sábado, 31 de janeiro de 2015

STR10

Em Indianapolis, durante as 500 Milhas, os novatos são identificados com três faixas amarelas na asa traseira dos seus carros, num claro aviso aos pilotos experientes que ali está um piloto não muito familiarizado com o carro e a velocidade do evento. O carro da Toro Rosso bem que poderia ter algo avisando que nos seus carros, estão dois dos pilotos mais jovens a estrear na história da F1.

A chegada de Max Verstappen e Carlos Sainz Jr provocou a grita dos puritanos da F1, que pregam que os carros atuais da F1 estariam fáceis demais para se guiar, a ponto de um menino de 17 anos e outro adolescente de 20, podem facilmente andar no pelotão da F1. Por outro lado, principalmente no caso do holandês, o que se fala é que a Red Bull, conhecida por trazer Vettel e Ricciardo para a F1 através do seu renomado programa de jovens pilotos, sabe muito bem o que está fazendo e que ambos estão mais do que capacitados para estrearem na F1 em 2015. Max Verstappen, filho de Jos 'The Boss', é uma das mais esperadas estreias da F1 nos últimos anos. Sempre que se referem ao rapaz desde o kart, fala-se muito no adjetivo 'fenômeno' e mesmo com apenas 17 anos e um ano de monoposto, todos esperam ver do que é capaz Max Verstappen, mesmo sabendo que seu pai não obteve sucesso na F1 justamente por ter estreado na F1, vinte anos atrás, talvez cedo demais. Carlos Sainz Jr, até o momento, é mais conhecido por ser filho da lenda do WRC Carlos Sainz e mesmo mais experiente e laureado (campeão da F-Renault 2.0 e 3.5), o espanhol é bem menos falado do que Max, além do fato de só ter conseguido essa vaga na Toro Rosso devido a ida de Vettel para a Ferrari e o efeito dominó após essa decisão.

Sainz Jr reclamou tanto, que acabou conseguindo estrear na F1, mas se não conseguir bater o adolescente (para não dizer 'pura mijo', como se diz por aqui) Max Verstappen, o espanhol estará bem encrencado. Feito unicamente para ser uma espécie de celeiro para a matriz, a Toro Rosso espera apenas dar condições para que os dois pilotos mostrem seu talento e, quem sabe, consigam repetir os feitos de Vettel, Ricciardo e Kvyat. Porém, todos os olhos estarão em cima de Max Verstappen. Tanto os que criticam sua falta de experiência, como os que vêem nele num fenômeno em potencial.

Vanguarda da segurança

Quando se lembram da segurança no automobilismo nos sangrentos anos 60 e 70, todos se lembram da luta de Jackie Stewart, mas se esquecem do sueco Jo Bonnier. Piloto apenas regular, mas extremamente culto e rico, Bonnier militou por vários anos no automobilismo mundial, seja na F1, seja nos carros esporte, onde conseguir resultados mais impactantes. Se fosse vivo, Joakim Bonnier estaria completando 85 anos hoje.

Sua luta por melhores condições de segurança começou quando Bonnier sofreu um seríssimo acidente em Ímola em 1958, quando o sueco foi jogado de sua Maserati, após uma capotagem. Após várias fraturas, Bonnier voltou ao automobilismo no ano seguinte para conseguir o que seria sua única vitória na F1 no Grande Prêmio da Holanda de 1959, com um desacreditado BRM. No início dos anos 1960, Bonnier foi um dos grandes líderes da GPDA (Grand Prix Drivers Association) e muitas vezes era o sueco que ia homologar pistas novas na F1. Mesmo com essa vitória surpreendente em 1958, Bonnier não teve uma carreira gloriosa na F1. Ele fez parte da equipe oficial que a Porsche montou no início dos anos 1960, conseguindo dois quinto lugares como melhor resultado. Após duas temporadas com a equipe de Rob Walker, Bonnier montou sua própria equipe de F1 em 1966, participando de forma integral, mas sem grandes resultados, até 1968, com um velho McLaren. Bonnier passou a se dedicar mais à GPDA, mas eventualmente participou de alguns eventos na F1 até 1971.

