terça-feira, 31 de março de 2026

Figura(JAP): Andrea Kimi Antonelli

 Novamente o jovem italiano está nessa parte da coluna e mesmo tendo tido sorte com o Safety-Car entrando no momento correto, Kimi Antonelli estava com o melhor ritmo do final de semana e mereceu vencer na sempre seletiva pista de Suzuka. O piloto da Mercedes conseguiu uma bela pole no sábado, mas como está sendo comum nesse novo regulamento, Antonelli se atrapalhou na largada e caiu para sexto. O italiano foi escalando o pelotão e estava mais rápido que seu companheiro de equipe George Russell quando o SC deu às caras e Kimi assumiu a ponta da prova. De cara pro vento, Antonelli não deu chances à ninguém e liderou a corrida até a bandeirada, assumindo a ponta do campeonato, sendo o mais novo a fazê-lo. Mais importante do que isso, Kimi Antonelli superou nitidamente George Russell nesse final de semana e lembrando que o campeonato pode ser decidido dentro do seio da Mercedes. E nesse momento, Kimi Antonelli está em viés de alta.

Figurão(JAP): Novos regulamentos

 É normal esperarmos um pouco para dar um veredicto sobre um regulamento que estreia, porém, não precisou três corridas para vermos que o novo regulamento técnico da F1, com um motor com potência 50/50 de combustão interna e elétrico não está funcionando a contento. Pior do que isso. É um regulamento perigoso, algo mais alarmante que as corridas 'fake' com os pilotos ultrapassando os outros 'sem querer', além de uma pilotagem completamente contraintuitiva. O forte acidente de Oliver Bearman claramente causado pelo novo regulamento foi um sério alerta de que algo precisa ser feito de forma urgente.  

domingo, 29 de março de 2026

De cogumelo para abacaxi

 


Numa dessas ironias da vida, a F1 recebeu parte do elenco do filme Super Mario Galaxy em Suzuka, semanas depois dos pilotos compararem o novo e já famigerado novo regulamento ser várias vezes comparado a outro joguinho da série Super Mario, o Super Mario Kart. Se os pilotos falavam de cogumelos, bastante usado por Mario e Luigi no joguinho da Nintendo, hoje a F1 fala mais sobre abacaxi, pois é exatamente isso que a categoria tem nas mãos. Pode parecer estranho dizer que a F1 está em crise após três corridas movimentadas após a chegada do novo regulamento, mas Suzuka escancarou os sérios problemas que a F1 vive com um motor elétrico que 'brocha' antes do final das retas e o acidente de Oliver Bearman demonstrou algo que muito pilotos falavam faz algum tempo: a diferença brutal de velocidade entre os carros em momentos diferentes de bateria poderia ser bastante perigoso. Claro que Andrea Kimi Antonelli não tem muito do que reclamar. O jovem italiano conseguiu mais uma vitória vindo da pole, mesmo largando mal novamente, mas Kimi teve sorte com o Safety-Car na hora certa e a partir daí dominar a corrida rumo a liderança do campeonato, sendo Antonelli o mais novo a conseguir o feito na história da F1.


Apesar de algumas ameaças de chuva, o sol esteve presente em Suzuka na hora da largada, atrasada devido a um impressionante acidente durante a corrida da Porsche Cup. George Russell reclamou ainda durante a pré-temporada que não adiantava nada ter o melhor ritmo do pelotão se largar ser um ponto fraco para a Mercedes. Novamente a dupla da Mercedes, que dominava a primeira fila, largou de forma terrível e a forma como Oscar Piastri, finalmente largando para um Grande Prêmio oficial em 2026, saiu da terceira para a primeira posição indica que o problema não se trata do motor Mercedes, mas do carro da fábrica. O pole Antonelli teve uma largada horrorosa, patinando claramente e despencando para sexto, enquanto Russell ainda conseguiu ficar em terceiro, atrás de Piastri e Leclerc, ocupantes da segunda fila. A corrida começou animada com a dupla da Mercedes galgando posições, mas Russell não conseguiu efetuar um ataque mais efetivo em Piastri, enquanto Antonelli demorou um pouco para se livrar das Ferraris e de Norris. Quando teve ar limpo, Antonelli mostrou que tinha o melhor conjunto do final de semana e se aproximava de Russell, na medida em que o momento do único pit-stop se aproximou. Piastri, Leclerc e Russell foram os primeiros do pelotão da frente a visitar os pits, quando o momento decisivo da corrida, e até mesmo da temporada, aconteceu.


Oliver Bearman tinha ficado no Q1 de forma surpreendente no sábado e estava andando no pelotão intermediário, quando fez sua parada para trocar pneus. O inglês da Haas fez seu pit-stop e se aproximava da Alpine de Franco Colapinto. Um dos pontos críticos de Suzuka com relação à bateria era a aproximação da curva Spoon e Bearman apertou o botão de 'ultrapassagem' nesse momento, enquanto Colapinto viu sua bateria descarregar. O argentino ainda fez menção em fechar a porta, mas a velocidade de Bearman comparada a sua lembrava um Hypercar ultrapassando um LMGT3. Só que não estamos falando do WEC, mas de F1. Para não estampar a traseira de Colapinto, que vinha 50 km/h mais lento, Bearman jogou seu carro na grama, que sem controle bateu forte no muro de pneus. Um acidente feio, em que Bearman saiu do carro mancando, mas felizmente sem maiores problemas. Além dos problemas de bateria que fez a F1 passar mais um vexame com os motores 'brochando' entre a 130R e a Chicane, a diferença excessiva de velocidade entre um carro com bateria e outro sem fez com que um forte acidente acontecesse. Depois da corrida o paddock ficou em pânico e pilotos como Carlos Sainz foram bem vocais em afirmar que isso estava prestes a acontecer. Vozes cada vez mais eloquentes se levantaram e a FIA anunciou após a prova que reuniões serão feitas para que ajustes sejam feitos. Basta imaginar isso acontecendo em Monza ou Baku. Talvez por linhas tortas, não ter a corrida na Arábia Saudita foi bom, pois o rápido e perigoso circuito de Jedá, com suas curvas cegas, seria um convite a tragédia numa F1 claramente em crise com suas baterias. Talvez os dirigentes da F1 tenham o maior abacaxi nas mãos em mais de 75 anos de história. Afinal, montadoras foram atraídas para a F1 por causa regulamentação do motor a combustão inter e elétrico a 50/50, mas estamos vendo na prática que a F1 deu um passo maior do que a perna, criando uma crise enorme. 


Em Suzuka, quem entrava em crise era George Russell. Tendo a primazia de entrar nos boxes primeiro, o inglês teve uma falta de sorte gigantesca ao ver Antonelli fazer sua parada com o SC na pista, ganhando bastante terreno frente à Russell, que caiu para terceiro na manobra. Era esperado que o inglês da Mercedes relargasse de forma agressiva e fosse para cima de Piastri, mas o que se viu foi Russell novamente atacado por uma Ferrari nesse momento, ultrapassado pelo compatriota Hamilton, outro favorecido pela entrada do SC. Assim como aconteceu na China, Russell pareceu ter problemas de aquecimento de pneus duros e para completar, oito voltas depois ele teve problemas na bateria na entrada da Spoon e foi 'ultrapassado' por Leclerc. O monegasco rapidamente encostou no companheiro de equipe e foi logo soltando que 'estava perdendo tempo'. Antes que a Ferrari pensasse em algo, Leclerc atacou Hamilton e assumiu a terceira posição, enquanto Russell finalmente ultrapassou o ex-companheiro de equipe logo depois. Duas semanas depois do primeiro pódio com a Ferrari, Hamilton voltou aos tempos nada bons e foi ultrapassado por Norris na penúltima volta, ficando em 'último' entre as três equipes dominantes.


Leclerc tentou uma aproximação em cima de Piastri, mas logo o representante da Ferrari teve que segurar os ataques de Russell, contudo, assim como seu compatriota Hamilton, George Russell não estava num bom dia e pela primeira vez em 2026 ficou fora do pódio. Enquanto isso Antonelli aproveitou-se muito bem do SC a seu favor e dominou a corrida após a relargada, não sendo sequer fustigado por Piastri, que fez uma ótima corrida de 'estreia' em 2026, após seus dissabores nas duas primeiras provas. Kimi assumiu a liderança do campeonato e fez história, sendo o mais jovem a conseguir o feito, mas mais importante do que isso, começa a colocar pulgas atrás da orelha de Russell, que não esteve numa boa jornada. Na luta pelo campeonato, a confiança pender para um lado ou para outro pode ser decisivo e com a Mercedes tendo o melhor carro do pelotão, está claro que Antonelli estava em viés de alta. A McLaren deu sinal de vida e conseguiu seu primeiro pódio do ano, mesmo com todos os problemas de Norris ao longo do final de semana, fazendo o atual campeão ficar longe de Piastri o tempo inteiro. A Ferrari viu a McLaren se aproximar e ter um ritmo parecido com o seu em Suzuka. Mais uma vez Leclerc e Hamilton se encontraram na pista e a luta entre os dois foi no limite. Por enquanto estão todos sorrindo, mas o toque entre os dois está próximo...


