quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Senna x Piquet

Adivinhem quem começou...

Foto marcante

O Grande Prêmio da Espanha de 1990 foi do nível do Grande Prêmio do Japão de 2015. Ou seja, um porre. Senna conseguiu a pole por causa de sua famosa maestria em voltas lançadas, mas o brasileiro sabia que em pistas travadas, a Ferrari era mais forte que sua McLaren. Senna se manteve na ponta até começar a rodada de pit-stops e rapidamente Prost tomou a ponta. Chegando a andar 1s mais rápido do que Senna, que acabou abandonando, o francês venceu com tranquilidade, no que seria sua última vitória pela Ferrari, e manteve no páreo do título, apesar de Senna ainda ser o grande favorito de 1990. Alessandro Nannini subia ao pódio, ao lado de Prost e Mansell, mas nem o italiano e nem ninguém em Jerez poderia imaginar que aquela seria a última corrida do talentoso italiano na F1, pois alguns dias depois Nannini seria vítima de uma acidente de helicóptero e tem a mão decepada.

Porém, todos os pilotos que largaram vinte e cinco anos atrás tinham uma razão para estarem retraídos no domingo. Na sexta-feira, o promissor Martin Donnelly bate violentamente seu Lotus num dos guard-rails de Jerez. O impacto é impressionante. O Lotus é partido ao meio e Donnelly é jogado fora do seu carro, ainda amarrado ao seu banco, com as pernas entrelaçadas. Pensou-se imediatamente no pior, mas incrivelmente já no domingo Donnelly não corria risco de vida, mas suas pernas estavam seriamente prejudicadas e assim como Prost nunca mais venceu com a Ferrari e Nannini faria sua última corrida na F1, a carreira de Martin Donnelly estava terminada.

A foto de Martin Donnelly estirado no chão, como se estivesse morto, é uma das mais marcantes da história da F1. 

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Panca da semana

Já tinha ouvido falar em estacionamento vertical, mas esses dois pilotos franceses levaram isso ao extremo, em plena corrida da Porsche Cup francesa.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Figura(JAP): Lewis Hamilton

Após um final de semana estranho em Cingapura, onde a Mercedes sequer chegou ao pódio e esteve longe de brigar pela vitória, Lewis Hamilton deu a volta por cima e finalmente igualou o número de vitórias do ídolo Ayrton Senna. O inglês vinha de um abandono no sudeste asiático e o final de semana em Suzuka não começou de forma animadora para Hamilton, com Rosberg conseguindo a pole no sábado, após uma sexta com muita chuva e pouca informações para as equipes. Com pista seca, a corrida seria decidida na largada. Ponto fraco de Nico Rosberg. E Hamilton conhece seu companheiro de equipe desde os tenros anos de kart e Lewis partiu para cima do alemão no apagar das luzes vermelhas, ficando por dentro na primeira curva, mesmo com Rosberg ainda ao seu lado, tentando manter a pole. Hamilton não se fez de rogado e deu um chega-pra-lá no 'companheiro de equipe', assumindo definitivamente a ponta e deixando Rosberg, que saiu levemente da pista, apenas em quarto. Sem seu maior adversário a lhe incomodar, Hamilton abriu vantagem sobre o segundo colocado Vettel e quando Rosberg se recuperou durante a prova, Lewis apenas administrou a boa vantagem, conseguindo a oitava vitória de 2015, a 41º na carreira. Hamilton sonhava conseguir a vitória de número 41 em Cingapura, pois seria a 161º corrida do inglês na F1, mesmo número de Grandes Prêmios de Senna. As circunstâncias não permitiram, mas Hamilton esperou não mais do que uma semana para igualar seu ídolo e colocar ordem no campeonato. Com mais de quarenta pontos na frente de Rosberg, o tricampeonato de Lewis Hamilton se tornou uma contagem regressiva, podendo ocorrer até mesmo em São Paulo. Cidade natal do seu ídolo Senna.

