domingo, 29 de setembro de 2013

Jogo de equipe

Com o mês de outubro chegando, muitos campeonatos vão se definindo e hoje o DTM viu Mike Rockenfeller conquistar seu primeiro título da categoria, após um 2012 de evolução e um 2013 de consagração. O alemão da Audi foi constante ao extremo, vencendo duas provas e chegando na zona de pontuação nas demais corridas, conquistando o troféu com uma etapa de antecedência, algo não muito comum no competitivo mundo do DTM.

O principal rival de Rockenfeller foi o brasileiro Augusto Fafus Jr da BMW. Vencedor da etapa de abertura, Farfus não foi tão constante quanto Rockenfeller, deixando de marcar pontos três vezes, mas vindo de uma vitória em Oschersleben. No tradicional circuito de Zandvoort, Farfus teria a ajuda do pole Marco Witmann, também da BMW, mas o problema seria o pelotão de Audis atrás deles. Isso seria crucial. Na largada, Witmann larga mal e Farfus assume a ponta, de onde não sairia mais. Porém, precisando apenas de um terceiro lugar, Rockenfeller larga tão bem que suscitou dúvidas de uma queimada de largada, não confirmada nos replays. Mike tomou a segunda posição de Witmann e comboiou Farfus até o brasileiro começar a ter problemas com seus pneus macios. Rockenfeller chegou a esboçar uma pressão, mas sem necessitar forçar demais, o alemão desistiu da briga após a primeira parada de box.

Quando trocou seus pneus, Farfus disparou na ponta, chegando a abrir 15s sobre Rockenfeller, devidamente protegido pelo piloto Audi Timo Scheider. Um safety-car ainda criou certa tensa ansiedade, mas estava claro que Scheider não atacaria Rockenfeller, que apenas viu de longe Farfus conquistar sua terceira vitória no ano, e definir seu primeiro campeonato do DTM com o segundo lugar. Destaque negativo para a Mercedes, longe da briga pelo título e com seu melhor carro apenas em décimo em Zandvoort.

Mike Rockenfeller, um piloto discreto, mas eficiente, como são conhecidos os alemães, é uma cria da Audi e além do DTM, piloto os belíssimos R18 nas 24 Horas de Le Mans. Rockenfeller teve todos os méritos no campeonato desse ano, mas deverá ter em Farfus um rival duríssimo em 2014. 

Quebrando o bom momento

Mesmo a Honda tendo a melhor moto na MotoGP em 2013, as duas vitórias de Jorge Lorenzo nas duas últimas etapas mostraram que a boa vantagem do novato sensação Marc Márquez no campeonato poderia ser derrubada com mais algumas das ótimas exibições de Lorenzo nas provas restantes. Se quisesse se manter como favorito ao título, Márquez necessitava urgentemente de uma reação para quebrar o bom momento de Lorenzo. Aragão é uma pista que favorece a Honda, mas Lorenzo só tinha ficado 0.01s atrás de Márquez nos treinos. A corrida tinha tudo para ser tensa. E realmente foi, mas principalmente entre os pilotos da Honda.

Como virou tradição, Lorenzo pegou a ponta na largada, com as duas Hondas logo atrás. Márquez caiu para terceiro na primeira curva, mas ultrapassou Pedrosa na curva seguinte. Apesar de Lorenzo ter conseguido abrir uma pequena diferença na primeira volta, não foi como em Misano, quando o piloto da Yamaha disparou na ponta. A aproximação das motos laranjas da HRC era inexpugnável, mas com Márquez e Pedrosa se engalfinhando. Dani parecia ter um melhor ritmo e ultrapassou Marc para partir para cima do seu velho rival. Porém, se quisesse vencer e manter uma boa vantagem sobre Lorenzo, Márquez sabia que não poderia deixar que seu companheiro de equipe abrisse vantagem. Fora que o novato precisava se ficar por cima do experiente piloto da Honda. Numa tentativa de ultrapassagem, Márquez chegou a sair da pista, mas voltou sem maiores problemas, mas aparentemente Pedrosa se desconcentrou e quando foi dar motor, sua moto ejetou-o e Dani estava fora da corrida e numa maca rumo ao centro médico numa ambulância.

