terça-feira, 10 de junho de 2014

História: 40 anos do Grande Prêmio da Suécia de 1974

O Grande Prêmio da Suécia teria sua segunda edição no pequeno autódromo de Anderstorp com a torcida sueca altamente motivada pela bela vitória do ídolo local Ronnie Peterson na corrida anterior, em Mônaco. Porém, Tyrrell, Ferrari e McLaren era claramente superiores ao já defasado Lotus 72 de Peterson, que ainda sonhava com o título. Única prova de F1 na Escandinávia provocou uma leva de pilotos nórdicos a participarem da corrida em Anderstorp, com o sueco Bertil Ross fazendo sua estreia na F1, o dinamarquês Tom Belso voltando ao volante da Iso-Williams, o sueco Reine Wisell substituindo o machucado Hans-Joachim Stuck na March e Leo Kinnunen da Finlândia, conhecido pelas suas corridas em provas de endurance e pelo fato de ser um dos últimos pilotos a usar capacete aberto no automobilismo da época, também estreando na F1.

Como Anderstorp não era uma pista muito conhecida, os pilotos aproveitaram para treinar à vontade pelo circuito sueco para acertar os carros e ficou claro que a Tyrrell levava vantagem na Suécia. Para espanto geral, Patrick Depailler superou seu afamado companheiro de equipe Jody Scheckter por três décimos e conseguia a sua primeira pole, numa primeira fila toda azul-Tyrrell. A segunda fila era toda vermelho-Ferrari, com o ídolo local Peterson conquistando uma boa quinta posição. As McLarens não conseguiram um bom acerto em Anderstorp e Emerson Fittipaldi teve que se conformar com uma nona posição, com Hailwood em 11º e Hulme uma posição atrás. 

Grid: 
1) Depailler (Tyrrell) - 1:24.758
2) Scheckter (Tyrrell) - 1:25.076
3) Lauda (Ferrari) - 1:25.161
4) Regazzoni (Ferrari) - 1:25.276
5) Peterson (Lotus) - 1:25.390
6) Hunt (Hesketh) - 1:25.556
7) Ickx (Lotus) - 1:25.650
8) Jarier (Shadow) - 1:25.725
9) E.Fittipaldi (McLaren) - 1:25.938
10) Reutemann (Brabham) - 1:25.962

O dia 9 de junho de 1974 estava ensolarado em Anderstorp e uma multidão de torcedores suecos lotaram o autódromo para torcer por Ronnie Peterson, mesmo com Ferrari e, principalmente, a Tyrrell muito bem no final de semana sueco. Mal acostumado a largar sem ninguém à sua frente, Depailler sai lentamente quando a bandeira sueca é baixada e Scheckter assume a primeira posição. Correndo em casa e agressivo por natureza, Peterson consegue uma largada-relâmpago e passa por entre as duas Ferraris para ultrapassar Depailler na freada da primeira curva. Peterson pula de 5º para 2º em poucas curvas e a torcida sueca vibra!

Porém, era claro a superioridade da Tyrrell e com Peterson segurando um pelotão atrás de si, Scheckter aproveitou para disparar na ponta. Mais atrás, uma cena insólita aconteceu quando Mike Hailwood teve um vazamento de combustível e o próprio inglês tentou consertar sua McLaren no meio da pista, mas tendo que abandonar logo depois. Oito voltas haviam se passado e mesmo colado na traseira de Peterson, Depailler não conseguia espaço para efetuar a ultrapassagem e ainda era pressionado pelas duas Ferraris, com Lauda à frente. Porém, muita fumaça apareceu na traseira da Lotus de Peterson na nona volta e para frustração da torcida presente no autódromo, um semi-eixo quebrado fez com que Ronnie abandonasse a prova prematuramente. À essa altura, Scheckter já tinha 4s de vantagem sobre seu companheiro de equipe, que era perseguido pelas Ferraris de Lauda e Regazzoni, mas sem muita briga entre eles. Mais atrás, Reutemann vinha em quinto lugar, perseguido de perto por James Hunt. Jarier tinha problemas de freios na sétima posição e segurava um pelotão que tinha Ickx, Emerson Fittipaldi e Hulme.

