápidas, se aproxima dos pits para uma terceira parada, mas um problema de pressão de combustível acabou com a corrida do piloto da Ferrari, que ficou parado na entrada dos boxes. Jean Alesi, vindo num ótimo quinto lugar, perdeu a chance de pontuar pela primeira vez em 2000 quando teve um problema parecido com o de Barrichello. Ralf Schumacher fazia uma corrida solitária em terceiro, com Button subindo para quarto com os abandonos de Alesi e Barrichello, mas vendo Coulthard se aproximar rapidamente. O escocês assumiria o quarto lugar já nas voltas finais, numa corrida decepcionante para o segundo piloto da McLaren. Porém, todos os olhos do mundo estavam prestando atenção na briga pela primeira posição, com Hakkinen se aproximando rapidamente. As voltas finais prometiam! E entregaram!

Com claros problemas de superaquecimento de pneus, Schumacher tentava esfriar seus pneus nos poucos pontos molhados da reta Kemmel. Hakkinen era bem mais rápido, mas a pergunta era: como Schumacher iria se comportar no final da prova? A fama de vilão de Schumacher ainda era enorme quinze anos atrás, mas Mika era claramente mais rápido. Após ficar colado na Ferrari por algumas voltas, Hakkinen saiu da Eau Rouge embutido na traseira de Schumacher e o alemão imediatamente fica à direita da pista, ficando por dentro para a freada da Les Combes. Hakkinen tinha mais velocidade, mas Schumacher ficou no caminho do finlandês a mais de 320 km/h. Foi uma manobra perigosa, mas isso não diminuiu o ímpeto de Hakkinen. Na volta seguinte, ambos se aproximaram da Eau Rouge tendo o retardatário Ricardo Zonta pela frente. Schumacher pensou em usar a BAR do brasileiro como escudo e passou Zonta pela esquerda. Havia uma espaço muito pequeno entre o carro de Zonta e a grama, mas foi por ali que Hakkinen colocou seu carro, numa margem mínima para erros e quando Schumacher e Hakkinen completaram a ultrapassagem sobre o retardatário Zonta, era Hakkinen que estava por dentro da freada Les Combes. Uma manobra épica! 'São dois loucos!', exclamou em entrevista após a corrida Ricardo Zonta. Foi uma ultrapassagem extraordinária e Schumacher tinha sido batido de forma inapelável. Após a corrida, mostrando o respeito que nutriam um pelo o outro, Hakkinen e Schumacher conversaram amistosamente sobre a manobra. Para os que duvidavam do talento de Mika Hakkinen, de que ele só conquistava títulos devido ao grande carro que tinha, o finlandês mostrou naquela tarde de quinze anos atrás que mereceu cada vitória que conquistou na F1 e talvez por isso, seja até hoje considerado o maior rival que o multi-campeão Michael Schumacher já teve na F1.

Chegada:
1) Hakkinen
2) M.Schumacher
3) R.Schumacher
4) Coulthard
5) Button
6) Frentzen

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

História: 25 anos do Grande Prêmio da Bélgica de 1990

A F1 chegava à sua etapa decisiva de 1990 em outro circuito favorável à McLaren, que estava se destacando mais em circuitos rápidos, enquanto a Ferrari se dava melhor em circuito mais travados, utilizando seu chassi mais acertado. No final do grid, a novidade era o fim das atividades da equipe Onyx, que conseguiu surpreendentes resultados em seu ano de estreia em 1989, mas passou a ver vários problemas financeiros em sua segunda temporada. Era a seleção natural da F1 de 25 anos atrás. Se em 1989 chegou-se a ter 39 carros tentando um lugar no grid, aos poucos equipes eram cortadas, principalmente as lideradas por algum aventureiro, que vem em quando aparecia na F1 naqueles tempos.

Na outra ponta do grid, Senna e Berger disputaram a pole, mas como sempre acontecia naqueles tempos, o brasileiro acabou se sobressaindo, colocando mais de meio segundo em cima do seu companheiro de equipe da McLaren. Prost liderava a segunda fila, mas era a Williams de Boutsen, que vinha a seguir. Correndo em casa, o belga sabia que seu emprego na Williams estava em risco e por isso, tentava mostrar serviço não apenas à Frank Williams, mas as demais equipes. 

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:50.365
2) Berger (McLaren) - 1:50.948
3) Prost (Ferrari) - 1:51.043
4) Boutsen (Williams) - 1:51.902
5) Mansell (Ferrari) - 1:52.267
6) Nannini (Benetton) - 1:52.648
7) Patrese (Williams) - 1:52.703
8) Piquet (Benetton) - 1:52.853
9) Alesi (Tyrrell) - 1:52.885
10) Nakajima (Tyrrell) - 1:53.468

O dia 26 de agosto de 1990 estava nublado e frio em Spa, mas a pista estava seca quando as largadas foram dadas. Isso mesmo, largadas! Para sempre essa corrida em Spa ficará marcada pelas largadas confusas e em consequência, as três tentativas. A primeira largada foi logo interrompida ainda na La Source, com Mansell tocado por trás e ficando parado na primeira curva, causando vários pequenos toques entre os pilotos que vinham atrás. A segunda tentativa foi mais tranquila, mas logo na segunda volta, Paolo Barilla acertou em cheio o guard-rail na Radillon, causando um enorme susto, mas apesar da Minardi de Barilla ter ficado destruída, o italiano saiu ileso do seu carro, mas com o guard-rail avariado, a bandeira vermelha foi mostrada mais uma vez. A terceira largada foi cautelosa, com os quatro primeiros colocados mantendo suas posições, enquanto Mansell caía para sétimo.

