terça-feira, 26 de agosto de 2025
Aposta coerente no duvidoso
domingo, 24 de agosto de 2025
Chatice húngara
O horroroso circuito de Balanton Park, curto, cheio de chicanes e onde as motos mal conseguem engatar a sexta marcha, viu mais um passeio no parque de Marc Márquez. Mesmo se atrapalhando na primeira curva com Marco Bezzecchi, Márquez respirou fundo e se vendo em terceiro, precisou de menos da metade da corrida para ultrapassar Franco Morbidelli e Bezzecchi para reassumir a ponta e vencer com enorme tranquilidade nesse enfadonho campeonato 2025 da MotoGP. Márquez prova corrida a corrida que está alguns patamares na frente dos demais pilotos, que se conformam em brigar pela segunda posição. Alex Márquez voltou ao normal e se tornou o piloto errático de antes, caindo durante a prova após uma classificação ruim e marcando poucos pontos. Francesco Bagnaia está com sua confiança destruída e seguiu seu calvário após uma classificação decepcionante e uma corrida medíocre, terminando em nono, após cometer vários erros em disputa com o semiaposentado Pol Espargaró.
Bezzecchi arriscou numa estratégia com pneus macios e acabou alcançado por Pedro Acosta, que caiu várias vezes no final de semana, sendo que uma delas quase jogou sua moto em cima de um cinegrafista, mas o jovem espanhol se segurou no domingo e com o segundo lugar deu um alento à cambaleante KTM. Destaque para Jorge Martin, terminando em quarto lugar na corrida, apenas uma posição atrás de Bezzecchi, mostrando que poderá dar bons resultados à Aprilia até o final da temporada. Luca Marini conseguiu seu melhor resultado com a Honda com um quinto lugar, enquanto Joan Mir segue caindo mais que caju nessa época do ano no Ceará.
Márquez nem ligou muito para a ruindade do traçado de Balanton Park. Na verdade, o espanhol da Ducati não liga para nada rumo ao seu mais tranquilo título em sua já longa carreira. Sem adversários de verdade, Márquez humilha a concorrência.
domingo, 10 de agosto de 2025
Fazendo história
A temporada 2025 da Indy foi amplamente dominada por Alex Palou, algo raro numa categoria conhecida pela competitividade. Até o momento são oito vitórias nesse ano, deixando os demais pilotos no chinelo. Em menos de cem corridas na Indy, Palou já conta com dezenove vitórias, ultrapassando vários campeões no processo. Se já venceu o campeonato por antecipação, Palou fez ainda mais em 2025, pois venceu com duas provas de antecedência, garantindo também o tricampeonato consecutivo, algo não visto desde 2011 com Dario Franchitti. E falando no escocês, desde que Dario venceu o campeonato e as 500 Milhas de Indianápolis em 2010, não se via uma dobradinha na Indy, mas Palou o fez em 2025.
Uma campanha memorável do espanhol, que não tem nada a ver com os vários problemas que a Indy enfrenta. Alex Palou tem o seu nome entre os grandes da história do automobilismo e ainda pode fazer bem mais.
segunda-feira, 4 de agosto de 2025
Figura(HUN): Gabriel Bortoleto
As primeiras corridas de Gabriel Bortoleto na F1 mostram como o brasileiro encara suas temporadas. Após um início exploratório, Gabriel vai aumentando o ritmo, crescendo ao longo do ano e por consequência, melhorando suas apresentações. Bortoleto já vai se reputando por ser ótimo em ritmo de classificação, mas ainda pecava em ritmo de corrida, principalmente na gestão de pneus, algo muito importante na F1 atual. Gabriel foi aprendendo, principalmente com seu experiente companheiro de equipe Hulkenberg e juntamente com o crescimento da Sauber, o brasileiro vai crescendo mais e mais. Após pontuar na Áustria e na Bélgica, novamente Bortoleto conseguiu uma ótima classificação, indo mais uma vez ao Q3, mas foi na corrida que Gabi se sobressaiu. Lutando contra lendas como Alonso e Verstappen, Bortoleto controlou sua corrida com maestria e fazendo funcionar a estratégia de uma única parada, conseguindo se colocar no meio da dupla da Aston Martin e conquistar a sexta posição, sua melhor posição até agora. Em franca ascensão, Gabriel Bortoleto vai se consolidando como um dos grandes destaques entre os vários novatos da F1 em 2025.
