terça-feira, 25 de agosto de 2026

Figura(HOL): Aston Martin

 No início da temporada 2026 a Aston Martin tinha um carro tão complexo, que seus pilotos não conseguiam pilotar voltas seguidas por causa da excessiva vibração vindo do motor Honda. O time comandado por Adrian Newey arregaçou as mangas, da mesma forma que a Honda preparava um motor praticamente novo e o resultado é uma evolução que, colocado em porcentagem, é a maior da F1 nos últimos tempos, com o time esmeralda saindo das últimas posições, quando Alonso chegou a tomar mais de 4s do carro mais rápido do grid, com a Aston Martin chegando de vez no pelotão intermediário, culminando com Fernando Alonso chegando ao nono lugar numa mistura de talento e destreza tática do espanhol, que levou seu evoluído carro a zona de pontuação e pode vislumbrar melhoras para o futuro próximo.

Figurão(HOL): Oscar Piastri

 Um ano atrás Oscar Piastri vencia em Zandvoort e pavimentava o que parecia ser seu primeiro título mundial de F1, talvez iniciando uma nova era liderada pelo jovem australiano. Porém, na mesma pista neerlandesa, Piastri completou mais uma corrida de forma opaca e burocrática em 2026, recebendo a bandeirada em sexto, bem longe do seu companheiro de equipe e vencedor da corrida Lando Norris. O que passa com Oscar Piastri? Desde a derrota dolorida para Norris no ano passado, quando Piastri sucumbiu frente às 'Papayas rules', o australiano nunca mais performou como antes e em 2026 vem sendo sistematicamente derrotado por Norris, quando até meados do ano passado a disputa interna da McLaren era uma das mais equilibradas do grid da F1. A não adaptação ao carro com o novo regulamento técnico ou a dor da derrota com informações dos bastidores que não conhecemos (quem sabe as duas coisas) podem explicar atuações tão pobres de Piastri, ficando a certeza de que não estamos vendo a melhor versão de Oscar Piastri.

domingo, 23 de agosto de 2026

Uma festa americana

 


Em sua luta para retornar aos bons e velhos tempos, a Indy aceitou um grande desafio em preparar a toque de caixa uma corrida em Washington DC. Sim, a capital americana e seus vários protocolos de segurança. Claro, com patrocínio do presidente norte-americano, o irascível Donald Trump. Após o que foi visto semana passada em Markhan, haviam receios de mais um vexame da Indy, dessa vez para um público bem maior. Sim, uma corrida em Washington, tendo o majestoso Capitólio como pano de fundo chamou bastante atenção e a audiência prevista só era menor do que as 500 Milhas de Indianápolis e maior até mesmo que a tradicional prova em Long Beach. O pequeno circuito de rua construído não decepcionou e não tivemos grandes problemas de organização, além do que o público lotou as arquibancadas. O espanhol Alex Palou tinha chances de conquistar o título em Washington, mas para uma festa americana não cairia bem um estrangeiro se consagrar. Por sinal, Palou teve uma corrida irreconhecível e mesmo largando na pole, o piloto da Ganassi foi punido, rodou e tomou uma volta. Título adiado. Especialista em circuitos de rua, o piloto da Flórida Kyle Kirkwood fez uma corrida quase perfeita, onde chegou a abrir 12s para o segundo colocado. O piloto da Andretti venceu e fez a festa dos americanos em sua corrida em comemoração aos 250 anos da declaração de independência. A Andretti ainda colocou Power em terceiro e Ericsson em quarto, com Christian Lundgaard, da McLaren, sendo o intruso dessa festa da Andretti e também americana.

Que despedida!

 


Zandvoort é um palco histórico da F1, estando no calendário da categoria pela primeira vez em 1952, entrando e saindo ao longo dos anos, com algumas variações de traçado. O retumbante sucesso de Max Verstappen trouxe a pista neerlandesa de volta à F1, mesmo com um traçado travado e bastante estreito. De difíceis ultrapassagens, as corridas em Zandvoort em sua passagem pela F1 moderna ficou mais marcada pela enorme festa da torcida nas arquibancadas, principalmente nas vitórias de Verstappen. Porém, a ambição desmedida da Liberty Media fez com que Zandvoort anunciasse a despedida da F1 em 2026, mesmo sendo um sucesso de público. A corrida bem mais ou menos na Sprint Race no sábado diminuiu as expectativas no domingo, mas acabamos por ver uma excelente prova de despedida de Zandvoort, mesmo que a torcida tenha saído chateada com o prematuro abandono de Verstappen. Quem estava vibrando era mesmo Lando Norris, que lutou arduamente contra Andrea Kimi Antonelli para vencer pela segunda vez e colocar um pequena pulga atrás da orelha de Toto Wolff, com a segunda vitória consecutiva do atual campeão do mundo.


A semana do Grande Prêmio dos Países Baixos foi de previsões de clima instável em todo o final de semana em Zandvoort, mas a chuva acabou aparecendo sempre na hora errada. Se no sábado a precipitação aconteceu logo depois da Sprint Race e também nos minutos derradeiros do Q3, nesse domingo a chuva veio com certa força antes da largada, no que poderia ser a primeira sessão da F1 com os carros atuais em pista molhada. No entanto, o sol já brilhava no momento em que o Rei dos Países Baixos acompanhava o belo hino do seu país ser cantado e todos os pilotos largaram com pneus slicks, mesmo com alguns pontos úmidos. E foi justamente num desses pontos que a corrida de Max Verstappen acabou de forma abrupta. A largada viu novamente George Russell sair muito mal a ponto de atrapalhar Oscar Piastri e quem se aproveitou disso foi Antonelli, que pulou para segundo. Mais atrás Max chegou a ficar lado a lado com seu companheiro de equipe Liam Lawson e quando ambos chegaram na última curva, a Arie Luyendyk, Verstappen perdeu o controle do seu carro e bateu com força em ambos os muros. A pancada foi forte, mas felizmente Max emergiu do seu carro sem problemas, o mesmo não podendo dizer a torcida, que novamente lotou as arquibancadas para torcer para Verstappen, mas no início da segunda volta viu Max ir para os boxes. Logo depois as câmeras mostraram uma cena até mesmo mais perigosa. No mesmo ponto de Max, Gabriel Bortoleto perdeu o controle do seu carro e o brasileiro contou com os reflexos em dia de Nico Hulkenberg para não ser acertado em cheio pelo companheiro de equipe. 


A bandeira vermelha consequente fez com que alguns pilotos trocassem seus pneus e de estratégia. A relargada, com os carros parados, viu Norris manter a escrita de sempre perder a pole, fazendo com que Kimi assumisse a ponta e as notícias para o italiano ficariam ainda melhores poucos metros depois, quando Oscar Piastri, que relargou com pneus duros, ultrapassou Russell na briga pelo terceiro lugar. A corrida ganha ritmo com Antonelli e Norris abrindo uma boa diferença para Piastri, que por sua vez segurava Russell e a dupla da Ferrari. Preso atrás de Piastri, Russell tomou a iniciativa de sair do tráfego e fez sua primeira parada ainda na volta 17, abrindo caminho para as duas Ferraris, com Leclerc na frente. Tendo colocado pneus duros e com um ritmo razoável, era esperado que Piastri ficasse na pista, mas a McLaren resolveu proteger a colocação do australiano e chamou seu piloto para trocar pneus novamente, porém, a equipe errou em seu pit-stop e quando retornou à pista, Piastri estava atrás de Russell. E a mentalidade de Piastri, tão elogiada ano passado, desapareceu na mesma medida em que Oscar desapareceu da corrida. Antonelli e Norris fizeram suas primeiras paradas na mesma volta e mesmo a Mercedes dando um ligeiro vacilo, o italiano retornou à frente e ainda teve que ultrapassar Hamilton, que postergou sua parada ao máximo para causar a primeira polêmica da corrida mais tarde.


Porém esse não era o maior obstáculo para Antonelli. Com pneus duros o ritmo de Kimi caiu claramente, ao contrário acontecendo com Norris e se antes da parada a diferença entre os dois era de 2s, Lando baixou essa diferença para menos de 1s e pressionava o italiano, que parecia desconfortável com a situação. Pior era a Ferrari. Hamilton se aproximou de Leclerc, que pressionava Russell e com o passar das voltas entrou no rádio pedindo passagem. Para evitar uma troca de posições na pista, a Ferrari optou por chamar Leclerc para os boxes, já que a segunda janela de pit-stops já havia iniciado com a dupla da Mercedes parando junta na volta 40. Charles percebeu na hora a manobra e desobedeceu a Ferrari por duas voltas antes de realizar a sua parada, para desespero de Hamilton, que esbravejou via rádio. E o motivo ficaria claro mais tarde. 

Ao contrário do esperado, a McLaren não respondeu de imediato à manobra da Mercedes e deixou Norris mais algumas voltas na pista. Quando Lando fez sua segunda parada, ele estava 3,5s atrás de Antonelli, mas num ritmo muito mais rápido do que o de Andrea, chegando a tirar 1,5s numa única volta. O queixume de Hamilton se mostraria nas últimas voltas quando ficou claro que Lewis tentaria completar a corrida com uma única parada. Não demorou para Antonelli encostar em Hamilton e Lando colar nos dois. Numa manobra belíssima, Hamilton se defendeu de Antonelli, enquanto Norris colocou por fora do italiano assumindo a segunda posição. Com pneus em melhores condições, Lando Norris tomou a liderança ainda na mesma volta para não mais perdê-la. Contudo a corrida ainda teria mais lances de emoção e polêmica. 


