sábado, 13 de setembro de 2008

A bolinha caiu no número 15


Dizem que há algumas verdades na F1 e uma delas é que o Grande Prêmio da Itália realizado em Monza sempre é disputado com sol e um clima agradável. Tanto que a história recente da F1 só apresentou duas corridas na Itália levamente molhadas em 1981 e 2004. Talvez desacostumadas com o clima apresentado nesse final de semana, as equipes apostaram no que podia acontecer na encharcada Classificação de hoje e quem ganhou a "Mega Sena" foi a Red Bull, que colocou três carros entre os quatro mais rápidos de hoje e confirmou o talento desse jovem alemão chamado Sebastian Vettel.

A Toro Rosso, que a três anos atrás era conhecida como Minardi e sempre fechava o grid, conseguiu um verdadeiro resultado de sonho ao conseguir sua primeira pole da história com Vettel e por muito pouco não colocou Bourdais na entrevista coletiva, com o francês perdendo a terceira posição para o "primo" Mark Webber no finalzinho. A festa proporcionada pela equipe entrará para a história, assim como podemos estar vendo a história acontecer com Vettel conquistando sua primeira pole na carreira. Alemão de apenas 21 anos de idade, Vettel mostrou talento em todo o ano de 2008 e já no ano passado, conquistou ótimos resultados com pista molhada na China e no Japão e corroborando com seu enorme talento na chuva, conseguiu uma pole histórica hoje. Não demorará e Vettel estará em uma equipe que lhe proporcionará disputar vitórias e títulos.

Com o primeiro piloto da equipe de fora do Q3 por um erro inacreditável da McLaren, Heikki Kovalainen perdeu a pole por muito pouco e deve ter ficado com um sentimento de frustração, pois liderou tanto a Q1 como o Q2. Uma vitória verdadeira era possível se o finlandês conseguisse a pole hoje, mas as coisas ficarão um pouco mais complicadas na largada de amanhã. Para Hamilton ficou a ingrata missão de largar lá de trás e tentar se livrar dos incidentes que normalmente ocorrem na primeira curva. Numa temporada que será lembrada pelas trapalhadas da Ferrari, a McLaren fez sua primeira grande burrada do ano ao deixar Hamilton tempo demais nos boxes e quando o inglês foi a pista, a chuva tinha aumentado e o asfalto encharcado impediu qualquer tentantiva mais séria de Hamilton. É por essas e outras que um título pode ir para as cucuias e Hamilton sabe muito bem disso.

Se a Toro Rosso ficou com o prêmio maior, Massa se conformou de bom grado com a "quina", ao conquistar a sexta posição e olhar de binóculos para encontrar seus principais adversários. Se Hamilton largará em décimo quinto, Kimi logo à frente do piloto da McLaren e vê suas chances praticamente insignificantes irem para o beleleu. Se Massa tiver paciência e juízo, deverá sair de Monza com a liderança do campeonato no bolso, mas a forma como andou na chuva mostrou que o brasileiro ainda sente enormes dificuldades na chuva e a Ferrari realmente não se acerta com o piso fica com menos aderência.

Sebastien Bourdais, assim como Kimi semana passada, parece ter acordado e finalmente mostra todo o seu talento na F1. Sempre acreditei no francês, mas acho que essa reação veio um pouco tarde demais, pois as declarações de Toro Rosso e do próprio francês são extremamente negativas, mas Seb foi rápido em todas as sessões debaixo de chuva. Num Q3 cheio de figuras novas, destaque para a volta da Williams de Rosberg ao quinto posto e o bom rendimento da Toyota, com seus dois pilotos na Q3, apesar de Glock ter decepcionado um pouco no momento decisivo da Classificação, pois tinha andado muito bem vários momentos chuvosos. Fernando Alonso levou seu Renault no braço para o Q3 e como a porta da Ferrari está fechada, dificilmente terá algo muito melhor pela frente.

A BMW foi grande decepção de hoje após uma ótima sexta-feira, com Heidfeld sendo o único a passar para o Q3, enquanto Kubica largará em décimo primeiro. O polonês já começa a demonstrar sinais de descontentamento com uma ligeira preferência para com Heidfeld. Coulthard, como sempre, foi o patinho feio da Red Bull e largará bem mais atrás do que seus companheiros de equipe, enquanto Fisichella mostrou o crescimento da Force India e seu talento em condições difíceis ao largar amanhã em décimo segundo, mas do piloto que mais se esperava da equipe, Adrian Sutil, ficou a decepção com a última posição do alemão, apesar dele ter andado forte na maior parte do tempo. Nelsinho Piquet nunca se encontrou em Monza, enquanto a Honda, nem debaixo de chuva, mostra algo mais do que ser a única equipe a ter ficado de fora do Q2.