Figurão(HUN): Lewis Hamilton
Mais do que (não) fez dentro das pistas, esse lugar da coluna irá para Lewis Hamilton muito pelo o que o inglês falou no final de semana magiar. A esperada união de Hamilton e a Ferrari, anunciado ainda no começo de 2024, passada meia temporada já pode ser classificada como abaixo do esperado. Afora boas exibições bem pontuais e a vitória da Sprint Race da China, a temporada 2025 de Lewis Hamilton está longe de empolgar o mais otimista tifosi, normalmente perdendo para o seu companheiro de equipe Leclerc e tendo várias discussões com o seu engenheiro, o experiente Riccardo Adami durante as corridas. Eliminações nas primeiras fases da classificação começam a ser frequentes e na Hungria, enquanto Leclerc comemorou uma ótima pole, Hamilton amargara a 12º posição no grid. Entrevistado depois dos treinos, Hamilton se adjetivou como 'inútil' e que a Ferrari talvez 'tivesse que trocar de piloto'. A corrida não seria melhor. Largando com pneus duros, Lewis perdeu duas posições logo de cara e preso no 'trem de DRS', o inglês pouco evoluiu e terminou na mesma posição em que largou, ou seja, fora dos pontos. Depois das bombas soltadas no sábado, era esperado o que Lewis falaria após outra corrida ruim. E o inglês não decepcionou. Hamilton falou em 'sentimentos ruins nos bastidores da Ferrari e que estava incomodado'. Multicampeão do mundo, era esperado que Hamilton abaixasse a cabeça e trabalhasse intensamente para reverter a situação atual, mas a realidade vemos um Hamilton depressivo e soltando declarações enigmáticas. Os bastidores da Ferrari tem problemas? Declarações como essas apenas pioram a situação de um relacionamento cheio de expectativas, mas que pode terminar de forma decepcionante para ambos os lados.
domingo, 3 de agosto de 2025
A réplica de Lando
O primeiro stint de corrida foi tranquilo, com Leclerc surpreendendo novamente ao abrir uma boa diferença para Piastri, que manteve uma vantagem segura para Russell. Não demorou muito para Lando ultrapassar Alonso e encostar em Russell, mas o duo inglês se manteve nas mesmas posições, enquanto mais atrás uma briga pela quinta posição começava com Alonso segurando todo o pelotão, mas com raríssimas chances de ultrapassagem. Verstappen ultrapassou Lawson e Stroll, mas nada fez contra um inspirado Bortoleto, que já havia deixado Stroll para trás na primeira volta. As notórias dificuldades de ultrapassagem em Hungaroring se sobressaíram e a corrida passou a ser bem tática. Dos quatro primeiros colocados, Russell foi o primeiro a parar, seguido por Piastri e Leclerc, dando um claro sinal que visitariam os boxes duas vezes. Sem muito o que perder, pois Alonso e sua trupe estava longe demais, sem contar que o asfalto não estava tão quente a ponto de maltratar os pneus, Lando postergou sua parada e passado pouco mais de metade da corrida, o inglês foi aos boxes fazer sua primeiro e único pit-stop. As cartas estavam na mesa e a situação havia virado dramaticamente. Lando era o piloto mais rápido da pista e tirando a diferença dos pilotos da frente, mesmo que economizando borracha. Engenheiros perguntaram a Charles, Oscar e George se podiam ficar na pista até o fim e o ritmo dava uma resposta bem clara: seriam ultrapassados por Lando Norris como se estivessem parados. Não restava outra alternativa se não parar novamente, como planejado, jogando Norris novamente para a ponta. Não antes que o ritmo de Leclerc caísse assustadoramente e ele fosse ultrapassado por Piastri, deixando a briga pela vitória dentro do feudo da McLaren.
