quinta-feira, 29 de outubro de 2015

História: 20 anos do Grande Prêmio do Japão de 1995

Quando a F1 desembarcou em Suzuka para a penúltima etapa de 1995, o título já estava definido à favor de Michael Schumacher, mas o Mundial de Construtores ainda estava pendente, mesmo que a Benetton fosse a grande favorita. O título de Schumacher acendeu as críticas em cima de Damon Hill, grande rival do alemão na época. Dizia-se que a Williams tinha disparado o melhor carro, mas Schumacher também era disparado o melhor piloto e por isso, o alemão acabava levando vantagem sobre Hill, que tinha feito corridas bisonhas antes de Suzuka, fazendo com que seu lugar como primeiro piloto da Williams fosse especulado para 1996. A eterna especulação era de que Hill fosse substituído por Heinz-Harald Frentzen, rival de Schumacher na F3 e possível antídoto para o alemão, mas Frank Williams garantiu que Hill seria o seu piloto principal na temporada seguinte, que teria Schumacher tentando ressuscitar a Ferrari.

Os treinos em Suzuka foram marcados pelo forte acidente de Aguri Suzuki na classificação de sábado. O japonês da Ligier perdeu o controle do seu carro e foi levado ao hospital com uma fratura numa costela. Cinco anos depois de sua glória com o pódio em Suzuka, o quase homônimo Suzuki deixava a F1 após esse acidente. Disputado sob pista seca, a classificação mostrou mais uma vez a dominação de Michael Schumacher, que conseguiu mais uma pole em suas últimas corridas pela Benetton. Em má fase, Hill era apenas quarto, enquanto Coulthard amargava um sexto lugar. Alesi completou a segunda fila, mas o francês, que trocaria de lugar com Schumacher em 1996, acusava a Ferrari de estar negligenciando informações do carro. Voltando à F1 após uma cirurgia de apendicite, Hakkinen conseguia um bom terceiro lugar.

Grid:
1)  Schumacher (Benetton) - 1:38.023
2) Alesi (Ferrari) - 1:38.888
3) Hakkinen (McLaren) - 1:38.954
4) Hill (Williams) - 1:39.032
5) Berger (Ferrari) - 1:39.040
6) Coulthard (Williams) - 1:39.155
7) Irvine (Jordan) - 1:39.621
8) Frentzen (Sauber) - 1:40.010
9) Herbert (Benetton) - 1:40.349
10) Barrichello (Jordan) - 1:40.381

O dia 29 de outubro de 1995 amanheceu chuvoso em Suzuka, fazendo com que o saudoso warm-up fosse umas das sessões mais importantes do final de semana. E na pista molhada, a Williams dava sinais de recuperação com Hill sendo o mais rápido, com Coulthard em terceiro, com os dois carros da Williams separados por Schumacher. Quando a largada se aproximava, outra pancada de chuva molhou ainda mais a pista de Suzuka, mas quando os pilotos se preparavam para a volta de apresentação, a chuva tinha cessado por completo, contudo, todos os pilotos estavam com pneus de chuva. Na luz verde, Schumacher consegue uma ótima largada, seguido por Alesi, que queimou a partida e seria punido mais tarde, seguido por Hakkinen e Hill. No pelotão intermediário, Wendlinger e Morbidelli se tocam, com o italiano ficando preso na caixa de brita da primeira curva.

