segunda-feira, 29 de junho de 2026

Figura(AUT): Max Verstappen

 A Red Bull chegou à sua corrida caseira correndo atrás de fazer Max Verstappen cumprir seu contrato, trazendo vários updates ao seu carro e sair da incômoda posição de quarta força da F1 atual. Max e seu empresário já declararam que preferem ficar na Red Bull, mas Max precisa estar pelo menos na luta pela vitória. Após treinos livres até mesmo discretos, a força de Max Verstappen, particularmente no Red Bull Ring, que tem uma arquibancada reservada para a torcida de Max, se fez presente a partir da classificação. No Q3 Verstappen conseguiu uma volta incrível em sua primeira tentativa e se não fosse seu acidente na segunda volta rápida, o neerlandês estaria na luta pela pole. Na corrida Max Verstappen fez uma corrida muito forte e como visto nos últimos anos, levando seu carro nas costas para lutar com as fortíssimas Mercedes pela vitória com um carro nitidamente inferior, imprimindo um ritmo acima do potencial do carro. No final, Max chegou apenas 1,6s atrás do vencedor George Russell para conseguir seu melhor resultado em 2026, além de demonstrar que além da Red Bull, o chefe da Mercedes Toto Wolff corre atrás de contar com seus serviços. Max Verstappen faz muita diferença!

Figurão(AUT): Aston Martin

Quando Lawrence Stroll comprou a estrutura da então Force India e logo depois adquiriu a tradicional marca Aston Martin, o magnata canadense iniciou um grande investimento na equipe, transformando a agora equipe Aston Martin em um dos times mais estruturados do paddock da F1. E o potencial da equipe fica claro com a chegada do gênio Adrian Newey e a parceria com a Honda. O genial Fernando Alonso esperava 2026 com a mesma expectativa de muita gente sobre a equipe Aston Martin, mas o que estamos vendo é uma das maiores decepções da história recente da F1. Como normalmente ocorre em sua história com a F1, a Honda nunca escolhe o caminho mais fácil para se desenvolver, mas com o tempo se percebe que o carro concebido por Newey está longe de ser os melhores projetos do engenheiro. Na Áustria, a Aston Martin ficou na última fila do grid, tomando um segundo da equipe Cadillac, que não tem dez corridas de F1 e tem sérios problemas de estrutura, como carros se desfazendo no meio das corridas. Enquanto Stroll abandonou a corrida com problemas de carro, um cada vez mais impaciente Fernando Alonso foi último colocado, três voltas atrás do vencedor e um minuto atrás do penúltimo. Para quem esperava que os novos regulamentos pudesse colocar a Aston Martin nos líderes, usando sua estrutura e recursos, 2026 vem sendo uma verdadeira desilusão e Red Bull Ring mostrou de forma clara. 

domingo, 28 de junho de 2026

Na malandragem

 


A pole conseguida na base da malandragem no sábado foi primordial para George Russell voltar a vencer na F1 em 2026. Com o posicionamento a seu favor, Russell pôde administrar melhor o forte desgaste de pneus no Red Bull Ring e triunfar pela segunda vez no ano. Mais importante foi Russell diminuir ainda mais a distância que tem para seu companheiro de equipe Antonelli no campeonato, com o italiano subindo ao pódio depois do seu abandono em Barcelona, tendo o genial Max Verstappen entre eles. Após seu forte acidente na classificação, Max fez uma excelente corrida na casa de sua equipe e terminou a prova em segundo.


Fez um calor quixadaense nas montanhas da Estíria nesse domingo, fazendo que novamente o desgaste de pneus fosse um fator determinante para o resultado da corrida, como ocorrera na quinzena passada em Barcelona. Com a temperatura novamente passando dos 30ºC em Spielberg num final de semana escaldante na Áustria, gerir os pneus faria bastante diferença, mas Russell tratou de garantir um bom posicionamento na corrida ao fazer uma largada bem diagonal, fechando a linha de Charles Leclerc e confirmar sua pole ao emergir na primeira curva na ponta. Já seu companheiro de equipe Antonelli fez uma primeira volta bem atrapalhada, onde saiu da pista nas curvas um e três, mas sem maiores prejuízos ao italiano. Leclerc começava o seu calvário ainda na primeira volta, quando se viu atacado por Hamilton e o inglês assumiu a segunda posição, enquanto Charles iniciava uma corrida medonha com a outra Ferrari. Hamilton em segundo no começo da prova acendeu uma luz vermelha na Mercedes, pois em Barcelona Lewis fez uma grande corrida e garantiu sua primeira vitória com a Ferrari executando uma agressiva estratégia aliada ao forte calor em Barcelona. Na Áustria Hamilton estava numa situação similar, com o inglês da Ferrari ainda melhor posicionado e isso criou uma expectativa boa para os lados de Maranello.

Um pouco mais atrás o pobre ritmo de Leclerc o fez ser atacado por Antonelli, mas corroborando com o início de corrida atabalhoado do italiano, Kimi ultrapassou Leclerc saindo da pista, o obrigado a devolver a posição. Max Verstappen enxergou nessa manobra uma chance de ouro e enquanto Antonelli cedia sua posição de volta para Leclerc, Max ultrapassou a ambos, assumindo o terceiro lugar. Hamilton estava num ritmo de espera, mas tinha Russell nas suas vistas. Já Max Verstappen, impelido pela sua torcida que lotou uma arquibancada em Red Bull Ring, alcançava o inglês da Ferrari. Desde 2021 os encontros entre Lewis e Max são garantia de entretenimento e Red Bull Ring não foi exceção. Max tentou um ataque na curva 3, mas recebeu o troco logo em seguida. Foi irônico ouvir Max pedir punição por um comportamento em que muitas vezes ele o faz. Tudo isso deixava Russell ainda mais tranquilo, pois se antes da briga o inglês tinha 2s de vantagem sobre Lewis, a disputa fez essa vantagem subir para 5s. Hamilton rapidamente foi aos pits e pela volta (11º), Lewis novamente iria para uma estratégia de três paradas.

Algumas voltas depois George e Max fizeram suas paradas, enquanto Antonelli, que reclamava dos freios e de si mesmo via rádio, ficava mais tempo na pista. E o italiano teria mais do que reclamar quando entrou no pit-lane no exato momento em que Carlos Sainz abandonava seu Williams na reta dos boxes, trazendo o Safety-Car Virtual. Mais uma volta e Kimi ganharia um terreno enorme...