Mesmo perdendo tempo, Márquez rapidamente tirou a vantagem para Lorenzo e o ultrapassou com facilidade, com Jorge chegando a olhar para trás, incomodado com a chegada do compatriota. Márquez administrou muito bem a briga com Lorenzo, com ambos chegando a marcar exatamente o mesmo tempo de volta, mas Marc não deu chances a Lorenzo e venceu pela sexta vez no ano, abrindo mais cinco pontos no campeonato e não precisando mais vencer para se tornar campeão da MotoGP. Lorenzo foi elegante na derrota, mas sua cara no parque fechado mostrava que a vaca estava indo para o brejo, pois como vem acontecendo, Jorge mostrou outra grande exibição, mas não o suficiente para fazer frente ao poderio da Honda e o talento de Marc Márquez. Com Pedrosa fora, Valentino Rossi também quebrou a sequencia de quatro quarto lugares consecutivos, mas o piloto da Yamaha teve que lutar muito com os dois pilotos da Honda satélite Stefan Bradl e Alvaro Bautista. Contudo, os 13s atrás do líder mostra bem o quanto Vale esta atrasado frente aos líderes do campeonato.

Com essa vitória, Marc Márquez voltou às vitórias e deu um passo importante rumo ao incrível primeiro título em sua estreia na MotoGP. Com a queda de Pedrosa, que nada tinha de mais grave em seu acidente, Márquez deverá ocupar todas as atenções da Honda, que deverá ter que convencer a Pedrosa a ajudar Márquez na luta pelo título com a Yamaha de Lorenzo, mas com a queda de hoje, no dia do seu aniversário, mais as constantes brigar em que estão envolvidos, será que Pedrosa quererá ajudar Márquez? Eis um abacaxi que Suhei Nakamoto, presidente do HRC, deverá ter que descascar nas próximas semanas.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

História: 15 anos do Grande Prêmio de Luxemburgo de 1998

Após outro fim de semana ruim de Mika Hakkinen em Monza, as chances de Michael Schumacher conquistar o tricampeonato aumentavam cada vez mais, algo que soava impossível no começo do campeonato de 1998, quando a McLaren dominou as primeiras corridas a seu bel prazer. Porém, Schumacher usou sua magia para chegar à Nürburgring empatado com seu velho rival Hakkinen e usaria outro fator para favorece-lo: o fator casa. Nürburgring ficava menos de 100 km da cidade natal de Schummy.

Por isso, hordas de torcedores alemães invadiram o velho circuito de Nürburgring para ver Michael Schumacher tentar derrotar Mika Hakkinen novamente. Como é comum naquela região alemã, a chuva se fez presente naquele final de semana e foi Schumacher, conhecido como um ás na chuva, que saiu da pista no começo do treino, ainda com asfalto úmido, mas secando claramente. Com pista seca, Hakkinen fez o melhor tempo, mas em sua segunda volta rápida, Schumacher colocou meio segundo em Mika, espantando a todos com a exibição do alemão. Para melhorar, Irvine consegue sua melhor posição de largada e faria uma primeira fila toda vermelha, enquanto Coulthard corroborava com o fim de semana infeliz da McLaren ao perder seu lugar na segunda fila para Fisichella. 

Grid:
1) M.Schumacher(Ferrari) - 1:18.561
2) Irvine(Ferrari) - 1:18.907
3) Hakkinen(McLaren) - 1:18.940
4) Fisichella(Benetton) - 1:19.048
5) Coulthard(McLaren) - 1:19.169
6) R.Schumacher(Jordan) - 1:19.455
7) H.H.Frentzen(Williams) - 1:19.522
8) Wurz(Benetton) - 1:19.569
9) Villeneuve(Williams) - 1:19.631
10) Hill(Jordan) - 1:19.807

O dia 27 de setembro de 1998 estava claro e Nürburgring teria pista seca para o segundo Grande Prêmio luxemburguês da história. No warm-up a McLaren se recuperou com seus dois carros sendo os mais rápidos. Ron Dennis diria que seus carros estavam com algum combustível  no tanque, mesmo nos treinos de classificação. A largada se deu sem problemas com as duas Ferraris disparando rumo à primeira curva, mas para surpresa de todos, foi Irvine quem apareceu na ponta, seguido por Schumacher, enquanto Coulthard até larga melhor do que Hakkinen, mas respeita a hierarquia da McLaren e tira o pé para que o finlandês ficasse em terceiro.

