Até mesmo a Mercedes já teve seu dia de cão (no caso, em Cingapura) neste ano. Ontem, foi a vez da Ferrari ter um dia para esquecer. O time italiano, praticamente única equipe a ameaçar ligeiramente o domínio da Mercedes nesse ano, fez uma classificação usual, com Vettel conseguindo seu habitual terceiro lugar, enquanto Raikkonen, punido duplamente, ficou na última fila e nem ficou muito tempo na pista. No domingo, as coisas começaram a se complicar ainda na primeira curva, quando Vettel largou mal, foi ultrapassado por Kvyat e acabou tocado pelo ex-companheiro de equipe Ricciardo na primeira curva, furando o pneu do alemão, que reclamou do australiano pelo rádio, mas Ricciardo escapou de punição. Caindo para o final do pelotão, Vettel começou uma tentativa de corrida de recuperação, mas num dia fora da curva, o alemão errou demais, passando reto na freada da primeira curva quando tentava ultrapassar Maldonado e saindo da pista duas vezes na mesma curva, sendo que na última vez, acabou batendo sua Ferrari no soft-wall, trazendo o solitário safety-car para a pista. Um dia esquecível para Vettel, algo não muito diferente de Raikkonen. Largando na última fila, único com pneus médios, Kimi fazia uma boa corrida de recuperação e enquanto retardava sua parada, o finlandês ia ganhando posições. Inclusive do seu compatriota Valtteri Bottas, em quem recentemente bateu e tirou o piloto da Williams da corrida na última volta. Com pneus melhores, Bottas se aproximou de Raikkonen e a batalha finlandesa acabou novamente num toque, desta vez com papeis invertidos, pois foi Raikkonen que estava na frente e acabou tocado por Bottas. A diferença foi que, se em Sochi Kimi tentou uma manobra suicida em cima do compatriota, desta vez quem tentou ultrapassar (Bottas) foi espremido pelo piloto da frente (Raikkonen), o que acabou ocasionando a colisão que quebrou a suspensão dianteira traseira de Raikkonen, mas para sorte de Bottas, o Williams se manteve impávido rumo ao pódio. Desde o longínquo Grande Prêmio da Austrália de 2006, a Ferrari não tinha um abandono duplo devido à acidentes. A Ferrari teve uma ótima temporada e tem boas perspectivas para 2016, mas a volta ao México não das mais agradáveis à Ferrari.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
domingo, 1 de novembro de 2015
Quente por fora...
...morno, quase frio, por dentro. Assim pode ser resumido o Grande Prêmio do México de F1 realizado agora à pouco. As arquibancadas estavam lotadas de fanáticos torcedores que se reencontravam com a F1 após 23 anos, com o adicional de ter na pista um dos seus, Sérgio Pérez, dentro da pista. Porém, dentro da pista, o que se viu foi uma corrida com poucas emoções e outra dobradinha esmagadora da Mercedes, com a diferença de Nico Rosberg finalmente se sobressair sobre Hamilton, mesmo com o inglês quase desobedecendo sua equipe quando ambos os carros prateados fizeram a segunda parada. Para melhorar as coisas para Rosberg, Vettel teve um dia de Maldonado e abandonou, com Valtteri Bottas completando o pódio, superando os carros da Red Bull numa disputa apertada.
A corrida não das mais animadas e nem mesmo os quase mil metros de distância entre a largada e a primeira curva trouxe maiores sobressaltos, com Nico Rosberg finalmente conseguindo uma saída decente, com Hamilton permanecendo em segundo, enquanto Sebastian Vettel começava o seu calvário ainda na primeira curva num toque com Ricciardo que furou o pneu da Ferrari. A partir de então, a corrida se tornou bem estática, com a Mercedes abrindo um caminhão de vantagem sobre o melhor do resto, no caso, Daniil Kvyat. Rosberg e Hamilton trocavam melhores voltas, com o alemão se sobressaindo com os pneus macios, enquanto Lewis era ligeiramente melhor com os médios. Porém, a diferença entre eles nunca foi significativa a ponto de haver uma briga mais forte entre os dois pilotos da Mercedes. O domingo foi o primeiro dia de calor no final de semana mexicano e por isso o desgaste ficou mais alto do que o esperado, fazendo com que a Mercedes trouxesse seus dois pilotos para os pits para uma segunda rodada de paradas. Rosberg, em primeiro, foi aos boxes na frente, como de praxe. E então criou-se um suspense, pois Hamilton não parecia muito animado em repetir a estratégia do companheiro de equipe. Se o inglês vencesse numa tática diferente, o clima dentro da Mercedes ficaria ainda pior do que já está, mas Hamilton fez sua segunda parada como a Mercedes queria e mesmo o safety-car provocado por Vettel ter aproximado novamente os pilotos prateados, Rosberg e Hamilton chegaram nessa ordem para a décima dobradinha da Mercedes em 2015, se configurando num domínio tão grande, quiçá maior, do que em 2014. Porém, a tensão entre Rosberg e Hamilton ficou evidente antes do pódio, com os pilotos mal se olhando. Se Nico Rosberg se reinventar em 2016 e repetir corridas como a de hoje, a próxima temporada pode ser tão animada como foi ano passado.