De forma surpreendente a Ferrari trouxe Hamilton aos boxes mais uma vez e colocou pneus macios no carro do inglês, fazendo-o cair para trás de Hadjar e logo à frente de Lando Norris, que tinha acabado de fazer sua parada. Mais importante do que isso foi constatar que Russell, agora com pneus duros, não tinha o mesmo rendimento e Verstappen se aproximava lentamente. Antonelli voltou à pista em quarto após sua parada e teve que ultrapassar Leclerc novamente para ficar em terceiro. A corrida estava nas mãos dos três primeiros e o momento da parada de cada um deles definiria a corrida. Com claras dificuldades com os pneus, Russell foi o primeiro a parar pela segunda vez, com Max parando seis voltas mais tarde e Antonelli esperando mais três voltas para realizar a parada de número dois. Isso criou uma espécie de efeito sanfona nos três primeiros. A parada mais cedo de Russell o deu uma ligeira vantagem nas primeiras voltas, mas com dificuldades com os pneus duros, o inglês perderia rendimento para Max e Kimi. Em menor grau, o mesmo ocorreria com Antonelli em relação à Verstappen. As voltas finais foram tensas, com o terceiro colocado (Antonelli) mais rápido que os dois primeiros, com o líder da corrida (Russell) sendo o mais lento. Porém, se nada demais ocorresse, as posições seriam mantidas, mesmo que os três cruzassem a linha de chegada bem próximos. Kimi conseguiu uma grande aproximação na última volta, mas conhecendo Max Verstappen, ele defenderia sua posição com unhas e dentes, fazendo-o se aproximar bastante de Russell. Na bandeirada, George Russell tinha menos de 2s o separando para o terceiro colocado Antonelli, com Max Verstappen no meio do sanduíche da Mercedes.


Não foi uma vitória brilhante de George Russell, mas que começou com a pole polêmica conseguida no sábado e com o melhor posicionamento, administrou muito bem a corrida, mesmo com Max e Kimi mais rápidos do que ele nas voltas finais. Apesar de Russell continuar sofrendo com os pneus mais duros de cada final de semana e não ter sido o 'melhor homem em campo', essa vitória poderá fazer bem à confiança de Russell, que parecia abalada pelas constante derrotas sofridas para Antonelli nas últimas semanas. O início claudicante de corrida de Antonelli, admitido pelo próprio, fez com que o italiano se atrasasse de forma definitiva e não lutasse pela vitória, mas Kimi não pode renegar os pontos do terceiro lugar, que o colocam ainda com uma liderança confortável no campeonato, enquanto Russell reassumiu a vice-liderança, mesmo ainda quarenta pontos atrás de Antonelli.


No entanto Toto Wolff e seus blue caps tem que abrir o olho para a concorrência, cada vez mais próxima da Mercedes. Se em Barcelona a Ferrari quebrou a invencibilidade prateada em 2026, nesse domingo Max Verstappen levou novamente seu Red Bull nas costas a brigar pela vitória. Ainda mancando pela pancada no sábado, Verstappen usou muito bem os updates da Red Bull para uma segunda posição excelente. As brigas com Hamilton atrasaram Verstappen e pode ter feito muita diferença para o que seria uma surpreendente vitória do neerlandês. Já a Ferrari foi a grande decepção do domingo. Num cenário parecido de Barcelona, dessa vez os italianos não foram tão cuidadosos com os pneus quanto o foram na Catalunha e mesmo repetindo a tática de três paradas, Lewis Hamilton teve que se conformar com uma apática quinta colocação, bem longe dos líderes. Pior foi Leclerc, que esteve sempre com um ritmo abaixo do companheiro de equipe e lento na pista, teve que fazer um pit-stop extra que o fez cair para oitavo, o último dos pilotos das quatro grandes. Os treinos livres indicavam uma McLaren forte em ritmo de corrida, mas na prática isso não foi visto. Piastri largou melhor do que Norris e com isso garantiu as melhores opções para os táticos da McLaren, mas isso só garantiu um quarto lugar ao australiano, enquanto Norris teve que se contentar com a sétima posição, logo atrás de Hadjar, que fez uma prova discreta, mas pelo menos garantindo bons pontos para a Red Bull no Mundial de Construtores. Ou seja, fazendo o que dele, Hadjar, é esperado.


Largando entre os dez primeiros, a dupla da Racing Bulls liderou o pelotão intermediário de ponta a ponta, mesmo Liam Lawson ter reclamado de um pequeno incêndio em seu carro no começo da prova. De alguma forma o fogo se apagou e o neozelandês garantiu a nona posição, à frente de Lindblad. Gabriel Bortoleto fez uma corrida sólida, surpreendeu ao largar com pneus macios, manteve um ritmo superior ao do seu companheiro de equipe Hulkenberg e pela terceira corrida consecutiva, conseguiu a 11º posição, permanecendo com os mesmos pontos conquistados na primeira corrida da temporada. A Audi parece ter um ótimo chassi, mas sofre com o primeiro motor construído pela montadora. Alpine e Haas brigaram pelas posições seguintes, enquanto a Williams continua seu ano horrível e o barulho feito pelo carro de Sainz quando ele abandonou exemplifica bem a temporada da Williams. Mesmo Albon tendo feito uma corrida miserável, Alonso ainda terminou um minuto atrás do anglo tailandês com sua Aston Martin que toma 1s em média de uma equipe como a Cadillac, que abandona com seus dois carros por incêndios ainda nas voltas iniciais. 


A corrida no Red Bull Ring pode marcar o ressurgimento de George Russell no campeonato, mesmo o inglês estar longe de fazer um certame de levantar as sobrancelhas. George soube usar as circunstâncias ao seu favor e uma vitória pode faze-lo a recuperar a confiança perdida. Mesmo em terceiro, a sensação que ficou foi que Antonelli performou mais do que seu companheiro de equipe, mas a Mercedes tem que observar pontos como a falta de confiabilidade (o motor de Sainz foi mais um Mercedes a quebrar) e a chegada dos seus rivais na luta por vitórias.

A vez de Ogura

 


Um fenômeno interessante visto em 2026 foi a forma como Ai Ogura administra suas corridas na MotoGP. O japonês da Trackhouse Aprilia normalmente não consegue boas classificações e faz começos de prova bem discretos. Ogura cuida dos pneus e do equipamento na primeira metade da corrida e então parte para o ataque, conseguindo várias ultrapassagens aliado a um ritmo muito superior aos demais. Em cima da melhor moto da temporada 2026 da MotoGP, a primeira vitória de Ogura veio na Catedral da motovelocidade e foi bem ao seu estilo.

A Aprilia dominou o final de semana inteiro, conseguindo as quatro primeiras posições no grid, mesmo que com o piloto errado. Durante a semana os primeiros dominós começaram a cair na dança de cadeiras para 2027 e a Ducati anunciou a contratação de Pedro Acosta, enquanto Bagnaia anunciou sua ida para a Aprilia, correr ao lado de Bezzecchi. De saída da equipe, Jorge Martín ficou com a pole em Assen, seguido pela dupla da Trackhouse, que se destacou na Sprint Race e completou uma dobradinha, com Raul Fernández na frente de Ogura.