Logo após Antonelli tomar o segundo lugar de Hamilton, o carro de Esteban Ocon apareceu parado e o Virtual Safety Car deu as caras, no que Antonelli, Hamilton, Leclerc e Piastri aproveitaram o ensejo para irem aos boxes colocar pneus macios para as voltas finais. Norris chegou a questionar a McLaren o motivo de não ter parado, mas quando se aproximava da entrada dos pits, a bandeira verde foi mostrada. Outro que permaneceu na pista foi Russell, que com isso subiu para segundo, mas com pneus duros desgastados, seria facilmente atacado por Antonelli e a dupla da Ferrari. Porém, George não parecia muito disposto a ceder sua posição de forma tranquila, mas a Mercedes impôs uma troca de posições e Russell deixou Antonelli passar e quando estava prestes a perder o pódio para Hamilton, o VSC entrou em cena novamente na antepenúltima volta e George conseguiu segurar a posição, enquanto a dupla da Ferrari quase se encontraram na penúltima volta.


Mais do que a segunda vitória consecutiva de Lando Norris, a forma como o inglês da McLaren venceu em Zandvoort mostrou que o campeonato, que parecia nas mãos da Mercedes, pode estar sofrendo uma ligeira reviravolta. Hoje Norris mostrou um ritmo avassalador, muito superior ao da Mercedes com pneus duros e a bonita ultrapassagem sobre Antonelli mostrou que ele era bem mais rápido do que o italiano. O mesmo não se pode dizer de Piastri, que após o erro de pit-stop da McLaren simplesmente desapareceu da corrida e recebeu a bandeirada numa opaca sexta posição. Oscar precisa de um psicólogo. Outro recado dado foi feito pela Mercedes. Com a McLaren mostrando o mesmo nível de recuperação dos anos anteriores, a Mercedes terá que escolher alguém para lutar pelo título e a troca de posição entre Antonelli e Russell indicou quem Toto Wolff escolheu. Russell poderia ter argumentado mais e ao 'prender' Antonelli, poderia esperar uma ultrapassagem de Hamilton que teria separado a dupla da Mercedes, porém, cedeu a posição para o companheiro de equipe, mais alguns pontos e muito provavelmente a chance de ser campeão em 2026 ou até mesmo em outro ano. Russell foi mais rápido do que Antonelli em praticamente o final de semana inteiro, mas acabou dominado na corrida e viu sua desvantagem aumentar, com Lando Norris, claramente o primeiro piloto da McLaren, se aproximando dele. 


Já no reino de Frederic Vasseur, a reunião pós-corrida da Ferrari tende a ser bem animada. Hamilton poderia ter conquistado um resultado melhor, mas quando Leclerc se recusou a sair de sua frente, perdeu um tempo precioso que lhe custo, no mínimo, um lugar no pódio e ainda viu Russell empatar com ele no campeonato. Cada vez mais à vontade dentro da Ferrari, Lewis Hamilton reclamou bastante da estratégia da Ferrari e, claro, do seu companheiro de equipe. Por sua vez, tido e havido como um piloto criado dentro da Ferrari para ser campeão e com o contrato renovado, Charles Leclerc não quer perder a posição de piloto principal da equipe, mesmo correndo ao lado de um heptacampeão mundial. Política sempre fez parte da gestão de pilotos da Ferrari, fica surpreso quem quer. Com Max Verstappen de fora logo na primeira volta, a Red Bull viu Liam Lawson levar seu carro até o fim sem maiores arroubos no sétimo lugar, ficando o time austríaco como a quarta força isolada em Zandvoort.


O pelotão intermediário teve inúmeras brigas e punições, com Nico Hulkenberg marcando pontos pela segunda corrida consecutiva e mostrando que a Audi tem condições de brigar com a Racing Bulls pelo quinto posto do Mundial de Construtores, mas o grande destaque foi mesmo Fernando Alonso. Com a Honda trazendo um motor praticamente novo para Zandvoort, a dupla da Aston Martin reclamou de problemas de noviciado e seus pilotos ficaram no Q1, mas Alonso parecia satisfeito com o potencial do carro. Mesmo ainda sofrendo com a potência do carro, Alonso arriscou para fazer uma parada a menos e se aproveitando do caos ao redor, levou à Aston Martin ao seu melhor resultado até o momento em 2026 com um honroso nono lugar, ficando à frente de Gasly, com seu Alpine com vários desenvolvimentos. A Racing Bulls viu Lindblad ser punido e Tsunoda fazer uma corrida de reestreia decente, mas fora dos pontos. A rodada na primeira volta depois de outra largada ruim deixou Bortoleto fora dos pontos a corrida inteira, mas sempre com Gabriel mostrando um ritmo forte quando teve pista livre. A Haas abandonou com seus dois carros, a Cadillac viu o novo chefe Marcin Budkowski se orgulhar de que nenhum carro se desfez na pista e a Williams... Bom a Williams viu seus dois pilotos baterem entre si no final da corrida quando ambos brigavam pelas últimas posições. James Vowles terá muito trabalho.


Zandvoort deixa a F1 com sua melhor corrida em seu retorno ao calendário e já deixando saudades. A torcida neerlandesa pode ter saído do autódromo frustrada pelo acidente de Max, mas os fãs da F1 viram uma grande corrida e o que pode ser o início de um novo campeonato, com a ascensão da McLaren. Norris pulou para quarto no campeonato e ainda está mais oitenta pontos atrás de Andrea Kimi Antonelli, mas os últimos campeonatos mostraram que o final de uma temporada pode ser bem diferente do seu início. Toto Wolff mostrou hoje que já abriu o olho para essa situação. Mais confiante com seu título conquistado, Lando Norris está crescendo no momento certo. Antonelli que se cuide! 

sábado, 22 de agosto de 2026

O troco de Lando

 


Lando Norris entrou de férias com uma vitória convincente em Hungaroring. O retorno da pausa do atual campeão da F1 indicava a continuidade de sua boa fase em Zandvoort, mas George Russell conseguiu a pole na Sprint rumo a uma vitória tranquila, enquanto Lando ficou na primeira fila e ainda foi ultrapassado por Leclerc no final da Sprint. Observando como foi a Sprint, todos sabiam que a classificação deverá um diferencial e tanto e Lando Norris de um troco no seu compatriota e como foi pole na corrida de domingo, ainda foi com juros.

As três semanas sem F1 foi de algumas definições. Mesmo com Carlos Sainz bastante insatisfeito em seu segundo ano na Williams, o espanhol acabou renovando com a equipe, muito provavelmente por falta de oportunidades em outras equipes, o mesmo acontecendo com Alex Albon. Com seus dois pilotos na casa dos 30 anos, a Williams tentará não ser o cemitério das carreiras de Sainz e Albon. Na véspera das primeiras atividades de pista, Max Verstappen anunciou que renovou por mais dois anos com a Red Bull, ficando nas glebas austríacas pelo menos até 2030. O declínio técnico da Red Bull somado ao péssimo regulamento deixou a permanência de Max na Red Bull e na própria F1 em dúvida. Novamente Verstappen foi visto em companhia de Toto Wolff nas férias, alimentando rumores de uma ida para a Mercedes. E como Andrea Kimi Antonelli estava junto de Toto, a 'vítima' seria bem clara...

No entanto Wolff foi pragmático. O austríaco nunca escondeu seu descontentamento em lidar com a rivalidade entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg e provavelmente Toto farejou que ter Max e Kimi juntos poderia ser bastante explosivo. Russell ainda pode ser útil na equipe, mesmo como um segundo piloto à Barrichello, ou seja, não muito satisfeito com a situação. Já para Verstappen ficar na Red Bull significará um compasso de espera para observar o que acontece ao seu redor. A Mercedes não parece uma porta atraente no momento, então olhar para outras equipes e ver o que acontece é uma opção mais segura, enquanto a Red Bull, que segue perdendo pessoas importantes no lado técnico, tenta um ressurgimento.

E falando em perdas na Red Bull, a equipe sofreu mais uma para o final de semana em Zandvoort, mesmo que de forma pontual. É de conhecimento de todos que Isack Hadjar gosta de praticar esportes de luta e enquanto treinava boxe num saco de areia, Hadjar sofreu uma fissura no punho direito, fazendo com que o francês, que conseguiu seu único pódio até agora nos Países Baixos ano passado, ficasse de fora da prova neerlandesa, substituído por Liam Lawson, que por sua vez cedeu seu carro na Racing Bulls para Yuki Tsunoda, que disse que recebeu a notícia que voltaria a F1 enquanto curtia uma praia na Grécia.

A morna corrida da Sprint, com vitória de Russell, alertou ainda mais as equipes para a importância da classificação, realizada poucas horas depois. O posicionamento em Zandvoort, que faz sua despedida da F1, poderia ser crucial no domingo. Desde seu acidente em Suzuka que Oliver Bearman não teve o mesmo bom desempenho de antes e ele foi a surpresa negativa ao ficar pelo caminho no Q1, perdendo para o cada vez mais ameaçado Ocon. No pelotão intermediário, a Alpine trouxe um grande pacote de updates para o carro de Gasly, mas o francês acabou ficando por muito pouco no Q2, superando Colapinto com boa margem. A briga pela quinta força ficou novamente entre Audi e Racing Bulls. Com Tsunoda fazendo um bom final de semana, mas eliminado no Q2, a Racing Bulls apostou tudo em Lindblad, que não decepcionou e novamente foi ao Q3, tendo a companhia de Bortoleto, que mais uma vez superou Hulkenberg com certa margem. E Gabriel superou Arvid no Q3.

