domingo, 10 de junho de 2007

Stoner põe ordem na casa

Não é segredo que a Ducati tem a moto mais potente, mas a derrota em casa na semana passada foi dolorida para a marca italiana por dois motivos. Primeiro, porque Mugello tem uma reta enorme que teoricamente favoreceria a cavalaria de sua moto e segundo, por que eles foram derrotados por Valentino Rossi, com quem brigam pelo Mundial de pilotos, representados por Casey Stoner. O australiano precisava dar o troco em Rossi. E logo. E Stoner conseguiu de forma espetacular! Em mais uma corrida belíssima Stoner derrotou Valentino Rossi em uma luta direta que durou praticamente todas as 25 voltas da corrida. E ainda havia um agravante. Daniel Pedrosa, correndo em casa e louco para quebrar um jejum sem vitória, estava logo atrás, esperando por algum deslize dos ponteiros do campeonato.

Na largada, Valentino hesitou e preferiu não dividir a primeira curva com os pilotos atrás dele. Rossi caiu para quarto, atrás de Pedrosa, Stoner e Hopkins respectivamente. Randy de Puniet, que largava em segundo, fez o siga o chefe com Valentino e também largou mal, caindo para sexto, logo atrás de Melandri. Como esperado, Stoner se aproveitou da potência da Ducati e ultrapassou Pedrosa na reta dos boxes ainda na segunda volta. Atrás deles, Hopkins e Rossi já se destacava dos demais. A briga inicial seria entre os quatro. Mais atrás Capirossi tentava uma recuperação da péssima Classificação e na segunda volta já estava em décimo.

A Suzuki provava sua evolução e era mais rápida que a Yamaha na reta, mas Valentino fez toda a diferença na freada para a curva 1 e ultrapassou Hopkins, assumindo a terceira posição. Rossi vinha nas suas conhecidas recuperações dos anos anteriores e logo colou em Pedrosa. Aos poucos Hopkins foi perdendo rendimento e a briga foi entre os pilotos principais da MotoGP. E foi espetacular! Rossi roubou a segunda posição de Pedrosa na décima volta e seu próximo alvo era Stoner, que já vinha com a frente da moto balançando muito. A primeira ultrapassagem de Rossi foi na freada da curva 5, um local nunca tentado antes, mas Stoner deu o xis e permaneceu em primeiro. Pedrosa acompanhava toda a briga de perto e os mais de 110.000 espectadores iam ao delírio.

A partir da décima oitava volta a briga esquentou de vez e Rossi conseguiu a ultrapassagem, mas Stoner conseguiu retomar a primeira posição ainda na reta. A vantagem da Ducati nas retas ainda era nítido, mas não era tão esmagadora como nas etapas anteriores. A briga era empolgante. Rossi tirava 110% de sua Yamaha, que tinha a menor velocidade final entre todas as marcas. O destaque ia para as freadas da curva um. Em certo momento Pedrosa chegou a colocar meia moto na frente de Rossi no retão e o italiano tirou toda a desvantagem na freada e ainda encostou em Stoner!

Já no finalzinho, Stoner e Rossi protagonizaram a cena do final de semana quando fizeram a temida curva 3 lado a lado, com Rossi no lado de fora numa atitude de muita coragem. Pedrosa quase fazia uma linha de três, mas Stoner teimava em permanecer em primeiro. Faltando cinco voltas para o fim Rossi conseguiu ultrassar Stoner no local menos provável do circuito: na freada da curva 1. Na volta seguinte Stoner tentou ultrapassar no mesmo ponto, mas Rossi fechou a porta de Stoner em muita cerimônia e parecia que a vitória já era de Rossi, mas faltando duas voltas Stoner fez a ultrapassagem decisiva e mesmo com toda a pressão de Rossi, Casey conseguiu se segurar e partiu para a quarta vitória na temporada. Com certeza, a vitória mais deliciosa...

Mesmo com Pedrosa apenas em terceiro, a torcida espanhola não parecia decepcionada e invadiu a pista como se algum espanhol tivesse vencido. Esses espanhóis entendem mesmo de corrida. Hopkins chegou num tranqüilo quarto lugar e de forma surpreendente Randy de Puniet terminou em quinto. As cinco marcas da MotoGP chegaram nas cinco primeiras posições! A façanha de De Puniet ficou ainda mais marcante quando ele saiu da moto. Ele mal andava, com o joelho esquerdo totalmente inchado pela queda da semana passada. Como Elias quebrou o motor no final, a sexta posição ficou para Loris Capirossi, coroando sua boa recuperação na corrida, mas no final teve que segurar a Suzuki de Chris Vermeulen. Barros fez uma corrida discreta, mas na última volta ultrapassou Marco Melandri e ficou com a oitava posição. O campeão Hayden também trocou posição na última volta, mas só que ele perdeu a posição para o compatriota e quase demitido Colin Edwards. Hayden foi apenas décimo primeiro...