O dia prometia tão bom quanto no domingo para a Aprilia, porém Marco Bezzecchi sofreu uma violenta queda ainda no começo da prova, levando o italiano ao hospital e perder a liderança do campeonato após três corridas consecutivas zerado. Lá na frente, Martín se manteve na ponta, seguido de perto pela dupla da Trackhouse. Numa corrida cheio de abandonos, Bagnaia liderava o segundo pelotão como a melhor Ducati, mas teve um problema mecânico, enquanto Acosta saiu da corrida com um problema no pulso direito que o levará a uma cirurgia nos próximos dias. Marc Márquez era um distante quarto colocado, mas foi atacado por Fabio DiGiannantonio na chicane e os dois saíram da pista. Pior para o italiano, que foi punido, mas Fabio se recuperou, ultrapassou os irmãos Márquez para ser quarto colocado e o melhor do resto.

Lá na frente o pódio e a luta pelo pódio era todinho da Aprilia. Martín liderou a maior parte da corrida, mas Ogura escrevia o mesmo script visto em outros momentos da temporada. O nipônico estudava os rivais e ficava à espreita, enquanto cuidava de sua moto e dos pneus no forte calor em Assen. Quando a corrida se aproximou do seu final, Ogura cresceu como fizera antes, mas estando mais perto da ponta, uma vitória estava ao seu alcance, mesmo dando um susto quando acionou acidentalmente o rebaixamento de suspensão de sua Aprilia. Sem perder muito tempo, Ogura viu Fernández atacar Martín e vulnerável, o piloto da equipe oficial foi superado por Ogura poucos metros depois. O japonês não demorou muito para superar Fernández rumo a uma vitória consagradora.

Depois de 22 anos, um japonês voltava a vencer na MotoGP, mas se o atrapalhado Makoto Tamada não parecia ter condições de lutar pelo título, Ai Ogura, com seu estilo cerebral, está em quarto lugar no campeonato 25 pontos atrás de Martín, o novo líder do campeonato e pode fazer o torcedor japonês sonhar em 2026. O certame da MotoGP permanece muito aberto e a fase de Ogura, agora mais confiante com a primeira vitória na MotoGP, permite apontar o japonês como um dos pilotos a serem observados.

sábado, 27 de junho de 2026

Pole polêmica

 


Quando Max Verstappen perdeu seu carro na curva nove e bateu na proteção de pneus no final do Q3, a classificação para o Grande Prêmio da Áustria parecia definida. A bandeira amarela dupla no último setor da pista impossibilitaria a melhora de qualquer piloto no momento decisivo da classificação. À essa altura a Ferrari comemorava nos boxes a primeira fila da equipe italiana, liderados por um surpreendente Charles Leclerc. Contudo, George Russell baixou o tempo de Leclerc e tinha o tempo mais rápido do Q3. Iniciando uma polêmica com algumas prováveis consequências.

A classificação na escaldante Spielberg não mostrava muitas surpresas. No Q1, as três piores equipes do momento ficaram pelo caminho: Williams, Cadillac e Aston Martin. Nessa ordem. A novata Cadillac já começa a alcançar a veterana Williams, mesmo com a equipe americana vendo seus carros se desmancharem ao longo do ano. Pior é a Aston Martin. Num circuito de 70s, a equipe altamente financiada por Lawrence Stroll perde mais de 1s para um time novato e provavelmente com um dos menores orçamentos da F1. Alonso claramente está mais e mais impaciente.

A Mercedes havia dominado os treinos livres, na tentativa de dar uma resposta à vitória da Ferrari em Barcelona. Mesmo usando uma melhoria no motor, a Ferrari fazia um final de semana até mesmo discreto, com a McLaren aparentando estar mais próxima da Mercedes. Mais discreta estava a Red Bull. Com Max Verstappen estando na mesma vibe de Alonso, a equipe caseira não fizera muito para sair do lugar de quarta força da F1 em 2026. Contudo, Max Verstappen mostrou mais uma vez porque a Red Bull faz tanta força para ficar com ele. O neerlandês conseguiu uma volta espetacular no Q3, surpreendendo a todos e superado apenas por poucos centésimos de segundo pela dupla da Mercedes.

Então a dupla da Ferrari apareceu com força e se Hamilton fora mais rápido no geral, Leclerc veio com tudo no momento decisivo e superou seu companheiro de equipe quando importava. Então Max vinha voando com seu carro, pronto para tirar a pole de Leclerc quando perdeu o controle do seu carro e bateu. Logo atrás vinha a dupla da Mercedes. Antonelli dominava Russell no final de semana e tirou o pé. George não. O inglês completou sua volta e garantiu o tempo mais rápido. A sensação era de que Russell perderia a pole, mas de forma surpreendente, a FIA rapidamente declarou que não haveria investigação e na entrevista pós-treino, Russell declarou que tirara o pé e chegou a perder 0,25s. Se tivesse completado a volta sem tirar o pé, como dissera, Russell e até mesmo Antonelli meteria meio segundo nas Ferrari. Basta saber se a Ferrari engolirá isso...  

domingo, 21 de junho de 2026

Estão deixando Marc chegar


 Duas semanas após a vitória na Hungria, Marc Márquez encararia a mítica pista de Brno, um circuito com muitas curvas para a direita, o que em teoria não o ajudaria. Contudo, não se pode duvidar de uma lenda como Marc Márquez. O espanhol superou o seu companheiro de equipe e mesmo não estando 100% fisicamente, Márquez começa a farejar sangue na água.

Ainda mais com a asneira cometida por Marco Bezzecchi, atual líder do campeonato e já aparecendo algumas manchas em amarelo em seu macacão. Pois somente isso poderia explicar, mesmo sendo inexplicável, o seu comportamento após a sua queda na Sprint Race. Considerado um piloto cerebral, Bezzecchi deu dois tapas num comissário de pista, que levantava sua moto caída na caixa de brita em Brno. Uma cena lamentável para qualquer piloto, ainda mais para alguém que lidera o campeonato da principal categoria da motovelocidade. A punição veio rápida e sem maiores contestações. Bezzecchi foi desclassificado do resto do final de semana, ficando de fora da corrida do domingo. Apesar do pedido de desculpas aparentemente sincero ao comissário tcheco e o choro, essa atitude de Marco Bezzecchi pode ser um sinal de que o italiano da Aprilia está sentindo a pressão crescer.

Para sorte de Bezzecchi, Jorge Martín pagou uma punição pela pane mental em Balaton Park e assim só garantiu um décimo lugar. Contudo, a Aprilia vê com preocupação o crescimento de Marc Márquez. O espanhol fez uma corrida de manual em Brno. Uma boa largada frente ao pole Ai Ogura colocou Márquez em segundo, logo atrás de Pecco Bagnaia, que vencera a Sprint no dia anterior. Marc estudou as linhas de Pecco e quando Ogura aumentou seu ritmo, Márquez partiu para a ultrapassagem sobre o companheiro de equipe. O crescimento de ritmo de Ogura já está ficando conhecido dentro do paddock da MotoGP e o nipônico da Trackhouse ultrapassou Bagnaia e tentou um ataque à Márquez, que rechaçou qualquer briga ao igualar o ritmo fortíssimo de Ogura.