Com o passar das voltas, a Tyrrell aumentava a sua vantagem para a Ferrari. Enquanto Scheckter e Depailler continuavam separados por 4s, a vantagem do francês para Lauda era superior a 10s. Na volta 23 Regazzoni tem problemas de câmbio e abandona, deixando sua quarta posição para Hunt, que havia ultrapassado Reutemann algumas voltas antes. Outra cena dantesca aconteceu na volta 26 quando o extintor de incêndio dentro do Shadow de Jarier disparou e o francês perdeu três posições até o aparado de emergência se esvaziar e o francês continuar normalmente na prova. Na volta 30 Ickx abandona pela sexta vez em sete corridas e Emerson assume a quinta posição, seguido de perto por Hulme, Brambilla e Jarier. A corrida fica estática, sem nenhuma mudança de posição, apesar da aproximação de Hunt em cima de Lauda na briga pela terceira posição. Passando da metade da prova, Lauda passa a conviver com um problema na suspensão dianteira de sua Ferrari, deteriorando a dirigibilidade do seu carro e fazendo com que Hunt se aproximasse mais rapidamente.

Quando Hunt se aproximou de Lauda, que tinha o carro cada vez mais instável, o austríaco ainda se segurou por cinco voltas, mas o inglês assumiu a terceira posição na volta 65, com quinze voltas para o fim, e se tornou o piloto mais rápido da pista. Para completar o drama de Lauda, logo após ser ultrapassado por Hunt um problema de câmbio se manisfestou e com dois problemas para gerir, Niki resolve abandonar a corrida, para profundo desgosto de Luca di Montezemo no boxe da Ferrari. Mais atrás, Hulme também abandonava com a suspensão quebrada. Hunt fazia uma corrida empolgante, pilotando como se necessitasse desesperadamente da vitória e mesmo com Depailler aumentando seu ritmo, Hunt chega a virar 2s mais rápido do que o francês. Faltando cinco voltas, os dois carros da Tyrrell andavam juntos e com 5s de vantagem sobre Hunt, passaram a controlar a corrida e Jody Scheckter vencia pela primeira vez na F1, com Depailler conseguindo seu primeiro pódio. Hunt completa a corrida menos de 3s depois de Depailler, numa tarde magnífica do inglês da Hesketh. Numa tarde sem brilho devido a problemas no acerto do seu McLaren, Emerson Fittipaldi chegou em quarto lugar, mas os três pontos foram importantes no campeonato, pois agora o brasileiro tinha cinco de vantagem em cima de Regazzoni, o vice-líder. Numa campeonato emocionante, Scheckter se tornou o sexto vencedor diferente em sete corridas e com a vitória, o sul-africano de 24 anos também entrava na briga do título, pois estava empatado em terceiro lugar no campeonato com Lauda. No boxe da Tyrrell, havia uma emoção genuína pela primeira vitória da equipe desde o trágico final de temporada de 1973, com a aposentadoria de Stewart e a morte de Cevert.

Chegada:
1) Scheckter
2) Depailler
3) Hunt
4) E.Fittipaldi
5) Jarier
6) Hill

Pancada da semana

Na minha opinião, as corridas da F-Truck é mais entretenimento do que esporte, mas com máquinas tão grandes e pesadas, os acidentes quando ocorrem também são proporcionais ao tamanho dos caminhões. Nesse domingo em Brasília, um vazamento de óleo causou o seguinte melê...

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Figura(CAN): Daniel Ricciardo

