sábado, 20 de junho de 2015

Mesmo errando...

O circuito de Red Bull Ring, mesmo de desenho relativamente simples, vem fazendo com que os pilotos da F1 cometam vários erros ao longo dos treinos. Hoje no Q3, Hamilton e Rosberg estavam em suas últimas voltas voadoras para tentar ser o pole amanhã, mas nenhum dos dois pilotos da Mercedes conseguiram, sequer, completar essa volta. Lewis errou ainda na curva um, enquanto Rosberg, já sabendo do erro de Hamilton e vindo na última curva com melhores parciais, acabou passando reto e estragando uma ótima chance de quebrar a sequencia de poles do seu companheiro de equipe. Como Hamilton era o mais veloz até então, o inglês conquistou sua 45º pole na carreira, se igualando à Vettel como o terceiro no ranking histórico da F1.

Porém, a classificação em Zeltweg não foi nada comum. Uma tempestade no final do terceiro treino livre deixou a pista úmida no começo do Q1, fazendo essa sessão a mais animado do ano até agora. Com os pilotos explorando os pneus intermediários, para depois ir para os slicks, as surpresas apareceram. Kimi Raikkonen vinha até andando na balada de Vettel nos treinos livres, mas no Q1 o finlandês da Ferrari acabou em 18º, frustrando outra tentativa de Kimi mostrar serviço aos italianos e renovar seu contrato. Quem está de olho na vaga de Raikkonen em 2016 curtiu! Outra surpresa foi ver Sergio Pérez, usuário do motor Mercedes numa pista rápida, ficando pelo caminho. Correndo em casa e um dia depois de mais um chororô, desta vez de seu presidente, a trupe da Red Bull teve destinos diferentes, com Ricciardo e Sainz ficando pelo Q2, enquanto Verstappen e Kvyat avançaram ao Q3, mesmo que na bacia das almas. Ricciardo já não mostra seu sorriso como no ano passado e após ser a sensação no ano passado, o australiano se vê em meio a um enorme crise da sua equipe, que ao invés de trabalhar para sair dela, fica o tempo todo reclamando.

Na briga lá na frente, mesmo com Vettel liderando dois treinos livres, a Mercedes dava indícios de outro domínio e assim foi feito, mesmo com Hamilton e Rosberg errando em suas voltas rápidas finais. Nico se mostrou mais rápido nos treinos livres na briga interna da Mercedes, mas na hora H, Lewis não tomou conhecimento da precisão do seu companheiro de equipe e abocanhou mais uma pole. Vettel parecia ter chances de se meter na briga dos prateados, mas acabou na conhecida terceira posição, mas não restam dúvidas que na Áustria, a Ferrari parece mais próxima da Mercedes do que em outras praças. A Williams veio logo atrás, com o motivado Nico Hulkenberg conseguindo o feito de separar os dois carros de Claire Williams com seu Force India. Após seu desempenho em Le Mans e com Raikkonen em crise na Ferrari, Hulkenberg pode ter finalmente sua chance numa equipe grande... Felipe Nasr continua sua ótima temporada de estreia e após um momento de baixa em Montreal, voltou a derrotar com boa vantagem seu companheiro de equipe e avançar ao Q3 com seu humilde Sauber. 

Os erros de Hamilton e Rosberg no Q3 pode indicar uma corrida mais animada amanhã, pois o Red Bull Ring parece não perdoar muitos os erros. Vettel ainda não cometeu um grande erro e pode estar na espreita, justamente esperando um vacilo dos carros da frente, enquanto o tempo instável na Áustria poderá contribuir para outra boa corrida por aquelas bandas.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