Na bandeirada Márquez venceu pela segunda corrida consecutiva. E isso, ainda se recuperando de sua cirurgia no pé e ombro direito. Ogura mostra cada vez que mesmo Bezzecchi e Martin estejam liderando o campeonato, o japonês é um dos destaques da Aprilia. Sem surpresa, Ogura deverá ir para a equipe oficial da Yamaha em 2027, correr ao lado de Martín. No inaceitável vacilo de Bezzecchi, Márquez tirou mais 25 pontos de desvantagem na liderança do Mundial. A cabeça de Bezzecchi, sem surpresas, começa a falhar e agora não apenas Martín, mas Marc Márquez começa a crescer na hora certa.  

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Figura(CAT): Lewis Hamilton

 Não poderia ser outro! O veterano inglês obteve sua primeira vitória pela Ferrari com uma pilotagem que lembrou os bons e velhos tempos do sir Lewis Hamilton. Os treinos livres em Barcelona não pareciam promissores para Lewis. Pista onde tradicionalmente a melhor equipe se destaca, a Mercedes parecia bem mais rápida na figura de George Russell, enquanto Hamilton era superado por Leclerc na luta interna da Ferrari, contudo, o protagonista da parte debaixo da coluna aprontou no Q3 e Hamilton, ao contrário, brilhou. Lewis conseguiu entrar na luta pela pole e foi superado por menos de um décimo por Russell. O domingo em Barcelona surgiu com forte calor e a corrida poderia ser decidida na estratégia. Com a Ferrari se caracterizando nos últimos tempos pelos erros estratégicos, a situação do Lewis não era das mais animadoras, mas o inglês estava sempre na luta pela vitória, mesmo não capitalizando o fato de ter largado com pneus macios, enquanto Russell saiu com os compostos médios. Com praticamente todas as equipes partindo para uma estratégia de duas paradas, a Ferrari pensou diferente e claramente colocou Hamilton numa tática de três paradas, fazendo com que Lewis sempre andasse num ritmo muito forte. Hamilton respondeu ao desafio com um racecraft avassalador e como bom multicampeão que é, o inglês contou com a sorte quando Alonso parou seu carro na pista e o Virtual Safety Car veio no momento em que a terceira e última parada de Hamilton se aproximava. A Ferrari foi perfeita e Hamilton permaneceu em primeiro após seu derradeiro pit-stop, com pneus em melhor estado do que Russell. O ritmo que Lewis Hamilton impôs na relargada indicou que, mesmo que o VSC não tivesse aparecido, o inglês da Ferrari poderia ter deixado a dupla da Mercedes na pista. Invencível até o momento em 2026, a Mercedes sofreu sua primeira derrota para seu antigo piloto, que se emocionou com essa primeira vitória com a Ferrari e também da maneira como aconteceu. Hamilton andou como a muito não se via e se estabelecendo na segunda posição no campeonato, dá esperanças de estar na luta pelo título.

Figurão(CAT): Charles Leclerc

 Uma semana depois do seu polêmico abandono em Mônaco, Charles Leclerc não teve um final de semana muito melhor em Barcelona. Após criar um desconforto institucional com a Brembo, tradicional parceira da Ferrari, ao indicar que a causa do seu abandono em sua corrida de casa foi por causa dos freios, Charles Leclerc passou a usar o mesmo fornecedor de freios de Hamilton e rapidamente o monegasco ganhou confiança, andando na frente do companheiro de equipe. Tudo parecia bem para Leclerc até o Q3, quando em sua primeira tentativa Charles errou na curva 4 e bateu sua Ferrari, destruindo o sonho de lutar pela pole, algo que Hamilton demonstrou ser possível. Largando apenas em décimo, Leclerc rapidamente ganhou algumas posições, mas sua corrida parecia limitada ao sexto lugar quando a Ferrari apresentou um problema hidráulico, causando o segundo abandono seguido para Leclerc. Enquanto isso, Lewis Hamilton fez uma baita corrida e venceu pela primeira vez com a Ferrari, se estabelecendo como vice-líder do campeonato e com boas chances de entrar na briga pelo título com os pilotos da Mercedes. Leclerc vê tudo isso cada vez mais distante e pela primeira vez em muitos anos Charles pode ficar numa posição de inferioridade dentro da Ferrari. Isso, poucos dias depois de renovar seu contrato com a Ferrari.

domingo, 14 de junho de 2026

A primeira de Lewis

 


Trinta anos atrás Michael Schumacher vencia a sua primeira corrida pela Ferrari em Barcelona, após uma exibição de encher os olhos do alemão debaixo de muita chuva. A performance de Lewis Hamilton nesse 14 de junho de 2026 não foi tão impressionante, mas vale pelo marco histórico. Três décadas após Michael, o segundo heptacampeão da história da F1 venceu sua primeira corrida pela Ferrari em Barcelona. Assim como em 1996, a Ferrari não tem o melhor carro do pelotão, mas se Schumacher usou a pista encharcada a seu favor, Hamilton fez funcionar uma agressiva estratégia de três paradas para derrotar a poderosa Mercedes, que amargou sua primeira derrota em 2026, assim como mais uma quebra, dessa vez no carro do líder do campeonato Andrea Kimi Antonelli, dando um leve suspiro para George Russell, que acabara de ser ultrapassado pelo companheiro de equipe e acabou recortando dezoito pontos de desvantagem no campeonato.


O dia estava bem quente em Barcelona e com a Pirelli usando compostos mais macios em comparação ao ano passado, a corrida em Montmeló seria baseada muito na estratégia das equipes e no desgaste de pneus. Hamilton mostrou a que veio ao largar com pneus macios, indicando que atacaria seu antigo companheiro de equipe George Russell no apagar das luzes vermelhas, enquanto a maioria do grid largaria com pneus médios. No entanto, ao contrário do que foi visto nas primeiras provas de 2026, a Mercedes parece ter resolvido o problema de largadas e Russell não apenas manteve a ponta da corrida, como Antonelli quase tomou o segundo lugar de Hamilton. Isso, após Kimi ter problemas com seu Mercedes antes da largada e quase que o italiano ficava de fora. Em outros lugares ao longo do pelotão, Isack Hadjar e Gabriel Bortoleto largaram muito mal e perderam muitas posições, enquanto Leclerc pulara de décimo para sétimo e Verstappen ultrapassara Piastri. A corrida ficou bastante estática no começo. O forte calor não motivava os pilotos a atacarem seus adversários, pois isso poderia estragar os pneus e como consequência, atrapalhar as estratégias. 


