quarta-feira, 9 de setembro de 2015

História: 25 anos do Grande Prêmio da Itália de 1990

Com duas estrelas tão polarizadoras como Ayrton Senna e Alain Prost, a F1 em 1990 vivia na gangorra de quem estaria melhor equipado para a próxima corrida. A McLaren de Senna utilizava a potência do motor Honda V10 para se sobressair nas pistas rápidas, enquanto a Ferrari de Prost rezava para que a corrida seguinte tivesse um circuito travado, onde o acerto do chassi fizesse diferença. Quando a F1 chegou em Monza, a McLaren parecia franca favorita. Em Hockenheim e Spa, a McLaren venceu com facilidade, enquanto a Ferrari sofreu para acompanhar os carros comandados por Ron Dennis. Em Spa, somente a genialidade de Alain Prost para ainda se meter entre as duas McLarens, mesmo que tivesse ficado longe de incomodar o líder Senna, que venceu com certa facilidade. Porém, havia um fator novo para a próxima corrida da temporada de 1990: a prova seria em Monza, casa da Ferrari.

Como sempre, a Ferrari se preparou como nunca para tentar não fazer feio na frente dos tifosi. Prost liderou na sexta-feira, mas a potência da McLaren-Honda, mais a genialidade de Ayrton Senna fez da classificação de sábado épica, com os dois gênios trocando a melhor volta a cada passagem. Lógico que a cada volta de Prost, a galera italiana ia ao delírio. Porém, tirar uma pole de Senna com um carro numa pista favorável não era tarefa nada fácil e em sua última volta, o brasileiro conseguiu sua incrível 49º pole na F1. Por apenas um milésimo de segundo, Prost ainda se manteve na primeira fila, mas o francês sabia que a expectativas para domingo eram de corrida difícil.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:22.533
2) Prost (Ferrari) - 1:22.935
3) Berger (McLaren) - 1:22.936
4) Mansell (Ferrari) - 1:23.141
5) Alesi (Tyrrell) - 1:23.526
6) Boutsen (Williams) - 1:23.984
7) Patrese (Williams) - 1:24.253
8) Nannini (Benetton) - 1:24.583
9) Piquet (Benetton) - 1:24.699
10) Gugelmin (Leyton House) - 1:25.566

O dia 9 de setembro de 1990 amanheceu ensolarado em Monza, num clima típico para o tradicional Grande Prêmio da Itália, onde não se fazia muito calor e com os tifosi lotando as arquibancadas. Na largada, as McLarens saem muito bem e Senna liderava à frente de Berger na freada da primeira chicane. Para piorar as coisas para Prost, Jean Alesi não apenas pulava para quarto na freada da primeira chicane, como fez o Curvão lado a lado com o compatriota e numa bela manobra na freada da segunda chicane, Alesi assumiu o terceiro lugar. Porém, quando os tifosi ainda suspiravam por ver as Ferraris apenas em quarto e quinto, aconteceu o susto. Pouco mais de vinte anos depois da tragédia com Jochen Rindt na curva Parabólica, Derek Warwick escapa com seu Lotus (mesma equipe de Rindt...) na mesma curva e bate forte no guard-rail. O carro do inglês capota e se arrasta por vários metros, no meio dos carros do meio do pelotão. Bandeira vermelha. Porém, ninguém teve muito tempo para se assustar quando Warwick saiu sozinho do seu carro, deu uma olhada para ver se não vinha ninguém, cruzou a pista correndo e foi atrás do carro reserva para a nova largada!

A F1 vivia a sensação de ter chegado ao carro quase perfeito, em termos de segurança. Em 1970, Rindt morreu naquela mesma curva e vinte anos depois, Warwick estava sentado no carro da mesma equipe Lotus em que faleceu Rindt, esperando pela largada. Infelizmente, isso era apenas uma falsa sensação. Para tristeza de Prost, a segunda largada foi bem parecida com a primeira. Senna saiu impávido rumo à primeira curva na companhia de Berger, enquanto Alesi, com seu nome praticamente confirmado para correr na Ferrari em 1991, larga de forma impressionante, chegando ao terceiro lugar ainda antes do final da primeira volta! Poucos poderiam acreditar que Alesi teria alguma chance de alcançar Berger, mas o francês corria no extremo limite e estava próximo do austríaco, mas quem corre nesse ritmo, a chance de erro é maior e Alesi acabou rodando sozinho, na freada da segunda chicane na quinta volta. A sensação que se tinha 25 anos atrás era de que Alesi se tornaria um digno sucessor de Alain Prost e se tornaria o próximo francês campeão do mundo. Porém, os anos seguintes diriam que isso também não passou de uma sensação...