História: 15 anos do Grande Prêmio do Canadá de 2000

Quinze dias após a corrida em Monte Carlo, a F1 cruzava o Atlântico para a primeira de duas corridas na América do Norte, no sempre emocionante Grande Prêmio do Canadá. O traçado rápido, estreito e traiçoeiro, somado ao clima inconstante, sempre fez da prova no circuito Gilles Villeneuve empolgante e com alguma surpresas. Uma das novas atrações é o recém-batizado 'Muro dos Campeões', onde três campeões (Villeneuve, Hill e Schumacher) bateram em 1999, batizando o muro na saída da última chicane. Com Jacques Villeneuve chegando ao Canadá, mesmo ele tendo morado apenas oito anos por lá, a torcida fica alvoroçada com a presença do campeão de 1997, mas o canadense estava no centro das atenções também por ter recebido uma oferta milionária da Benetton para 2001. Uma mudança, mas para a própria corrida no Canadá, quase aconteceu na Williams. Ralf Schumacher teve a perna ferida após bater na St. Devote e o alemão era dúvida até as vésperas dos treinos livres no Canadá. O piloto de testes Bruno Junqueira foi convocado e chegou a tirar fotos com o macacão da Williams, mas Ralf suportou bem os treinos livres e participou normalmente do final de semana.

Confiante após sua vitória em Mônaco, David Coulthard parecia ser a maior ameaça para a Ferrari de Michael Schumacher e foram os dois que brigaram pela pole numa sessão classificatória conturbada por duas bandeiras vermelhas, causadas por acidentes de Mazzacane e Jos Verstappen. Na última tentativa dos pilotos de McLaren e Ferrari, Schumacher liderava, seguido por Coulthard, Barrichello e Hakkinen. O brasileiro chega a tomar o segundo lugar de Coulthard, mas o escocês melhora o tempo de Schumacher, contudo, o alemão estava no meio de sua última volta na classificação e quando o cronometro já estava zerado, o alemão da Ferrari derrota Coulthard por um décimo de segundo. Foi uma classificação de tirar o fôlego, praticamente um prólogo para o que viria na corrida.

Grid:
1) M.Schumacher (Ferrari) - 1:18.439
2) Coulthard (McLaren) - 1:18.537
3) Barrichello (Ferrari) - 1:18.801
4) Hakkinen (McLaren) - 1:18.985
5) Frentzen (Jordan) - 1:19.483
6) Villeneuve (BAR) - 1:19.544
7) Trulli (Jordan) - 1:19.581
8) Zonta (BAR) - 1:19.742
9) De la Rosa (Arrows) - 1:19.912
10) Fisichella (Benetton) - 1:19.932

O dia 18 de junho de 2000 amanheceu frio e cinzento em Montreal, com previsão de chuva para as duas horas da tarde. Bem no meio da corrida! Com Villeneuve numa boa fase, as arquibancadas estavam lotadas e quando os carros estavam sendo ligados para a volta de apresentação, a McLaren de David Coulthard não funcionou. Os mecânicos da McLaren reiniciaram o carro, mas quando o fazem, o período para encostarem no carro estava esgotado, indicando uma clara infração, mas pelo menos Coulthard largaria na sua posição original. No apagar das cinco luzes vermelhas, Schumacher e Coulthard saem sem maiores problemas, com o alemão permanecendo em primeiro, mas na segunda fila, Hakkinen é mais lento que os pilotos ao redor dele. Barrichello tem que frear forte para não bater no finlandês, fazendo com que Villeneuve, em outra largada magistral, ficasse lado a lado com Hakkinen, ganhando a posição do finlandês. Barrichello aproveita a indecisão de Hakkinen e reassume o quarto lugar, mas Rubens não tinha muito o que comemorar, o mesmo Eddie Irvine, que ficou parado no grid e teve que largar uma volta atrasado.