Sem chuva, a pista secava rapidamente e Schumacher fazia uma corrida sublime, aumentando sua vantagem sob Alesi, que na sexta volta cumpre sua punição por queimar a largada, seguido na volta seguinte pelo seu companheiro de equipe Berger. Por essas e outras que a Ferrari precisava de um salvador e Schumacher, líder absoluto da corrida, era uma candidato a tal. Porém, não demorou muito e os pilotos começaram a procurar os boxes para colocar pneus slicks, causando profundas mudanças na colocação dos pilotos. Uma volta depois de cumprir sua penalização, Alesi foi um dos primeiros a colocar pneus scliks e por isso, chegou a ganhar mais de 3s sobre os demais pilotos, pulando novamente para segundo quando todos os pilotos estavam equipados com pneus slicks, com Schumacher liderando a corrida. Após efetuar uma bela ultrapassagem sobre Hill na chicane, Alesi era o piloto mais rápido da pista e se aproximava de Schumacher para um emocionante pega pela primeira posição, com o francês querendo dar uma resposta à Ferrari por ter o trocado pelo alemão, além de Alesi querer vingança pela incrível ultrapassagem de Schumacher sofrida nas voltas finais de Nürburgring. Na briga pela quinta posição, Coulthard ultrapassa Irvine na reta dos boxes e vendo a cena, Barrichello tenta seguir no embalo do seu antigo rival da F3 e parte para cima do companheiro de equipe da Jordan, mas Rubens acaba errando e sai da pista, abandonando tristemente. Muito se falou na época que Schumacher teria vetado Barrichello na Ferrari por estar com 'medo' do brasileiro e por isso pediu o 'limitado' Irvine. O irlandês podia até não ter ser um esplendor técnico, mas Schumacher ter medo de Barrichello...

A diferença entre Schumacher e Alesi nunca passava dos 2s, com os dois imprimindo um ritmo fortíssimo de prova, trocando várias vezes a melhor volta da corrida, mas o motor Ferrari acabou traindo Alesi na volta 25, fazendo com que o francês abandonasse tristemente e que Schumacher tivesse uma grande diferença sobre o agora segundo colocado Hill, que tinha uma boa vantagem sobre um surpreendente Hakkinen, que se preocupava com Coulthard, um dos pilotos mais rápidos na pista na tentativa de conquistar mais um pódio. Nas voltas seguintes acontece a segunda rodada de paradas e única modificação importante era a troca de posição entre Coulthard e Hakkinen, que seriam companheiros de equipe na McLaren em 1996, iniciando uma das duplas mais duradouras da F1. Se na pista houve poucas mudanças, não se podia dizer o mesmo do clima. As nuvens negras voltavam à Suzuka e começou a chover em alguns pontos do seletivo traçado nipônico. Particularmente na traiçoeira curva Spoon. Hill vinha mais de 13s atrás de Schumacher quando ele rodou sozinho nessa curva. O inglês retorna à pista após uma parada nos pits, caindo para quinto. Três voltas depois, é a vez de Coulthard rodar na mesma curva de Hill, mas o escocês acabaria abandonando quando, com os pneus sujos, saiu da pista na curva 130R. Na passagem seguinte, Hill roda pela segunda vez na mesma curva, desta vez, sem retorno para o piloto da Williams. Com três rodadas em menos de cinco voltas, a Williams perdia o Mundial de Construtores e aumentava a sensação que o problema nos carros da equipe de Frank Williams ficava naquela peça entre o volante e o banco...

Certamente, esse não era o caso da Benetton. Schumacher fazia uma corrida soberba, sem ser ameaçado e com 26s de vantagem sobre Hakkinen, vencia pela nona vez na temporada de 1995, se igualando a Nigel Mansell como o recordista, até então, de vitórias numa mesma temporada. Hakkinen voltava à F1 em grande estilo, enquanto Johnny Herbert, em outra corrida discreta e decente, completava o pódio e fazia a alegria da Benetton, que comemorou muito o título de Construtores, o primeiro da história da equipe. O que ninguém sabia era que essa vitória era o fim de um ciclo da Benetton. Schumacher estava de saída da equipe e essa seria a última vitória do alemão na Benetton, que iniciava naquele momento, vinte anos atrás, um declínio que faria a empresa italiana sair da F1 no final de 2001.

Chegada:
1) Schumacher
2) Hakkinen
3) Herbert
4) Irvine
5) Panis
6) Salo

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Mais momentos assim

A passagem do furacão Patrícia fez com que alguns treinos na F1 fossem cancelados nesse final de semana em Austin. Sem ter o que fazer, pilotos e mecânicos foram para frente dos boxes fazer todo tipo marmota (como se diz por aqui) e fez a alegria do público americano. Muitas pessoas falam que os pilotos da F1 atual são robôs e não tem graça. Kvyat e Ricciardo mostraram que, dando espaço, os pilotos da atualidade podem ser divertidos e entreter além da pista.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Figura(EUA): Lewis Hamilton