Com esses resultados, Stoner respirou mais um pouco no campeonato e agora tem 14 pontos de vantagem em cima de Rossi, enquanto Pedrosa se estabelece cada vez mais na terceira posição. Essa vitória foi ainda mais significante para Stoner, pois agora o campeonato partirá para circuitos mais travados, como Donington Park daqui a duas semanas, e teoricamente isso favorecerá Rossi, mas Stoner deu mais uma prova hoje que está com estrela de campeão.

sábado, 9 de junho de 2007

História: 5 anos da vitória número 150 da Ferrari






Para quem viu a Ferrari sofrendo hoje em Montreal, talvez nem se lembre que na mesma cidade a equipe vermelha comemorasse uma marca histórica. No circuito que tem o nome do seu maior ídolo, Gilles Villeneuve, a Ferrari conquistou mais uma vitória numa temporada em que arrasou as rivais, comandada por Michael Schumacher. Em 2002 a Ferrari fez um dos melhores carros da história e quando o circo chegou ao Canadá, a pergunta não era se Michael Schumacher iria ser campeão, mas sim quando ele acabaria com o sofrimentos dos rivais. Porém, a Ferrari enfrentava um período em que sua popularidade estava muito em baixa. Exatamente um mês antes, a Ferrari tinha dados as famosas ordens de equipe a Rubens Barrichello, que deixou Schumacher vencer o GP da Áustria na linha de chegada. O domínio ferratista era tal que Schumacher tinha cinco vitórias em sete corridas e tinha 33 pontos de vantagem em cima do seu irmão Ralf Schumacher, que na época anda de Williams-BMW. Ralf andando bem? Williams brigando pela ponta? Sinais dos tempos...

A Ferrari poderia ter o melhor carro, mas a Williams se destacava com seu potente motor BMW e graças a eficiência tedesca, Montoya conseguiu a terceira pole na temporada e segunda seguida. Schumacher sabia da superioridade da Williams na Classificação e por isso escolheu pneus duros, já pensando no domingo, mas ainda assim foi segundo no grid à frente de Barrichello. Havia uma ameaça de chuva no sábado e no domingo, mas as duas sessões ocorriam sem problemas.

GRID:
1) Montoya(Williams) - 1:12.836
2) M.Schumacher(Ferrari) - 1:13.018
3) Barrichello(Ferrari) - 1:13.280
4) R.Schumacher(Williams) - 1:13.301
5) Raikkonen(McLaren) - 1:13.898
6) Fisichella(Jordan) - 1:14.132
7) Heidfeld(Sauber) - 1:14.139
8) Coulthard(McLaren) - 1:14.385
9) Villeneuve(BAR) - 1:14.564
10) Trulli(Renault) - 1:14.688

Na largada Montoya saiu muito bem e se distanciou das Ferraris, mas com Barrichello à frente de Schumacher. Raikkonen se aproveitou do controle de largada da McLaren e pulou para quarto à frente de Ralf. Os dois pilotos protagonizaram uma luta bastante interessante pela quarta posição. Lá na frente, Montoya e Barrichello tentavam aumentar a diferença para Schumacher, pois os dois sul-americanos iriam parar duas vezes, contra uma do alemão. Barrichello conseguiu ultrapassar Montoya na reta dos boxes e começou a se distanciar do colombiano, que também se distanciava de Schumacher, com um carro mais pesado e com pneus duros.

O ídolo local Jacques Villeneuve tinha a mesma síndrome de Barrichello naquela época: nunca se dava bem em sua casa. Na oitava volta o canadense encostou sua BAR na reta do Cassino e de forma estranha a direção de prova demorou algumas voltas para liberar o safety-car. Isso foi desastroso para Montoya e Barrichello, que liderava com 8.7s de vantagem em cima de Juan Pablo. Montoya aproveitou a bandeira amarela e foi aos boxes para sua primeira parada e voltou em quinto, enquanto Barrichello permanecia na pista à frente de Schumacher na vã esperança de que abriria diferença em cima do seu companheiro de equipe e poderia vencer a corrida.

Quando o safety-car voltou aos boxes, Barrichello imediatamente imprimiu um ritmo forte para tentar abrir de Schumacher, enquanto Raikkonen permanecia segurando Ralf, mas agora Montoya vinha forte atrás dos dois. Na volta 18 ocorreu a manobra da corrida. Ralf tentou ultrapassar Raikkonen na freada da chicane antes da reta dos boxes, mas o finlandês jogou duro e Ralf teve que passar reto na chicane, enquanto Kimi perdia velocidade na saída de curva. Montoya se aproveitou disso e numa manobra espetacular colocou de lado em cima dos dois e na freada da primeira curva assumiu a terceira posição, ganhando duas posições de uma vez só!

Montoya tentou partir para cima de Schumacher, mas sua parada mais cedo fez com que seu carro estivesse mais pesado do que a Ferrari do alemão e ele não pôde fazer muita coisa. Na volta 26 Barrichello fez sua primeira parada e voltou atrás de Coulthard, em sexto. Com apenas uma parada a fazer nos boxes, Schumacher começou a forçar o ritmo e quando fez sua única parada na volta 38, ele voltou logo atrás de Montoya, que ainda iria parar. Foi então que tudo começou a dar errado para a Williams.

Quando Ralf foi fazer sua parada programada na volta 42, ele teve um problema no reabastecimento e teve que voltar aos boxes na volta seguinte e no final da brincadeira ele estava em décimo e acabaria a corrida em sétimo, fora dos pontos. Na volta 51 Montoya fez sua segunda parada e voltou em terceiro, atrás de Barrichello, mas como o brasileiro foi aos boxes duas voltas depois, Montoya estava em segundo, 9s atrás de Schumacher e se aproximando. A corrida parecia que teria um final fantástico! Mas o motor BMW deixou o colombiano na mão na volta 56, deixando o caminho livre para Schumacher vencer. Com a quebra de Montoya, Coulthard assumiu a segunda posição com Barrichello fungando no cangote do escocês. No final da corrida, os dois encontraram o retardatário Takuma Sato na reta do Cassino e Rubinho pensou que teria uma boa oportunidade de ultrapassar, mas Coulthard espremeu Barrichello por dentro e freou forte, passando reto na chicane, mas como Barrichello fez a mesma coisa, o escocês não precisou devolver a posição. Rubinho chiou bastante, mas perdôo o escocês.