E a Red Bull? Antes considerada a quarta força do campeonato, o time austríaco teve um final de semana complicado em Suzuka. Max Verstappen finalmente teve uma largada decente e ainda nas primeiras voltas entrou na zona de pontuação, ultrapassando seu companheiro de equipe, Hadjar. Contudo, o neerlandês ficou a corrida inteira tendo a traseira da Alpine de Pierre Gasly à sua frente. Max chegou a ultrapassar o francês, mas logo levava o troco, por causa da bateria do motor Ford/Red Bull descarregar, aumentando a frustração de Verstappen, que após a corrida mencionou a palavra aposentadoria. Isso não diminui a ótima corrida de Gasly, que segurou Max a corrida inteira e marcou bons pontos para a Alpine, que se vê com apenas um piloto pontuando, pois Colapinto esteve o tempo todo longe dos pontos. Hadjar perdeu terreno com a entrada do SC e não pontuou, chegando a ser ultrapassado por Hulkenberg nas voltas finais. Quem se aproveitou bem da entrada do SC foram Liam Lawson e Esteban Ocon, que fecharam a zona de pontos, mesmo que bem longe de Verstappen.

A Audi largou com seus dois carros e viu seus dois piloto receberem a bandeirada, mas dessa vez sem pontos para Bortoleto e Hulkenberg, mas precisando melhorar as largadas, assim como a Mercedes, o calcanhar-de-Aquiles da Audi. Lindblad chegou a andar na zona de pontuação, mas acabou fora dos pontos. Williams e Cadillac fizeram corridas anônimas, enquanto Fernando Alonso chegou ao fim da corrida, mesmo ainda sofrendo com vibrações. E sem gritar 'F2 engine' na casa da Honda...


Num final de semana em que a crise se instalou na F1 de vez, Andrea Kimi Antonelli vai encantando a F1 ao sobrepujar George Russell nesse momento, que precisa de respostas caso queira brigar pelo título. E até mesmo ficar na Mercedes, já que o inglês vive com o fantasma de Max Verstappen, que mesmo frustrado pelo novo regulamento, estaria mais feliz se estivesse vestindo preto nesse momento. Pelos piores motivos (uma guerra sem sentido no Oriente Médio), a F1 terá uma parada de um mês que poderá ser bem proveitosa. As cenas dos carros perdendo potência e o grave acidente de Bearman mostraram que o novo regulamento, mesmo com a propulsão de ultrapassagens, está se mostrando um passo muito maior do que a perna e a F1 terá pouco tempo para se ajustar, até mesmo para evitar problemas potencialmente graves. 

sábado, 28 de março de 2026

Sem Tadalafila


 Suzuka é um dos palcos icônicos da F1, com suas curvas rápidas e fluídas, mas estava nítido que com o novo regulamento, o circuito japonês seria palco de mais um vexame para a F1 nesse 2026. A longa reta oposta, seguida pela curva 130R é um dos pontos de mais longa aceleração do calendário. Para completar o cenário negativo, a Spoon não é exatamente uma curva de baixa, fazendo com que os pilotos chegassem nessa parte da pista sem estar com a bateria totalmente cheia. 

Assim como as equipes, a Liberty está usando os treinos livres para indicar onde haverá câmeras on-board ou não no resto do final de semana. E como esperado, o que se viu no primeiro dia de treinos foi um motor 'brocha' no aproche da Chicane. Pilotos perdendo até 50 km/h, mesmo com o acelerador a pleno, pois o motor elétrico simplesmente não chegava até o final dessa parte 'cheio' o suficiente. Mais um vexame que a F1 está com sérias dificuldades de esconder e os fãs mais hardcore fazem questão de apontar e lamentar. A F1 está com um dos maiores abacaxis nas mãos em sua história. Regras que não deram certo já aconteceram e muitas vezes foram mudadas rapidamente. Alguém lembra da classificação por tempo, onde os pilotos eram eliminados depois de um determinado tempo? Foi um tiro n'água tão grande, que rapidamente a invencionice caiu na lata de lixo da história. Mas como mudar um motor que falta, a grosso modo, de Tadalafila? 

Enquanto isso, os pilotos não estão tendo pena em sentar a pua no novo regulamento, claro, com mais acidez dependendo de sua posição no grid. O recém papai Alonso repetiu que qualquer um dentro da Aston Martin pode fazer as famosas curvas rápidas de Suzuka. Albon, na decadente Williams, falou que hoje em dia todas as curvas de Suzuka são de média velocidade, pois não se consegue chegar ao limite do carro por causa do motor. No sábado os vídeos on-board antes da curva 130R desapareceram como com um milagre. E amigos, não foi coincidência. Porém, vídeos do rápido primeiro setor de Suzuka, com os carros com o motor em baixa rotação ainda estão por aí nas redes. Por mais que a F1 não esteja acabando, como alguns arautos da tragédia estão bradando por aí, não se pode negar uma crise que só aumenta com a continuidade das corridas. Por mais que Stefano Domenicali, CEO da Liberty, rebata as críticas cada vez mais presentes, muito provavelmente o italiano esteja perdendo os seus parcos cabelos com as estrelas do espetáculo que ele gere destruindo o novo regulamento. Não queria estar na pele dos diretores de monopostos da FIA nesse momento...

Por ironia da situação presente, um jovem de 19 anos, onde em teoria não precisa usar Tadafila, que foi a estrela desse sábado. Andrea Kimi Antonelli continua sua boa fase e marcou a segunda pole consecutiva, mostrando que o jovem italiano poderá tornar o trabalho de George Russell nesse primeiro momento de domínio da Mercedes em 2026. O inglês reclamou bastante durante a classificação, mas ainda conseguiu completar a primeira fila da Mercedes. A McLaren finalmente deu o ar da graça em 2026 e Piastri conseguiu se colocar à frente da Ferrari na luta pelo melhor do resto, enquanto Norris sofreu com problemas na sua unidade de potência o final de semana inteiro e quase ficou de fora da classificação. Pior foi Verstappen. Para aumentar seu mau humor, que o fez expulsar um jornalista num evento da Red Bull, o neerlandês ficou de fora do Q3, superado inclusive por Hadjar, algo que Max não estava acostumado. Para colocar sal na ferida, Verstappen foi 'bumpado' por Lindblad, jovem talento da Red Bull, ainda com a Racing Bulls.

domingo, 22 de março de 2026

Apesar dos pesares

 


O Brasil finalmente retornou ao calendário da MotoGP e temos que comemorar isso. Sucesso? Longe disso! A etapa em Goiânia foi bastante problemática, com o episódio do buraco no asfalto no sábado e a diminuição do número de voltas no domingo, devido a problemas no asfalto. Apesar dos pesares, Marco Bezzecchi conseguiu passar por cima de todos os problemas no final de semana goiano e venceu pela quarta vez consecutiva na MotoGP, assumindo pela primeira vez a liderança do campeonato e vendo o rendimento da Aprilia, será difícil uma reviravolta da Ducati.

Se antes havia receio pela chuva, que tantos transtornos causou antes do final de semana, o forte calor no Planalto Central fez com que o asfalto não resistisse e como Fabio Di Giannantonio falou no pré-pódio, estava esfarelando. Situação esse que fez a organização reduzir oito voltas em comparação às trinta e uma originais, para alegria da Michelin e aumentando a sensação que os organizadores pecaram em alguns aspectos na preparação do circuito. A festa estava bonita e o Autódromo Internacional Ayrton Senna estava lotado para ver o domínio de Marco Bezzecchi. O italiano não parecia muito confortável durante o final de semana, sendo uma das vítimas da curva 4 durante os treinos, mas ainda conquistara uma segunda posição no grid, ficando atrás do compatriota Di Giannantonio.

No domingo Bezzecchi largou bem, deixou Di Giannantonio para trás e dominou a prova com bastante tranquilidade. A animada briga pela segunda posição logo na primeira volta tornou a vida de Bezzecchi ainda mais fácil, abrindo quase 2s quando Jorge Martín se assentou na segunda posição. Pedro Acosta se segurou o quanto pôde, mas foi sendo ultrapassado até terminar na sétima posição, cedendo a liderança do campeonato para Bezzecchi. A KTM vive de lampejos de Acosta, com as outras motos longe do top-10 e Maverick Viñales em último. Pior foi ainda foi a Yamaha. Após conseguir colocar três pilotos no Q2 pelas condições traiçoeiras de sexta-feira, os representantes da Yamaha caíram pelotão abaixo e apenas Rins marcou pontos. Quartararo não vê a hora de assinar com a Honda. Isso, se já não tiver assinado...

A briga pela terceira posição entre Di Giannantonio e Marc Márquez foi a diversão do final da corrida, com o italiano tomando uma ultrapassagem agressiva de Márquez, mas retomando a posição quando o espanhol errou. Se na Sprint Marc Márquez conseguiu se sobressair frente à Di Giannantonio, o piloto da VR46 deu o troco no domingo. Apesar da vitória no sábado, Márquez não subiu ao pódio ainda em corridas principais e vê a Aprilia crescendo à olhos vistos. Ogura ainda tirou uma casquinha de Acosta e Alex Márquez para ser quinto, ou seja, assim como ocorreu na Tailândia, a Aprilia dominou e colocou três motos entre os cinco primeiros. Marc Márquez ainda sofre com a última cirurgia e nem foi a melhor Ducati do dia, mas se quiser o oitavo título, precisará escalar uma montanha já grande.

