sexta-feira, 13 de julho de 2007

Boutsen, sempre devagar e sempre

O belga Thierry Boutsen não era o tipo de piloto que fazia uma volta sensacional na Classificação do sábado ou tirasse tudo do seu carro para conseguir uma ultrapassagem. Mesmo não sendo um piloto espetacular, durante uma década Thierry Boutsen refinou a arte de levar um carro até o fim da corrida sem destruí-lo, fazendo com que os donos de equipe admirassem o belga até o final de sua carreira. Porém, Boutsen teve algumas marcas em sua carreira, como sua bela corrida em Hungaroring em 1990, quando segurou uma fila de carros da primeira à última volta com seu Williams, inclusive tendo que segurar seu amigo Ayrton Senna nos últimos giros da corrida húngara. No dia de hoje, Boutsen irá se tornar um cinqüentão e por isso vamos dar uma olhada na carreira de Thierry.

Nascido em Bruxelas no dia 13 de Julho de 1957, Thierry Marc Boutsen cresceu vendo o seu ídolo Jacky Ickx encantar a todos os seus compatriotas correndo de Ferrari e Lotus na F1. Boutsen começou sua carreira no automobilismo em 1975 como estudante da Pilette Racing School localizado no circuito de Zolder, de propiedade do antigo piloto de F1 Andre Pilette. Na mesma época Boutsen tinha ingressado na faculdade para estudar engenharia, mas não tardou para Thierry deixar a engenharia de lado para se dedicar ao automobilismo. Em 1977 ele comprou um chassi Hawke para correr no campeonato belga de F-Ford 1600 e no ano seguinte ele trocou de Hawke para o chassi Crossle e venceu o campeonato Benelux de F-Ford 1600 com 15 vitórias em 18 corridas. Este foi o impulso que Boutsen precisava!

Em 1979 ele sobe de categoria e parte para a F3 européia e alemã e em 1980 Boutsen é contratado para ser o piloto principal da equipe de fábrica da Martini de F3, mesma equipe que tinha dado o título europeu para Alain Prost no ano anterior. Boutsen vence três etapas do campeonato em Nürburgring, Zolder e Magny-Cours e se torna vice-campeão no final do ano, perdendo o campeonato para Michele Alboreto. A equipe oficial da March fica interessada em Boutsen e o contrata para disputar o campeonato europeu de F2 em 1981. Boutsen só foi marcar pontos na sua quarta corrida, mas o fez conseguindo sua primeira vitória na F2 no circuito italiano de Enna-Pergusa. Boutsen ainda venceria a tradicional corrida em Pau, na França, e terminaria o campeonato mais uma vez com um vice-campeonato, perdendo o campeonato para Geoff Lees. Era o segundo vice seguido.

Nessa época Boutsen estava louco para subir para a F1, mas como não conseguiu lugar na categoria, resolveu ficar mais um ano na F2 em 1982. Com o forte patrocínio da Marlboro e ao lado de Stefan Johansson, Boutsen competiu pela equipe Spirit-Honda. Ele venceu três corridas em Nürburgring, na frente dos seus torcedores em Spa e repetiu a vitória no ano anterior em Enna-Pergusa. Mesmo com mais vitória do que no ano anterior, Boutsen ficou em terceiro no campeonato e o que foi mais dolorido foi ver que Corrado Fabi, seu antigo companheiro de equipe na March, levar seu March-BMW ao título. A Spirit estava com um projeto para iniciar uma equipe na F1 ao lado da Honda e em 1982 Boutsen e Johansson foram chamados para testar o novíssimo F1. Foi então que Boutsen teve a segunda decepção. Mesmo superando Johansson durante todo o ano na F2, o sueco foi o escolhido para ser o piloto da equipe na F1 em 1983. Para não dizer que 1982 foi perdido, Boutsen correu no Campeonato Europeu de Turismo e nos Sport-Protótipos, ganhando os 1000 km de Monza com o francês Bob Wollek.

Tentando desesperadamente correr de F1 em 1983, Boutsen consegue 500.000 dólares em patrocínio do Diners Club e compra seu lugar na Arrows, substituindo o brasileiro Chico Serra. E não poderia ser em um lugar melhor. Desde a saída de Ickx da F1 em 1979, os belgas procuravam um piloto para torcer e com os resultados de Boutsen na F2 e F3, ele parecia ser a maior esperança belga de repetir o sucesso de Ickx e para completar a alegria dos belgas, o velho circuito de Spa-Francorchamps estava de volta à F1 depois de treze anos de ausência. É nesse clima que Boutsen faz sua estréia na F1. Boutsen mostra velocidade logo de cara ao ficar em décimo oitavo, mas abandona apenas em sua quarta volta, com sua suspensão quebrada. No resto da temporada, o melhor que Boutsen conseguiu foram dois sétimos lugares e assim não pontuou na sua primeira temporada.