Com mais uma vitória Schumacher já sabia em que corrida seria campeão, mas o mais importante foi a vitória de número 150 da Ferrari. Schumacher ajudou com 40 vitórias até então(26,7% do total) e ninguém duvidava de sua importância na história da Ferrari. E olha que na época ele "só" tinha quatro títulos.

Classificação:
1) M.Schumacher
2) Coulthard
3) Barrichello
4) Raikkonen
5) Fisichella
6) Trulli

A primeira de muitas

Que Lewis Hamilton é um piloto especial, não é segredo para ninguém. Afinal, conseguir cinco pódios nas primeiras cinco corridas é algo nunca visto na F1 e Hamilton conseguiu isso sem cometer erros gritantes, tão comuns para um novato, e mostrando uma maturidade impressionante. Porém, faltava algo. Mesmo co-liderando o campeonato deste ano, Hamilton ainda não foi o número 1, seja no grid ou na corrida. Pois a primeira parte Hamilton já conseguiu. O inglês se aproveitou de um erro de Alonso na última volta lançada e conseguiu a primeira pole de sua carreira. A primeira de muitas.

Mesmo com o erro de Alonso, Hamilton mereceu essa pole e pode-se dizer que até demorou. O inglesinho andou perto do atual bicampeão desde Melbourne e ironicamente somente em Montreal Alonso sobrou com relação seu companheiro de equipe. Mas desde o terceiro treino livre Hamilton se recuperou e uma hora dessa festeja sua primeira pole na F1. Porém, nem tudo são rosas na McLaren. A reação de Alonso quando Hamilton foi cumprimenta-lo foi sistemático. Alonso além de não ter aceitado a mão amigo de Lewis, Fernando pareceu ter dado um chega pra lá no inglês. Mesmo não contente com o erro, Alonso demonstrou, como destacou Galvão, que não tem espírito esportivo. Se tudo ocorrer bem a McLaren irá vencer em Montreal e a estratégia da equipe de Ron Dennis irá definir o vencedor e aí mora o perigo. Será que a McLaren irá modificar a estratégia de Hamilton para favorecer Alonso? E como será a primeira curva? O clima está mais tenso do que os suspostos 900 milhões de reais que a McLaren investe por ano possa imaginar.

De forma surpreendente a Ferrari não apenas ficou bem para trás da McLaren, como ainda teve a BMW de Heidfeld entre a principal equipe rival. Pela primeira vez desde a abertura do campeonato que Raikkonen superou Massa e isso aconteceu durante todo o final de semana e isso pode ajudar bastante a McLaren no Mundial de pilotos, pois se a McLaren confirmar a dobradinha, Raikkonen tirará pontos de Massa e o título ficará ainda mais distante. Se em Monte Carlo Massa teve a sorte de ver Raikkonen batendo no guard-rail, em Montreal não teve jeito e foi superado pelo etílico finlandês. É bom que Massa não deixe que Raikkonen tome as rédeas da equipe, pois o salário de Raikkonen é alto demais para ser colocado de lado tão cedo, como querem nós brasileiros.

Após a má corrida em Mônaco, Heidfeld se recuperou bem e largará na melhor posição da BMW neste ano, mas não duvido que isso seja por uma estratégia diferente de box. O interessante foi que o alemão cometeu alguns erros durante a Classificação, chegando a ter seu tempo cassado por ter passado reto na famosa chicane antes da reta dos boxes. E diga-se de passagem, o não menos famoso Muro dos Campeões ainda não fez sua vítimas. Kubica continuou seu péssimo final de semana e ficou apenas em oitavo, mais de sete décimos atrás de Heidfeld. Mark Webber demonstrou o quanto a Red Bull vem crescendo e repetiu a sexta posição de Monte Carlo e se o carro não quebrar, finalmente irá marcar pontos. Enquanto isso Coulthard teve uma sessão bem problemática, com problemas nos freios e várias saídas de pista e a décima quarta posição foi bem merecida.

E falando em discrepâncias entre companheiros de equipe, a coisa está ficando feia para Alexander Wurz. Nico Rosberg vem mantendo o bom ritmo desta temporada e nesse segundo ano dele na F1, mostra tudo o que falavam dele, enquanto Wurz, mais uma vez, não conseguiu passar nem da Q1! Continuando a sessão "batendo no meu vizinho", Fisichella fez um bom trabalho com a Renault e faço uma aposta que está muito pesado e por isso a nona posição, muito à frente de Heikki Kovalainen, que provocou uma bandeira vermelha e amargou a décima nona posição. Por sinal, parabéns a equipe Renault, que em menos de cinco minutos consertou o carro de Kovalainen e ainda o pôs na pista. Completando os dez primeiros, Trulli fechou a super-pole, apesar do susto de ontem com a suspensão de papelão, e muito à frente do quase-muito-pouco-mesmo aposentado Ralf Schumacher. E o alemão ainda queria 10 milhões de dólares de aumento...