Oxente, temos campeão
sábado, 2 de agosto de 2025
Surpresa vermelha
Com todo o trauma que os fãs da F1 está tendo ultimamente por causa da chuva, o tempo nublado em Hungaroring trouxe certos calafrios, mas afora uma ligeira garoa no começo do Q2, o piso seco esteve presente o tempo todo no reformado circuito magiar. Como falado anteriormente, a classificação teve um pelotão sempre muito próximo e Tsunoda foi a primeira grande vítima, ficando fora do Q2 por poucos milésimos. Dessa vez não se pode acusar o piloto japonês de uma péssima classificação, pois Yuki ficou apenas 0,15s atrás de Verstappen, que sua vez forçou um bocado para ir ao Q3 e só conseguindo a oitava posição, tomando tempo da Sauber de Bortoleto. O brasileiro vai conseguindo a reputação de um piloto muito rápido em volta lançado e mais uma vez Gabriel foi ao Q3, superando por larga margem Hulkenberg, que ficou no Q1.
Mesmo com algumas estocadas de Russell e Leclerc, nada poderia prever uma derrota da McLaren na classificação, mas os deuses do automobilismo fizeram com que Leclerc, muito pessimista antes da classificação, conseguisse uma baita volta em sua segunda tentativa e não ser mais superado pela McLaren, liderada por Piastri. A diferença entre os três primeiros ficou inferior a um décimo de segundo e enquanto Charles comemorava surpreso sua pole, Hamilton amargava mais uma eliminação no Q2. Está começando a ficar feio para o multi-campeão. Há previsão de chuva para domingo, mas ao contrário de Spa, o acerto dos carros não será tão afetado assim. Fazer a pole em Hungaroring é essencial, como mostra a história, mas o ritmo superior da McLaren poderá fazer a diferença.
domingo, 27 de julho de 2025
Figura(BEL): Oscar Piastri
Vindo de duas derrotas consecutivas para Lando Norris e a diferença no campeonato cair para apenas oito pontos, Oscar Piastri precisava de uma resposta em Spa. O australiano dominou na sexta-feira, mas foi duplamente derrotado no sábado, mas um dessas derrotas se transformou num baita aprendizado no domingo. Piastri largada na pole na Sprint Race e foi ultrapassado pelo segundo colocado Max Verstappen na primeira volta, com o neerlandês pegando o vácuo na longa reta Kemmel e assumindo a ponta para não mais perdê-la. Horas mais tarde Piastri perdeu a pole para Norris na classificação, mas largaria no domingo na mesma posição de Verstappen. Era a sua chance, mesmo com o piso molhado. Usando a mesma tática certeira de Max, Piastri ultrapassou Lando Norris na primeira volta valendo e tomou a primazia das decisões da McLaren, inclusive de parar na frente quando chegasse o momento de colocar slicks. Sua equipe optou pelos pneus médios, enquanto Lando foi para os duros, indicando que não pararia mais e teria mais pneu nas voltas finais se Piastri fizesse o mesmo. Oscar controlou a corrida com maestria e se aproveitando de alguns pequenos erros de Lando, Piastri voltou a vencer no campeonato, freando a reação de Norris e aumentando novamente a vantagem no campeonato.
