domingo, 7 de novembro de 2010

Vergonha


Não, não irei falar da traumática goleada sofrida ontem pelo Ceará em Porto Alegre.

Na lavagem cerebral que foi a campanha política para Presidência da República, ficou-se a impressão que o governo Lula deixou o Brasil às portas do Primeiro Mundo e tudo estava perfeito, com um governo 100% bom. Porém, não existe governo 100% bom ou ruim. E a face ruim é justamente a segurança, que se deteriora a cada ano e pouco se faz para melhorar isso.

No dia em que o Brasil é o centro das atenções mundiais, lemos em todos os sites a tentativa de assalto a Jenson Button ontem à noite, ao invés da incrível pole de Hülkenberg. Não apenas em São Paulo a coisa está ruim. Ao lado do meu prédio há uma boca-de-fumo que surgiu a poucos anos e os assaltos aumentaram a tal ponto que simplesmente evito sair de casa em dia de domingo.

Assim como muitas pessoas poderão desistir de vir ao Brasil ao perceberem que podem ser atacados a qualquer momento por homens armados. Porém, para 54% do Brasil, estamos batendo a porta do 1º Mundo...

sábado, 6 de novembro de 2010

O incrível Hulk


Em meados de 2005, a extinta A1 GP promovia sua etapa em Sepang da dita Copa do Mundo do Automobilismo e um jovem alemão de 18 anos se destacou de forma arrebatadora. Debaixo do típico dilúvio malaio, Nico Hülkenberg colocava mais de 40s sobre o 2º colocado com o carro da Alemanha, mas era justamente por a categoria ter carros iguais, que a façanha do jovem piloto chamou atenção. Nascia o 'Incrível Hülk'. Aquela apresentação abriu várias portas para Hülkenberg, que foi Campeão Europeu de F3 e da GP2 na sequencia, sempre com boas equipes. Com a fila do seguro-desemprego à vista na F1, Hülkenberg precisou novamente de condições traiçoeiras para mostrar seu enorme talento e conseguir uma das mais surpreendentes pole-positions dos últimos anos, dando a Williams a sua primeira pole desde 2005.

As previsões de chuva se confirmaram para este sábado, mas se no ano passado a chuva atrapalhou demais, com a Classificação durando mais de duas horas, em 2010 houve apenas uma garoa no começo da sessão e não demorou para que se pensasse em pneus slicks. Com a pista molhada, a dupla da Red Bull sempre esteve à frente, com Vettel colocando tempo constantemente em Webber. No Q2, houveram as primeiras surpresas. Pela primeira vez no ano, Michael Schumacher dominou Nico Rosberg e o jovem alemão, claramente atrapalhado pelo tráfego, ficou longo do heptacampeão e nem sequer passou para o Q3. Pior situação viveu Button. O inglês, muito provavelmente já sabendo que todas as atenções estão em cima de Hamilton, fazia um treino limite, sempre rondando entre a 8º e a 12º posições. Em sua última volta rápida, com parciais que o colocavam entre os dez primeiros, faltando poucos segundos para terminar o Q2, Button tirou o pé e acabou o treino em 11º, longe das primeiras posições e do seu companheiro de equipe, como sempre, andando muito rápido em condições em que o braço vale mais do que o carro.

A Ferrari não se encontrou em nenhum momento neste sábado e se Button tivesse continuado em sua volta, o eliminado seria Felipe Massa. Correndo em casa e conhecido por sempre tirar algo mais em Interlagos, Massa foi uma sombra de si mesmo e levou tempo de Alonso o tempo todo, ficando mais de 1s atrás do espanhol no grid definitivo. Porém, nem mesmo Alonso deve estar contente, pois ficou atrás das duas Red Bulls e da McLaren de Hamilton, mas se há um consolo, é que amanhã deverá brilhar o sol novamente e o acerto da Ferrari pode ter comtemplado essa variável.