A Honda vinha no seu melhor final de semana e Barrichello tinha tudo para emplacar sua segunda passagem seguida para a super-pole, mas foi atrapalhado por Button e ficou de fora, em décimo terceiro, porém quatro décimos à frente do seu companheiro de equipe. Coitado do Button, além de estar num verdadeira carroça, ainda tem que ver Hamilton marcando sua primeira pole e ver sua condição de reizinho da mídia indo para o novato. A Toro Rosso vem seguindo a evolução da Red Bull e já fica com mais freqüência na Q2, mesma coisa acontecendo com a Super Aguri, com Sato à frente das duas Hondas oficiais. Adrian Sutil dá mostras que realmente é um piloto a ser observado e é o provável substituto de Ralf na Toyota. Ficar na frente de Christjian Albers já é redudância, mas Sutil lutou muito e nas últimas voltas da Q1 ele conseguiu marcar a décima sexta posição, posição que o colocaria na Q2, mas acabou superado pelas equipes mais fortes e ricas do que a sua.

Como falei ontem, a McLaren está forte demais e ainda acho que Alonso é o favorito para vencer amanhã, porém Nano terá mais trabalho do que pensou.

Rossi é pole em território inimigo

Se em Mugello, Rossi venceu e colocou Stoner e a Ducati no seu devido lugar, mesmo a pista italiana ter uma reta monstruosa, em Barcelona o mesmo problema deveria se manifestar. A reta dos boxes do circuito de Montmeló é a mais longa do calendário, mas Rossi nos lembrou que antes e depois da reta há curvas onde ele pode fazer a diferença, mesmo correndo na Espanha, talvez o único lugar em que não seja unanimidade pela rivalidade entre Espanha e Itália. Na Classificação de hoje, Rossi levou sua anêmica Yamaha à pole nos momentos finais, derrotando o surpreendente Randy de Puniet em sua cada vez melhor Kawasaki. O francês está correndo com o joelho inchado graças a uma queda semana passada em Mugello. Por sinal, a Kawasaki precisa contratar uma benzedeira urgente, pois Olivier Jacque sofreu mais um sério acidente e dificilmente correrá amanhã. Correndo em casa e homenageado pelos feitos nas categorias de base, Daniel Pedrosa não foi páreo para Rossi e De Puniet e ficou em terceiro, fechando a primeira fila. Pedrosa tentará acabar com o jejum de vitórias em casa e é um dos favoritos amanhã. O líder do campeonato Casey Stoner foi quarto e isso não deixa de ser uma decepção. Com a enorme reta a sua disposição, Stoner tinha tudo para ser o pole, mas a carruagem vermelha está mudando para laranja na medida em que Rossi se aproxima de Stoner. E não devemos esquecer que Stoner é lembrado pelas constantes quedas que ele sofria, e até agora ele surpreedente não cometeu erros. Será que a pressão de Rossi pode desestabiliza-lo? John Hopkins corroborou com a boa fase da Suzuki e foi quinto, enquanto Vermeulen foi décimo primeiro. A vitória do australiano em Le Mans foi mais em função da chuva, pois está na cara que Hopkins é muito mais piloto. Colin Edwards foi sexto e tentará apagar o vexame da semana passada, quando nunca ficou entre os dez primeiros enquanto Rossi vencia a corrida com a mesma moto. O campeão mundial Nicky Hayden melhorou um pouquinho, mas ele não será um fator amanhã. Correndo em casa, Toni Elias deverá dar show e superou seu companheiro de equipe Marco Melandri. E falando em comparação entre companheiros de equipe, a maior surpresa de hoje foi o desempenho de Alex Hofmann, décimo colocado e superando pela primeira vez na temporada Alexandre Barros. O alemão vem melhorando constatemente e Barros terá trabalho largando apenas em décimo quarto. Mas o mico ficou com Capirossi. Enquanto Stoner briga pelo campeonato e irá largar lá na frente, Capirossi saíram da décima sexta posição. No final do ano, a fila do INSS terá um representante italiano...

Já nas 250, Lorenzo está com sede de sangue após ser tocado (e derrubado) pelo seu compatriota Álvaro Bautista na última volta semana passada. Correndo em casa, Lorenzo colocou praticamente 1s em cima do segundo colocado, Hector Barberá e com a potência da sua Aprilia, Lorenzo é o grande favorito a vitória amanhã, mas será interessante como será o comportamento do arrogante espanhol se ele encontrar Bautista pela frente. Mesmo de Honda, Doviziozo ainda foi terceiro, mas na grande reta dos boxes, ele não será páreo para o poderio da Aprilia. O piloto de teste da marca italiana, o espanhol Alex Debon fechará a primeira fila e como estará com a mesma moto de Lorenzo e correrá em casa, Debon pode conseguir um pódio amanhã. A dupla da equipe Aspar Martínez, que fez dobradinha em Mugello, ficará um pouco para trás amanhã e De Angelis saíra em sexto, com Bautista logo atrás.

Nas 125, a equipe de Aspar Martínez mostrou, correndo em casa, que é mesmo a melhor equipe da menor categoria do Mundial de motovelocidade. Mas em Barcelona, bem que a torcida gostaria que o pole fosse um dos seus compatriotas... o húngaro Gabor Talmacsi superou Hector Faubel e Sergio Gadea e partirá da posição de honra amanhã. Cada vez mais fica claro que Talmacsi e Faubel brigarão pelo título deste ano, só nos resta saber se a nacionalidade irá influir nessa decisão. O inglês revelação (mais um...) Bradley Smith confirmou que está crescendo na categoria e vai fechar a primeira fila e liderará o melhor do resto, tirando a equipe Martínez. Lukas Pesek, o único que consegue enfrentar de igual para igual os líderes do campeonato, irá largar em quinto, enquanto o azarado do ano Mattia Pasini partirá da oitava posição amanhã.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Ele faz a diferença!

