domingo, 30 de novembro de 2014

Se você é jovem ainda...

Enquanto dava entrevistas após a corrida, percebi cabelos brancos em Rubens Barrichello, mas a força do hábito ainda faz com que ele ainda seja chamado de 'Rubinho'. Só que o tempo passa, e Rubinho já conta com 42 anos e 23 anos após seu título da F3 Inglesa, onde derrotou David Coulthard e Gil de Ferran na ocasião, Rubens Barrichello sentiu novamente o gostinho do título com uma corrida extremamente tática em Curitiba.

Líder do campeonato com certa vantagem sobre Átila Abreu, seu mais próximo perseguidor, Barrichello conseguiu uma enorme vantagem quando conseguiu a pole e pôde, mesmo com um problema no início da corrida, onde um vazamento de óleo fez com que alguns pilotos rodassem, além do próprio Barrichello chegando a perder o prumo do seu Stock no local, controlar a corrida e o campeonato. Mesmo perdendo a liderança da corrida, Rubens só precisava marcar Abreu, que estava logo à sua frente na prova vencida por Daniel Serra. Barrichello ainda tinha seu companheiro de equipe Alan Khodair como escudo e fazendo uma prova com o regulamento debaixo do braço, voltou a vencer um campeonato com um terceiro lugar.

A Stock continua com seus vários toques e pilotos superdimensionados, mas nada pode tirar o mérito da conquista de Barrichello, que conseguiu duas vitórias no ano, incluindo a Corrida do Milhão, e se manteve sempre no pelotão da frente, amealhando pontos importantes que o deixaram com a faca e o queijo na mão na corrida final. Sua equipe, a Full Time, acabou com a hegemonia das equipes de Andrea Mattheis e Rosinei Campos, que já durava dez anos, e deu a Barrichello um carro competitivo a ponto do brasileiro ter acabado com seu longo jejum e mostrar, logo em sua segunda temporada completa, que mesmo tendo alguns cabelos brancos, Rubens Barrichello ainda é jovem suficiente para ser campeão.

sábado, 29 de novembro de 2014

El niño matador

Jean-Eric Vergne havia dado a dica no começo da semana, quando anunciou que estará fora da Toro Rosso em 2015. Já há quem fale do francês na Indy no próximo ano. Carlos Sainz Jr ficou irritado quando Max Verstappen foi escolhido como piloto da Toro Rosso em 2015, pois na hierarquia do programa de jovens pilotos da Red Bull, o espanhol era o primeiro da fila para assumir um carro na Toro Rosso, enquanto o holandês já foi furando fila e pulando direto da F1, com apenas 17 anos.

Porém, o mercado da F1 deu algumas voltas surpreendentes e com a saída de Vettel da Red Bull, Daniil Kvyat foi pinçado da Toro Rosso para a equipe-sede, abrindo espaço para um lugar na Toro Rosso ano que vem. Com a evidente jovialidade de Verstappen, muito se especulou que Vergne poderia ficar numa inédita terceira temporada consecutiva na Toro Rosso, meio que tutelando Verstappen, mas Sainz Jr fez pressão em cima da Red Bull, com o apoio do pai famoso, mostrando seus vários títulos nas categorias de base, em especial ao campeonato da World Series 3.5, vencida pelo espanhol em 2014. 

Sainz Jr foi anunciado nesta sexta-feira na Toro Rosso e com apenas 20 anos, irá formar com Max a dupla mais jovem da história da F1. Porém, se Max Verstappen é visto como um fenômeno desde o kart, Sainz Jr tem lá seu talento, mas é mais conhecido pelo sobrenome famoso, pois é filho de Carlos Sainz, lenda do WRC, e conhecido como 'El Matador'. Por coincidência, Sainz Sr tinha como uma das marcas registradas a bandeira espanhola com um touro negro ao fundo. E seu filho começará numa equipe que tem um touro como nome...

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Pi, pi, pi, pi...