Em 1984 Boutsen acerta com a Arrows e fica mais um ano na pequena equipe, sendo que desta vez ele tem que esperar várias corridas pelo potente motor turbo BMW para poder andar mais à frente e no final do ano ele acabou ficando na 15ª posição do campeonato com cinco pontos. Em 1985 Boutsen finalmente consegue um resultado de destaque, mas com muita sorte. O Grande Prêmio de San Marino era conhecido por sua chegadas com vários carros ficando sem gasolina e em 1985 não foi diferente. Senna liderou a corrida inteira e ficou sem gasolina na penúltima volta. O antigo companheiro de equipe de Boutsen, Johansson assumiu a primeira posição, mas encostou sua Ferrari poucas curvas antes do final. Com isso Prost venceu a corrida. Ou pensou que venceu. Após a corrida, a McLaren estava 2 kg abaixo do peso e Prost foi desclassificado. Assim Boutsen (que cruzou a linha de chegada empurrando o carro sem combustível...) chegou em segundo lugar e visitou o pódio da F1 pela primeira vez. Mostrando que se dá muito bem em Nürburgring, Boutsen conseguiu um ótimo quarto lugar ainda em 1985 e finaliza o campeonato com 11 pontos e o 11º lugar.

Já nessa época Boutsen já era notado pelas equipes grandes, mas uma transferência não foi possível e o belga ficou mais um ano na Arrows em 1986. Ao contrário das suas expectativas, a Arrows não teve um bom carro e Boutsen não pontuou. Por sinal, ele conseguiu quatro sétimos lugares... Cansado do lenga-lenga da Arrows, Boutsen se transfere para a Benetton no lugar de Gerhard Beger, que tinha ido para a Ferrari. A Benetton não era um equipe grande, mas poderia lhe propiciar uma maior regularidade nos pontos. Contudo, o motor Ford se mostra frágil e Boutsen anda bem algumas corridas, mas dicilmente chegava ao final da corrida. Porém, quando via a bandeira quadriculada Boutsen marcava pontos e na última corrida do ano, na Austrália, o belga foi mais uma vez ao pódio. Só que nos livros de história. Na verdade, Senna foi o segundo colocado na corrida e subiu ao pódio, mas como seus freios estavam ilegais, ele foi desclassificado e o quarto colocado Boutsen subiu ao "pódio".

Já mais acostumado a Benetton e tendo um novo companheiro de equipe, Alessandro Nannini, a perspectiva de Boutsen era das melhores para 1988, mas a McLaren fez um carro espetacular e normalmente Senna a Prost fazia dobradinha. Com isso, as equipes brigavam pelo lugar mais baixo do pódio e Boutsen conseguiu esse feito em cinco oportunidades! Foi nessa temporada que o estilo de Thierry Boutsen ficou mais em evidência. Superado várias vezes por Nannini nas Classificações, Boutsen sempre chegava ao final das corridas de forma conservadora, marcava pontos constantemente para Benetton, dando o terceiro lugar no Mundial de Construtores para a equipe. O belga conseguia sua melhor posição no campeonato de pilotos (quarto) e o maior número de pontos (27). Boutsen já queria alçar vôos maiores e em 1989 é contratado pela Williams para substituir Nigel Mansell, que iria para a Ferrari. Esse foi um marco para a Williams, pois em 1989 foi o início do casamento entre a equipe de Frank Williams e a Renault.

A Williams ainda não tinha carro para superar McLaren e Ferrari, mas em Montreal Boutsen se aproveita da chuva, das quebras de Prost e Senna e finalmente consegue sua primeira vitória na F1! Era também a primeira vitória da Renault em sua volta à F1 e logo com dobradinha, pois Patrese alcançou a segunda posição. Mais significante para a Bélgica, essa vitória no Canadá era a primeira de um piloto belga desde 1972 com Ickx. Boutsen volta ao seu estilo discreto e consegue mais três pódios durante a temporada até conseguir sua segunda vitória, em Adelaide, também debaixo de muita chuva. Em seu primeiro campeonato numa equipe grande, Boutsen termina o campeonato em quinto, apesar das duas vitórias. A Williams crescia a olhos vistos e já estava consolidada como a terceira equipe do campeonato. Boutsen e Patrese melhorava a Williams-Renault e a chegada de Adryan Newey foi um upgrade necessário para a equipe.