A briga pela ponta tinha Mercedes e McLaren, com a Ferrari correndo por fora. A Red Bull se conformou rapidamente em ser a quarta força e nem mesmo a genialidade de Max Verstappen, correndo em casa, pôde mudar essa situação. Leclerc fez uma ótima Sprint, sendo o único a largar com pneus macios, mas o monegasco não repetiu o mesmo desempenho na classificação e com Hamilton errando várias vezes na famosa Curva Tarzan, a primeira de Zandvoort, ambos ficaram fora da briga pela pole. Piastri andava próximo de Norris, mas com o inglês sempre à frente, enquanto Antonelli parecia em clara desvantagem frente à Russell. Para completar a chuva deu as caras no final do Q3, fazendo todo mundo antecipar os trabalhos na pista e Norris conseguiu uma bela pole, superando a dupla da Mercedes por pouco. No fim, Antonelli mostrou seu talento e quase superou Russell quando mais importava, enquanto Piastri continua sua má fase e ficou apenas em quarto. Se Norris manter o bom posicionamento conquistado com a pole, ele poderá manter sua boa fase. O problema é Lando confirmar a pole, sem contar que o clima em Zandvoort não está dos mais firmes.

domingo, 16 de agosto de 2026

Pista nova, problema antigo

 


Muitas pessoas gostam de falar em 'automobilismo-raiz' e que muitas vezes a F1 não corre em certo tipo de pista. Por mais que a F1 exagere em suas exigências, a  categoria dificilmente passaria o vexame que a Indy passou nesse final de semana em Markham, pista que substitui a lendária pista de rua no centro de Toronto. Na quinta-feira já haviam notícias de que a pista de rua estava longe de estar pronta e a vergonha se estabeleceu no dia seguinte com o cancelamento de todas as atividades, pois as proteções de pneus não haviam chegado ainda. No sábado o inglês Louis Foster surpreendeu ao ficar com a pole com seu carro da Rahal. A pista de rua localizada numa cidade na grande Toronto tinha como característica um grampo apertado e que estava na cara que traria inúmeros problemas para a corrida. E sem surpresas, uma sequência enorme de bandeiras amarelas ocorreu por incidentes no local. Foster tinha um bom acerto no seu carro, mas bateu forte no muro, mesmo local que vitimou Kyle Kirkwood, vice-líder do campeonato. Marcus Ericsson, vindo de um jejum de três anos, optou por uma estratégia ousada, onde teria andar num ritmo forte por praticamente um terço da prova. Para sorte do sueco, bem nesse momento as bandeiras amarelas rarearam, Ericsson fez sua estratégia funcionar e o piloto da Andretti venceu, ultrapassando Grosjean nas voltas finais. Executando uma estratégia de economia de combustível, Grosjean liderou as voltas finais, mas não foi páreo para o ritmo superior de Ericsson. Power, que vinha numa estratégia intermediária, completou o pódio, segurando nas voltas finais Alex Palou. O quarto lugar do espanhol o deixou com o pentacampeonato sendo uma questão de onde Palou estourará o champanhe. O que pode acontecer já na próxima semana, na nova corrida em Washington. Novamente uma pista estreante e tomara que a Indy saiba valorizar o ótimo produto que tem em mãos e faça a tarefa de casa de forma decente. 

domingo, 9 de agosto de 2026

Vitória de Martin, o segundo colocado


Com a entrada das corridas Sprint, a MotoGP praticamente duplicou o número de corridas e de certa forma aumentou proporcionalmente a probabilidade de acidentes e piloto machucados. Na volta das férias da MotoGP em Silverstone, uma pista que aparentemente não combina com corridas de moto, vários pilotos estavam se recuperando de alguma lesão e por isso o líder do campeonato Jorge Martín não se importou muito em chegar atrás de Raul Fernández no Grande Prêmio da Grã-Bretanha.

Marco Bezzecchi retornou à MotoGP após sua cirurgia na clavícula, só que o italiano também estava com problemas no seu joelho. Numa pista fluída e favorável à Aprilia, a marca de Noale dominou Silverstone, com pódio completo na Sprint e no Grande Prêmio. Se no sábado Martin conseguiu uma vitória tranquila na Sprint, na corrida o campeão de 2024 errou na largada e viu Raul Fernández pular para a ponta e disparar rumo a uma vitória esmagadora. Normalmente eclipsado pelo companheiro de equipe Ai Ogura, Fernández mostrou que pode vencer, enquanto Ogura caiu quando era apenas quinto. Martin também perdeu a terceira posição para Bezzecchi, mas o espanhol não se preocupou muito, pois Marco reclamara de cansaço na Sprint. Martin esperou metade da corrida para ultrapassar facilmente seu companheiro de equipe e mesmo mais rápido do que Fernández, se consolou com a segunda colocação.

O motivo era bem simples. Raul não está diretamente na luta pelo título, portanto, as maiores preocupações de Martin ficaram bem para trás. Ogura caiu, Bezzecchi sofreu claramente durante a segunda metade da prova e terminou em terceiro, mas cedeu mais pontos à Martin. Marc Márquez teve um final de semana estranho de tão apagado que foi. O espanhol da Ducati sequer pensou em subir ao pódio, se conformando com uma opaca sétima posição, sendo a terceira Ducati do dia, atrás de Alex Márquez e Fabio Di Giannantonio, outro postulante ao título que se recupera de problemas físicos e executou um final de semana abaixo.

Com tudo isso, Martin vai aumentando sua vantagem no campeonato mesmo de saída da Aprilia marcada para o final desse ano.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Finalmente o futuro

 


Quando houve o último lançamento de um carro na Indy, Fernando Alonso estava na Ferrari lutando contra Sebastian Vettel pela Red Bull, com Lewis Hamilton ainda correndo pela McLaren. Valentino Rossi estava indo para a Ducati. Neymar estava com vinte anos e todos pensavam que ele seria o astro que nos levaria ao hexa. Apenas Josef Newgarden, Scott Dixon, Graham Rahal e Will Power permanecem na Indy daquele longínquo ano de 2012, podendo receber a companhia de Ryan Hunter-Reay, Helio Castroneves e Ed Carpenter nas 500 Milhas de Indianápolis. Tomara que a Indy não demore tanto a renovar seu carro.

domingo, 26 de julho de 2026

Figura(HUN): Lando Norris

 Desde o título conquistado na última etapa de 2025, Lando Norris não teve muito o que comemorar, porém, o inglês da McLaren teve um final de semana quase perfeito na Hungria. Sempre rápido nos treinos livres, Norris conseguiu o melhor tempo da classificação, superando Hamilton por um centésimo de segundo. Lando perdeu a primeira posição para Piastri ainda na primeira volta, mas não baixou os braços, continuou pressionando o seu companheiro de equipe e mostrou que tinha um ritmo muito superior quando teve ar limpo. Mesmo com pneus desgastados, Norris foi capaz de neutralizar a vantagem de ter pneus novos de Piastri e emergiu em primeiro quando fez sua segunda parada. Numa pilotagem dominante, Norris venceu de forma convincente. O campeonato está praticamente fora de questão para Norris, mas a corrida de hoje mostra que a McLaren tem carro para conseguir algumas vitórias até o final do ano, enquanto Norris se mostra cada vez mais com as rédeas da McLaren. Essa primeira vitória pode marcar uma nova fase para Lando Norris na F1 em 2026.

Figurão(HUN): Lewis Hamilton

 Numa competição de alto nível como a F1, todos sabem que um campeonato pode ser definido nos mínimos detalhes e sendo o segundo piloto mais experiente do grid, além do mais laureado, Lewis Hamilton deveria saber isso mais do que ninguém. Ser punido com tempo ou perca de posições no grid atrapalham demais e mesmo que algumas de suas punições não tenham sido sua culpa e até mesmo discutíveis, é inaceitável a sequência que Hamilton mantém de punições consecutivas. Na Hungria Lewis foi punido duas vezes, uma no sábado, que o fez perder três posições no grid por atrapalhar a volta rápida de Oscar Piastri, e outra no domingo, quando excedeu o limite de velocidade nos boxes ao apertar o botão ligeiramente antes do tempo no final do pit-lane, Lewis Hamilton perdeu qualquer chance de lutar pela vitória num final de semana que vinha se mostrando forte ao inglês da Ferrari, mas que acabou com Hamilton fora do pódio e perdendo pontos para Andrea Kimi Antonelli. Está passando da hora de Hamilton parar de se meter em tantas confusões. 