Os incidentes ainda na primeira volta fizeram com que os pilotos ficassem bastante calmos nas primeiras voltas, com poucas ultrapassagens e emoção. Utilizando o carro reserva, acertado para Prost, Mansell sofria com o acerto do francês e era ultrapassado por Alesi, que tinha um motor bem menos potente do que o seu. Lá na frente, Senna começava a descolar do primeiro pelotão, com Berger, Prost e Boutsen, andando bem próximos, mas ninguém tentava ultrapassar ninguém. Mansell resolve trocar os pneus para tentar melhorar sua situação e com isso, cai para 16º. Poucas voltas mais tarde, o inglês abandonaria a corrida devido ao comportamento errático do seu carro. Vendo seu grande rival pelo título disparando na frente, Prost resolve tomar uma atitude e aumenta o seu ritmo, ultrapassando Berger na chicane Bus Stop na volta 14, assumindo o segundo lugar. Sem o austríaco à sua frente, Prost passa a ser o mais rápido na pista, porém Senna já tinha uma vantagem confortável na frente. Após assumir o quinto lugar de Nannini ainda na primeira volta, Patrese entra nos boxes lentamente na volta 19, com um problema de transmissão.

Porém, para desespero da torcida local, Boutsen encosta a segunda Williams no muro depois da entrada dos boxes para abandonar, com o semi eixo quebrado na volta 22, na metade da prova. O belga estava em terceiro lugar, pois Berger tinha feito uma parada quando percebeu que seus pneus já não tinham o mesmo desempenho. Na volta seguinte, as duas estrelas da F1 em 1990, Senna e Prost, fazem seus pit-stops ao mesmo tempo, mas as posições permanecem as mesmas. Tentando repetir a grande corrida em Hockenheim, onde não parou para trocar pneus, Nannini fica na pista e quase repete o feito na Alemanha, quando o italiano da Benetton saiu à frente de Senna por muito pouco, mas ao contrário de Hockenheim, quando Nannini liderou várias voltas, Senna emergiu em primeiro por muito pouco, deixando o piloto da Benetton em segundo. Senna teria menos trabalho para vencer, mas agora Prost tinha um desafio pela frente, pois teria que ultrapassar Nannini se quisesse atacar Senna, sendo que o italiano tinha dado muito trabalho à Senna em Hockenheim em condições parecidas. Enquanto Piquet tomava uma tática diferente e fazia sua parada, deixando Maurício Gugelmim em sexto, Prost pressionava Nannini de todas as formas na luta pela segunda posição, enquanto Senna aproveitava a deixa e aumentava sua vantagem na ponta.

Depois de quatro voltas de muita pressão, finalmente Prost ultrapassa Nannini na Bus Stop, mas o estrago para francês estava feito. Inteligente como era, Senna não perdeu a oportunidade para disparar na frente e mesmo Prost tendo aumentado seu ritmo, a corrida estava nas mãos do brasileiro da McLaren. Com pneus mais novos, Berger parte para cima de Nannini e numa disputa apertada, os dois pilotos forçam tudo na freada das Les Combes e saem ligeiramente da pista, com Nannini mantendo a terceira posição. Por pouco tempo. Faltando duas voltas para o final, com os pneus extremamente desgastados, Nannini é facilmente ultrapassado por Berger, que rapidamente abriu 19s (!) sobre o italiano. Prost ainda tentou se aproximar, chegar a ficar 3s atrás do líder, mas Senna não perderia a chance e vence praticamente de ponta a ponta em Spa, a quinta vitória em 1990 e a 25º na carreira, se igualando aos mitos Niki Lauda e Jim Clark. Nannini cruza em quarto e mesmo com sua tática não dando totalmente certo, no final ele superou seu companheiro de equipe Piquet, enquanto Gugelmin marcaria o que seria seu único ponto em 1990. E último na F1! Mostrando o ótimo momento do automobilismo brasileiro, haviam três pilotos tupiniquins pontuando vinte e cinco anos atrás. Com treze pontos de vantagem sobre Prost, o bicampeonato estava cada dia mais próximo de Senna!

Chegada:
1) Senna
2) Prost
3) Berger
4) Nannini
5) Piquet
6) Gugelmin

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Que pena...

Ao contrário de Jules Bianchi, a agonia de Justin Wilson foi bem mais rápida, mas ainda assim, deixou todos que acompanham o automobilismo sentidos, tristes e pesarosos. Com 1,92m de altura, Wilson era uma espécie de anti-piloto de monopostos, que sempre procura pilotos com jeito de jóquei. Porém, o talento de Wilson falou mais alto e ele pôde participar das principais corridas do mundo. Piloto talentoso, faltou-lhe melhores oportunidades na F1 e na Indy, onde sempre andou em equipes pequenas, mas o inglês deixou sua marca. Num acidente bizarro, Justin Wilson encontrou seu destino. Que descanse em paz!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Figura(BEL): Mercedes

Após ser derrotada inapelavelmente pela Ferrari na Hungria, pensou-se que o domínio avassalador que a Mercedes vinha impondo na F1 desde o ano passado poderia estar paulatinamente diminuindo. Falou-se muitas nas férias da F1 que a outras equipes poderia se aproveitar de algumas brechas na armadura 'mercediana' para fazer como a Ferrari, que venceu uma corrida sem grandes dramas em Hungaroring, onde nem Hamilton, nem Rosberg, estiveram perto da vitória. Porém, bastou uma corrida para se provar que a Mercedes continua tão forte como sempre foi. Em Spa, uma pista de longas retas e curvas rápidas, o time de Stuttgart não a mínima da mínima chance para qualquer um dos seus adversários minimamente mais próximos. Dono do melhor tempo em todos os treinos, a Mercedes colocou mais de 1s sobre o terceiro colocado no grid, com Hamilton conseguindo a décima pole em onze provas no campeonato. A que sobrou ficou com Rosberg. Na corrida, o inglês passeou e venceu pela sexta vez no ano, cimentando o seu tricampeonato. Nico largou mal mais uma vez, mas bastou uma única rodada de paradas para que o alemão chegasse ao segundo lugar e partisse para uma enfática dobradinha da Mercedes em 2015, com o terceiro colocado Romain Grosjean mais 38s atrás. Para quem esperava uma queda da Mercedes, Spa mostrou a equipe tedesca tão ou mais forte do que antes das férias.