Sem Alesi na sua frente, Prost aumenta o seu ritmo e tenta uma aproximação em cima de Berger, enquanto Senna era o piloto mais rápido da pista, fazendo volta mais rápida em cima de volta mais rápida. Assim como já havia acontecido em Spa, a corrida já parecia sob controle, nas mãos habilidosas de Senna. Mas havia um detalhe. Até 1990, Senna nunca havia vencido em Monza, mesmo tendo liderado as três corridas anteriores na pista italiana até o final da prova, perdendo-a por diferentes motivos. Falava-se que para Senna existia a 'Maldição de Monza'. Precisando exorcizar qualquer coisa do tipo, até mesmo para se manter confortável na ponta do campeonato, Senna fazia uma corrida categórica em Monza, enquanto Prost se aproximava mais e mais de Berger, utilizando a força dos tifosi, que parece empurrar mais e mais os carros da Ferrari em Monza. Mansell corria sozinho em quarto, enquanto Patrese e Nannini completavam os seis que marcavam pontos. Na volta 21, Berger erra uma marcha na saída da segunda chicane e sem muito esforço, Prost assume a segunda posição. Na vola 31 a equipe Benetton se atrapalha ao chamar Piquet e Nannini ao mesmo tempo, fazendo com que ambos percam muito tempo e a chance de pontuar.

Quem assume o sexto lugar é Nakajima, salvando um pouco a honra da Tyrrell após o início arrebatador de Jean Alesi. Senna controla o ritmo da corrida, mas ainda assim marca a volta mais rápida da corrida. Juntamente com a pole e pelo fato de ter liderado todas as voltas daquele Grande Prêmio, quando Ayrton Senna recebeu a bandeirada em primeiro, ele completou o que a F1 chama de 'Grand Chelem'. Algo muito raro de acontecer em Monza e a tal 'Maldição de Monza' tinha ido para o ralo. Era a sexta vitória de Senna em 1990 e somente algo muito extraordinário para tirar o bicampeonato do brasileiro. Se a corrida não foi das mais emocionantes, pelo menos viu-se toda a categoria e genialidade de Senna numa pista como Monza. E pensar que antes da corrida, vendo a forte preparação da Ferrari em casa, Ron Dennis estava desconfiado de que Senna pudesse vencer em Monza a ponto de apostar a McLaren-Honda MP4/5B com o brasileiro. Porém, nunca é bom subestimar a força de Ayrton Senna com uma McLaren...

Chegada:
1) Senna
2) Prost
3) Berger
4) Mansell
5) Patrese
6) Nakajima

terça-feira, 8 de setembro de 2015

História: 40 anos do Grande Prêmio da Itália de 1975

Niki Lauda estava prestes a conseguir o seu primeiro título mundial de pilotos, quando a F1 chegou em Monza quarenta anos atrás. O austríaco vinha fazendo uma temporada impecável em 1975 e para se sagrar campeão dentro da casa da Ferrari, ele precisava apenas estar na zona de pontos, enquanto Carlos Reutemann, vice-líder na ocasião, teria que vencer na Itália. Duas semanas antes da prova em Monza, foi realizada uma corrida extra-campeonato em Dijon-Prenois, chamado de Grande Prêmio da Suíça, vencido pelo suíço Clay Regazzoni, que vinha numa temporada decepcionante após disputar com Emerson Fittipaldi o título de 1974. Em Dijon, a Hesketh estreou seu novo carro, mas sem o mesmo investimento de outrora, o carro se provou mais lento que o anterior nas mãos de James Hunt.

Para delírio dos tifosi, a Ferrari dominou em Monza nos treinos e Niki Lauda conquistou sua oitava pole em 1975, com Regazzoni completando a primeira fila. Após uma má-fase no meio da temporada, a McLaren voltou a colocar Emerson Fittipaldi numa boa posição, com o brasileiro abrindo a segunda fila, menos de 1s atrás das Ferraris. Tony Brise surpreendeu ao colocar seu Hill num espetacular sexto lugar, enquanto o novo Shadow-Matra não mostrou a potência esperada, com Jean Pierre Jarier ficando apenas uma posição à frente de Tom Pryce, com o mesmo carro, mas com o velho motor Ford Cosworth V8.