Ainda com relação a história em Spa, fiquei chocado com as declarações de Galvão Bueno e, principalmente, Reginaldo Leme. Vendo em sites e blogs durante esta semana, foi quase unânime a discordância pela punição a Hamilton semana passada. Pois a dupla global abriu a boca para, não apenas concordar com aquele absurdo, como dizer que todo o mundo concordou com a punição a Massa. É por isso que cada vez mais gente está assistindo as corridas no mudo e ouvindo pela rádio...

Para desespero de muita gente, a previsão para amanhã é ocorrer tanta chuva como hoje. Será o aquecimento global? Pela forma como andou hoje, diria que Vettel tem ótimas chances de fazer história novamente e Massa, novamente, ter juízo e cabeça, sair da Itália com a liderança no bolso. Mas nunca deveremos nos esquecer que as grandes corridas de Hamilton esse ano foi debaixo de chuva e isso pode ser repetir novamente. Em quem vocês apostam?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

História: 20 anos do Grande Prêmio da Itália de 1988


A F1 estava de luto quando chegou a Monza na primeira metade de setembro. Enzo Ferrari, que tinha ajudado a própria F1 em diferentes épocas, morreu aos 90 anos de idade. A Ferrari perdia seu carismático fundador e por coinscidência, correria pela primeira vez após a morte de Enzo no mítico circuito de Monza, para o Grande Prêmio da Itália. Porém, nem tudo eram flores para Monza, pois o circuito sofria a ameaça de ser posta para fora do calendário da F1 por causa de sua grande velocidade.

Como esperado, a McLaren comandou as ações e Ayrton Senna conquistava a décima pole na temporada, com Prost completando a primeira fila. O francês começava a ver a vaca indo para o brejo, pois Senna o batia constantemente na Classificação e nas corridas e o brasileiro já começava a sobrepor Prost. O único consolo para a Ferrari era colocar seus dois pilotos na segunda fila, mas, ao contrário do que normalmente aconteceu em 1988, os carros vermelhos ficaram relativamente próximos da McLaren. Um fator aparentemente insignificante faria uma enorme diferença no domingo. Nigel Mansell estava com sarampo e não pôde participar do Grande Prêmio da Bélgica e não estaria pronto para correr em Monza. Em Spa, Martin Brundle substituiu Nigel na Williams, mas como Brundle tinha um contrato com a Jaguar no Mundial de Esporte-Protótipo, a Williams teve que recorrer ao seu piloto de teste, o até então inexpressivo Jean-Louis Schlesser. Mostrando estar fora de ritmo, o francês foi apenas vigésimo segundo no grid.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:25.974
2) Prost (McLaren) - 1:26.2
3) Berger (Ferrari) - 1:26.654
4) Alboreto (Ferrari) - 1:26.988
5) Cheever (Arrows) - 1:27.660
6) Warwick (Arrows) - 1:27.815
7) Piquet (Lotus) - 1:28.044
8) Boutsen (Benetton) - 1:28.870
9) Nannini (Benetton) - 1:28.958
10) Patrese (Williams) - 1:29.435

O dia 11 de setembro de 1988 amanheceu com bastante sol, num clima típico para o Grande Prêmio italiano. Não faltaram homenagens no domingo a Enzo Ferrari e Ronnie Peterson, morto dez anos antes em Monza. Mesmo sabendo que a Ferrari dificilmente bateria a McLaren em condições normais, os tifosi encheram Monza na esperança de um milagre em nome de Comendatore. Na largada, os ponteiros permanecem nas mesma posições, com Senna sendo perseguido por Prost e as Ferraris.

A corrida era extremamente chata, sem nenhuma troca de posições. Senna se afastava de Prost, que se afastava das duas Ferraris, que se afastava das duas Arrows de Cheever e Warwick. A corrida parecia ser concentrada em três duplas na frente e parecia que a corrida terminaria assim. Então, o espírito de Enzo Ferrari começou a baixar em Monza. O motor Honda era, disparado, o melhor da F1, pois além de extremamente potente, simplesmente não quebrava. Pois na volta 34 Prost começou a diminuir, diminuir... até ir para os boxes com... o motor quebrado! Será que era o início do milagre?

