domingo, 30 de junho de 2013

Sinal de alerta

Provavelmente a belíssima corrida em Silverstone aplaque um pouco o perigo que foi a corrida de hoje. Desde o Grande Prêmio dos Estados Unidos de 2005 em Indianapolis que não se via os pneus afetarem tanto a segurança de pilotos como hoje. Correndo no quintal de Nigel Mansell, hoje vimos quatro repetições da famosa imagem de Mansell em Adelaide/86 com os pneus traseiros esquerdo de Hamilton, Massa, Vergne e Pérez voando pelos ares em momentos distintos da prova, causando até mesmo uma correria aos boxes e engenheiros clamando aos seus pilotos que não ataquem zebras. Até mesmo o acerto de alguns carros foram modificados para que dechapagens não acontecessem. Foi uma prova tensa, mas com um final emocionante pelo melhor dos motivos, quando um safety-car provocado pelo então líder inconteste da corrida, Sebastian Vettel, fizesse com que pilotos colocassem pneus novos, partissem para cima com grande ferocidade e grandes ultrapassagens ocorressem nas últimas sete voltas, mas como Nico Rosberg também parou no final, o alemão só viu as ultrapassagens pelo retrovisor de seu Mercedes e conseguiu sua segunda vitória nesta temporada, com Webber e Alonso, em ótimas corridas, completando o pódio.

Com um clima nada tipicamente inglês, a corrida foi totalmente no seco e se não houve forte calor, o sol foi inclemente com os pneus, particularmente com o pneu traseiro esquerdo. Primeiro foi o então líder Lewis Hamilton aparecer lento após seu pneu dechapar na reta Wellington. Poucas voltas depois, a vítima foi Felipe Massa, que havia feito a largada de sua vida ao pular de 11º para 5º. Para azar de ambos, o problema no pneu foi no início da volta e tanto Lewis como Felipe tiveram que dar praticamente uma volta inteira com o pneu danificado, parecendo ter estragado suas corridas de forma definitiva. Quando Jean-Eric Vergne teve destino semelhante no final da reta Hangar, o pânico se instalou para equipes e para a Pirelli. Christian Horner balança a cabeça em desaprovação no que via em apenas onze voltas. Equipes chamavam seus pilotos para trocar os pneus médios para duros, apesar de que o problema com o pneu de Vergne foi com o composto duro. Seguiu-se a constatação que o problema seria entre as curvas 4 e 5, obrigando os pilotos evitarem as zebras nessas curvas. Como o problema de Vergne foi bem longe dali, outra versão surgiu de que o problema era de superaquecimento nos pneus. O safety-car entrou pela primeira vez e a pista foi praticamente limpa, procurando algo que estivesse provocando esses perigosos incidentes. Foi uma prova tensa, onde todos até mesmo esperaram o pior, mas apenas Pérez foi vítima já no finzinho da corrida. E também na reta Hangar. Os pneus estão sendo os grandes protagonistas desta temporada e a Pirelli, que diz já estar certa para 2014, enfrentou um grande baque com esse episódio em Silverstone, onde a segurança dos pilotos foi claramente afetada. Afinal, se antes a durabilidade dos pneus italianos estava seriamente questionada, mas por motivos políticos nada foi feito, provavelmente agora, com problemas de segurança, algo seja feito para o bem da categoria e da própria imagem da Pirelli.

Apesar dos problemas, Nico Rosberg fez uma corrida sólida e se aproximava de Vettel quando o alemão da Red Bull teve problemas em seu carro, aparentemente de câmbio. Nico foi esperto quando entrou nos boxes e trocou seus pneus nas últimas voltas e ficou imune aos ataques de quem vinha com borracha nova logo atrás. Rosberg ainda está apenas em sexto no campeonato, mas sua segunda vitória o fez encostar nos pilotos logo à sua frente e coloca ainda mais interrogações na cabeça frágil de Lewis Hamilton, que tinha tudo para vencer em casa, mas foi traído pelo polêmico pneu traseiro esquerdo. Sempre dominando seus companheiros de equipe, Hamilton ainda não venceu nenhuma vez em sua estreia pela Mercedes, enquanto Nico já tem dois triunfos para contar, fora o fato de ter feito isso em duas corridas emblemáticas e uma na casa do inglês. Hamilton, bem ao seu estilo, fez uma brilhante corrida de recuperação após cair para as últimas posições e com ultrapassagens decididas e disputas muito interessantes, em particular com Paul di Resta, Hamilton ainda conseguiu subir ao quarto lugar, colado em Alonso. Porém, longe da briga pelo título e vendo Rosberg se destacando cada vez mais.