Figurão(BEL): Williams

A equipe Williams está longe de ser um time novato na F1. Com mais de quarenta anos na categoria, a Williams detém vários títulos de pilotos e construtores, ficando sempre no top-5 das maiores equipes da F1 em todos os tempos. Contudo, após o fim da parceria com a BMW, a Williams nunca mais foi a mesma equipe de ponta de antes, com os bons resultados rareando. A chegada de Claire Williams como chefe de equipe deu uma reviravolta numa equipe em que se temeu pelo futuro, pois de nono colocado no Mundial de Construtores em 2013, subiu para terceiro em 2014 e nessa temporada, a Williams ainda está na luta para ser a melhor equipe fora da 'F-Mercedes'. Contudo, os tempos de equipe de ponta, quando brigava com Ferrari e McLaren (nos bons tempos...) pela primazia da F1 já passou e o que se viu no domingo em Spa representou isso com toda força. Procedimentos são importantes em vários segmentos de empresas e ter um procedimento básico de pit-stop deveria ser elementar na F1. Portanto, é imperdoável a Williams colocar um pneu errado no carro de Valtteri Bottas na segunda parada do finlandês, causando não apenas uma punição à Bottas e o claro desequilíbrio no carro de Valtteri, como fez da gloriada equipe Williams uma piada mundial. O terceiro lugar de Bottas na classificação e a corrida aguerrida de Massa rumo ao sexto lugar ficou totalmente em segundo plano pela presepada da Williams no domingo, mesmo que as expectativas da Williams para a corrida em Spa, numa pista que lhe favorece em teoria, fossem altas e os resultados não corresponderam. Para se ter uma equipe forte e de ponta, primeiro precisa-se firmar uma boa base e fazer com que os mínimos detalhes funcionem de forma automática. Como um pit-stop, por exemplo. A Williams provou que ainda nem tem uma base boa para se voltar a se tornar uma equipe de ponta.

domingo, 23 de agosto de 2015

Alta tensão

A corrida em Fontana da Indy, em junho, foi marcada pela periculosidade das disputas em 'packs' e pelos acidentes. Hoje em Pocono, pista tão rápida quanto Fontana, a corrida conseguia ser ao mesmo tempo emocionante, como foi em Fontana, mas bem mais segura, pois os carros não corriam tão juntos, como na Califórnia. Mesmo com vários acidentes dois meses atrás, ninguém saiu ferido. Pocono estava tendo uma prova bem acidentada, mas sem nenhum momento assustador, até que Sege Karam perdeu o controle do seu carro quando liderava e bateu forte no muro. 

Até aí, outro acidente comum e corriqueiro na pista da Pensilvânia. Porém, Justin Wilson apareceu do nada, bateu no muro do lado de dentro e ficou imóvel dentro do cockpit. O replay revelou que Wilson acabou atingido por uma peça de Karam bem na cabeça, num acidente bem parecido com o de Felipe Massa em 2009 ou de Henry Surtees, na F2, uma semana antes do ocorrido com Massa na Hungria. Poucas informações apareceram sobre o estado de saúde de Wilson, que foi levado de helicóptero para o hospital, num sinal bem preocupante. Esse acidente levantará nos próximos dias a velha pergunta de se já não está na hora de colocar uma proteção nos cockpits, como nos caças de combate.

A corrida foi vencida pelo companheiro de equipe de Wilson, Ryan Hunter-Reay, mas não houve muita festa e o chefe de equipe Michael Andretti parecia arrasado. Montoya chegou em terceiro lugar e colocou uma mão na taça, que será decidida na próxima semana em Sonoma. Porém, todos os pensamentos positivos são para que Justin Wilson saía bem dessa!  

Que pena...

Num dia tenso pelo forte acidente de Justin Wilson em Pocono, o mundo do automobilismo tinha sido abalado horas antes pelo anúncio da morte de Guy Ligier, chefe de um das equipes mais marcantes na F1 nos anos 80. Tendo acabado de completar 85 anos de idade, Ligier amealhou uma fortuna devido ao seu trabalho e aos contatos que conseguiu ao longo dos tempos. Amante dos esportes, Guy Ligier primeiro foi jogador de rugby, chegando à famosa seleção francesa da modalidade no final dos anos 40, mas quando conseguiu uma melhor condição financeira, Guy foi para as pistas, primeiro nas motos e depois nos carros. Piloto mediano para ruim, Ligier usava sua fortuna para comprar carros nas principais categorias do mundo, incluindo a F1, onde fez poucas corridas e marcou apenas um ponto. Quando seu grande amigo Jo Schlesser morreu em 1968, Ligier encerrou sua carreira de piloto e formou uma equipe, primeiro com carros de Esporte-Protótipos, depois na F1. Usando sua influência política, Ligier criou uma equipe Made in France e se tornou umas das principais equipes na virada dos anos 70 para os 80, capitaneado pelo piloto Jacques Laffite. Porém, a equipe decaiu na medida em que seu amigo François Mitterand perdia poder na França. Em 1996, Guy Ligier conseguiu uma emocionante última vitória com Olivier Panis em Mônaco e no final do ano, vendeu sua escuderia para Alain Prost. De fora da F1, Guy Ligier se envolveu em novos projetos com sucesso. Longe dos autódromos, Guy Ligier pouco era visto nos circuitos do mundo nos últimos tempos. Um dos últimos garagistas da F1, Guy Ligier nos deixou lembrando em que os tempos em que um chefe de equipe com o sonho de vencer na F1 usando seus próprios recursos está ficando cada dia mais longe na história.