Nos momentos finais do Q3, todos partiram para os pneus slicks e melhoraram seus tempos, mas Hülkenberg sempre foi o mais rápido e ainda tendo uma volta a mais do que os demais, colocou mais de 1s em todo mundo, mostrando uma força absurda para quem tem apenas uma Williams. Até mesmo Barrichello, que sempre anda bem em Interlagos e no molhado, tomou 2s7 do companheiro de equipe. Isso servirá de incentivo para a Williams ultrapassar a Force India pela sexta posição no Mundial de Construtores, principalmente com a equipe hindu tendo o pior desempenho, hoje, das equipes ditas estabelecidas. Contudo, a Williams perderá praticamente todos os seus patrocinadores para 2011 e dificilmente poderá segurar Hülkenberg para o ano que vem. Talvez por isso, a comemoração tenha sido tão tímida.

Sua atuação de hoje pode ter lhe garantido um bom futuro para 2011, mas para amanhã, dificilmente Hülkenberg será um fator importante durante a corrida. Largando em segundo, Vettel tem grandes chances de disparar na ponta, enquanto Webber, Hamilton e Alonso terão que se virar para deixar o alemão da Williams para trás. Será uma corrida interessante, principalmente no seu início, com o fator Hulk na ponta.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Tudo normal


Num dia normal e com um belo céu azul, a Red Bull dominou o primeiro dia de treinos em Interlagos. Bom presságio? Nem tanto. Essa cena se repetiu inúmeras vezes durante a temporada e no domingo, dia onde realmente importa, deu tudo errado para o time austríaco. Porém, a certeza de ter um carro bem mais rápido do que a concorrência pode aliviar um pouco o péssimo ambiente do equipe que tem o melhor carro, mas tem a pior harmonia entre seus pilotos.

Vettel e Webber pontearam os dois treinos de sexta-feira com certa vantagem sobre os demais, seja Hamilton pela manhã, seja Alonso de tarde. O certo é que em condições normais de temperatura e pressão, a Red Bull deverá dominar o final de semana paulistano, mas a história mostra que Interlagos tem vários dias em que as condições são bem anormais, particularmente os de temperatura e pressão, podendo causar grande precipitações pluviométricas para atrapalhar equipe e pilotos. Outro grande adversário da Red Bull e justamente o mais perigoso é ela própria, com seus pilotos em pé de guerra e a equipe totalmente desorientada. Como sempre falei neste ano, a falta de experiência da equipe em disputa por títulos pode pesar bastante contra o time e a favor de Alonso, que já tem a equipe (e a vasta experiência dela) totalmente a seu favor faz tempo.

O que pode estragar os planos do espanhol é justamente a falta de confiabilidade experimentada pela Ferrari hoje, com a quebra do próprio Alonso de manhã, e da falha na embreagem de Massa, pela tarde. Vale como registro. Massa estava andando, no mínimo, no mesmo nível de Alonso. Isso poderá ser de grande valia para Alonso no domingo. A McLaren parece já ter desencanado e já aposta as poucas fichas que tem em Hamilton, com o Button longe de poder defender o seu título. De resto, as equipes permaneceram em suas posições habituais, assim como são habituais o acidente de Petrov e a rodada de Kobayashi. O que chamou a atenção foi o bom desempenho das pequenas, com Trulli menos de meio segundo atrás de Alguersuari, o último das equipe ditas estabelecidas. Se for para quebrar aquele vidro em caso de vitória, a Lotus ficando à frente de uma Toro Rosso, se isso ocorrer, já seria motivo para estilhaçar o vidro!