Saindo com pneus macios numa pista de alto desgaste de borracha, Hamilton abria o leque de estratégias, indicando uma rara tática de três paradas programadas, enquanto a maioria das equipes esperavam duas paradas. Uma parada? Praticamente impossível. Como esperado, Hamilton abriu a primeira rodada de paradas e para cobrir o ritmo mais forte de Lewis, a Mercedes logo trouxe Russell, enquanto Antonelli e Leclerc ainda ficaram mais algumas voltas na pista antes de realizarem suas primeiras paradas. As posições se mantiveram, mas com pneus duros, Russell começou a sofrer mais, enquanto Antonelli crescia. O italiano rapidamente se aproximou dos dois primeiros colocados, enquanto Leclerc ultrapassava um opaco Piastri. Hamilton mantinha um ritmo forte e quando já tinha Antonelli próximo de si, o inglês entrou para os boxes para a Ferrari realizar o seu segundo pit-stop. Ao colocar pneus médios, a Ferrari mostrava as suas cartas e todos sabiam que Hamilton iria para uma tática de três paradas. Hamilton voltou à pista muito rápido, enquanto Antonelli encostava de vez em Russell e ameaçava alguns ataques. Lando Norris fazia uma corrida sólida e com basicamente a mesma estratégia da Mercedes, acompanhava os carros da matriz com sua McLaren.


O ritmo avassalador de Hamilton nos permitia prever um final de corrida emocionante, mas Lewis nem precisou mostrar isso, pois a sorte lhe sorriu. Quando liderava a prova após a dupla da Mercedes e Norris completarem suas segundas e últimas paradas, Fernando Alonso abandonou seu Aston Martin na curva nove. O Safety Car Virtual deu às caras bem no momento em que a terceira parada de Hamilton se aproximava. Com todos os carros mais lentos na pista, Hamilton foi aos boxes e com a Ferrari sendo perfeita na parada, Lewis emergiu do pit-lane um pouco à frente de Russell, permanecendo na ponta e com pneus mais novos. A corrida estava nas mãos habilidosas de Hamilton. Depois de um 2025 esquecível, onde Lewis Hamilton chegou a dar declarações bem ruins sobre si mesmo, levantando várias questões sobre como Hamilton seguiria na F1, o inglês deu a volta por cima em 2026, começando por superar seu rápido, mas inconstante companheiro de equipe Charles Leclerc. Segundo o próprio Hamilton, ele ajudou a 'construir' o novo carro da Ferrari mais ao seu estilo, o deixando mais confortável, mesmo que a Ferrari ainda tenha um déficit de potência no motor em comparação à Mercedes. Com pneus novos, Lewis Hamilton imprimiu um ritmo muito superior à dupla da Mercedes, não dando chances aos seus adversários, permitindo à Lewis conseguir sua 106º vitória na sua laureada carreira, sua primeira com a Ferrari, que comemorou muito.


Enquanto Hamilton comemorava bastante com sua equipe, seu antigo chefe de equipe estava puxando os cabelos nos boxes. Dez anos depois do infame incidente entre o próprio Hamilton e Nico Rosberg (que fez a entrevista pós-corrida) em Barcelona, Toto Wolff via seus dois pilotos lutarem por posição novamente. Russell parecia sem muita defesa contra Antonelli, mas o inglês precisava dar uma resposta frente a ótima sequência de Kimi, que tinha Norris não muito atrás. Antonelli precisava avançar e falou isso no rádio, mas Toto Wolff não interferiria numa disputa entre seus dois pilotos, ainda mais valendo pontos que poderão decidir o campeonato. Antonelli fustigou bastante e faltando quatro voltas o italiano saiu mais forte da última curva, efetuando uma bela ultrapassagem no final da reta dos boxes. Porém, uma volta depois, mais fantasmas na cabeça de Wollf surgiram quando Antonelli apareceu lento, como ocorrera com Russell em Montreal. Um problema de bateria promoveria o primeiro 'zero' de Antonelli em 2026, fazendo com que o vice-líder Hamilton encostasse no campeonato. Para Russell, o abandono de Kimi foi importante, pois ele descontou bons pontos no campeonato, mas para quem viu a corrida, ficou claro que George foi mais uma vez superado por Kimi na pista, além de que o inglês não capitalizou com uma vitória o infortúnio de Antonelli. Outro ponto é que a Mercedes, que no ADUO, sistema que a FIA inventou para tentar emparelhar as fornecedoras de motores, ficou atrás da Ford/Red Bull, parece mesmo precisando de inovações na questão de confiabilidade. Vários motores alemães terminaram destruíram várias corridas esse ano e dessa vez, foi com o líder do campeonato, que viu o vice tirar 25 pontos com mais essa quebra.


O abandono de Antonelli, que foi seguido logo depois por Leclerc, promoveu Lando Norris ao pódio, criando um fato histórico. Desde 1968 não tínhamos um pódio inteiramente britânico e desde 1958 não tínhamos um pódio totalmente inglês. Norris fez uma corrida forte, sempre próximo da Mercedes, mas o atual campeão não pôde ataca-los, mesmo forçando bastante e Lando novamente andou bem mais do que Piastri, que chegou numa opaca quinta posição. A má fase do australiano parece não ter terminado ainda. Porém, para a McLaren foi importante constatar que Norris provou que não apenas a Ferrari se aproximou do ritmo da Mercedes, mas também a equipe de Zak Brown e seus papaias caps. Max Verstappen largou bem, com pneus macios, mas o neerlandês pouco apareceu depois disso, se aproveitando do abandono de Antonelli para terminar num distante quarto lugar. Hadjar deu show nas primeiras voltas, ultrapassando vários carros após sua má largada. O francês da Red Bull terminou em sexto lugar, sem condições de evoluir mais após escalar o pelotão intermediário.


A forma como Hadjar deixou vários carros para trás apenas reflete a sensação de que há um verdadeiro abismo entre as quatro principais equipes e o resto do grid. Inicialmente a dupla da Racing Bulls liderou esse pelotão, com Lawson e Lindblad usando suas boas posições de pista, inclusive com o jovem inglês sendo o último a fazer sua primeira parada, mas a Racing Bulls acabou sobrepujada pela Alpine, que após as primeiras paradas foram para frente da Racing Bulls, com Gasly na frente de Colapinto, após a equipe ordenar uma inversão dos seus carros, para desgosto de Colapinto. Lawson e Lindblad fecharam a zona de pontos, num dia em que apenas quinze carros completaram a prova. Hulkenberg estava na luta pelos seus primeiros pontos, mas acabou abandonando por causa de uma pedra. Após sua má largada, Bortoleto pouco evoluiu no pelotão, mas terminou em 11º, quase voltando as pontos, mas tomando duas voltas. Sainz terminou logo atrás de Gabriel num dia não muito bom da Williams, que viu Albon se tornar o piloto com mais corridas pela equipe cruzar a linha de chegada com várias voltas de atraso. Bearman também abandonou, mas por pouco não foi vítima de Ocon no começo da corrida. Sergio Pérez completou com sua Cadillac, enquanto a Aston Martin abandonou com seus dois carros e Alonso chegou a declarar que preferia estar nas arquibancadas do que correndo com seu carro atual.