Grid:
1) Lauda (Ferrari) - 1:32.24
2) Regazzoni (Ferrari) - 1:32.75
3) Fittipaldi (McLaren) - 1:33.08
4) Scheckter (Tyrrell) - 1:33.27
5) Mass (McLaren) - 1:33.29
6) Brise (Hill) - 1:33.34
7) Reutemann (Brabham) - 1:33.44
8) Hunt (Hesketh) - 1:33.73
9) Brambilla (March) - 1:33.90
10) Pace (Brabham) - 1:34.17

O dia 7 de setembro de 1975 amanheceu chuvoso em Monza, aumentando o temor de outra corrida tumultuada debaixo de muita chuva, como havia acontecido na Áustria. A chuva parou e para dar tempo para que a pista secasse, a largada foi atrasada e quando os pilotos saíram para a volta de apresentação, a pista estava completamente seca e todo o pelotão estava montado com pneus slicks. Mesmo com o tempo nada chamativo, mais de 200.000 pessoas lotaram o Autodromo Nazionale de Monza para ver o provável título de Niki Lauda. O austríaco até teve a chance de se consagrar campeão na frente dos seus torcedores duas semanas antes em Zeltweg, mas Lauda perdeu a chance devido à grande chuva. Na frente da torcida da Ferrari, Lauda sabia que não teria que fazer muito esforço para ser campeão e por isso, foi bem cauteloso na largada, sendo ultrapassado na freada da nova chicane por Regazzoni. O procedimento de largada foi confuso e por isso, alguns pilotos, como Emerson Fittipaldi, perderam posições na largada, enquanto o vencedor da última corrida e especialista em Monza, Vittorio Brambilla, teve um problema na embreagem e abandonou a corrida ao final da primeira volta. 

As duas Ferraris passaram na frente das arquibancadas na ponta, com Regazzoni na frente. Lauda chegou a ser pressionado por Jody Scheckter no decorrer da primeira passagem, mas o piloto da Tyrrell, em troca perdeu a terceira posição para Jochen Mass. O sul-africano retomou a posição do alemão ainda na Parabólica, mas o piloto da McLaren tentou dar o troco na chicane, mas acabou tocado e Mass ficou atravessado na pista com a suspensão quebrada. Scheckter, com problemas de alinhamento, continuou na corrida, mas sem condições de manter um bom ritmo. Estando essa confusão numa briga pela terceira posição, todo o pelotão ainda estava para passar no local, com um espaço exíguo. Como resultado, Andretti e Brise acabaram batendo no local, se transformando em mais dois abandonos. No caso de Brise, um triste abandono, pois o jovem inglês vinha impressionando nessas suas primeiras corridas na F1. Com esse problema, a dupla da Ferrari agora tinha uma vantagem de 4s sobre o terceiro colocado Reutemann, que era perseguido de perto por Fittipaldi e Hunt. Reutemann segurava o segundo pelotão a ponto de Patrick Depailler encostar em Hunt, mas o argentino segurava bem a posição. Nas primeiras voltas, o único susto da Ferrari é quando Clay Regazzoni é fechado pelo retardatário Harald Ertl na Variante Ascari, mas o suíço se mantém na ponta. Com a corrida controlada rumo ao título, Lauda não queria briga de forma alguma.

Porém, a briga pela terceira posição era animada e após várias tentativas, finalmente Emerson ultrapassa Reutemann na volta 14, mas quando o brasileiro da McLaren vê a pista livre à sua frente, ele sabia que a vitória seria muito difícil: as Ferraris, que andavam juntas, estavam 7s na frente. Emerson imediatamente abre vantagem sobre Reutemann, mas não consegue encostar nas Ferraris, enquanto o argentino tinha que segurar um pelotão que tinha Hunt, Pryce e Depailler. Com a chegada da segunda metade da corrida, Regazzoni começa a se desgarrar de Lauda, que passa a sofrer com problemas no amortecedor de sua Ferrari. Outra frustração à vista? O austríaco é rapidamente alcançado por Fittipaldi, enquanto a preocupação na Ferrari aumenta com os problemas de Lauda, mesmo que para Niki não ser campeão em Monza, era preciso que Reutemann vencesse a prova. E o argentino já estava 20s atrás de Emerson Fittipaldi, em quarto lugar. Emerson parecia não querer fazer nenhuma manobra mais brusca e estragar a festa do título de Lauda. Até porque, se o brasileiro tirasse Lauda da corrida, era perigoso Emerson sair de Monza dentro de um camburão! Mesmo com Lauda tendo problemas de estabilidade, Emerson só tirou o segundo lugar de Niki com apenas cinco voltas para o fim.