Boutsen vinha fazendo um campeonato bastante regular, com dois pódios e muitos pontos marcados, enquanto Patrese arriscava e já tinha uma vitória em Ímola, mas poucos pontos. Em Hungaroring, uma pista muito travada, a Williams tira a diferença para McLaren e Ferrari e coloca seus dois pilotos na primeira fila, com Boutsen marcando sua primeira e única pole na F1. Se na Classificação a Williams tinha um bom ritmo, o ritmo de corrida era bem diferente. Muito diferente mesmo. Enquanto Boutsen se matinha em primeiro num ritmo bom, mas sem ser espetacular, o segundo colocado Patrese era atacado por McLarens, Benettons, Ferraris e a Tyrrell de Alesi. Quando Patrese tem que fazer uma parada e perde posições, Boutsen tem que se virar para segurar carros muito mais rápido que sua Williams. No final, Senna estava colado em Boutsen, mas o belga se segura e consegue sua terceira vitória na F1. Foi sua melhor corrida na carreira!

Por ironia do destino, essa vitória na Hungria foi o início do sue declínio. A Williams havia trazido Nigel Mansell de volta à equipe e precisava escolher qual dos seus dois pilotos iriam ter que ceder o seu lugar para Mansell. Boutsen foi o escolhido. Sem ter nenhuma equipe grande para ir, Boutsen vai para a decadente equipe Ligier. Mesmo com os potentes motores Renault, a Ligier estava longe dos seus melhores dias e Boutsen voltou aos dias em que lutava para marcar pontos. Mas na verdade é que em 1991, Boutsen não conseguiu colocar o carro azul nos pontos. Em 1992 a Ligier se uniu a Lamborghini e como era esperado o ano foi muito difícil, mas ao menos Boutsen saiu do zero e chegou em quinto lugar na Austrália. Já muito desmotivado, Boutsen saí da Ligier e graças aos seus patrocinadores consegue um lugar como segundo piloto da Jordan. Constantemente superado por Rubens Barrichello e já com 35 anos, Boutsen tem a idéia de transformar o GP da Bélgica de 1993 em um evento simbólico para o melhor piloto da nação desde Jacky Ickx. Após dez anos em atividade, a corrida em Spa seria a despedida de Boutsen da F1 na mesma pista onde estreou. Thierry, de forma atípica, abandonou na primeira volta com um câmbio quebrado.

Após sair da F1 Boutsen se torna um piloto costumaz das corrida de endurance, como as 24 Horas de Le Mans, inicialmente como piloto da Porsche. Em 1998 Boutsen se transfere para a Toyota, que inicivava um projeto de vencer as 24 Horas de Le Mans. Em 1999 ele guiava um carro da equipe japonesa quando sofreu um gravíssimo acidente em Le Mans, fraturando uma vértebra. Após esse susto, Boutsen resolve abandonar as pistas e se dedica a uma nova paixão: a aviação. Neste momento, Thierry Boutsen é fundador e presidente da Boutsen Aviation, uma firma que aluga jatos para executivos na Europa e nos Estados Unidos, e hoje Boutsen mora em Mônaco. Porém, quando o belga despacha seu seviços para pessoas abonadas que precisam ganhar tempo (contanto que não seja no Brasil...) e chegar aos seus detinos, Boutsen deve se lembrar de suas vitórias no molhado ao volante do seu Williams-Renault, ou ainda recordar com muita saudade da sua batalha no final do Grande Prêmio da Hungria com seu amigo Ayrton Senna.

Parabéns Thierry Boutsen!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

História: Mansell e suas vitórias em Silverstone

Como vimos nesse último domingo, a Inglaterra é apaixonada por automobilismo e quando um piloto inglês aparece com destaque na F1, o resultado são arquibancadas lotadas no velho circuito de Silverstone. A sensação Lewis Hamilton fez com que o amor adormecido dos ingleses pela F1 voltasse a tona após mais de dez anos sem um inglês se destacar na F1. Porém, a vinte anos atrás um piloto ainda mais carismático levava multidões aos Grandes Prêmios da Inglaterra. Nigel Mansell era um piloto que tinha se destacado bastante na F3 do seu país e por isso Colin Chapman apostou muito em Mansell e o colocou na F1 em 1980 como terceiro piloto e como piloto titular a partir do ano seguinte. Ao contrário do que esperava Chapman, Mansell não mostrou seu potencial logo de cara e o inglês passou quatro longos anos sem grande resultados na Lotus. Como nessa época a Inglaterra não tinha muitos pilotos para torcer, Mansell se tornou o queridinho da mídia inglesa e mesmo sem fazer nada nas pistas, "Our Nige" sempre teve lugar na F1. E assim ele conseguiu seu lugar na Williams para 1985. Mesmo com a força do motor Honda Mansell demorou a engrenar, mas no final da temporada ele conseguiu suas duas primeiras vitórias e para 1986 ele teria como companheiro de equipe o bicampeão Nelson Piquet. O brasileiro chegou com status de primeiro piloto, mas a velocidade de Mansell não permitiu que Piquet usufruisse dessa regalia e não demorou muito para que ocorressem brigas entre os dois, apesar da Williams ter o melhor carro e no final a Williams acabou perdeu o campeonato para a McLaren de Prost.

