domingo, 5 de maio de 2013

Carimbando o nome

Voltando oito anos no tempo. Valentino Rossi e Sete Gibernau disputavam a ponta do Grande Prêmio da Espanha em Jerez quando, na última volta, Sete efetua o que parecia ser a ultrapassagem da vitória. Parecia. Na última curva, a então chamada Ducados, Rossi forçou a barra por dentro, mergulhou totalmente sem tomada e só não caiu no chão por acertar Gibernau em cheio, bem no ombro machucado do espanhol. Sete ficou furioso, mas Rossi não estava nem aí e comemorou normalmente sua vitória. Hoje, dia 5 de maio de 2013, Jorge Lorenzo e Marc Márquez disputavam a segunda colocação do mesmo Grande Prêmio da Espanha. Na curva Dry Sack, Márquez tentou a ultrapassagem na última volta, mas, sem tomada, acabou levando o troco. Porém, na mesma curva de oito anos atrás, o jovem piloto da Honda mergulhou por dentro e só não passou reto por acertar a Yamaha de Lorenzo bem no meio, assegurando assim a segunda posição. Lorenzo ficou nitidamente contrariado e se negou a cumprimentar Márquez no Parc Ferme. Parece que se inicia uma inimizade na MotoGP...

E até nisso Daniel Pedrosa ficou para trás. Ao invés de falar de sua vitória impecável e altamente necessária justamente pela performance do seu novo companheiro de equipe, foi o próprio Márquez quem roubou a cena com uma ultrapassagem épica sobre Lorenzo. A grande verdade é que Pedrosa, com pista livre, é quase imbatível, mas como isso nem sempre acontece, o piloto da Honda acaba sofrendo com quedas e derrotas igualmente doloridas. Porém, em Jerez, numa pista em que se esperava um bom desempenho da Yamaha, Pedrosa não se importou em levar um passão de Lorenzo ainda na segunda curva e partiu para cima do seu rival, ultrapassando-o e desaparecendo na frente, como normalmente faz. Pedrosa é nome forte para a disputa pelo título, mas a coisa deve pegar agora na batalha entre Lorenzo e Márquez.

Lorenzo já foi inimigo de não falar com Pedrosa, mas nunca teve com seu compatriota um oponente duro em suas disputas. Pois com Márquez foi diferente. Logo na terceira prova do novato, Marc não tomou conhecimento do bicampeão da MotoGP e fez algo que Pedrosa, nos quase seis anos em que correu junto com Lorenzo na MotoGP, jamais fez. O incidente de hoje poderá ter vários desdobramentos num futuro próximo. Márquez assumiu a liderança isolado do campeonato e ficará ainda com mais moral para o resto do campeonato, lembrando-se sempre que, como todo novato, uma hora ele irá errar. Outra é que Jorge Lorenzo deverá ficar ainda mais mordido em sua luta pelo terceiro título e a próxima vez em que Jorge e Marc se encontrarem na pista deverá ser marcada por muita tensão. Só quem ganha é quem acompanha a MotoGP!

Pena que essa luta não deverá estar incluso Valentino Rossi, num distante quarto lugar hoje e sem condições, no momento, de acompanhar o ritmo fortíssimo dos espanhóis que dominam atualmente a MotoGP. Lorenzo e Pedrosa se cumprimentaram e agora parecem ter um inimigo comum: Marc Márquez. O espanhol da Repsol Honda chegou agora e já está causando um enorme rebuliço na MotoGP. E outro detalhe que fará desta derrota de Lorenzo ainda mais dolorosa. A última curva mudou de nome esse ano, passando de Ducados para... Jorge Lorenzo! 

sábado, 4 de maio de 2013

Sem alternativa

Muitas vezes reclamos da transmissão da Rede Globo por causa de uma ou outra escorregada de sua equipe técnica na F1, em especial Galvão Bueno. Porém, devemos dar graças a Deus por a Globo ainda transmitir a F1 e nos vermos livres de emissoras como a Bandeirantes e o Bandsports, que deram um show de horrores, cada um ao seu modo, no treino classificatório terminado agora a pouco nas ruas de São Paulo. 