Diogo Moreira fez outra corrida decente. O brasileiro da LCR Honda largou mal, caindo para 19º e foi recuperando posições na medida em que seu equipamento era superior à KTM's e Yamaha's, bisando o 13º lugar conquistado três semanas atrás em Buriram.

Entre mortos e feridos, o Grande Prêmio Brasil de 2026 da MotoGP sirva de muita lição para os organizadores. A festa foi bonita e é importante ter eventos assim no nosso país, mas a edição desse ano não foi um sucesso.

terça-feira, 17 de março de 2026

Figura(CHN): Andrea Kimi Antonelli

 Não poderia ser outro! Antonelli entrou para a história da F1 no sábado ao marcar a pole position, se tornando o mais jovem a fazê-lo, mas a vida do italiano foi facilitada pelo problema no carro de Russell no Q3 e na corrida a história seria bem diferente. Kimi havia largado mal em todas as oportunidades em 2026, muito pelo foguete que a Ferrari desenvolveu e em Xangai, Antonelli só perdeu uma posição para Hamilton, logo recuperando a ponta. Russell rapidamente escalou o pelotão, mas em nenhum momento o inglês ameaçou o companheiro de equipe, muito por méritos de Andrea Kimi Antonelli. Afora um ligeiro erro no final da corrida, Antonelli se comportou muitíssimo bem durante a corrida e pôde terminar um jejum de vinte anos sem um italiano vencendo na F1. A emoção do jovem de 19 anos antes de subir ao pódio tocou a toda a comunidade da F1, que se pergunta sobre a possibilidade de que a primeira vitória de Andrea Kimi Antonelli, jovem promessa e aposta de Toto Wolff, poderá entrar na luta pelo título.

Figurão(CHN): Esteban Ocon

 Para quem precisa renovar seu contrato se quiser continuar na F1, a apresentação de Esteban Ocon na China não foram nada abonadoras. O francês precisa mostrar serviço para ter ou seu contrato renovado com a Haas ou que alguma equipe o note, mas em Xangai Ocon não fez muito para que isso acontecesse, um ano depois de uma bela exibição do francês. Após ter ficado atrás de Bearman na Austrália, Ocon precisava dar uma resposta, mas o piloto da Haas continuou atrás do jovem companheiro de equipe durante os treinos e na corrida principal Esteban continuou suas estrepolias. Após fazer sua única parada no boxes, Ocon vinha na reta principal quando Franco Colapinto voltava à pista. O argentino da Alpine acabou acertado por Ocon, estragando a corrida de ambos, mas se Colapinto pelo menos marcou seu primeiro ponto com a Alpine, Ocon foi acertadamente punido pelos comissários e terminou a corrida em último, numa prova onde Bearman termino num ótimo quinto lugar. A fama de provocador de acidentes já faz de Ocon um piloto não muito quisto dentro do paddock e a comparação com Bearman na luta interna da Haas começa a se tornar embaraçosa para Ocon. Seus anos na F1 podem estar contados. 

domingo, 15 de março de 2026

A emoção de Kimi

 


Para um piloto de F1, vencer sua primeira corrida é algo bastante especial. Foram anos de luta e sacrifícios para culminar com você no alto do pódio ouvindo o hino do seu país. Andrea Kimi Antonelli se tornou nesse domingo o segundo piloto mais jovem a vencer um Grande Prêmio, além de tirar a Itália de uma fila de vinte anos sem vitória numa corrida em que o jovem italiano foi preciso na maior parte do tempo desse animado Grande Prêmio da China, uma corrida mais 'normal' em comparação ao que foi visto em Melbourne na semana passada. Confirmando a força da Mercedes, George Russell teve seus percalços da 56 voltas que compôs a corrida chinesa, mas o inglês completou a dobradinha do time comandado por Toto Wolff, que ainda viu seu amigo e antigo piloto Lewis Hamilton conquistar seu primeiro pódio com a Ferrari depois de uma vibrante luta com Charles Leclerc, mostrando que a Ferrari é a segunda força destacada desse início de nova era.


Regulamentos novos sempre significam mais desconfortos para equipes e montadoras. Se até ano passado abandono era uma anormalidade na F1, antes mesmo da largada do Grande Prêmio da China, já contávamos com quatro desistências. Se na Austrália Nico Hulkenberg teve problemas antes da corrida, dessa vez foi Gabriel Bortoleto o representante da Audi que ficou de fora. A Williams continua seu suplício com Alexander Albon inicialmente largando dos boxes para depois sequer entrar no carro. Porém, o que mais chamou atenção foi a dupla da McLaren sendo retirada do grid com um problema aparentemente elétrico e não participaram da prova. Papaya Rules? A verdade é que o time capitaneado por Zak Brown ainda não disse a que veio em 2026, com a McLaren, pelo ritmo mostrado na Sprint Race, sendo uma terceira força, mas longe de Mercedes e Ferrari. Isso sem contar que Oscar Piastri não fez uma única largada de um Grande Prêmio cheio em 2026. E falando em largadas, a Ferrari novamente não tomou conhecimento da Mercedes no apagar das cinco luzes vermelhas e Lewis Hamilton rapidamente pulou para a ponta, seguido por Antonelli, que soube fechar Leclerc na complicada curva um, enquanto a dupla da Cadillac se encontrou nessa curva, mas com um carro bem abaixo dos demais, não fez muita diferença.


A primeira volta foi marcada por uma briga muito forte no meio do pelotão entre Oliver Bearman e Isack Hadjar, com o francês rodando de forma espetacular na entrada da reta oposta, fazendo Bearman perder bastante tempo. A saída de pista de Hadjar foi outro golpe na Red Bull, que viu Max Verstappen emular sua terrível largada na Sprint e cair para as últimas posições. Isso tudo trouxe Franco Colapinto para junto do seu companheiro de equipe Gasly, que sem ter nenhum carro da McLaren à sua frente, assumiu a quinta posição. Novamente Alonso pulou para décimo na primeira volta com uma largada incrível, mas a saltitante Aston Martin não deixou o espanhol se animar muito e logo Alonso retornava às últimas posições. Enquanto isso nas primeiras posições, as duplas de Ferrari e Mercedes já se destacavam frente às demais, sendo que não demorou muito para a potência do motor Mercedes fazer a diferença. Kimi assumiu a ponta na segunda volta, enquanto Russell demorou outras três voltas para assumir o segundo lugar, enquanto as Ferraris se engalfinhavam, com Hamilton segurando a terceira posição dos ataques de Leclerc. Antonelli tinha uma vantagem pouco inferior a 2s quando Lance Stroll apareceu com seu carro parado na curva um na décima volta. Safety Car na pista e com muitos pilotos com pneus médios (apenas a dupla da Red Bull arriscou os macios), boa parte do grid aproveitou o momento e entrou nos pits. Mercedes e Ferrari fizeram parada dupla e isso foi determinante para a vitória de Antonelli.


Lawson e Verstappen tinham feito suas paradas pouco antes da entrada do SC, caindo várias posições, enquanto Colapinto e Ocon, que largaram com pneus duros, optaram por ficar na pista. Antonelli foi capaz de sair dos boxes logo à frente dos dois, mas não foi o caso de Russell, que relargou em quarto, tendo ainda Hamilton em seu encalço. A Mercedes não tinha treinado com pneus duros e o clima frio desse domingo fez com que o aquecimento não fosse a coisa mais fácil para a dupla da Mercedes, mas se Kimi tinha ar limpo, Russell estava no meio do pelotão. Logo na relargada Hamilton ultrapassou seu compatriota, enquanto Leclerc deixava Lindblad para trás e atacava um indefeso Russell, que reclamou via rádio não ter aderência. Até o trio se livrar de Colapinto e Ocon, Antonelli já tinha 4s de frente. Com os pneus devidamente aquecidos, Russell partiu para cima da dupla da Ferrari, numa disputa animada e que foi o ponto alto da prova, mas até George reassumir a segunda posição, Antonelli já estava 7s na frente do companheiro de equipe com metade da corrida ainda por vir. Afora um ligeiro erro nas voltas finais na freada da reta oposta, a corrida de Antonelli foi impecável e sua vitória foi bastante merecida. Sua emoção no rádio e na entrevista pós-corrida comoveu a comunidade da F1, mesmo que tenha sido chamado de 'Kimi Raikkonen' no pódio. Uma vitória como essa pode mexer na motivação de Kimi, que pode querer ainda mais do que ser apenas o segundo piloto de George Russell. O problema do carro do inglês no Q3 se mostrou decisivo para a corrida de Russell, que teve que se virar em vários momentos contra a Ferrari e ainda pode ver surgiu um real competidor dentro do box da Mercedes na luta pelo título, que nesse momento parece se decidir dentro do seio da Mercedes.


A luta pelo lugar mais baixo do pódio foi entre a dupla da Ferrari, com algumas trocas de posição que devem ter deixado Fred Vasseur bastante tenso, mas como não houve toques (por enquanto...) tudo estava bem para os lados da Ferrari, com Lewis Hamilton finalmente conquistando seu primeiro pódio com a Ferrari, mas mais importante do que isso, o veterano inglês demonstra uma outra atitude em 2026, sendo mais incisivo nas disputas e uma postura mais condizente com um multi-campeão da F1. Leclerc falou pelo rádio que foi uma disputa divertida, mas a pergunta que fica é: e quando houver um toque entre ambos?