Figurão(BEL): Mercedes
Depois de conquistar de forma até dominante o Grande Prêmio do Canadá, com vitória de Russell e o primeiro pódio de Antonelli, a Mercedes entrou numa espiral negativa que está afetando até mesmo os nervos dos seus pilotos. Falava-se que a Mercedes funciona melhor em climas mais frios e em Spa não se tem notícia de corridas calorentas, mas ainda assim o time comandado por Toto Wolff esteve longe de ter um bom rendimento, repetindo as últimas corridas medíocres pós-Montreal. Em Spa nada funcionou direito pelos lados da Mercedes e após outra classificação ruim, o jovem Andrea Kimi Antonelli deu entrevista aos jornalistas com cara de choro e reclamando que perdeu confiança em sua pilotagem. Na corrida o italiano parecia corroborar com o que disse, correndo sem confiança e com vários receios em atacar seus adversários por posições, mesmo tendo um carro nitidamente superior. Foi uma corrida ruim de Antonelli, que esteve longe dos pontos, enquanto Russell, mais experiente, foi ao Q3 no sábado, mas apenas superou a Williams de Albon e ficou boa parte da corrida isolado na quinta posição, vendo sua quarta posição no Mundial de Pilotos sendo seriamente ameaçado por Charles Leclerc. Não bastasse ver uma equipe cliente sua dominar o campeonato, a Mercedes corre o risco de se tornar a quarta força do campeonato, só não sendo mais ameaçada no Mundial de Construtores por a Red Bull correr praticamente com apenas um carro.
Sonolência belga
sábado, 26 de julho de 2025
Primeiro, mas vale a pena?
A classificação desse sábado foi realizado com pista seca e sol, contrariando a meteorologia que previa chuva. Destaques negativos para a Aston Martin e Lewis Hamilton. A equipe verde trouxe vários updates, mas nada funcionou corretamente e Alonso e Stroll compartilharão a última fila do grid, em outro final de semana desafiador para a Aston Martin, que reza para chegar logo 2026. Já Hamilton, que na classificação da Sprint já ficará na primeira fase, repetiu a proeza no sábado, ao ter sua volta deletada e largará apenas em 16º. Nada bom para Lewis, mas que salvou Bortoleto da eliminação e o brasileiro barbarizou no Q2, fazendo uma ótima volta, quatro décimos mais rápido do que Hulkemberg, e indo para o Q3. Nesse seu primeiro ano de F1, Bortoleto vai conquistando a boa fama de piloto muito rápido em volta lançada.
Com altas chances de chuva para o domingo, a Red Bull teve que reverter seu acerto de pouco downforce e Verstappen não teve chances contra a dupla da McLaren, mas pelo menos Tsunoda foi ao Q3. Ok, levou mais de 1s de Max, mas ao menos Yuki vai para largar entre os dez primeiros. Para complicar a situação de Max, Leclerc tirou uma ótima volta e conseguiu um ótimo P3, deixando Verstappen ainda mais longe da dupla papaia, que brigaram centésimo a centésimo pela pole, com Norris conseguindo a vantagem, extinguindo a enorme desvantagem que tinha para Piastri na sexta-feira, mas como visto na Sprint, a vantagem da pole pode durar menos de uma volta. Sem contar que a chance de chuva para domingo é enorme e tudo pode ficar ainda mais bagunçado.
domingo, 20 de julho de 2025
Táticas, táticas, táticas...
Mais do mesmo
domingo, 13 de julho de 2025
O Rei da Saxônia
sábado, 12 de julho de 2025
Pato frustra a Penske
Volta pra casa?
Ainda em 2024 a Globo chegou a anunciar num evento interno que transmitiria a F1 em 2025, mas numa reviravolta espetacular, a Band conseguiu manter seu contrato para 2025. Todavia, todos sabiam que o contrato com a Band terminaria em 2025 e que a Rede Globo viria com força para trazer a F1 de volta. Nessa sexta-feira à tarde já começaram os rumores de que a Globo anunciaria durante o Jornal Nacional a volta da F1 à sua grade a partir de 2026. Foi tão grande os murmúrios que a Globo antecipou o anúncio nas suas redes sociais. De forma oficial, a F1 retorna à Rede Globo após cinco anos.