Amanhã? Tudo leva a crer numa pole fácil da Red Bull, provavelmente com Vettel, que mostrou ser mais rápido do que Webber. Enquanto o australiano levou várias voltas para marcar um ótimo tempo, o jovem alemão não esperava mais do que uma volta para conseguir o melhor tempo. Porém, como é costumaz em Interlagos, a previsão para amanhã não indica facilidades para o time dominante, pois pode chover. Aí, será um Deus nos acuda na já tumultuada Red Bull!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

História: 20 anos do Grande Prêmio da Austrália de 1990


A Formula 1 chegava a uma marca especial em Adelaide em meio a muita controvérsia e brigas nos bastidores. O 500º Grande Prêmio da história da F1 teria como pano de fundo a confusão protagonizada pelos maiores pilotos de então, mas em situações opostas a de 1989. Um ano antes, Ayrton Senna dava uma emocionada entrevista coletiva, dizendo que Prost e Balestre tentavam 'desfazer de todos os valores que eu tenho'. Se havia valores ou não, Senna repetiu, com juros, a triste manobra de Prost um ano antes na mesma pista e agora era a vez do francês se mostrar indignado. O representante da Ferrari, que se mostrou irritada com a atitude de Senna e até ameaçou abandonar a F1, andava pelo paddock com uma fita mostrando que Senna era culpado pelo acidente e protestando como podia. Primeiro, não participou da tradicional foto oficial dos pilotos de final de ano. Depois, Prost não participou de uma foto comemorativa, em que os campeões que estavam presentes naquele dia tirariam uma foto juntos. Senna, Piquet, Hunt, Stewart, Brabham e Hulme estavam lá. Menos Prost.

Porém, qual moral Prost tinha em reclamar de Senna? O bicampeão preferiu se manter discreto durante o final de semana australiano, mas quando entrou na pista Senna fez o que dele se espera e marcou sua 52º pole na carreira, com Berger completando a primeira fila toda da McLaren. A temporada foi representada com a Ferrari ficando com toda a segunda fila, mas com Mansell ainda saboreando o contrato assinado com a Williams para 1991 e mais ainda por ter ficado à frente de Prost. A Benetton, que havia conseguido uma importante dobradinha em Suzuka, voltava a realidade com a quarta fila.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:15.671
2) Berger (McLaren) - 1:16.244
3) Mansell (Ferrari) - 1:16.352
4) Prost (Ferrari) - 1:16.365
5) Alesi (Tyrrell) - 1:16.837
6) Patrese (Williams) - 1:17.156
7) Piquet (Benetton) - 1:17.173
8) Moreno (Benetton) - 1:17.437
9) Boutsen (Williams) - 1:17.596
10) Martini (Minardi) - 1:17.827

O dia 4 de novembro de 1990 estava quente e ensolarado em Adelaide, bem ao contrário da tempestade do ano anterior. Mesmo com o título já decidido, havia entre os pilotos uma especial vontade de vencer aquela corrida, pois como uma corrida centenária, eles entrariam para a história da F1. Como era costumaz, Senna larga muito bem, ao inverso de Berger, que parecia que seria engolido pelas Ferrari, mas o austríaco se aproveita da estreiteza da reta dos boxes em Adelaide e também da potência do motor Honda para se manter em segundo. Saindo um pouco de suas características, Piquet larga muito bem e pula para quinto. Seria o início de umas melhores corridas do tricampeão.

Enquanto Senna disparava na frente, Berger cometia outro erro bizarro ainda na segunda volta. Em 1990 os volantes não tinham os inúmeros botões e chaves para se acertar o carro on-line como hoje, mas na McLaren havia um ajuste para os freios. Berger foi colocar mais freio para a dianteira, mas sem querer ele desligou seu carro. Rapidamente o austríaco se deu conta da burrada e religou seu McLaren, mas aquilo proporcionou a Mansell assumir a 2º posição e partir em perseguição a Senna. Mesmo sendo um grande piloto, é por essas e outras que Berger nunca esteve verdadeiramente a ponto de conquistar um título ou brigar por ele. De forma surpreendente, na 4º volta, Piquet pega o vácuo da Ferrari de Prost na reta Brabham e retarda a freada para ultrapassar o rival. Não devemos se esquecer que Piquet tinha em mãos um raquítico Ford V8, enquanto Prost tinha o canhão que era o Ferrari V12. Em desvantagem de potência, Piquet resolve tirar o atraso no braço e três voltas depois já estava colado na traseira da poderosa McLaren de Berger. Numa manobra idêntica, Piquet deixa o austríaco para trás e assumia a 3º colocação.