Se nas apertadas ruas de Monte Carlo o chassi mais curto da McLaren era a desculpa para o domínio da equipe prateada, o que dizer agora em Montreal? Fernando Alonso arrasou seus adversários (leia-se Lewis Hamilton e a Ferrari) nesta sexta-feira no Canadá e já dá para dizer que o espanhol é o favorito para vencer no domingo. Seja com pneus duros ou moles, Alonso liderou as duas sessões com muita facilidade e o que é mais preocupante para os adversários: Fernando o fez sem muito esforço.

Neste primeiro dia de atividades em Montreal, Alonso mostrou que o piloto faz sim a diferença e durante a segunda sessão, o bicampeão do mundo chegou a colocar exatos 1s em cima do seu companheiro de equipe. Nesses últimos dez dias Hamilton passou a maior parte do tempo explicando o que ocorreu durante o Grande Prêmio de Mônaco à imprensa inglesa, ávida por um ídolo. Será que isso desconcentrou Hamilton? Desta vez, Hamilton não conseguiu acompanhar Alonso e ficou em terceiro na soma dos tempos. A Ferrari, que esperava dominar as corridas da América do Norte, ficou bem para trás, numa situação bem parecida com a de Mônaco quinze dias atrás. Enquanto Raikkonen ficou à frente de Massa quase o tempo todo, Felipe conseguiu uma bela volta nos últimos momentos da segunda sessão e se meteu entre as McLarens.

Isso não deixa de ser mais um revés para Raikkonen, que levou meio segundo de Massa. Do jeito que vai, Kimi será mesmo segundo piloto de Massa. O melhor do resto foi mais vez Heidfeld, apesar do alemão ter encostado no muro na segunda sessão. Por sinal, a sexta-feira no Canadá foi bem animada, com várias saídas de pista de praticamente todo mundo, dos quatro principais pilotos, aos piores carro, com destaque para a espetacular decolada que Adrian Sutil deu na chicane antes da reta dos boxes. Por milagre o alemão não bateu no famoso muro dos campeões.

A Honda deu um sinal de vida ao colocar Rubens em sétimo. É um belo avanço pelo que a equipe vinha mostrando nos últimos tempos, mas Button foi apenas décimo terceiro. A Williams manteve o bom nível, mas sempre esse bom nível se vê no carro de Rosberg, que foi sexto. A carruagem da Renault está aos poucos virando abóbora e Fisichella foi apenas oitavo, enquanto Kovalainen foi dos que escaparam hoje, mas o finlandês destruiu sua suspensão e ficou em último na sessão. Para quem disse que não gostava do Nelsinho (devidamente desmentida por ele mais tarde), Kovalainen corre novamente riscos de ficar desempregado, pois até Ricardo Zonta apareceu hoje.

Os carros de Adrian Newey apareceram muito bem hoje e Mark Webber passou boa parte da segunda sessão em primeiro, até ter seu tempo detonado pelas duas grandes, mas o australiano ficou em nono e Coulthard em décimo, com os meninos da Toro Rosso um pouco mais atrás. Kubica foi outro que não teve um dia tranqüilo, quando teve que enfrentar até mesmo um incêndio em seu carro na primeira sessão e uma rodada na segunda parte da sexta. Décimo segundo para o polaco.

Agora o mico do dia ficou para a Toyota. Não adianta nada culpar Ralf Schumacher, se o carro se desintegra quando bate numa zebra. O coitado do Trulli, que sofreu as duas quebras, ainda tenta alguma coisa, enquanto Ralf pede um aumento de dez milhões de dólares para fazer o papelão que vem fazendo até agora... A Toyota está vivendo num mundo diferente da realidade e um quebra ridícula como a de hoje, mostrada para todo mundo, com certeza irá arranhar a reputação de uma empresa que vende milhões de carros em todo o mundo.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

