segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Precocidade

Vendo esse anúncio da contratação de Max Verstappen pela Toro Rosso, fico me lembrando do que fazia quando tinha 16 para 17 anos. Minha vidinha tranquila de escola, casa e eventuais festas. As conversas com os amigos, o vestibular se aproximando e as primeiras gatas aparecendo, sem contar uns pegas que tinha por aí e que não vale a pena contar os detalhes mais sórdidos nesse espaço. Fico imaginando o que está passando na cabeça do menino Max Verstappen uma hora dessa. Com 16 anos, sabendo que estará na F1 no próximo ano.

A precocidade que os pilotos estão chegando em campeonatos mundiais chega a assustar. Antes restrito ao mundo da motovelocidade (Marc Márquez caminha para o seu quatro título mundial, contando todas as categorias, com apenas 21 anos de idade), a F1 vem entrando nessa onda, mas pela primeira vez colocando um adolescente no seu cockpit como piloto principal. Kimi Raikkonen subiu para a F1 com apenas 23 corridas de F-Renault, mas o finlandês tinha na época 21 anos de idade. Max Verstappen terá 17 anos quando for alinhar seu Toro Rosso em Melbourne, tendo até um pouco mais de experiência que Kimi treze anos atrás. Naquele tempo, isso fez com que muitos jovens pilotos quisessem seguir o exemplo de Raikkonen e queimar etapas rumo à F1, mas acabando por queimar sua própria carreira. Mesmo fazendo um ótimo trabalho em sua primeira temporada completa nos monopostos, Verstappen corre esse risco, ainda mais correndo pela Toro Rosso, filial da Red Bull e comandado pelo impaciente Helmut Marko, muito conhecido por ter lançado Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo rumo ao estrelato da F1, mas também por ter acabado com as carreiras de vários jovens pilotos, sendo que a última vítima está sendo justamente quem Max irá substituir na Toro Rosso em 2015, Jean-Eric Vergne.

Max é filho de Jos 'The Boss' Verstappen, um piloto extremamente promissor no início dos anos 90, mas que por ter sido lançado cedo demais, teve sua carreira arruinada. Ironia... Contudo, Jos fez duas temporadas completas no automobilismo e chegou à F1 com 22 anos de idade, sendo que há vinte anos atrás, se podia testar à vontade, ao contrário de agora. Quando Jacques Villeneuve foi anunciado pela Williams mais ou menos nessa época em 1995, o canadense testou loucamente com o seu futuro carro e quando fez sua estreia na F1, Villeneuve logo estava brigando por vitórias por ter o melhor carro do pelotão da época. Max não terá esse luxo, tendo que se virar nos simuladores e no seu carro de F3, cujo campeonato nem lidera, mas vem fazendo um baita sucesso no forte certame europeu.

Além de Vergne, fico imaginando como não devem estar 'felizes' Carlos Sainz Jr e Antonio Felix da Costa, outros pilotos do programa da Red Bull, que se viram ultrapassado de forma espetacular e surpreendente por Max Verstappen, que uma semana atrás nem era membro da Red Bull. Irá dar certo? Na minha opinião, seria mais prudente a Red Bull dar mais cancha ao holandês, deixa-lo mais preparado para assumir a titularidade da Toro Rosso, normalmente uma cadeira elétrica e que um sem número de pilotos jovens, como Max, já se queimaram por lá. Porém, se der certo, podemos estar vendo surgir um novo talento.

domingo, 17 de agosto de 2014

Com de força

Há certos axiomas criados na Indy nos últimos anos e um deles era sobre o desempenho de Will Power em circuitos ovais. Vindo do automobilismo europeu, mais especificamente da F3 Inglesa, o australiano Power era extremamente rápido nos circuitos mistos e de rua, mas tinha claras dificuldades em ovais, que lhe valeram pontos preciosos que o brindou com um incômodo tri-vice. Contudo, Power foi evoluindo aos poucos nos ovais. Conquistou sua primeira vitória num oval no Texas em 2012. No ano passado, onde não brigou pelo título, Will conseguiu algumas vitórias em ovais no final do campeonato que o valeram uma boa posição final no campeonato de 2013.