Nesse momento, a corrida fica estática. Não havia brigas pelas primeiras posições e mesmo com o forte calor, não havia a obrigação de se trocar os pneus. Por várias voltas, as cinco primeiras posições permaneceram as mesmas: Senna, Mansell, Piquet, Berger e Prost. Desde o começo da temporada a Ferrari já havia percebido que Mansell, com sua tocada agressiva, desgastava muito mais os pneus do que Prost e isso ficou claro nesta corrida quando o inglês saiu da pista na volta 43 e rapidamente vai aos boxes trocar seus desgastados pneus. O piloto da Ferrari caí para a 5º posição, mas próximo de Berger e Prost, que batalhavam agora pelo 3º lugar. Após várias voltas solidamente à frente de Prost, Berger acaba errando e o francês não desperdiça a chance, enquanto Mansell só espera cinco voltas para deixar o austríaco para trás. Com Senna e Piquet na frente, havia uma expectativa de uma nova dobradinha brasileira, mas Senna começa a ter problemas de câmbio e isso faz com que o brasileiro saía de frente numa curva lenta à esquerda, passe reto e batesse no muro. Foi uma batida relativamente fraca, mas isso significava que Piquet estava novamente na ponta.

Com pneus novos, Mansell ataca Prost e assume a 2º posição de forma tranquila quando faltavam dez voltas para o final. O inglês era o único com pneus novos entre os pilotos de ponta e por isso forçou o ritmo para alcançar o velho rival Piquet. A corrida atingia seu clímax na medida em que Piquet sai da pista e permite a aproximação de Mansell. Nigel vinha em seu ritmo maluco de sempre e tinha dois objetivos: se despedir da Ferrari com uma vitória e ainda garantir o 3º lugar no Mundial de Pilotos. Já Nelson Piquet queria provar que ainda tinha a velha magia que lhe garantiu com todo o brilho três títulos mundiais. Porém, completamente sem pneus e tendo muito cuidado ao ultrapassar os retardatários, Piquet via Mansell cada vez mais próximo em seus retrovisores. O mundo prendia a respiração, esperando quando o inglês daria o bote no velho rival. E o bote viria exatamente na última volta. Piquet encontra retardatários na reta Brabham e com um motor um pouco melhor que os carros mais lentos, era claro a maior dificuldade de deixá-los para trás na grande reta, problema esse que Mansell desconhecia. Piquet ultrapassou um retardatário e voltou para a linha ideal, enquanto Mansell deixou o carro mais lento para trás e permaneceu na linha de dentro. O inglês freiou no limite do limite, mas Piquet usou sua maestria de contornar a curva no momento exato, em que não permitiu o ataque de Mansell, que teve que desviar, e ainda fazer a curva de forma correta a ponto de não perder velocidade. Foi uma prova cabal de que Nelson Piquet ainda era o grande campeão de que todos sentiam saudade. A manobra histórica garantiu a Piquet sua segunda vitória consecutiva, o 3º lugar no Mundial de Pilotos, à frente de uma Ferrari e uma McLaren, além de estar definitivamente na história como o piloto vencedor do Grande Prêmio de número 500. Mas alguém ainda duvidava de que Piquet já não estava na história da F1?