Sem quebras ou toques entre os quatro primeiros, a disputa pelo melhor do resto ficou entre os recuperados George Bearman e Max Verstappen. Após sair da pista para não bater em Hadjar, Bearman fez outra corrida de gente grande e parando no momento do SC, logo estava de volta na zona de pontuação e na relargada, ultrapassou Gasly para se posicionar muito bem, ultrapassando seu companheiro de equipe Ocon e Colapinto na medida em que os dois perdiam desempenho dos seus pneus. Verstappen arriscou em colocar pneus macios, mas rapidamente ficou 'descalço' e fez sua parada antes do SC, o que acabou lhe atrapalhando, no entanto, o neerlandês rapidamente ultrapassou vários carros, mas quando se posicionou atrás de Bearman, a evolução de Verstappen terminou, com Max sempre 2,5s atrás da Haas de Bearman. Isso, até a Red Bull ter problemas e Verstappen abandonar já na parte final da corrida. Um dia esquecível para a Red Bull, que além de sofrer com problemas de confiabilidade, ainda se viu num ritmo parecido de uma Haas. Até quando a paciência de Max Verstappen irá aguentar?


Porém, o abandono de Max Verstappen não tira o brilho da excelente prova de Bearman, que terminou num ótimo quinto lugar, enquanto Ocon manteve sua coerência ao bater num adversário, nesse caso, em Colapinto, quanto o portenho saía dos boxes e os dois se acharam. Ocon nem deu muito trabalho aos comissários ao se declarar culpado pelo incidente e após punição Ocon terminou em último. Para quem precisa renovar contrato, situação nada boa para Esteban Ocon. Seu compatriota Gasly fez uma boa prova com a Alpine, sendo superado por Bearman na relargada, mas sempre se manteve perto do inglês e no momento em que Max abandonou, Gasly se aproximava do neerlandês. Para melhorar ainda mais o dia da Alpine, mesmo com os danos pelo toque com Ocon, Colapinto ainda foi capaz de conseguir um pontinho, seu primeiro com a Alpine. Lawson se colocou entre os dez primeiros a maior parte da prova, superando o badalado companheiro de equipe Lindblad, terminando em sétimo, sendo o melhor piloto da 'família' Red Bull, pois Hadjar chegou logo atrás do neozelandês e numa corrida apática e bem longe do mostrado na Austrália, Lindblad terminou fora dos pontos.


Hulkenberg foi um dos que não pararam durante o SC e teve que fazer sua única parada com bandeira verde, perdendo muito tempo e não pontuando com a Audi, que precisa resolver seus problemas de confiabilidade que fizeram seus dois pilotos abandonarem antes mesmo da largada em suas corridas consecutivas. Numa corrida de sobrevivência, Sainz terminou em nono e marcou os primeiros pontos de uma combalida Williams em 2026. Mesmo com o toque na primeira volta, a Cadillac completou a prova com seus dois pilotos, enquanto a Aston Martin segue sofrendo com um carro lento e que vibra a ponto de Alonso soltar o volante em determinados momentos durante a corrida. A causa do abandono de Alonso foi justamente pelas dores que sentia nas mãos e pés pela excessiva vibração causada pelo motor Honda. Uma situação vexatória.


Uma semana depois de tudo o que foi visto em Melbourne, vimos uma corrida mais 'normal' em Xangai. Pilotos e equipes ainda estão aprendendo sobre um regulamento muito distinto do que já foi visto e uma semana depois, todos pareciam mais 'em casa' com o novo carro. Não teve ultrapassagens em profusão, mas a corrida em Xangai pareceu mais uma corrida de F1 de verdade. Porém, o Poweranking visto na Austrália permaneceu o mesmo, com Mercedes muito na frente da Ferrari, que por sua vez está muito à frente das demais. Se na Ferrari já vemos uma briga apertada entre seus pilotos, quem sabe a primeira vitória de Antonelli não o faça enfrentar mais vezes Russell e que tenhamos um campeonato.

sábado, 14 de março de 2026

Histórico pelo motivo correto

 


Numa F1 estranha, onde a produtora de TV omite o tamanho do vexame que é a enorme perda de velocidade no terço final da reta oposta, ainda por causa do novo regulamento técnico, é consolador ver algo histórico acontecendo, mas pelos motivos corretos. Considerado um prodígio ainda no kart, Andrea Kimi Antonelli sempre teve o apoio de Toto Wolff e por causa do dirigente austríaco estreou na F1 pela Mercedes, uma oportunidade incrível de iniciar-se na F1 numa equipe grande, mas que para um jovem de apenas 18 anos, também significou muito perigo de se queimar. A primeira temporada do italiano na F1 foi bem decente, mas com a Mercedes vindo muito forte com o novo regulamento, era necessário que Antonelli subisse o nível em 2026 e nesse sábado ele entrou para a história da F1 ao se tornar o mais jovem piloto a conseguir uma pole, aos 19 anos, 6 meses e 18 dias.

O sábado em Xangai foi animado, com a primeira corrida Sprint e a certeza que a Ferrari acertou a mão nas largadas nesse início de regulamento, enquanto a Mercedes sofre e Antonelli perdeu inúmeras posições após sair da primeira fila. George Russell teve trabalho com a dupla da Ferrari para se consolidar na ponta e vencer a mini-corrida, enquanto Leclerc e Hamilton se estranharam para se garantirem no pódio. Mesmo punido em 10s por um toque com Hadjar, Antonelli ainda foi quinto, não alcançando a McLaren de Norris. Verstappen largou pessimamente, chegou a bater rodas com a dupla da Aston Martin e só conseguiu um nono lugar, ficando fora dos pontos.

Russell parecia que repetiria a pole da Sprint na corrida principal, mas um problema no início do Q3 quase pôs tudo a perder para o inglês, que só teve chance de uma volta nos segundos finais. Com os pneus não aquecidos devidamente e a bateria não carregada apropriadamente, Russell não manteve o 100% e foi nesse momento onde Andrea Kimi Antonelli conseguiu ter tranquilidade para se sobressair e mesmo pressionado pela dupla da Ferrari, fez o melhor tempo e Russell teve que se contentar com a segunda posição, com a Mercedes claramente mais rápida em ritmo de classificação, usufruindo a potência absurda de sua unidade de potência. A Ferrari vem logo a seguir e depois a McLaren. A Red Bull deveria vir a seguir, mas Pierre Gasly está usando muito bem o motor Mercedes e colocou a Alpine em sétimo, com a dupla da Red Bull logo a seguir, com Max Verstappen reclamando bastante, mas pelo menos Hadjar está andando no ritmo do colega de box.

Antonelli se tornou o primeiro italiano a marcar a pole desde 2009, mas pelo visto na Sprint, a Ferrari irá com tudo na largada.   

domingo, 8 de março de 2026

Figura(AUS): Mercedes

 Quando 2026 se aproximava e com ele os novos regulamentos técnicos, muitos já apontavam a Mercedes como a grande favorita a sair na frente, lembrando a última grande mudança de motor ocorrida em 2014, com a chegada da era híbrida. A pré-temporada se revelou uma verdadeira corrida de empurra, com as quatro grandes jogando o favoritismo para as outras, mas ninguém tinha dúvida de que a Mercedes viria muito forte e quando George Russell conseguiu a pole com sete décimos de vantagem para o próximo carro não-Mercedes parecia que as expectativas se realizariam. Contudo, a corrida se mostrou uma outra história e a Mercedes demorou a se livrar da dupla da Ferrari antes de conseguirem a esperada dobradinha, com Russell na frente de Antonelli. Outra diferença de doze anos atrás é que se as clientes da Mercedes apareceram muito forte, principalmente com a Williams, mas em 2026 McLaren, Williams e Alpine não vieram com tanta força, inclusive com a bicampeã mundial McLaren chegando 50s depois da Mercedes de fábrica, indicando que não apenas o motor Mercedes é muito forte, como também o novo carro já veio bem nascido para uma temporada que tende a ser bastante agradável para Toto Wollf e seus silver caps.

Figurão(AUS): Aston Martin

 Já era esperado, mas ainda assim não deixa de impressionar o que aconteceu com a Aston Martin em Melbourne, sede da estreia da temporada 2026 da F1. O combo dinheiro aparentemente infinito da família Stroll, genialidade de Adrian Newey e potência da Honda parecia infalível, ainda contando com a força e experiência de Fernando Alonso, que preferiu atravessar 2025 na esperança de que 2026 seria o grande ano da Aston Martin. Porém, toda a expectativa veio abaixo com vários erros de procedimentos tanto da Aston Martin como da Honda, que parecem participar de algum reality show onde os noivos se conhecem apenas no dia do casamento. Os últimos dias revelaram notícias absolutamente chocantes da nova parceria, que parece muito com o início promissor entre McLaren e Honda dez anos atrás. A Aston Martin falou que não sabia que a Honda havia dispensado boa parte de sua equipe técnica quando assinou contrato de parceria. Quando o carro ficou pronto, um problema de vibração extrema fez que com o novo carro da Aston Martin sofresse de sérios problemas de confiabilidade, além de afetar a saúde dos próprios pilotos, que poderiam ter problemas nas mãos, tamanha a vibração vindo do motor Honda para o volante do carro. A falta de integração entre Aston Martin e Honda criou um problema potencial para se tornar um vexame histórico. Assim como dez anos atrás, Fernando Alonso se vê no meio disso tudo. Em Melbourne a situação periclitante permaneceu, com Lance Stroll passando o sábado sem ir à pista e Alonso mal andando na sexta-feira. Ambos largaram no domingo, mas usaram a corrida para ser uma espécie de um grande teste, chegando a ficar parados várias voltas. Perguntado sobre a corrida, Lance Stroll resumiu bem a situação atual da Aston Martin: Correndo? Estávamos apenas circulando...   