Como já havia acontecido quinze anos atrás, a ótima largada de Jacques Villeneuve causou um drama para os pilotos de ponta que estavam atrás dele. Enquanto Schumacher e Coulthard disparavam na frente, o canadense segurava Barrichello e Hakkinen, que já tinham De la Rosa e Frentzen em seus calcanhares. Com a chuva iminente, alguns pilotos escolheram largar bem leve para fazer múltiplos pit-stops e em um deles, poder coincidir de colocar os pneus biscoito. Pedro de la Rosa era um desses pilotos e o espanhol fazia uma agressiva corrida em seu início. Outra coisa que era iminente era a punição à Coulthard, que foi anunciada na volta 11 e o escocês teve que cumprir um stop-and-go de 10s na volta 14, retornando à corrida em décimo. Isso significava que Villeneuve estava em segundo, para delírio do público canadense, mas ainda mais em êxtase estava Michael Schumacher, com 17s de frente, na liderança e sendo o piloto mais rápido da pista, aumentando ainda mais sua vantagem. A tática da Arrows falha quando Pedro de la Rosa faz sua primeira parada ainda na volta 18, mas para desespero do espanhol, a chuva começa a cair apenas cinco voltas mais tarde. Com a pista escorregadia, os primeiros incidentes não tardem a acontecer.

Verstappen e Coulthard são as primeiras vítimas ao rodarem, mas ambos retornam à pista sem problemas. Barrichello sempre foi um apreciador de condições de pista complicadas e o brasileiro aproveita a pista traiçoeira para ultrapassar Villeneuve na volta 27, no hairpin. Agora quem atacava Villeneuve era Hakkinen, mas o finlandês tem que esperar até a volta 35 para conseguir assumir a terceira posição no mesmo local, mas a corrida para a McLaren estava praticamente perdida. E iria piorar ainda mais! Schumacher antecipou sua parada e mesmo com a pista escorregadia, permanece com os pneus slicks, o mesmo fazendo a maioria quando as paradas programadas se completam na volta 44. Porém, a chuva se torna cada vez mais forte e na volta 45 vários pilotos saem da pista e resolvem ir aos boxes para colocar pneus de chuva, às vezes com dois carros da mesma equipe no mesmo momento. Por um motivo não explicado, Hakkinen esperar mais uma volta na pista, perdendo muito tempo. Fisichella e Verstappen tiveram sorte de ter combinado suas paradas programadas com a invasão de carros aos pits à procura de pneus para chuva e o piloto italiano sobe para segundo, se aproveitando de uma péssima parada de Barrichello, que ficou 16s parado nos pits até que a Ferrari completasse a parada de Schumacher. Porém, Fisichella, que sempre andou bem em Montreal, sai da pista brevemente e é ultrapassado por Barrichello, que andava forte na pista molhada, mas nem a saída de pista de Schumacher diminuiu a diferença de meio minuto que separava os dois pilotos da Ferrari.

Na confusão que se seguiu, vários pilotos perderam posições, mas outros, como Verstappen, se tornam estrelas da corrida, com o holandês conseguindo ultrapassar Wurz e Trulli no final da reta oposta para alcançar a quinta posição. Nas voltas finais Villeneuve, apenas em décimo após as manobras de pit-stop, tenta ultrapassar Button no hairpin, mas erra na freada e acaba acertando a lateral de Ralf Schumacher, tirando ambos da corrida. Coulthard, correndo atrás de pelo menos um ponto no campeonato, bate em Wurz e o austríaco leva a pior, tendo que ir aos boxes para consertos. O escocês parte para cima de Trulli para brigar pelo sexto lugar, mas o italiano mantém sua posição. Nas últimas voltas Schumacher diminui bastante seu ritmo e sua saída de pista tinha a ver com problemas de freios na sua Ferrari. Rubens era o piloto mais rápido nas últimas voltas e recorta toda a desvantagem que tinha para Schumacher, mas é avisado pela Ferrari para que ambos mantivessem as posições. Barrichello encosta em Schumacher e ambos cruzam a linha de chegada praticamente lado a lado, mas o alemão era o vencedor. No pódio, Barrichello parecia menos feliz, enquanto Schumacher elogiava bastante o seu companheiro de equipe, adjetivando-o de leal. Foi a primeira vez que Barrichello foi vítima de uma ordem de equipe da Ferrari, mas os italianos estavam felizes com uma dobradinha impressionante em Montreal e para melhorar, quem estava no pódio com eles era um italiano (Fisichella), não um piloto da McLaren, que teve uma corrida simplesmente para esquecer. O campeonato voltava a ter Schumacher como protagonista e líder inconteste do certame.