Primeiro, que a Bandeirantes passa o ano praticamente ignorando a F-Indy para fazer uma cobertura intensiva no final de semana em que a categoria vem ao Brasil, chamando repórteres despreparados e trazendo Luciano do Valle, que era sensacional.... uns vinte anos atrás! O narrador cai praticamente de pára-quedas e a falta de conhecimento de Luciano sobre coisas básicas da Indy chega a irritar, mas o mais irritante mesmo foi a transmissão do treino. Não estava acreditando que aquela transmissão ridícula estava indo para o resto do mundo. Durante todo o tempo, se mostrava os brasileiros na pista, mesmo que estivessem se arrastando, fazendo besteira, indo ao banheiro... tinha que ter Tony Kanaan, Helio Castroneves ou Bia Figueiredo na tela. E tome o treino comendo solto. Era Will Power fazendo o melhor tempo e a Band acompanhando Helio na reta da marginal ou Kanaan numa câmera on-board. Foi extremamente constrangedor e procurei o Bandsports, só para ver se estava a mesma porcaria.

Por sorte, não estava. Não tinha HD, mas ao menos se via realmente o treino, mesmo que com informações parcas na tela, como o tempo que faltava o fim do treinou ou, algo ainda mais básico, QUEM ESTAVA NA FRENTE! Porém, percebi algo pior. O comentarista, talvez o pior da TV brasileira em termos automobilísticos: Eduardo Homem de Mello. O cara fala abobrinha em cima de abobrinha e ainda quer ser engraçado o tempo todo. Lógico que não demorou muito para falar uma atrocidade para se complicar todo. No meio da polêmica da bandeira vermelha que destruiu os treinos de Will Power (favorito destacado a pole) e Helio Castroneves, dando a pole de bandeja para Ryan Hunter-Reay, Homem de Mello relembrou a batida que Schumacher deu em Mônaco/2006, que estragou o treino do seu então rival Fernando Alonso. Beleza... Agora Eduardo Homem de Mello não lembro do que fez o filho do amigo dele, Nelsinho Piquet, em Cingapura/08? Eduardo odeia Schumacher e louva Senna, mas será que ele esqueceu o que Ayrton fez nos treinos para o Grande Prêmio de Mônaco de 1985, quando fez a melhor volta e ficou na pista atrapalhando os seus rivais? Zé ruela....

A corrida tende a ser boa com pilotos rápidos como a dupla da Penske largando lá atrás, mas será difícil escolher entre a ruindade da transmissão da Bandeirantes ou as asneiras do Eduardo Homem de Mello.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

História: 25 anos do Grande Prêmio de San Marino de 1988

A estreia de Ayrton Senna na McLaren foi, no mínimo, bastante decepcionante naquele início de 1988, mas o recado havia sido dado. Mesmo desqualificado corretamente por ter trocado de carro após o sinal verde, o brasileiro mostrou todas as suas credenciais em Jacarepaguá. O ímpeto nas Classificações, mostradas desde os tempos da Lotus, continuava intacto. Senna foi pole no Brasil com uma boa vantagem sobre Prost, que na ocasião ficou atrás ainda de Mansell. Na corrida, largando dos boxes, Senna imprimiu uma corrida de recuperação incrível, passando com facilidade todos que via pela frente com a ajuda do seu mitológico McLaren MP4/4 até receber a bandeira preta.

Em Ímola, circuito no qual Senna largara na pole nos últimos três anos, Ayrton estabeleceu mais uma pole com Prost ao seu lado, mas o que chamava a atenção era a absurda diferença entre a McLaren e o resto. Nelson Piquet, da Lotus, era o terceiro colocado com uma desvantagem avassaladora de 3.3s! Por sinal, Piquet sofria pequenos protestos dos tifosi da Ferrari por ele ter dito que Enzo Ferrari estava gagá numa entrevista a Playboy brasileira. Bem em frente aos boxes da Lotus podia ser vista uma faixa "Piquet, a Tamburello te espera", com relação a curva em que o tricampeão havia batido em 1987 e o tirado da corrida do ano anterior. Correndo no quintal de casa, a Ferrari decepcionou com Berger em 5º e Alboreto apenas na décima posição, tendo à sua frente a surpreendente March de Ivan Capelli. 

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:27.148
2) Prost (McLaren) - 1:27.919
3) Piquet (Lotus) - 1:30.500
4) Nannini (Benetton) - 1:30.590
5) Berger (Ferrari) - 1:30.683
6) Patrese (Williams) - 1:30.952
7) Cheever (Arrows) - 1:31.300
8) Boutsen (Benetton) - 1:31.414
9) Capelli (March) - 1:31.519
10) Alboreto (Ferrari) - 1:31.520