A primeira de Lando

 


Desde o título conquistado na última etapa de 2025, Lando Norris não teve muito o que comemorar. O domínio da Mercedes em conjunto com os vários problemas no novo carro da McLaren impossibilitaram Lando de tentar revalidar seu título em 2026. Em Miami Norris poderia ter vencido, mas a corrida na Flórida provou-se ser algo apenas pontual, além de Lando perder a corrida para Antonelli. No entanto, em Hungaroring o inglês não perdeu a chance. Após conquistar uma pole como nos bons tempos da McLaren, Norris teve um pouco mais de trabalho que o imaginado por perder a ponta da corrida para o seu companheiro de equipe Oscar Piastri, mas usando a estratégia e um ritmo de corrida superior, Norris venceu pela primeira vez ostentando o número 1 em seu carro. Atrás de si, Max Verstappen se aproveitou do abandono de Piastri e mesmo reclamando bastante do carro, chegou em segundo com Antonelli limitando os danos do pior final de semana da Mercedes até aqui para subir ao pódio em terceiro e ainda aumentar sua vantagem no campeonato.


Como normalmente ocorre em Budapeste nessa época do ano, o sol apareceu forte no céu magiar e estava um dia perfeito para uma corrida de F1 em Hungaroring, palco que completa nesse domingo quarenta anos na F1, com direito a várias curvas homenageando grandes pilotos do passado. E a curva um ser chamada agora de Piquet era quase uma obrigação. O forte calor na Hungria fez com que os estrategistas pensassem que repetir a estratégia vencedora do ano passado, de uma única parada, ser bastante complexa, sem contar que historicamente ultrapassar em Hungaroring é ainda mais difícil do que em outras pistas. Se o posicionamento em pista já faz diferença em outros circuitos, em Hungaroring é ainda mais importante, começando por conseguir uma boa largada. Nos dois últimos anos virou folclore na F1 a forma como Lando Norris estragou inúmeras poles ao perder a posição na largada. Nesse domingo o representante da McLaren conseguiu sair bem e manteve a ponta na curva um. Atrás dele Oscar Piastri, beneficiado pelas punições de Hamilton e Antonelli, largou muito bem e ainda na primeira curva ultrapassara Leclerc. No aproche da segunda curva, Norris deu uma espalhada e Piastri tomou a liderança. A largada não foi das mais tranquilas. George Russell, em mais um final de semana medonho, ficou praticamente parado no grid e se felizmente não foi atingido por ninguém, teria que iniciar uma corrida de recuperação vindo das últimas posições. Se a Ferrari já sentira o golpe da punição de Hamilton na classificação, levaria outro na primeira volta, com Verstappen também deixando Leclerc para trás, mesmo o monegasco tendo largado com pneus macios. Lewis, com pneus macios novos, também ultrapassou Charles, mas ficou atrás de Max, inclusive com um ligeiro toque eles na curva 3. Antonelli conseguiu uma largada decente, se livrando dos ataques de Hadjar, mas via com um sorriso na boca Russell novamente ter problemas na primeira volta, praticamente se garantindo que teria sua vantagem no campeonato aumentada no final do dia.


Até o momento Piastri não mostrara nada no final de semana húngaro, mas com ar livre o australiano se manteve confortavelmente na frente de Norris, enquanto Verstappen claramente segurava Hamilton com pneus melhores que o dele. Lewis fustigou bastante, mas não foi capaz de abalar Verstappen, que parecia bem mais incomodado com os problemas no seu Red Bull. Max reclamava de praticamente tudo, mas ainda conseguia se manter na frente de Hamilton, que via suas chances de vitória irem pelo ralo ao ficar empacado atrás de Verstappen. Na medida em que a corrida seguia, algumas 'cartas' eram colocadas na mesa. Norris se aproximou de Piastri e mandava indiretas via rádio, enquanto Antonelli ficava a uma boa distância de Leclerc. Tentando dar o 'pulo do gato' e tendo largado com pneus macios, Hamilton inaugurou a rodada de paradas ainda na volta 13, indicando que pararia pelo menos duas vezes. O inglês voltou à pista mais rápido e quando a Red Bull respondeu ao movimento da Ferrari na volta seguinte, era nítido que o 'undercut' era poderoso, pois com pneus duros novos Hamilton conseguiu emergir na frente de Verstappen. Temendo pelo exemplo demonstrado por Hamilton, a McLaren rapidamente chamou seus dois pilotos, Piastri na frente de Norris. Enquanto a McLaren parava seus dois pilotos, ocorria a manobra da corrida. Hamilton retornava em meio aos carros da Racing Bulls e quando ultrapassava Liam Lawson, Max Verstappen enxergou uma oportunidade, ainda com as memórias de 2024, quando os velhos rivais Lewis e Max bateram e Verstappen literalmente saiu voando. Verstappen freou muito mais tarde e numa manobra belíssima, mais uma vez tomou a frente de Hamilton.


Com o ego ferido, Hamilton tentou atacar Verstappen de todos os modos, mas o neerlandês não deu chances. A primeira rodada de paradas deixou os quatro primeiros bem próximos e quando Piastri deu de cara com Hadjar, o francês da Red Bull tentou ao máximo ajudar seu companheiro de equipe, mas o máximo que conseguiu foi ficar algumas curvas entre Max e Lewis. Andrea Kimi Antonelli mostrava o motivo do seu ritmo tão discreto e postergou sua parada ao máximo, só fazendo seu pit-stop na volta 22, em clara tentativa de parar apenas uma vez. A corrida fica mais estática, com a dupla da McLaren abrindo um pouco sobre Verstappen, que continuava a segurar Hamilton a ponto de Leclerc encostar no companheiro de equipe e sugerir uma troca de posições. Por sinal, isso também era solicitado por Norris. Com pneus duros o ritmo superior de Lando ficou mais evidente e o inglês começou a pressionar a McLaren para que tivesse ar livre. A chance veio algumas voltas mais tarde quando a McLaren chamou Piastri para a sua segunda visita aos pits na volta 33 e em teoria não parar mais. Contudo, a primeira rodada de paradas mostrara que o 'undercut' funcionava melhor que o 'overcut'. Lando Norris subverteu a lógica e com um ritmo superior com pneus desgastados, fez sua segunda parada seis voltas depois de Oscar e ainda saiu na frente do companheiro de equipe. No entanto, Lando Norris pôde contar com a ajuda involuntária do seu amigo e antigo companheiro de equipe Carlos Sainz. O espanhol brigava com Stroll quando simplesmente ignorou as bandeiras azuis e acertou o carro de Piastri, que ficou transtornado dentro do carro. O ritmo superior de Norris fez a diferença, mas o tempo perdido no incidente com Sainz atrapalhou deveras Sainz, que acabou punido em 5s. Por ter ajudado a definir a corrida, o castigo para Carlos acabou sendo brando.


Na briga pelo terceiro lugar, a dupla da Ferrari parou mais cedo, enquanto Max Verstappen esticou seu segundo stint ao máximo, só parando nove voltas depois de Hamilton e quatro depois de Leclerc. No entanto a Red Bull tomou a decisão de colocar pneus macios no carro de Max com 28 voltas para o fim, para estranhamento do próprio Verstappen, que retornou dessa vez bem atrás de Hamilton e sofrendo ataque de Leclerc. Antonelli tentou colocar sua tática de uma parada em funcionamento e mesmo ultrapassado por Norris na volta 45, mantinha um ritmo interessante e longe de Piastri, que começava a ser acossado por Hamilton. Para surpresa de todos, inclusive de Kimi, a Mercedes chamou o italiano para os pits e executou uma segunda parada no carro de Antonelli, que pareceu não muito satisfeito com a tática escolhida. Havia uma chance de haver um efeito sanfona como ocorreu na Áustria, com alguns carros vindo detrás se aproximando dos da frente nas voltas finais, mas então Piastri diminuiu seu ritmo e encostou seu carro na reta oposta. O Safety Car virtual apareceu e alguns pilotos aproveitaram para fazer uma terceira e última parada. Entre eles estavam Norris, Hamilton e Leclerc, que colocaram pneus macios usados. 

A manobra mudou o panorama da corrida, só não mudando Lando Norris destacado na frente. Após se livrar de Piastri na base da estratégia e do ritmo, Norris venceu de forma convincente, completando um final de semana próximo da perfeição do atual campeão da F1. O campeonato está praticamente fora de questão para Norris, mas a corrida de hoje mostra que a McLaren tem carro para conseguir algumas vitórias até o final do ano, enquanto Norris se mostra cada vez mais com as rédeas da McLaren. Piastri andou sempre atrás de Norris o final de semana inteiro e mesmo conseguindo um melhor posicionamento nos dois primeiros stints, o australiano foi claramente derrotado pelo seu companheiro de equipe. Se ano passado a McLaren tinha uma dupla de pilotos homogênea, a confiança conquistada pelo título fez a balança pender cada vez mais para Norris, enquanto Piastri parece perdido e com o título perdido de 2025 ainda lhe afetando. 