Um dia no Spa

Nas suas férias, Lewis Hamilton deve ter ficado muito tempo em sua jacuzzi, relaxando após alguma farra homérica pelo mundo afora. De volta ao trabalho, no sugestivo nome de Spa, Hamilton apenas relaxou e venceu com imensa facilidade do Grande Prêmio da Bélgica, num domínio absurdo da Mercedes, pois tirando a largada, Nico Rosberg passou a maior parte da corrida em segundo, completando uma massacrante dobradinha prateada. Contudo, o equilibrado grid do terceiro para trás se refletiu numa equilibrada disputa pelo terceiro lugar, vencida por Romain Grosjean, após Vettel ver sua aposta arriscada, literalmente, explodir pelos ares na última volta.

Havia expectativa para os novos procedimentos de largada, onde os pilotos cuidariam cada um e sem ajuda externa, de como sairiam no lugar no apagar das cinco luzes vermelhas. Apesar dos pilotos terem diminuído a força da novidade nas entrevistas antes da corrida, a impressão foi que todo mundo largou mais lento do que nas corridas passadas, trazendo surpresas no aponche da primeira curva. Hamilton manteve a ponta, enquanto Nico Rosberg, novamente e com cola e tudo no volante, caiu para quarto. Bottas, o terceiro, largou ainda pior e foi ultrapassado pelos surpreendentes Sergio Pérez e Daniel Ricciardo, segundo e terceiro colocados quando o pelotão chegou à Eau Rouge. Usando a potência do seu motor Mercedes, Pérez ainda esboçou um ataque em cima de Hamilton nas Les Combes, mas o inglês não teve problemas em se manter na ponta. Dá para dizer que esse foi o único momento em que Hamilton teve que brigar por alguma coisa na corrida. Com Pérez em segundo e Ricciardo em terceiro, Hamilton rapidamente abriu 5s de vantagem para os demais e quando a primeira rodada de paradas terminou, com Rosberg conseguindo 'ultrapassar' Pérez e Ricciardo nos boxes, a vantagem do inglês era de quase 8s. Nico ainda aumentou seu ritmo e cortou a diferença para 3s, mas quando Lewis recebeu a notícia da aproximação do companheiro de equipe, igualou o ritmo do alemão para receber com tranquilidade a bandeirada, conseguindo sua sexta vitória em 2015, se aproximando de vez do tricampeonato. Como disse muito bem Galvão Bueno na transmissão de hoje, a Mercedes fez uma corrida à parte, onde Nico Rosberg chegou em segundo, também sem maiores arroubos, mas o terceiro colocado chegou incríveis 36s atrás do líder. 

E a luta pelo terceiro lugar teve vários protagonistas, com Pérez, Ricciardo e Vettel ocupando o posto, mas no final, foi Romain Grosjean que subiu ao pódio pela primeira vez nessa temporada. Por causa de seu início de carreira errático na F1, há um pouco de preconceito com o francês, o comparando com o seu desastrado companheiro de equipe Pastor Maldonado (que abandonou no comecinho da corrida com problemas mecânicos), mas como provou em 2013, Grosjean evoluiu bastante e hoje é um dos melhores pilotos do meio do pelotão. O francês começou o dia tendo que pagar uma punição de cinco posições por ter trocado o câmbio, não largou bem, mas foi galgando posições, até deixar para trás Pérez e Ricciardo para se estabelecer em quarto lugar, logo atrás de Vettel. Mesmo bem mais rápido do que o alemão da Ferrari, que arriscava uma estratégia de uma parada, Grosjean usou a cabeça e não fez nenhuma loucura, mas o francês acabou recompensado pelo inesperado furo do pneu de Vettel na última volta, conseguindo um ótimo terceiro lugar, além de dar boas razões para a Renault fazer a necessária compra da Lotus, em sérios problemas financeiros. Vettel arriscou fazer uma única parada, o que seria muito difícil, pois Spa demonstrava que estava desgastando em demasia os pneus, mas até a penúltima volta estava funcionando, então o pneu traseiro direito explodiu bem no comecinho da reta Kemel, para sorte de Vettel, que pôde segurar sua máquina, mas teve que praticamente abandonar ali. A 900º corrida de F1 da Ferrari não foi das mais memoráveis, pois Kimi, maior vencedor em Spa na F1 atual, conseguiu se recuperar de uma classificação muito ruim, mas só conseguiu um sétimo lugar, se segurando dos ataques de Max Verstappen na volta final.