Lewis Hamilton não teve a sua melhor corrida de 2015 em Austin, mas o título e o conjunto da obra nessa temporada faz com que o inglês entrasse nessa parte da coluna. Hamilton lutou bastante para conquistar a décima vitória do ano, se aproveitou de um erro crasso de Nico Rosberg, mas não há de se colocar uma vírgula no título de Hamilton. O inglês foi contratado a peso de ouro pela Mercedes em 2013 e após a equipe crescer só com a simples presença de Lewis no time, a mudança de regulamento fez com que a Mercedes tomasse o lugar da Red Bull como equipe dominante a partir de 2014. Durante vários anos, principalmente após o seu primeiro título, Hamilton era considerado o piloto mais rápido da F1, mas sua cabeça fraca o traiu várias e várias vezes. Atuando contra um companheiro de equipe conhecido desde o kart, Hamilton sofreu mais do que devia contra Nico Rosberg, um piloto nitidamente menos talentoso do que ele, mas com uma grande força mental. Hamilton teve que afastar todos os seus fantasmas para derrotar Rosberg na última corrida de 2014 e parecia que o seu segundo título tirou um peso enorme das costas do inglês. Hamilton começou 2015 ainda mais forte, não dando muitas chances de briga para Rosberg. Se ano passado a briga pelo título foi até mesmo animada, principalmente pelo domínio da Mercedes, Hamilton não deixou que isso se repetisse nessa temporada, passando por cima de Rosberg com até alguma facilidade para conseguir o sonhado tricampeonato com pinta de domínio, como Schumacher e Vettel fizeram em épocas mais recentes. Com três títulos mundiais, igual ao ídolo Ayrton Senna, Lewis Hamilton já entrou na história da F1 como um dos grandes. Ainda falta uma disputa direta contra um campeão do mundo, algo que Hamilton ainda não o fez. Mas se isso acontecer, Lewis Hamilton dá mostras que pode fazer isso muito bem!

Figurão(EUA): Nico Rosberg

Lewis Hamilton sempre fez questão de dizer que espelha sua carreira na do seu ídolo Ayrton Senna e pelo o que tinha sido em 2014, o inglês parecia ter encontrado no seu companheiro de equipe Nico Rosberg o seu 'Alain Prost'. Parecia! Com características bem distintas, Rosberg e Hamilton disputaram o título do ano passado até a última corrida, com vantagem para o inglês, o que fez Hamilton ganhar ainda mais confiança em exibir seu enorme talento messe ano, enquanto que para Nico Rosberg, a perda do título lhe afetou profundamente. Sem encontrar o mesmo ritmo do ano passado, Nico Rosberg foi deixado para trás por seu companheiro de equipe em praticamente todos os quesitos. Se em 2014 o alemão goleou no quesito posições de largada, esse ano Nico Rosberg foi goleado com uma margem ainda maior nesse item. Vitórias? Hamilton tem mais do que o triplo. Em Austin, Nico Rosberg vinha fazendo a sua melhor corrida da temporada e tinha a vitória nas mãos quando errou bisonhamente nas voltas finais, entregando não apenas o triunfo para o companheiro de equipe, como garantiu o tricampeonato de Hamilton com três provas de antecedência. Nico Rosberg é um piloto rápido, mas esse erro, somando à temporada abaixo da média do alemão, que está atrás de Vettel no momento na classificação tendo um carro bem melhor do que o compatriota, mostra bem a diferença entre um piloto rápido (Rosberg) e um tricampeão do mundo (Hamilton). E com o mesmo carro! Após a corrida, emburrado no canto da ante-sala, Nico Rosberg era a cara da decepção e como já fez várias vezes em 2015, o alemão reclamou da atitude de Hamilton na largada, que espremeu o companheiro de equipe para fora da pista. Uma atitude que não faz mais efeito algum em Hamilton, mas demonstra que, se o inglês se espelha em Senna em sua carreira, Lewis achou em Nico Rosberg o seu 'Gerhard Berger'...

domingo, 25 de outubro de 2015

É tri!