Bem no final de semana em que anunciou sua aposentadoria, Mark Webber fez uma corrida magnífica após outra largada pífia do australiano. Com poucas corridas para o fim de sua passagem para a F1, dificilmente Mark aprenderá a largar bem, algo que já o atrapalhou bastante nos últimos tempos. Porém, em um circuito onde venceu duas vezes nas últimas três temporadas, Webber fez uma corrida magistral até arriscar na estratégia ao colocar pneus novos nas últimas voltas e ultrapassar quem estivesse pela frente, mas como Nico tinha feito a mesma coisa, Webber pouco pôde fazer para se aproximar do piloto da Mercedes, contudo esse segundo lugar mostra que a saída de Webber da F1 foi mais uma opção pessoal do que uma performance ruim do australiano. Por sinal, a Globo e suas idiossincrasias babacas desde ontem não dizia o destino de Webber a partir de 2014. Diga-se de passagem, o Mundial de Endurance passa na SporTV, braço esportivo da Globo... Vettel fazia outra corrida com sua marca. Vendo Hamilton com o pneu destruído à sua frente, Sebastian ditou o ritmo da prova até ter problemas aparentes de câmbio. Para o campeonato, menos mal que o vencedor foi Nico Rosberg, piloto longe da briga pelo título e o prejuízo de Vettel não foi tão grande assim, mas parece que praga de espanhol pega, pois Alonso vivia dizendo que em uma hora Vettel teria os azares que Alonso teve no início do campeonato. E hoje foi a primeira...

Após uma classificação brochante, a Ferrari estava bastante desanimada para a corrida desta domingo, mas a prova começou animadora para o segundo piloto, quando Felipe Massa fez uma largada arrebatadora, saindo de décimo primeiro para sexto em apenas duas curvas, ainda tendo tempo de ultrapassar Raikkonen na primeira volta. Foi uma grande pilotagem de Felipe até ser a segunda vítima da Pirelli. Porém, Massa fez uma grande corrida e após ter ficado em último subiu pelo pelotão até assumir uma ótima quinta posição. Já Alonso fez o que um gênio como ele sempre faz. Largando mais atrás, Alonso escapou da má largada de Webber e partiu para uma corrida de recuperação cortesia de sua má posição no grid. Com ultrapassagens decididas, Alonso conseguiu no máximo um quinto lugar, pois sua Ferrari estava nitidamente desequilibrada. Porém, Alonso seguiu as estratégias de Rosberg e Webber e nas últimas voltas eram um dos mais rápidos da pista e ainda teve tempo de assumir um lugar no pódio, além de ficar estabelecido na vice-liderança do Mundial, capitalizando, mesmo que não totalmente, o zero ponto de Vettel. Outra equipe com problemas na Classificação, a Lotus, fez uma corrida muito boa com Raikkonen, mas o próprio finlandês adivinhou seu destino quando perguntou ao seu engenheiro se não deveria ter parada na ocasião da última entrada do safety-car. Com pneus velhos, Kimi foi um alvo fácil para Webber, Alonso e Hamilton, mas o quinto lugar, após um final de semana difícil, não deixa de ser bom para Raikkonen, que ainda se mantém, a duras penas, em terceiro lugar no campeonato, apesar de ser nítido que a Lotus perdeu o ritmo das equipes rivais na questão de desenvolvimento. Grosjean voltou a ser o piloto desastrado da primeira curva, quando tocou em Webber e fez com que o australiano trocasse o bico do carro em sua primeira parada, e não acompanhou o ritmo de Raikkonen a partir da segunda parada, abandonando no final da prova. Várias vezes neste final de semana foi mostrada pela FOM o campeão da GP2 em 2012 Davide Valsecchi, atual piloto de testes da Lotus. Para bom entendedor...