Daniel Ricciardo vinha fazendo uma corrida para chegar no pódio, onde o australiano largou muito bem, foi o primeiro a calçar pneus médios e estava no bolo, com Pérez, Vettel e Grosjean, quando aparentemente o câmbio do seu Red Bull quebrou, trazendo o Safety-car virtual para a pista. Se confirmado o problema de câmbio, a Red Bull terá pouco do que reclamar da Renault, pois mesmo nas longas retas de Spa, não faltaram ultrapassagens dos carros equipados com os motores franceses. E quem se aproveitou muito bem disso foi Kvyat, que numa estratégia parecida com a de Ricciardo, colocou pneus macios no final da corrida e atropelou todos os seus adversários, ultrapassando um a um até chegar num ótimo quarto lugar, outro ótimo resultado para o piloto russo, que com os pontos amealhados hoje, já ultrapassa Ricciardo no Mundial de Pilotos. Sérgio Pérez fez uma largada estupenda, se manteve em segundo no primeiro stint de corrida, mas não teve forças para segurar Grosjean, que com o mesmo motor, teve bem mais ritmo do que ele. Porém, não se pode colocar uma única vírgula na corrida muito boa do mexicano, que no stint final fez uma corrida que fez fama a ele no começo da década: fazer longas sessões com o mesmo pneu. Pérez andou várias voltas com os pneus médios na última parte da corrida com um desempenho digno, só ultrapassado no final por Kvyat por que o russo estava melhor 'calçado', mas o quinto lugar foi muito bom para Pérez, num final de semana em que a Force India viu Nico Hulkenberg abandonar ainda na volta de apresentação com problemas no motor. Por sinal, hoje foram dois motores Mercedes (Maldonado e Hulk) com problemas...

Quatorze anos atrás, a Williams cometeu uma pataquada homérica quando deixou seus dois carros (Montoya e Ralf Schumacher) em cima de cavaletes numa relargada, estragando uma corrida em que ambos largavam na primeira fila. Hoje, a Williams fez uma besteira similar. Desde que passou-se a identificar com cores ou frisos os pneus duros e macios num final de semana, somente uma vez a Ferrari saiu com um pneu diferente dos outros três. Ainda assim, isso aconteceu num treino livre e quando Alonso saía da garagem, foi percebido o erro e o espanhol mal saiu dos boxes. Hoje, a Williams conseguiu a proeza de, na primeira parada, colocar três pneus macios e um pneu médio no carro de Bottas, provocando a punição mais bizarra dos últimos tempos na F1. Após o ótimo terceiro lugar de Bottas no sábado e a aguerrida corrida de Massa rumo ao sexto lugar hoje, a gafe da Williams marcou um final de semana que ficou abaixo das expectativas para a equipe do velho Tio Frank. Max Verstappen, que mora na Bélgica, conseguiu uma boa recuperação após ser punido por ter trocado o câmbio e foi oitavo, mas o erro na última volta, quando perdeu a chance de uma ultrapassagem fácil sobre Raikkonen, fez com que o adolescente holandês fosse criticado novamente pela falta de experiência. Carlos Sainz teve problemas semelhantes ao de Hulkenberg, mas conseguiu largar duas voltas atrasados até abandonar de vez. A Sauber tinha grandes esperanças em marcar bons pontos em Spa, pois teria a sua disposição o novo motor Ferrari, usado pela matriz desde o Canadá, mas a equipe suíça ficou praticamente na mesma posição das últimas corridas e ainda marcou um pontinho com Ericsson. O que chama atenção é a queda de Felipe Nasr, pela segunda corrida consecutiva derrotado inapelavelmente por Ericsson, que está longe de ser um grande piloto. A McLaren deve estar feliz por ter conseguido dados importantes para continuar o desenvolvimento da nova parceria com a Honda. Afinal, devemos ser positivos num final de semana medonho de McLaren-Honda em Spa. A Manor fez o papel de sempre.

Com pista seca o tempo todo, mesmo com a expectativa de chuva para o final da corrida, Spa não proporcionou a melhor das corridas e a Mercedes, após quatro semanas de férias, voltou ainda mais forte e massacrante sobre as demais. Após um escorregão na Hungria, a Mercedes voltou a mostrar força e com Hamilton numa fase exuberante, a questão agora é quando Lewis comemorará seu tricampeonato.

sábado, 22 de agosto de 2015

Tudo na mesma

A excepcional corrida na Hungria na sua pista atípica em relação às demais pistas do calendário da F1 deu a sensação de que a Mercedes poderia ter seu domínio diminuído, principalmente para a Ferrari, que dominou a prova magiar. Porém, o período de férias e uma pista completamente diferente, a super-rápida Spa-Francorchamps, mostrou que a Mercedes ainda deita e rola na F1 atual, com Lewis Hamilton fazendo o mesmo com Nico Rosberg, que dominou na sexta, mas hoje levou quase meio segundo do inglês no Q3.

A McLaren-Honda veio com um discurso de que, após as férias e o uso de novos tokens, a Honda teria um motor tão forte quanto a Ferrari e melhor do que a Renault. A realidade foi totalmente inversa e após pontuar com os dois carros em Hungaroring, a McLaren teve problemas tanto de confiabilidade, quanto de desempenho, só superando os carros da Manor. O próximo carro à frente da McLaren? A Sauber de Felipe Nasr ficou exatos 1s. A coisa começa a ficar cada dia mais tensa pelos lados da McLaren-Honda, assim como de Nasr, que tinha esperança de passar ao Q3 e nem ao Q2 foi, superado novamente pelo companheiro de equipe Marcus Ericsson. O Q2 teve como destaque mais um problema com a Ferrari de Kimi Raikkonen, com contrato renovado para 2016, que falhou até parar. Mesmo mais lento do que Vettel, Kimi vê tudo de ruim acontecer com ele. Com exceção de Ricciardo, ser companheiro de equipe de Sebastian Vettel não significa muita sorte...