Na melhor corrida do campeonato, Lewis Hamilton garantiu a sua 43º vitória na F1 e com os resultados combinados de hoje, o inglês da Mercedes se igualou ao seu ídolo Ayrton Senna e agora entrou no seleto rol dos tricampeões mundiais de F1. Porém, Hamilton teve bastante trabalho na espetacular corrida de Austin. O furacão Patrícia transformou o final de semana do Grande Prêmio dos Estados Unidos num verdadeiro caos, com treinos cancelados e a classificação, ou parte dela, só ocorrendo no domingo. A espera dos torcedores foi recompensada com uma das melhores corridas dos últimos tempos e, sem sombra de dúvida, a melhor da nova e criticada geração de motores V6 turbo. Hamilton não era o piloto mais rápido da pista, mas o inglês foi ajudado pelo erro de Nico Rosberg no fim da corrida, mostrando a diferença entre um piloto rápido e um piloto histórico.

Com tão pouco tempo de treino e uma situação de pista que os pilotos não haviam encontrado ainda nesse final de semana (pista seca), a corrida em Austin acabou sendo espetacular devido justamente as muitas variáveis encontradas pelos pilotos da primeira à última volta. Mais uma vez Hamilton largou melhor do que Rosberg e num lance polêmico entre os dois companheiros de equipe, o inglês se impôs na curva e ainda pôs Nico fora da pista, fazendo o alemão cair para quinto, atrás dos dois carros da Red Bull e de Sergio Pérez. Com os pilotos utilizando os pneus intermediários pela primeira vez, após os pilotos terem dado as poucas voltas até agora com pneus de chuva forte, as coisas se embaralharam e se era esperado uma fácil recuperação de Rosberg, Kvyat e Ricciardo mostraram o contrário. Foi uma briga titânica e espetacular entre os dois carros da Mercedes e os dois carros da Red Bull, com Ricciardo escalando o pelotão até a primeira posição. E com boa vantagem sobre Hamilton e os demais. Parecia que uma zebra do tamanho do Texas estava prestes a acontecer, mas bastou a pista secar definitivamente para a carruagem da Red Bull se transformar em abóbora e os dois pilotos da Mercedes dominarem. Rosberg vinha na frente, seguido de perto por Hamilton. A pista ainda tinham muitos pontos úmidos, fazendo com erros acontecessem aos borbotões, fazendo com que o safety-car, o literal e o virtual, aparecesse quatro vezes durante a corrida. Nico Rosberg, o pilotos mais rápido da pista, fez sua segunda e última parada nas voltas finais e voava ao ultrapassar Max Verstappen e Sebastian Vettel, outros protagonistas da corrida. Hamilton parecia tentar não parar mais, mas o acidente de Kvyat trouxe o inglês para os pits pela segunda vez e a corrida estava nas mãos de Rosberg, o que adiaria o tricampeonato de Vettel. Porém, relargada dada e os dois pilotos da Mercedes equilibrados, eis que Nico Rosberg erra e entrega a liderança no colo de Hamilton faltando poucas voltas. Era o que Lewis necessitava. Apesar das tentativas de Nico, Hamilton apenas administrou a prova até o fim e recebeu a bandeirada como o novo tricampeão mundial, levando-o às lágrimas. Foi o fruto de um integração impressionante entre Lewis Hamilton e o carro da Mercedes de 2015, que fez o inglês suplantar por completo Nico Rosberg e com a vantagem da Mercedes para os demais, dominar o campeonato como somente Schumacher e mais recentemente Vettel fizeram. Foi um fecho de ouro para o inglês: conquistar o campeonato com uma vitória na melhor corrida de 2015 até agora. Para Nico Rosberg, a sua cara na ante-sala do pódio dizia tudo. O alemão, que poderia ser uma espécie de 'Prost' acabará sendo mesmo um 'Berger' para Hamilton.