Faltava bater o mais difícil dos adversários naquele momento, que era a imbatível McLaren de Ayrton Senna. Timidamente, as duas Ferraris começaram a se aproximar do brasileiro, mas poucos podiam acreditar numa briga mais forte. Senna estava mais preocupado em colocar voltas nos retardatários e administrava a corrida a seu bel-prazer. Se uma Ferrari se aproximasse demais, era só forçar três voltas e ponto final. Mas havia um problema. Até então, Senna nunca tinha se dado muito bem em Monza e em 1987 perdeu a vitória nas últimas voltas ao passar reto na curva Parabólica. Essa era a grande chance, pensou Senna! Porém...

Schlesser vinha fazendo uma prova pra lá de discreta e nem aparecia na TV. Na abertura da antepenúltima volta, o piloto da Williams vê a McLaren de Senna em seu retrovisor para colocar a segunda volta nele. Era o final da reta dos boxes e Senna usou a potência do seu motor Honda turbo para se aproximar de Schlesser ainda na Chicane. Em décimo primeiro na corrida, o francês tentou dar todo o espaço possível, mas Senna ainda tinha aquele impetuosidade que chegava a parecer de um piloto de F-Ford. Schlesser chegou a colocar o seu carro na terra, mas Senna pensou que a manobra já estava completa e fez a segunda perna da chicane normalmente e atingiu a Williams de Schlesser, quebrando a suspensão traseira direita na hora e ainda ficando equilibrado em cima da alta zebra. O milagre estava consumado!

Os tifosi foram a loucura! Quando Berger viu Senna com sua McLaren em cima de uma zebra e abandonando, ele não deve ter acreditado. Para melhorar ainda mais, Alboreto vinha logo atrás e como homenageando a memória de Enzo Ferrari, a escuderia de Maranello conseguiu uma inesquecível dobradinha! Monza viveu momentos mágicos e Alboreto vivia seus últimos momentos como piloto da Ferrari, já que estava praticamente fora da equipe para 1989. Berger comemorava sua terceira vitória pela Ferrari e Cheever completava o pódio, 25 anos depois de ter assistido sua primeira corrida de automovéis em Monza. Foi um pódio especial e um milagre tinha contecido na F1, com a benção de Enzo Ferrari.

Chegada:
1) Berger
2) Alboreto
3) Cheever
4) Warwick
5) Capelli
6) Boutsen

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Vídeo

Nesse vídeo, alguns fatos interessantes:

- Novos ângulos do acidente
- O salvamento comandado por James Hunt
- Didier Pironi conversando com Peterson caído no meio da pista
- O resgate de Vittorio Brambilla
- E a melhor: Clay Regazzoni quase batendo em Bernie Ecclestone!

O sueco voador


Poucos pilotos tiveram a capacidade de atrair público unicamente com sua presença. Não importando se iria vencer ou não. Bastava Ronnie Peterson estar na pista para que o show estivesse garantido. Dono de um estilo único de guiar, Peterson cativou fãs em todo mundo andando de lado em curvas de raio longo e pela sua agressividade. Ronnie se juntou a Stirling Moss e Gilles Villeneuve como os "Campeões do Povo", pois se não foram Campeões Mundiais, conquistou inúmeros fãs em todo o mundo. Em Interlagos, havia disputa entre os fiscais para ficar na curva Laranjinha e ver suas atravessadas controladas. Na Argentina, sempre havia faixas saudando o piloto na curva mais perigosa do circuito, a Viborita. Completando 30 anos da sua morte essa semana, iremos conhecer um pouco da rica biografia do "Super Sueco".

Bengt Ronald Peterson nasceu na cidade de Örebro no dia 14 de fevereiro de 1944 e desde cedo teve as corridas e os carros como rotina. Seu pai, Bengt Peterson, foi um reconhecido piloto de speedway e no final de sua carreira participou também de corridas de automóveis. Bengt era apaixonado por motos e carros e ele próprio acertava suas máquinas para correr, mas ele teve que abandonar a faculdade de engenharia para cuidar dos negócios da família: uma padaria. Quando tinha oito anos de idade, Peterson ganhou seu primeiro carro de corrida construído pelo pai e logo isso se tornou seu brinquedo favorito. Tanto que acabou esquecendo da escola e dos outros esportes. Aos 16 anos Ronnie abandonou a escola para ser mecânico da concessionária local da Renault. Peterson corria sempre que podia, seja no seu improvisado carro de corrida, seja de motos. Como na Suécia a superfície sempre era escorregadia, Ronnie praticava seus dotes de piloto em qualquer tipo de terreno e com isso foi ganhando uma confiança em andar de lado que marcaria toda a sua carreira.