Já nos carros-esporte, Bonnier conseguiu mais destaque, incluindo uma vitória uma vitória nas 12 Horas de Sebring com uma Ferrari, ao lado de Lucien Bianchi, tio-avô de Jules Bianchi. Correndo também com sua equipe particular, Bonnier participou de várias corridas nessa categoria no final dos anos 1960, incluindo o mítico McLaren M6B, da Can-Am. Porém, foi correndo nesse tipo de carro, um Lola T280, que Jo Bonnier faleceu num acidente durante as 24 Horas de Le Mans. Aos 42 anos de idade, morria um dos pioneiros da segurança no esporte.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

SF15-T

Ferrari e Sebastian Vettel começam sua caminhada juntos em 2015 com muitas coisas em comum. Foi uma temporada difícil para ambos e uma mudança enorme foi feita para que se mantivesse a motivação. Vettel saiu da Red Bull após anos gloriosos na equipe austríaca para seguir o plano de carreira do seu ídolo Michael Schumacher e tentar reerguer a Ferrari, que não está na situação crítica que Michael encontrou a equipe no final de 1995, mas que também passa por uma enorme crise e mudou muita coisa para tentar voltar ao rumo das vitórias.

A Ferrari fez uma limpa geral, começando do antes intocável presidente Montezemolo, passando pelo chefe de equipe e os principais líderes técnicos ferraristas. Com tanta coisa nova, será quase impossível ver a Ferrari retornando aos anos gloriosos de dez anos atrás já em 2015, mas com paciência, será possível ver o time evoluir. Essa semana chegou a notícia de que Vettel ficou tão decepcionado com a nova tecnologia da F1, que pensou seriamente em se aposentar precocemente. Péssimo sinal para a Ferrari. Se no primeiro sinal de problema Vettel ficou tão de 'mimimi' a ponto de pensar em aposentadoria, será o alemão capaz de ter a paciência e a tenacidade, como Schumacher teve, para levar a Ferrari de volta ao olimpo? Essa notícia me deixou com uma pulga atrás da orelha...

Quem já mostrou não ter paciência e tenacidade foi Kimi Raikkonen e o finlandês já está na corda bamba no começo da temporada 2015. Praticamente um dos poucos sobreviventes da barca que mandou vários caciques da Ferrari para o RH, Kimi terá que fazer um ano bem melhor do que o apagado 2014 que teve, onde levava tempo de Alonso com a naturalidade com que ele entorna um litro de vodka. Menos mal para Raikkonen que Vettel é seu melhor amigo na F1 e isso pode ser uma motivação para o já veterano finlandês.

Se a Ferrari começou 2014 com dois campeões mundiais no seu cockpit, 2015 se inicia do mesmo jeito, mas essa é apenas uma coincidência, pois a Ferrari mudou bastante nos últimos 365 dias e como toda mudança que se preze, o tempo e a paciência será essencial para se cultivar os frutos semeados a partir desse ano. Mas será que Vettel e os tifosi terão essa paciência?

C34

Impossível ver o novo carro da Sauber e não lembra da musiquinha do Gorpo em um episódio do He-Man. "O azul e o amarelo, tudo é muito belo..." Porém, se para o amiguinho de He-Man e Drianne a coisa estava muito bela, o mesmo não se pode dizer da Sauber e a apresentação do novo carro é um claro indicador disso. Não que o carro seja feio ou as cores atrapalharam, mas a crônica falta de patrocínio chamou a atenção do novo carro da Sauber, que vem de sua pior temporada na sua já longa história na F1.

O time suíço vem reclamando de problemas financeiros desde 2013 e o fato de ter passado 2014 inteiro sem pontuar não ajudou muito as finanças do velho Peter Sauber. Mesmo dispensando o péssimo Esteban Gutierrez e seus pesos mexicanos, a Sauber trouxe dois 'pay-drivers' para 2015. Felipe Nasr coloriu a Sauber com o pomposo patrocínio do Banco do Brasil e após anos fazendo um bom papel nas categorias de base, sua planejada carreira culmina na F1, mas Nasr terá um desafio e tanto em reerguer a Sauber e sem muita grana, Felipe terá uma baita trabalho. Se não conhecemos Nasr em termos de F1, conhecemos Marcos Ericsson o suficiente para dizer que os empresários do rapaz são ótimos em captar patrocinadores locais para investir no sueco.

As últimas semanas foram tumultuadas para a Sauber, incluindo um rumor de que o time estaria devendo à fornecedores e que o carro não estará pronto para o primeiro teste em Jerez, na próxima semana. Outro fato que chamou atenção foi o macacão dos pilotos. Com uma mudança tão grande no esquema de pintura dos carros de uma temporada para outra, era esperado que o macacão também mudasse de cor, contudo, os macacões exibidos por Nasr e de Ericsson são os mesmos do ano passado, apenas com o logo do Banco do Brasil na frente. São nesses pequenos detalhes que vemos a penúria da tradicional equipe Sauber e 2015 tende, para infelicidade dos que torcem para um sucessor de Felipe Massa na continuidade de brasileiros na F1, a ser tão ruim quanto ano passado. 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Irresponsabilidade é aqui

Quando a São Paulo Indy 300 terminou de forma abrupta e a Rede Bandeirantes quase teve que lidar com um processo da organização da Indy, Brasília se prontificou a fazer uma corrida substituta em 2015. Não seria preciso muito, bastava reformar o velho autódromo Nelson Piquet e pela falta de tempo, nem precisava ser uma obra completa, bastava que o asfalto, o mesmo desde 1974, fosse trocado e os boxes reconstruídos, mas nada nababesco como em Abu Dhabi.