A Force India fez outra boa corrida e se firma como melhor equipe intermediária de 2013. Várias vezes Adrian Sutil ficou em terceiro lugar durante a prova, mas no final sucumbiu aos pneus novos de Mark, Fernando e seu ex-amigo Lewis, porém, o sexto lugar deu mais pontos a sua equipe, junto com os bons pontos marcados por Paul di Resta, desclassificado ontem do seu ótimo quinto lugar devido a seu carro estar 1,5kg abaixo do peso regulamentar. Largando em último, o escocês fez uma corrida magnífica rumo a zona de pontuação, inclusive com uma bela disputa com Hamilton. Querendo mostrar serviço para a matriz, Daniel Ricciardo voltou a fazer uma boa corrida em Silverstone, circuito que está bastante habituado desde os tempos da F3 Inglesa, e marcou bons pontos para a Toro Rosso após conseguir sua melhor posição de largada, em quinto. Para melhorar a situação do australiano, que pode contar com a força do compatriota Webber na sua sucessão, Vergne não estava fazendo nada demais até ser a terceira vítima da Pirelli e abandonar posteriormente. Correndo em casa a McLaren decepcionou novamente e Button ficou fora da zona de pontuação, enquanto Pérez foi a última vítima da Pirelli, quando até vinha na zona de pontuação. O time chefiado por Martin Whitmarch necessita de forma urgente-urgentíssima de uma grande reviravolta para que algo melhore neste 2013. Completando 600 GPs a Williams quase pontuou quando Maldonado em 11º, ficando logo atrás de outra equipe decepcionante em 2013, mas que ao menos já marcou pontos, que é a Sauber de Nico Hülkenberg, por enquanto, piloto único da equipe helvética. 

Foi uma corrida emocionante e cheia de fatos marcantes, mas está na hora de equipes e pilotos chamarem a Pirelli para um canto e cobrar sobre o que aconteceu hoje em Silverstone. Pneus dechapados podem ser muito perigosos e como a corrida na Alemanha já será na próxima semana, haverá pouco tempo de manobra. Rosberg venceu, Webber, Alonso, Hamilton e Massa fizeram ótimas corridas, enquanto Vettel lamentou seu primeiro abandono do ano. Tudo isso ficou para trás com a borracha indo para os ares em Silverstone.

sábado, 29 de junho de 2013

Homens de borracha

Sempre achei os pilotos do Mundial de Motovelocidade meio loucos não apenas pelas suas manobras em cima de duas rodas a mais de 300 quilômetros por hora, mas principalmente pela sua coragem frente à contusões. Porém, o que Jorge Lorenzo fez hoje entrou para a história. O espanhol da Yamaha sofreu um acidente muito forte ainda na quinta-feira em Assen, lembrando que o mítico TT holandês é realizado desde 1949 aos sábados. Com a clavícula esquerda quebrada em três locais, Lorenzo voou imediatamente para Barcelona, onde foi submetido a uma cirurgia reparadora de duas horas nesta sexta-feira. Após receber alta, Jorge viajou de volta para a Holanda ainda sexta-feira à noite para conseguir correr. E de forma inimaginável, Lorenzo correu!