A reta final do campeonato desta ano parecia um filme repetido para Power. Liderando com uma margem mínima no campeonato, Power teria que enfrentar um piloto que anda muito bem em ovais (Helio Castroneves) e a primeira chance do seu rival para reverter a vantagem do australiano da Penske seria no tradicional oval de uma milha de Milwakee. Como havia acontecido em 2010, 11 e 12... Contudo, Power mostrou que os erros acumulados ao longo desses anos serviram para algo e Will deu um verdadeiro show em Milwakee. Após conseguir a pole quando não havia andado muito bem nos treinos livres, Power dominou a corrida em Milwakee de forma poucas vezes vista, mesmo para especialistas em ovais. Liderando 229 das 250 voltas da corrida, Power soube rechaçar os ataques de Tony Kanaan, lidou com o erro estratégico da Penske quando o deixou na pista por tempo demais, enquanto os demais pilotos na pista, com pneus novos, eram muito mais rápidos e por último, lidou muito bem com os retardatários, um item crítico num circuito como o de Milwakee. Ou seja, Will Power foi simplesmente perfeito hoje, ganhando todos os pontos possíveis.

Montoya acabou tendo uma vantagem sobre Tony Kanaan na última rodada de paradas e conquistou uma dobradinha para a Penske, mas o terceiro integrante da equipe liderada por Roger Penske não estava muito feliz no final do dia. Numa corrida para esquecer, Castroneves não soube utilizar sua pretensa vantagem sobre Power nos ovais e mesmo largando muito bem, Helio nunca teve um carro bom o suficiente para ganhar as posições necessárias e numa prova em que a estratégia não foi tão fundamental por causa das longas sessões em bandeira verdade, Castroneves pouco pôde fazer com um carro ruim e terminou num melancólico décimo primeiro lugar. Porém, Roger Penske pode ficar mais tranquilo com relação ao campeonato, pois o maior adversário da dupla Power-Castroneves, Ryan Hunter-Reay, da equipe Andretti, sofreu um problema mecânico e ficou ainda mais atrás na pontuação do campeonato, deixando a briga pelo título quase que unicamente para Will e Helio, garantindo que a Penske sairá da longa fila de títulos.

Foi surpreendente a forma como Will Power venceu hoje e com 39 pontos de vantagem sobre seu companheiro de equipe, além de correr na próxima semana no seu terreno favorito (um circuito misto), Power começa a ver que seu sonhado primeiro título está se aproximando.    

Acabou

Uma hora teria que terminar essa avalanche de vitória de Marc Márquez na MotoGP. Um dia, a moto Honda do espanhol não estaria tão equilibrada e como o próprio espanhol já havia admitido, ele não estaria tão inspirado. E hoje, em Brno, esse dia chegou com alguns requintes de crueldade e de momentos históricos. Márquez não apenas perdeu pela primeira vez em 2014, como nem subiu ao pódio, fazendo com que Marc fosse para a garagem pela primeira vez desde que estreou na MotoGP, pois até hoje, o espanhol da Honda foi ao pódio em todas as corridas em que recebeu a bandeirada. Contudo, a Honda em teoria não teve nada a reclamar, pois o time nipônico manteve o 100% de aproveitamento na temporada com a vitória de Dani Pedrosa, mas nem o piloto e muito menos Suhei Nakamoto, o chefão da Honda, pareciam muito felizes. 

A prova em Brno caminhava para ser bem parecida com as demais, com o pole Márquez largando mal, mas com o espanhol conseguindo a recuperação nas voltas seguintes, ultrapassando quem via pela frente. Porém, o tempo foi passando e a corrida teve seu script mudado. O pequeno domínio da Ducati durou poucas voltas quando o duo italiano Iannone e Doviziozo foi ultrapassado por Lorenzo. Logo atrás vinha as duas Hondas e Márquez. Quando Pedrosa assumiu a segunda posição e partiu para cima do seu compatriota e assumiu, pela primeira vez, a ponta de uma corrida esse ano, algo mostrava que a corrida de hoje seria diferente. Numa disputa perigosa, Márquez chegou a trombar com Iannone e assumiu a terceira posição, tendo Rossi logo atrás. Com os quatro 'grandes' da MotoGP nas quatro primeiras posições na metade da prova, era esperado o avanço de Márquez, mas o que se viu foi a aproximação de Rossi em cima do piloto da Honda, que ultrapassou o espanhol no terço final da prova e abriu uma grande diferença para Marc, que teve que se conformar com o quarto lugar.