Quando Antonelli saiu dos pits após sua segunda parada, o italiano questionou a Mercedes o motivo da segunda parada, no qual recebeu como resposta que seu pneu duro iria perder muito rendimento e com pneus duros novos, ele poderia até brigar pelo segundo lugar. O VSC não fez com que Antonelli conseguisse um ataque frente a Verstappen, que chegou em segundo numa corrida muito inteligente do neerlandês, mas fez com que Kimi conquistasse mais um pódio. Antonelli contou com dois vacilos de Hamilton para subir ao pódio magiar. Primeiro que Hamilton ultrapassou Antonelli depois da linha do SC e quando a corrida reiniciou, o inglês teve que devolver a posição. Com pneus macios era esperado um ataque maior de Hamilton nas voltas finais, mas logo o inglês levaria um banho de água fria quando foi anunciado (mais) uma penalização, dessa vez por excesso de velocidade dentro dos pits. Os 5s de punição apenas garantia o pódio de Kimi, como fez Hamilton perder o quarto lugar para Leclerc. Um final de semana que parecia muito promissor para a Ferrari acabou com seus dois pilotos fora do pódio, enquanto Hamilton acumula uma série inacreditável de punições. Antonelli foi um dos que saíram de Hungaroring com um baita sorriso no rosto. No pior final de semana da Mercedes em 2026 até agora, Antonelli subiu ao pódio e viu seus dois mais próximos perseguidores terminarem atrás dele, ou seja, Kimi aumentou sua vantagem no campeonato. Russell superou o seu problema na largada (o anti-stall entrou sem interferência de George) e rapidamente ultrapassou vários pilotos do pelotão intermediário, mas sua corrida estava fadada a terminar entre os últimos das equipes grandes. Russell ainda tentou uma estratégia parecida de Antonelli, mas assim como aconteceu com o italiano, George teve que fazer uma segunda parada, lhe garantindo um amargo sétimo lugar, o deixando mais longe não apenas de Kimi, como também de Hamilton. Hadjar apareceu mais tentando ajudar Verstappen, mas acabou fazendo uma corrida solitária, ficando em sexto e marcando mais alguns pontinhos para a Red Bull no Mundial de Construtores.


A briga pelo melhor posto do pelotão intermediário foi animada e parecia que Gabriel Bortoleto venceria essa 'corrida' novamente. O brasileiro fez uma ótima corrida, largando com pneus macios e fazendo-os funcionar até praticamente metade da prova, se garantindo para fazer apenas uma parada. Bortoleto estava em décimo e se aproximando de Lindblad quando o VSC apareceu. E a Gabriel faltou sorte, pois ele tinha acabado de passar pela entrada dos boxes, enquanto Lawson e Hulkenberg vieram logo em seguida e entraram nos pits para colocar pneus macios. Com dois pilotos melhor 'calçados' atrás de si e pneus duros desgastados, Gabriel não teve o que fazer e saiu da zona de pontuação. Lawson e Hulkenberg também ultrapassaram Lindblad, fazendo o neozelandês ser o melhor do resto, mesmo que já uma volta atrás, enquanto Hulkenberg marcou seus primeiros pontos em 2026, com a nona posição. Hoje Audi e Racing Bulls tem os melhores conjuntos do pelotão intermediário, tomando o lugar de Alpine e Haas, que perderam espaço para as rivais. 

Destaque para a Aston Martin, que também em ritmo de corrida deu um enorme pulo com seu pacote de updates, deixando Haas e Williams para trás no processo. Alonso chegou a correr na zona de pontuação, mas perdeu tempo como Bortoleto no momento do VSC. Já a Cadillac se isola como a pior equipe da F1 atual, com direito a carros que se desmancham e se incendeiam sozinhos.


A F1 entra de férias com Andrea Kimi Antonelli mais líder do que nunca e já entrando em ritmo de pensar no campeonato. Não tem carro para vencer? Marca o maior número de pontos possíveis. O grau de maturidade de Antonelli impressiona. Assim como Antonelli muda seu mindset para o modo 'pensar no campeonato', Russell terá que começar a pensar em evitar o vexame de perder o vice-campeonato tendo o melhor carro do ano. Sérgio Pérez foi defenestrado da Red Bull por algo parecido... Com metade do campeonato tendo passado, a F1 descansa para o stint final com a Mercedes perdendo momentum, Verstappen se mantendo inevitável, McLaren e Ferrari crescendo, mesmo com os italianos ainda sofrendo com seus deslizes. Além de um regulamento técnico esdrúxulo, mas que a pista travada de Hungaroring escondeu bem seus problemas. Kimi não tem nada com isso e não lamentou a primeira vitória de Lando Norris em 2026.   

sábado, 25 de julho de 2026

Lando aparece

 


Até Hungaroring a Mercedes tinha feito a pole em todas as corridas em 2026, mas a travada pista magiar não dava muitos indícios que o time comandado por Toto Wolff manteria essa escrita. Lando Norris venceu na Hungria no ano passado em outro contexto, mas provando que o inglês tem a mão da pista, Norris tomou a pole de Hamilton no último momento, mesmo que haja algumas investigações ocorrendo.

Uma semana depois do vexame em Spa, a F1 respirou aliviada com a chegada em Hungaroring, com suas retas curtas e muitas freadas proporcionando que as baterias recarregassem rapidamente, evitando o cenário visto em Silverstone e Spa. Até mesmo a velocidade dos carros voltaram à transmissão da TV, assim como as câmeras on-board no final das retas. Uma das atrações do final de semana húngaro era o novo pacote de melhorias da Aston Martin. Vindo de inúmeros constrangimentos nas últimas etapas, a Aston Martin aportou em Hungaroring com um carro praticamente novo e a melhoria foi instantânea. Se antes os carros verdes tomavam até 2s para a Cadillac, na Hungria Alonso conseguiu até mesmo passar ao Q2, superando no processo também a Williams, que vive uma fase daquelas, além de deixar a Cadillac sozinha no 'rabo da vaca'.

Bortoleto teve uma classificação agitada, com um volta anulada no Q1 e uma rodada de Hadjar na sua frente arruinando sua volta no Q2. Após infringir várias derrotas ao companheiro de equipe, na Hungria Gabriel acabou superado por Hulkenberg, que foi ao Q3. Em nenhum momento do final de semana a Mercedes mostrou a mesma força de outros finais de semana, mesmo com Antonelli novamente muito na frente de Russell. Uma melhora no TL3 deu esperanças ao italiano, mas a Ferrari demonstrou muita força, além de Lando Norris, sempre entre os primeiros. E colocando muito tempo em Piastri.

Especialista em Hungaroring, Hamilton conseguiu o melhor tempo no Q3 na primeira tentativa de todos, com Norris logo atrás. No entanto, a segunda tentativa de todos foi bastante complicada e rendeu muitas reclamações. Assim como ocorreu na Áustria, Verstappen saiu da pista e reclamou horrores da aerodinâmica do carro. Aparentemente a asa traseira não teve problemas. Antonelli vinha logo atrás e mesmo com bandeira amarela, melhorou seu tempo, mas não ganhou posição, permanecendo em quarto. Russell estava em sétimo, péssimo resultado, mas o inglês parou seu carro no final da reta. Pior foi Hamilton, que viu Norris lhe tirar a pole por doze milésimos e ainda atrapalhou a volta de Piastri. Hungaroring sempre foi um circuito de difíceis ultrapassagens e o posicionamento é fundamental. Ponto para Norris e quem não será punido.   

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Uma Copa que surpreendeu

 Quando chega o final de uma Copa do Mundo, fico com um certo ar de melancolia. Passaram-se mais quatro anos de minha vida e quando observamos, já se passou mais quatro anos e estamos na expectativa boa de mais uma Copa do Mundo. Como diria o poeta, o tempo não para...

Para 2026 vimos uma Copa cheia de novidades. Para começar, depois de vinte e oito anos tivemos um acréscimo, para mim desnecessário, de dezesseis seleções e pela primeira vez tivemos 48 times. Não estava otimista. Hoje é praticamente impossível haver um 'grupo da morte' e a tabela indicava jogos nada atraentes (Nova Zelândia x Irã, Cabo Verde x Arábia Saudita, Catar x Bósnia...) para nós vermos. E veio a outra novidade.

Num erro crasso de estratégia, a TV Globo perdeu não apenas a exclusividade na transmissão dos jogos, como simplesmente passou apenas metade dos jogos, com a CazéTV ficando com a transmissão de todos os 104 jogos da Copa. Temos que bater palmas para o trabalho do canal de YouTube, mas não há como negar que houve vários problemas. Respeito o gosto de todos, mas não me peçam para gostar da transmissão 'leve' da CazéTV. Foi um show de gritaria, babação e até mesmo uma certa empáfia de Casemiro Miguel, influenciador que deu seu nome ao canal e hoje é praticamente um empregado. Por mais que a CazéTV exagerasse na propaganda das Bet's, Globo e SporTV também faziam propaganda dos mesmos, portanto, essa polêmica foi bem injusta com a CazéTV, no entanto, mesmo contando com narradores como Fernando Nardini e comentaristas como Rafael Oliveira, a qualidade da transmissão, com pouca narração, muita gritaria e muita gente falando e se atropelando me fez assistir alguns jogos exclusivos no mute.

Dentro de campo vi uma Copa que surpreendeu. Com a globalização do futebol, os clubes europeus tem cada vez mais jogadores de todo o mundo e isso enriqueceu o futebol de seleções, pois mesmo seleções como Tunísia ou Haiti tem jogadores que atuam numa Premier League. Isso fez com que a maioria dos jogos, mesmo o de menor apelo, tivesse um nível técnico muito bom e o resultado foi a melhor média de gols desde 1970.


Tudo levava a crer que a França seria campeã. Com um futebol ofensivo e avassalador, os gauleses dominaram as primeiras fases com uma facilidade alarmante. Mbappé fazia gols a rodo, acabando por se tornar o maior artilheiro da história das Copas. Surgiram seleções muito fortes, como a Inglaterra, que goleou a Croácia num dos poucos grandes jogos da primeira fase. A Espanha parou na sensação Vozinha, mas depois emendou vitórias com um volume de jogo em que o adversário pouco fazia, pois mal tocava na bola. A Argentina não fez um ciclo muito entusiasmante, levou seleção envelhecida e incrivelmente ainda contou com Messi, no auge dos seus 39 anos. Jogando sua melhor Copa do Mundo.