Porém, não demorou muito para que Schumacher retomasse a ponta ainda no início da segunda volta e o plano da Ferrari parecia perfeito. Com Hakkinen preso atrás de Irvine, Schumacher poderia impôr o seu ritmo forte para disparar na ponta rumo à vitória. Porém, Hakkinen parecia estar mais confortável em ritmo de corrida e pressionava Irvine, que já estava 4s atrás do companheiro de equipe. Mika sabia que não podia perder muito tempo e após apenas 14 voltas, efetuou uma tranquila ultrapassagem sobre Irvine na chicane Veedol. A Ferrari esperava que Irvine dificultasse ao máximo a ultrapassagem, mas o irlandês não tinha um bom acerto e logo seria alcançado pelo quarto colocado Coulthard. Durante a rodada de paradas, o escocês assumiria o terceiro lugar. Com pista livre e com a confiança cada vez maior, Hakkinen começou a tirar a diferença para Schumacher, que imediatamente respondeu levando sua Ferrari e os pneus Goodyear ao limite extremo. Mesmo separados por 4s, era uma briga de gato e rato entre os dois postulantes ao título.
Na volta 24 Schumacher fez sua primeira parada e ele voltou à pista ainda em segundo lugar, com Irvine segurando uma fila de carros atrás de si, já completamente sem ritmo. Nesse momento Hakkinen estava 3.5s atrás de Schummy. O finlandês sabia que aquela era a sua chance. Com quatro voltas a mais de combustível, Mika voou na pista, enquanto Schumacher era atrapalhado por retardatários. Quando Hakkinen fez seu pit-stop, estava 19.3s à frente de Schumacher, mas ajudado por um pit-stop assombroso, o finlandês da McLaren conseguiu sair à frente do rival, para um longo suspiro da torcida alemã. Schumacher ainda tentou efetuar a ultrapassagem, mas Hakkinen segurou a pressão do alemão nas voltas posteriores e com o tempo, Mika começou a aumentar a vantagem.

A segunda rodada de paradas não mostrou mudanças. Mika Hakkinen estava administrando sua posição e mantinha a liderança ao redor 4-5s. Quando recebeu a bandeirada para a sua provável vitória mais importante de sua carreira, Mika Hakkinen estava mais feliz do que o costume. Muitos duvidavam que Hakkinen seria capaz de enfrentar Schumacher numa briga pelo título na F1, mas naquele final de setembro de 1998 Mika mostrou ao mundo que estava mais do que preparado para conquistar o seu primeiro título na carreira e derrotar uma lenda Michael Schumacher. Isso se confirmaria um mês depois na última prova em Suzuka.

Chegada:
1) Hakkinen
2) M.Schumacher
3) Coulthard
4) Irvine
5) Frentzen
6) Fisichella

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Carona perigosa

Quando foi anunciada a punição à Mark Webber após este pegar uma carona com Alonso depois do Grande Prêmio de Singapura, me juntei aos indignados de que acham a F1 está ficando fresca demais. Porém, este vídeo apareceu e mostrou que ambos foram imprudentes ao extremo. Como Webber estava levando o terceiro puxão de orelhas e como o regulamento prevê que isso vale dez posições no grid... foi justo!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Figura(CIN): Sebastian Vettel

A 33º vitória na carreira de Sebastian Vettel parece ter sido como a maioria, onde o alemão dominou como quis os adversários e venceu de ponta a ponta, conquistando seu terceiro grand-chelen (pole, vitória, melhor volta da corrida e todas as voltas lideradas) na sua já gloriosa carreira, no lugar do adjetivo precoce. Porém, o que chamou a atenção foi a forma em que Vettel humilhou a concorrência nas ruas de Cingapura. O potencial do Red Bull RB9 é indiscutível, mas Sebastian Vettel deu um verdadeiro show na noite cingapuriana. Logo nas primeiras voltas abriu confortável 6s que pareciam ser suficientes para administrar a corrida como normalmente Seb faz, porém, o acidente do seu futuro companheiro de equipe exatamente no meio da prova mudou a estratégia da Red Bull. Enquanto muitas equipes anteciparam seus pit-stops, a Red Bull resolveu deixar seus pilotos na pista. O time conhecia seu piloto e Vettel passou a andar incríveis 2s, ou mais, mais veloz do que qualquer um na pista. Sua volta posterior a sua segunda parada chegou a absurdos 3s sobre o segundo colocado Fernando Alonso. Tamanho domínio começa a incomodar alguns e vaias foram ouvidas novamente no pódio para Vettel, numa antipatia que de certa forma também atingiu Schumacher em seu auge. Porém, mesmo com a corrida não sendo das mais emocionantes, foi melhor aproveitar a pilotagem inspirada de Sebastian Vettel rumo ao seu quarto título e a imortalidade na F1.