Figurão(JAP): McLaren-Honda

'Motor de GP2. GP2!', seguido de um grito de raiva, decepção e desilusão. Fernando Alonso mostrou toda a sua frustração enquanto era ultrapassado facilmente, na reta dos boxes de Suzuka, pelo compatriota Carlos Sainz, cuja equipe, a Toro Rosso, está se desligando da Renault, por que os franceses não conseguiram fabricar um bom motor de F1. Chegando já no final da temporada, ninguém esperava que a parceria entre McLaren Honda estivesse numa situação tão vexatória como a que assistimos nesse momento. Nem o talento de Fernando Alonso e Jenson Button foi capaz de melhorar algo na equipe durante 2015 e correndo em casa, toda a cúpula da Honda viu o mesmo de sempre nessa temporada, com seus dois pilotos campeões se arrastando nos treinos e sendo ultrapassados por quem se aproximasse dos gloriosos carros da McLaren, mas no atual cenário em papel de equipe minúscula. O desabafo de Alonso demonstra que em menos de um ano, o enorme potencial da parceria McLaren-Honda começa a ser colocada em xeque.

domingo, 27 de setembro de 2015

Será que ele pode?

Numa de suas comemorações inusitadas após vencer, Jorge Lorenzo escreveu hoje num painel, bem no meio da pista de Aragão: Yes, We Can! O slogan da candidatura de Barack Obama se fez presente após a importante vitória de Lorenzo em Aragão, com o espanhol recortando nove pontos de sua desvantagem para Valentino Rossi, terceiro colocado hoje, barrado por um inspirado e excepcionalmente aguerrido Daniel Pedrosa.

A vida de Lorenzo poderia ser muito mais difícil hoje. Marc Márquez tinha sido o pole com alguma facilidade, mas perdeu a ponta ainda na largada, ultrapassado facilmente por Lorenzo. Esperava-se uma recuperação de Márquez e uma briga acirrada com Lorenzo pela vitória, mas essa expectativa acabou logo na segunda volta, quando Márquez caiu sozinho. O espanhol da Honda se desesperou, aparentemente gritou consigo mesmo, esbravejou com a moto e depois ficou olhando no horizonte, vendo o sonho do tricampeonato ficar praticamente impossível para ele. Quando Lorenzo completou a volta, tinha acabado de marcar a volta mais rápida da corrida e viu a placa 'MARQUEZ OUT'. Era a senha de outra vitória tranquila para Lorenzo, que administrou sua vantagem de 3s até o final da corrida, vencendo em Aragão e jogando mais pimenta no campeonato. Lorenzo tinha muito mais ritmo do que Valentino Rossi em Silverstone e Misano, mas intempéries climáticas acabaram com as chances do espanhol da Yamaha, que viu Rossi abrir 23 pontos nessas duas corridas. Numa prova sem maiores problemas, Lorenzo voltou ao seu ritmo normal e venceu com categoria, se recuperando no campeonato, mas se ele pode ou não, o tempo dirá. 

Pois Valentino, mesmo num ritmo abaixo do companheiro de equipe na Yamaha, fez uma corrida combativa como sempre, se recuperando de outra posição ruim no grid para uma dura e espetacular disputa com Daniel Pedrosa pela segunda posição. Conhecido pelas atitudes pouco ativas, Pedrosa esteve inspirado hoje e segurou o ímpeto de Rossi nas últimas voltas com uma agressividade poucas vezes vista na já longa carreira do espanhol da Honda (o péssimo narrador do Sportv disse que a disputa entre Rossi e Pedrosa era a disputa entre a velha e nova guarda, se esquecendo que essa já é a décima temporada de Dani Pedrosa na MotoGP!), que acabou ajudando seu antigo rival Lorenzo, pois tirou quatro pontos de Rossi no campeonato.