Não poderia ser outro! Daniel Ricciardo coroou sua primeira temporada numa equipe grande com uma corrida estupenda para ganhar sua primeira prova de F1 na carreira. Claro que a vitória de Daniel só aconteceu devido aos problemas com os dois carros da Mercedes, mas Ricciardo estava no momento certo para aproveitar a chance. Mas não foi fácil. Largando em sexto, Daniel Ricciardo não conseguia se livrar dos dois carros da Williams e por isso antecipou seu primeiro pit-stop, mas só saiu à frente de Felipe Massa por causa de um erro nos boxes da Williams, permanecendo atrás de Bottas. Então a sorte começou a virar para Ricciardo, quando os dois carros da Force India seguravam Vettel e com isso, estabeleceu uma longa fila onde Ricciardo era o último. Mesmo de longe, Ricciardo enxergava qual seria a sua principal dificuldade em evoluir na prova: a notória falta de potência dos motores Renault. Vettel era mais rápido do que Hulkenberg, mas não tinha velocidade o suficiente para efetuar a manobra em cima do compatriota no final da reta. Cansado de perder tempo, Ricciardo novamente parou mais cedo e desta vez foi mais efetivo, ficando na frente de Vettel e Bottas, passando a ser ele o perseguidor da Force India que sobrou à frente, de Sergio Pérez. Com Nico Rosberg sofrendo com problemas no motor e Pérez com problemas no DRS e de freios, tudo o que separava Daniel Ricciardo de sua primeira vitória eram dois carros com problemas à sua frente, sendo que Vettel o pressionava fortemente. Precisando tomar uma decisão, Ricciardo partiu para cima de Pérez na entrada da curva um e com uma belíssima ultrapassagem por fora, ganhou a posição do mexicano. Sem o tampão à sua frente, Daniel rapidamente colou no problemático Rosberg e novamente por fora, mas desta vez na chicane que antecede a reta dos boxes, o australiano da Red Bull tomou a primeira posição na antepenúltima volta para não mais perde-la. Um dos pilotos mais simpáticos do grid, Daniel Ricciardo também se mostrou um grande cara ao só comemorar a sua primeira vitória quando soube que Massa e Pérez estavam bem após o forte acidente protagonizado por eles. E Ricciardo comemorou da forma que melhor faz: exibindo o sorriso com mais dentes da história da F1!

Figurão(CAN): Sauber

Mesmo nunca tendo vencido sequer uma corrida na F1, a equipe que leva o nome de Peter Sauber já é a quarta equipe da atualidade com mais Grandes Prêmios, tornando a Sauber uma escuderia tradicional no circo da F1. Pois vinte e um anos após sua estreia na categoria rainha do automobilismo mundial, a equipe suíça passa por um dos seus momentos mais delicados de sua história e o final de semana em Montreal foi uma prova de como as coisas andam feias pelos lados de Hinwill. O ritmo em corrida de Adrian Sutil e Esteban Gutierrez era de tal forma lento, que os dois foram os únicos a levar volta do líder Rosberg, por causa do abandono precoce dos carros de Caterham e Marussia. Gutierrez abandonou no final da prova e Sutil sequer marcou pontos pelo melê da última volta entre Massa e Pérez, permanecendo fora dos pontos e deixando a Sauber zerada no Mundial de Construtores com a metade do campeonato chegando, sendo que até a Marussia já conseguiu marcar pontos. Vindo de uma crise financeira no ano passado que ameaçou a existência da própria equipe, as notícias vindas da Suíça mostraram que nessa temporada a Sauber passa por problemas semelhantes pelo bloqueio do dinheiro vindo da Rússia e a má performance da equipe cria um círculo vicioso, pois ficando cada vez mais para trás no campeonato, entra cada vez menos dinheiro, pois a partilha do bolo de dinheiro depende da colocação da equipe no Mundial de Construtores, e a situação tende a se tornar insustentável se algo impactante não acontecer nos próximos meses na Sauber. Se no ano passado Nico Hulkenberg fez a diferença e reverteu um mau começo de temporada, Adrian Sutil e, principalmente, Esteban Gutierrez não parecem ter condições ou talento suficiente para iniciar uma reviravolta para a Sauber, que está a cada dia mais próximo das nanicas do que pelotão intermediário, seu habitat natural. Simona de Silvestro, que é pilota de teste da Sauber com perspectivas de estrear em 2015 corre o risco de ver seu sonho destruído pelo fato da equipe sequer existir! 

domingo, 8 de junho de 2014

Fica, Montreal!

Certos circuitos deveriam ser eternos no calendário da F1. Interlagos e seu clima instável nos proporcionou corridas históricas. Monte Carlo e seu charme nos emocionou por variados motivos. Assim também é com Suzuka, Silverstone e Monza. São todos circuitos icônicos, que mesmo antiquados para os altos padrões atuais, ainda conservam a alma da F1. Do mesmo jeito que os autódromos supracitados, o circuito Gilles Villeneuve e seu circuito apertado e veloz vez por outra nos proporciona corridas como a de hoje, onde a emoção fez parte de todas as setenta voltas da corrida. Hoje houve surpresas, emoção, ultrapassagens, acidentes e um novo vencedor. Se a parte coxinha da F1 não aparecer e punir Daniel Ricciardo pela ultrapassagem fora dos limites da pista em cima de Sérgio Pérez, a F1 deverá ter conhecido seu vencedor mais feliz em todos os tempos. O australiano já havia conquistado a Red Bull com sua simpatia e agora o faz em todo o paddock. A prova disso foi os gritos de 'Ricciardo' no pódio. E Daniel fez por merecer com uma ultrapassagem belíssima em cima de Nico Rosberg na penúltima volta, conseguindo a primeira vitória da Red Bull em 2014 e acabando com a invencibilidade da Mercedes nesse ano, que ainda viu Lewis Hamilton abandonar novamente.