Vettel esteve perto de fazer uma corrida antológica e adiar o tricampeonato de Hamilton em uma semana. Largando em 14º graças as punições sofridas pela Ferrari por causa da troca de motor, Vettel se livrou da confusão da primeira curva causada por Felipe Massa e logo se estabeleceu na sexta posição, atrás de Pérez e sofrendo ataques do atrevido Max Verstappen, muito bem na corrida, não importando a condição de pista. Quando a pista secou, Vettel logo se tornou um dos mais rápidos e chegou a tentar dar o pulo do gato quando colocou os pneus médios no meio da prova, dando a pinta que tentaria não parar mais, contudo, o último safety-car fez com que o alemão mudasse de ideia e nas últimas voltas, encostou bastante em Rosberg. Se ultrapassasse o triste compatriota, Sebastian tiraria o doce da boca de Hamilton. Pensou-se até que Rosberg, brabo com Hamilton por outra espremida na primeira curva, poderia entregar a posição para Vettel para provocar o companheiro de equipe, mas Rosberg completou a dobradinha da Mercedes. Seb ganhou onze posições durante a corrida e se manteve na vice liderança do Mundial, ainda à frente de Nico Rosberg, mostrando a qualidade da temporada de Vettel. Bem ao contrário de Raikkonen, que muito reclamou no rádio e ainda bateu quando colocou os pneus slicks, abandonando logo depois após outra corrida tosca do finlandês da Ferrari. Max Verstappen vem calando a boca dos críticos de sua idade e mesmo Sergio Maurício teimar que o holandês tem 17, quando na verdade Max já completou 18 anos, Verstappen vem fazendo uma temporada estupenda e em Austin, mais uma pista que não conhecia, o holandês andou a corrida inteira na zona de pontos, atacou quando podia, inclusive pilotos como Vettel, e usou a cabeça quando não tinha carro para enfrentar Mercedes ou Ferrari. O quarto lugar de Max Verstappen prova que o holandês poderá uma estrela no futuro na F1, enquanto que Carlos Sainz fazia uma corrida espetacular e estava na zona de pontos após largar em último, mas o espanhol acabou se envolvendo num toque com Daniel Ricciardo e foi punido por excesso de velocidade nos pits. Sainz pontuou, mas acabou bem eclipsado pelo companheiro de equipe.

A Red Bull teve um início de corrida mágico, com Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat correndo de igual para igual com a Mercedes com piso úmido, inclusive com o australiano chegando abrir 8s sobre Nico Rosberg, mas quando a pista secou, a deficiência do motor Renault ficou clara e os dois carros caíram pelotão abaixo, com Kvyat provocando o último safety-car da tarde ao bater sozinho e Ricciardo se envolvendo em toques com Hulkenberg e Sainz, fazendo o australiano conseguir a décima posição nas voltas finais, marcando só um pontinho. Faltando apenas uma semana para a sua corrida caseira, Sergio Pérez andou forte como podia e o mexicano conseguiu outros preciosos pontos com a quinta posição, enquanto Hulkenberg, que andou sempre próximo de Pérez, se envolveu num toque com Ricciardo que tirou o alemão da corrida. Jenson Button fez uma ótima corrida numa tipo de prova que o inglês adora, com a pista em constante mutação. Button deixou Alonso para trás mesmo com um motor de uma geração anterior e garantiu uma ótima sexta posição, lembrando as enormes retas em Austin e o déficit de potência do motor Honda. Alonso estava até próximo de Button, mas o espanhol acabou tendo problemas com o seu novo motor Honda e perdeu a décima posição no finalzinho da prova. Maldonado marcou pontos numa corrida onde apenas tentou sobreviver com seu Lotus sem desenvolvimento, enquanto Grosjean, envolvido no melê provocado por Massa na primeira curva, foi um dos primeiros abandonos. Por sinal, a Williams teve um final de semana esquecível, com seus dois pilotos tendo problemas mecânicos ainda no começo da prova, mas os carros brancos não andaram bem em nenhum momento. Numa corrida de sobrevivência, Nasr conseguiu marcar pontos com o nono lugar mesmo tendo parado cinco vezes, ter batido em seu companheiro de equipe Ericsson, que abandonaria mais tarde por problemas mecânicos, e a Sauber nunca ter conseguido acertar seus carros. Ponto positivo para Nasr. E também para Alexander Rossi, que correndo em casa, por pouco não repetiu a façanha de Bianchi e pontuou com o carro da Manor. O americano chegou em 12º e na mesma volta dos líderes.