Figurão(CIN): Mercedes

Com um equipamento bem superior ao da Ferrari em Cingapura, rival direta pelo segundo lugar no Mundial de Construtores, a Mercedes tinha a faca e o queijo na mão para superar os italianos e ser o melhor do resto num campeonato dominado, mais uma vez, por Red Bull e seus blues caps. O começo foi promissor com Nico Rosberg quase roubando a pole de Vettel na classificação e na largada, mas apesar de não conseguir o objetivo, o alemão vinha num sólido segundo lugar, enquanto Hamilton era bem menos brilhante, mas vinha conseguindo pontos importantes. Porém, o acidente de Daniel Ricciardo mexeu com a dinâmica da prova e os estrategistas entraram em ação. A procedência da Mercedes era a melhor possível, pois todos lembram das vitórias conseguidas por Michael Schumacher através de Ross Brawn, hoje chefe dos tedescos. Porém, Brawn pode ter perdido o toque. Sem o mesmo ritmo da Red Bull de Vettel, Brawn preferiu deixar seus dois pilotos na pista, enquanto vários pilotos fizeram uma segunda parada, que na teoria poderia ser a última. Enquanto Vettel abria o suficiente para ficar em primeiro com facilidade, Rosberg e Hamilton não conseguiram fazer o mesmo e os pilotos da Mercedes acabaram no meio do tráfego. Com o tempo perdido, não foram capazes de capitalizar totalmente os melhores pneus do que os dos adversários e um pódio fácil da Mercedes acabou num desapontador quarto (Rosberg) e quinto (Hamilton) lugares. Se havia dúvidas da melhor estratégia, não seria melhor tentar duas estratégias diferentes para seus dois pilotos, diminuindo um prejuízo, o que acabou acontecendo? Para piorar, Fernando Alonso fez outra corrida daquelas e com um equipamento bem inferior, manteve a Ferrari à frente da Mercedes no Mundial de Construtores, o que pode custar bons milhões de dólares a Mercedes e seus gênios da estratégia. 

domingo, 22 de setembro de 2013

Exibições de gala

O Grande Prêmio de Cingapura não foi um primor de emoção. A primeira metade de corrida foi um dos piores dos últimos tempos em termos de chatice, por sinal. Porém, se prestarmos atenção em atuações individuais, a prova de rua no oriente foi rica em exibições de gala. O que Sebastian Vettel fez hoje foi superior aos seus 'sunday drives' de outras de suas 32 vitórias, número que o faz como o piloto em atividade com mais vitórias e o quarto em todos os tempos. Vettel humilhou a concorrência com um ritmo incrivelmente avassalador neste domingo, chegando a colocar 3s em qualquer piloto em condições normais de pista. O único fator anormal foi mesmo Vettel, que se superou e, passo a passo, não apenas se aproxima do seu quarto título, como também coloca seu nome entre os grandes da F1. Porém, ao seu lado no pódio, haviam dois caras que também fizeram corridas acima da média, com Fernando Alonso superando a ruindade do seu carro e Kimi Raikkonen superando problemas físicos para chegar em terceiro, ambos ganhando várias posições e mostrando a todos quem são as estrelas da F1 atual.