Não faltaram decepções e começo com o Uruguai, que tinha um plantel interessante, mas que tinha sérios problemas de relacionamento com o irascível Marcelo Bielsa, resultando em mais uma eliminação na primeira fase e um elenco totalmente desconectado com seu treinador, enquanto Bielsa fracassava em mais uma Copa, aumentando minha sensação de achar que o argentino é um dos treinadores mais superestimados da história do futebol. Portugal tinha uma seleção interessante e ainda contava com Cristiano Ronaldo. Talvez esse tivesse sido o problema. Com 41 anos de idade o lendário atacante não fez uma boa Copa (mais uma) e ficou a sensação de que Portugal ficou abaixo do que podia. E o Brasil...


Quando alguém falava que o Brasil tinha chance de ser campeão eu tinha duas reações: ou a pessoa não entendia bulhufas de futebol ou estava zoando. Levando Neymar para a Copa mesmo o já veterano jogador estando machucado e jogando cada vez menos nos últimos anos, ainda assim toda a atenção se voltou para ele, mesmo Neymar mal treinando. Uma simples corrida no campo era motivo de notícia e reacts. Os primeiros jogos não encantavam e aumentava a decepção com Carlo Ancelotti, trazido para dar jeito a uma geração abaixo das expectativas, mas que poderia evoluir com o vitorioso treinador. O Brasil acabou eliminado pela Noruega do super atacante Haaland ainda nas oitavas de final. Vinte e oito anos sem vencer uma Copa do Mundo, recorde na história, mas há uma luz no final do túnel?


As explicações pós-eliminação me dão poucas esperanças. Há ainda uma sensação de que o futebol brasileiro é o melhor do mundo, quando está claro essa não é a realidade. Enquanto muitos se enganavam pedindo Neymar e Endrick, o que se via em campo eram jogadores esforçados, mas muito longe dos grandes nomes que já vestiram a camisa amarela. O Brasil poderia ter pedido para Marrocos ou Japão, mas ambas seleções respeitaram demais o Brasil e acabaram perdendo a oportunidade. Haaland não perdeu a oportunidade.

O fim da 'Era Neymar', levando consigo Casemiro, Marquinhos, Alisson, Danilo e seus blue caps pode ser benéfica para o Brasil, mas olhando para Vini Jr, que se preocupa mais com seu namoro com a influencer Virgínia (se ela passar na minha frente é fácil eu nem saber quem é...) nos mostra um futuro nada interessante...


Quando criança e aprendi a gostar de futebol, compreendi que as três seleções mais temíveis eram Brasil, Itália e Alemanha. Mais de trinta anos depois, o Brasil segue perdendo para o primeiro europeu no mata-mata, a Itália não vai para a sua terceira Copa seguida e a Alemanha não chega às oitavas desde seu título em 2014. Uma Copa decepcionante dos alemães, que começaram muito bem, mas seu jovem técnico pareceu ter metido os pés pelas mãos e acabou eliminado pelo fraco Paraguai.

Outras novidades foi a pausa para hidratação em todos os jogos, mesmo não precisando, enchendo os bolsos da FIFA e seu execrável presidente Gianni Infantino, que foi submisso de forma vergonhosa ao não menos execrável presidente americano Donald Trump, que fez com que a FIFA perdoasse um cartão vermelho do atacante ianque Balogun. No final a seleção americana acabou goleada pela Bélgica, que contou com a torcida do resto do mundo.

A Copa afunilava e os jogos melhoravam cada vez mais mais. A França eliminou o Marrocos, mesma seleção que colocara o Brasil na roda com muita facilidade. Portugal derrotou a Croácia nos últimos momentos, definindo a aposentadoria de Modric em Copas, mas na fase seguinte os portugueses acabaram eliminados pela Espanha de forma bem parecida, com um gol no finalzinho. Agora era a vez de CR7 se despedir das Copas. A Inglaterra superava o México num estádio Azteca lotado com um jogador a menos, enquanto o eterno goleiro Ochoa dava se aposentava logo em seguida. A Argentina fazia jogos cardíacos, mostrando um coração enorme de sua seleção ao reverter um 2x0 em cima do Egito e derrotar a Suíça no final da prorrogação.

As semifinais tinham quatro seleções campeãs do mundo. A entusiasmante França encarava a Espanha. Muitos apostavam nos gauleses, mas os últimos resultados mostravam a Espanha superando os franceses em momentos decisivos. E não foi diferente nessa Copa. Num jogo taticamente perfeito, a Espanha escondeu a bola dos franceses e derrotou Mbappe e companhia com uma facilidade embasbacante. Na outra semifinal um clássico dentro e fora dos campos. Ingleses e argentinos se encaravam 44 anos após estarem em guerra e 40 anos depois do mítico jogo no México em exibição de gala de Maradona. E 40 anos depois Messi teve uma exibição de gala no melhor jogo da Argentina, que virou um jogo no final da partida em duas assistências de Messi, ajudado pela atitude covarde de Tuchel, treinador alemão da Inglaterra, que recuou o time de forma desavergonhada.



A Espanha parecia ter mais time, mas não tinha sido bom subestimar Messi. A final em Nova Iorque viu a Espanha dominar a partida a ponto da Argentina ficar 90 minutos sem dar um único chute ao gol. A prorrogação veio com a Espanha com um jogador a mais e uma estatística preocupante: a Espanha normalmente perdia em disputa de pênaltis. Mesmo a Espanha amassando a Argentina, o gol não vinha, mas no início do segundo tempo da prorrogação, Ferran Torres marcou o gol decisivo. Espanha bicampeã mundial.

Antigamente considerada uma seleção de segundo escalão, capaz de produzir bons jogadores, mas sem resultados de relevo, a Espanha apostou num estilo de jogo de muito toque de bola e volume de jogo, algo visto na final dessa Copa, mesmo que sendo incapaz de dar o golpe de misericórdia no adversário. Em menos de vinte anos, a Espanha conquistou três Eurocopas e duas Copas do Mundo, tem uma seleção jovem e com muito potencial.

A Argentina dificilmente terá Messi e boa parte dos campeões de 2022. Uma renovação não é necessária, mas obrigatória. A França demonstrou sua decepção com a derrota para a Inglaterra na decisão do terceiro lugar, mas tem jogadores talentosos para se manter entre as grandes. Bélgica, Portugal, Holanda e Croácia precisam de renovação, a Inglaterra precisa dar o passo que a Espanha deu e o Brasil precisa mudar tanta coisa, que fica difícil encontrar por onde começar.

Foi uma Copa surpreendente. Vimos seleções que cativaram, como Cabo Verde, Congo e Marrocos. Mesmo com algumas surpresas no caminho, as grandes chegaram às finais. Foi uma Copa do Mundo bastante legal e com saldo positivo. Que venha 2030! 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Figura(BEL): Gabriel Bortoleto

 Mesmo ainda sofrendo com um motor totalmente vindo do zero e uma equipe que pretende ser grande, mas não nesse momento, Gabriel Bortoleto começa a se destacar dentro da Audi. Mais uma vez o jovem piloto brasileiro conseguiu um resultado de destaque no pelotão intermediário e, mais importante, superou com alguma folga o seu veterano companheiro de equipe Nico Hulkenberg. Se caracterizando pela velocidade em classificação, Bortoleto colocou mais de meio segundo de vantagem sobre Hulk e conseguiu uma vaga no Q3, largando no top10 e com boas chances de marcar pontos. Na corrida Bortoleto ficou no meio de Racing Bulls e Alpine, equipes que estão bem na frente da Audi no Mundial de Construtores e a Gabriel teve sorte com um VSC na hora certa. Tendo feito sua única parada bem no período de VSC, Bortoleto pulou para oitavo, sendo o primeiro fora das quatro equipes grandes e mesmo tendo a presença incômoda de Arvid Lindblad por perto nas voltas finais, Gabriel controlou a vantagem e recebeu a bandeirada como o melhor do resto, conseguindo mais alguns pontos no campeonato. Por sinal, apenas Bortoleto marcou pontos pela Audi em 2026 e seus resultados já o colocam como um dos destaques do ano.