Foi uma corrida agitada, cheia de oportunidades e ultrapassagens, mas o resultado foi o mesmo de sempre, com a Mercedes conseguindo outra dobradinha, com Hamilton na frente de Rosberg. Esse tricampeonato vai coroando uma carreira que começou arrebatadora, sofreu com os problemas de cabeça de Hamilton, mas o amadurecimento do inglês fez com que Lewis dominasse um piloto forte mentalmente, mesmo que não tão forte quanto ele tecnicamente e em talento. Lewis Hamilton hoje é um piloto completo e merece estar no rol dos tricampeões do mundo. 

Treta malaia

Daniel Pedrosa não tem muita sorte mesmo em sua carreira. O espanhol da Honda fez, provavelmente, sua melhor corrida desde 2012. Pedrosa conquistou uma pole arrebatadora no circuito de Kuala Lumpur no sábado para então vencer com categoria no domingo. Porém, ninguém está falando da vitória de Daniel Pedrosa. Nem mesmo estão falando da corrida em si. O assunto no momento não apenas na MotoGP, mas em toda o esporte a motor é a patada de Valentino Rossi em Marc Márquez e toda as consequências do ato.

Valentino Rossi é um dos personagens mais carismáticos do esporte mundial, mas o italiano está longe de ser um comportado coroinha de igreja da missa das dez da manhã. Rossi já se envolveu em algumas polêmicas ao longo de sua longeva carreira, incluindo toques nada sutis em seus rivais. A famosa última curva em Jerez/2005, quando bateu com força em Sete Gibernau na luta pela liderança estrou para a história. Assim como os problemas com seu arqui-rival Max Biaggi. Com Casey Stoner, Rossi teve uma disputa épica em Laguna Seca em 2008, mas o australiano acusou Rossi de ter provocado sua queda. Em 2010, após se recuperar de uma perna quebrada, Vale teve um disputa fratricida com seu companheiro de equipe Lorenzo, já campeão, que chamou atenção. Rossi não gosta de perder, como um competidor nato como é, mas o italiano já mostrou algumas vezes que para não perder, os fins podem justificar os meios. 

Antes da corrida na Malásia, na entrevista coletiva, Rossi surpreendeu o mundo ao declarar que Márquez o atrapalhou na antológica prova em Phillip Island e que o espanhol fez de tudo para que Lorenzo vencesse. O detalhe foi que Rossi falou isso entre os dois espanhóis, que pareceram tão surpresos quanto os presentes na entrevista, até por que Márquez ultrapassou Lorenzo nas curvas finais da corrida australiana. O clima de guerra estava instalado. É evidente que Rossi não consegue mais andar no mesmo ritmo de Lorenzo e Márquez, restando ao experiente italiano usar artimanhas extra-pista para enervar seus rivais, particularmente Lorenzo, seu companheiro de equipe e rival, como aconteceu quando eles dividiram a Yamaha anos atrás. Márquez sempre falou que tinha como Rossi como ídolo desde criança. Não seria impossível dizer que até mesmo Lorenzo via em Rossi uma referência quando adolescente. Agora eles estavam enfrentando Valentino Rossi em seus momentos finais da carreira e Rossi querendo sair de cena sob glórias. 

A cartada de Valentino Rossi foi arriscada. Marc Márquez é um fenômeno e tê-lo como inimigo declarado não é das melhores ideias. Márquez passou o ano de 2015 sofrendo com o desequilíbrio do quadro da Honda a ponto da montadora ter voltado para o quadro de 2014, mas usando o motor de 2015, para que Márquez voltasse a vencer. O resultado foi o espanhol conquistando grandes vitórias, mas também grandes quedas. Sem nada a perder e utilizando seu talento, Márquez seria um fator preponderante na luta entre os dois pilotos da Yamaha de qualquer maneira. E se Márquez preferia ou não Lorenzo antes da Malásia, a provocação de Rossi antes da corrida indicava um Marc Márquez mais companheiro de equipe de Lorenzo do que Rossi seria com o espanhol da Yamaha. Foi nítido que Márquez deixou Lorenzo passar no começo da prova malaia para ficar na frente de Rossi. A briga entre os dois estava agressiva demais, mas Rossi tinha tudo a perder. E Márquez, nada a perder. E na sexta volta, após três tensas voltas, Rossi abriu a curva, deixou sua Yamaha escorregar em cima da Honda de Márquez e com um nada sutil coice, Rossi derrubou Márquez, numa cena que já entrou para a história do Mundial de Motovelocidade.