Chegada:
1) Piquet
2) Mansell
3) Prost
4) Berger
5) Boutsen
6) Patrese

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

História: 25 anos do Grande Prêmio da Austrália de 1985


Oficialmente em seu primeiro ano na F1, a Austrália mostrava uma atmosfera festiva e relaxante para pilotos e equipes, clima esse que marcaria para sempre a corrida em Adelaide, que fecharia o calendário da Formula 1 nos próximos dez anos. Isso acontecia na maioria das vezes porque o campeonato já estava decidido e em 1985 era justamente esse o caso, com Prost já tendo conquistando o primeiro título mundial para um francês há duas corridas atrás. A corrida australiana seria de muita festa e, principalmente, despedidas. Duas montadoras (Renault e Alfa Romeo) estavam de malas prontas e a Renault, após tantos investimentos e vitórias, sairia da F1 sem um único título conquistado. Glória essa não faltava a Niki Lauda, que aos 37 anos sairia da F1 pela segunda e última vez.

O circuito de rua de Adelaide ainda era desconhecida dos pilotos (nem precisa dizer que há 25 anos atrás não existiam simuladores...) e o primeiro dia de treinos foi dominado pelos carros da Williams-Honda e por Ayrton Senna, que ainda lutava pelo 3º lugar no Mundial de Pilotos com seu companheiro de equipe Elio de Angelis e Keke Rosberg. No sábado, os tempos melhoraram em até 2s em média e a pole prévia de Rosberg foi esmagada por Mansell e o inglês já comemorava a sua pole, quando Ayrton Senna saiu à pista nos momentos finais e tirou o doce da boca do britânico. Outro destaque era a subida de produção de Prost no sábado, após ficar nas últimas posições na sexta-feira, e de Marc Surer ter superado Nelson Piquet. Com certeza o brasileiro não se lembrava da última vez em que era superado por um companheiro de equipe...

Grid:
1) Senna (Lotus) - 1:19.843
2) Mansell (Williams) - 1:20.537
3) Rosberg (Williams) - 1:21.887
4) Prost (McLaren) - 1:21.889
5) Alboreto (Ferrari) - 1:22.337
6) Surer (Brabham) - 1:22.561
7) Berger (Arrows) - 1:22.592
8) Tambay (Renault) - 1:22.683
9) Piquet (Brabham) - 1:22.718
10) De Angelis (Lotus) - 1:23.077

O dia 3 de novembro de 1985 estava ensolarado e muito quente em Adelaide para o 50º Grande Prêmio da Austrália, o primeiro valendo pelo Campeonato Mundial de F1. Jack Brabham deu uma volta com seu velho carro pela pista para delírio dos australianos, enquanto seu compatriota Alan Jones sofria bastante em sua corrida caseira. Senna era conhecido por suas boas largadas, mas pela primeira vez ele teria alguém com tanta agressividade quanto ele na corrida até a primeira curva. Mesmo o brasileiro largando bem, Mansell saiu da inércia mais rápido e tomou a ponta do piloto da Lotus. Senna ficou inconformado com a derrota inesperada e tentou de todas as formas retomar a ponta e numa brecha invisível, o brasileiro mergulhou por dentro de Mansell e os dois saíram da pista. Senna ainda voltou em 2º, atrás de Rosberg, enquanto Mansell abandonaria nos boxes. Aquela seria a primeira grande batalha entre os dois. Uma batalha que entraria para a história...

Rosberg e Senna de distanciavam a uma taxa de 1s sobre o 3º colocado Alboreto, que parecia segurar um enorme pelotão atrás de sua Ferrari. O forte calor cobrava um alto preço aos pilotos e já na sétima volta Laffite fez seu primeiro pit para trocar seus pneus. O veterano francês sabia que teria que cuidar dos seus pneus, algo que o impetuoso Berger não sabia. De forma surpreendente, o austríaco ultrapassou Prost pela 4º posição e quando pressionava Alboreto, seus pneus já estavam destruídos e o austríaco foi aos boxes na nona volta para colocar borracha nova. Se esforçando ao máximo para permanecer em 3º, Alboreto também forçava muito sua Ferrari, mas na 11º volta ele não aguentou a pressão de Prost e foi ultrapassado pelo francês na reta dos boxes, sendo deixado para trás algumas curvas depois por Surer. No pelotão intermediário, o grande destaque ficava para Alan Jones, que havia tido problemas e largou dos boxes. Querendo fazer uma grande apresentação na frente dos seus compatriotas, o australiano subiu rapidamente ao 9º lugar, enquanto Lauda fazia sua conhecida corrida de recuperação e já aparecia em 8º após largar em 16º. Com a quebra de Piquet e a desclassificação de Elio de Angelis (por largar no local errado), Lauda subiria para 6º e Jones para 7º. Porém, o australiano abandonaria tristemente logo depois.