A disputa deverá ser acirrada entre os dois pilotos da Yamaha até o final, onde Rossi utilizará sua experiência para tentar segurar o ímpeto de Lorenzo, hoje claramente andando mais do que Rossi. Deverá ser uma disputa épica até o final!

Pista para pilotos

Suzuka e suas curvas rápidas sempre foi uma das pistas favoritas de todos os pilotos de F1, se tornando um clássico dentro da categoria. Todos os pilotos falam do prazer em se pilotar em Suzuka, principalmente no primeiro setor da pista, com várias curvas rápidas em sequência. Porém, nos últimos anos, as corrida em Suzuka não são das mais animadas para quem está assistindo e hoje tivemos outro exemplo de uma corrida que deve ter sido divertida para quem estava dentro do cockpit, mas tediosa ao extremo para quem assistia pela TV. Lewis Hamilton não tinha nada com isso e com uma largada perfeita, não apenas ultrapassou, como deu um chega-pra-lá no pole Nico Rosberg para desfilar nas 53 voltas de corrida, chegando à 41º vitória na F1, se igualando a Ayrton Senna, seu ídolo. As demais posições do pódio foram as mesmas da maioria das corridas de 2015, com Nico Rosberg se recuperando até completar a dobradinha da Mercedes e Vettel sendo o melhor do resto.

A corrida, da primeira à última posição, foi definida na largada. Hamilton saiu melhor do que Nico Rosberg, mas o alemão, ainda sonhando com o título, jogou duro com o companheiro de equipe nos primeiros metros da corrida em Suzuka, com ambas as Mercedes andando lado a lado, devendo ter deixado a cúpula da Mercedes angustiada naqueles segundos, onde Hamilton finalmente se impôs sobre Nico e ainda fez com que Rosberg saísse brevemente da pista, proporcionando que Vettel, em excelente largada, e Bottas ficassem entre o inglês e Rosberg. Meio que dando uma resposta pela corrida em Cingapura, Lewis Hamilton esmagou a concorrência no primeiro stint de corrida, rapidamente chegando aos 7s de vantagem sobre Vettel e 10s sobre o quarto colocado Nico Rosberg, principal preocupação de Lewis. Andando 2/3 da prova com os pneus macios, Hamilton desapareceu, chegando a abrir mais de 12s sobre Vettel e nem quando o segundo colocado era Rosberg, Lewis se preocupou em perder a 41º vitória de sua já gloriosa carreira, se igualando a Senna como o quarto piloto com mais vitórias na história da F1, podendo pular para terceiro ainda em 2015, quando deverá conquistar o tricampeonato. Hamilton dominou como esperava dominar semana passada em Cingapura, mas em Suzuka Lewis deu um claro sinal de que o fracasso em Cingapura foi um ponto fora da curva e que deverá papar o terceiro título até mesmo com alguma antecipação. Nico Rosberg foi mais aguerrido do que o normal, mas outra má largada do alemão o relegou ao quarto lugar quando Hamilton espalhou para cima dele no complemento da curva um. Nico ainda se assustou com um problema no seu motor, mas quando não se falou mais disso, fez uma bela ultrapassagem sobre Bottas na freada da chicane e usando o potencial do seu carro, deixou Vettel para trás nos boxes. Porém, o segundo lugar em outra corrida de recuperação é muito pouco para Rosberg poder incomodar Hamilton, mas ao menos o alemão abriu um pouco de Vettel na luta pelo vice-campeonato, pois com o carro que tem, perder o vice-campeonato pegaria muito mal para Rosberg.