Em 1987 Mansell já começava o ano como favorito e com o Williams-Honda cada vez melhor a perspectiva era das melhores. Ledo engano. Mansell liderou nas seis primeiras corridas do ano, mas só tinha duas vitórias e via seus maiores rivais na F1, Senna e Piquet, na liderança do campeonato. Entuasiasmado com a vitória na França, Mansell chegou animadíssimo para seu Grande Prêmio natal. De forma surpreedente, a pole ficou com Nelson Piquet, mas Mansell largaria na primeira fila e teria ao seu lado a torcida inglesa que lotava Silverstone. Na largada Prost saiu na frente, mas ainda na primeira volta Piquet assumiu a primeira posição e Mansell ultrapassou o francês logo depois. Os dois cruzaram a primeira volta colados e a disputa seria entre os dois.

A torcida gritava loucamente, mas Mansell teve que fazer uma parada não programada nos boxes por problemas nos pneus. Ele voltou à pista ainda em segundo, mas 30s atrás de Piquet. Mansell estava impossível nesse dia e num ritmo alucinante ele foi se aproximando de Piquet. O ritmo de Mansell era tão forte que seu combutível poderia acabar a qualquer momento, mas o inglês resolveu arriscar e encostou em Piquet. Faltando três voltas, Mansell sai do vácuo de Piquet na reta Hangar, vai para esquerda, Piquet fecha e Mansell completa a manobra indo para a direita e ultrapassa seu companheiro de equipe no final da corrida. Mansell cruza a linha de chegada e seu carro fica parado sem gasolina poucos metros depois. A torcida inglesa invadiu a pista como nunca se tinha visto. Era a maior corrida da carreira de Mansell, mas isso não lhe deu o título daquele ano. Nem o de 88, 89, 90...

Após uma passagem pela Ferrari, Mansell voltou à Williams em 1991 e novamente tinha o melhor carro do ano, mas o Mansell não contava com as quebras da Williams, seu azar e o incrível desempenho de Senna naquele ano. Mansell foi vice pela terceira vez, mas o inglês sabia que o carro da Williams era o melhor de 1991 e com melhorias, 1992 prometia. E como! O Williams FW14 foi o melhor carro já construído na F1 e Mansell não teria que se preocupar com seu fraco companheiro de equipe, Patrese, e Senna não era problema, pois a McLaren estava longe de corresponder as expectativas. Mansell venceu as cinco primeiras corridas e o seu primeiro campeonato era questão de tempo. Mas faltava algo.

Mesmo tendo vencido em Silverstone em 1991, Mansell precisava dar um show na frente dos seus fãs que, como esperado, entupiram Silverstone. Logo no sábado, Mansell marcou uma pole com quase 2s de diferença em cima de Patrese. Ele permance em primeiro na largada e... desaparece! Mansell imprime um ritmo totalmente diferenciado e nem mesmo Patrese, que tinha o mesmo Williams de Mansell, consegue sequer chegar próximo do companheiro de equipe. Mansell é em média 1s mais rápido do que qualquer um naquele dia. Mesmo não brigando com ninguém dentro da pista, a torcida vibrava a cada passagem de Mansell, como se pedisse algo mais daquela dupla imbatível que humilhava a concorrência. Para provar como estava à vontade em Silverstone, Mansell marca a melhor volta da corrida na penúltima volta, quase 2s na frente do mais próximo concorrente.

Após a corrida, uma nova invasão da torcida, como se Mansell tivesse sido campeão naquela corrida. Mesmo vencendo o campeonato pouco depois, a emoção da torcida proporcionada a Mansell o fez se sentir campeão nos corações ingleses. Por coinscidência do destino, essas duas vitórias marcantes aconteceram num dia 12 de Julho. Uma data que nenhum torcedor inglês irá esquecer!