A primeira volta deu o tom da corrida, com disputas emocionantes em todas as posições e um acidente forte. Lewis Hamilton largou claramente melhor do que Rosberg, mas o alemão usou a prerrogativa de estar por dentro na primeira curva e retardou a freada, garantindo a primeira posição e por consequência, alargar a curva e fazendo com que Lewis saísse da pista, com Vettel assumindo o segundo lugar. Lá atrás, Max Chilton rodava e fazia que Jules Bianchi batesse forte no muro. Duas semanas após o histórico nono lugar de Bianchi, a Marussia amargava um prejuízo com seus dois carros batifod e Chilton tendo sua invencibilidade quebrada ao abandonar pela primeira vez na F1 desde que estrou no ano passado. Um feito e tanto de Chilton, mas relativizado pelo fato do inglês ter chegado quase sempre em último nas 25 corridas do seu recorde. Quando a corrida reiniciou-se, Hamilton não teve problemas em ultrapassar Vettel e começar os ataques em cima de Rosberg, principalmente quando os dois carros da Mercedes colocaram os pneus macios. Então, veio a segunda polêmica do dia. Atacando Rosberg na freada da chicane do muro dos campeões, Lewis fez com que o companheiro de equipe errasse e passasse reto, com Nico permanecendo na ponta e ganhando mais de 1s com a manobra. Sem punições, Hamilton recomeçou o ataque, quando a Mercedes teve seu primeiro problema no ano. E em dupla. Um pouco antes da segunda rodada de paradas, tanto Rosberg como Hamilton tem problemas na unidade de potência dos seus carros. De dominadores, a Mercedes era 2s mais lenta que os demais carros. Porém, Hamilton abandonou logo depois de sua segunda parada devido a problemas de freios, mas a corrida estava longe de terminar.

Numa estratégia diferente e contando com a eficiência dos seus dois pilotos, a Force India estava numa tática de fazer apenas uma parada. Sergio Pérez lembrou seus bons tempos de Sauber ao andar mais da metade da corrida com pneus supermacios, enquanto Hulkenberg segurava os carros da Red Bull. Primeiramente atrasado por Felipe Massa no início da corrida, Daniel Ricciardo inaugurou a primeira rodada de paradas e deixou para trás o finlandês, sendo também beneficiado pela má parada de Massa. Já encostado em Vettel, Ricciardo também parou antes do companheiro de equipe e se beneficiou disso, passando a atacar Pérez, que vinha em segundo e próximo de Rosberg, mas sem muita ação em cima do piloto da Mercedes. Para quem gosta de teorias da conspiração, basta lembrar do GP da Malásia de 2012, quando Pérez, com Sauber e motor Ferrari, vinha mais rápido que a Ferrari de Alonso e após uma mensagem de rádio, saiu da pista de forma estranha e praticamente garantiu a vitória do espanhol. Com motor Mercedes, Pérez não fez nada para atacar Rosberg... Porém o alemão demonstrava o potencial arrasador da Mercedes, pois mesmo com um motor meia boca, andava num ritmo decente. Porém, Pérez começa a sofrer com problemas de freio e quando era mais pressionado por Vettel, Ricciardo fez uma ultrapassagem audaciosa por fora na curva um, chegando a colocar os pneus direitos na grama. Rapidamente o australiano partiu para cima de Rosberg e em duas voltas ultrapassou o problemático Mercedes do alemão para assumir a ponta na penúltima volta da corrida. Mais atrás, a briga continuava forte. Felipe Massa, talvez em sua melhor corrida desde o acidente com a mola em 2009, vinha barbarizando com uma estratégia diferente. Felipe liderava com os dois carros da Mercedes atrás, mas tendo feito sua primeira parada ainda na volta 15, achou por bem fazer uma segunda parada, perdendo a chance de vitória. Massa voltou à pista atrás de Bottas e com muito mais ação, a Williams pediu para que o finlandês cedesse a posição. Desconcentrado com o pedido, Bottas tentou uma manobra banzai em cima de Hulkenberg e acabou tomando o xis e a ultrapassagem de Massa, que, de forma decisiva, ultrapassou Hulkenberg quase que imediatamente e virando a volta mais rápida da corrida, se aproximou de Vettel. Com os problemas de Pérez, Vettel efetuou a ultrapassagem na penúltima volta e sem querer perder muito tempo, Massa tentou a manobra na curva um, mas num erro de cálculo de ambos, Massa e Pérez bateram muito forte, por muito pouco não levando Vettel de roldão, e trouxe o safety-car para a pista, garantindo a vitória de Daniel Ricciardo.