A corrida em Assen foi cheio de fatos históricos. Após três anos de seca, Valentino Rossi fez uma prova perfeita e rapidamente deixou as duas Hondas para trás, assumindo a ponta da corrida para não mais deixa-la. Rossi voltou aos bons tempos e todo o público parecia feliz com isso. Quando Rossi ultrapassou Pedrosa de forma definitiva, Assen veio abaixo como se Robben tivesse feito um gol numa final de Copa do Mundo.  Lin Jarvis, chefe da Yamaha, vibrou demais também. Sem muitas chances de título, Rossi provou que ainda é capaz de ser competitivo e vencer corridas, mesmo tendo que enfrentar o trio espanhol, cada vez mais forte. Marc Márquez foi segundo, mas ele também estava sofrendo com problemas físicos após uma queda no terceiro treino livre que resultou em duas fraturas, uma na mão e outra no pé. Mesmo estreante, Márquez vai aprendendo e mostrando o fenômeno que é e será no futuro. Cruthlow largou na pole, a primeira de uma equipe satélite em anos, mas não resistiu a largada forte dos pilotos da Repsol Honda. Contudo, o inglês se recuperou e com ultrapassagens decididas, quase deixou Márquez para trás, só não o fazendo após levar um susto na abertura da última volta.

Daniel Pedrosa perdeu uma chance de ouro para se estabelecer ainda mais na ponta do campeonato. O espanhol chegou a liderar a corrida, mas foi perdendo de rendimento e sendo ultrapassado até cair para quarto. Pedrosa é rápido, mas ainda falta um quê de campeão, um algo mais, algo que Jorge Lorenzo mostrou de sobra hoje. Largando em 12º por força do regulamento, Lorenzo rapidamente pulou para quinto e deixou Cruthlow praticamente na carteirada, mas seu ritmo foi diminuindo até de forma esperada e perdoada. No final da corrida, Lorenzo, quinto colocado, mal levantava seu braço esquerdo e chorava de dor e de emoção pelo feito conseguido. Além do mais, apenas uma posição atrás de Pedrosa, Lorenzo saiu muito no lucro no campeonato e sendo aplaudido por toda a equipe. E são palmas mais do que merecidas. O espanhol pode ser arrogante, mas temos que tirar o chapéu para o que Jorge Lorenzo fez hoje em Assen.

Doce ilusão

Nigel Mansell dizia que ganhava 1s a cada vez que corria em Silverstone devido à torcida inglesa que sempre o empurrava loucamente a cada Grande Prêmio da Inglaterra. Vinte e um anos depois da famosa vitória de Nigel no mítico aeródromo inglês, Lewis Hamilton deu um gostinho especial para a sua torcida com uma pole atordoante, quando colocou quase meio segundo em seu companheiro de equipe e companheiro de primeira fila Nico Rosberg. Lewis deu tchauzinho para a torcida enquanto o Q1 rolava, mostrando sua confiança no ritmo de Classificação da Mercedes e no Q3 Hamilton conseguiu uma pole espetacular.

Porém, a tendência é que essa pole não se transforme em vitória amanhã. Os carros da Red Bull estão muito fortes e com Vettel e Webber na segunda fila, tudo indica que ambos deixarão os carros prateados para trás durante a prova e estragará a festa inglesa para Hamilton. Para melhorar a situação para a Red Bull, Ferrari e Lotus, equipes que sempre andam bem nas corridas em detrimento a classificações discretas, parecem não ter se encontrado no final de semana inglês a ponto de Raikkonen ter tido dificuldades para passar ao Q3 e Alonso tendo que largar apenas em décimo amanhã. Felipe Massa teve dificuldades de passar até mesmo ao Q2 e levou muito tempo de Alonso durante toda a classificação. O acidente (quarto em três finais de semana de corridas) pode ter influenciado, mas a expressão corporal de Massa na entrevista à Rede Globo depois da desclassificação indicou um piloto preocupado, sem muitos resultados para mostrar aos empregadores atuais e até mesmo futuros. Tenho a sensação (apenas sensação) de que Massa não recebeu boas notícias nas últimas semanas...

Hamilton levantará a galera largando na primeira posição neste domingo, mas a Red Bull é a grande favorita a vitória amanhã, principalmente com Vettel, que pareceu muito forte a ponto de andar no mesmo ritmo (de classificação) da Mercedes. Por que em ritmo de corrida, a Red Bull é muito superior.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Goodbye

Hoje pela manhã Mark Webber anunciou algo que todos mais ou menos sabiam: sua saída não apenas da Red Bull, mas também da F1 no final desta temporada. O australiano estava desgastado com os problemas que teve ao longo de todos esses anos com Vettel dentro e fora da pista, juntando com um contrato extremamente vantajoso com a Porsche, Webber se despediu da F1 após doze anos em que conquistou mais desafetos do que fãs.