Só George curtiu


 Ao receber a bandeirada, George Russell exclamou via rádio que 'amava esse carro e esse motor'. Provavelmente e justificadamente o inglês foi o único que curtiu o novo carro da F1. Após muita polêmica e reclamações de praticamente todo o grid, o Grande Prêmio da Austrália aconteceu sem maiores incidentes graves e a esperada dobradinha da Mercedes, mesmo que tendo que se aproveitar de mais um vacilo estratégico da Ferrari em um início de corrida de bastante 'trocação' entre os três primeiros. Russell dominou quando não teve uma Ferrari por perto e lidera o campeonato da F1 pela primeira vez na carreira na abertura do campeonato. Antonelli se recuperou da péssima largada, onde chegou a cair para sétimo e fechou a dobradinha da Mercedes, com Leclerc completando o pódio.


Havia bastante receio para o que aconteceria na largada, já que sem uma das baterias haveria o chamado 'Turbo Lag', lembrando as péssimas largadas dos primeiros Renault Turbo no final da década de 1970. A FIA ainda deu uma colher de chá ao dar tempo para os pilotos encherem os turbos antes da largada, mas o que ninguém poderia imaginar era que o ídolo local Oscar Piastri batesse sua McLaren na volta de instalação, numa cena lamentável e reforçando que os pilotos australianos não dão 'match' com suas corridas caseiras. Mesmo com todo o apoio da FIA, vimos um grid em que boa parte dos carros saíram patinando como se o asfalto estivesse molhado. A Ferrari havia alertado sobre esse problema do Turbo Lag e trabalharam nesse item, resultando numa saída espetacular de Leclerc, pulando de quarto para primeiro, com Hamilton quase tomando o terceiro lugar de Hadjar e Lindblad, que brigavam pela posição, mas logo o veterano inglês se solidificaria no terceiro posto. Quando as posições se assentaram, era esperado que Russell ultrapassasse Leclerc e desaparecesse na ponta, mas o que se viu foi uma surpreendente troca de posições entre os dois, fazendo com que Hamilton se aproximasse e mais tarde, um recuperado Antonelli se juntasse à animada batalha pela primeira posição. Para quem esperava um passeio no parque da Mercedes, as várias trocas de posições era uma agradável surpresa, mesmo que isso tenha acontecido muito pelas novas regras de gestão de energia, com os pilotos ainda tateando um novo terreno onde consolidar uma ultrapassagem requer um cálculo que pode não ser dos mais fáceis nesse início de regulamento. Para os mais atentos, a transmissão da Liberty passou a cortar o gráfico de velocidade quando os carros chegavam na curva 8 e a velocidade despencava vertiginosamente. Não foi coincidência...


O novo motor da Red Bull/Ford estava se comportando maravilhosamente bem nesses primeiros momentos de um projeto totalmente novo, mas as dificuldades de noviciado apareceram e o motor de Isack Hadjar explodiu na décima volta, trazendo na sequência o SC Virtual. A maioria do pelotão, inclusive a dupla da Mercedes, foi aos boxes colocar pneus duros, tirando os médios, enquanto a Ferrari preferiu ficar na pista com seus dois pilotos, para protesto de Hamilton. Cinco voltas depois da relargada o carro de Valtteri Bottas ficou parado na entrada dos pits e a Ferrari teve uma falta de sorte incrível. Primeiro que o SC Virtual apareceu quando os dois carros tinham acabado de passar da entrada dos boxes, enquanto outra parte do pelotão fez sua parada, incluindo aí um Max Verstappen em outra corrida de recuperação forte, vindo da vigésima posição no grid. No entanto, quando a Ferrari se preparava para entrar nos pits, a direção de prova fechou a entrada dos pits para tirar o Cadillac de Bottas, fazendo com que a Ferrari tivesse que trazer seus pilotos em bandeira verde, praticamente os únicos. Mais um vacilo. Quando Hamilton parou ao final da volta 27, muito próximo da metade da corrida, Russell já tinha ultrapassado o compatriota e reassumia a liderança da corrida. Pela parada ainda na volta 12 de 58, era esperado que a dupla da Mercedes visitasse os boxes uma segunda vez, mas o equilíbrio do carro da Mercedes era tal que Russell e um hesitante Antonelli levaram seus carros até a bandeirada sem maiores arroubos. A Mercedes confirmou algo que todos comentavam ainda no ano passado, quando se falava que os alemães teriam a mesma vantagem que obtiveram quando houve a última grande mudança de regulamento, em 2014. Não foi um domínio escandaloso como doze anos atrás, mas observando os demais clientes da Mercedes, a vantagem da equipe de fábrica também passa por um chassi bem nascido, além do melhor motor da F1 atual. Russell controlou bem a corrida, como gosta de fazer quando tem o melhor carro, algo que terá mais vezes em 2026, enquanto Antonelli sofreu com uma largada horrorosa, mas a vantagem do seu carro o colocou rapidamente entre os primeiros colocados e o italiano pôde completar a dobradinha da Mercedes.


A Ferrari pôde colher os frutos de ter parado o desenvolvimento do carro do ano passado ainda em abril, mas Fred Vasseur e seus red caps queriam mais. O forte início da Mercedes deixou a Ferrari como a segunda força da F1 com alguma vantagem. A largada da Ferrari foi espetacular, como fora mostrado na pré-temporada no Bahrein, mas o ritmo de corrida não estava tão abaixo da Mercedes como mostrado na classificação. Leclerc mais uma vez superou Hamilton no final de semana, mesmo com Lewis encostando bastante nas voltas finais. Hamilton parece estar de ânimo renovado e quase conquistou o seu primeiro pódio pela Ferrari. Lando Norris foi um dos poucos a fazer duas paradas, mas isso não diminui a sensação de que a McLaren terá que correr atrás se quiser defender seus dois títulos. Lando ainda teve que lidar com a pressão de Max Verstappen nas voltas finais. O neerlandês fez uma bela corrida de recuperação, mas ao largar com pneus duros, teve que colocar os médios na primeira parada, fazendo-o ir para uma estratégia de duas paradas. Mesmo com pneus mais novos do que Lando, Max não foi capaz de efetuar a ultrapassagem, tendo que se conformar com a sexta posição. Os dois primeiros colocados de 2025 terminaram a corrida inaugural de 2026 mais de 50s atrás dos líderes.


Com os abandonos de Piastri e Hadjar, o meio do pelotão brigou pelo sétimo lugar e quem ficou com essa posição foi Oliver Bearman, após uma briga forte com outro jovem inglês, o promissor Arvid Lindblad, que chegou a ocupar a terceira posição na primeira volta, mas depois foi perdendo muito rendimento. Os dois se digladiaram nas voltas finais com vantagem para o piloto da Haas, mostrando um certo equilíbrio no pelotão intermediário pelos pilotos a seguir. Gabriel Bortoleto fez uma corrida sólida, parando duas vezes nos boxes e terminando em nono, bastante próximo de Lindblad. Primeiros pontos para a Audi logo em sua primeira corrida, mesmo que Nico Hulkenberg tenha tido problemas ainda antes da largada, se tornando o segundo abandono do dia. Pierre Gasly fechou a zona de pontuação com a Alpine após uma luta fratricida com seu compatriota e rival Esteban Ocon. Apenas Williams, Aston Martin e Cadillac saíram da Austrália sem pontos. Com um programa que teve problemas logo na pré-temporada, a Williams não emulou o mesmo bom desempenho do ano passado, ficando longe da luta pelos pontos. A Cadillac sofre com problemas de noviciado, com peças de soltando e um carro mais lento que os demais, mas ao menos Checo Pérez finalizou a corrida. A Aston Martin utilizou a corrida australiana para fazer um grande teste, enquanto seus pilotos conseguiam guiar um carro que vibrava de forma absurda, fazendo tremer a parceria com a Honda.


Numa corrida que iniciou uma nova era na F1, apenas seis carros quebraram, o que foi considerado pouco pelo o que se viu. As brigas por posição foram diferentes do que era visto nos últimos anos, portanto, vimos batalhas onde a gestão de energia fazia enorme diferença entre ganhar ou perder posição. Uma situação nova para todos, mas a excelência da engenharia da F1 irá consertar isso em breve, até porque um piloto ficando muito mais lento que o outro poderá ser perigoso em algumas situações ao longo da temporada. Norris se juntou à Verstappen nas críticas ao novo regulamento, assim como Hamilton, Leclerc e Alonso. Pelo jeito, apenas o vencedor George Russell curtiu. 

sábado, 7 de março de 2026

Repetição de 2014?