Com o dia desastroso de Vettel, o título de melhor do resto ficou à cargo dos pilotos de Williams e Red Bull, com predomínio para a última, com Kvyat tomando o terceiro lugar ainda na primeira volta e ficando nessa posição a maior parte do tempo. Porém, o russo foi engolido por Bottas na relargada e com as claras deficiências do motor Renault, Kvyat não esboçou sequer um ataque ao finlandês, mesmo os pilotos da Red Bull estando com os pneus macios e a Williams ter equipado pneus médios em seus carros. Bottas teve um final de semana bem agitado. Sendo um dos primeiros a parar, Bottas teve um reencontro nada amistoso com Kimi Raikkonen, desta vez com o piloto da Williams tocando em Kimi e jogando o compatriota longe, acabando com a corrida de Raikkonen, que mais uma vez forçou a barra. Sem maiores problemas no seu carro, Bottas conseguiu o segundo pódio da temporada e colocou o sombreiro da Pirelli. Kvyat teve que se conformar com o quarto lugar, enquanto Ricciardo também participou de um momento polêmico quando tocou em Vettel na primeira curva e acabou furando o pneu do alemão, que reclamou um bocado pelo rádio, mas o australiano não foi punido. Massa repetiu a estratégia do companheiro de equipe, mas esteve longe de repetir o desempenho de Bottas, ficando bem atrás do colega da Williams, num final de semana completamente opaco do brasileiro. Pior foi Vettel, que teve a corrida mais errática na sua carreira da F1, onde errou várias vezes e no fim causou o safety-car ao bater no soft-wall. Um dia para esquecer para Vettel e a Ferrari, que saiu de mãos abanando e com dois carros para consertar.
Correndo em casa, Sérgio Pérez teve a emoção de contar com o apoio de mais de 100 mil pessoas nas arquibancadas e o mexicano fez uma corrida correta, completando uma arriscada estratégia de uma única parada e fazendo duas ultrapassagens na espécie de 'Coliseu' construído no lugar da famosa curva Peraltada. Isso levantou o público, mas Pérez acabou superado com facilidade por Hulkenberg, que fez uma corrida discreta e no final da corrida, estava bem próximo de Massa, na briga pelo sexto lugar. Uma corrida muito boa do alemão, que vinha numa fase menos boa. Max Verstappen pontuou mais uma vez, mesmo o holandês tendo perdido rendimento na metade final da corrida, após ter chegado a andar em terceiro enquanto os líderes paravam. O que chama atenção é que na briga dentro da Toro Rosso, Verstappen já tem uma boa vantagem sobre Sainz, que não pontuou hoje, mas é considerado um ótimo piloto, contudo, Verstappen está se sobressaindo nessa briga. Falando em briga, as duplas de Lotus e Sauber andaram coladas a maior parte do tempo durante a corrida, com Grosjean ficando à frente de Maldonado e Ericsson superando Nasr, que abandonou no final da corrida com problemas, novamente, nos freios. A McLaren teve outra corrida terrível, com Alonso abandonando na primeira volta com problemas no motor novo e Button parecendo parado na longa reta dos boxes. E o pior é que a Honda parece bem animada em ceder seus motores à desesperada Red Bull em 2016, para desgosto da McLaren. Com seus dirigentes pedindo as contas, a Manor vê um Alexander Rossi chegar chegando e superando Stevens em todas as corridas em que andaram juntos.