Extremamente político, Mark Webber virou vilão para boa parte dos brasileiros quando destruiu (dentro e fora das pistas) Antônio Pizzônia, o queridinho da imprensa nacional no início do século 21, no curto tempo em que passaram juntos na Jaguar. Porém, Mark é muito rápido e juntamente com suas manobras nos bastidores, deixou muito companheiro de equipe na bronca com ele. Isso até encontrar Sebastian Vettel de proa. O alemão não apenas se mostrou mais rápido do que Webber, mas também imune aos truques do australiano nos boxes, sempre colocando Webber no bolso na pista, onde as coisas são realmente decididas. Cada vez mais dono da Red Bull, Vettel conseguiu fazer o que Webber fez no resto de sua carreira, que era fazer com que a equipe orbitasse em torno dele. Mark tentou de tudo para retomar a equipe para si, inclusive usando a amizade que tem com o chefe da equipe Christian Horner, mas Webber foi derrotado por Vettel e já contando com 36 anos, irá fazer Endurance com a Porsche.

Com a saída de Webber, o status quo da F1 muda novamente após a saída de Hamilton da McLaren para a Mercedes. Quem usará o carro de número 2 (ou 4, caso Vettel não seja tetra esse ano) da Red Bull em 2014? Candidatos não faltam. Muito se fala em Kimi Raikkonen, que está andando o fino desde seu retorno ano passado, além de ser muito amigo de Vettel. Mas aí é que mora o perigo. Qual seria o atrativo de ser segundo piloto de Vettel, um tipo de piloto faminto por recordes e ainda muito jovem? A escola de jovens pilotos da Red Bull tem a dupla da Toro Rosso também como candidata natural com Jean-Eric Vergne e Daniel Ricciardo, mas ambos não mostraram até agora um algo mais que o próprio Vettel mostrou na STR em 2008. Porém, trazer um piloto de fora das canteiras da Red Bull pode desmoralizar o próprio programa tão bem cuidado por Helmut Marko, mas que até agora tem apenas Vettel como único bom fruto.

O que é fato agora é que Mark Webber deixará a equipe Red Bull no final deste ano de uma forma esquisita, meio que brigado com o time que lhe deu seus melhores resultados. O episódio em Sepang não foi esquecido e a possibilidade de algum tipo de revide do australiano não seria surpresa. Porém, agora Webber voltará a Le Mans, lugar onde ficou mais conhecido pelo duplo mortal que deu quando ainda corria pela Mercedes em 1999.

sábado, 22 de junho de 2013

Vídeo do acidente

Assistindo num ângulo novo, percebe-se que Simonsen perde o controle do seu carro ao desviar de uma Ferrari que acabara de rodar à sua frente. Porém, ainda não assisti um vídeo mostrando o impacto...

Que pena (3)

Eu fico extremamente chateado quando estou assistindo uma corrida, ocorre um grave acidente e no final o piloto envolvido acaba por falecer. E fico ainda mais chateado quando tenho um pressentimento ruim. Estava assistindo as primeiras voltas das 24 Horas de Le Mans, algo que não faço muito, pois as corridas de Endurance, com o perdão dos fãs, não estão entre as minhas favoritas. Porém, Le Mans é Le Mans, e estava todo entretido vendo a luta entre Audi e Toyota quando os belos protótipos saíram do circuito Bugatti e foram em direção a Mulsanne. Ao contrário do circuito mais curto, com suas amplas áreas de escape, Sarthe mostrava guard-rails perigosamente próximos da pista. Pensei comigo mesmo. Bater ali vai ser foda! E me lembrei da eterna luta entre o coração (circuitos desafiantes, sem áreas de escape) e a razão (circuitos largos e seguros).