Contudo, mesmo ultrapassado por Emerson Fittipaldi na reta dos boxes, a festa dos tifosi já tinha começado. Carlos Reutemann estava muito distante para tentar uma miraculosa vitória. Clay Regazzoni, que vinha numa temporada cheia de azares em 1975, estava próximo de sua segunda vitória consecutiva, a primeira do calendário oficial. Debaixo de calorosos aplausos, Clay Regazzoni vencia facilmente o Grande Prêmio da Itália de 1975, a sua segunda vitória em Monza. Emerson também tinha uma estatística peculiar em Monza, pois conseguia o segundo lugar pelo terceiro ano consecutivo. Porém, toda a festa estava para o terceiro colocado. Aos 26 anos, Niki Lauda conquistava o seu primeiro título da F1 de forma incontestável, dominando o campeonato de forma suprema, utilizando todo a estrutura da Ferrari e o ótimo carro construído por Mauro Forghieri. Era o primeiro título da Ferrari desde 1964 e o primeiro não-Cosworth V8 desde 1968. Piloto-pagante no começo de sua carreira, Niki Lauda usou a técnica como sua maior aliada e junto a com a potência da Ferrari, dominou em 1975, começando a pavimentar o seu nome como um dos grandes da história da F1.

Chegada:
1) Regazzoni
2) Fittipaldi
3) Lauda
4) Reutemann
5) Hunt
6) Pryce

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Figura(ITA): Lewis Hamilton

O que dizer de um final de semana onde o inglês liderou todos os treinos livres, conseguiu uma pole sem maiores dramas, liderou todas as voltas e ainda marcou a melhor volta da corrida com folga? Simplesmente um final de semana perfeito de Lewis Hamilton em Monza. Lógico que o melhor carro disparado da temporada ajuda e muito o trabalho de Hamilton, mas o inglês tem seus méritos e foi interessante a forma como o Lewis dominou a prova italiana e venceu pela 40º vez na F1, caminhando a passos largos não apenas para conquistar o seu terceiro título mundial, como também para se tornar o terceiro piloto com mais vitórias na história da categoria. Um problema banal quase tirou a vitória de Hamilton após a corrida, mas ainda bem que a FIA, notória pelas decisões polêmicas, usou o bom senso para não tirar a vitória de Hamilton. Uma coisa que a Nascar pode ensinar à F1 é não mexer na classificação da corrida após a prova. O cara que estourou a champanhe no alto do pódio ser o vencedor, a não ser que seja excluído por algo muito grave. Já pensou Hamilton ser excluído da corrida por 0,3 psi? Palmas a FIA. E principalmente palmas à Lewis Hamilton, merecedor da vitória e do domínio que vem exercendo na F1 atual! 

Figurão(ITA): Nico Rosberg

"Deu tudo errado nesse final de semana". Assim exclamou Nico Rosberg ao final de sua corrida em Monza, neste domingo. E o alemão tem total razão em reclamar de sua sorte, mas Nico também poderia fazer uma pequena auto-crítica de seu desempenho não apenas desse final de semana, mas de suas últimas corridas para ver que o piloto aguerrido do ano passado, que deu um trabalho até inesperado à Lewis Hamilton parece ter ficado mesmo em 2014. Em Monza, além da falta de combatividade de Rosberg, sobrou-lhe problemas em todos os dias. Na sexta-feira, um problema no chassi do seu carro e no sábado, um pouco antes da classificação, um problema no motor de Nico fez a Mercedes trocar a sua unidade de força por uma versão anterior, menos potente que a de Hamilton e com milhares de quilômetros percorridos. O resultado disso foi um opaco quarto lugar no grid, enquanto seu companheiro de equipe fazia a décima primeira pole em doze provas. Calcanhar de Aquiles de Rosberg nessa temporada, a largada em Monza entrou na estatística de outra má saída do alemão, que foi atrapalhado por Raikkonen, que ficou parado à sua frente, e o piloto da Mercedes caiu para a sexta posição. Após ultrapassar facilmente Sergio Pérez, Nico Rosberg, com o melhor carro disparado da temporada, partiu para cima das Williams. Partiu mesmo? Em nenhum momento Nico esboçou uma ultrapassagem sobre Valtteri Bottas e o alemão só 'ultrapassou' os dois carros da Williams devido as estratégias das equipes. Isolado em terceiro, Nico Rosberg até vinha próximo do segundo colocado Vettel quando o seu velho motor estourou na penúltima volta. Um golpe e tanto na tentativa de Rosberg em atrapalhar Hamilton na sua caminhada rumo ao tricampeonato. Porém, as más largadas e falta de combatividade dentro da pista são os maiores empecilhos de Nico Rosberg para fazer novamente frente à um cada vez mais confiante Lewis Hamilton. E para piorar, o alemão já vê de perto a Ferrari de Sebastian Vettel próximo dele na tábua de classificação. Com o carro que tem, ser ultrapassado por Vettel no campeonato seria um mico e tanto para Nico Rosberg. 