A corrida no remodelado circuito Hermanos Rodríguez mostrou um público mexicano sedento por F1, gritando 'Nico, Nico, Nico' quando os carros dos três primeiros estacionaram na frente do público que lotou o estádio. Porém, isso foi uma das poucas coisas boas que a corrida mostrou. Mais uma vez a Mercedes dominou e Rosberg conseguiu uma vitória que ele tanto perseguia, mas erros, como o de Austin, impediram. Porém, essa reação do alemão veio tarde demais para animar o campeonato.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
História: 20 anos do Grande Prêmio do Japão de 1995
Quando a F1 desembarcou em Suzuka para a penúltima etapa de 1995, o título já estava definido à favor de Michael Schumacher, mas o Mundial de Construtores ainda estava pendente, mesmo que a Benetton fosse a grande favorita. O título de Schumacher acendeu as críticas em cima de Damon Hill, grande rival do alemão na época. Dizia-se que a Williams tinha disparado o melhor carro, mas Schumacher também era disparado o melhor piloto e por isso, o alemão acabava levando vantagem sobre Hill, que tinha feito corridas bisonhas antes de Suzuka, fazendo com que seu lugar como primeiro piloto da Williams fosse especulado para 1996. A eterna especulação era de que Hill fosse substituído por Heinz-Harald Frentzen, rival de Schumacher na F3 e possível antídoto para o alemão, mas Frank Williams garantiu que Hill seria o seu piloto principal na temporada seguinte, que teria Schumacher tentando ressuscitar a Ferrari.
Os treinos em Suzuka foram marcados pelo forte acidente de Aguri Suzuki na classificação de sábado. O japonês da Ligier perdeu o controle do seu carro e foi levado ao hospital com uma fratura numa costela. Cinco anos depois de sua glória com o pódio em Suzuka, o quase homônimo Suzuki deixava a F1 após esse acidente. Disputado sob pista seca, a classificação mostrou mais uma vez a dominação de Michael Schumacher, que conseguiu mais uma pole em suas últimas corridas pela Benetton. Em má fase, Hill era apenas quarto, enquanto Coulthard amargava um sexto lugar. Alesi completou a segunda fila, mas o francês, que trocaria de lugar com Schumacher em 1996, acusava a Ferrari de estar negligenciando informações do carro. Voltando à F1 após uma cirurgia de apendicite, Hakkinen conseguia um bom terceiro lugar.
Grid:
1) Schumacher (Benetton) - 1:38.023
2) Alesi (Ferrari) - 1:38.888
3) Hakkinen (McLaren) - 1:38.954
4) Hill (Williams) - 1:39.032
5) Berger (Ferrari) - 1:39.040
6) Coulthard (Williams) - 1:39.155
7) Irvine (Jordan) - 1:39.621
8) Frentzen (Sauber) - 1:40.010
9) Herbert (Benetton) - 1:40.349
10) Barrichello (Jordan) - 1:40.381
O dia 29 de outubro de 1995 amanheceu chuvoso em Suzuka, fazendo com que o saudoso warm-up fosse umas das sessões mais importantes do final de semana. E na pista molhada, a Williams dava sinais de recuperação com Hill sendo o mais rápido, com Coulthard em terceiro, com os dois carros da Williams separados por Schumacher. Quando a largada se aproximava, outra pancada de chuva molhou ainda mais a pista de Suzuka, mas quando os pilotos se preparavam para a volta de apresentação, a chuva tinha cessado por completo, contudo, todos os pilotos estavam com pneus de chuva. Na luz verde, Schumacher consegue uma ótima largada, seguido por Alesi, que queimou a partida e seria punido mais tarde, seguido por Hakkinen e Hill. No pelotão intermediário, Wendlinger e Morbidelli se tocam, com o italiano ficando preso na caixa de brita da primeira curva.
Sem chuva, a pista secava rapidamente e Schumacher fazia uma corrida sublime, aumentando sua vantagem sob Alesi, que na sexta volta cumpre sua punição por queimar a largada, seguido na volta seguinte pelo seu companheiro de equipe Berger. Por essas e outras que a Ferrari precisava de um salvador e Schumacher, líder absoluto da corrida, era uma candidato a tal. Porém, não demorou muito e os pilotos começaram a procurar os boxes para colocar pneus slicks, causando profundas mudanças na colocação dos pilotos. Uma volta depois de cumprir sua penalização, Alesi foi um dos primeiros a colocar pneus scliks e por isso, chegou a ganhar mais de 3s sobre os demais pilotos, pulando novamente para segundo quando todos os pilotos estavam equipados com pneus slicks, com Schumacher liderando a corrida. Após efetuar uma bela ultrapassagem sobre Hill na chicane, Alesi era o piloto mais rápido da pista e se aproximava de Schumacher para um emocionante pega pela primeira posição, com o francês querendo dar uma resposta à Ferrari por ter o trocado pelo alemão, além de Alesi querer vingança pela incrível ultrapassagem de Schumacher sofrida nas voltas finais de Nürburgring. Na briga pela quinta posição, Coulthard ultrapassa Irvine na reta dos boxes e vendo a cena, Barrichello tenta seguir no embalo do seu antigo rival da F3 e parte para cima do companheiro de equipe da Jordan, mas Rubens acaba errando e sai da pista, abandonando tristemente. Muito se falou na época que Schumacher teria vetado Barrichello na Ferrari por estar com 'medo' do brasileiro e por isso pediu o 'limitado' Irvine. O irlandês podia até não ter ser um esplendor técnico, mas Schumacher ter medo de Barrichello...