Rosberg começava a abrir uma pequena diferença para Senna, enquanto Surer ultrapassava Prost pelo 3º lugar, mas o francês não desistiu da briga e permaneceu próximo ao suíço, dando o troco algumas voltas mais tarde. Porém, o motor TAG-Porsche se entregou na volta 26 e Prost abandonava pela primeira vez na temporada com um problema mecânico. Numa tentativa de recuperação, Senna tirou a vantagem de 9s que o separava para Rosberg forçando muito, mas isso acabou por estragar seus freios e após uma saída de pista na entrada da reta Brabham, Senna resolveu diminuir seu ímpeto. Porém, na volta 38, o desenvolvimento da corrida do piloto da Lotus sofre um baque quando os dois líderes se aproximaram do 5º colocado Alboreto para colocar uma volta. O italiano deixou Rosberg passar rapidamente, mas Alboreto fechou Senna por várias curvas, deixando o brasileiro irado. Com raiva, Senna aumentou seu ritmo para encostar em Rosberg novamente, mas o finlandês entrou nos boxes sem sinalizar e, surpreso, Senna não teve tempo para diminuir e bateu na traseira da Williams de Rosberg, perdendo parte do bico do seu Lotus.

Senna necessitava ir aos boxes urgentemente. Com os pneus desgastados e a frente do seu carro avariado, o brasileiro ainda tentava tirar o máximo do seu Lotus e o que se viu foi uma demonstração inesquecível de habilidade e uma dose de loucura. Senna perdeu o seu carro novamente na entrada da reta Brabham e quando se preparava para entrar nos boxes, perdeu o seu carro novamente, destruindo completamente o bico do seu Lotus e perdendo a entrada dos boxes. Agora com mais cuidado, Senna ia aos boxes em uma volta bem lenta, enquanto Surer abandonava novamente quando ocupava uma posição no pódio. Senna havia perdido muito tempo com sua manobra para entrar nos boxes e caiu para 3º, atrás de Lauda. Forçando muito, o brasileiro rapidamente se aproximou do tricampeão, mas Lauda praticamente deixou Senna passar na reta Brabham. O objetivo de Senna agora era Rosberg, mas o finlandês surpreendeu ao ir aos boxes novamente poucas voltas após seu primeiro pit-stop, caindo para 3º. Nesse momento os três primeiros corriam relativamente juntos, mas com Rosberg claramente mais rápido. Senna começava a perder rendimento e Lauda assumia a 1º colocação, podendo se aposentar em alto estilo, mas os freios da McLaren do austríaco falharam no final da reta Brabham e o carro deu uma guinada para esquerda, bateu no muro, até mesmo de forma leve, mas aquilo significava o fim da corrida e da carreira do premiado tricampeeão.