domingo, 6 de setembro de 2015

Sobrando

Essa palavra foi a mais usada para definir a atuação de Lewis Hamilton em Monza, não apenas hoje, mas em todo o final de semana. Sobrando. Líder nos três treinos livres, pole position, vitória de ponta a ponta e com direito a melhor volta, o dia de Lewis Hamilton foi ainda mais perfeito com a quebra do velho motor de Nico Rosberg na penúltima volta, fazendo com que o inglês abrisse mais de cinquenta pontos no Mundial de Piloto, fazendo com que o tricampeonato de Lewis se torne uma contagem regressiva. Para alegria dos tifosi, Vettel garantiu um tranquilo segundo lugar, o mesmo não dizendo Felipe Massa, que sofreu intensa pressão de Bottas nas voltas finais, mas garantiu outro pódio em Monza.

A corrida não foi das mais animadas, mas a largada teve como destaque (ou não) Raikkonen, que saindo da primeira fila, ficou praticamente parado no grid, caindo para último. Novamente a Mercedes teve seus pilotos com destinos diferentes na largada, com Hamilton facilmente se mantendo na ponta, enquanto Rosberg se atrapalhou ao se desviar de Raikkonen e caiu para sexto, ficando atrás de Pérez. Se a ultrapassagem sobre o mexicano foi tranquila, o mesmo não aconteceu com a dupla da Williams, com Rosberg ficando preso atrás de Bottas. Enquanto isso, Hamilton abria exponencialmente sobre Vettel, que fazia também uma corrida solitária. O ritmo avassalador de Lewis o deixou intocável na ponta da corrida. Foi uma prova abissal de que, com o carro que tem, Hamilton não tem adversários em 2015. Porém, antes que alguém diga que apenas o carro vence, Lewis Hamilton também tem méritos, os mesmos de Vettel nos tempos de domínio da Red Bull. Tirando a possibilidade de uma punição pela Mercedes ter calibrado os pneus dos seus carros abaixo do demandado pela Pirelli, não há nada o que pôr ou tirar da corrida de Hamilton, que com quarenta vitórias, tem tudo para se tornar o terceiro piloto com mais vitórias na história da F1 em 2015. Já Rosberg viu sua corrida apagada, literalmente, apagar na penúltima volta, quando o inquebrável motor Mercedes o deixando na mão na penúltima volta. Nico ganhou a terceira posição muito por causa do trabalho da Williams nos boxes, com ambos os pilotos, mas o alemão teria que se conformar mesmo com os pontos do terceiro lugar, mesmo já estando próximo de Vettel quando abandonou. Esse 'zero' na classificação pode ter sido a pé de cal nas esperanças de Rosberg conquistar o seu primeiro título. Com Hamilton dominando e com a confiança em alta, Nico já deve começar a olhar para baixo.

Pois Vettel já está bem próximo na classificação de pilotos, o que já é um feito do alemão. Criticado pelos títulos com o pé nas costas nos seus tempos de Red Bull, Vettel vem mostrando o que pode fazer com um carro que não é o melhor e está próximo de Rosberg na classificação de pilotos. O que já é um feito. Vaiado em outros anos em Monza, hoje Vettel sentiu o entusiasmo da torcida ferrarista com o seu segundo lugar, numa corrida solitária, onde nunca teve ritmo para alcançar Hamilton e no final, controlou sem maiores sustos a aproximação de Rosberg. A corrida de Raikkonen foi definida na largada, quando ficou parado com problemas na embreagem e caiu praticamente para último. Realmente o ano de Kimi não é dos mais sortudos... Porém, o finlandês não se abateu e partiu para uma bela corrida de recuperação, subindo para um ótimo quinto lugar, após uma corrida cheia de ultrapassagens. A Williams fez uma corrida decente numa pista que lhe favorece claramente. Massa largou bem e ficou a primeira parte da corrida em terceiro, mas, como sempre, superado pela Mercedes na estratégia dos boxes, Massa teria que se conformar com um quarto lugar, quando ocorreu a quebra de Rosberg. Porém, o pódio de Felipe não estava garantido. Se Massa fez sua única parada na volta seguinte a de Rosberg, Bottas retardou ao máximo sua parada e com pneus menos desgastados no final da corrida, aumentou seu ritmo e partiu para cima do seu companheiro de equipe, numa animada briga nas voltas finais. Mesmo ficando velho para isso, nas palavras do próprio brasileiro, Massa se manteve em terceiro e assumiu isoladamente o quarto lugar no Mundial de Pilotos, no seu melhor campeonato desde o vice-campeonato de 2008.