Quando a primeira pista de kart permanente foi construída na Suécia na cidade de Laxa em 1961, Peterson pediu ao pai para que construísse um kart para ele e isso foi o início da lenda! Curiosamente Peterson perde o campeonato em sua estréia para uma moça chamada Inge Nilsson. Porém, Peterson vence quatro campeonatos suecos seguidos e se torna campeão europeu de kart em 1965 e fica em terceiro lugar no Mundial da categoria em 1966, na edição realizada em Copenhage. Para financiar sua carreira, Ronnie decide abandonar seu cargo de mecânico na Renault e se torna técnico em elevadores. Contudo, Peterson já tinha em mente o que queria ser. Já pensando em seu futuro no automobilismo, ainda em 1966 Ronnie participa do seu primeiro teste em um monoposto, um F3 construído pelo pai, que na verdade era um Brabham F3 disfarçado. Seu orientador é o compatriota e amigo Reine Wisell e sua primeira corrida é em Dalsland, onde consegue um impressionante terceiro lugar.

No ano seguinte Ronnie compra um Brabham F3 de Kurt Ahrens, mas na sua primeira corrida com o carro sofre um sério acidente e o destrói. O carro é reconstruído, mas Peterson sofreria outros acidentes durante a temporada e termina o campeonato sueco em quinto, com Wisell como campeão. Em 1968, Peterson passa a correr com o Tecno e participa de suas primeiras corridas internacionais, inclusive em Monza, pista que lhe marcaria bastante. Ronnie vence as três primeiras corridas do campeonato sueco de F3 e termina o ano como campeão com doze vitórias. Em 1969 Peterson participa do Campeonato Europeu de F2 e F3, onde consegue 16 vitórias em 31 largadas, mas o seu triunfo mais marcante foi em Mônaco, quando protagonizou juntamente com o seu antigo professor Reine Wisell um disputa inesquecível roda a roda nas apertadas ruas do principado. Isso chama a atenção das equipes de F1, que começam a olhar com mais carinho para esse sueco de estilo extremamente arrojado. Ainda em 1969, Ronnie conhece uma modelo, filha de um comerciante de tintas, numa discoteca de Örebro e logo estariam namorando. A bela Barbro Edwardsson ganharia o sobrenome Peterson mais tarde e os dois ficariam juntos até o fim.

Peterson é contratado pela equipe March de F2 e consegue resultados medianos, com apenas dois terceiros lugares em Tulln e Hocknheim. Porém, o talento do sueco era indiscutível e a March coloca Peterson para correr também na F1. Ronnie faz sua estréia na categoria principal no Grande Prêmio de Mônaco, exatamente um ano após sua grande apresentação num F3. Sua performance impressiona e por pouco não consegue pontuar logo na estréia, ficando em sétimo. O chefe de equipe da March, Max Mosley, declarou na época. "Escreve que Ronnie é fantástico - mas não diga isso a ele". O ano de 1970 pode ter sido trágico para a F1 com as mortes de Bruce McLaren, Piers Courage e do campeão Jochen Rindt, mas também foi marcante pelo aparecimentos de grandes pilotos que marcariam toda a década, como o próprio Peterson, além de Emerson Fittipaldi, François Cevert e Clay Regazzoni. Peterson permanece mais um ano na March e consegue um mais do que surpreendente vice-campeonato com cinco segundos lugares e nenhuma vitória. Mas a diferença de 39 pontos para o campeão Jackie Stewart foi uma das maiores da história...

Se não venceu na F1, Peterson guardou as vitórias para as outras categorias. Na F2 Européia, Peterson domina a temporada 1971 da mesma maneira que Stewart e vence o campeonato com boa vantagem em cima do argentino Carlos Reutemann após conseguir cinco vitórias (Truxton, Rouen, Mantorp Park, Tulln e Vallelunga). Porém, Peterson permanece mais uma temporada na March e em 1972 a equipe inglesa erra a mão e Peterson faz do seu talento o único aliado, conquistando apenas um pódio em Nürburgring e poucos pontos em outras corridas. No Mundial de Esporte-Protótipos, Ronnie vence em Buenos Aires e Nürburgring pela Ferrari. O sueco nunca guiaria pela equipe italiana na F1. A essa altura todos já sabiam que o talento de Peterson era pequeno demais para a March e que o sueco merecia a oportunidade de estar numa equipe grande. A Lotus acabara de se tornar campeã mundial com Emerson Fittipaldi, mas não tinha um bom segundo piloto e Colin Chapman contrata Peterson para 1973.