Observando o comportamento nas redes sociais, houve alguma revolta, com muitas pessoas reclamando da troca. Para início de conversa, mais de 90% das pessoas que reclamam se acostumaram a assistir a F1... pela Globo. A polarização política atual faz da empresa da família Marinho inimiga número um de uma parcela da população e isso se reflete numa situação totalmente alheia. Outro ponto é que o Brasil pode se considerar privilegiado de ter a F1 em TV aberta, mesmo que nesse novo contrato, as corridas no período da tarde ficarão no SporTV, com a Rede Globo transmitindo em torno de quinze corridas, com as demais passando em horário alternativo. No caso, de madrugada. Em boa parte do mundo, se você quiser ver uma corrida de F1 terá que pagar TV por assinatura ou Streaming.
Sim, a Globo tem seus defeitos, mas o fato de termos transmissão em TV aberta em boa parte do calendário será um baita privilégio. No entanto, a Globo cometeu algumas gafes com os fãs da F1 nos seus últimos anos de transmissão. A classificação foi limada da grade de sábado, só passando no SporTV, que passará também todos os treinos livres, além de F2 e F3, algo parecido que a Band fazia no Bandsports. O pódio também deixou de ser passado e a transmissão se iniciava poucos minutos antes da largada. A Band abria a transmissão com uma hora de antecedência e passava os pódios normalmente. O motivo é bem simples para isso. Enquanto a Band tem uma flexibilidade muito grande em sua grade, se um programa não for ao ar na Globo, isso pode causar um seríssimo problema comercial. Não duvido nada que os pódios continuem de fora da transmissão, até mesmo porque nos últimos anos surgiu a entrevista pré-pódio e a cerimônia está bem demorada.
Muita gente sentirá falta da Band, mas olhando de uma forma bem parcial, havia ali bastante coisa contestável. Sergio Maurício teve um ótimo primeiro ano como titular da F1, mas depois se perdeu, tentando achar emoção onde não havia e mandando 'abraços' a todo momento. Sem contar que o narrador se meteu em várias polêmicas fora das corridas, tornando-o uma persona non grata para determinados públicos. Reginaldo Leme é uma lenda, todos crescemos ouvindo sua voz pausada, contudo, o veterano jornalista pecou em vários momentos em citar fatos históricos de forma errônea e o próprio Reginaldo já falou que sua aposentadoria das transmissões está próxima, até mesmo pela idade. Havia uma sensação de que Mariana Becker, sem dúvida uma insider do mundo da F1, não aproveitava muito bem seu espaço, falando mais sobre os cachorrinhos de Hamilton e Leclerc do que algo mais construtivo da F1. Max Wilson tentava ser engraçado, mas era nítido que o nível da transmissão caía bastante quando ele estava escalado, principalmente em comparação à Felipe Giaffone, não sem surpresas, o único que a Globo ainda cogita trazer de volta.
A Band fez bem seu papel, mesmo com bastante erros, que muitas vezes irritavam um ouvido mais atento. A Globo retorna à F1, mas espera-se que a Vênus Platinada trate melhor o produto F1. Os fãs agradecem.
F1, o filme - Crítica
Confesso que fui assistir ao filme com uma expectativa baixa, mesmo com as primeiras críticas sendo muito boas. Dirigido pelo mesmo diretor de Top Gun Maverick, foi falado na divulgação que o filme seria uma espécie de Top Gun em quatro rodas. Logo de cara percebi algo que seria confirmado ao longo de duas horas e meia de filme: a película seria clichê do começo ao fim. Um roteiro previsível e com alguns buracos para quem entende da realidade das corridas se faz presente. Grande estrela do filme, Brad Pitt é carisma puro, mas faz um papel de canastrão, já visto em outros filmes do ator. Tendo como um dos produtores Lewis Hamilton, o papel de Damson Idris é uma cópia perfeita do que era o próprio Lewis no começo de carreira, ou seja, um piloto talentoso, mas sem nenhum conteúdo. Muito provavelmente Hamilton tenha se inspirado em si mesmo em 2007 para desenvolver o personagem Joshua Pearce.