Outra equipe que conseguiu um ótimo resultado graças as características da pista foi a Force India, com Pérez chegando a andar uma volta na frente de Rosberg, fazendo uma prova sólida, voltando aos bons tempos da Sauber, quando chamou a atenção da McLaren. Pérez foi ultrapassado no final pelo ritmo intenso de Raikkonen, mas garantiu um ótimo sexto lugar, superando mais uma vez seu afamado companheiro de equipe Hulkenberg. O alemão, que teve seu contrato renovado para os próximos dois anos, ficou atrás de Pérez. Novamente. Ele ainda teve que segurar por um bom tempo os ataques de Marcus Ericsson e, na volta final, de Daniel Ricciardo. O grid de largada tinha os quatro carros da Red Bull nas quatro últimas posições. Na pista onde a potência mais conta, acho que aquilo foi um recado direto para a Renault por parte do grupo Red Bull: só estamos aqui por causa de vocês! É simplesmente insustentável a parceria Red Bull-Renault e dizem que Ricciardo e Kvyat serão empurrados pela Mercedes em 2016. Os dois pilotos da Red Bull marcaram pontos, com Kvyat em décimo e os dois pilotos da Toro Rosso a seguir. Ericsson marcou outros pontinhos para a Sauber, enquanto Nasr tem uma segunda parte de temporada preocupante. O brasiliense largou bem, mas acabou tocando em Maldonado na primeira chicane e teve que trocar a asa dianteira no final da primeira volta, estragando sua corrida. Porém, se no começo do ano Nasr dominava Ericsson, a virada do sueco é líquida e certa, o que não é nada bom para o planejado crescimento de carreira do brasileiro. A corrida da claudicante Lotus acabou no comecinho da prova, com o abandono de ambos pilotos. Grosjean com aparentes problemas mecânicos. Maldonado... bom, nem precisa dizer o motivo do abandono dele. A McLaren fez um papel ridículo no domingo, sendo ultrapassado por quem se aproximasse e ainda viu Alonso abandonar no final da corrida. A Manor só apareceu quando Mehri quase acertou a traseira de Raikkonen na entrada dos boxes...

A corrida pode não ter sido das mais emocionantes, mas deu para apreciar a pilotagem agressiva e correta de Lewis Hamilton, um dos melhores pilotos dessa geração. O inglês será tricampeão e a pergunta não é mais 'se', mas 'quando'. E o inglês, com essa demonstração em Monza, faz por merecer. 

sábado, 5 de setembro de 2015

Mais favorito ainda

Quando Lewis Hamilton conquistou suas dez poles anteriores nesta temporada, ele ainda tinha a presença incômoda do seu companheiro de equipe Nico Rosberg, que tanto trabalho lhe deu em 2014, na primeira fila. Com o domínio da Mercedes, o único piloto que ainda ameaça levemente o caminho de Hamilton rumo ao tricampeonato é justamente Rosberg. Porém, a mistura de um motor com uma versão anterior e a Ferrari motivadíssima correndo em casa viu Hamilton conseguir sua décima primeira pole no ano e ter Rosberg apenas em quarto, com as Ferraris separando os dois carros prateados.

Com a maioria dos pilotos usando adesivos em homenagem à Justin Wilson no capacete, o treino começou com as equipes do grupo Red Bull mal participando dos treinos, pois com punições programadas por troca de motores, os pilotos de Red Bull e Toro Rosso pouco andaram nos treinos, já que o final do grid é o destino de todos os quarto, além dos pilotos da McLaren. Isso significa que seis dois vinte pilotos (até agora) estarão punidos amanhã, ou seja, 30%. Um pouquinho demais... Para piorar, o carro de Max Verstappen ainda teve problemas e viu sua carenagem voar enquanto dava sua única volta no Q1, apenas um shakedown. Péssimo final de semana para os motores Renault, que estão louquinhos para comprar a claudicante Lotus, que mesmo em petição de miséria, utiliza os motores Mercedes para garantir Grosjean no Q3.

