segunda-feira, 4 de junho de 2012

Correndo na várzea II, a missão

Depois do amadorismo da Indy em Detroit, o combalido automobilismo brasileiro não poderia ficar para trás. Após o assustador acidente de Geraldo Piquet, o diretor de prova não colocar ao menos o pace-truck na também combalida pista de Goiânia foi um dos mais cúmulos dos últimos tempos!

domingo, 3 de junho de 2012

Correndo na várzea

Imaginem a seguinte cena: num jogo de futebol, a grama começa a se soltar em pleno Clássico entre Real Madri e Barcelona e o jogo tem que ser interrompido. Ou então que o saibro sagrado de Roland Garros tenha um buraco e a partida seja parada. Quem sabe a tabela se quebre no meio da final olímpica do basquete masculino. Não faltam exemplos sobre o que aconteceu agora a pouco em Detroit.

A Indy já tinha demonstrado certo amadorismo quando antecipou a largada da corrida em Milwakee ano passado e mesmo com chuva, permitiu uma relargada já no final da prova. Mesmo Detroit tendo bastante tradição em automobilismo, já faziam quatro anos sem corrida em Belle Isle e o resultado foi que o asfalto interrompeu de forma vergonhosa a prova bem na metade, quando Jamie Hinchcliffe e Takuma Sato pegaram pedaços de asfalto debaixo dos seus carros. A pista estava tão mal emendada, que os comissários resolveram tirar tudo, mostrando grandes buracos em toda a pista. Foi uma cena dantesca.

A vitória de Scott Dixon foi para lá de merecida, mas o neozelandês e boa parte dos pilotos que correm na Indy não precisam correr em pistas como Detroit. Critico muito o Luciano do Valle, mas seu comentário foi perfeito. "Se fosse aqui em São Paulo..."

Que pena...

Roy Salvadori era o que no futebol chamamos de fominha. O inglês corria em vários tipos de carros e corridas nos anos 50 e 60, chegando a participar de mais de uma corrida num mesmo dia. Um dos primeiros ingleses a participar da F1 na primeira década da categoria, teve sua carreira ofuscada por pilotos britânicos mais jovens, como Moss, Hawthorn e Brooks, mas ainda assim conseguiu bons resultados na F1, como um segundo lugar em Nürburgring, mas seu resultado de maior relevo foi nas 24 Horas de Le Mans, quando venceu a prova com um Aston Martin ao lado do americano Carrol Shelby. Grande chefe de equipe após se aposentar como piloto, Salvadori morava em Mônaco e grande esportista como era, participava de eventos de carros antigos. Infelizmente, aos 90 anos de idade, Roy Salvadori nos deixou hoje e provavelmente estará junto de Shelby, recentemente morto, para se lembrarem de sua aventura em Le Mans 63 anos atrás.

Fator Lorenzo

Desde que Casey Stoner anunciou que se aposentará no final desta temporada, Jorge Lorenzo é seguidamente ligado à equipe Honda, montadora que mais investe na MotoGP, mesmo o espanhol sendo uma prima dona dentro da Yamaha. Hoje em Barcelona, Lorenzo mostrou porque é tão querido pela Yamaha a ponto dos japoneses brigarem com seus compatriotas da Honda pelo passe do espanhol.

A Honda ficou com a pole com Stoner, mas correndo em casa e com sua já tradicional largada relâmpago, Daniel Pedrosa vinha dominando a prova na Catalunha, com Lorenzo sempre na sua cola. Os pneus foram um fator determinante na Catalunha, com os dois pilotos da Honda usando os pneus duros, enquanto praticamente o resto do grid utilizou pneus macios. A previsão era de sol forte no decorrer da prova, mas durante toda a corrida as nuvens ajudaram os pilotos com pneus moles, particularmente Lorenzo. Mesmo errando em sua perseguição a Pedrosa, o espanhol da Yamaha não se abateu e nas voltas finais partiu para cima do rival e ultrapassou o piloto da Honda de forma tão imponente, que Pedrosa se encolheu e ficou 5s atrás do compatriota. Lorenzo venceu pela segunda corrida consecutiva e disparou na liderança do campeonato, mostrando que é o maior favorito ao título deste ano, desbancando os pilotos da Honda, dominantes em 2011.