Chegada:
1) M.Schumacher
2) Barrichello
3) Fisichella
4) Hakkinen
5) Verstappen
6) Trulli

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Panca da semana

A lembrança é praticamente imediata. Em 1996, Jeff Krosnoff e um comissário morreram num terrível acidente na reta oposta de Toronto. Quase vinte anos depois, RC Enerson teve muita sorte em sair ileso de um acidente praticamente idêntico, que também envolveu Nelsinho Piquet, o andarilho das pistas.

domingo, 14 de junho de 2015

Jardim verde

A F1 pensou em voltar com reabastecimento para os próximos anos, mas a experiência prévia fez com que as equipes desistissem da ideia. Por enquanto. A F1 nunca conseguiu ter corridas com estratégias dinâmicas como acontece na Indy, onde uma bandeira amarela na hora certa e estar nos boxes na momento correto, pode fazer toda a diferença para você ganhar ou perder uma corrida.

Josef Newgarden passou boa parte da prova no pelotão intermediário após largar em 11º, atrás até mesmo do seu companheiro de equipe, o italiano Luca Filippi. Ao contrário do imaginado, a pista molhada não trouxe uma sucessão de bandeiras amarelas no começo da corrida, mas quando ela veio por causa de um incidente com James Jakes, a cara da prova em Toronto mudou radicalmente. Até o momento, a corrida era dominada (oh novidade!) pela Penske, com Will Power e Simon Pagenaud brigando pela ponta até mesmo de forma agressiva. O australiano estava claramente com um acerto para pista molhada, pois quando teve pneus para pista molhada, dominou a prova, mas quando, ainda na décima volta, os pilotos colocaram pneus slicks, Power perdeu rendimento e foi atacado por Pagenaud. Quando o pano amarelo foi acenado em toda a pista, Newgarden e Carlos Muñoz estavam fazendo a suas respectivas segunda parada. E se colocaram na briga pela vitória.

Fazendo uma corrida discreta, Helio Castroneves arriscou e ficou na pista. Havia previsão de chuva e o céu carrancudo de Toronto podia trazer chuva a qualquer momento. Porém, a chuva não veio, mas com pista livre, Castroneves acelerou o que pôde e ganhou bastante tempo para o pelotão intermediário. Não houve muitas bandeiras amarelas até o final da prova, que por isso foi até rápida. Newgarden manteve um ritmo forte e quando fez sua segunda parada, estava em primeiro, sendo escoltado por Filippi, seu companheiro de equipe da CFH. Atrás deles, após fazer sua última parada faltando poucas voltas, vinha Helio Catroneves, pressionado por Power, que ganhou desempenho na parte final da prova. Muñoz teve problemas mecânicos e não pôde acompanhar Newgarden, com que compartilhava a mesma estratégia. Os quatro correram juntos nas últimas voltas, mas não houve ataque e Newgarden venceu pela segunda vez na temporada.

Numa corrida onde a sorte imperou, os três primeiros conseguiram essas posições devido à isso, com Power sendo o primeiro dos pilotos mais rápidos antes da bandeira amarela. Numa das tentativas de ultrapassar seu companheiro de equipe, Pagenaud acabou errando e perdendo várias posições, terminando fora do top-10. Bourdais chegou a ultrapassar Power nessa confusão, mas quando a força das equipes podia fazer diferença, nos pit-stops, a Penske devolveu a posição para Power, fazendo com que Bourdais ficasse atrás do australiano, mas com uma bela prova. Seguindo estratégia similar à de Castroneves, Tony Kanaan foi o melhor da Ganassi, em sexto.