Foi irônico ver a alegria de Christian Horner depois da prova, pois era notório que o chefão da Red Bull queria Kimi Raikkonen para o lugar do aposentado Mark Webber e Ricciardo foi uma imposição do consultor Helmut Marko, com Horner tendo que engolir a seco o jovem australiano. Porém, a temporada começou e Ricciardo vem fazendo uma temporada surpreendente, superando Vettel de forma constante (não sendo o caso nesse final de semana) nas classificações e estando na frente do campeonato. Hoje, Ricciardo, que ganhou o coração da equipe, garantiu a primeira vitória da Red Bull em 2014 e garantiu também a segunda ironia do dia. Até o ano passado havia uma torcida velada contra a Red Bull, que vem massacrando os adversários desde 2010. Porém, quando Ricciardo ultrapassou Nico Rosberg na penúltima volta, houve um urro por parte da torcida e todos pareciam muito felizes pela primeira vitória do simpático australiano que de forma surpreendente lidera a Red Bull como terceiro colocado no Mundial de Pilotos. Vettel deu um abraço caloroso em Ricciardo, mas Sebastian sabe que no momento em que a Red Bull voltar a ter um carro para brigar pela vitória, isso poderá ser um problema, só bastando olhar para o que acontece no box da Mercedes. Porém, Sebastian Vettel teve sorte em não se envolver no forte acidente entre Massa e Pérez. Com o abandono de Lewis Hamilton e os problemas em seu carro, Nico Rosberg não tem muito do que reclamar do seu segundo lugar. Ou não? A expressão corporal de Nico no pódio indicava um sentimento de frustração e até mesmo um gesto de 'mais ou menos' ficou claro para o alemão. Metódico do jeito que é, Rosberg deve ter raciocinado que uma vitória hoje colocaria ainda mais pulgas atrás da orelha de Hamilton e o segundo lugar significou que Nico não capitalizou 100% o abandono de Hamilton, dando uma chance para o inglês. Porém, Nico Rosberg abriu uma vantagem interessante sobre Hamilton, não muito conhecido por ser um piloto cerebral nessas horas.

A parte final da corrida foi tão emocionante, que ninguém viu o que fez Jenson Button partir de uma corrida apagada rumo a um quarto lugar, ultrapassando Nico Hulkenberg e Fernando Alonso nas voltas finais, garantindo um raro bom resultado para a McLaren, que pontuou novamente com os dois carros, mas se Vettel também tivesse se envolvido no incidente da última volta, Button, que chegou a andar fora da zona de pontuação após a primeira rodada de paradas, estaria no pódio agora. Hulkenberg não foi tão eficaz quanto Pérez na administração dos pneus. Fazendo o inverso de Pérez, Hulkenberg começou com os pneus macios e tendo que ficar muito tempo na pista para usar os supermacios nas voltas finais, perdeu tempo e retornou à pista no tráfego, não podendo utilizar o melhor momento de sua borracha, terminando em sexto. Mesmo acabando a prova no muro, Pérez voltou a fazer uma corrida como nos bons tempos da Sauber e merece parabéns pela bela corrida. Até a volta 69. Alonso chegou a ficar no mesmo take de câmera dos líderes, mas a Ferrari definitivamente não construiu um carro bom e o sexto lugar foi tudo que o espanhol poderia fazer, enquanto Kimi Raikkonen fez uma corrida medonha, incluindo um erro crasso para um campeão como ele no hairpin. A Williams vinha com ritmo para até mesmo beliscar um pódio, mas como vem ocorrendo nesse ano, a equipe de Frank vem vacilando e perdendo boas oportunidades de pontuar bem. Porém, se há algo de positivo hoje, foi a ótima corrida de Massa, onde o brasileiro brigou, ultrapassou e foi rápido quando era necessário. Da mesma forma como fazia até 2008, quando não tinha o mesmo brilho de Hamilton e Alonso, mas compensava com uma garra contagiante. O acidente assustador na última volta não diminui em nada a boa corrida do brasileiro. Mesmo menos brilhante do que seu companheiro de equipe, Bottas novamente abriu vantagem sobre Massa no campeonato, indicando que a sorte é uma virtude do finlandês. Vergne marcou bons pontos com uma corrida correta, enquanto a Sauber fez outra corrida ruim, onde o time suíço parece cada vez mais próximo das nanicas do que do pelotão da frente.