Porém, a Ferrari vem tendo um final de semana para esquecer, após a bela prova na Hungria. Numa pista rápida, onde o motor faz a diferença, a Ferrari conseguiu ficar atrás até mesmo da criticada Renault, que pôs Ricciardo em sexto, enquanto Vettel ficou apenas em nono, longínquos 1.6s atrás da pole. Por sinal, do terceiro colocado Bottas até Vettel, a diferença foi praticamente nenhuma. Massa ficou quatro posições atrás de Bottas, na briga interna da Williams, mas a diferença para o companheiro de equipe foi de apenas 0.15s. Lá na frente, a Mercedes brincou com a concorrência. Bottas ficou a 1.4s de Hamilton e 0.9s de Rosberg. Hamilton disse após a sexta-feira dominante de Nico Rosberg que não estava preocupado com o que tinha feito o companheiro de equipe. E o inglês respondeu de forma exemplar, mostrando que suas badaladas férias não lhe afetou em nada.

O que pode atrapalhar a Mercedes? O implacável clima belga. Após dois dias de sol forte, a previsão para amanhã é de chuva e de temperaturas baixas. E como diria Galvão Bueno: quando aparece uma nuvem em cima de Spa...

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

História: 10 anos do Grande Prêmio da Turquia de 2005

Há dez anos atrás, assim como agora, a F1 saía de uma merecida férias para voltar com tudo ao campeonato, mas ao contrário de 2015, onde o tradicional circuito de Spa inaugura a segunda parte da temporada, em 2005 o novo circuito de Kurtkoy fazia sua estreia na F1, trazendo a Turquia para o circo da F1. Mais uma circuito projetado por Herman Tilke, o novíssimo autódromo turco aparentemente era mais um projeto pasteurizado do arquiteto alemão, com longas retas separadas por curvas lentas e amplas áreas de escape. Porém, o fato do circuito ser anti-horário chamava a atenção (somente Ímola e Interlagos tinham essa configuração na época). Além do mais, haviam várias subidas e descidas e um conjunto de curvas chamava a atenção: a enigmática curva 8. Com quatro pernas, a curva era feita praticamente de pé embaixo, com alto grau de força G contra a cabeça do piloto. Com uma alta média de velocidade, Kurtkoy logo passou a ser adorado não apenas por pilotos, mas também pelos fãs. Até hoje, o circuito turco ainda é cultuado como o melhor dos novos circuitos que entraram no calendário da F1 nos últimos quinze anos.

O calor turco em agosto chamava a atenção, com temperaturas superiores aos 30ºC, enquanto que na pista a temperatura superava os 50ºC. Havia havia sol forte e céu claro em todos os treinos, com Renault e McLaren voltando a dominar em todos os treinos livres. Sendo o último a entrar na pista, Raikkonen viu os dois carros da Renault muito bem, Michael Schumacher rodar em sua volta mais rápida e Montoya, mesmo sendo um dos primeiros a ir à pista, fazer um bom tempo. Corroborando com o favoritismo que tinha construído nos treinos livres, Kimi fez uma ótima volta e ficou novamente com a pole, sendo o único a andar na casa de 1:26. Fisichella superava Alonso por poucos milésimos e Montoya fechava a segunda fila, demonstrando um domínio de McLaren e Renault. A Toyota não tinha andado bem nos treinos livres, mas Trulli utilizou sua conhecida velocidade numa volta única e ficou em quinto, superando os dois carros da Williams, depois de muito tempo andando forte. A Ferrari teve outro sábado para esquecer, pois com a rodada de Schumacher e a volta burocrática de Barrichello, não havia nenhum carro vermelho no top-10.

Grid:
1) Raikkonen (McLaren) - 1:26.797
2) Fisichella (Renault) - 1:27.039
3) Alonso (Renault) - 1:27.050
4) Montoya (McLaren) - 1:27.352
5) Trulli (Toyota) - 1:27.501
6) Heidfeld (Williams) - 1:27.929
7) Webber (Williams) - 1:27.944
8) Massa (Sauber) - 1:28.419
9) R.Schumacher (Toyota) - 1:28.594
10) Klien (Red Bull) - 1:28.963

O dia 21 de agosto de 2005 amanheceu tão quente em Istambul como nos dias anteriores, indicando uma corrida difícil para os pilotos por causa dos pneus. Um enorme público se deslocou para a nova pista turca, que lotou as arquibancadas e demonstrava um possível sucesso de crítica (pela pista) e público. Pena que isso não passou de uma mera primeira impressão. Mesmo adorado pelos pilotos, o automobilismo não contaminou o povo turco, que aos poucos deixou de se deslocar até o circuito de Kurtkoy e pagar os caros ingressos para ver F1. Hoje, o circuito de Kurtkoy está praticamente abandonado. Voltando dez anos no tempo, Fisichella conseguiu uma ótima largada e assumiu a primeira posição, com Raikkonen se preocupando em segurar ao menos o segundo posto de Alonso. Se respeitando ao máximo, os dois rivais pelo título fizeram a primeira curva (muito parecida com o S do Senna em Interlagos) sem maiores problemas, assim como a maior parte do grid, com exceção de Felipe Massa, que deu um pequeno toque na traseira de Trulli e precisou trocar a asa dianteira.