Lá na frente, a diferença entre Pedrosa e Lorenzo nunca foi muito superior a 1s, com o piloto da Yamaha, que era o único a usar os pneus macios, contrariou a teoria e se aproximou de Pedrosa no final da corrida, mas não foi o suficiente para acabar com a supremacia da Honda esse ano e Dani, finalmente, calar momentaneamente seus críticos com uma bela vitória. Contudo, a cara do chefão da Honda Nakamoto mostrava bem o lugar de Pedrosa dentro da equipe. Mesmo renovando seu contrato recentemente com a Honda, Pedrosa é visto como um piloto menor dentro da equipe e a derrota de Márquez significou quase que uma derrota também da Honda, mesmo o atual segundo piloto vencendo. Pior situação está a Yamaha, que mesmo Márquez não tendo um bom dia, não conseguiu capitalizar e Lorenzo, que nitidamente deu tudo de si, ainda ficou não foi capaz de derrotar Pedrosa, com Rossi comemorando seu 245º GP na categoria principal no pódio.

Essa derrota de Márquez não significa muito no campeonato, pois a diferença do espanhol para o seu compatriota e companheiro de equipe ainda é grande. Porém, acabou a invencibilidade de Márquez e isso pode dar um gás para os seus rivais para as demais etapas do campeonato, mesmo sabendo que Marc dificilmente perderá o título deste ano. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

História: 20 anos do Grande Prêmio da Hungria de 1994

A triste temporada de 1994 estava ganhando outro adjetivo após o, literalmente, quente Grande Prêmio da Alemanha: polêmico. Descobriu-se que a Benetton retirava um filtro de segurança da mangueira de reabastecimento e com isso ganhava segundos preciosos nos pit-stops dos seus pilotos ao longo da temporada, mas poderia ocasionar um incidente como o de Verstappen em Hockenheim. O time de Flavio Briatore estava sendo bombardeado por acusações de todos os tipos sobre irregularidades no carro que vinha dando uma temporada quase perfeita à Michael Schumacher, porém, soube-se que outras equipes, as mesmas que acusavam à Benetton de trapaceira, também utilizavam de algumas irregularidades, culpa de um regulamento mal elaborado pela FIA para 1994. Outra novidade era que Mika Hakkinen, por ter provocado o acidente da primeira curva em Hockenheim, estava suspenso na Hungria e em seu lugar na McLaren estaria o veterano Philippe Alliot.

Os treinos contou com uma novidade: chuva. Pela primeira vez desde que a Hungria entrou no calendário da F1 em 1994, a chuva se fez presente em Budapeste, mas somente as sessões de sexta-feira foram afetadas e no sábado, o sol voltou e Michael Schumacher conquistou mais uma pole, com Damon Hill, como era usual naquele ano, fechando a primeira fila. Tamanho era o protagonismo dos dois pilotos em 1994, que o terceiro colocado no grid David Coulthard, no cockpit da Williams por causa de compromissos de Mansell na Indy, estava 2s atrás do alemão. Mais impressionante era o desempenho de Jos Verstappen, apenas 12º e quase 3s mais lento que o seu companheiro de equipe.

Grid:
1) Schumacher (Benetton) - 1:18.258
2) Hill (Williams) - 1:18.824
3) Coulthard (Williams) - 1:20.205
4) Berger (Ferrari) - 1:20.219
5) Katayama (Tyrrell) - 1:20.232
6) Brundle (McLaren) - 1:20.629
7) Irvine (Jordan) - 1:20.698
8) Frentzen (Sauber) - 1:20.858
9) Panis (Ligier) - 1:20.929
10) Barrichello (Jordan) - 1:20.952

O dia 14 de agosto de 1994 estava ensolarado novamente em Budapeste, impedindo que o Grande Prêmio da Hungria fosse realizado com pista molhada, algo totalmente novo até então. Uma das acusações de irregularidade da Benetton era sobre um sensor de largada que fazia o carro de Schumacher voar quando a luz verde aparecia. Se esse sensor existia, ou se a Benetton ficou receosa de tantas acusações, o fato foi que Schumacher não largou bem pela primeira vez em 1994, mas o alemão deu mostras do seu 'instinto assassino' quando não teve muito escrúpulo em fechar Hill quando esteve prestes a perder a primeira posição para o inglês na corrida até a primeira curva. Mais atrás, Katayama mostrava velocidade, mas também impetuosidade ao extremo e o japonês acabou se envolvendo num incidente na curva dois que tirou não apenas Ukyo da corrida prematuramente, como também a dupla da Jordan e atrasou os franceses Alesi e Panis na primeira curva.