Ao contrário do imaginado, a F1 entrará nesse ritmo de Copa do Mundo animada por uma corrida sensacional, com a quebra da invencibilidade da Mercedes e alguns pilotos voltando a mostrar serviço. Olhando unicamente para o campeonato, a corrida em Montreal pode ter sido um marco para Nico Rosberg, que mesmo não capitalizando em 100% o segundo abandono de Hamilton nessa temporada, abriu bons pontos para o companheiro de equipe. Enquanto tinham carros com todo potencial, Rosberg e Hamilton brigaram de forma próxima e a cara de Toto Wolff demonstrava a apreensão que essa briga poderá se tornar daqui para frente. Porém, nesse momento, Daniel Ricciardo só tem o que comemorar com sua primeira vitória na F1 e para nós, torcedores e fãs da F1, também comemorar que Montreal ficará pelo menos mais dez anos na F1!

O especialista

Ed Carpenter sempre foi um piloto sofrível nos circuitos mistos, mas em compensação é um dos melhores em circuitos ovais e as duas poles consecutivas nas 500 Milhas de Indianápolis é a maior prova disso. Sabedor que não tem estofo para ser campeão, mesmo na época em que a IRL só corria em ovais, e dono da própria equipe, Carpenter tomou uma decisão interessante. Quando a Indy tiver que fazer curvas para os dois lados, o inglês Mike Conway assume o carro branco e verde de número 20, enquanto Carpenter só corre em seu habitat natural.  

No Texas, Carpenter mostrou sua força nos circuitos ovais e venceu de forma enfática nesse sábado à noite. Andando no pelotão da frente no começo da prova, mas sem assumir a ponta da prova, Carpenter esperou que a metade final da corrida se aproximasse para brigar do piloto dominador de então, Will Power. O australiano da Penske luta para exorcizar a sua fama de só correr bem em circuitos mistos e se dar mal em ovais. Power ficou com a pole e dominou a primeira parte da corrida, que ao contrário dos outros anos, não permite mais àquelas cenas aterrorizantes de vários carros andando lado a lado a mais 350 km/h. Numa corrida com poucas bandeiras amarelas e só um acidente, entre Bourdais e Justin Wilson, Power colocava boa vantagem sobre os demais, mas via a aproximação de Carpenter, que tomou a sua primeira posição. Com o intuito de mostrar que sua aversão aos ovais não existe mais, Power barbarizou na entrada dos pits e acabou perdendo o ponto de freada correto, enquanto Carpenter, o especialista, fazia sua parada de forma normal. Porém, Power teve sua corrida estragada com uma punição por excesso de velocidade nos pits e ficou quase uma volta atrás de Carpenter que, sem adversários, dominava a corrida com mais de 10s de vantagem sobre o segundo colocado.

Pela primeira vez no ano, duas estrelas da Indy fizeram corridas decentes em 2014: Tony Kanaan e Juan Pablo Montoya. Os dois largaram nas primeiras filas e ficaram no primeiro pelotão o tempo inteiro e com uma bandeira amarela provocada pelo estouro do motor de Takuma Sato quando faltavam sete voltas para o fim, tinham a chance de dar o bote em Carpenter na relargada. Contudo, quem deu o pulo do gato foi Power. Sexto colocado, Will era o último piloto na mesma volta dos líderes e aproveitou a bandeira amarela final para colocar pneus novos, enquanto os líderes tinham pneus com mais de trinta voltas de uso. A bandeira verde se deu com duas voltas para o final e Power se aproveitou disso para ultrapassar quem via pela frente e assumir o segundo posto com uma bela ultrapassagem sobre Montoya na entrada da curva 3. Ficou a sensação que que houvesse mais uma volta, Power seria capaz de alcançar Carpenter, mas o dia pertenceu ao americano, que venceu mais uma vez em sua especialidade, tornando uma marca para o piloto, que deverá voltar ao pit-wall nas próximas corridas em circuito misto.