Como esperado, os pilotos com motores Mercedes andaram forte em Monza e apenas Maldonado ficou pelo caminho no Q2, mas a Ferrari mostrou muita força, se colocando entre Hamilton e Rosberg desde o terceiro treino livre. E para desespero do alemão, isso se repetiu na parte decisiva do treino, com Hamilton conquistando sua 49º pole na carreira, com as duas Ferraris logo atrás, com Raikkonen superando por muito pouco Vettel. A Williams dominou a terceira fila, com Massa, com contrato renovado, superando o também renovado Bottas. Para os brasileiros, chama a atenção o quanto Felipe Nasr vem levando de tempo de Marcus Ericsson. Hoje foi meio segundo. Muito para um piloto apenas mediado, como o sueco, que passou ao Q3 e Nasr, não.

A Ferrari está mais próxima da Mercedes do que o imaginado, mas ainda é possível cravar que Hamilton é o grande favorito para amanhã, a não ser que o inglês largue mal e as Ferraris avancem. E a Ferrari liderando em Monza, amigo, será difícil segurar!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

História: 10 anos do Grande Prêmio da Itália de 2005

A F1 chegava há dez anos em Monza, sua pista mais veloz, onde as velocidades, com os motores V10, podiam chegar até mesmo em insanos 370 km/h no final da reta dos boxes. Em 2005 as equipes dispunham de dois motores a cada final de semana e como em Monza os pilotos faziam 71% da pista em pé embaixo, as equipes estavam de orelha em pé durante o final de semana, pois punições por quebra de motor não eram impossíveis. Na semana anterior a corrida, uma sessão de testes, onde todas as dez equipes de então estiveram presentes em Monza, a McLaren foi a mais rápida, se tornando a favorita para o final de semana, com a Renault, e sua regularidade, logo atrás.

Após treinos livres dominados pela McLaren, o sábado foi animado e surpreendente, com a notícia da troca do motor Mercedes de Raikkonen devido a uma problema numa válvula, rebaixando o finlandês em dez posições no grid. Outra novidade era que o piloto da Williams Nick Heidfeld sentiu-se mal após o treino livre de sábado pela manhã e foi substituído pelo piloto reserva da Williams, Antonio Pizzônia. A realidade era que Heidfeld, imposto pela BMW na Williams, seguiria a montadora alemã, que tinha anunciado a compra da Sauber e entraria como equipe de fábrica a partir de 2006. Muito bem quisto dentro da Williams, Pizzônia provou o porquê ter sido preterido pela BMW no 'vestibular' no começo de 2005: logo de cara tomou sete décimos de Mark Webber, seu antigo 'coveiro', nos tempos da Jaguar. Voltando ao topo do grid, Raikkonen fez o melhor tempo do final de semana em sua volta voadora, mas teria que largar em 11º, devido à sua punição. Quem ganhou com isso foi seu companheiro de equipe Montoya, que herdou a pole, seguido por Alonso e Button. Correndo em casa, a Ferrari que se conformar com Schumacher em sexto e Barrichello logo atrás.

Grid:
1) Montoya (McLaren) - 1:20.878
2) Alonso (Renault) - 1:21.054
3) Button (BAR) - 1:21.319
4) Sato (BAR) - 1:21.477
5) Trulli (Toyota) - 1:21.640
6) M.Schumacher (Ferrari) - 1:21.721
7) Barrichello (Ferrari) - 1:21.962
8) Fisichella (Renault) - 1:22.068
9) R.Schumacher (Toyota) - 1:22.266
10) Coulthard (Red Bull) - 1:22.304

O dia 4 de setembro de 2005 estava ensolarado em Monza, como normalmente ocorre naquela região durante essa época do ano, quando a Europa começava se despedir do verão. Mesmo sendo uma pista velocíssima, Monza não era um circuito de muitas ultrapassagens ao longo das corridas, sendo que a apertada primeira chicane sempre foi palco de muitos toques e abandonos após a largada. Dez anos atrás não teve nenhum abandono, mas houve vários pequenos toques no pelotão de trás, enquanto o pelotão da frente escapou incólume, com Montoya à frente de Alonso e Button. Coulthard bateu na traseira de Fisichella, estragando a frente da Red Bull, enquanto Webber também era tocado. Coulthard, Webber, Narain Karthikeyan e Christijan Albers foram todos aos boxes para consertos no final da primeira volta. A única ultrapassagem de relevo na primeira volta se deu com Trulli, que ganhou o quarto lugar de Sato, mas o japonês recuperou a posição ainda na primeira volta.