Porém, a liderança de Fisichella seria efêmera. O italiano da Renault erra entre as curvas 9 e 10 e Raikkonen não perdeu tempo em retomar a ponta duas curvas mais tarde, cruzando a primeira volta na ponta. Apesar de rápido, esses erros fizeram de Fisichella um piloto apenas regular, frente às estrelas de sua geração. A corrida promissora da Williams piora consideravelmente quando Webber larga mal e cai para nono, mas logo o australiano ganha uma posição quando Heidfeld tem um pneu furado ainda na primeira volta, mas Webber teria um destino parecido algumas poucas voltas mais tarde, com a Williams praticamente fora da briga pelos pontos logo no início. Como era de se esperar, Fisichella não fez o mínimo esforço para que Alonso assumisse o segundo lugar e partisse à caça de Raikkonen, que não consegue abrir muito para espanhol, com vice-líder e líder do campeonato separados por pouco mais de 1s. Porém, esse desempenho de Alonso se torna evidente com uma parada cedo do espanhol (volta 13), enquanto o final de semana de Fisichella piorava quando o italiano tem problemas em seu reabastecimento. No final do pelotão, Webber e Michael Schumacher batem numa boa briga pelas últimas posições, indicando o fim de corrida para ambos, em mais uma triste apresentação de Williams e Ferrari, duas das mais tradicionais escuderias da F1, em 2005.

Button fazia uma ótima corrida e com o carro mais leve do que Alonso, toma o terceiro lugar do espanhol antes de ir aos boxes. A tática das equipes fica logo clara, com a McLaren parando dez voltas depois dos pilotos da Renault. Para compensar o melhor ritmo da McLaren, a Renault tentou dar o pulo do gato e parar mais uma vez, mas a McLaren permanecia na frente, com Raikkonen liderando tranquilamente. Para piorar ainda mais as coisas para os franceses, Montoya, mesmo não tendo uma parada perfeita, assumia o segundo lugar, relegando Alonso para terceiro, seguido por Fisichella, Trulli e Button. Percebendo que não tinha muito o que fazer para derrotar a McLaren, a Renault resolve mudar a estratégia dos seus pilotos, enchendo o tanque de Alonso e Fisichella na segunda parada de ambos, para que eles não voltassem aos pits de forma programada. Na segunda rodada de paradas, a única mudança foi Button ter assumido o quinto lugar, relegando Trulli ao sexto posto. Largando em 13º, Button fazia uma bela corrida. Lá na frente, Raikkonen e Montoya voavam na pista, trocando melhor volta em cima de melhor volta, numa provável dobradinha da McLaren na Turquia. Porém...

Já nas voltas finais, com a corrida praticamente definida, Juan Pablo Montoya se preparava para colocar uma volta em Tiago Monteiro, da Jordan. Desmotivado pela forma exuberante do seu companheiro de equipe Kimi Raikkonen, à essa altura, escolhido pela McLaren para lutar pelo título, Montoya não parecia muito animado em ajudar Kimi ou a McLaren. Numa manobra muito otimista, o colombiano quase estampa a traseira de Monteiro, tendo que sair da pista e estragar seus pneus. E para piorar, permitiu a aproximação de Alonso. As modorrentas últimas voltas ganham em emoção para uma luta pelo segundo lugar. Com os pneus estragados, Montoya contornava a curva 8 na penúltima volta quando novamente saiu da pista, permitindo à Alonso assumir o segundo lugar e não deixar Raikkonen se aproximar no campeonato. O clima no boxe da McLaren ficou muito ruim com a saída de pista de Montoya, que pareceu decepcionado pelo o seu erro tão perto do fim, mas no íntimo, Montoya não parecia estar muito preocupado em ajudar Raikkonen, que cruzou a linha de chegada confortavelmente na frente, com Alonso 18s atrás, conquistando a sua quinta vitória em 2005 e sendo o primeiro a vencer o Grande Prêmio da Turquia. O campeonato, que poderia se abrir com uma dobradinha da McLaren, permanecia nas mãos de Alonso. Culpa de Montoya!

Chegada:
1) Raikkonen
2) Alonso
3) Montoya
4) Fisichella
5) Button
6) Trulli
7) Coulthard
8) Klien

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Coelhinho o que trazes pra mim?

Uma bandeira vermelha durante os treinos da Truck Series e uma perseguição hilária!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

História: 30 anos do Grande Prêmio da Áustria de 1985

O Grande Prêmio da Áustria de 1985 era uma corrida triste para a F1, pois era a primeira prova após a trágica morte de Manfred Winkelhock, quando o alemão espatifou seu carro contra um muro em Mosport Park, numa corrida Esporte-Protótipos. Porém, o show deveria continuar e a RAM teria Kenny Acheson para o lugar de Winkelhock. Aproveitando que correria em casa, Niki Lauda anuncia a sua segunda aposentadoria para o final de 1985. Desgastado com Ron Dennis e numa temporada muito ruim com a McLaren, Lauda diz que sua decisão estava tomada, enquanto o chefe de equipe já tinha contratado Keke Rosberg da Williams, que negociava com Nelson Piquet para 1986. 

O rapidíssimo circuito de Österreichring favorecia os carros com motores potentes, no caso em 1985, os motores da Porsche (McLaren) e Honda (Williams). Mesmo na briga pelo título, Alain Prost ainda não havia largado na pole em 1985, algo que o francês consegue na Áustria, tendo a Williams de Nigel Mansell na primeira fila. Na segunda fila, a mesma ordem McLaren-Williams, com Lauda tentando fazer uma ótima corrida em sua prova derradeira em casa. A Ferrari tem uma classificação decepcionante, o mesmo acontecendo com Senna, que vinha se destacando nas classificações trinta anos atrás, mas o brasileiro tem vários problemas durante o final de semana e consegue apenas o 14º lugar no grid.