O safety-car provocado por Daniel Ricciardo exatamente no meio da prova foi o antídoto para o purgante que era o Grande Prêmio de Cingapura. A largada fora o único momento de emoção, quando Vettel chegou a perder a liderança para Rosberg, mas quando o alemão da Mercedes espalhou na primeira curva, o representante da Red Bull começou seu show, com um ritmo de corrida que via sua vantagem sobre os demais aumentar até se estabelecer os confortáveis 6s. Quando Ricciardo cometeu um erro, admitido pelo próprio, e bateu de frente na curva debaixo do estádio, as estratégias mudaram e a Red Bull resolveu ficar na pista, assim como a Mercedes. Com receio que os pilotos que pararam durante a intervenção do Safety-Car não parassem mais, Vettel barbarizou. Eram voltas com incríveis 2s ou mais, à frente de quem quer que fosse. Em menos de 15 voltas, Vettel abriu os mais do que suficientes 32s sobre Alonso e de forma impressionante, abriu a mesma vantagem nas voltas seguintes ao seu pit-stop, recebendo a bandeirada com a certeza de que o quarto título já é seu, só nos restando a esperar quando. Hoje Vettel mostrou que mesmo tendo o melhor carro do pelotão, Seb está guiando de forma magistral, precisando ser rapidíssimo quando necessário. Muitos diminuem o alemão pelo carro que tem em mãos, mas são corridas como a de hoje que mostram o talento extraordinário deste alemão que vai entrando na história da F1. Webber nunca teve caminho livre à sua frente e encaixotado, esteve longe de andar, sequer, próximo do ritmo do seu companheiro de equipe e para piorar, um problema de câmbio o fez abandonar na última volta, com o seu Red Bull em chamas.

Largando em sétimo, Alonso fez a melhor largada do dia e, quiçá, da temporada, quando pulou de sua posição no grid para terceiro usando apenas a astúcia de saber se colocar na melhor posição possível. Contudo, com um carro ruim para a travada pista de Cingapura, era claro que Alonso corria no limite e quando se viu atrás de Paul di Resta após sua primeira parada, Fernando simplesmente não conseguia deixar o escocês da Force India para trás, reforçando as dificuldades que o espanhol estava tendo com sua Ferrari. Quando Ricciardo bateu, Alonso foi aos boxes e era o primeiro que havia feito duas paradas. Porém, ainda faltava a outra metade da longa corrida em Cingapura, sem contar que Fernando correria com tráfego à frente, algo que sempre estraga os pneus. Mas Alonso fez outra corrida misturando inteligência e agressividade, se segurando até o final da prova com um ritmo aceitável para garantir outro pódio com o segundo lugar, mesmo que longe de Vettel. Se Alonso confirmar o vice-campeonato no final da temporada, isso se deverá unicamente a seu talento e genialidade, mesmo que alguns comecem a demoniza-lo aqui no Brasil por causa da dispensa de Massa da Ferrari. Reginaldo Leme, que fazia tempo não participava de uma transmissão de F1, disse que Alonso teve sorte em ficar em segundo. Quando cara pálida? Quando Alonso parou nos boxes durante o Safety-Car? Ok, mas vários pilotos também pararam e Alonso teve a COMPETÊNCIA para resguardar seus pneus e aproveitar a estratégia traçada pela Ferrari, algo que Felipe Massa, com a mesma estratégia e com pit-stops mais rápidos do que o companheiro de equipe, não conseguiu, precisando de uma terceira parada que o fez chegar num bom sexto lugar, mas longe do algo mais que Alonso faz praticamente toda corrida. Precisa dizer o porquê Massa está sendo trocado?