Indubitavelmente essa seria a grande chance de Peterson, mesmo tendo o atual campeão mundial ao seu lado. A tocada forte de Peterson chama a atenção de todos e nos treinos superava Fittipaldi com certa freqüência. A diferença entre Ronnie e Emerson era abissal, pois enquanto Peterson corria com o pé, Fittipaldi corria com a cabeça e o resultado era que nas primeiras cinco corridas Peterson tinha três poles e quatro abandonos e Emerson tinha três vitórias. Porém, Emerson estava em processo de renovação de contrato e Chapman, querendo pagar menos ao brasileiro, tentava colocar Peterson contra o brasileiro. A tática não funcionou simplesmente porque os dois eram grandes amigos fora da pista, mas Peterson começava a ocupar o espaço de Fittipaldi dentro da equipe. Em Mônaco, Ronnie conquistava seu primeiro grande resultado no ano com um terceiro lugar e no primeiro Grande Prêmio da Suécia de F1, Peterson perde a corrida por pouco para a McLaren de Denny Hulme. Nessa progressão, Peterson tinha tudo para conseguir sua primeira vitória brevemente e não deu outra! Em Paul Ricard, o sueco fez uma ótima prova e venceu pela primeira na F1. Enquanto o final do ano se aproximava, a disputa entre Fittipaldi e Stewart pelo título pendia a favor do escocês, principalmente por que a Lotus não definia o primeiro piloto. Vindo de uma vitória na Áustria, Peterson era favorito para vencer em Monza.

Fittipaldi dependia de uma vitória para permanecer na briga pelo título e a Lotus vinha numa ótima fase. No rápido circuito de Monza, a Lotus dominou amplamente com Peterson, o pole, sempre à frente de Emerson. Antes da prova ficou decidido que Chapman faria um sinal para Peterson para que deixasse Fittipaldi passar e por isso o brasileiro não forçava o ritmo. E nem Peterson. As voltas foram passando e o tal sinal não aparecia e para frustração do brasileiro, Peterson recebeu a bandeirada em primeiro e Emerson decidiu sair da Lotus. Ronnie ainda venceria o triste Grande Prêmio dos Estados Unidos, que viu na véspera a morte de François Cevert, e o sueco terminou o campeonato num ótimo terceiro lugar e quatro vitórias. Com a saída de Fittipaldi, Peterson teria outro grande piloto como companheiro de equipe em 1974: Jacky Ickx. Porém, o tempo do belga na F1 já tinha passado e Ronnie domina o companheiro de equipe com certa facilidade. O problema era a Lotus. Colin Chapman tinha construído um novo carro, o revolucionário Lotus 76, mas infelizmente o carro não é tão bom quanto Colin tinham esperado. Logo a Lotus volta a utilizar o velho modelo 72, que datava de 1970, e com ele Peterson ainda consegue três vitórias (Mônaco, França e Itália) e termina o campeonato na quinta posição.

Para frustração de Peterson, a Lotus não tinha um carro novo pronto e iria para a sexta (!) temporada seguida com o modelo 72. Apesar do carro ter entrado para a história, o projeto já estava defasado e 1975 seria um ano nulo para a Lotus e Peterson. O resultado é um decepcionante décimo segundo lugar no campeonato e as primeiras brigas com Colin Chapman. Porém, nem tudo são espinhos para Peterson e ele se casa com Barbro no dia 20 de abril de 1975 e no dia 4 de novembro nasce a única filha do casal, Nina. A família Peterson se muda para Mônaco e teriam como vizinho outro sueco famoso: Björn Borg. No início de 1976, Peterson fica furioso com o novo carro da Lotus, o modelo 77, e abandona a equipe logo depois da primeira etapa, quando Ronnie teve que largar em décimo oitavo e abandonou após um acidente. Muitos já pensavam que o tempo de Peterson já tinha passado e que ele estava acabado. Com todas as vagas em equipes boas já preenchidas, só resta a Peterson voltar às origens e pilotar pela March para o resto do ano. Além do carro ser ruim, a equipe era meio mambembe, mudando de patrocínio em toda corrida e Peterson pouco pôde fazer com tamanha cadeira elétrica. Porém, Peterson mostra um pouco da sua magia ao conseguir uma improvável vitória em Monza, sua terceira na carreira na pista italiana. No final do ano Ronnie é contratado pela Tyrrell no famoso P34 de seis rodas.
O carro era chamado de "anti-Peterson", por ser pesado e não combinava com o estilo de Peterson fazendo curvas de lado nas quatro rodas. Antes da temporada começar, Peterson parecia concordar ao dizer que não venceria com aquele carro e a projeção realmente aconteceu. A Tyrrell já começava a mostrar o seu longo declínio e o P34 tinha problemas com os pneus, pois a Goodyear simplesmente não desenvolvia os pequenos pneus de 10 polegadas. Tudo o que Peterson conseguiu foi um terceiro lugar no Grande Prêmio da Bélgica e um fim quase que anunciado de carreira. No final do ano, Peterson sofreria um acidente que acabaria na morte de dois espectadores durante o Grande Prêmio do Japão. O outro piloto envolvido seria uma espécia de sucessor de Peterson: Gilles Villeneuve. Porém, Colin Chapman veio com uma proposta quase que indecente. A Lotus voltava aos momentos de glória com o carro-asa e por muito pouco Mario Andretti não venceu o campeonato de 1977. Com o carro novo, a equipe era a favorito para aquele ano, mas Chapman precisava de um bom segundo piloto. Com Peterson nas ruas da amargura, Chapman contrata Ronnie, mas o sueco não poderia atacar Andretti durante as provas e apenas seria seu escudeiro.