História: 25 anos do primeiro Grande Prêmio em Detroit




Desde que a F1 saiu do tradicional circuito de Watkins Glen no final de 1980, a categoria se mudou para os travados e apertados circuitos de rua quando se falava no Grande Prêmio dos Estados Unidos. Primeiro veio Long Beach em 1976 e em 1981 apareceu Grande Prêmio de Las Vegas, num circuito improvisado no estacionamento de um cassino. Mesmo longe de ser popular dentro dos Estados Unidos, a F1 procurava expandir seus horizontes nas terras do Tio Sam e por isso surgiu o Grande Prêmio de Detroit a partir de 1982. A idéia de se fazer uma corrida na sede das três maiores montadoras americanas parecia uma boa idéia e isso ajudaria bastante a melhorar a imagem da cidade de Detroit. O local escolhido para ser montado o autódromo era ao redor do Renaissance Centre, bem no centro de Detroit e a pista incluía em pequeno túnel e a uma reta ao lado de um lago. A inspiração estava clara: Mônaco. E logo a administração local vendou a idéia de Detroit ser o "GP de Mônaco nos Estados Unidos". A F1 vinha de três Grandes Prêmios atípicos antes de chegar a Detroit. Em San Marino, apenas 14 carros largaram por causa do boicote das equipes inglesas, ainda com relação a briga entre a FISA e a FOCA. Quando as equipes que se entricheiravam atrás dessas entidades fizeram as pazes, veio a morte de Gilles Villeneuve no Grande Prêmio da Bélgica. Mesmo profundamente traumatizado, o circo da F1 chegou a Mônaco e viu uma corrida que ninguém queria ganhar, mas na última volta a vitória acabou no colo de Riccardo Patrese, sua primeira vitória na F1. Então, passadas seis etapas, a F1 chegava com um equílibrio enorme, mas muito devido as quebras dos potentes motores turbo que equipavam Ferrari, Renault e Brabham. A Ferrari tinha o melhor carro, mas a morte de Villeneuve foi um duro golpe para a equipe italiana. A Renault era muito rápida na Classificação, mas raramente seus carros chegavam até fim, mesmo problema tinha a Brabham o que tirava todas as chances do então campeão Nelson Piquet defender seu título. Alain Prost era o líder com duas vitórias, mas os 18 pontos dessas vitórias eram os únicos do francês graças as quebras da Renault. Em seguida, separados por um ponto, vinha John Watson da McLaren e Didier Pironi da Ferrari.

Quando as equipes chegaram a Detroit, a pista ainda não estava pronta e operários ainda montavam as barreiras de proteção, enquanto os mecânicos jogavam futebol. Como resultado, os pilotos perderam um dia inteiro em que usariam para conhecer a nova pista. Assim, a Classificação foi realizada em duas sessões de uma hora, mas sem treinos livres e isso trouxe algumas anomalias no grid. Lá na frente, nenhuma surpresa, com mais uma pole de Alain Prost da Renault, mas seu companheiro de equipe René Arnoux era apenas décimo quinto. Porém, a maior surpresa foi Nelson Piquet não conseguir tempo para se Classificar e assim foi um mero expectador durante o fim de semana.

Grid:
1) Prost(Renault) - 1:48.537
2) De Cesaris(Alfa Romeo) - 1:48.872
3) Rosberg(Williams) - 1:49.264
4) Pironi(Ferrari) - 1:49.903
5) Winkelhock(ATS) - 1:50.066
6) Giacomelli(Alfa Romeo) - 1:50.252
7) Mansell(Lotus) - 1:50.294
8) De Angelis(Lotus) - 1:50.443
9) Cheever(Ligier) - 1:50.520
10) Lauda(McLaren) - 1:51.026

O warm-up no domingo pela manhã foi horrível para a pequena equipe Osella. Enquanto o carro de Jarier pegava fogo e Riccardo Paletti destruía seu carro na curva do túnel, a equipe só tinha um carro reserva... que Jarier também bateu! Com seus três carros destruídos, a Osella só teve tempo para reconstruir o carro de Paletti, mas quem largou foi Jarier, com o jovem italiano ficando de fora. Os preparativos do carro de Jarier foi tão em cima da hora que ele teve que largar dos boxes.

Quando a largada foi dada, Prost conseguiu segurar os ataques de De Cesaris e Rosberg, enquanto o pelotão passava sem problemas pela apertada primeira curva. No final da segunda volta, o segundo colocado Andrea de Cesaris teve que ir aos boxes para tentar consertar seu semi-eixo, após o italiano tocar de leve numa mureta de proteção. Ele abandonaria ali mesmo. Isso deixava Prost na liderança à frente de Rosberg, Pironi, Mansell, Giacomelli, Cheever e Arnoux, que vinha se recuperando bem. Prost tentava aumentar sua vantagem para Rosberg e quando tinha 3s de diferença para o finlandês, a corrida foi parada. Roberto Guerrero e Elio de Angelis brigavam pela décima primeira posição, quando eles se tocaram. De Angelis conseguiu se safar, mas Guerrero acabou na barreira de pneus e na tentativa de desviar, Patrese acabou rodando e também bateu na barreira de pneus. O vencedor de Mônaco teve que sair correndo do seu Brabham, que começava a pegar fogo. A direção de prova decidiu mostrar a bandeira vermelha e paralizar a corrida.

Depois de uma hora de espera, os 18 carros restantes foram para relargada, com Prost novamente na pole e Alboreto e Salazar fechando o grid. Assim como na primeira largada, Prost se saiu muito bem e permaneceu na frente. Atrás da Renault vinha Rosberg e Pironi, mas o francês da Ferrari começou a ser atacado pelo quarto colocado Bruno Giacomelli. Enquanto Prost já tinha novamente 3s de vantagem para Rosberg, Pironi segurava um punhado de carros atrás dele. Quem vinha fazendo uma bela corrida era os pilotos da McLaren, em especial John Watson. O irlandês havia largado em décimo sétimo e numa tática já vista em Zolder, o veterano piloto da McLaren escolhia pneus mais duros e quando a corrida evoluía, ele ia ultrapassando um a um seus adversários. Depois de algumas voltas, o motor Renault de Prost começou a ter problemas de motor e na volta 21 o francês foi ultrapassado por Rosberg numa manobra audaciosa. Prost foi aos boxes e saiu da disputa. Rosberg começou a aumentar sua vantagem para Pironi e na volta 30, ele tinha exatos 30s de vantagem sobre o piloto da Ferrari.