A imersão dentro do cockpit chama a atenção, junto à uma edição de som próxima da perfeição, além de uma trilha sonora de arrepiar. Para quem curte F1, as referências atuais e históricas são bem interessantes, com praticamente todo os pilotos e dirigentes marcando presença, inclusive em entrevistas e mensagens de rádio. A menção de Kevin Magnussen chegou a ser engraçada de tão real. Situações inverossímeis podem entrar na parte de 'licença poética'. Uma equipe sair do nada para vencer provas por causa de uma mudança sutil vinda de um piloto que estava trinta anos fora da F1 dói nos ouvidos dos mais puristas. Isso sem contar que uma equipe contratar um piloto de cinquenta anos já é dose de lascar, como Will Buxton fala numa das 'entrevistas'. O receio do filme ser uma continuação de 'Driven' não acontece, mas em alguns momentos esbarra no esquecível filme de 2001, como no acidente de Joshua Pearce em Monza. Também ao contrário do filme de Stallone, 'F1, the movie', conquistou uma bela bilheteria e já há quem fale que foi o filme de 2025, mesmo estando ainda no meio do ano.
Se fosse dar uma nota, daria nota 7. 'F1, the movie' passa de ano por não ser uma espécie de 'Driven 2, a missão', mas fica muito distante dos recentes 'Rush' e 'Ford vs Ferrari'. Se você quer um filme realista, melhor não ir, mesmo com muitas referências à F1 atual e até mesmo do passado, mas se você procurar um bom passatempo e curtir um verdadeiro 'Blockbuster', 'F1, the movie' é a aposta certa.
quarta-feira, 9 de julho de 2025
Final de uma era
A saída de Christian suscitou vários questionamentos, mas o principal é: Horner saiu porque a Red Bull já sabe que perdeu Max Verstappen ou Horner saiu para segurar Max Verstappen numa tentativa desesperada?
Por mais que se fale do escândalo em que Horner se meteu no começo de 2024, quando foi acusado de importunação sexual contra uma funcionária, ou até mesmo a perca de rendimento da equipe Red Bull nos últimos dezoito meses, o certo é que a queda de Horner passa muito por Max Verstappen. Trazido como menina dos olhos da Red Bull, Max logo tomou de conta da equipe, com beneplácito de Horner, que já havia feito algo parecido na época de Vettel, porém, a relação com Max foi mais visceral e Sebastian, em seus bons tempos de Red Bull, não tinha em seu entourage um pai que se mete em tudo que ronda a carreira do filho.
A relação entre Christian Horner e Jos Verstappen, pai de Max, não era dos melhores fazia um bom tempo. Quando Dietrich Mateschitz faleceu no final de 2022, um vácuo de poder ficou aparente na equipe Red Bull e dois personagens apareceram. De um lado, Horner, na equipe desde 2005 e cujo trabalho ninguém poderia colocar muitos defeitos. Do outro lado, havia Helmut Marko, consultor de longa data de Mateschitz e de muita influência dentro do programa Red Bull no automobilismo. Horner mantinha o pode centralizado nele, mesmo com outras equipes dando exemplos que uma gestão decentralizada funciona melhor, como é o caso da McLaren. Marko se incomodava com esse poder e a chance concreta de ser descartado pelo todo-poderoso Horner. Então veio o caso de acusação de assédio contra Horner no início de 2023 e a situação dentro dos bastidores da Red Bull começou a degringolar. Uma luta de poder dentro da equipe colocava Horner e Marko como grandes antagonistas. Logicamente os dois procuraram aliados e a velha raposa Marko procurou o clã Verstappen, piorando ainda mais o clima dentro da equipe.