Bye, bye America

É uma pena a saída, anunciada hoje, de Indianápolis do calendário da F1. Por mais que os americanos não estejam nem aí para a categoria máxima do automobilismo, a corrida em Indianápolis tinha lá o seu charme. A curva oval contornada pelos F1 era muito legal e a corrida desse ano provou que Indianápolis é um circuito excelente para se ter uma corrida de F1. Sem dúvida alguma o que precipitou a saída de Indy foi a questão dos pneus em 2005 quando as equipes com Michelin abandonaram a corrida ainda na primeira volta. Se esse problema tivesse acontecido no Brasil, por exemplo, todos iríamos falar muito e quem pagou ingresso ia ficar puto, mas com certeza no ano seguinte a corrida iria se realizar de forma normal e talvez com o mesmo número de pessoas, mas isso ter acontecido nos Estados Unidos foi fatal para a tentativa de popularizar a categoria. Por mais que público superasse 100.000 pessoas nas corridas, os clarões nas arquibancadas refletiam o cada vez menor interesse do público de Indiana, que é louco por automobilismo independente da categoria. Bernie Ecclestone dizer que uma corrida nos E.U.A. não vale a pena é pura balela, pois todos sabem que a corrida americana era super importante para grande parte das montadoras envolvidas na F1. A partir de 2008 os americanos irão se contentar com Nascar e Indy, com apenas a MotoGP sobrevivendo ao mar de medicriocidade das corridas americanas.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Figura(ING): Felipe Massa

Dos quatro postulantes ao título, o que vem tendo mais azar é Felipe Massa, mas mesmo com alguns problemas - alguns por culpa dele próprio - o brasileiro fez uma belíssima corrida neste domingo em Silverstone. Mesmo sendo superado por Raikkonen em todos os treinos, Massa vinha acompanhando de perto seu companheiro de equipe e as McLarens, quando seu motor apagou no grid. Relegado às profundezas do pelotão, Massa seu viu em apuros e sem querer perder tempo foi ultrapassando quem viu pela frente. Foram nada menos que doze (eu disse doze!) ultrapassagens em pouco mais de onze (não estou brincando e contei) voltas. Contando com uma Ferrari nas mãos Massa fez mais do que sua obrigação ao ultrapassar Super Aguri e Spykers, mas o fez de forma sensacional! Após as paradas ele estava em quinto e colado em Robert Kubica e ao contrário da maioria dos pilotos atuais, foi para cima do polonês e só não ultrapassou pelo talento de Kubica e dos problemas que os carros da F1 tem com a perda de pressão aerodinâmica e no fim Massa teve que se contentar com a quinta posição. O ritmo de Massa foi tão forte que ele marcou a segunda melhor volta da corrida e isso foi a demonstração que se ele tivesse largado na sua posição original, ele faria uma corrida tão boa como a do vencedor Raikkonen. Mas como "se" não existe no esporte, Massa já está em quarto no campeonato, mas se ele manter sua "fome" como mostrou em Silverstone, Felipe também será um perigoso candidato ao título.

Figurão(ING): Lewis Hamilton

É esquisito um piloto que subiu ao pódio pela nona vez de forma consecutiva e é o líder do campeonato ficar nessa parte da coluna, mas pelo que vinha fazendo, Lewis Hamilton foi a grande desilusão do final de semana inglês. Correndo em casa pela primeira vez na F1, Hamilton chegou em Silverstone como líder do campeonato e com atuações cada vez mais surpreendentes e brilhantes, mas a pressão dos torcedores locais parece ter mexido com a tranqüilidade de Hamilton e em nenhum momento sua McLaren ficou acertada por completo. Desde os treinos livres o novato sensação desta temporada ficou na última posição dos que brigam pelo campeonato e sua pole, decidida na moedinha após a segunda parte da Classificação, foi o único suspiro do velho (?) Hamilton que vimos nas primeiras etapas de 2007. Mesmo mantendo a ponta na largada, Hamilton tinha nitidamente um carro inferior ao de Raikkonen e Alonso e no seu primeiro reabastecimento finalmente vimos um erro de principiante, quando Lewis quase sai dos boxes antes da hora. Em terceiro após a primeira rodada de paradas, Hamilton foi ficando para trás e de forma discreta chegou em terceiro a mais de 40s dos dois primeiros colocados. Mesmo com a liderança do campeonato mantida e a continuação de sua impressionante seqüência de pódios, Hamilton fez a pior corrida do ano justamente na frente de todos os seus fãs que esperavam desempenhos semelhantes aos da América do Norte. Porém, Hamilton ainda pode contar com a sorte, pois se Massa tivesse largado de sua posição no grid, dificilmente o inglês ficaria no pódio.