O dia primeiro de maio de 1988 estava nublado em Ímola e havia o temor de que chuva, que chegou a atrapalhar os treinos, voltasse durante a prova samarinês. Mesmo com a má performance da Ferrari no final de semana até então, os tifosi lotaram o Autodromo Enzo e Dino Ferrari com a esperança de um milagre dos carros vermelhos, mas a perspectiva não era nada boa, pois se a Ferrari teria que diminuir a pressão do turbo se quisesse completar a prova por causa do consumo de combustível, a Honda tinha um motor tão confiável e econômico que a potência seria idêntica em que os comandados de Ron Dennis esmagaram a concorrência nos treinos. E as coisas pioram ainda mais para a Ferrari quando Michele Alboreto tem problemas na volta de apresentação e tem que largar na última posição. Quem não tem problemas na largada era Senna, notório por suas largadas relâmpago, e assume a ponta com certa facilidade, pois Prost larga muito mal por problemas no motor e perde várias posições. Depois da corrida, o próprio Senna admitiu que isso havia decidido a corrida a ser favor.

Com os problemas de Prost, Piquet assume a segunda posição seguido pelos italianos Nannini e Patrese, que havia largado muito bem com sua Williams e melhoraria sua posição ainda mais quando ultrapassa Nannini na Tosa para ficar em terceiro. O ritmo de Senna era alucinante e o brasileiro abria 1s de vantagem por volta sobre Piquet, mas havia uma corrida acontecendo atrás da McLaren do líder e o protagonista era justamente seu companheiro de equipe. Alain Prost nunca foi reconhecido por sua agressividade nas ultrapassagens, mas o francês sabia da superioridade do seu carro para subir pelo pelotão de forma inapelável. Prost cruzou a primeira volta em sexto e em apenas oito voltas ultrapassou quatro carros, assumindo o segundo posto. A McLaren demonstrava sua enorme superioridade nesses pequenos detalhes, mas Senna estava com 8s de vantagem sobre Prost ainda na décima volta. A corrida estava decidida.

Porém, a briga pelo terceiro lugar era animada e foi aí que residiu nos melhores momentos da prova. Piquet, Patrese, Nannini, Berger, Boutsen e Mansell trocaram de posições durante várias voltas, trazendo muita emoção para a corrida. Provando a diferença entre as duas equipes com motores Honda, Senna já tinha 30s de vantagem sobre Piquet na volta 15, que lutava para se manter à frente de Patrese e Nannini, que lutavam ferozmente pelo quarto lugar, com Patrese chegando a fazer zigue-zague na frente do compatriota na reta após a Tamburello. Essa briga fez com que Boutsen, que havia ultrapassado Berger, se aproximasse do seu companheiro de equipe trazendo Nigel Mansell, até então discreto até ali. Quando finalmente ultrapassa Patrese na volta 25, imediatamente Nannini passa a pressionar Piquet, que não se acanha em fechar o italiano. Patrese perde rendimento e com Nannini não conseguindo ultrapassar Piquet, Boutsen e Mansell encostam novamente na briga pelo terceiro lugar. Numa  tentativa de ultrapassagem sobre Piquet após o brasileiro ser atrapalhado pelo retardatário Julian Bailey na Tamburello, Nannini coloca por fora em cima de Piquet na Tosa, mas o tricampeão joga duro e chega a tocar no italiano da Benetton. Três voltas depois Nannini dá uma rodada na Tosa e é ultrapassado por Boutsen, Mansell e Patrese, mas quem se aproveita disso é Mansell, que ultrapassa a Benetton de Boutsen e começa a ameaçar seu velho companheiro de equipe e desafeto Piquet na luta pelo terceiro lugar. Era o início de uma briga épica entre os dois grandes rivais, com Piquet e Mansell trocando várias vezes de posição, mas o inglês da Williams tem problemas em seu carro e abandona, aliviando um pouco a pressão sobre Piquet.

Porém, o piloto da Lotus pouco pode fazer com relação aos pilotos da frente. Quando Mansell abandona, Piquet estava um minuto atrás de Senna e o tricampeão acabaria levando uma volta do compatriota quando faltavam cinco voltas para o fim. Se haviam algumas dúvidas com relação ao domínio da McLaren em 1988, aquele dia do trabalhador em Ímola apagou todas. Com os engenheiros da Honda preocupados com o consumo de combustível, Senna diminui bastante seu ritmo e recebe a bandeirada de chegada com apenas 2.3s de vantagem sobre Prost. Logo após cruzarem a linha de chegada, ambas as McLarens encostam para iniciar a festa da equipe. Os dois carros eram os únicos na mesma volta. Piquet completava o pódio já ciente que não poderia defender seu título. Ele sabia que essa decisão seria entre Ayrton Senna, na sua sétima vitória na F1 e primeira (de muitas) na McLaren, e Alain Prost.