Vettel fez uma boa largada, tomando a posição de Bottas e se aproveitando da espalhada de Rosberg, mas depois disso o alemão pouco pôde fazer para enfrentar o poderio da Mercedes. Quando teve Rosberg atrás de si, nem as incríveis paradas da Ferrari fez com que Vettel saísse na frente do compatriota e Sebastian teve que se conformar mesmo com a terceira posição, posição mais do que habitual do piloto da Ferrari. Raikkonen fez uma corrida burocrática, assim como a maioria do grid, deixando Bottas para trás nos boxes para terminar em quarto, provando que a Ferrari é mesmo a segunda força da F1. Bottas chegou a sonhar com o pódio, mas nem mesmo fazendo 2/3 da prova com os pneus macios fez com que o finlandês fosse capaz de andar no mesmo nível da Ferrari e Bottas terminou num isolado quinto lugar. Massa foi outro que teve sua prova decidida na largada, quando um pequeno toque com Ricciardo furou o pneu dianteiro do brasileiro, que teve que fazer toda a primeira volta tão lentamente, que foi alcançado por Hamilton no final da primeira passagem. Com uma volta de desvantagem, tudo o que Massa pôde fazer foi ultrapassar os dois carros da Manor, mas com duas corridas azaradas, Felipe ficou para trás na briga pelo quarto lugar no Mundial de Pilotos. Hulkenberg se recuperou de uma sequência ruim de corridas e conseguiu um ótimo e solitário sexto lugar, enquanto Pérez se envolveu num incidente com Hulk e um Toro Rosso na primeira curva, caindo para as últimas posições logo de cara, acabando com a boa sequência de pontos do mexicano, que renovou contrato com a Force India para a próxima temporada. A Lotus, que quase ficou sem almoço na sexta devido à sua calamitosa situação financeira e a indefinição da Renault de compra-la logo, fez seu feijão-com-arroz e pôs seus dois carros nos pontos, com Grosjean, de saída da equipe, na frente de Maldonado, de contrato renovado e sem incidentes dessa vez.

A dupla da Toro Rosso fez outra corrida de destaque, com Max Verstappen, que aprontou na classificação e foi punido, saindo de 17º até os pontos, tendo Carlos Sainz logo atrás, mesmo o espanhol cometendo um erro besta ao atingir um cone enquanto entrava nos boxes. Criticado pelos seus 17 anos no começo do ano, Max já demonstra ser um piloto diferenciado, conseguindo resultados acima da capacidade do seu carro e derrotando o seu companheiro de equipe, o também talentoso Carlos Sainz. Se continuar na F1, a Red Bull terá um belo futuro pela frente. Pois o presente não foi dos mais animadores. Com o pneu furado após toque com Massa na largada, Ricciardo se viu relegado às ultimas posições, onde já estava Kvyat, que largou dos boxes após ter seu carro reconstruído após o espetacular acidente na classificação. O russo participou de animadas disputas na pista, mesmo com problemas nos freios, mas ambos pilotos da Red Bull acabaram fora da zona de pontos. A frase do final de semana foi de Fernando Alonso. 'Tenho um motor de GP2', seguido de um grito que misturava frustração, raiva e desconsolo da situação atual de sua carreira, enquanto era ultrapassado facilmente por Carlos Sainz da Toro Rosso, que nem tem o melhor motor da F1. Ao dizer isso na casa da Honda, Alonso escancarou toda a decepção com o projeto McLaren-Honda, que mesmo tendo muito potencial, está muito distante de ficar num nível aceitável. A Sauber ficou fora da zona de pontos, enquanto Nasr, novamente bem atrás de Ericsson, foi o único abandono do dia, enquanto a Manor deu uma animada na corrida quando Stevens rodou bem na frente de Rossi, quase provocando uma colisão séria entre seus dois pilotos.

Após a surpreendente corrida cingapuriana, a F1 voltou ao seu normal com Hamilton caminhando a passos largos rumo ao tricampeonato, só esperando quando irá comemorar o seu título. Se for em Interlagos, tanto melhor para Hamilton, que venera Ayrton Senna e igualar o número de títulos do brasileiro cidade onde Senna nasceu, seria bem especial para Lewis. Só esperamos que em Interlagos e em todas as corridas até lá, a qualidade das provas sejam bem melhores do que a de hoje.