domingo, 8 de julho de 2007

História: 45 anos da primeira vitória da Porsche e Dan Gurney

A Porsche estreou na F1 em 1960 após obter sucesso na F2. A marca alemã construiu o primeiro carro refrigerado a ar, mas até 1962 a equipe não obtido nenhum resultado de maior destaque. Ferry Porsche já demonstrava sinais de impaciência, pois muito do seu tempo e, principalmente, dinheiro fora investido no carro de F1 e até o momento os frutos ainda não brotado na horta de Stuttgart. Receosos em perder seus empregos, os mecânicos da Porsche fizeram um promessa antes de começar a temporada de 1962: só tirariam a barba quando vencessem uma corrida. Coitadas as esposas desses mecânicos! O modelo 804 tinha problemas sérios de confiabilidade, principalmente no motor e na suspensão. Seus pilotos eram o experiente Jo Bonnier e o rápido Dan Gurney. Gurney era um excelente piloto, mas considerado com pouca sorte e mesmo com muita velocidade, ainda não tinha vencido na F1.

Após perder o Grande Prêmio da Bélgica a Porsche voltava à F1 no Grande Prêmio da França, que seria realizado no circuito de Rouen, que retornava ao calendário após cinco anos de ausência. Uma semana antes da corrida em Rouen, os pilotos de F1 participaram de uma corrida fora do campeonato em Reims e a vitória ficou com Bruce McLaren. Enquanto a Porsche voltava à F1, a Ferrari tinha ficado na Itália, numa queda de braço entre Enzo e os mecânicos da marca (sinais dos tempos!!), que fizeram uma greve e impediram que Phill Hill e Ricardo Rodriguez fossem para Les Essarts. Na Classificação Jim Clark ratifica seu bom momento e fica com a pole, a segunda da temporada com seu Lotus 25. Ao lado do escocês na primeira fila estavam seus principais rivais pelo campeonato, a BRM de Graham Hill e a Cooper de Bruce McLaren. Dan Gurney classificou seu Porsche apenas em sexto, na abertura da terceira fila enquanto Bonnier ficou apenas em nono. O Porsche particular de Carel Baufort de Godin ficou na penúltima posição.

Grid:

1) Clark(Lotus) - 2:14.8
2) G.Hill(BRM) - 2:15.0
3) McLaren(Cooper) - 2:15.4
4) Brabham(Lotus) - 2:16.1
5) Surtees(Lola) - 2:16.3
6) Gurney(Porsche) - 2:16.5
7) Gregory(Lotus-BRM) - 2:17.3
8) Ireland(Lotus) - 2:17.5
9) Bonnier(Porsche) - 2:17.9
10) Ginther(BRM) - 2:18.2

Na largada Hill sai melhor que Clark e assume a primeira posição. Surtees consegue uma espetacular largada e pula de quinto para segundo à frente de Clark, McLaren e Brabham. Gurney mantém sua posição e persegue os líderes de perto. As posições permanecem as mesmas até a décima volta quando McLaren tem problemas de câmbio e roda. O piloto da Cooper consegue manter seu carro funcionando e vai para os boxes na tentativa de consertar seu carro, mas isso faz que ele perca muito tempo parado. Na mesma volta Brabham saiu da corrida com a suspensão quebrada e com isso Gurney já aparecia em quarto e pressionando a Lola de Surtees. Na volta 13 Surtees vai aos boxes por causa de problemas de alimentação de combustível e ele volta à pista em oitavo lugar.

Hill continuava liderando com folga à frente de Clark e as duas Porsche, com Gurney à frente de Bonnier. Até o momento os carros alemães vinham se comportando bem, enquanto mais atrás Surtees iniciava uma bela recuperação ao ultrapassar o Cooper de Tony Maggs e Bonnier. Surtees já estava em quarto na volta 23 e se aproximando de Gurney! Na trigésima volta Graham Hill coloca uma volta no retardatário Jack Lewis, mas por azar o Cooper privado de Lewis fica sem freio nesse momento e Hill é acertado pelo retardatário. Hill saí da pista e perde a primeira posição para Clark. Contudo, a Lotus de Clark vinha apresentando problemas na suspensão e apenas três voltas depois o escocês encostou nos boxes da Lotus para abandonar. Hill estava de volta à liderança e com uma enorme vantagem em cima da Porsche de Gurney.