O desespero de Schumacher em se manter na primeira posição a qualquer custo ficou clara no ritmo imposto pelo alemão nas primeiras voltas. Em nove voltas, Schumacher já tinha quase 5s de frente sobre Hill. Era claro que Michael faria uma parada a mais, mesma estratégia usada por ele outras vezes em 1994. Porém, Schumacher teve que antecipar seus planos quando o alemão encontrou Christian Fittipaldi na volta 14 e perdeu tempo, fazendo com que o alemão fosse aos boxes duas voltas mais tarde, caindo para segundo, ficando logo à frente de Coulthard. Porém, Hill ficou encaixotado nos mesmos retardatários que atrapalharam Schumacher, que corria livre e novamente num ritmo alucinante, e quando o inglês fez sua parada na volta 26, tinha apenas 10s de vantagem para Schumacher e para piorar, o inglês da Williams voltou à pista em terceiro, atrás da Ferrari de Berger que não tinha feito sua parada ainda. Hill logo ultrapassa o austríaco, mas Damon não era capaz de igualar o ritmo fortíssimo de Schumacher, que faz sua segunda parada na volta 37 e retorna à pista ainda com 11s de frente sobre Hill.

Estava claro pelas voltas em que Schumacher fez seus dois primeiros pit-stops e pelo ritmo imposto na pista, que o alemão estava numa estratégia de três paradas, fazendo por isso uma corrida alucinante, onde cada uma das 77 voltas do Grande Prêmio da Hungria eram 77 voltas de classificação. Poucos pilotos foram capazes disso na história da F1 e como estava começando a nos brindar, Michael Schumacher era um deles. Quando Hill fez sua segunda e última parada na volta 51, Schumacher tinha absurdos 50s de vantagem sobre seu rival, permitindo ao alemão fazer sua terceira e última parada com folga e vencer o Grande Prêmio da Hungria com facilidade. Era sua sétima vitória em 1994 e naquele momento, poucos poderiam negar não apenas o talento extraordinário de Schumacher, como também que ele seria o campeão daquele ano. Hill chegou 20s depois, incapaz de emular tamanho desempenho. Porém, na terceira colocação estava uma zebra. Coulthard passou a maior parte da corrida em terceiro, mas pressionado pela McLaren de Martin Brundle, o escocês pagou pela inexperiência e saiu da pista já nas voltas finais. Contudo, Brundle teria azar na última volta quando tem problemas no alternador e entrega o terceiro lugar à Jos Verstappen. O jovem holandês tinha superado o trauma de Hockenheim após seu espetacular incidente nos boxes quinze dias antes com seu primeiro pódio na F1! Porém, a temporada 1994 tinha seu protagonista (Schumacher) e coadjuvante (Hill) bem definidos e seriam eles a brigar pelo campeonato.

Chegada:
1) Schumacher
2) Hill
3) Verstappen
4) Brundle
5) Blundell
6) Panis

terça-feira, 12 de agosto de 2014

História: 35 anos do Grande Prêmio da Áustria de 1979

Duas semanas após a vitória de Alan Jones em Hockenheim, a F1 foi à Áustria ver se o australiano da Williams continuaria seu domínio, ou se as duas vitórias dominantes e consecutivas da equipe de Frank Williams seriam nuvens passageiras da mesma forma como foram os domínios de Ligier e Ferrari mais cedo no ano. Fora das pistas, Jean Pierre Jarier continuava fora de combate e desta vez a Tyrrell substituiu Jarier pelo irlandês Derek Daly, que tinha alguma experiência na F1 em equipes pequenas e vinha se destacando na F2.