Então, Watson começou a dar show. Na briga pela quinta posição, ele tocou rodas com a Alfa Romeo de Giacomelli e o italiano se deu mal e acabou no muro, abandonando ali mesmo. Agora, Watson tinha a seu frente uma briga forte pela segunda posição, mas estática que envolvia na ordem Pironi, a Ligier do nativo Eddie Cheever e da McLaren de Niki Lauda. Watson não quis saber de muita conversa e ultrapassou os três pilotos em três manobras distintas em uma única volta! Na volta 33 Watson já estava em segundo lugar! Neste momento, o líder Rosberg começou a ter problemas com seus pneus da Goodyear, o câmbio estava ficando preso e os freios traseiros estavam bloqueando. Watson vinha se aproximando rapidamente e de forma sensacional, Watson assumiu a liderança na volta 37. Três voltas depois Lauda se aproximou de Rosberg e na tentativa de ultrapassagem do austríaco, Rosberg fechou a porta e Lauda acabou a corrida no muro. Quem se aproveitou do incidente foi Cheever, que conseguiu desviar de Lauda e ainda ultrapassou Rosberg, subindo de quarto para segundo.

Rosberg perderia ainda mais rendimento, enquanto o companheiro de equipe de Cheever na Ligier, o veterano Jacques Laffite, vinha forçando muito e na volta 48 assumiu a terceira colocação, mas o francês começou a ter problemas com seus pneus e foi ultrapassado pelo discreto Didier Pironi na volta 52. Watson conseguiu mais uma bela vitória nas ruas de Detroit e com mais um péssimo resultado para Prost, o piloto da McLaren assumiu a liderança do campeonato, seguido por Pironi. Por enquanto, Keke Rosberg vinha num discreto quarto lugar no campeonato, mas sua presença ainda seria sentida. A partir de 1984 Detroit ganhou a exclusividade do Grande Prêmio dos Estados Unidos e a cidade permaneceu no circo até 1988.

Classificação:
1) Watson
2) Cheever
3) Pironi
4) Rosberg
5) Daly
6) Laffite

terça-feira, 5 de junho de 2007

História: 30 anos da única vitória de Gunnar Nilsson


Poucos pilotos tiveram uma passagem tão curta na F1, mas ao mesmo tempo tão marcante como Gunnar Nilsson. A grande ironia da vida de Nilsson foi ter corrido na época mais perigosa da F1, mas sua prematura morte não ter nada a ver com o automobilismo. Nilsson vinha de uma família muito rica da Suécia e mesmo com 23 anos, decidiu tardiamente entrar no automobilismo a revelia de sua família. Logo de cara Nilsson mostrou talento e em 1975 foi campeão inglês de F3 na equipe oficial da March. Conta a lenda, que para derrotar seu companheiro de equipe, o brasileiro Alex Dias Ribeiro, Nilsson presenteava os mecânicos da equipe com revistas pôrnos, enquanto Alex presentava os mecânicos com bíblias. Precisa dizer quem os mecânicos gostavam mais? Essa carreira metéorica chamou a atenção do seu famoso compatriota Ronnie Peterson, que o ajudou a entrar na F1. Peterson estava tremendamente decepcionado com a Lotus e queria sair da equipe de qualquer maneira no começo de 1976. Peterson acertou com a March e em troca, indicou Nilsson a Colin Chapman. Juntamente com Mario Andretti, Nilsson desenvolveu o até então problemático Lotus 77 em um carro competitivo. Logo na sua terceira corrida, na Espanha, Nilsson conseguiu um pódio e repetiria a terceira posição na Áustria. Em 1977, a Lotus introduziu o Lotus 78, mais conhecido por ser o primeiro carro dotado com o inovador efeito-solo. O carro era muito bom, mas como todo carro novo, também quebrava bastante. Andretti já havia vencido duas corridas em 77, mas o líder do campeonato era Jody Scheckter, que surpreendia ao levar a estreante equipe Wolf a duas vitórias, inclusive em Mônaco, a última corrida antes da F1 chegar a Zolder. Niki Lauda vinha fazendo um campeonato discreto, mas já havia vencido em Kyalami. Nilsson era bem mais lento do que Andretti nas Classificação, contudo Gunnar era mais eficiente durante as corridas, mas o carro quebrava muito e o sueco só contava com dois quinto lugares.

Havia algumas novidades para o Grande Prêmio da Bélgica, sétima etapa do campeonato. James Hunt estava usando o novo McLaren M26 e Emerson Fittipaldi já teria o novo FD5 a sua disposição. Como era comum na Bélgica, as condições climáticas não eram das melhores durante o final de semana e a chuva atrapalhou as atividades na pista. A Classificação aconteceu com pista molhada e muito nublado, resultando numa pole imperial de Mario Andretti no Lotus 78, 1.5s mais rápido que a Brabham-Alfa Romeo de John Watson. Era a segunda pole de Andretti no ano e a quarta da carreira. Nilsson apareceu em terceiro, com Jody Scheckter ao seu lado na segunda fila. Na sua centésima apararição em Grandes Prêmios, Peterson ficou em oitavo no grid, enquanto James Hunt sofria para colocar sua nova McLaren em nono e Niki Lauda era 11º na Ferrari.