A essa altura Gurney tem que agüentar a forte pressão da Lola de Surtees. O Lola era mais potente, mas o Porsche era mais leve e ágil e como Rouen era um circuito sinuoso, Surtees não conseguia ultrapassar Gurney. Quando tudo indicava que Graham Hill venceria mais uma vez no ano, o motor BRM começava a falhar e o inglês teve que diminuir seu ritmo, enquanto dava a liderança de bandeja para Gurney. Hill abandonaria faltando apenas oito voltas para o fim com problemas de alimentação. Com a vitória próxima, Surtees pressionava ainda mais Gurney, mas o inglês tinha forçado seu Lola até o limite e um problema de câmbio fez com que Surtees diminuísse o ritmo e provocasse um incidente curioso. Surtees estava andando tão lentamente que pegou Maurice Trintignant de surpresa e para não bater na Lola, o francês desviou repentinamente e acabou atingindo a Lotus de Trevor Taylor. Os dois carros não sofreram danos.

A corrida em Rouen foi bastante dura e a vitória de Gurney não deixou de ser uma zebra, mas a equipe, e principalmente Gurney, mereceram a vitória e ao longo do ano lutaram bastante por ela. Não menos surpreendente foram o segundo lugar de Tony Maggs, o jovem companheiro de equipe de McLaren conseguia seu primeiro pódio, enquanto Richie Ginther conseguiu ser terceiro apesar de ter que controlar o acelerador com a mão, pois o cabo do acelerador tinha quebrado nas últimas voltas. Já pensou o Hamilton fazendo isso? Essa primeira vitória de Gurney foi a confirmação do talento deste norte-americano, mas isso não impediu que ele acabasse desempregado no final do ano. Gurney ainda conseguiria mais um pódio em Nürburgring à frente de uma "armada" da Porsche (para o seu GP natal a Porsche tinha inscrito cinco carros!), e ainda mais um 5º lugar em Watkins Glen. No final do ano Gurney ficou com a 5ª posição no Mundial de Pilotos e a Porsche também ficou em 5º posição no Mundial de Construtores, à frente apenas da Lola e da Brabham... foi muito pouco!!No final da temporada, Ferry Porsche, devido aos elevados custos que tinha também nas corridas de Sport-cars, tinha de optar por uma das competições para 63. Foi uma escolha fácil. O Porsche 718K, obtinha vitórias atrás de vitórias nos EUA e na Europa. Outra hipotese seria impensável e o sonho da Porsche em conquistar a F1 seria adiado em vinte anos.

Chegada:

1) Gurney
2) Maggs
3) Ginther
4) McLaren
5) Surtees
6) Godin de Beaufort

Ressurgindo das cinzas

A Ferrari e Kimi Raikkonen venceram o Grande Prêmio da Inglaterra do jeito que quiseram neste domingo, colocando ainda mais fogo no campeonato. Raikkonen podia ter consolidado sua vitória na largada, mas Hamilton fechou a porta e o finlandês teve que esperar dois reabastecimentos para finalmente assumir a liderança, que parecia ser sua de direito faz tempo. Como imaginei Hamilton era o mais leve dos quatro primeiros e chegou a ser muito pressionado por Raikkonen antes de sua parada, o que configurou em um raro erro do inglês. Por muito pouco Hamilton não imitava a presepada de Albers na França. Alonso colocou menos combustível para assumir a liderança após a primeira parada, mas como teve que parar antes, não foi páreo para Raikkonen. Massa, coitado, ficou parado no grid e mesmo dando show nas primeiras voltas, teve que se contentar com a quinta posição.

Com a segunda vitória consecutiva e terceira da temporada, Raikkonen se torna um perigoso candidato ao título e mesmo ainda longe do líder Hamilton suas performances na França e na Inglaterra mostram que Kimi finalmente acordou do seu longo sono regado a vodca. Todos esperam um título de Raikkonen e quando todos pensavam que ficaria mais um ano chupando o dedo, eis que o finlandês resolve andar do mesmo jeito que 2005, onde ele ficou com um imerecido vice campeonato. Quem deve mais lamentar essa subida de Raikkonen é Massa e o pior é que o brasileiro já foi até ultrapassado pelo companheiro de equipe no campeonato e dentro da Ferrari isso pode ser fatal para Felipe. Quando Massa estava matando Raikkonen a tapa todos esperavam que a Ferrari escolhesse logo Massa como primeiro piloto, mas com mais da metade do campeonato percorridos eis que Raikkonen agora está na frente e com um campeonato podendo ser decidido nos detalhes como esse ano, a escolha de Jean Todt será breve e é bom que Felipe esteja mais à frente no campeonato. Isso sem contar que Kimi ganha muito mais que Felipe e isso será levado muito em consideração.