A vitória de Pedrosa, com Lorenzo e Rossi logo atrás ficou em segundo, quiçá terceiro plano. Que Valentino Rossi deveria ser punido, era claro. Mas qual seria essa punição? Em algum momento, Lorenzo deve ter sido informado do ocorrido no começo da prova e o espanhol fez algo que não me lembro de ter visto ultimamente: abandonou o pódio em protesto!

Momentos depois veio a notícia de que Rossi largará em último na etapa derradeira do ano em Valencia, mas manteria seus pontos da corrida na Malásia. E o campeonato 2015 da MotoGP ganhou contornos que lembrará e muito o Campeonato da F1 em 1989. O clima dentro dos boxes da Yamaha deve estar irrespirável, com Lorenzo detonando o coice de Rossi em Márquez, enquanto o italiano voltou a criticar Márquez por se meter na briga do campeonato, particular até então entre os pilotos da Yamaha. Lin Jarvis, chefe da equipe Yamaha, se mantém sob fogo cruzado e sem ter muito o que fazer para apaziguar os ânimos dos seus dois pilotos. Rossi ainda tem sete pontos de vantagem sobre Lorenzo para a última corrida, mas largando em último, Valentino Rossi terá uma tarefa inglória, principalmente se Lorenzo vencer a corrida. E para a última corrida do ano em Valencia, terra de Lorenzo e Márquez, ficará a perspectiva de uma das corridas mais tensas de todos os tempos.

Largando em último, Rossi poderá trombar com Márquez em algum momento. Qual será a reação do espanhol da Honda? E como será a reação se, por acaso, houver uma disputa entre os dois pilotos da Yamaha durante a corrida valenciana? A atitude de Rossi, antes e durante a corrida, fez com que Lorenzo ganhasse um importante aliado nesse histórico campeonato 2015 da MotoGP. Acostumado a ser o 'bom moço' na luta contra o 'bandido' Jorge Lorenzo, Valentino Rossi teve essa sua marca arranhada com uma atitude indigna para a vitoriosa carreira do italiano. Contudo, essa história ainda não terminou e o último capítulo deverá ser ainda mais tenso do que o round desse domingo.

sábado, 24 de outubro de 2015

Aposta no futuro

Ainda com a negociação com a Renault em andamento, a Lotus resolveu anunciar o seu segundo piloto para 2016. E não deixou de ser uma surpresa. Era esperado que, para agradar a Renault, o escolhido para companheiro de equipe de Pastor Maldonado em 2016 fosse um francês (Jean-Eric Vergne e Esteban Ocon eram favoritos), mas o escolhido foi o inglês Jolyon Palmer, filho de Jonathan Palmer, piloto regular da F1 nos 80, mas sem maiores brilhos. Campeão da GP2 em 2014, Palmer tinha ficado enfurecido por não ter conseguido um lugar na F1 nesse ano, ao passo que o seu rival na GP2 Felipe Nasr havia conseguido um lugar na Sauber devido ao farto patrocínio do Banco do Brasil. Palmer, aparentemente sem nenhum grande apoio de um patrocinador, pode indicar que a Lotus se tornará Renault em breve, pois se quisesse dinheiro, não faltam piloto endinheirados por aí, mas a Lotus escolheu um piloto que fez uma boa categoria de base, culminando com o título da GP2 ano passado. Estreante, Palmer terá como referência um antigo campeão da GP2 como ele, Pastor Maldonado, mas pelo o que Pastor fez nos últimos anos, o venezuelano parece ser sempre um novato... Se Palmer mostrar regularidade, poderá passar por cima de Maldonado, que só ficou mais um ano na Lotus devido ao seu polpudo patrocinador bolivariano, mas quando seu contrato acabar, Pastor deverá sair da Lotus, futura Renault. E Palmer, aposta da equipe, com um ano de experiência, poderá liderar a equipe a partir de 2017.