Grid:
1) Andretti(Lotus) - 1:24.64
2) Watson(Brabham) - 1:26.18
3) Nilsson(Lotus) - 1:26.45
4) Scheckter(Wolf) - 1:26.48
5) Depailler(Tyrrell) - 1:26.71
6) Mass(McLaren) - 1:26.81
7) Reutemann(Ferrari) - 1:26.85
8) Peterson(Tyrrell) - 1:26.95
9) Hunt(McLaren) - 1:27.04
10) Laffite(Ligier) - 1:27.05

Estava chovendo na tarde de domingo enquanto a largada se aproximava, mas a chuva não era muito forte e a precipitação poderia acabari a qualquer momento, mas enquanto a maioria dos pilotos escolheram os pneus para chuva, Hunt arriscou colocando pneus slicks. Watson largou melhor e tomou a ponta de Andretti. Os outros carros passaram pela primeira curva sem muitos problemas, embora Ian Scheckter e Harald Ertl rodassem e voltassem à pista, mas na chicane atrás do paddock Andretti cometeu um erro e acertou a traseira de Watson. Ambos rodaram e abandonaram. Nilsson teve que desviar para evitar o incidente e isto permitiu para Scheckter ficar em primeiro. Nilsson era segundo seguido por Mass, Reutemann, Depailler, Laffite, Peterson e Lauda. A escolha arriscada de Hunt foi um desastre e ele estava perdendo várias posições rapidamente.

Na nona volta Reutemann ultrapassou Mass e subiu para terceiro, mas cinco voltas depois ele rodou e abandonou, trazendo a McLaren de Mass novamente para terceiro. Mais atrás, Vittorio Brambilla era o grande destaque ao levar seu limitado Surtees a quarta posição em apenas 15 voltas depois de largar em décimo segundo! A pista estava secando rapidamente e os pilotos tiveram que ir boxes e colocar pneus slicks. Lauda foi um dos primeiros a parar e quando as paradas estavam terminadas na volta 23, ele estava em primeiro com Mass em segundo e Alan Jones em terceiro em seu Shadow. Nilsson tinha perdido muito tempo em sua parada quando a porca de um dos pneus ficou preso e ele estava apenas em oitavo atrás de Brambilla, Scheckter, Laffite e Peterson. Foi então que começou o show de Nilsson!

Ele ultrapassou Laffite na volta 25, Peterson na volta 26 e Brambilla na volta 30. E havia outro problema. Começava a chover novamente! Scheckter foi aos boxes trocar seus pneus na volta 35 e quando Jochen Mass rodou na volta 40, Nilsson estava novamente em segundo e se aproximando da Ferrari do líder Niki Lauda. Para desespero de Scheckter, a chuva cessou e a pista começou a secar novamente. Enquanto isso, Peterson e Brambilla brigavam de forma agressiva pela terceira posição, enquanto a escolha de Hunt começava a lhe conceder um pouco mais de desempenho e ele vinha ganhando posições na medida que a pista ficava mais seca.

Faltando vinte voltas para o fim da corrida, Nilsson encosta na Ferrari de Lauda e numa manobra sensacional por fora, ele assumiu a liderança para não perder mais. Para provar que sua vitória não foi puro acaso, Nilsson também marcou a volta mais rápida da corrida. Sem muitos sustos Lauda terminou em segundo e ainda permitiu uma aproximação do terceiro colocado Ronnie Peterson, que havia superado Vittorio Brambilla na briga pelo último lugar no pódio. Foi um grande dia para a Suécia, com seus dois principais pilotos no pódio. Porém, o destino seria cruel para o país escandinavo.

Apesar da grande vitória na Bélgica, Nilsson não ficaria na Lotus para 1978. Porém, o sueco vinha sentindo constantes dores de cabeça e mesmo já tendo assinado com a nova equipe Arrows, Nilsson foi ao médico para diagnosticar o que lhe acontecia. O resultado foi totalmente devastador para a Nilsson e todo o circo da F1 que o adorava: um câncer terminal nos testículos. Nilsson se internou no Hospital Chaning Cross em Londres, um dos melhores do mundo no tratamento de câncer, na tentativa de se recuperar, mas as hipóteses de sobrevivência eram mínimas. A Arrows contratou Riccardo Patrese para o lugar de Nilsson. Os seus colegas de F1 o homenageavam como podiam e quando Andretti venceu em Zolder um ano depois da vitória de Nilsson, ele dedicou o triunfo ao seu amigo. Outra ironia na história de Nilsson na F1 foi que seu amigo Ronnie Peterson ficou em sua lugar na Lotus, mas o destino de ambos pareciam traçados. Em Monza, no Grande Prêmio da Itália de 1978, a Arrows de Patrese, cujo carro seria de Nilsson, tocou na Lotus de Peterson na largada, fazendo com que Ronnie batesse na lateral da pista e o carro explodisse em chamas. Peterson morreu no dia seguinte. Durante o funeral do amigo, Gunnar Nilsson fez sua última aparição pública, já muito fraco e sem cabelos. Nilsson morreu cinco semanas depois, menos de um mês antes de completar 30 anos.

Um ano depois da sua morte, a sua mãe Elisabetha lançou o Gunnar Nilsson Cancer Foundation, que se dedica à investigação e tratamento do câncer. Quando a sua mãe morreu, alguns anos mais tarde, toda a fortuna da família Nilsson reverteu-se para a Fundação, que se tornou uma das mais poderosas do seu país e graças as pesquisas dessa fundação, o índice de mortandade do cancêr nos testículos caiu de 90 para 10 por cento.

Classificação
1) Nilsson
2) Lauda
3) Peterson
4) Brambilla
5) Jones
6) Stuck