Grid:
1) Prost (McLaren) - 1:25.490
2) Mansell (Williams) - 1:26.052
3) Lauda (McLaren) - 1:26.250
4) Rosberg (Williams) - 1:26.333
5) Piquet (Brabham) - 1:26.404
6) Fabi (Toleman) - 1:26.664
7) De Angelis (Lotus) - 1:26.799
8) Tambay (Renault) - 1:27.502
9) Alboreto (Ferrari) - 1:27.516
10) Patrese (Alfa Romeo) - 1:27.851

O dia 18 de agosto de 1985 amanhece muito nublado em Zeltweg, com risco de chuva durante a prova. Durante a noite, uma chuva forte caiu na Áustria, chegando a alagar os arredores do circuito e deixando os estacionamentos e os locais de camping cheios de lama. Porém, a pista secou e não havia chuva na hora da largada. Porém, a grama continuava muito escorregadia. Numa reta estreita e cercada pelo muro dos boxes de um lado, e o guard-rail de outro, as confusas largadas em Zeltweg se tornaram lendárias e trinta anos atrás não foi diferente. Lauda consegue uma largada estupenda, pulando para primeiro, enquanto Mansell larga muito mal, permitindo a Piquet pular para terceiro. Fabi sai ainda mais lentamente, causando o caos ao seu redor, com muitos carros se envolvendo numa batida, notadamente Alboreto e Gerhard Berger e a bandeira vermelha aparece, indicando uma segunda largada. Alboreto e De Angelis trocam de carro, o mesmo fazendo Prost, que mesmo não envolvido no acidente, descobriu um superaquecimento em seu motor. Para largar novamente, Fabi utiliza o carro de Piercarlo Ghinzani, que estreava naquele dia pela Toleman e já estava fora da prova. A segunda largada acontece com mais cuidados, mas novamente Mansell não aproveita a vantagem da primeira fila, mas quem pula para frente é Keke Rosberg, assumindo a segunda posição.

Os três primeiros colocados (Prost, Rosberg e Lauda, na ordem) disparam na frente, com Piquet sendo quem liderava o segundo pelotão, porém, a corrida de Rosberg durou muito pouco, com o finlandês tendo o motor quebrado ainda na quarta volta. A corrida fica à mercê dos pilotos da McLaren, pois o terceiro colocado Piquet fica a quase 20s dos líderes em menos de dez voltas, mas para desespero da torcida local, Prost abre uma diferença confortável de 5s sobre Lauda, que parecia incapaz de alcançar o companheiro de equipe nas primeiras voltas. Na volta 14, Andrea de Cesaris perde o controle do seu Ligier na saída da rápida curva Texaco. Quando o italiano encosta na grama molhada, a velocidade do Ligier aumenta e De Cesaris inicia uma espetacular série de capotagens, tornando essa imagem uma das mais conhecidas dos anos 80. Porém, havia apreensão para saber a situação do popular piloto italiano, mas quando De Cesaris emerge ileso do seu carro, mesmo que sujo de lama, todos aplaudem. Menos Guy Ligier. Cansado dos prejuízos de Andrea de Cesaris em 1985, o chefe da equipe demite o italiano ainda nos boxes.

Senna fazia uma bela corrida de recuperação, se aproveitando dos azares alheios e subindo o pelotão com seu belo Lotus. Na volta 15, o brasileiro ultrapassa Teo Fabi e já aparecia na zona de pontos, ficando atrás do seu companheiro de equipe Elio de Angelis, ultrapassado por Mansell, tentando se recuperar de sua péssima largada. Prost sabia da sagacidade de Lauda, ainda mais com o austríaco motivado pela sua despedida em casa. O francês tem dificuldades em ultrapassar os retardatários e permite à Lauda encostar de vez, porém, Prost muda de estratégia e vai aos boxes na volta 26 para trocar pneus, voltando ainda em segundo. Na volta seguinte, o terceiro colocado Piquet, já atacado por Mansell, tem o turbo do seu motor quebrado, mas o inglês da Williams não se aproveita da queda do seu futuro rival e tem o motor Honda quebrado. O segundo motor japonês no dia! Quem aparecia em terceiro era Ayrton Senna, que tinha acabado de ultrapassar De Angelis e numa prova sensacional, já estava com um lugar no pódio, mesmo que longe da briga pela vitória. Com pneus novos, Prost marca a volta mais rápida, mas Lauda se mantém na pista com tranquilos 17s de vantagem. A torcida austríaca fica ouriçada, mas o motor Porsche de Niki Lauda explode na Rindt Kurve (nome do outro ídolo austríaco da F1...) e o tricampeão pára o seu McLaren na reta dos boxes. Para enorme tristeza local, Lauda não venceria sua última corrida em casa.

Isso deixava Prost com uma liderança fantástica, permitindo ao francês dosar o seu ritmo nas voltas finais. Com Elio de Angelis perdendo rendimento, o italiano é alcançado pelas duas Ferraris, com Alboreto na frente. Brigando pelo campeonato Alboreto tentava marcar o maior número de pontos possíveis e se aproveitando dos vários abandonos, num final de semana em que a Ferrari não foi bem, o italiano já estava no pódio! Alain Prost recebe a bandeirada para a sua vigésima vitória na F1, com Senna coroando uma belíssima corrida para ser segundo, acabando com uma série de sete abandonos consecutivos. Alboreto ainda tentou uma aproximação em cima de Senna nas voltas finais, mas não havia tempo suficiente e o italiano da Ferrari garantiu o seu oitavo pódio em 1985. A vitória de Prost o fez reassumir a ponta do campeonato, mesmo que empatado com Alboreto, mas o francês tinha mais vitórias. O campeonato esquentava, na mesma medida em que a F1 começava a se despedir do mito Niki Lauda.

Chegada:
1) Prost
2) Senna
3) Alboreto
4) Johansson
5) De Angelis
6) Surer