Se em Hockenheim a Renault tinha a vantagem das retas enormes do circuito alemão para favorecer seu motor turbo, nas montanhas austríacas essa vantagem aumentaria ainda mais com o ar rarefeito ajudando os motores turbo e por isso não foi surpresa ver René Arnoux conquistando sua primeira pole na F1, mas tendo o ameaçador Alan Jones na primeira fila, mostrando que a Williams, mesmo tendo os velhos motores Ford Cosworth V8 aspirados, tinha um carro bastante equilibrado para atormentar a vida da Renault. Jabouille colocava a segunda Renault na segunda fila, tendo Lauda com seu problemático Brabham-Alfa Romeo em quarto e somente em quinto vindo a primeira Ferrari de Gilles Villeneuve. 

Grid: 
1) Arnoux (Renault) - 1:34.07
2) Jones (Williams) - 1:34.28
3) Jabouille (Renault) - 1:34.45
4) Lauda (Brabham) - 1:35.51
5) Villeneuve (Ferrari) - 1:35.70
6) Regazzoni (Williams) - 1:35.82
7) Piquet (Brabham) - 1:35.85
8) Laffite (Ligier) - 1:35.92
9) Scheckter (Ferrari) - 1:36.10
10) Pironi (Tyrrell) - 1:36.26

O dia 12 de agosto de 1979 amanheceu nublado e com chuva em Zeltweg, uma característica marcante daquela região, porém, com a aproximação da largada, o tempo se firmou e mesmo nublado, não choveu mais e a pista secou, mas havia um grande receio por parte de equipes e pilotos de mudanças de tempo durante a corrida. O retardo dos motores turbo em baixa rotação era bastante conhecido dos pilotos e por isso as más largadas de Arnoux e Jabouille eram até mesmo esperadas. Contudo, ninguém poderia esperar a espetacular largada de Gilles Villeneuve. Na luz verde, Arnoux e Jones titubearam, enquanto Jabouille perde sua embreagem quase que imediatamente, caindo para 11º. Aproveitando a brecha, Villeneuve deu um salto surpreendente, saindo da quinta posição para a liderança jogando seu carro para a direita da pista, colocando duas rodas na grama, mas emergindo na ponta no contorno da primeira curva. Era outra largada épica do canadense!

Porém, logo ficava claro que a Ferrari não tinha o equilíbrio necessário para segurar a ponta por muito tempo e não demorou para Alan Jones, que estava em segundo, passar a pressionar de todas as formas o canadense nas primeiras três voltas, mas só efetuando a ultrapassagem quando Villeneuve cometeu um pequeno erro na curva Rindt. Incrivelmente, em apenas quatro voltas (e sem embreagem!) Jabouille tinha feito sete ultrapassagens e estava na traseira do seu companheiro de equipe Arnoux, fustigando Villeneuve pela segunda posição. A pressão dos carros amarelos em cima de Villeneuve durou até a volta 11, quando Arnoux assumiu a segunda posição, sendo logo seguido por Jabouille. O tempo perdido dos dois carros da Renault atrás da Ferrari mais lenta de Villeneuve fora decisivo para Jones, que abriu uma enorme diferença para Arnoux e Jabouille, mas que logo seria reduzido a apenas um carro na volta 15, quando o câmbio de Jabouille, forçado ao máximo pelo francês pela falta de embreagem nas primeiras voltas, entregou os pontos e Jean-Pierre, que havia ultrapassado Arnoux poucas voltas antes e estava em segundo, abandonou a corrida.

Enquanto isso acontecia, uma animada briga pela quarta posição envolvia Jody Scheckter, Clay Regazzoni e Jacques Laffite. Os três andavam juntos, mas na volta 21 Laffite ultrapassa Regazzoni e imediatamente passa a pressionar Scheckter. Sem ter o mesmo ritmo do seu companheiro de equipe (dizem que também sem o mesmo tratamento por parte da Williams...), Regazzoni perde terreno e passa a andar sozinho. Laffite pressionava Scheckter e ambos passaram a imprimir um ritmo muito forte. Quando se viu isolado na segunda posição e com Villeneuve a uma distância confortável, Arnoux apertou o ritmo e marcou a volta mais rápida da corrida, porém Jones foi avisado por sua equipe para aumentar o ritmo e a diferença entre os dois primeiros colocados se estabilizou nos 25s, com Villeneuve isolado em terceiro, fazendo uma corrida claramente acima das expectativas da Ferrari em Zeltweg.