 


Nunca uma mudança de regulamento, por maior que seja ao longo de mais de setenta e cinco anos, causou tanta polêmica como a vista na F1 em 2026. Piloto sempre reclama quando há uma mudança, isso é um fato, mas os motores ganharem um protagonismo cada vez maior na parte elétrica fez com que a pilotagem mudasse a ponto de, em plena reta, os carros perdessem até 50 km/h mesmo com o piloto pisando o pedal do acelerador até o fim. Uma situação perigosa, nos fazendo imaginar como será em Baku e Monza. Outro ponto é a provável mudança no equilíbrio de forças e o que se viu lembra bastante 2014, quando a Mercedes dominou de forma avassaladora os primeiros anos da era híbrida.

Os testes de pré-temporada não foram nada esclarecedores em termos de desempenho, com as equipes fazendo o chamado sandbagging, o que em bom português é o 'esconder o leite'. Apesar de ter ficado muito claro que as quatro equipes grandes dos anos anteriores (McLaren, Mercedes, Ferrari e Red Bull) permaneceriam no topo, a ordem ainda não era clara, mas Melbourne mostrou que a Mercedes iniciou 2026 um degrau acima, ainda com a polêmica da taxa de compressão do seu motor. Nos momentos mais decisivos, George Russell meteu mais de meio segundo na concorrência e mesmo a Mercedes ainda tendo muito trabalho com o forte acidente de Andrea Kimi Antonelli no terceiro treino livre, a equipe capitaneada por Toto Wolff conseguiu a dobradinha em Albert Park. Com sobras.

Porém, antes dos carros irem para a pista em Melbourne, todos os olhos estavam na Aston Martin. O que parecia um sonho de juntar o poderio financeiro da família Stroll, a genialidade de Adrian Newey e a capacidade da Honda se tornou rapidamente um pesadelo de proporções históricas, com notícias constrangedoras chegando à medida em que os carros andaram muito pouco na pré-temporada. A Honda mudou todo o seu staff técnico e pareceu 'esquecer' de avisar à Aston Martin sobre esse detalhe, demonstrando uma falta de integração da parceria que se resultaria num motor que falta confiabilidade junto a um carro onde Newey pensou mais na parte aerodinâmica e menos na parte mecânica. Isso tudo resultou em um quase W.O. da Aston Martin na Austrália e notícias de que a vibração no carro era tamanha, que os pilotos poderiam ter problemas em suas mãos. Por sinal, mais uma vez Fernando Alonso se vê numa situação onde o motor Honda destrói mais um ano seu...

Como não poderia deixar de ser, problemas ocorreram aos montes em várias equipes nesses primeiros momentos de novo regulamento. Stroll passou o sábado contemplando o desastre que se tornou a equipe do seu pai, Sainz teve problemas no seu Williams e sequer se classificou. A Williams foi outra equipe que não iniciou o ano de forma auspiciosa. Como esperado, a Cadillac teve problemas de noviciado e ficaram com as últimas posições. E finalmente Max Verstappen, um dos mais vocais nas críticas ao novo regulamento, terá mais motivos de ter mal humor ao bater em sua primeira tentativa no Q1, tendo que largar das últimas posições.

O terceiro treino livre já tinha dado a letra de que a Mercedes não estava para brincadeira, com Russell matando a concorrência com um tempo muito superior, mesmo Toto Wolff lamentando o acidente de Antonelli. A equipe Mercedes mostrou sua eficiência ao consertar o carro do italiano, se aproveitando da bandeira vermelha causada por Max, mas Kimi não andou no mesmo nível de Russell. O inglês marcou uma pole enfática, com as demais equipes mais atrás e já com pulgas atrás da orelha. Hadjar mostrou que poderá ser um segundo piloto digno na Red Bull e com Max no lado de fora, o francês colocou a Red Bull em terceiro, superando McLaren e Ferrari, que chegou a assustar ao marcar bons tempos no Q1 com pneus médios, mas a Ferrari ficou longe dos rivais tedescos. Arvid Linblad executou um ótimo treino em sua estreia, indo ao Q3 sempre à frente de Liam Lawson, enquanto Gabriel Bortoleto teve problemas no final do Q2, não podendo participar do Q3, contudo, o brasileiro claramente andou na frente de Hulkenberg. 

Para amanhã, se fala bastante que a largada tende a ser caótica pela parte elétrica da nova unidade de potência, mas teremos que esperar para ver como os carros de comportarão nesse novo procedimento, numa F1 nova demais, talvez tendo dando um passo maior do que a perna. Contudo, a Mercedes, como doze anos atrás, não tem muito do que reclamar até o momento. 


domingo, 1 de março de 2026

E começamos de novo

 


Está difícil parar Alex Palou, que vai inflando cada vez mais seus números na Indy. Em menos de cem provas pela categoria, Palou conseguiu sua vigésima vitória, uma porcentagem impressionante numa categoria que sempre primou pela competitividade e que nos últimos anos a única diferença entre os carros é o motor (Chevrolet ou Honda) e o acerto das equipes. 

A abertura do campeonato 2026 em St Petersburg foi mais uma corrida padrão de Alex Palou. O espanhol não largou na pole, cuja honra coube à Scott McLaughlin. Marcus Ericsson pulou para segundo, com Palou atrás. A primeira bandeira amarela surgiu logo na primeira volta, envolvendo o horroroso Sting Ray Robb, Santino Ferrucci e o estreante Mick Schumacher, que pode se consolar que seu pai também andou poucos metros em sua estreia na F1. Com as equipes tendo que colocar pelo menos dois sets de pneus macios na corrida, Palou fez sua corrida de espera baseada nisso. No primeiro stint, McLaughlin segurou o ritmo e os três primeiros andaram bem próximos, mas havia a situação em que o 'Undercut', ou seja, ficar mais tempo na pista, faria mais diferença. Um doce para adivinhar quem foi o último a parar. Sim, Alex Palou.

Com alguns carros tendo parado na primeira volta e esticando um pouco mais suas paradas, Palou esperou algumas voltas para disparar na ponta. Ericsson se manteve na frente de McLaughlin, mas com pneus macios, o sueco da Andretti sofreu bastante no final do segundo stint, segurando bastante McLaughlin, ajudando ainda mais a causa de Palou. O neozelandês perdeu tanto tempo que acabou 'ultrapassado' por Kyle Kirkwood durante as paradas, mas o americano da Andretti precisou economizar combustível nas voltas finais e foi ultrapassado na pista por McLaughlin e Christian Lundgaard, que superou o badalado Pato O'Ward na pista e pressionou McLaughlin até o fim, mas acabou mesmo na terceira posição, sendo o melhor McLaren.

Enquanto isso Palou passeava na pista de St Petersburg, chegando incríveis 12s na frente de McLaughlin. Após fazer os dois primeiros stints com pneus macios, Palou colocou os duros no stint final, tendo borracha de sobra para administrar qualquer ataque. Uma 'luneta' em termos de Indy, mas essa é a realidade atual da categoria. Por mais que tenha um bom nível no grid atual, a Indy vê em Alex Palou um piloto muito mais completo que os demais e capaz de sobrepujar todos os outros pilotos com uma facilidade desconcertante. E 2026 começa com um gostinho parecido com os quatro anos anteriores.   

Cadê a Ducati?


 Os testes pré-temporada indicavam que o domínio da Ducati continuaria em 2026 na MotoGP, capitaneados pelos irmãos Márquez, tendo como grande adversário Marco Bezzecchi, animado com a boa fase dele e da Aprilia. O que se viu no final de semana em Buriram, na Tailândia, abertura do campeonato da MotoGP em 2026, foi que Bezzecchi realmente continua em ótima fase, mas muito disso vem da Aprilia, que colocou seus quatro pilotos entre os cinco primeiros colocados. E a Ducati? Márquez não lutava pela vitória quando abandonou com um pneu traseiro esvaziado e a melhor Ducati foi Di Giannantonio em sexto, longos 16s atrás do líder, terminando uma incrível sequência de 89 pódios consecutivos da Ducati.

Bezzecchi só não teve um final de semana perfeito pela queda precoce na Sprint Race, mas de resto o italiano da Aprilia teve uma atuação dominante. Na corrida de domingo, 'Bez' largou bem e simplesmente sumiu na frente, não dando qualquer chance aos rivais. Ainda na primeira volta Raul Fernández ultrapassou Márquez e ficou em segundo, enquanto Jorge Martin daria o bote em Marc, marcando um top-3 inteiro da Aprilia. No entanto, a corrida teria alguns protagonistas fora Bezzecchi. Pedro Acosta finalmente venceu uma corrida, mesmo que sendo uma Sprint e com direito polêmica, com Márquez tendo que ceder a ponta na última volta. Porém, isso deu ainda mais motivação à Acosta, que levou sua KTM nas costas para brigar pelas primeiras posições. Numa animada disputa contra os compatriotas Martin e Marc Márquez, Acosta se sobressaiu e nas últimas voltas se aproximou de Fernández, totalmente sem pneus no fortíssimo calor tailandês.