Chegada:
1) Senna
2) Prost 
3) Piquet
4) Boutsen
5) Berger
6) Nannini

domingo, 28 de abril de 2013

História: 40 anos do Grande Prêmio da Espanha de 1973

Após as três primeiras corridas no hemisfério sul da temporada de 1973, a F1 ficou quase dois meses sem corridas, mas nem por isso faltou ação, com Jackie Stewart vencendo o International Trophy em Silverstone e Peter Gethin faturando a Corrida dos Campeões em Brands Hatch. Eram tempos de corridas extra-campeonato, que praticamente marcavam o início da fase européia da temporada da F1. Na metade de 1973 ocorreria a mudança de regulamento em que a FIA prometia carros mais seguros, mas que se mostrariam bem diferentes dos bólidos de 1972. O atual campeão Emerson Fittipaldi vinha dominando a temporada com duas vitórias nas corridas sul-americanas, enquanto Stewart dava o troco com um triunfo na África do Sul. A luta prometia polarizar os dois pilotos ao longo da temporada. Naqueles tempos o Grande Prêmio da Espanha tinha uma alternância entre os circuitos de Jarama (anos pares) e Montjuich (anos ímpares). Circuito urbano montado em Barcelona, Mountjuich tinha como característica magoar bastante com os carros durante a corrida e sua última edição em 1971 teve apenas seis carros recebendo a bandeirada.

Os dois principais candidatos ao título tinham problemas em seus carros durante os treinos. Jackie Stewart chegou a bater duas vezes no guard-rail durante os treinos (uma na sexta e outra no sábado) e foi superado pelo seu companheiro de equipe François Cevert, algo não muito comum naquele início de temporada 1973. Enquanto Emerson Fittipaldi sofria com as adaptações que seu Lotus sofria com os novos regulamentos e conseguia apenas o sétimo lugar no grid, Ronnie Peterson sorria e o sueco foi o mais rápido tanto na sexta como no sábado, garantindo a pole, logo à frente da McLaren de Hulme, que vinha se apresentando muito bem na Espanha. 

Grid:
1) Peterson (Lotus) - 1:21.8
2) Hulme (McLaren) - 1:22.5
3) Cevert (Tyrrell) - 1:22.7
4) Stewart (Tyrrell) - 1:23.2
5) Revson (McLaren) - 1:23.4
6) Ickx (Ferrari) - 1:23.5
7) E.Fittipaldi (Lotus) - 1:23.7
8) Regazzoni (BRM) - 1:24.1
9) Hailwood (Surtees) - 1:24.2
10) Beltoise (BRM) - 1:24.2

O dia 29 de abril de 1973 estava ensolarado e quente em Barcelona, o que poderia indicar uma corrida ainda mais difícil em Montjuich. Segundo Emerson Fittipaldi, três fatores faziam daquela corrida muito desgastante. A primeira eram duas ondulações que faziam as rodas traseiras se erguerem do chão em alta velocidade e isso fazia com que o motor aumentasse de repente de rotação, desgastando motor e semi-eixo. Outro problema seriam os freios, muito exigidos nas curvas lentas, além da estreiteza do circuito de rua catalão. Na bandeirada de largada, Peterson disparou na frente, trazendo consigo Hulme e Stewart, que havia superado seu companheiro de equipe. Quem havia feito a melhor largada tinha sido Niki Lauda, que pulara de 11º para sexto no arranque inicial, mas ainda durante a primeira volta Emerson ultrapassa o piloto da BRM, fechando o que seria o primeiro pelotão daquela corrida.

Na frente, Peterson disparava na frente, seguido por Hulme, Stewart, Cevert, Beltoise e Emerson Fittipaldi, mas o piloto da Lotus ultrapassou o francês ainda na segunda volta, não deixando que o pelotão da frente se distanciasse, apesar de que Peterson, numa pilotagem espetacular, começasse a se destacar dos demais. Ainda na terceira volta Stewart deixou a McLaren de Hulme para trás, mas o escocês não pôde igualar o ritmo de Peterson e se isolou em segundo, com Hulme, Cevert e Emerson andando muito próximos, mas sem ultrapassagens. Um pequeno acidente ocorrido na 17º volta, aparentemente sem importância para o desenrolar da corrida, acabou por definir a prova, como se veria mais tarde. O italiano Andrea de Adamich bateu seu Brabham no guard-rail após a ponta de eixo do seu carro quebrar. Porém, pedaços de metal e de fibra se espalharam no local. Três voltas depois Hulme foi aos boxes trocar um pneu furado pelos estilhaços do carro de Adamich. Na volta 26, com o carro totalmente desequilibrado, Cevert acaba sendo superado por Emerson e também entra nos boxes para trocar seus pneus. Outra vítima da batida de Adamich!