Porém, como é bem característico daqui, essa ideia arquitetada pelo ex-ministro dos esportes e então governador distrital, Agnelo Queiroz, era sempre colocada em dúvida. As obras teriam que ser feitas em toque de caixa e tome licitação cancelada e problemas a mil aparecendo aqui e ali. Enquanto isso, a Indy mandava pessoas responsáveis pelos detalhes da corrida para Brasília, a Bandeirantes exibia sempre que podia propagandas de sua corrida na Capital Federal e ingressos eram vendidos com relativo sucesso. Então, faltando 40 dias para a bandeira verde, a Terracap, Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal, anunciou nessa tarde que a corrida de 8 de março está cancelada, com o circuito semi-destruído e milhares de ingressos vendidos.

Esse golpe foi mais um no já surrado automobilismo brasileiro. Hoje nós vivemos de duas promotoras de corridas (Vicar e Truck) e não temos mais categorias de base. Quando Felipe Massa se aposentar na F1 e a dupla Helio Castroneves e Tony Kanaan fazer o mesmo na Indy, corremos o seríssimo risco de não termos nenhum brasileiro nas duas principais categorias do automobilismo mundial, fazendo com que o interesse do brasileiro pelas corridas caía ainda mais. Agora, imaginemos quem comprou o ingresso para a corrida em Brasília. Provavelmente já está até uma hora dessa se programando para viajar à Brasília se não for na cidade, e de repente sua expectativa foi toda por água abaixo... Essa mesma pessoa irá comprar ingresso para uma corrida da Indy novamente? Duvido. A Indy irá querer negociar para ter uma prova aqui no Brasil? Eu não faria isso. E a Bandeirantes? Que só exibe no seu canal principal a corrida no Brasil e as 500 Milhas, quando não há um joguinho do paulistinha na hora do pódio. Será que a emissora paulista ainda se interessará pela Indy? E a reforma no autódromo Nelson Piquet continuará? Cheirinho de Jacarepaguá no ar no planalto central. 

Agnelo Queiroz, que deixou um rombo nas contas de Brasília, com certeza não pensou nisso, nos danos que esse cancelamento em cima da hora pode trazer ao combalido automobilismo tupiniquim. Foi um balde de água fria para quem gosta de corridas, mesmo sabendo que isso poderia ocorrer, vide o histórico irresponsável de Agnelo. Para se ter uma ideia, o rapaz está tão envolvido em falcatruas em seu tempo de governador, que o seu partido, o PT, de tantos escândalos de corrupção, pensa em expulsar Agnelo por... corrupção! Negociar com esse tipo de gente mostra bem o quão mal está o automobilismo brasileiro...  

MP4-30

Após muita especulação sobre com quais cores a McLaren irá se apresentar em 2015, o time mostrou seu novo carro com praticamente o mesmo lay-out desde 1997, ano em que a McLaren, devido à saída da Marlboro, trocou a icônica pintura branco-vermelha pelo prata-preto. Um parêntese é que muita gente pensa que apenas Ayrton Senna correu com o desenho  Marlboro e teve sucesso. Emerson Fittipaldi venceu com esse lay-out, assim como James Hunt, Niki Lauda e Alain Prost. E o francês, empurrado com o motor Honda. Nos últimos dias, muita gente lembrou do carro de Ayrton e de uma possível homenagem que a Honda, que volta a empurrar o carro da McLaren, faria ao brasileiro, mas como falado acima, outros grandes campeões obtiveram sucesso com esse icônico lay-out branco-vermelho. E correndo com motor Honda!

Saindo das polêmicas antigas para as atuais, a McLaren vem de uma longa seca de títulos e vitórias. Desde 2012 o time comandado por Ron Dennis não vence uma corrida e após vinte anos de parceria, viu a Mercedes se concentrar em sua equipe oficial. Sabedor que nunca será campeão como equipe-cliente, Dennis rapidamente costurou um acordo com a Honda, novamente interessada na F1 graças à sua nova tecnologia de motores. Mesmo muito experiente em fazer motores campeões, a Honda deve se espelhar na Renault e, principalmente, na Ferrari, que tiveram grandes dificuldades em conseguir fazer um motor eficiente e potente, frente ao domínio da Mercedes.