Ver Pedrosa entregar a rapadura, particularmente para Lorenzo, não chega a ser novidade, mas a péssima exibição de Casey Stoner surpreendeu. O australiano não largou bem e chegou a cair para sexto, mas Stoner não foi capaz de uma corrida de recuperação como ocorreu em Jerez e talvez esperou que os pneus macios dos rivais fizessem que ele subisse na classificação na metade final da corrida. O problema foi que os pneus macios não se desgastaram como o esperado e Stoner ficou preso no meio das motos da Yamaha Tech 3, superando Cal Crutchlow por pouco e chegando colado na rabeira de Andrea Doviziozo, que conquistou seu primeiro pódio em 2012. O italiano vibrou como nunca, principalmente com outra corrida ruim de Ben Spies, mesmo o americano tendo evoluído muito nesse final de semana. Spies largou muito bem e pressionava Pedrosa pela liderança antes de cair bisonhamente. O americano ainda voltou e fez uma boa corrida de recuperação, mas talvez sem chances de manter seu lugar na Yamaha oficial.

Stoner disse que ganharia em Barcelona, pois era sua pista favorita, mas o australiano acabou fazendo uma corrida para esquecer, ficando pela primeira vez fora do pódio em 2012, enquanto Lorenzo vencia novamente e abria boa vantagem sobre o australiano. Lorenzo não desiste nunca, conseguiu desenvolver a Yamaha a ponta de ser a moto mais equilibrada do pelotão e seus serviços estão mais solicitados do que nunca. Sua velocidade mostra o porquê!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

História: 20 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1992


De certa forma, a corrida em Monte Carlo deste ano foi bem parecida com a de vinte anos atrás, quando não aconteceu praticamente nada nas primeiras voltas, mas devido a circunstâncias, a corrida ficou emocionante nas voltas finais. Em 1992, um furo de pneu misterioso fez Nigel Mansell, piloto dominante em todo o final de semana e nas primeiras 70 voltas da corrida em Monte Carlo, ir aos boxes e voltar à prova em segundo, colado em Ayrton Senna, que fez o básico para não ser ultrapassado em Mônaco: não errar. E o brasileiro o fez de forma emocionante, segurando um Mansell doidinho para fazer besteira, mas Graças a Deus não o fez. Por isso, colocarei as imagens das últimas voltas, que são a que importam na corrida de vinte anos atrás, mas vale comentar duas coisas sobre a prova. Primeiro, foi que o pit-stop do líder Mansell nunca foi mostrado, num erro imperdoável da transmissão da época. E a outra foi o jovem Cléber Machado inventando uma quebra de motor de Senna após a corrida. Ai Meu Deus...

terça-feira, 29 de maio de 2012

Teve isso também...


Dentre as pistas antigas, Mônaco é umas que não há muitas mortes em seu currículo, onde, pensando de cabeça, só me lembro do Lorenzo Bandini. A baixa velocidade ajuda, mas quando jovens pilotos entram numa pista apertada, o resultado pode não dar muito certo. Conor Daly que o diga...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Figura(MON): Felipe Massa

Webber finalmente conseguiu sua primeira vitória em 2012, mas o australiano não estava tão pressionado como Felipe Massa em Monte Carlo. O piloto da Ferrari recebeu um ultimato em carta por Luca di Montezemolo antes da corrida, cobrando-o resultados imediatos e Felipe conseguiu dar a resposta num circuito onde historicamente não se dá tão bem assim. Porém, Monte Carlo se mostrou agradável ao problemático F2012 e Massa aproveitou para ter o primeiro final de semana decente do ano, conseguindo andar na frente de Alonso nos treinos livres e superado por muito pouco pelo espanhol na Classificação. Durante a corrida, Massa chegou a andar mais rápido do que Alonso no começo, mas logo a maior categoria do espanhol fez com que Massa não o ameaçasse mais, porém o brasileiro permaneceu na mesma balada dos líderes, fechando o emocionante trenzinho dos seis primeiros colocados no final, chegando apenas 6s atrás do vencedor Webber. A saída de Massa da Ferrari em 2013 é quase certa, até pelo conjunto da obra, mas Felipe necessita mostrar aos outros chefes de equipe que tem condições de ser o mesmo piloto que quase foi campeão em 2008 e de antes do acidente em 2009, talvez o grande marco de sua carreira. E com uma temporada incrivelmente equilibrada, se tudo der certo, uma vitória não estaria fora de cogitação que, talvez não garanta Massa na Ferrari no que vem, mas ao menos carimbe o passaporte do paulistano na F1 em 2013.