A vitória de Hamilton deu alguns recados para esse campeonato. A quebra da invencibilidade da Mercedes, numa pista onde normalmente os melhores carros se destacam, mostra que o time de Toto Wolff não pode baixar a guarda e que os demais times estão chegando, principalmente Ferrari e McLaren. Apesar da sorte do SC Virtual na hora certa, o ritmo que Hamilton imprimiu em sua estratégia diferente poderia o colocar em primeiro independentemente do seu golpe de sorte, significando que mais do que a Ferrari estar de volta, Hamilton também! Com Antonelli sofrendo seu primeiro abandono e Russell saindo derrotado de Barcelona, pode ser que o campeonato não esteja tão ganho como a Mercedes imaginava.

sábado, 13 de junho de 2026

Será que vai?

 


A situação de George Russell após seu pífio final de semana em Mônaco ficara bem complicada e novamente o inglês precisava dar uma resposta. Após Antonelli não deixar Russell se manifestar nas últimas corridas, em Barcelona George pareceu ter 'voz'. Um final de semana dominante de George Russell, enquanto Antonelli sempre ficou três décimos atrás do companheiro de equipe e nem na primeira fila o italiano conseguiu.

O final de semana em Barcelona começou com a polêmica decisão da FIA em reverter a punição à Gasly em Monte Carlo, fazendo com que o francês da Alpine 'voltasse' ao pódio conquistado na pista. O grande ponto foi que a Alpine, liderada pela raposa felpuda Flavio Briatore, achou um fato novo para a grande quantidade de punições por excesso de velocidade em Monte Carlo, o que eliminou os 10s de punição à Gasly. Porém, Mercedes e McLaren reclamaram que se havia um problema na medição de velocidade no pit-lane em Mônaco, as punições impostas à Piastri e Russell teriam que ser revertidas também, sendo que o inglês ainda foi punido novamente com um drive-through por não ter cumprido a punição original, fazendo Russell sair da zona de pontos. Como restituir isso? Com a palavra, a FIA, que criou mais um problema para si.

Os treinos livres mostraram um George Russell extremamente forte e a Mercedes, sem surpresas, liderando em Barcelona, pista que todas as equipes conhecem e que valoriza os melhores carros. Antonelli não se destacou em nenhum momento, enquanto a McLaren mostrou força no segundo treino livre. Leclerc anunciara que utilizaria os mesmos freios de Hamilton, após polêmica com a histórica fornecedora da Ferrari, a Brembo. Leclerc se mostrou mais à vontade e andando mais do que Lewis, mas Charles jogou tudo pelos ares ao errar no Q3, tendo que largar em décimo. Depois da corrida Leclerc chegou a declarar que 'deve ser difícil alguém torcer por mim...'

Outro destaque negativo para a Aston Martin, que tomou 1s da novata Cadillac e Alonso perdeu uma classificação para Stroll depois de quase dois anos, significando que Fernando, piloto da casa, ficou com a última posição. Para quem fala que essa pode ser sua última corrida em Barcelona, esse resultado não lhe ajuda em nada. Contudo, a Cadillac ainda sofre com problemas sérios de estrutura dos carros. Se no Canadá a suspensão dianteira de Pérez se desmontou praticamente sozinha, no treino livre de sábado Bottas ficou sem freio, numa situação bastante perigosa.

No momento decisivo da classificação Russell confirmou seu favoritismo com uma pole bem forte e para ajudar sua causa, além de Antonelli tenha permanecido três décimos atrás dele, Hamilton ainda colocou sua Ferrari entre a dupla da Mercedes. Após ficar atrás de Leclerc o tempo todo, Lewis foi muito forte onde importava e ficou bem próximo de Russell. Lando Norris ficou meros três milésimos atrás de Kimi, seguido pela dupla da Red Bull e só então Piastri. A primeira curva de Barcelona é a mais afastada da largada, o que pode ocasionar vácuo e surpresas na freada da primeira curva. Russell terá que arriscar, enquanto Hamilton irá com tudo para cima. Se conseguir sair bem, Antonelli poderá pegar as sobras. 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Figura(MON): Pierre Gasly

 'Estou com coração partido'. Essa frase de Pierre Gasly exprime bem o que foi o Grande Prêmio de Mônaco para o francês da Alpine. Após uma fase menos boa de Gasly nessa temporada 2026, que viu Colapinto ser mais rápido e marcar os pontos da Alpine, Gasly respondeu ao argentino com um final de semana esplêndido em Monte Carlo para a realidade da Alpine. Gasly sempre esteve entre os dez primeiros colocados em praticamente todas as sessões e na classificação foi o melhor do resto, alcançando a nona posição do grid. Na largada Gasly saiu muito bem e conseguiu ultrapassar Lando Norris, iniciando uma corrida de gato e rato em Mônaco com o atual campeão mundial. Por mais que Norris tivesse um carro mais rápido, bastava Gasly não errar para não ser ultrapassado. E Pierre não errou. Manteve Norris atrás e se mantinha a uma distância razoável de Piastri, que vinha a sua frente. Porém, Gasly acabou sendo uma das vítimas do fotossensor da FIA e excedeu o limite de velocidade nos boxes. Gasly não teve tempo de cumprir a punição por causa da bandeira vermelha, onde na relargada Gasly conseguiu sair melhor do que Hadjar e com a punição de Russell, o representante da Alpine recebeu a bandeirada em terceiro lugar, mas tendo que acrescentar 5s em seu tempo, Gasly perdeu um pódio a ser bastante comemorado por um amargo sétimo lugar. Muito pouco para o que Pierre Gasly fez nesse final de semana em Mônaco. 