Quando somos crianças, sempre pensamos que quando crescermos nossos gostos irão mudar. Que não iremos mais ver desenhos, comer bolacha recheada e jogar videogame quando crescer. Que iremos gostar de outras coisas mais importantes e 'adultas', deixando o lado criança, literalmente, de lado. Porém, quando a idade vem, experimentamos várias coisas boas e até mesmo os cabelos brancos começam a brotar, percebemos que o nosso lado criança nunca acaba. Me lembro que quando trabalhei numa indústria alimentícia, tacava-lhe o pau no biscoito recheado. Dois anos atrás comprei um Playstation 3 e acompanho os novos lançamentos. E nunca deixei de assistir o Chaves.

Para quem não sabe, perdi meu avô e meu pai num espaço de um ano e meio e até agora sinto muito o baque. Pensei também que após tantas perdas em tão pouco tempo, nenhuma morte de algum famoso me sensibilizaria, mas veio a morte de Luciano do Valle para me trair. Senti demais o falecimento do narrador que tanto acompanhei quando criança. É isso. As lembranças que marcam a nossa infância calam mais fundo na gente e por isso, a morte de Roberto Bolaños, o famoso Chaves, está sendo muito dolorida não apenas por mim, mas pela comoção nas redes sociais, também para muita gente.

O cenário do Chaves era tão tosco, os episódios tão inocentes e os personagens tão simplórios (Seu Madruga, Chiquinha, Quico, Dona Florinda, Bruxa do 71, Professor Girafales, Sr Barriga), que parece que se criou uma espécie de charme para o seriado que mesmo infantil, atravessou gerações a ponto de estar há trinta anos na grade de programação do SBT com relativo sucesso. E pessoas com bem mais de trinta anos continuam a assistir um humor leve, onde sabemos todas as falas, mas conseguimos morrer de rir do mesmo jeito.

Bolaños criou uma série com personagens também cheio de simbologias, onde lições são aprendidas a cada episódio. Aprendemos, também com o Chapolin, várias frases e bordões que para sempre estarão em nossas cabeças. Conhecemos Tangamandapio. Suspeitamos desde o princípio. Ninguém teve paciência com a gente. Fizemos coisas sem querer querendo. E fizemos vários movimentos friamente calculados.

Tudo isso obra de Roberto Bolaños. Ele marcou minha infância e de muitos adultos como eu, assim como adolescentes e crianças de toda a América Latina. Por uma dessas coincidências da vida, o Plantão do SBT anunciando a morte de Bolaños foi durante o episódio do Chaves. Como homenagem, continuei assistindo o episódio onde o seu Madruga, considerado pelo próprio Bolaños como o melhor ator do seriado e que agora está o recebendo no céu (ou lá embaixo, como Ramón Valdés brincava), pensava que estava a ponto de morrer, quando na verdade era preparada sua festa de aniversário surpresa. E ria. Ri muito, como sempre ri enquanto assistia ao Chaves. Mesmo que com lágrimas nos olhos.

Muito obrigado, Roberto Bolaños, pelas risadas, pelas frases de efeito e as lições aprendidas!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ex-autódromo mais lindo do mundo

Nessa reportagem da revista Placar de 1977, o hoje extinto autódromo de Jacarepaguá recebia suas primeiras corridas cercado de elogios, de problemas que nunca foram resolvidos e com a expectativa de receber a F1 pela primeira vez em poucos meses. É uma viagem no tempo também no automobilismo brasileiro, pois na época haviam pelo menos três categorias de monopostos nacionais. Trinta e sete anos depois...





quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Muito macho

A Lotus adora mesmo fazer consertos de funilaria. Não bastasse Maldonado, agora chamaram dois malucos para bater o recorde de salto... com um caminhão! E usaram o veículo da Lotus, que evidentemente tiveram que fazer uns consertos no caminhão danificado pelo esforço...