Para tentar achar atalhos nessa sua luta para voltar a brigar pelos títulos, a Honda pressionou a McLaren para ter uma dupla experiente e cara. Ron Dennis viu Fernando Alonso sair da McLaren cuspindo maribondo no final de 2007 após apenas uma temporada tumultuada do espanhol na equipe. Com o experiente Jenson Button, Dennis também não mantinha um bom relacionamento e provavelmente o velho chefe de equipe preferisse o jovem Kevin Magnussen, mas Ron teve que engolir dois pilotos dos quais não se entendeu muito bem no passado, mas por outro lado garantirá qualidade e, o mais importante nesse momento, muita experiência para conseguir acertar o novo carro da McLaren, além do novíssimo motor Honda.

 Assim como a Ferrari, a McLaren terá uma dupla de pilotos campeã e também como a rival italiana, a McLaren correrá pressionada pelo tempo sem triunfos. Com dois pilotos do quilate de Alonso e Button, a McLaren terá a virtude de ter dois pilotos experientes, mas também terá a pressão de que se os resultados não vierem, a culpa não está sentado atrás do volante.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Herói anônimo

Ele seria apenas mais um piloto inglês na F1 endinheirado na década de 1970, se não fosse um ato heroico durante o Grande Prêmio da Holanda de 1973, de triste lembrança a todos que gostam da F1 de hoje e do passado. Se estivesse vivo, David Purley teria completado 70 anos ontem e talvez seria mais reverenciado do que é. Vindo de uma família rica, David começou relativamente tarde no automobilismo, só chegando à F3 com 25 anos de idade, em 1970. Após três temporadas, com a providencial ajuda da empresa de sua família, a LEC Refrigeration, Purley pulou para a F1 em 1973, após comprar um March.

Em sua terceira corrida pela F1, no Grande Prêmio da Holanda, David Purley largaria atrás de um jovem compatriota chamado Roger Williamson, que também usava um March particular, mas era considerado um piloto extremamente promissor, inclusive com chances de correr pela então forte equipe Tyrrell em 1974. Williamson perdeu o controle do seu carro após uma suspensão quebrada e seu March ficou capotado, mas haviam três grandes problemas: um pequeno incêndio que logo ganhou uma grande dimensão, o ângulo em que seu carro ficou capotado, praticamente colado no muro e, o pior de todas, a falta de preparo dos fiscais holandeses. Purley, que vinha logo atrás de Williamson, percebeu o potencial perigo e não pensou duas vezes em deixar seu carro e prestar socorro à Williamson.

Iniciou-se uma das cenas mais chocantes, dramáticas e marcantes da história da F1. David Purley primeiro tentou virar o carro, enquanto Williamson, preso em seu carro e impossibilitado de sair das chamas, clamava por socorro. Então Purley procurou um extintor de incêndio e realmente só encontrou um, despejando todo o pó químico no incêndio que já se transformara de grandes proporções. Desesperado, Purley clamou para que a torcida o ajudasse em alguma coisa e depois pediu para que os pilotos que passavam no local o ajudassem a socorrer Roger Williamson. Tudo em vão. 

Williamson morreu ao vivo na frente de todos e David Purley, arrasado, foi considerado um herói, ganhando vários prêmios pela sua tentativa desesperada de salvar seu colega piloto, mesmo que infrutífera. Após esse episódio marcante, Purley ficou alguns anos na F5000 para retornar à F1 com chassi próprio em 1977. E novamente participar de um evento nada agradável. Nos treinos para o Grande Prêmio da Inglaterra, Purley perdeu o controle do seu carro e bateu no muro com extrema violência. Talvez excessiva! Purley sofreu uma desaceleração brutal de 179.8g, a maior registrada numa prova de F1 e a maior no automobilismo até o acidente de Kenny Brack na infame pista de Texas, em 2003, que aposentou o sueco. David Purley quebrou vários ossos, principalmente nas pernas, mas sobreviveu ao acidente, mesmo tendo que fazer como Brack vinte e cinco anos mais tarde e abandonar o automobilismo.

Ainda querendo experimentar altas doses de adrenalina, David Purley se tornou piloto de acrobacias aéreas e foi dessa maneira que ele encontrou seu destino, quando perdeu o controle do seu avião em 1985 e faleceu aos 40 anos de idade.