Surpreendentemente Peterson aceita o convite e cumpre seu pápel de forma fiel. Em algumas provas, Ronnie parecia mais veloz do que o americano, mas simplesmente não o atacava. Em certas ocasiões, Peterson tinha um equipamente defasado ao do companheiro de equipe, mas nunca reclamava. Quando Andretti abandonou, Peterson conseguiu suas duas últimas vitórias na carreira na África do Sul e na Áustria, inclusive com uma sensacional disputa na última volta em Kyalami com Patrick Depailler. Quando a F1 chegou a Monza, todos sabiam que Andretti era o campeão, mesmo com Peterson ainda com chances matemáticas. Na época, todos faziam as contas com a diferença entre Andretti e o terceiro colocado no campeonato. Peterson negociava abertamente com a McLaren para substituir o seu amigo James Hunt. Na semana da corrida, Peterson foi questionado sobre os motivos porque não deixava sua posição de segundo piloto da Lotus e disputava abertamente o título com Andretti: “Eu vou para a McLaren no ano que vem. Não foi anunciado ainda, mas Mario sabe. Essas pessoas que dizem que eu deveria esquecer nosso compromisso agora… eu não as entendo. Eu tinha meus olhos bem abertos quando assinei o contrato, e dei minha palavra. Se eu a quebrar agora, quem vai confiar em mim?”

Durante o final de semana do Grande Prêmio da Itália, Peterson já havia enfrentado problemas nos treinos, ao danificar o carro e machucar as pernas – não havia carro reserva para ele, apenas para o companheiro Mario Andretti, que era muito mais baixo do que ele. O sueco não conseguia sequer entrar direito no carro do americano. A outra opção disponível era um modelo do ano anterior. Isso ajudaria nos acontecimentos a seguir. Nessa corrida em Monza, a F1 estrearia o seu mais novo aspecto tecnológico: o semáforo. Ao invés de ser dada a bandeirada com a bandeira do país anfitrião, a largada seria dada com o velho sinal verde, igual ao que vemos nas ruas. Mario Andretti largaria na pole ao lado da Ferrari de Gilles Villeneuve, enquanto Peterson largaria em quinto, com Hunt em décimo e Patrese em décimo segundo. Antes da largada, Ronnie estava preocupado pois largaria logo atrás do terceiro colocado Jean-Pierre Jabouille da Renault, que tinha um motor turbo extremamente potente, mas muito lento na saída. Sua preocupação ficaria claro mais tarde. O diretor da prova, Gianni Restelli, atrapalhou-se com a novidade: antes que os carros das últimas filas do grid houvessem parado, foi acionada a luz verde. Os pilotos que vinham de trás, portanto, arrancaram em maior velocidade, o que fez com que todos os carros chegassem juntos ao ponto em que a reta se estreitava antes da Chicane Goodyear.