Ainda mais com o piloto que irá substituir o brasileiro. No sábado haviam dúvidas se Kimi Raikkonen participaria da corrida graças a um nervo comprimido que lhe rendia muitas dores nas costas. Kimi participou da classificação no sacrifício e para a corrida fez uma infiltração para poder correr sem tantas dores. E o resultado foi outra corrida magistral de Raikkonen, onde o finlandês foi um dos poucos a conquistar posições na pista no começo da prova e juntamente com Alonso, conseguiu capitalizar o Safety-Car e ganhar dez posições da onde largou, garantindo outro pódio. Foi uma prova que a Ferrari fez um ótimo negócio olhando apenas a questão humana para 2014. Resta saber se esses dois seres humanos de talento enorme se darão bem trabalhando juntos no próximo ano. Romain Grosjean aproveitou as dores de Kimi para ser o principal piloto da Lotus e mesmo não largando tão bem, o francês vinha num ritmo forte e tinha boas chances de conseguiu um pódio, vide a pouca ferocidade da Lotus aos pneus Pirelli, mas problemas no motor Renault acabou com a corrida de Grosjean, que saiu da corrida arrasado. Nico Rosberg quase conseguiu tirar a primeira posição de Vettel na largada, mas do jeito que Sebastian vinha, era questão de tempo o piloto da Red Bull retomar a posição logo depois em uma hipotética ultrapassagem, mas Nico vinha fazendo uma corrida sólida em segundo lugar, quando a Mercedes resolveu deixar tanto ele como Hamilton na pista. Os estrategistas da Mercedes, tão elogiados por Galvão Bueno durante a transmissão global, devem ter se esquecido do quanto os carros prateados destroem os pneus Pirelli e jogaram um pódio certo por um pálido quarto e quinto lugares. Sendo que Hamilton atacou fortemente Rosberg no final da corrida, podendo ter transformado num verdadeiro desastre a corrida da Mercedes. Para piorar, o time tedesco não conseguiu ultrapassar a Ferrari no Mundial de Construtores quando o desempenho do carro alemão era bem melhor do que o italiano.

A McLaren quase conseguia um lugar no pódio quando arriscou a mesma estratégia de Alonso e Raikkonen quando Button ficou várias voltas em terceiro lugar, mas isso quase custou muito caro à Jenson, pois o inglês desgastou seus pneus mais do que o devido brigando com Kimi e quando foi ultrapassado belamente pelo finlandês, a mais bonita da corrida, Button foi ultrapassado por vários pilotos com pneus em melhores condições e viu seu companheiro de equipe Pérez, com a mesma estratégia, encostar e quase efetuar a ultrapassagem, mas o inglês segurou a sétima posição, com Pérez logo atrás. O mexicano ainda não renovou seu contrato e precisa de corridas melhores que a de hoje, mesmo que as limitações da McLaren não permitam mais do que as posições conseguidas pelos seus pilotos. Nico Hülkenberg ainda consegue um algo mais levando seu fraco Sauber aos pontos, mas seu melhor momento na corrida foi seu 'what?', quando recebeu a notícia de sua equipe que teria que devolver sua posição para Pérez numa manobra discutível. Gutierrez deu sinal de vida quando se classificou melhor do que Hulk pela primeira vez no ano, mas seu ritmo de corrida foi bem inferior ao do companheiro de equipe e novamente acabou fora dos pontos, mesmo imitando a estratégia do alemão. Paul di Resta estava prestes a dar o pulo do gato quando retardou ao máximo sua parada e chegando a atrapalhar a vida de Alonso, mesmo usando os pneus supermacios. No começo do ano, a Force India era uma das equipes que melhor tratava os pneus, particularmente os moles. Com a corrida interrompida pelo Safety-Car, Di Resta se viu entre as duas Ferraris e poderia ter conquistado um ótimo sexto lugar, lembrando que ele largou em 17º, quando bateu sozinho nas voltas finais, jogando fora pontos importantes da Force India em sua briga com a McLaren pelo quinto lugar. Como consolo nessa atual má fase da Force India, Sutil ainda marcou o ponto final, mas como terminou atrás de duas McLarens, a chance da equipe hindu chegar à frente da McLaren diminuiu bastante. A Toro Rosso só apareceu mesmo quando Ricciardo bateu e deu uma mexida na dinâmica da corrida, que teve várias mudanças de posição com a diferença de estado de pneus entre os pilotos nas voltas finais. A Williams foi novamente discreta, com Maldonado ainda chegando na posição de fona, em 11º. As nanicas fizeram o papel delas de dar passagem aos demais para levar voltas.

Se hoje foi uma corrida modorrenta em determinados momentos, mostrou-se que no momento temos uma geração espetacular de pilotos e o pódio foi a prova disso. O quarto título de Vettel já está engatilhado e provavelmente Abu Dhabi, local onde Seb conquistou seu primeiro título, deverá ser o local de sua consagração. Porém, se a Ferrari acertar no ano que vem, Alonso e Kimi serão adversários fortíssimos para Vettel. Portanto, que venha logo 2014!