Figurão(MON): George Russell

 Está ficando repetitivo, mas não há escapatória possível. Dito e havido como líder da Mercedes em 2026, George Russell era esperado estar liderando o campeonato nessa altura dos acontecimentos e vislumbrando seu primeiro título mundial de F1. O que vemos no momento é um George Russell cada vez mais desorientado por estar sendo suplantado por um adolescente que vai quebrando recordes e não mais apenas de precocidade, usando o mesmo carro que ele, sendo que Russell dizia que esperava o tempo de ter um carro vencedor para mostrar que pode ser um campeão mundial. Esse carro chegou, mas Russell não contava ter um talento geracional ao seu lado, crescendo de forma exponencial. E isso está afetando a cabeça de George Russell. Em Mônaco o inglês esteve irreconhecível, sempre atrás de Antonelli em todos os treinos. Enquanto Kimi fazia um algo a mais e enfrentava as Ferraris, Russell encolhia mais e mais. Enquanto Kimi fez a pole e dominou a corrida em Monte Carlo, Russell penou no tráfego e ponto de... tomar uma volta de Antonelli. Para piorar a situação, George foi punido, saindo da zona de pontuação e perdendo a vice-liderança do campeonato, enquanto Antonelli tem uma porcentagem recorde para esse momento do campeonato. Russell precisa pensar bem nos próximos passos nem pensando no campeonato, mas na sua própria carreira. 

domingo, 7 de junho de 2026

Mostrando a que veio

 


Até o momento, as vitórias de Andrea Kimi Antonelli eram protocolares, utilizando bem a força do carro da Mercedes em 2026, aliado a decadência de George Russell desde o único triunfo do inglês em Melbourne, na primeira etapa do ano. Mesmo contando com quatro vitórias consecutivas, ainda faltava aquela vitória consagradora, onde podemos ver um algo a mais do jovem italiano. E ela veio em Monte Carlo. Numa pista onde a teoria mostrava que a Mercedes poderia ter problemas, Andrea Kimi Antonelli respondeu com um final de semana dominante no principado, não se perturbando nas duas largadas, seu maior problema em 2026, não se intimidou com Lewis Hamilton, dono de oito pódios em Mônaco, e chegou a colocar uma volta em Russell. 


A primavera às margens do Mediterrâneo nos presenteou com mais um belo cenário para o Grande Prêmio de Mônaco, mesmo que isso também poderia prever uma corrida bem ao estilo de Monte Carlo, com poucas emoções e tudo decidido na largada. Contudo, antes mesmo da largada dois problemas ocorreram, sendo que um só seria aparente no apagar das luzes vermelhas. Quando estava levando seu carro para o grid, Gabriel Bortoleto teve problemas em seu carro e com isso, o brasileiro teve que largar do pit-lane, estragando ainda mais a sua corrida. O outro problema ficou claro quando Max Verstappen ficou praticamente parado na largada, numa cena perigosa pela estreiteza da reta (?) dos boxes em Monte Carlo. Felizmente ninguém acertou o Red Bull de Max, mas o neerlandês falou depois da corrida que o problema em sua unidade de potência já havia se manifestado na volta de apresentação. E depois das entrevistas protocolares foi para casa...


A engasgada de Max Verstappen na largada ajudou sobremaneira Andrea Kimi Antonelli, que mesmo vendo a dupla da Ferrari largar bem, não teve maiores problemas em segurar a ponta da corrida. Numa largada conservadora dos pilotos, destaque apenas para Pierre Gasly ultrapassando Lando Norris, iniciando algo bastante comum na longa história do Grande Prêmio de Mônaco: um piloto mais rápido ficar preso atrás de um carro nitidamente mais lento. Norris fustigou o quanto pôde, mas Gasly, um dos destaques da prova, simplesmente não errou. Mais tarde, foi a vez de Isack Hadjar começar a ter problemas com a sua unidade de potência e mais uma vez Hadjar demonstrou seu descontrole emocional via rádio, mesmo que tenha segurado com bastante resiliência George Russell, contudo, esse não seria o maior dos problemas de Russell durante a prova.


Se a Mercedes não subia ao pódio fazia tempo em Monte Carlo e a Ferrari era favorita antes de iniciar o final de semana monegasco, Andrea Kimi Antonelli reverteu todo o quadro adverso. O italiano não olhou para trás e despachou Hamilton e Leclerc, não dando qualquer chances a dupla ferrarista. Por muito tempo a corrida parecia que seria um passeio de Antonelli, mas as voltas finais mostrariam que nada parece abalar o italiano da Mercedes. Quando a corrida estava próximo do seu fim Lance Stroll bateu seu Aston Martin na Rascasse, no que parecia ser mais uma 'Strollada'. O Safety Car consequente ao incidente do canadense fez com que praticamente todo o grid fizesse uma segunda parada, causando até um pequeno problema para a Ferrari, mas o dano ao time italiano seria ainda maior na relargada, quando Leclerc bateu no mesmo local de Stroll. Parecia que era sujeira na pista, mas logo se constatou que era na verdade o asfalto se soltando no local. Bandeira vermelha. A largada aconteceria com os carros parados, o que seria outro ponto de atenção para Antonelli, que driblou o problema com uma saída sem retoques, não dando chances à Hamilton. Para provar quem mandava no principado nesse domingo, Kimi abriu 6s em oito voltas. Ao receber a bandeirada, Andrea Kimi Antonelli vencia pela quinta vez na carreira e de forma inédita na F1, as cinco primeiras de Kimi de forma consecutiva. Para completar, por ter saído da pole, ter marcado a volta mais rápida e liderado todas as voltas, Antonelli conseguiu seu primeiro Grand-Chelem. Logicamente se tornando o mais jovem a conseguir a proeza, se garantindo também por ser o mais jovem a vencer em Mônaco. Enfim, vai ser muito difícil tirar o título de Antonelli com o italiano ganhando tanta confiança e George Russell executando finais de semana tenebrosos como o último. George se livrou de Hadjar pela estratégia de boxe, mas acabou punido por cortar a linha branca na saída dos boxes, sendo que o inglês já tinha escapado de ser punido por uma infração na largada. No momento em que o SC apareceu, Russell tinha acabado de tomar uma volta do companheiro de equipe e foram juntos aos pits. Alguém esqueceu que George teria que cumprir uma punição, resultando num drive-through com bandeira verde. Com a punição, George saiu da zona de pontos e perdeu também a vice liderança do campeonato para Hamilton. Enquanto Kimi esbanja otimismo, George Russell precisa de um psicólogo.


Depois da corrida Hamilton chegou a desculpar por ter perdido a corrida. Com a Mercedes tão forte em 2026, dizia-se que Mônaco seria a chance da Ferrari em vencer, principalmente pelo bom chassi projetado pelos italianos, combinado com a falta de potência do motor Ferrari. Hamilton tinha uma boa chance na relargada, mas faltou um maior ímpeto ao heptacampeão e depois não teve ritmo para se aproximar de Antonelli. Porém, o bom segundo lugar de Hamilton o deixa nessa mesma posição no campeonato, indicando que após um ano de transição, finalmente Lewis se adaptou à Ferrari. Contudo, hoje não foi um dia exatamente tranquilo para a scuderia. Num dia em que o fotossensor da FIA trabalhou bastante, Hamilton foi punido em 5s por excesso de velocidade nos pits. Nesse momento Leclerc estava menos de 3s atrás de Lewis e tranquilamente teria o segundo lugar na mão, quando o SC apareceu e de forma estranha, para dizer o mínimo, os dois pilotos da Ferrari foram chamados ao mesmo tempo. Hamilton pagou seus 5s e Leclerc acabou punido também, pois ficou esperando Lewis terminar a operação, deixando Charles furibundo dentro do carro. Seu acidente na Rascasse apenas amenizou o sentimento ruim que Leclerc tinha naquele momento.