Horner acabou inocentado das acusações e fincava seu lugar na equipe muito pelo lado tailandês do grupo Red Bull, mas o inglês passou a ter seu trabalho observado minuciosamente. Toda a confusão no ano passado quase custou o tetracampeonato de Verstappen, mas a Red Bull terminou o Mundial de Cosntrutores em terceiro. Um êxodo de peças-chave da equipe afetaram o time, começando por Adrian Newey, que fez muita falta nos piores momentos da equipe em 2024. A gestão de pilotos de Horner foi questionada. Com todas as atenções em Verstappen, ser o segundo piloto da Red Bull se tornou uma missão ingrata. Mesmo com o contrato renovado, Sergio Pérez foi demitido no final de 2024 e ainda recebeu uma bela indenização. Liam Lawson chegou para substituir Checo, mas após duas apresentações lamentáveis, o neozelandês foi dispensado, causando a promoção de Yuki Tsunoda, mas com resultados tão ruins quanto. Todos sabem que Pérez, Lawson e Tsunoda não são bobos, portanto, toda a culpa de seus dissabores caiu para a Red Bull. E a gestão de Horner.
Então surgiu o interesse da Mercedes em Max Verstappen, que foi aumentando na medida em que o neerlandês tendo que tirar coelhos da cartola para se manter minimamente na briga por vitórias e, principalmente, poles. Horner trouxe a Ford para o seio da Red Bull, mas todos sabem que o início dessa parceria tende a ser complicada, enquanto se fala que a Mercedes virá muito forte com o novo motor em 2026. Por mais que os vários títulos e vitórias que Horner trouxe, além da Ford, para a Red Bull, a chance real de perder Max Verstappen era ruim demais para ser verdade dentro do reino da Red Bull Racing.
Nessa quarta-feira, foi anunciado o desligamento de Christian Horner com efeito imediato para a entrada de Laurent Meckies, antigo chefe de equipe da Racing Bulls, que assim como faz com os pilotos, também ajudou a promover um chefe. Horner foi de uma geração mais antiga, onde toda a equipe era centralizada numa só pessoa. O inglês enfrentou Ron Dennis, Jean Todt, Flavio Briatore e Frank Williams na carreira, mas seu grande rival foi mesmo Toto Wolff, que se confirmado a ida de Max para a Mercedes, o dirigente austríaco teria ajudado bastante na saída de Horner da Red Bull. Lógico que o futuro de Horner será acompanhado com bastante carinho, inclusive com a Ferrari ainda não tendo renovado com Fred Vasseur, sendo uma grande candidata a contar com Horner, isso sem falar de como será o futuro da Red Bull sem Christian Horner, que além dos vários problemas a resolver, a Red Bull ficará sem o seu grande líder, que foi o rosto da equipe nos seus primeiros vinte anos.
segunda-feira, 7 de julho de 2025
Figura(ING): Nico Hulkenberg
Não poderia ser outro!!! Poucas vezes a F1 se uniu para celebrar algo como o esperado primeiro pódio de Nico Hulkenberg na F1. Além de querido por todos, Nico Hulkenberg nunca teve sua qualidade questionada em seus mais de quinze anos de F1. Vindo de ótimos resultados na ascendente Sauber, Hulkenberg se aproveitou da ótima tática da Sauber em meio ao turbilhão de mudanças que marcou o Grande Prêmio da Inglaterra. A Sauber não colocou pneus slicks no carro do alemão, mas o time helvético foi esperto em colocar pneus intermediários novos no momento em que desgaste era mais acentuado, fazendo com que Hulkenberg ganhasse um terreno considerável na frente dos rivais, subindo para quarto, logo atrás de Lance Stroll. Quando DRS pôde ser ativado, Hulk rapidamente ultrapassou Stroll, mas Nico ainda teria que enfrentar Lewis Hamilton em sua casa. Quando deixou Lance para trás, Hulkenberg imprimiu um ritmo fortíssimo, parecido com o de Hamilton, que mesmo quando teve o DRS à disposição, não intimidou Hulkenberg. No sempre delicado momento de colocar pneus slicks em condições mistas, Hulkenberg novamente se deu bem, pois ao colocar pneus médios no momento certo, viu sua vantagem para Hamilton aumentar para 7s. Lewis estava com macios e chegou a se aproximar, mas com o asfalto mais quente, os macios se acabaram rapidamente, fazendo com que Hulkenberg se sustentasse no terceiro lugar e conseguisse o seu primeiro pódio na F1 e o primeiro da Sauber desde 2012. Foi um dos pódios mais comemorados dos últimos tempos.