No campeonato, Juan Pablo Montoya terminou em sétimo, mas vide o colombiano ter tido uma corrida complicada, onde até passou reto no fim da reta oposta, até que os pontos conquistados por Montoya foram de muita valia, pois mesmo tendo ficado atrás de Power, ele segurou Dixon atrás de si. Com suas surpresas ao longo do campeonato, onde a sorte sorri para alguns pilotos e outros não, a Indy vai chegando a sua parte decisiva, com três provas em ovais seguida. Quem se dar bem nesse período, estará com uma mão na taça.

Nada como uma vitória redentora

A grandeza da F1, apesar de muita gente criticar, ficou bem evidenciada nessas 24 Horas de Le Mans de hoje. A grande estrela da vitória da Porsche foi Nico Hulkenberg, primeiro piloto a vencer a mítica prova francesa, correndo na F1 ao mesmo tempo, fato que não acontecia desde 1991, na ocasião, com Johnny Herbert e Bertrand Gachot.

Apesar de achar os carros de Porsche, Audi e Toyota belíssimos, não vou mentir que não sou um grande fã das corridas de Endurance, mesmo sabendo da importância brutal da corrida em Le Mans. O começo da prova (único momento em que assisti, já que esqueci de ver o final...) foi uma amostra do que seria visto no resto do dia na França. Os três carros da Porsche, que dominou a ponta do grid, disputando palmo a palmo com os três carros da Audi a primazia da liderança num ritmo fortíssimo para uma corrida de longa duração. A Toyota, terceira favorita, ficou claramente para trás com relação aos rivais alemães e sonhava com algum erro de Audi ou Porsche para poder brigar por algo mais do que ser sexto colocado. Pior foi a outra japonesa. A Nissan estreou em Le Mans com um carro bem diferente, com motor dianteiro, mas o resultado foi terrível para a marca japonesa, com um carro largando com voltas atrasado e os outros dois tendo vários problemas. Quando a Honda se maldizer na F1, basta lembrar o que a Nissan fez em Le Mans...

Como não poderia deixar de acontecer numa prova tão longa, com uma parte noturna, não faltaram incidentes ao longo do vasto pelotão em Sarthe, mas ainda assim Porsche e Audi brigaram pela vitória. Nas horas finais, Nico Hulkenberg usou seu talento para se sobressair e levou a Porsche para a primeira vitória da marca alemã desde 1998. Foi o 17º triunfo da Porsche em Le Mans, aumentando a sua vantagem como a maior vitoriosa em Le Mans. Quem sorriu bastante foi a VW, com suas duas marcas dominando num dos maiores palcos do automobilismo mundial.

O que chama atenção é que mesmo a Porsche tendo conquistado uma vitória importantíssima em Le Mans, o fato do carro vencedor ter sido guiado por Nico Hulkenberg chama ainda mais atenção, pela escolha do alemão na carreira a partir de agora. Piloto talentoso, mas talvez um pouco demais para a F1, Hulk não teve o apoio necessário para conseguir um bom lugar na F1, onde desde 2010 vem andando por equipes intermediárias. Hulkenberg ficou próximo de um acerto com a Ferrari, inclusive tendo escolhido o número 27 para agradar os fãs da Ferrari e de Gilles Villeneuve, mas no final os italianos preferiram Raikkonen. Isso pareceu abater Nico, que após duas temporadas muito boas, vinha fazendo um 2015 abaixo do seu potencial. Muito se dizia que o bonde do tempo tinha passado para Nico Hulkenberg, mas com essa vitória em Le Mans, todos se perguntam: o que o alemão vai fazer agora?

Conta a lenda que quando foi perguntado sobre o crescimento da Indy no final dos anos 80, Ecclestone desdenhou da categoria. 'Meu segundo piloto fez sua sucesso numa categoria de aposentados', se referindo à Teo Fabi. Olhando de uma outra perspectiva o feito de Hulkenberg de hoje, o fato de um piloto do pelotão intermediário da F1 ter vencido em Le Mans, em sua segunda corrida com o carro, demonstra que o nível do WEC talvez não seja tão alto assim...