Patrese, a revelação daquele ano, toca na McLaren de Hunt, que toca na Lotus de Peterson, que tinha largado lentamente. Mais tarde, Hunt diria que ouviu o carro de Peterson ratear antes da largada, provavelmente pela pouco preparação do carro reserva de Peterson O Lotus de Peterson foi jogado para fora da pista, de encontro ao guard-rail do lado direito. A batida tinha sido extremamente forte. Imediatamente o tanque completamente cheio da Lotus quebra e o carro se torna uma pira de fogo. A frente da Lotus fica totalmente destruída e dez carros estavam envolvidos. Ronnie ficou preso às ferragens, mas Hunt, Depailler e Regazzoni conseguiram resgatá-lo antes que ele sofresse queimaduras graves. Apesar de consciente, Peterson tinha lesões graves nas pernas, mas a preocupação geral era com o italiano Brambilla, atingido na cabeça por uma roda, inconsciente e provavelmente em coma. Inicialmente, todos pensavam que o caso mais grave era o de Brambilla, com Peterson "apenas" com as duas pernas quebradas. Em seu livro, Syd Watkins relembra a dificuldade que teve para chegar ao local onde estava Peterson e de que tinha contado 27 fraturas nas duas pernas do sueco. Enquanto era levado de helicóptero para o Hospital Niguardia em Milão, Peterson se virou para o médico e disse: Não me deixe Professor.

Peterson foi levado a Milão e imediatamente operado. Depois de uma cirurgia para reparar as fraturas nas pernas, a medula óssea do piloto vazou para a corrente sanguínea, provocando glóbulos de gordura em órgãos vitais. A esperança dos médicos italianos era amputar as pernas do piloto, mas Peterson estava morrendo aos poucos e na manhã do dia 11 de setembro de 1978, Ronnie Peterson, de 34 anos, foi declarado morto. A F1 ficou chocada com a morte de um dos seus maiores ídolos e todos apontaram o dedo para Patrese, que já tinha provocado alguns acidentes durante o ano por causa de sua impetuosidade. O italiano chegaria a ficar suspenso por uma corrida, mas acabaria absolvido pelo acidente, porém, sua carreira ficaria marcada por esse acidente por um bom tempo. No seu enterro em Örebro, nunca houve um funeral com mais flores do que o de Ronnie Peterson e uma estátua do piloto foi erguida por Richard Brixel. O Grande Prêmio da Suécia dependia tanto de Peterson que a partir de 1979 nunca mais foi realizado. Barbro se casaria mais tarde com John Watson, que seria o companheiro de equipe de Peterson em 1979 na McLaren, mas ela nunca esqueceria Ronnie. Em 1987, Barbro cometeria suícidio.

Ronnie Peterson foi e sempre será aclamado com um dos grandes pilotos de F1 de todos os tempos, mesmo não tendo conquistado nenhum título. Seus números podem parecer minúsculos a primeira vista (123 Grandes Prêmios, 10 vitórias, 14 poles, 9 melhores voltas, 26 pódios, 206 pontos e dois vice-campeonatos), mas quem o viu correr sabe que ele foi um dos maiores velocistas que a F1 já viu. Emerson Fittipaldi disse que começou a pensar na sua aposentadoria após a morte de Peterson e que nunca tinha esquecido o amigo até hoje. Um dos pilotos do fim da era romântica do automobilismo, Peterson era considerado pouco atento aos valores comerciais que o esporte começava a gerar, e em certa ocasião apareceu no autódromo portando no macacão um enorme bordado de uma empresa que lhe havia dado um cortador de grama. Extremamente alto e tímido, Peterson foi considerado mascarado por um tempo, mas quem o conhecia sabia que ele não era nenhum um pouco mascarado. Uma das frases mais conhecidas de Peterson destacam a forma de viver de Ronnie Peterson. “Quando o fim chegar, espero que seja espetacular. Eu prefiro deixar esta vida em alta velocidade do que dormindo. Se não há coragem, não há glória; é isto que o automobilismo significa”

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Figura (BEL): Toro Rosso

A segunda equipe da Red Bull foi a grande vedete deste final de semana belga e por muito pouco não conseguiu uma façanha inédita com o pressionado Sebastien Bourdais. Desde a etapa passada em Valência a equipe, que um dia foi a Minardi, se mostrou em grande forma, mas Spa se superou desde os treinos. Na sexta-feira ambos os pilotos andaram bem, o que foi ótimo para Bourdais, pois o francês já começava a ser questionado dentro da equipe, mas Bourdais ainda fez mais ao ser o mais rápido na Q1 no sábado e a Toro Rosso colocou seus dois pilotos entre os dez primeiros. Na corrida, Bourdais conseguiu uma largada-foguete e foi durante toda a prova um ótimo quinto colocado, com Vettel logo atrás. Quando a chuva caiu, a Toro Rosso escolheu deixar seus dois pilotos na pista e fecharam a penúltima volta em terceiro e quarto! Como toda aposta, ou se dá muito certo ou muito errado e ambos foram ultrapassados na última volta por Heidfeld e Alonso, mas ainda conseguiram ficar na zona de pontuação. Apesar da decepção, a equipe italiana mostrou o seu longo crescimento e hoje está entre as equipes intermediárias do pelotão, brigando logo atrás de BMW pela quarta força do campeonato.