Isso significava também que a briga pela liderança ficava unicamente entre Senna e Rosberg. Os dois eram os únicos na mesma volta. Rosberg fazia a volta mais rápida da corrida em sua perseguição a Senna, mas o Lotus definitivamente não estava funcionando bem. Na volta 61, após a longa reta Brabham, Senna ficou lento e grandes chamas podiam ser vistas na traseira da Lotus. Rosberg passou Senna pela última vez e reassumiu a ponta. O brasileiro foi aos boxes e abandonaria logo depois. Porém, sua atuação naquele dia foi inesquecível e ele diria que fez tudo aquilo para manter os brasileiros que assistiam a corrida, que passou de madrugada, acordados. Após o abandono de Senna, a briga pela ponta se acalmou a ponto de Rosberg ainda fazer uma terceira parada nos boxes para se garantir até o final. Nas últimas voltas, Philippe Streiff se aproximava de Jacques Laffite que, aproveitando os inúmeros abandonos, estava em 2º. Numa falta de comunicação incrível entre os pilotos da Ligier, onde um pensava que era um retardatário e vice-versa, Streiff tentou ultrapassar Laffite na penúltima volta e os dos se tocaram no final da reta Brabham. Laffite ficou furioso, enquanto Streiff completava a última volta com apenas três rodas, mas conseguiu o que seria seu único pódio na carreira. De despedida da Williams, Rosberg comemorou muito após uma cansativa corrida, mas provavelmente o finlandês não sabia que aquela seria sua última vitória na F1.

Chegada:
1) Rosberg
2) Laffite
3) Streiff
4) Capelli
5) Johansson
6) Berger

domingo, 31 de outubro de 2010

Voltando a velha forma


Desde agosto que Jorge Lorenzo não sabia o que era vencer na temporada que lhe consagrou como Campeão Mundial da MotoGP. Muito se especulou sobre o motivo do espanhol não conseguir a oitava vitória na temporada. Lorenzo estaria apenas administrando um campeonato praticamente ganho ou, agora como praticamente único piloto oficial da Yamaha, o espanhol estaria tendo problemas com o acerto fino de sua moto?

Pelo o que vimos no Estoril, circuito em que Lorenzo venceu todas as provas em que disputou pela MotoGP, a primeira opção é a que vale. Sem se preocupar em somar pontos para o campeonato e correndo no seu circuito favorito, Lorenzo venceu com folgas o Grande Prêmio de Portugal de hoje, superando com sobras Valentino Rossi, que teve que ultrapassar na metade da corrida. A dupla da Yamaha deu uma demonstração de ampla superioridade frente aos adversários hoje, ao colocar mais de 20s sobre o terceiro colocado. Onde houve a grande briga da corrida. Após a besta queda de Casey Stoner que, inclusive, tinha chances de brigar pela ponta, vários pilotos se engalfinharam pelo último degrau do pódio. Nicky Hayden, que chegou a liderar uma volta, Andrea Doviziozo e Marco Simoncelli protagonizaram os únicos momentos de briga na corrida, com a dupla italiana conseguindo se desgarrar do americano e decidirem entre si pelo 3º lugar. Enquanto Doviziozo tinha em mãos a moto oficial da Honda, Simoncelli estava lidando com a moto satélite e mesmo estreante, conseguiu uma bela ultrapassagem nas curvas finais da última volta, mas Dovi utilizou a potência de sua moto para superar o compatriota na linha de chegada.

Lorenzo se fantasiou de astronauta e vibrou muito após seu triunfo, enquanto Rossi e Doviziozo completavam o pódio. Para 2011, Lorenzo terá a imensa responsabilidade de guiar a equipe Yamaha e continuar a dominação do time nos últimos anos, algo que Rossi o fez com maestria. Tendo ao seu lado Ben Spies, que teve a proeza de cair e se machucar enquanto levava sua moto ao grid, o espanhol não terá mais Rossi para acertar a moto. Agora, é com ele! Isso poderá ser essencial para a próxima temporada, pois Rossi levará para a Ducati todo seu staff, enquanto a Honda terá três bons pilotos (Doviziozo, Stoner e Dani Pedrosa, que voltou hoje e fez uma prova discreta) para armazenar informações para acertar a Honda 2011. O futuro parece prodigioso, principalmente com pilotos que estão disputando agora a Moto2, categoria onde tem as melhores corridas da programação do Mundial de Motovelocidade.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Bernie,80


Na comemoração dos 80 anos de Bernie Ecclestone, colocarei a foto de outra bela obra na vida de Bernard Charles Ecclestone, além da F1 moderna. Sua filha, Tamara!