Foi quando o dia da Ducati piorou de vez. Marc Márquez vinha logo atrás de Acosta quando seu pneu traseiro se esvaziou, aparentemente após uma batida mais forte numa zebra, algo bastante incomum na MotoGP. Uma volta depois, seu irmão Alex caiu sozinho quando vinha apenas em sexto. Com Bagnaia continuando seu sofrimento e Morbidelli tendo que fazer uma corrida de recuperação após largar mal, Di Giannantonio era a melhor Ducati do dia, porém longe do pódio. Para acender de vez a luz vermelha na Ducati, Ai Ogura fez uma ótima corrida de recuperação e nas últimas voltas mostrou que a Aprilia cuida bem dos pneus, com o japonês ultrapassando quem via pela frente, por fim ultrapassou Di Giannantonio para subir ao quinto lugar. Ou seja, afora um Pedro Acosta inspirado, o top-5 foi dominado pela Aprilia, com seus quatro pilotos por lá. Será o sinal de uma troca de bastão no domínio na MotoGP?

Binder foi a segunda KTM, colado em Di Giannantonio, mas muito longe de Acosta, que com esses resultados, lidera o campeonato da MotoGP pela primeira vez, muito pelo talento do espanhol. A Honda fazia uma corrida interessante com Joan Mir e com a queda dos irmão Márquez, ele chegou a figurar em quinto, mas um problema técnico fez Mir abandonar. Pelo menos não caiu. Marini terminou em décimo, com Zarco logo atrás. Diogo Moreira chegou a andar no mesmo ritmo de Zarco, mas acabou perdendo rendimento por falta de experiência com os pneus, contudo, com os abandonos, Diogo terminou nos pontos em sua estreia na MotoGP. Já a Yamaha confirmou as expectativas como a pior moto do grid, com seus pilotos andando próximos, 30s atrás dos líderes. 

Após anos de domínio absoluto da Ducati, a Aprilia se mostrou a grande força na Tailândia, mas ainda faltam muitas corridas para podermos cravar que Bezzecchi, piloto principal da Aprilia, será o principal candidato ao título em 2026.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Ainda pensando no passado

 


A Formula Indy vive uma momento complexo e curioso. A categoria conta com um grid cheio e de bom nível técnico. Com a chegada da Fox Sports na transmissão da categoria, a Indy passou a ser melhor tratada fora das pistas e a audiência aumentou. Por outro lado, a Indy conviveu com escândalos fora das pistas em 2025, utiliza o mesmo carro a praticamente quinze anos e tem um calendário curto demais, mas bastante criticado.

Uma boa notícia para a Indy foi que Honda e Chevrolet renovaram seus contratos, mesmo com a ameaça dos japoneses de deixarem a categoria. Se uma terceira montadora ainda é um sonho, ter mantido duas montadoras foi a grande realidade para a Indy. O esperado novo carro da Indy só ficará pronto em 2028, fazendo a Indy ficar com o mesmo carro desde 2012. Para efeitos de comparação, seria o mesmo que Lewis Hamilton fazer a temporada 2026 com a Ferrari de Alonso. Simplesmente inacreditável! O calendário da Indy tem dezessete corridas, mas podendo entrar uma 18º, com a adição de uma etapa em Washington, para agradar o presidente Donald Trump, contudo, poucas informações há sobre essa prova e a chance de dar errado são bem concretas. O grande problema do calendário da Indy é seu tamanho, pois se começa em março, junto com a maioria das categorias de ponta, termina ainda no começo de setembro, deixando o fã da Indy praticamente seis meses carente, além de afugentar novos torcedores. Outro fator de crítica é a falta de mais etapas em Oval, com apenas quatro corridas, contando as tradicionais 500 Milhas de Indianápolis. Uma novidade é o novo circuito de rua de Arlington, obra da Fox Sports num mercado importante (Dallas) e a promessa de um circuito de rua ao estilo em que a F1 atual. E longe de alguns circuitos de rua que a Indy já correu...

Vindo de um ano arrasador, Alex Palou tentará se manter na ponta e com a força e o entrosamento com a Ganassi, isso não seria impossível de se repetir para o espanhol, talvez até mesmo por falta de quórum. Scott Dixon começa a sentir o peso da idade (irá fazer 46 anos) e Kyffin Simpson paga as contas. Vindo de um ano tenebroso, a Penske manterá Josef Newgarden e Scott McLaughlin como seus pilotos, enquanto David Malukas tentará ser o que foi Newgarden dez anos atrás, quando era um jovem tentando se intrometer entre os grandes. Will Power deixou a Penske após quase vinte anos, mas se pensavam que o ainda rápido australiano iria se aposentar, Power surpreendeu ao se mudar para a Andretti, no lugar de Colton Herta, em seu projeto de chegar à F1 pela equipe Cadillac. Will terá como companheiros de equipe Kyle Kirkwood, de ótima temporada em 2025, e Marcus Ericsson, tentando se firmar ou ser convidado a se retirar da equipe. A McLaren terá Pato O'Ward como seu principal piloto, com Christian Ludgaard provando que pode fazer frente ao mexicano, que tentará se colocar como principal rival de Palou pelo título. Nolan Siegel, uma invenção de Tony Kanaan e com a mesma função de Simpson na Ganassi, tentará se manter na McLaren para além da carteira cheia de dinheiro.

Nas demais equipes, destaque para Mick Schumacher voltando aos monopostos com a equipe Rahal, contrariando seu pai, que não gostava nem de pensar em correr em ovais, Romain Grosjean retornando à Dale Coyne ao lado do campeão da Indy NXT Dennis Hauger, a Meyer & Shank tentando se mostrar rápida também em ritmo de corrida e tentar fazendo Helio Castroneves provavelmente ter uma despedida digna nas 500 Milhas, além da estreia de Caio Collet na Indy. Considerado uma promessa brasileira na F1, Collet mudou de rumo e foi para os Estados Unidos tentar a sorte na Indy, conseguindo um lugar interessante na Foyt, que tem uma forte parceria com a Penske e corre ao lado do irascível Santino Ferrucci. No Brasil, a saída da F1 da grade da TV Bandeirantes fez com que a emissora voltasse a investir na Indy, passando boa parte das corridas tendo como narrador o ótimo Geferson Kern.

A Indy irá começar no seu já tradicional palco de St Petersburg com vários pilotos com chances de vitória. A Penske ressurgirá das cinzas? A Andretti voltará aos bons tempos com o reforço de Power? A McLaren finalmente mostrará que é mais que uma quarta força, levando Pato O'Ward ao título e a vitória em Indianápolis? Porém, a grande pergunta: quem segura Alex Palou?

Pensando em 2027

 


A MotoGP inicia sua temporada 2026 pensando já no próximo ano. E não apenas pelos novos regulamentos previstos para 2027, mas como também para a possível ciranda de pilotos no aquecido mercado da MotoGP ainda nesse ano. Para a temporada atual, poucas mudanças estão previstas e para a torcida brasileira, o fato de Diogo Moreira estar presente é algo a se comemorar e acompanhar. Assim como poderemos ver como se comportará Marc Márquez, se recuperando de outro grande acidente após um ano absolutamente dominante na MotoGP com sua Ducati de fábrica.

Os testes realizados em Sepang e Buriram mostraram uma Ducati ainda muito forte, com a versão 2026 mais 'amigável' do que a moto do ano passado, que fez Francesco Bagnaia sofrer horrores. Márquez voltou com força depois da fratura na clavícula direita e após uma recuperação cautelosa, mostrou a velocidade de sempre, mesmo que ainda tateando depois de alguns meses de molho. Marc já é um dos grandes favoritos e verá seu irmão Alex, que impressionou na pré-temporada, andando com a mesma moto dele, o que poderá acirrar a disputa entre os irmão. Já Bagnaia, dono da terceira Ducati 2026, terá que mostrar que seu horroroso 2025 foi mais uma exceção e que poderá derrotar Marc em alguns momentos. Se a Ducati continuou mostrando força, a Aprilia surge como a principal rival da conterrânea. Com Marco Bezzecchi fazendo um bom final de temporada em 2025, a Aprilia continua sua boa fase e o italiano se manteve como a ponta de lança da Aprilia, enquanto Jorge Martín ainda se recupera dos seus machucados.

Atrás das italianas, a Honda veio forte com sua moto sendo desenvolvida à seis mãos (Aleix Espargaró, Zarco e Marini), mas ainda parece um pouco atrás de Ducati e Aprilia. A KTM terá que se virar para dar uma boa moto para Pedro Acosta e mantê-lo na equipe, mesmo com todas as dificuldades econômicas, enquanto a Yamaha foi a grande desilusão até o momento, pois mesmo com a troca dos motores quatro em linha pelo V4, usada pelas demais montadoras, a Yamaha viu seu desempenho piorar em comparação à antiga moto, podendo fazer sofrer seus bons pilotos.