Figurão(BEL): Comissários belgas

Enlouqueceram? A chuva fez mal a cabeça, já acostumada com água, dos comissários belgas? Após uma batalha histórica entre Hamilton e Raikkonen, os comissários da Bélgica, que recebem corridas de F1 desde 1950, viram uma manobra irregular de Hamilton numa das várias disputas entre os dois pilotos na Bus Stop e estragou uma belíssima corrida neste domingo. A partir de agora, toda e qualquer decisão dos comissários será posta em dúvida pela presepada deste domingo e se Massa vencer o campeonato por menos de quatro pontos, seu título será posto em dúvida, pois muitos lembraram da polêmica punição dada ao piloto da McLaren. Lamentável!

domingo, 7 de setembro de 2008

Título merecido!



Como explicar um piloto com seis vitórias não vencer um campeonato? Scott Dixon foi merecedor do título conquistado neste domingo e mesmo tendo perdido a vitória por meros centímetros, vitórias essa que lhe garantiria o recorde de vitórias numa mesma temporada, o segundo lugar foi o bastante para coroar uma temporada quase perfeita, inclusive com a vitória na edição deste ano das 500 Milhas de Indianápolis.

Dixon chegou pressionado a Chicago pela recente performance de Hélio Castroneves, mas o neo-zelandês se portou com muita frieza na perigosa corrida de hoje. Sinceramente detesto corridas como a de hoje, onde a tragédia está a poucos centímetros de acontecer. Correr lado a lado com carros de Fórmula é um absurdo a ponto de ser quase como uma tentativa de suícidio dos 28 pilotos quem compunham o grid de hoje.

Dixon teve que enfrentar a inteligente tática da Penske, que trouxe um inspirado Castroneves da última para a primeira posição antes da metade da corrida e colocou "Brian Riscoe" na segunda posição, fazendo com que os dois carros fizessem uma espécia de bloqueio aos demais, colocando Dixon numa arapuca, pois tinha que enfrentar pilotos do naipe de A.J. Foyt IV, Ernesto Viso e Danica Patrick. Ou seja, queria que o neo-zelandês sofresse um acidente, mas felizmente não conseguiram!

No último pit-stop Dixon deu o pulo do gato e saiu na frente e então passou a disputar roda a roda com Castroneves até linha de chegada, com Helinho vencendo, apesar da organização ter dado o triunfo inicialmente para o neo-zelandês. Com outro vice-campeonato no seu já vasto currículo, Castroneves tende a ficar com a síndrome do amarelão, apesar de não ter sido o caso em 2008.

Outro ponto a destacar foi a transmissão da Rede Bandeirantes. Recentemente o site Grande Prêmio fez uma enquete para saber quem é o melhor narrador brasileiro da atualidade e a vitória ficou com Téo José. Por isso é inacreditável tirar o Téo da corrida decisiva e colocar um enferrujado Luciano do Valle para narrar. Além de secar descaradamente Dixon, Luciano cometeu gafe incríveis, como o já conhecido "Brian Riscoe" (Ryan Briscoe), ter ressuscitado Graham Hil (Rahal) e dizer que o filho de Bobby Rahal era o Ryan Hunter-Rahal (Reay). Mas ao menos acertou o vencedor ao vivo, quando gritou Hélio Castroneves, enquanto a TV dizia que o vencedor fora Dixon.

Com o bicampeonato, Dixon deve ter passado por cima da decepção do ano passado quando perdeu o título para Dario Franchitti na última curva da mesma prova de Chicago e como terá o escocês como companheiro de equipe em 2009, a disputa será intensa dentro da Chip Ganassi. Numa rápida analisada deste primeira temporada da junção da IRL com a Champ Car, fica a sensação da enorme vantagem das equipes dominadoras dos últimos anos, mas Penske, Chip Ganassi e Andretti-Green vieram da Cart no auge da categoria e como a Newman-Hass mostrou nas últimas corridas, não demorará a se juntar ao trio e se tornar vencedora. Como nos velhos tempos!