Figurão(BEL): FIA

 Antigamente quando o calendário apontava Spa-Francorchamps como a próxima etapa, o fã da F1 ficava animado para encontrar a pista favorita da maioria dos pilotos, além de um palco histórico e tradicional. Porém, 2026 foi uma exceção por motivos já conhecidos: o novo regulamento técnico. Com o Super Clipping atuando forte em Spa, vimos cenas vexatórias na pista belga, com carros literalmente murchando no final das longa zonas de aceleração, com as velocidades decaindo 50 km/h, algo visto em Suzuka e Silverstone, outros palco lendários da F1, que viram a principal categoria do automobilismo tendo que percorrer retas onde anteriormente os pilotos atingiam altas velocidades com o pé no fundo, agora mal superam os carros de...F2.

domingo, 19 de julho de 2026

Colocando ordem no campeonato

 


Observando o rendimento dos pilotos da Mercedes, equipe dominante em 2026, era surpreendente que George Russell estivesse apenas a uma vitória de Andrea Kimi Antonelli. O jovem italiano vinha de três corridas sem vitória e sofrendo alguns azares, ao contrário de Russell, que subiu ao pódio nessas mesmas três provas, com direito a uma vitória na Áustria. No entanto, colocando uma lupa do desempenho dos dois, mesmo Russell tendo recuperado vários pontos no campeonato, Antonelli vinha andando bem mais e em Spa, provavelmente tivemos um quadro mais adequado ao que vem sendo a disputa interna dentro da Mercedes. Russell abandonou logo na primeira volta após um toque com Hamilton na Les Combes, enquanto Antonelli não teve o passeio dominical esperado, mas voltou a vencer e aumentou a sua já confortável liderança no campeonato. Leclerc continuou sua boa fase e deu trabalho à Antonelli, enquanto Verstappen fez uma corrida discreta, mas que lhe rendeu um pódio.

O clima em Spa é dos mais conhecidos por nos trazer surpresas e animar corridas com pancadas de chuva. Havia uma previsão de chuva para sábado e domingo no início da semana, mas em ambos os casos isso não se confirmou. O sábado foi limpo em termos de chuva e se alguns pingos apareceram nas câmeras de TV aqui e ali no começo da corrida, não foi o bastante para fazer equipes e pilotos pensarem em mudar suas estratégias. Com o sol brilhando em alguns momentos, as equipes passaram a observar qual a melhor estratégia para seus pilotos, assim como seria o melhor gerenciamento da bateria, algo essencial para a crítica primeira volta em Spa, onde a longa zona de aceleração entre a Surcis e a Les Combes ocasiona algumas mudanças de posições. A largada ocorreu sem interferências e os vinte e dois pilotos percorreram a primeira curva sem problemas, porém, logo depois Verstappen usou um pouco mais de bateria, ultrapassando Antonelli. Longe de ser um problema para o italiano da Mercedes, pois ao contornar a Eau Rouge e a Radillon, Antonelli teria o vácuo de Verstappen e, mais importante, teria mais bateria disponível na reta Kemmel. E Kimi retomou a liderança com facilidade, sendo seguido por Leclerc, que acabara de ultrapassar Russell, que estava bem lento na reta Kemmel a ponto de ser atacado por Hamilton. Ao chegar na Les Combes, os dois pilotos ingleses se tocaram num claro incidente de corrida, algo que a FIA não concordou, e Russell acabou atolado na brita, enquanto Hamilton carregou um ligeiro dano na asa dianteira até a bandeirada. Com Russell parado na brita, o único Safety Car real do dia apareceu, enquanto Russell amargava um final de semana horroroso em Spa, lugar onde George vencera de forma categórica em 2024, mas acabou desclassificado por um problema técnico em seu carro.

O toque entre Russell e Hamilton fez com que Piastri subisse para quarto, enquanto Norris iniciava sua escalada no pelotão intermediário após sua punição e já ganhava três posições, relargando em décimo. Logo após a relargada Verstappen ultrapassou Leclerc, pulando para segundo, enquanto Piastri começava a atacar o monegasco. O piloto da McLaren tentou um ataque na reta Kemmel e Leclerc claramente imprensava o australiano na grama, numa luta dura e que acabou resultando num ligeiro toque entre eles, onde Piastri teve parte da asa dianteira quebrada. Isso permitiu a Hamilton, já sabendo que teria que cumprir 5s de pênalti pelo toque com Russell na volta um, encostasse em Piastri e efetuasse a ultrapassagem. Enquanto isso, Norris passava por cima dos pilotos de Alpine e Racing Bulls, subindo para sétimo, mas com uma distância maior para Piastri, que resmungava via rádio pelo toque com Leclerc, mas após longa deliberação, a FIA deixou a corrida como estava e ninguém foi punido. Afora Norris, todos os pilotos da ponta largaram com pneus médios e esperavam completar apenas um pit-stop. Ao contrário do esperado, Antonelli não disparou na ponta, seguido relativamente de perto por Verstappen, a dupla da Ferrari e Piastri. Hamilton tentou um ataque em cima de Leclerc e mesmo disputando contra o seu companheiro de equipe, Charles emulou a manobra de Piastri em cima de Lewis, mas sem toques dessa vez. Claramente irritado, Hamilton sugeriu uma troca de posições, em que Leclerc reagiu e passou a perseguir Verstappen mais de perto. A corrida estava estática, sem grandes brigas. Apenas algo excepcional poderia mudar o rumo da corrida. E ela veio quando um SC Virtual apareceu duas vezes consecutivas bem no momento em que as equipes começavam a chamar seus pilotos para trocar pneus.

Quando o primeiro VSC apareceu na volta 18, a Mercedes chamou Antonelli, reagindo a manobra da Red Bull, que chamara Verstappen na volta anterior, além da Mercedes tentar aproveitar o VSC. Contudo, o período de VSC foi tão curto que quando Kimi entrou nos boxes, a bandeira verde já tinha sido mostrada e a dupla da Ferrari e da McLaren permaneceram na pista. Duas voltas depois o VSC retornou e dessa vez permitiu que a Ferrari fizesse as paradas dos seus dois pilotos (com Hamilton atropelando um dos seus mecânicos) e Leclerc fosse capaz de voltar à pista na frente de Antonelli. Lando Norris assumiu a liderança da corrida de forma circunstancial, ao ser o último a fazer seu pit-stop, mas quando Leclerc e Antonelli deixaram o atual campeão mundial para trás, a briga esperada acontecer em Silverstone, mas foi interrompida por um problema mecânico no carro de Antonelli, veio à tona em Spa. Com um melhor ritmo, Kimi fatiou a vantagem de Leclerc e com uma manobra ajudada pelo gerenciamento de bateria, Antonelli reassumiu a liderança quando faltavam dez voltas para o fim. Mesmo com Leclerc se mantendo por perto, não houve ataques e Antonelli controlou a vantagem rumo a sua sexta vitória em 2026 e aumentando sua vantagem no campeonato para o novo vice-líder Lewis Hamilton, que mesmo punido, ainda terminou em quarto lugar.

A vitória de Andrea Kimi Antonelli coloca uma certa verdade no campeonato. O italiano ainda tem muito a evoluir em sua carreira, mas com o carro dominante do ano Antonelli tem em George Russell seu maior rival no campeonato e comparando o desempenho dos dois, a diferença de 25 pontos que os separavam antes da corrida em Spa não mostrava o gap exato entre eles. Mais do que abrir mais 25 pontos frente ao seu companheiro de equipe, Antonelli mostra a Mercedes que ele merece a primazia e atualmente está bem à frente de Russell. O melancólico abandono na primeira volta coroou um final de semana macambuzio do inglês, que reclamou bastante do desempenho do seu carro nas longas retas em Spa, levando Russell a tomar mais de meio segundo de Antonelli em praticamente todas as sessões. Russell agora perdeu a vice-liderança do campeonato e vê um Kimi Antonelli vencer de forma natural, extremamente adaptado ao carro do horroroso novo regulamento. Após tanto elogiar o regulamento atual da F1, Russell vê seu companheiro de equipe 'casar' seu estilo de pilotagem a um carro que vergonhosamente murcha bem antes dos finais de reta por causa das baterias.

Leclerc fez uma ótima corrida, se mostrando um adversário mais duro do que o imaginado a Antonelli, mesmo que a Mercedes claramente tem o melhor ritmo do pelotão atual da F1. O monegasco se posicionou muito bem no começo da prova, não se curvou a Hamilton, mesmo sabendo que ele tomaria 5s de punição, e se aproveitou muito bem da tática de Ferrari, que o chamou aos pits no melhor momento possível, garantindo que Leclerc voltasse à pista na frente de Antonelli. Se Charles teve sorte com o abandono de Kimi em Silverstone, em Spa não foi o caso, mas o que importa foi que Leclerc parece ter deixado sua má fase para trás. Hamilton se envolveu em dois incidentes durante a corrida e isso acabou sendo definitivo para que o veterano inglês não conseguisse um lugar no pódio. Se Max Verstappen manteve um ritmo decente com pneus médios, quando o neerlandês foi 'calçado' com os compostos duros, o grip da Red Bull foi embora e Max fez uma corrida discreta, mas que lhe garantiu mais um pódio no ano, mesmo com a Red Bull nitidamente brigando com a McLaren para ser a terceira força. Após o toque com Leclerc, a corrida de Piastri caiu a ponto de ser alcançado e ultrapassado por Norris, que largara algumas filas depois. O australiano ainda perdeu a quarta posição para Hamilton nas voltas finais, somando mais uma corrida sonolenta para Piastri em 2026. Norris executava uma estratégia diferente, mas tudo foi por água abaixo quando a McLaren errou em sua parada, mais especificamente na roda traseira esquerda presa, fazendo Lando perder mais de 7s na operação, fazendo-o terminar atrás de Hadjar. O francês largou dos boxes, aproveitou o período de SC nas primeiras voltas para cumprir o regulamento e fazer uma boa corrida de recuperação, terminando em sexto. Hadjar não se importa em tomar tempo de Verstappen. Isso já estava no script. Porém, Hadjar vai amealhando bons pontos que fazem toda a diferença no Mundial de Construtores para a Red Bull.