Pelos lados da McLaren, Alonso superou com muita folga Hamilton e conseguiu o que ele desejava quando aportou em Silverstone: deixar para trás seu companheiro de equipe. O espanhol acertou muito bem seu carro e chegou a liderar por um bom tempo a corrida, mas estava na cara que ele seria ultrapassado por Raikkonen na segunda parada e assim aconteceu, mas ao menos Alonso tentou. Hamilton conseguiu mais um pódio, mas se Massa tivesse largado da sua posição dificilmente Hamilton estaria entre os três primeiros. O ritmo de corrida do líder do campeonato ficou bem abaixo do esperado hoje e com certeza deixou a torcida inglesa bastante decepcionada.

Como aconteceu em Magny-Cours, Robert Kubica mais uma vez foi o melhor do resto, mas desta vez ainda ficou na frente da Ferrari de Felipe Massa. O polonês teve que suar muito para segurar Massa no final da corrida e ao contrário da maioria dos pilotos Massa tentou de todas as formas ultrapassar Kubica, mas o polaco segurou firme e foi quarto pela segunda semana consecutiva. Heidfeld fez um GP bem apagado e aos poucos seus bons desempenhos do começo do ano vão sendo suplantados pelo ressurgimento de Kubica.

A Renault ficou longe da BMW mais uma vez trinta anos após os carros amarelos estrearem no mesmo Silverstone. O destaque negativo foi para as ordens de equipe logo no começo da corrida, quando Kovalainen deixou Fisichella passá-lo, mas Fisico não estava num bom dia e acabou ultrapassado por Kova nos boxes e Briatore resolveu não mexer mais nas posições dos seus pilotos. O interessante é que ninguém da transmissão da Globo percebeu a troca, dizendo que Fisichella estava tendo problemas, quando na verdade ele é que estava na frente de Kovalainen...

A Honda fez uma corrida estratégica e por isso parou apenas uma vez, fazendo com que seus pilotos conseguisse várias posições, porém, com Barrichello ficando fora dos pontos por apenas uma posição, seguido por Button. A Red Bull segue seu inferno astral e Mark Webber foi o primeiro a abandonar a corrida com problemas hidráulicos, o mesmo problema que aflingia Raikkonen na McLaren em 2005. Quem era o projetista? Adryan Newey! Coulthard fez mais uma corrida sem vergonha e ficou em décimo primeiro, colado em Button. A Williams pagou com o problema de Rosberg na Classificação e para piorar, errou na estratégia, ao fazer com que o alemão largasse mais leve e fizesse duas paradas. Rosberg até que vinha num bom ritmo, mas empacou em Coulthard e toda estratégia foi por água abaixo. Wurz teve uma briga interessante com Speed, mas o americano acabou fora da corrida e o austríaco, mais uma vez, ficou atrás de Rosberg.

Outra que vem sofrendo é a Toyota. A montadora japonesa até que conseguiu colocar seus carros entre os dez primeiros do grid, mas na corrida o desastre foi total. Ralf, talvez desacostumado a largar na frente, perdeu várias posições e ainda no começo da corrida abandonou. Trulli começou a corrida mal, fugiu de suas características ao não lutar com Massa e também abandonou. Do jeito que vai, nem uma mistura de Fangio, Senna e M.Schumacher pode dar um jeito na Toyota. A Toro Rosso foi outra que não chegou com seus dois carros até o final e a Super Aguri agora se arrasta pelas pistas, com Sato ficando em penúltimo. Davidson teve problemas em seu carros, mas sua vontade de correr em casa era tanta que ele voltou à pista depois de ficar várias voltas parado, porém acabou abandonando de vez algumas voltas depois. Albers continuou em último e quando Sutil abandonou, o holandês ainda estava em último...

A corrida em Silverstone só foi animada quando Massa estava lá atrás ultrapassando todos que vinham pela frente. A Globo valorizou muito esse bom momento de Felipe com várias reprises das ultrapassagens, porém, com uma Ferrari, fez mais do que a obrigação, pois se não fosse seus problemas no grid, ele só veria os carros que ultrapassou quando colocaria volta neles. Mas que foi bonito, foi! Porém, Kimi não deve ter ligado muito para isso e vai com tudo para cima das McLarens na briga pelo campeonato, contudo, da mesma forma que a Ferrari virou em cima da McLaren nas duas últimas corridas, o inverso pode acontecer a qualquer momento. Esse campeonato está bem melhor do que o esperado e as corridas ainda estão melhorando! Viva!