Figurão(ING): Franco Colapinto
Quando estreou na F1 pela Williams em meados da temporada passada, substituindo Logan Sargeant, Franco Colapinto não demorou para se transformar na nova coqueluche da F1, trazendo consigo a força da torcida argentina para dentro do ecossistema da F1 após anos sem pilotos portenhos na categoria. Com personalidade forte e alguma velocidade, Colapinto impressionou muita gente, mas após algumas corridas, Franco começou a mostrar alguns problemas, sendo o principal sua predileção a sofrer grandes acidentes. Com dois pilotos contratados para 2025, a Williams não pôde usar Colapinto, mas o emprestou à Alpine. O time francês está sob comando do veterano Flavio Briatore e o italiano se enamorou por Colapinto. Mesmo a Alpine tendo promovido Jack Doohan de sua canteira, Briatore praticamente escanteou o jovem australiano e deixou Colapinto à espera no começo da temporada. Pressionado, Doohan pouco mostrou e acabou substituído por Colapinto após apenas cinco provas, para alegria de Briatore e a torcida argentina. Contudo, não demorou muito para o sonho portenho se tornar num pesadelo. Piloto da academia da Williams, Colapinto conhecia o carro e por isso demonstrou bom rendimento... quando não estava no muro. Sem muito tempo para ter contato com o novo carro da Alpine, Franco está sofrendo muito mais do que o esperado, só que além de bem mais lento do que Gasly, Colapinto continua batendo demais e em Silverstone, o argentino colecionou mais um acidente durante o Q1, relegando-o à última posição. As câmeras de TV, cruéis, procuraram a reação de Briatore nos boxes, que não escondeu o incômodo com mais um incidente do piloto que alguns meses atrás era tratado como um fenômeno, mas agora se vê na mesma situação de Doohan. Colapinto nem largou no domingo por causa de um estranho problema mecânico antes da largada, enquanto Toto Wolff declarou que Briatore já o procurou para explorar a situação contratual de Valtteri Bottas. Mantendo a pose blasé, Colapinto se faz que não é com ele, mas de piloto promissor, Franco tende a sair da F1 pelas portas dos fundos.
domingo, 6 de julho de 2025
Normalidade em meio ao caos
No momento da relargada, Piastri cometeu um erro que mostrou decisivo e poderá ser ainda mais crucial na contagem final de pontos. O Safety-Car estava prestes a recolher aos boxes e Piastri freou forte na reta Hangar, diminuindo o ritmo para reacelerar quando puder e quiser. O problema era que a visibilidade ainda estava ruim e o segundo colocado Max Verstappen desviou de última hora e Norris freou forte para não ultrapassar o companheiro de equipe. A manobra do líder frear um pouco antes da relargada já aconteceu centenas de vezes no automobilismo, mas hoje havia a questão da visibilidade e da pista molhada. O incidente seria julgado algumas voltas depois, com Piastri tomando 10s pela manobra. Se isso tem a ver ou não, Max Verstappen esbravejou via rádio e na curva seguinte, rodou sozinho, caindo para a décima posição e saindo da luta pela vitória.