Como Nico Hulkenberg é reconhecidamente um piloto talentoso (melhor do que Teo Fabi pelo menos...), há uma grande expectativa do que o alemão irá fazer em 2016. Ficar na Porsche em definitivo e se tornar uma estrela do WEC, ou tentar, novamente, um lugar melhor na F1 e mostrar seu verdadeiro talento num carro competitivo? Raikkonen já está sendo contestado dentro da Ferrari, antigo alvo de Hulk...

Nessa história toda, o que me causa mais estranheza é que os mesmos que criticam os motores híbridos da F1, agora fazem odes à WEC, cujas principais montadoras usam motores... híbridos! Engraçado, não?

Não seria a primeira vez que um grande piloto abandona o sonho da F1 para correr em provas de Endurance e talvez um dos grandes exemplos seja Tom Kristensen, vencedor nova vezes em Le Mans. Se Nico Hulkenberg escolher o WEC e a Porsche, ele pode repetir a trajetória de Kristensen, mas não restam dúvidas que a F1 perderia um grande talento. Resta saber se irão permitir isso!

Mercedes azul

Nas últimas provas, as corridas da MotoGP estão muito parecidas com as da F1. Uma equipe (Mercedes) domina as duas primeiras posições, com um piloto (Hamilton) superior ao companheiro de equipe e mesmo com o esforço desse (Rosberg), a dobradinha normalmente acaba nessa situação. Mesmo não largando na pole, mesmo Rossi ser incomparavelmente mais talentoso, vitorioso e carismático do que Nico Rosberg (é comparar Jesus com Genésio...), Jorge Lorenzo está sendo o Lewis Hamilton da MotoGP e pela primeira vez na carreira conseguiu vencer quatro corridas consecutivas, com direito a 100% de aproveitamento nas voltas lideradas. A Yamaha está sendo a Mercedes da classe rainha do Mundial de Motovelocidade e o título ficará restrito aos seus dois pilotos, com Lorenzo vindo num embalo muito maior do que Rossi, ainda líder por um ponto.

A Suzuki ter conquistado a sua primeira pole em oito anos, com direito a dobradinha no grid (pela primeira vez em 22 anos), foi um fato que chamou a atenção de todos que acompanham a MotoGP, mas todos sabiam que Lorenzo, largando em terceiro, era o grande favorito à vencer a sua corrida caseira, em Barcelona. Largando muito bem, Jorge Lorenzo imediatamente tomou a ponta e só teve trabalho nas voltas iniciais, quando um tresloucado Marc Márquez partiu para cima do compatriota. Acostumado a vencer, Márquez não mediu esforços para atacar Lorenzo e tentar assumir o lugar que ele que é dele, mas uma freada impossível no final da reta oposta significou o segundo 'chão' para o espanhol da Honda, que ficou furioso com o erro. Esse resultado, somado ao desempenho atual da Yamaha, praticamente alijou Márquez da briga pelo terceiro título seguido.

Com Márquez no chão, Jorge Lorenzo ganhou a tranquilidade de sua quarta vitória seguida ali. Como vem acontecendo com frequência desde a nova forma de classificação, Rossi largou do pelotão intermediário, ganhou posições na primeira volta e foi ultrapassando quem via pela frente até a corrida assentar. E quando a poeira baixou, Rossi estava 2.5s atrás de Lorenzo e um esforço brutal do italiano baixou a diferença para meros oito décimos na bandeirada, mas era nítido que Lorenzo administrava o final de prova. Ainda líder do campeonato, Rossi não é burro que, se quiser 'la décima', precisa acabar com o domínio de Lorenzo, já que a Yamaha está na liderança sozinha na MotoGP. A Honda tomar 17s da rival Yamaha é o mesmo que a Ferrari tomar 40s da Mercedes. Mais um ponto idêntico da MotoGP e a F1. Porém, houve festa no box de Pedrosa. Com a sua vaga em prêmio, ainda mais com a possível volta de Casey Stoner para a MotoGP, Pedrosa fez uma operação em seu ante-braço, o deixando algumas corridas de fora do campeonato. Atropelado por Márquez, Pedrosa aproveitou-se da acidentada corrida em Barcelona para garantiu o seu 95º pódio na carreira, mas dentro da Honda há a clara sensação que 2015 já acabou, restando à marca testar nesse resto de temporada, para construir a moto de 2016.