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Figura(ABU): Lewis Hamilton

Não poderia ser outro! O inglês da Mercedes tinha a má fama de sucumbir em momentos decisivos, mas na quarta vez em que esteve na briga pelo título na última corrida do ano, Lewis Hamilton provou que o tempo lhe deu o discernimento necessário para poder segurar seus nervos e usar seu enorme talento para derrotar seu 'companheiro' de equipe Nico Rosberg. Como em 2008, Hamilton chegou ao Oriente Médio com uma boa vantagem sobre seu maior rival, o inglês só necessitando de um segundo lugar para ser campeão. Tendo o melhor carro disparado do pelotão, o Mercedes H05 Hybrid tendo batido o recorde de dobradinhas numa única temporada, terminar em segundo parecia ser apenas uma formalidade para Hamilton, mas o desempenho anterior de Lewis em corridas decisivas brotavam dúvidas para quem acompanha a F1, ainda mais com Nico Rosberg levando a pole-position. O alemão não escondia que procuraria atacar o ponto fraco de Hamilton, o psicológico, mas o inglês da Mercedes não caiu nas armadilhas de Nico e conseguiu logo de cara uma largada estupenda, assumindo a ponta facilmente na primeira curva e destruindo boa parte da estratégia armada por Rosberg na corrida. Andando forte, mas sem destruir seu carro ou pneus, Hamilton abria uma confortável vantagem de 3s quando Rosberg começou a ter problemas em seu ERS. Se Nico queria que Hamilton tivesse problemas mecânicos ou se Felipe Massa chegasse em segundo no final da prova, o tiro saiu pela culatra. Rosberg apenas se arrastou até a bandeirada, terminando a corrida e a temporada dignamente, mas o grande nome do dia foi Lewis Hamilton, que resguardou ao máximo seu carro e só apertou um pouco mais quando Felipe Massa, fazendo uma ótima corrida e podendo facilmente estar nessa parte da coluna, se aproximou. Vencendo pela décima primeira vez no ano, Lewis Hamilton foi um digno vencedor do campeonato de 2014, superando várias dos seus fantasmas e um rival ardiloso, que se era mais lento do que ele, era mais inteligente. Parabéns ao novo bicampeão Lewis Hamilton! 

Figurão(ABU): Ferrari

Cinco anos atrás, a Ferrari saiu de Abu Dhabi com Kimi Raikkonen conseguindo apenas uma 12º posição e Giancarlo Fisichella, substituindo o contundido Felipe Massa, em 16º, uma volta atrás. Tinha sido um ano terrível para a Ferrari, com um carro ruim, a não adaptação aos novos regulamentos, a falta de motivação de Kimi Raikkonen e o quase fatal acidente de Felipe Massa. Porém, a expectativa para 2010 era muito boa com a chegada de Fernando Alonso e aquela péssima prova em Abu Dhabi em 2009 estava mais para uma ressaca de um ano ruim. Cinco anos se passaram e a esperada passagem de Alonso na Ferrari não foi a esperada e nenhum título foi conquistado. O espanhol saiu da Ferrari com apenas um nono lugar no mesmo circuito de Abu Dhabi, com Kimi Raikkonen, a grande decepção desse ano, logo atrás, ambos pouco menos de 90s atrás do vencedor e bicampeão Lewis Hamilton. Assim como em 2009, haverá uma mudança de pilotos para a temporada seguinte, com a chegada de Sebastian Vettel e a saída de Alonso, mas a expectativa para 2015 não é tão brilhante como há cinco anos atrás. A diferença entre Mercedes e Ferrari, principalmente o motor, foi gritante e com o congelamento do desenvolvimento dos motores, essa desvantagem tende a ficar no mesmo estágio. A passagem de Alonso trouxe graves problemas políticos dentro do seio da Ferrari a ponto de causar, em um único ano, a saída do quase eterno presidente Luca di Montezemolo, e de dois chefes de equipe. O terceiro, Maurizio Arrivabene, foi vice-presidente de marketing da Philip Morris, significando que o italiano não tem um histórico de pista, assim como o seu antecessor, o breve Marco Mattiacci. Se na saída de Michael Schumacher houve uma certa calmaria pelos lados de Maranello, a saída de Alonso deixou um verdadeiro caos gerencial para Arrivabene consertar, tendo ainda que a Ferrari fazer um bom carro para o próximo ano, algo que faz tempo que não consegue, além de um motor minimamente decente e capaz de brigar com a Mercedes. Será que Sebastian Vettel tem noção do bucho em que está se metendo?