Com pista livre, Emerson começa a descontar a desvantagem de 17s que tinha para Stewart, que a essa altura tinha sérios problemas de freios. Porém, Emerson começa a ver sua Lotus perder mais e mais equilíbrio. Na verdade, o trio Hulme, Cevert e Fittipaldi foram os primeiros a passarem pela cena do acidente de Adamich e todos, sem exceção, estavam com os pneus furados. Porém, Emerson resolve arriscar e fica na pista, mesmo com o risco de um acidente. Porém, o brasileiro é baforado pela sorte grande. Na 45º volta, com trinta para o final, um dos freios dianteiros de Stewart explode e o escocês ainda conseguiu se recuperar de um acidente, mas estava fora da prova. A Lotus agora fazia dobradinha, com Peterson fazendo uma corrida impecável até então e com 35s de vantagem sobre Emerson Fittipaldi, tendo que se equilibrar com um pneu furado e agora sofrendo a ameaça da Brabham de Carlos Reutemann.

Para desespero de Ronnie Peterson, o câmbio do seu Lotus o deixou na mão quando faltavam 16 voltas, dando a liderança para Emerson, mas para desespero da Lotus, Emerson perdia 2s por volta com relação a Reutemann e quando faltavam dez voltas, apenas 4s separavam os dois pilotos sul-americanos, mas provando que Deus é mesmo brasileiro, o argentino encostou sua Brabham com o semi-eixo quebrado, deixando Emerson, com um pneu furado, com a corrida na mão. François Cevert era o segundo colocado, apesar de sua parada não-programada, e mesmo andando 8s mais rápido do que o líder, estava quase uma volta atrasado e pouco pôde fazer para estragar a festa brasileira, que tinha o reforço da tripulação no navio-escola Custódio de Mello, que fez uma festa enorme quando Emerson Fittipaldi cruzou a linha de chegada para conquistar sua terceira vitória em quatro corridas até então. Naquele início da relação entre o Brasil e a F1, não faltava quem criticasse Emerson Fittipaldi por falta de combatividade e a comparação com o agressivo Ronnie Peterson acentuava essa impressão. Porém, Emerson sempre pilotou com a cabeça e numa prova difícil como aquele em Barcelona, Fittipaldi dosou sorte e talento para conquistar uma vitória magnânima. Com um início de campeonato como aquele, poucos duvidavam de um bicampeonato com certa facilidade de Emerson em 1973, mas o resto da temporada mostraria o contrário.

Chegada:
1) E.Fittipaldi
2) Cevert
3) Follmer
4) Revson
5) Beltoise
6) Hulme



sábado, 27 de abril de 2013

Puxou ao menos o chute

Não precisa ser adivinho para perceber que Nelsinho Piquet se inspirou no pai para entrar no automobilismo. Longe de ter o mesmo sucesso do pai, Nelsinho ao menos aprendeu não levar desaforo para cara, como demonstrado nesta noite em Richmond, na corrida da Nationwide Series. Reparem que o chute que Nelsinho dá em Brian Scott lembra bastante o célebre coice que Piquet pai deu em Eliseo Salazar em Honckenheim/82. Ao menos Nelsinho puxou isso...

terça-feira, 23 de abril de 2013

Fecha porta meu filho!

Apesar do verdadeiro grand-slam deste final de semana (F1, Indy e MotoGP), talvez a imagem da semana tenha vindo de Zolder, na etapa belga do FIA GT. A equipe brasileira da BMW parou nos boxes e olha o que aconteceu na troca de pilotos...

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Figura(BAH): Sebastian Vettel

O tricampeão Vettel tem uma marca registrada em suas vitórias muito parecido com a de dois pilotos históricos da F1. Assim como Jim Clark e Ayrton Senna, Vettel normalmente assume a primeira posição no início da prova (isso quando não larga na pole), dispara na frente em um ritmo alucinante nas primeiras voltas e depois administra sua boa vantagem sobre quem quer seja o segundo colocado. Vettel já venceu várias corridas assim e foi desta maneira, parecendo simples na explicação, que o alemão conseguiu sua 28º vitória na F1 neste domingo em Sakhir, ultrapassando a mítica marca de vitórias de Jackie Stewart, que por muitos anos foi recorde na F1. Porém, na prática, Vettel dá um show de pilotagem de como andar no limite no começo da prova e como administrar uma corrida em tempos de pneus de isopor, ainda mais no forte calor barenita. Com seus principais rivais tendo problemas neste início de ano, o tetracampeonato de Sebastian Vettel não parece algo improvável de acontecer.