Foi uma corrida longe das emocionantes provas da MotoGP. Tirando o domínio da Yamaha, a corrida teve algumas brigas nas posições intermediárias, mas nada demais. Houve muitas quedas, pois além de Márquez, foram ao chãos vários pilotos de ponta, como Doviziozo e o pole Espargaró. Historicamente as provas da MotoGP foram sempre mais emocionantes que as da F1, mas em 2015, com a Yamaha bem superior às rivais e com Lorenzo um passo à frente de Rossi, as corridas dessa temporada estão bem parecidas com as da F1. E ninguém reclama dizendo que há crise na MotoGP...   

sábado, 13 de junho de 2015

O primeiro da Lotus

Se fosse vivo, Robert McGregor Innes Ireland teria completado 85 anos de idade ontem. Mais conhecido na F1 como Innes Ireland, o inglês ficou mais conhecido por ter sido o primeiro a vencer um Grande Prêmio pela equipe oficial da Lotus, no esvaziado Grande Prêmio dos Estados Unidos.

Considerado um 'gentlemen driver', Ireland começou relativamente tarde no automobilismo para valer, já contando com 27 anos de idade em corridas de 'sport cars' na Inglaterra, após servir no exército como paraquedista. Apenas dois anos após sua primeira temporada no automobilismo, Ireland foi contratado por Colin Chapman para a sua neófita equipe de F1 em 1959, garantindo quase que imediatamente um quarto lugar em Zandvoort. Contudo, a menina dos olhos de Chapman era um escocês que se tornaria companheiro de equipe de Ireland na Lotus em 1960: Jim Clark.

De temperamento difícil, mas amante das grandes festas que aconteciam na F1 naqueles tempos românticos, Innes Ireland não gostava muito do estreito relacionamento entre seu patrão e seu companheiro de equipe. Após um bom ano em 1960, onde conquistou três pódios e um quarto lugar no Mundial de F1, Ireland foi relegado definitivamente como segundo piloto da Lotus em 1961, mesmo sendo tão rápido quanto Clark em algumas ocasiões. Na última corrida daquela temporada, ainda em luto pela morte de Von Trips, a Ferrari decidiu não participar da corrida, mas nem assim a vida para Ireland seria fácil. Largando apenas em oitavo na pista de Watkins Glen, Ireland se utilizou de uma ótima largada para subir para quarto, escapou de uma rodada que quase arruinou sua prova e esperou as quebras de Jack Brabham e Stirling Moss, líderes incontestes da corrida, para vencer pela única vez na F1.

'Tive muita sorte', assim resumiu Innes Ireland sobre a sua vitória nos EUA, pois ele próprio sabia que não tinha como alcançar Brabham e Moss. Aquela era a primeira vitória do Team Lotus, mas não de um carro Lotus, pois Moss havia vencido em Mônaco com um carro projetado por Colin Chapman, mas correndo pela equipe de Rob Walker. Porém, nem a primazia de ter dado a primeira vitória à Colin Chapman salvou o emprego do inglês. Já incompatibilizado com Chapman e Clark, Ireland foi dispensado no final de 1961 da Lotus e até 1966 correu em equipes pequenas, não conseguindo resultados consistentes. Curiosamente, Ireland correu quase o tempo todo com carros clientes da Lotus. Após participar das 500 Milhas de Daytona de 1967, Ireland passou a escrever para revistas de automobilismo, além de participar de eventos de carros de corrida históricos. Innes trabalhou até sua morte, em 22 de outubro de 1993, aos 63 anos.