Pierre Gasly foi um dos destaques do dia, ao segurar sem maiores arroubos os ataques de Lando Norris e na relargada, ultrapassar Isack Hadjar e cruzar a linha de chegada em terceiro, no melhor momento da Alpine nesse ano, contudo, Gasly foi mais um punido por excesso de velocidade e acabou cruelmente punido, terminando apenas em sétimo. Quem se beneficiou com isso foi Hadjar, que mesmo reclamando bastante do carro, subiu a mais um pódio em terceiro, seu segundo na carreira e o primeiro com a Red Bull. Na milésima corrida da McLaren na F1, o time comandado por Zak Brown não tinha muito o que comemorar. Piastri fez uma corrida discretíssima, terminando em um quarto lugar solitário. Norris perseguiu Gasly em boa parte da corrida, mas acabou tendo problemas em sua unidade de potência, a segunda no final de semana, abandonando a prova bem longe do pódio. Com tantas punições e problemas, a equipe Racing Bulls sorriu, com Lawson e Lindblad em quinto e sexto, marcando bons pontos para a equipe. Albon teve que trocar de posição com Sainz, reclamou bastante, mas acabou premiado quando Hulkenberg bateu em seu companheiro de equipe, causando o abandono de Sainz e depois Hulkenberg foi punido, abrindo caminho para Albon terminar em oitavo, seguido por Ocon e... Sérgio Pérez! O mexicano teve uma corrida atribulada, foi punido por largar do local errado, mas mostrando que sempre anda bem em Mônaco, Checo garantiu os primeiros pontos da Cadillac, enquanto Bottas abandonou cedo. E Checo ficou na frente de Alonso, deixando a Aston Martin como a única zerada até o momento no campeonato.


A corrida em Mônaco foi tumultuada e somente assim temos uma corrida realmente emocionante no principado, mas além das inúmeras punições, batidas e abandonos, vimos um Andrea Kimi Antonelli brilhante, fazendo algo a mais do que o esperado. Sua quinta vitória na F1 pode garantir à Antonelli que ele além de ser o maior favorito ao título em 2026, ele pode estar criando estofo para ser um dos grandes num futuro bastante breve.

História sendo feita

 


Poucos dias após uma cirurgia no pé direito e no ombro direito, retornando a uma moto que não é mais a melhor da MotoGP, Marc Márquez não tinha muitas expectativas para a etapa no horroroso circuito de Balaton Park. No entanto, não se pode subestimar a força desse espanhol, que uma semana depois de ter retornado às pistas varreu o final de semana húngaro.

Mesmo tendo vencido na Sprint Race no sábado com um ritmo avassalador, Marc Márquez contou com a ajuda da falta de inteligência de Jorge Martín na primeira curva em Balaton Park. O espanhol da Aprilia tentou uma manobra banzai na apertada primeira curva, mas acabou perdendo o controle de sua moto. Martin promoveu um verdadeiro strike, derrubando quatro motos, incluindo a do seu companheiro de equipe e líder do campeonato Marco Bezzecchi, além do terceiro colocado no campeonato, Fabio di Giannantonio. Felizmente ninguém se machucou seriamente, mesmo que Martín fosse para o hospital para maiores avaliações. Depois da corrida Massimo Rivola criticou publicamente Martín, principalmente por Bezzecchi ter perdido pontos importantes no campeonato.

Isso deixou que Marc Márquez e Pedro Acosta decidissem entre si a vitória. Largando com pneus macios na traseira, Acosta tinha um melhor ritmo no início e rapidamente tomou a ponta de Márquez, liderando os primeiros dois terços de prova. Porém, de forma esperada, o pneu traseiro de Acosta foi se desgastando e Márquez, com pneus médios, encostou, iniciando uma disputa forte pela primeira posição. Desesperado em finalmente conseguir sua primeira vitória, Acosta lutou o quanto pôde, mas não foi capaz de segurar um Marc Márquez inspirado, que partiu para a vitória. E não seria uma vitória qualquer! Contando as três categorias do Mundial de Motovelocidade, Marc chegou a sua centésima vitória, se tornando o terceiro piloto a conseguir essa proeza. O nível desse feito é medido pelos os outros dois pilotos a conseguir esse feito: Giacomo Agostini e Valentino Rossi. Queiram ou não, Marc Márquez está nesse nível entre os grandes da história da motovelocidade.

sábado, 6 de junho de 2026

Mostrou a que veio

 


Até o momento Andrea Kimi Antonelli vinha fazendo o que dele era esperado estando numa equipe dominante: neutralizar seu companheiro de equipe. Porém, Monte Carlo prometia um cenário diferente. O fato da apertada pista encravada em Mônaco não exigir muito da potência do motor, ponto alto da Mercedes, poderia fazer com que as demais equipes diminuíssem a grande vantagem dos alemães. Os primeiros treinos livres indicavam até mesmo um favoritismo da Ferrari, dita e havida como a equipe a ser batida no principado. Faltou combinar com Antonelli.

Após sessões de treinos livres sem maiores dramas, a classificação só teve o incidente de Gabriel Bortoleto no final do Q1, que entrou forte demais na entrada da Nouvelle Chicane e quebrou a suspensão dianteira do seu Audi, justamente no melhor final de semana da equipe desde a primeira etapa em Melbourne. Gabriel lamentou bastante e com razão. Hulkenberg parecia que iria ao Q3, mas erros do veterano o deixaram no Q2, tornando um sábado bastante decepcionante para a Audi. O mesmo acontece com a Aston Martin. Após diminuir os problemas de vibrações que assombraram seus pilotos no começo do ano, era esperado um crescimento da Aston Martin, ainda mais em Mônaco, onde o fraco motor Honda não faria tanta diferença, mas Monte Carlo provou que não se pode apontar os dedos unicamente para os nipônicos. O chassi da Aston Martin é ruim e a dupla da equipe verde ficou na última fila, dando mais munição para Alonso reclamar.

Com a Ferrari tendo dominado a sexta-feira, mas Antonelli surpreendido no terceiro treino livre, a classificação se mostrou aberta. Além de Kimi, Max Verstappen usou sua genialidade para sempre se manter entre os líderes, enquanto a dupla da Ferrari, Leclerc em particular, não se mostrava tão à vontade como antes durante a classificação.

Isso fez com que Verstappen se colocasse como favorito a pole, mesmo com Leclerc tirando uma voltassa no final do Q3. O neerlandês superou o piloto da casa, mas Antonelli desbancou Max no apagar das luzes em sua melhor classificação até agora. Se antes Kimi tinha a vantagem do carro, esse não foi o caso nesse sábado e basta olhar o treino para lá de discreto de George Russell para provar que a Mercedes não tinha o carro dominante do final de semana. Antonelli conseguiu a pole no braço, mostrando a que veio na classificação mais determinante do ano.