Continuando sua boa fase, Gabriel Bortoleto foi o melhor do resto ao se aproveitar bem do período de VSC e fazer sua única parada na hora certa e assim superar a dupla da Racing Bulls. Gabriel teve a presença incômoda da Lindblad lhe pressionando nas últimas voltas, mas o piloto da Audi segurou a oitava posição e marcou mais pontos, lembrando que Hulkenberg, que largou mais para trás e ficou no meio de uma briga com Alpine e Liam Lawson, ainda não marcou pontos. Na expectativa para a final da Copa do Mundo, Franco Colapinto efetuou uma bela manobra para ultrapassar Lawson e Gasly na reta Kemmel e com isso, se estabelecer em décimo e marcar o último ponto do dia, mesmo pressionado pelos dois até a última volta. Após um começo de campeonato animador, a Haas perdeu rendimento e hoje briga com a Williams, que tem um Carlos Sainz cada vez mais incomodado com a situação atual da Williams e querendo achar um outro cockpit em 2027. Cadillac e Aston Martin perderam um piloto cada na corrida, mas estão cada vez mais longe do pelotão intermediário. Bottas terminou um minuto atrás da Williams, enquanto Alonso terminou um minuto atrás da Cadillac. Uma situação inimaginável quando foi anunciado a chegada de Newey à Aston Martin.

Com o campeonato se aproximando da parada de férias de verão na Europa, Antonelli vai se portando como um campeão digno, mesmo a F1 se autossabotando com seu regulamento horrível, com motores que podem debitar potência menor do que um carro de F3. Antonelli está na equipe dominante e com seu companheiro de equipe fazendo um ano abaixo da crítica, basta ao italiano usar o potencial do carro que tem em mãos para dominar os finais de semana de forma consecutiva. A vitória em Spa só demonstra que Andrea Kimi Antonelli tornou uma vitória num Grande Prêmio de F1 em algo simples e corriqueiro.

sábado, 18 de julho de 2026

Passando por cima

 


Olhando a tabela do campeonato, chega a ser enganoso ver George Russell menos de uma corrida de diferença atrás de Andrea Kimi Antonelli. Spa mais uma vez mostrou que o jovem italiano da Mercedes está dando um verdadeiro vareio em Russell, que se vê um maus lençóis ao perder mais de meio segundo por volta para o seu companheiro de equipe na pista belga. Antonelli dominou os treinos livres e com a tranquilidade dos grandes campeões, ficou com uma pole de forma até mesmo plácida.

Com as grandes retas em Spa, algumas equipes aproveitaram para trocar os motores de seus pilotos e com isso eles seriam punidos com posições no grid. Lando Norris e Isack Hadjar das equipes grandes foram alguns dos escolhidos, enquanto Fernando Alonso permanecerá na última fila com o retumbante fracasso que se tornou a Aston Martin em 2026. As longas áreas de aceleração em Spa também trouxe de volta o famigerado Super Clipping e o vexame da F1 com seu atual regulamento. Basta observar que as câmeras onboard, assim como em Silverstone, foram raras em Spa, para não flagrar os carros literalmente murchando no aproche das freadas. No primeiro treino livre, o motor Honda, o pior da F1 atual, perdia tanto desempenho por falta de bateria que Lance Stroll chegou ao final da reta Kemmel mais lento que um carro... da F3! Um verdadeiro escárnio!

Na pista Andrea Kimi Antonelli mostrava que veio à Spa para acabar com sua má fase, enquanto Russell coçava a cabeça num ritmo muito abaixo de um piloto Mercedes. Ferrari e Red Bull vinham claramente abaixo, enquanto Norris andava muito bem em Spa, ao contrário de Piastri, algo que vai se tornando corriqueiro em 2026. O nível do fracasso da Aston Martin se exemplifica não apenas pelo motor quase impotente ao final das retas, mas com a equipe esmeraldina tomando 2s na classificação da Cadillac, time que estreia nesse ano na F1. Newey e Alonso não mereciam um final de carreira como esse...

No meio do pelotão destaque mais uma vez para Gabriel Bortoleto, que superou com ampla vantagem Nico Hulkenberg e mais uma vez entrou no Q3, superando a Racing Bulls de Liam Lawson. Antonelli fazia uma classificação até mesmo protocolar, sendo sempre mais rápido que os rivais aparentemente sem fazer muita força, ficando com a pole sem maiores sustos. Com Hadjar tendo que largar no final do pelotão, a Red Bull colocou o francês para ajudar Verstappen, lhe dando o vácuo necessário para o neerlandês conseguir um lugar na primeira fila, se colocando entre os dois carros da Mercedes. Russell amargou um terceiro lugar, com Leclerc, que foi atrapalhado por uma bandeira amarela, no complemento da segundo fila. Isso porque Lando Norris, que ficou com o terceiro tempo, largará em 13º por causa da troca de bateria. Até o momento a chuva não apareceu em Spa, não impedindo dela surgir no domingo. 

domingo, 12 de julho de 2026

O Rei da Saxônia

 


Alguns atletas desenvolvem relações com certos palcos que entram para a história. O caso mais famoso do esporte é entre Rafael Nadal e Roland Garros na França, com o espanhol vencendo no saibro francês incríveis quatorze vezes. Um compatriota seu conquistou nesse domingo um recorde parecido, mesmo num palco menos glamoroso. A pequena pista de Sachsenring no leste da Alemanha é conhecida por sua sequência quase infinita de curvas à esquerda e o domínio avassalador de Marc Márquez por lá desde os tempos de 125cc do espanhol de Cervera. Nesse domingo Márquez venceu pela décima vez em Sachsenring na MotoGP, se igualando à Giacomo Agostini em Imatra, porém, se contar todas as categorias, Marc tem treze triunfos na Saxônia.

Para melhorar ainda mais o final de semana de Márquez, a situação do campeonato ficou embolada com mais uma queda grave de Bezzecchi e um final de semana chinfrim do líder do campeonato Jorge Martín. No sábado Bezzecchi caiu mais uma vez em 2026, só que dessa vez lhe rendeu uma clavícula quebrada o fazendo perder a corrida, além de uma cirurgia de emergência. Bezzecchi, que começou o ano tão dominante, vê as chances de título irem embora. No entanto Marco viu seu companheiro de equipe Jorge Martin não performar em nenhum momento. De malas prontas para a Yamaha, Martín não brigou pela vitória em nenhum momento, o que numa pista de Marc Márquez, chega a ser um paradoxo.

Márquez varreu o final de semana, com pole, vitória na Sprint e vitória no domingo. Em ambas as vitórias, Marc liderou 100% das voltas. Se na Sprint ele teve a incômoda presença do seu irmão mais novo, no domingo Alex caiu antes da metade da corrida quando estava na mesma situação do sábado. Terceiro colocado na Sprint e melhor Ducati no campeonato até então, Di Giannantonio caiu no warm-up e com a motor reserva caiu novamente na corrida, perdendo uma chance de ouro para assumir a vice-liderança e ficar bem próximo de Martín, que com as quedas ainda assegurou uma quinta posição. Porém, Martin novamente não foi a melhor Aprilia do domingo, status que ficou com o ótimo Ai Ogura, que após perder a segunda posição para o companheiro de equipe Raul Fernández na primeira volta, seguiu sua filosofia de cuidar do equipamento antes de atacar na metade final, ultrapassando Fernández e entrando de vez na briga pelo título. 

Ogura está apenas um ponto atrás de Marc Márquez, porém, Jorge Martin, a Aprilia e até a brita de Sachsenring sabem que mesmo Ogura em ótima fase, o rival mais perigoso é um Marc Márquez recuperado, em forma e com a confiança em alta, igualando outro recorde histórico da MotoGP, tornando-se de vez o Rei da Saxônia.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Movimento histórico. E duvidoso.


 Depois de quase vinte e cinco anos de Ganassi e prestes a completar 46 anos de idade, poucos poderiam imaginar que Scott Dixon poderia sair da equipe onde conquistou tudo em sua longa e laureada carreira. Contudo, Dixon surpreendeu o mundo ao anunciar não apenas que está de saída da equipe de Chip Ganassi, como está se mudando para a equipe McLaren, se não a maior rival da Ganassi na Indy, mas tem o chefe de equipe (Zak Brown) que Chip Ganassi menos gosta no paddock da Indy. Depois de tanto tempo pela Ganassi, será estranho ver Dixon de laranja papaia. E mais estranho ainda ver a McLaren, capitaneada por Tony Kanaan, investindo num piloto, mesmo um dos gigantes da Indy, já veterano e em decadência. Pensando nas 500 Milhas de Indianápolis, Kanaan também promoveu o retorno de Felix Rosenqvist, dispensado da equipe papaia pouco tempo atrás por falta de desempenho, mas atual vencedor da corrida mais importante dos Estados Unidos. O problema é que para isso, Kanaan dispensou Christian Lundgaard, melhor piloto da McLaren no campeonato e dono de duas vitórias em 2026. A razão seria o desempenho sofrível de Lundgaard em circuitos ovais e com a McLaren focada na Indy 500, isso foi pecado grande o suficiente para dispensar o dinamarquês. Pato O'Ward permanecerá na equipe em sua perseguição à vitória em Indianápolis, enquanto terá Dixon e Rosenqvist como novos companheiros de equipe em 2027. Se será o suficiente para que a McLaren consiga seus objetivos, isso dependerá o emprego de Kanaan.