E é aí que começa a primeira peça de dominó que poderá transformar 2027 numa verdadeira dança de cadeiras. Fabio Quartararo já não esconde mais sua decepção com a Yamaha, dizendo que perdeu bons anos de sua carreira esperando por uma moto que os japoneses parecem incapazes de lhe dar. A mudança para os motores V4, à pedido de Quartararo, foi mais uma cartada da Yamaha para agradar o francês, mas até agora vem se mostrando um erro de cálculo. Quartararo teria desistido e estaria de malas prontas para a Honda, que evolui sua moto a olhos vistos e poderá ser a terceira força em 2026 e com as mudanças de regulamento, pode significar um pulo que anima Quartararo a se mudar de moto. Claro que a Yamaha não irá ficar parada e para isso prepara uma investida em dois pilotos, mas por motivos diferentes. Luca Marini pode não ser um virtuose atrás do guidão, mas seu feedback e conhecimento técnico é conhecido no paddock da MotoGP e atrairia a Yamaha para desenvolver sua moto. O outro piloto seria Jorge Martín. Vendo Bezzecchi, que teve seu contrato renovado, se sobressair dentro da Aprilia, restaria à Martín uma vaga na Yamaha para substituir Quartararo como líder técnico da equipe. Algo que a Aprilia esperava de Martín, mas encontrou em Bezzecchi.

A Aprilia não ficaria sem um bom segundo piloto. Com a saída do campeão de 2024, viria o dono dos títulos de 2022 e 2023. O ano de 2025 de Bagnaia na equipe de fábrica da Ducati foi abaixo da crítica, fazendo o italiano ter alguns atritos com a equipe que lhe deu dois títulos na MotoGP. Pecco já percebeu que a equipe de fábrica da Ducati já tem dono: Marc Márquez. Uma mudança de ares poderia fazer bem à Bagnaia, além de continuar com uma boa moto italiana, assim como correr ao lado do amigo Bezzecchi. Claro que a Ducati irá querer substituir Pecco à altura, mas o escolhido teria um perfil diferente. A Ducati pensaria no futuro e sabendo que Marc Márquez não irá durar por tanto tempo assim, os italianos fisgariam a estrela em ascensão Pedro Acosta, extremamente insatisfeito por ver seus contemporâneos Fermin Aldeguer e Raul Fernández com pelo menos uma vitória na MotoGP e Acosta, considerado melhor do que os dois espanhóis, não. Ter uma dupla espanhola quebraria uma tradição na Ducati, mas ter Acosta poderia garantir o futuro para a Ducati, principalmente com os rumores de uma aposentadoria precoce de Marc Márquez ganhar cada vez mais força. Sem muito dinheiro para investir, KTM tentaria reverter a importante perca de Acosta trazendo Alex Márquez, que voltaria a andar numa moto de fábrica.

Como se vê, a MotoGP iniciará 2026 pensando um ano na frente. Marc Márquez tentará o oitavo título da MotoGP e o décimo no geral, mesmo a Dorna, agora MotoGP Sports Entertainment Group, sobre a batuta da Liberty Media, diminuir ainda mais a Moto2 e Moto3, que seguem formando novos pilotos. A mudança de regulamento em 2027 poderá significar ascensão e queda de muitas marcas, mas no momento a Ducati tende a ser a grande moto da categoria. E tendo Marc Márquez em cima da moto, podemos esperar por um 2026 de espera para 2027 com gostinho de vitória espanhola. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Carnaval gelado

 


Em pleno sábado de carnaval, o Brasil conquistou seu primeiro ouro nas Olímpiadas de inverno, com Lucas Pinheiro Braaten vencendo no Slalom Gigante. O sobrenome Braaten e o fato de ter nascido em Oslo já indica que Lucas, filho de mãe brasileira e pai norueguês, não fez sua carreira por aqui, como não poderia deixar de ser, mas Lucas fala português muito bem e representou muito bem o Brasil numa das competições mais importantes dos Jogos, realizados em Milão. Um feito histórico para o esporte olímpico brasileiro.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

AMR26

 


Poucas equipes esperaram tanto por 2026 como a Aston Martin. A fase mágica de 2023 tinha ficado para trás e a contratação de Adrian Newey pelo time esmeraldino, primeiro como projetista e depois como chefe de equipe, além da chegada do motor Honda transformou 2025 numa longa transição para a Aston Martin, esperado que Newey faça magia novamente com os novos regulamentos.

O início para a Aston Martin não foi dos mais auspiciosos, porém. Um atraso de cronograma fez com que a Aston Martin andasse muito pouco na semana de shakedown em Barcelona, mas o que apareceu chamou a atenção de todos. O carro projetado de Newey tinha linhas mais agressivas que os dos demais carros, com várias ideias que fizeram com que muitos projetistas arregalassem os olhos. Os tempos não foram lá muito convincentes, muito pelo pouco tempo de pista de um carro que além de totalmente novo, ainda recebia o motor Honda. A equipe manterá a dupla Alonso e Stroll, com o primeiro levando a equipe nas costas, enquanto o segundo... bom, o segundo só está ali por ser filho do dono.

Em tese, a Aston Martin é uma das equipes com mais potencial no grid. Um projetista genial em suas fileiras, status de equipe de fábrica de uma gigante como a Honda e uma estrutura de fazer inveja, porém, a Aston Martin ainda tem um piloto veteraníssimo e que mesmo entregando, não terá um futuro muito longo na F1 e um peso morto dentro dos boxes. Vamos ver até onde a genialidade de Newey e Alonso poderá fazer contra Lance Stroll e uma equipe que foi feita para o canadense brilhar, mas Lance já mostrou reiteradas vezes não ter condições para tal. 

MCL40


 Mais de quinze anos depois do título de Lewis Hamilton, novamente a McLaren apresentou um carro seu com o número um estampado em seu novo bólido. Após um ano e meio onde a equipe papaia tinha claramente o melhor carro da F1, conquistando dois títulos de construtores e um de piloto, a McLaren enfrentará um desafio com o novo regulamento, significando que a sua vantagem poderá ter ido embora. Ou não.

A McLaren mostrou seu novo carro sem maiores mudanças em seu lay-out, mas por baixo do novo carro, tudo está praticamente novo e isso deve assustar Zak Brown e seus papaia caps. O bicampeonato de construtores, sendo o último conquistado com ampla antecedência, mostra que a McLaren estava com a mão do carro do antigo regulamento, mas com praticamente tudo mudando, o time irá para uma nova era. No entanto, os sinais são positivos para os lados de Woking. O motor Mercedes se mostrou forte como esperado e o novo carro não quebrou. Lando Norris e Oscar Piastri se mostrou uma dupla forte, mas insegura, principalmente quando a forte pressão de Max Verstappen fez com que o jovem duo da McLaren sofresse. Com o seu primeiro título, a tendência é que Norris corra mais relaxado e os erros demonstrados nas duas últimas temporadas diminuam, o que não é o caso de Piastri, que sofreu um derretimento no meio da temporada 2025 que faz com que o australiano tenha que mostrar bastante serviço em 2026. A chamada 'Papaya Rules' deixou o relacionamento entre Norris e Piastri dentro do controle, pelo menos externamente, mas já indo para a quarta temporada juntos, o equilíbrio dentro da McLaren acabar com o menor dos problemas.

Depois de muitos anos, a McLaren partirá para uma temporada como atual campeã, mesmo que poucas pessoas apostem na equipe como favorita, graças ao motor Mercedes e a equipe de fábrica. Mesmo campeão, Norris terá que 'confirmar o serviço' e mostrar que não será um campeão eventual, enquanto Piastri, como falado anteriormente, terá que jogar seu derretimento no campeonato para trás. Muita coisas a se provar para os atuais campeões.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Apresentação da MotoGP 2026

 


Nessa sábado a MotoGP fez uma apresentação conjunta de todas as suas equipes, após cada uma mostrar sua moto para 2026. Todas as equipes se reuniram em Kuala Lumpur para um evento, onde todas as novidades foram mostradas ao público, aumentando a expectativa para a temporada vindoura. 2026 será o último ano do atual regulamento e mais importante, será o ano final de muitos contratos e por isso, as equipes já enxergam 2027 mais próximo do que o normal. Os primeiros testes mostraram uma Ducati novamente muito forte, com Aprilia e Honda logo atrás. Ponto positivo para Diogo Moreira, que estreará com a LCR ao lado do experiente Johan Zarco, considerado o melhor piloto da Honda, mesmo não estando na equipe oficial.

Marc Márquez voltou às pistas após sua cirurgia na clavícula e viu seu irmão mais novo continuar sua boa fase, liderando a trupe da Ducati, com Bagnaia mostrando alguma evolução após um 2025 medonho do italiano. A Ducati oficial luta para renovar com Márquez para 2027 e além. Algo que pode ser anunciado nas próximas semanas, pois Márquez sabe que está na melhor equipe e com a melhor moto, porém, o espanhol poderá ter ao seu lado Pedro Acosta, talentoso e promissor espanhol, que parece meio a pé com uma KTM ainda sofrendo com a quase falência da empresa. A ida de Acosta para a Ducati seria o início da queda de vários dominós no mercado de MotoGP. Se isso for confirmado, Bagnaia estaria de mudança para a Aprilia (ou até mesmo voltar à VR46, permanecendo debaixo da asa da Ducati), correndo ao lado do amigo Marco Bezzecchi na Aprilia. Isso implicaria no fim do turbulento casamento de Jorge Martin e Aprilia, fazendo o espanhol ir para a Yamaha, que daria uma resposta para a bombástica saída da Fabio Quartararo para a Honda. E para o lugar de Acosta, a KTM iria atrás de Alex Márquez.

Tudo isso é mera especulação para 2027, sendo que 2026 sequer começou. O mercado está mais animado do que os testes, mas 2026 claramente se forma como um campeonato de transição para o que vem 27 e seu novo regulamento.