Quando a poeira assentou, a expectativa era aonde estava Raikkonen. E a perspectiva do finlandês não era nada boa. Kimi não larga bem e perde uma posição, ficando preso atrás da Sauber de Jacques Villeneuve. Montoya e Alonso já disparavam na frente, trocando melhores voltas a cada passagem na reta dos boxes, enquanto Button segurava com facilidade o terceiro lugar, seguido por Sato e Rubens Barrichello, que já pensando na BAR-Honda em 2006, ultrapassara Michael Schumacher. Porém, as duas Ferraris foram os primeiros carros a visitarem os boxes, seguido por Villeneuve, para imenso alívio de Raikkonen, pois Kimi não havia conseguido ultrapassar o canadense. Sem a presença incômoda de Villeneuve, Raikkonen podia imprimir seu próprio ritmo e se aproveitando das paradas dos seus adversários, o piloto da McLaren ia ganhando várias posições. Estava claro que a McLaren, o melhor carro de 2005, iria parar apenas uma vez! Durante a primeira rodada de paradas, Sato teve um problema no seu reabastecimento, onde o japonês teve que visitar os boxes duas voltas consecutivas, estragando a prova de Sato, num péssimo ano para o simpático nipônico, que com a chegada de Barrichello, estava com um pé fora da BAR-Honda.

Alonso fez sua primeira parada de forma não perfeita, mas o espanhol ainda foi capaz de voltar à pista na frente de Raikkonen, atrapalhando o seu rival pelo título, que tentava desesperadamente ficar com pista livre e ganhar segundos preciosos e também posições. Com um carro mais leve, Raikkonen foi para cima de Alonso, que resistiu por alguns momentos, até ceder a sua posição para Raikkonen. O finlandês fez sua única parada e voltava à pista em quinto, logo atrás de Trulli. Montoya liderava soberano, seguido por Alonso e por Fisichella, que havia retardado ao máximo sua parada e ganhou várias posições. enquanto Button teve problemas em sua parada e fez a via contrária, perdendo várias posições. Péssimo dia para os mecânicos da BAR! Porém, quem amargou outro dia azarado foi Raikkonen. Quando se preparava para atacar Trulli, o finlandês da McLaren teve um pneu traseiro direito furado. Kimi controlou seu carro com dificuldade e se ele teve alguma sorte na ocasião, pelo menos o furo aconteceu próximo da entrada dos boxes, mas o estrago estava feito. Ao voltar a pista com o pneu trocado, Raikkonen estava atrás de... Villeneuve! A corrida do piloto da McLaren tinha voltado à estaca zero, mas Kimi ainda ganharia algumas posições, pois se ele não pararia mais, outros ainda o fariam. Porém, repetir outra corrida de recuperação milagrosa, como o pódio na França? No way!

Barrichello também tem problemas com os pneus e perde muitas posições. A segunda rodada de paradas aconteceu normalmente, com Montoya, Alonso e Fisichella mantendo suas posições. Com as paradas e seu ritmo alucinante, Raikkonen voltava ao quinto lugar, atrás de Trulli. Após uma luta empolgante com o italiano, sempre muito difícil de ser ultrapassado, Raikkonen subiu para o quarto lugar na entrada da curva Parabolica. Kimi se torna o piloto mais rápido da pista, algumas vezes 2s mais rápido do que Fisichella, em terceiro , mas o tempo estava se esgotando. E a emoção continuava no box da McLaren. Faltando apenas quatro voltas para o fim, percebe-se um pedaço de borracha voando do pneu traseiro direito de Montoya. O mesmo que fez Raikkonen ir aos boxes. Novamente o dilema de Nürburgring se fez presente no box prateado: parar ou não parar? Como aconteceu na Alemanha, a McLaren resolveu aposta no tudo ou nada, mas desta vez deu certo e mesmo com Montoya abrandando muito seu ritmo, ele recebeu a bandeirada com pouco mais de 2s na frente de Alonso, que não tinha do que reclamar. Mesmo não sendo bafejado pela sorte como ocorreu em Nürburgring, quando ganhou a corrida do colo, Alonso chegou novamente na frente do azarado Raikkonen, quarto colocado. Um fato interessante dessa corrida foi que nenhum carro abandonou a disputa, um fato marcante, numa pista tão desgastante para os carros. Enquanto a F1 se destacava pela engenharia, a disputa pelo título de pilotos ia, lenta e gradualmente, para as habilidosas mãos de Fernando Alonso.

Chegada:
1) Montoya
2) Alonso
3) Fisichella
4) Raikkonen
5) Trulli
6) R.Schumacher
7) Pizzônia
8) Button