No campeonato, Power pode ter perdido a vitória no Texas, mas disparou no campeonato, já que Helio Castroneves, maior vencedor no Texas da Indy, esteve irreconhecível e terminou apenas em décimo, sem estar na briga pela vitória em momento algum. Ryan Hunter-Reay ainda permanece de ressaca pela vitória nas 500 Milhas e abandonou com o motor quebrado. Diga-se de passagem, houve três quebras de motores no Texas essa noite. Todas com motor Honda. Enquanto isso, Power segue na sua luta de finalmente conquistar o sonhado campeonato e o fato de ter andado bem num oval demonstra que o australiano pode estar no caminho certo.

sábado, 7 de junho de 2014

F-Mercedes

Num circuito de longos momentos de aceleração máxima e nenhuma curva longa e rápida, o favoritismo da Mercedes aumenta exponencialmente. Durante todo o final de semana, a dupla prateada colocou sempre meio segundo sobre os mais próximos rivais em Montreal, que no caso variou entre Ferrari e Williams. A briga pela pole ficaria novamente restrita à Lewis Hamilton e Nico Rosberg, com o inglês levando vantagem na maior parte do tempo, mas no Q3, Nico tirou uma boa volta da cartola para tirar o doce da boca de Lewis, que cometeu um pequeníssimo erro na sua última volta, e ficar com a segunda pole seguida. E falando em tirar uma volta da cartola, méritos à Sebastian Vettel, que levou seu Red Bull com o raquítico motor Renault ao terceiro lugar.

Sem a presença da chuva, que poderia atrapalhar o passeio mercediano, Hamilton vinha esfomeado para dar o troco em Rosberg depois da polêmica em Monte Carlo. Apesar do inglês ter dito que o amor havia voltado, Lewis estava seco em cravar Nico e marcar presença na equipe. Não faltou oportunidades em que Hamilton botava meio segundo ou mais sobre Rosberg em todos os treinos. Contudo, no Q3, Rosberg se aproximou do ritmo de Hamilton com os pneus supermacios e não apenas se aproximou, como depois superou seu companheiro de equipe e ficou com a segunda pole seguida, com Hamilton tendo que se conformar com a segunda posição, mas o inglês não parecia estar com a cara de rapariga ruim que mostrou após a classificação em Mônaco. Hamilton sabe que Montreal propicia ultrapassagens e seu desempenho com os pneus macios, o prime no Canadá, aparenta ser melhor do que o de Rosberg.

Fora a F-Mercedes, Vettel surpreendeu ao colocar seu Red Bull em terceiro, já que o motor Renault chegava a ser 19 km/h mais lento do que o motor Mercedes no final da longa reta oposta. Foi um baita coelho tirado da cartola do alemão, que superou Ricciardo por milésimos, acabando com essa incômoda e inédita série de derrotas para o companheiro de equipe, mas será difícil para Vettel segurar as Williams, que pareciam ser a segunda força do plantel (ou a primeira, já que a Mercedes parece estar em outra categoria...), mas foi surpreendida pela força de Vettel. Mais uma vez, é impressionante como Felipe Massa se assemelha a Rubens Barrichello no quesito 'vacilar na hora H'. Sempre mais rápido em comparação a Bottas, Massa liderou a Williams o tempo todo, mas foi ultrapassado pelo companheiro de equipe no momento mais decisivo do final de semana até aqui. A quinta posição deve ter deixado Massa bem insatisfeito, mas não mais do que Alonso, que vê sua Ferrari tomar 1s das dominantes Mercedes.

O final de semana canadense caminha para outro domínio da Mercedes, com a tendência de que em Montreal seja ainda mais exacerbado pelas características do circuito Gilles Villeneuve. Além de conhecer quem será o vencedor do 'melhor do resto', o barato será saber se amizade dentro da F-Mercedes voltou ou não.