Então, é mostrado um Aston Martin semi-destruído justamente nessa parte do circuito. Allan Simonsen, pole da categoria GTE AM, estampou com força seu belo carro justamente na parte fora do circuito Bugatti. O socorro foi rápido e sinceramente não percebi a gravidade do acidente, demonstrado pelas imagens distantes do atendimento ao dinamarquês de 34 anos. Horas depois, a organização das 24 Horas de Le Mans anunciou a morte de Simonsen, piloto da Aston Martin, que tentava uma vitória no ano em que comemora o seu centenário. 

Vi apenas três ângulos do acidente de Simonsen e nenhum deles foi muito conclusivo, até por que não é mostrado o momento do impacto. A garoa que caía no momento do acidente provavelmente não ajudou Simonsen. O automobilismo mundial está vivendo um momento tão turbulento como o Brasil, com três mortes em três competições totalmente diferentes em menos de um mês. A corrida não foi cancelada, como é normal nas 24 Horas de Le Mans (que não via uma morte há dezesseis anos), mas a prova será enlutada, assim como está o automobilismo mundial, por causa de Allan Simonsen.

domingo, 16 de junho de 2013

Trio Iraquitana

O Mundial de MotoGP está sendo amplamente dominado por três pilotos espanhóis e correndo em casa, no já tradicional circuito de Barcelona, Jorge Lorenzo, Daniel Pedrosa e Marc Márquez, nessa ordem, deixou seus adversários para trás e completaram as 25 voltas da corrida nessa formação. A proximidade entre os três trouxe uma certa apreensão do que poderia acontecer, mas a realidade foi que o trio se respeitou bastante e na única tentativa mais séria de ultrapassagem, Márquez quase caiu quando colocou por dentro de Pedrosa, mas o jovem de 20 anos deve ter se lembrado que Pedrosa não apenas é o líder do campeonato, como também é seu companheiro de equipe, ao contrário do que aconteceu em Jerez com Lorenzo.

Conhecendo Pedrosa desde criança, Jorge Lorenzo sabe que se o compatriota e rival ficar na frente nas primeiras voltas, a tendência é Dani disparar e vencer a corrida. Por isso Lorenzo tirou forças não se sabe da onde e anulou a principal característica de Pedrosa, que é a largada, e superou o piloto da Honda, que largara na pole, ainda antes da freada da primeira curva. Essa ultrapassagem, onde Pedrosa ainda tentou ir para cima em alta velocidade no retão, praticamente definiu a vitória para Lorenzo, pois Pedrosa ficou na indecisão se atacava Lorenzo, ou se defendia de Márquez, dono da segunda melhor largada do dia, pulando de sexto para terceiro. E assim os três passaram a corrida toda, com a diferença não passando de 1s entre eles, até os pneus de Pedrosa irem embora e Dani ser ameaçado por Márquez no final.

Mesmo com a Yamaha sendo inferior a Honda, Lorenzo vai tirando a diferença no braço e se aproxima de forma cristalina de Pedrosa no campeonato. Já para Dani, a situação vai se complicando. Sempre tive a sensação de que Pedrosa teve um certo medo de Lorenzo. Talvez algum psicólogo pode explicar isso, mas são raras as vezes em que Pedrosa derrota Lorenzo numa disputa corpo a corpo. Talvez por Lorenzo aparentar ser mais forte fisicamente, mas a realidade é que Pedrosa viu Lorenzo se igualar em vitórias a ele e para piorar as coisas, Marc Márquez vem que nem um furacão para cima dele. A tirada de mão de Márquez na sua tentativa de ultrapassagem foi uma forma de respeito, mas Marc já está no mesmo nível de Pedrosa com o mesmo equipamento, mas com a tendência de crescimento. Ao contrário de Valentino Rossi, um quarto colocado distante, que parece sem forças para enfrentar a força dos jovens espanhóis.

E assim a banda toca na MotoGP, com o hino espanhol sendo tocado domingo após domingo para o vencedor da corrida. Ou até mesmo com a bandeira vermelha e amarela dominando o pódio, como foi hoje. Lorenzo, Pedrosa, Márquez. O título de 2013 sairá impreterivelmente destes três grandes pilotos.