Contudo, a Renault ainda não estava livre dos problemas de confiabilidade que marcou a equipe francesa em 1979. Faltando apenas cinco voltas para o fim, o motor de Arnoux começou a ratear. Com problemas na bomba de combustível do seu motor Renault, houve um aumentou de consumo e Arnoux simplesmente ficou sem gasolina no final da prova, tendo que ir aos boxes nas voltas finais para fazer uma improvisado reabastecimento. Enquanto isso, a briga pelo terceiro lugar esquentava entre Scheckter e Laffite. Havia uma enorme tensão nos boxes de Ferrari e Ligier e na abertura da última volta, Laffite pegou o vácuo da traseira de Scheckter e então o francês dá uma guinada à direita, com Scheckter jogando sua Ferrari para o meio da pista, tentando uma defesa desesperada. Com os dois carros com os freios travados, absolutamente no limite, Laffite consegue ficar por dentro e mesmo com as rodas dos dois carros tocando levemente, Laffite consegue completar uma emocionante ultrapassagem que lhe valeu o último degrau no pódio. Jones venceu com extrema facilidade o Grande Prêmio da Áustria, com 36s de frente a Villeneuve. Mesmo tendo que fazer um pit-stop nada programado, Arnoux ainda foi capaz de marcar um ponto com o sexto lugar. Jones mostrava que a Williams tinha o equilíbrio perfeito naquele momento da temporada 1979, conseguindo andar bem em qualquer tipo de circuito e bem conduzido por Jones. Porém, como o bizarro regulamento de 1979 só computava os quatro melhores resultados de cada metade do campeonato, Jones, mesmo em melhor forma no momento, estava praticamente fora da disputa pelo título pelo mau início de campeonato do australiano. Mesmo sendo ultrapassado por Laffite na última volta, Scheckter permanecia na ponta do campeonato e era o maior favorito ao título daquele ano.

Chegada:
1) Jones
2) Villeneuve
3) Laffite
4) Scheckter
5) Regazzoni
6) Arnoux

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

domingo, 10 de agosto de 2014

Veredicto complicado

Demorei um bom tempo para falar sobre essa tragédia que abalou o automobilismo americano, até mesmo por envolver uma estrela da Nascar. Queria pensar num veredicto sobre o ocorrido, mas não cheguei a nenhum. Desde sempre Tony Stewart foi um piloto bastante versátil, correndo em vários tipos de carros e corridas. No ano passado, Stewart, tricampeão da Nascar Sprint Cup e dono de sua própria equipe, se envolveu num acidente nos pequenos carros Sprint, gaiolas também conhecidos como 'Foras da Lei', e acabou quebrando a perna, perdendo o final do campeonato principal da Nascar.

De volta à esse tipo de corridas em pistas de terra, Stewart estava testando novos equipamentos de segurança na noite de sábado, no circuito de Canandaigua (eita nome esquisito...) Motorsports Park. Numa disputa de pista com o jovem Kevin Ward Jr, de 20 anos, Stewart bateu em Ward e o segundo acabou no muro. Indignado com a manobra de Stewart e com a corrida em bandeira amarela, Ward saiu do seu carro na tentativa de tirar satisfação com Tony. O resultado foi trágico. Não há filmagens oficiais para maiores detalhes, mas Tony Stewart atropelou e matou Ward Jr.

Imediatamente houve uma grande repercussão do trágico incidente. Tony Stewart tem uma folha corrida complicada, marcada por brigas com outros pilotos e até mesmo cenas parecidas com a de ontem, onde Tony partiu para cima de carros de adversários, procurando briga. Diga-se de passagem, atitudes como a de Ward são bastante comuns no automobilismo americano, derrubando um pouco o mito de que o clima no paddock das corridas americanas são tranquilas e cheio de amizade. Stewart disse que não viu Ward, porém há uma corrente nos Estados Unidos acusando Stewart de ter atropelado Ward de propósito, seguindo seu estilo esquentadinho nas pistas. Difícil dizer...

Esse fato pode acabar com a carreira de Tony Stewart, um piloto com mais de 40 anos, mesmo a Nascar permitindo que pilotos muito veteranos permaneçam na categoria principal, mas um baque como esse marca qualquer ser humano. Mas o pior foi o fato que a vida de um jovem piloto foi ceifada de uma forma tão estúpida como o de Kevin Ward Jr.