A diferença entre Schumacher e Alesi nunca passava dos 2s, com os dois imprimindo um ritmo fortíssimo de prova, trocando várias vezes a melhor volta da corrida, mas o motor Ferrari acabou traindo Alesi na volta 25, fazendo com que o francês abandonasse tristemente e que Schumacher tivesse uma grande diferença sobre o agora segundo colocado Hill, que tinha uma boa vantagem sobre um surpreendente Hakkinen, que se preocupava com Coulthard, um dos pilotos mais rápidos na pista na tentativa de conquistar mais um pódio. Nas voltas seguintes acontece a segunda rodada de paradas e única modificação importante era a troca de posição entre Coulthard e Hakkinen, que seriam companheiros de equipe na McLaren em 1996, iniciando uma das duplas mais duradouras da F1. Se na pista houve poucas mudanças, não se podia dizer o mesmo do clima. As nuvens negras voltavam à Suzuka e começou a chover em alguns pontos do seletivo traçado nipônico. Particularmente na traiçoeira curva Spoon. Hill vinha mais de 13s atrás de Schumacher quando ele rodou sozinho nessa curva. O inglês retorna à pista após uma parada nos pits, caindo para quinto. Três voltas depois, é a vez de Coulthard rodar na mesma curva de Hill, mas o escocês acabaria abandonando quando, com os pneus sujos, saiu da pista na curva 130R. Na passagem seguinte, Hill roda pela segunda vez na mesma curva, desta vez, sem retorno para o piloto da Williams. Com três rodadas em menos de cinco voltas, a Williams perdia o Mundial de Construtores e aumentava a sensação que o problema nos carros da equipe de Frank Williams ficava naquela peça entre o volante e o banco...
Certamente, esse não era o caso da Benetton. Schumacher fazia uma corrida soberba, sem ser ameaçado e com 26s de vantagem sobre Hakkinen, vencia pela nona vez na temporada de 1995, se igualando a Nigel Mansell como o recordista, até então, de vitórias numa mesma temporada. Hakkinen voltava à F1 em grande estilo, enquanto Johnny Herbert, em outra corrida discreta e decente, completava o pódio e fazia a alegria da Benetton, que comemorou muito o título de Construtores, o primeiro da história da equipe. O que ninguém sabia era que essa vitória era o fim de um ciclo da Benetton. Schumacher estava de saída da equipe e essa seria a última vitória do alemão na Benetton, que iniciava naquele momento, vinte anos atrás, um declínio que faria a empresa italiana sair da F1 no final de 2001.
Chegada:
1) Schumacher
2) Hakkinen
3) Herbert
4) Irvine
5) Panis
6) Salo
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Mais momentos assim
A passagem do furacão Patrícia fez com que alguns treinos na F1 fossem cancelados nesse final de semana em Austin. Sem ter o que fazer, pilotos e mecânicos foram para frente dos boxes fazer todo tipo marmota (como se diz por aqui) e fez a alegria do público americano. Muitas pessoas falam que os pilotos da F1 atual são robôs e não tem graça. Kvyat e Ricciardo mostraram que, dando espaço, os pilotos da atualidade podem ser divertidos e entreter além da pista.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Figura(EUA): Lewis Hamilton
Lewis Hamilton não teve a sua melhor corrida de 2015 em Austin, mas o título e o conjunto da obra nessa temporada faz com que o inglês entrasse nessa parte da coluna. Hamilton lutou bastante para conquistar a décima vitória do ano, se aproveitou de um erro crasso de Nico Rosberg, mas não há de se colocar uma vírgula no título de Hamilton. O inglês foi contratado a peso de ouro pela Mercedes em 2013 e após a equipe crescer só com a simples presença de Lewis no time, a mudança de regulamento fez com que a Mercedes tomasse o lugar da Red Bull como equipe dominante a partir de 2014. Durante vários anos, principalmente após o seu primeiro título, Hamilton era considerado o piloto mais rápido da F1, mas sua cabeça fraca o traiu várias e várias vezes. Atuando contra um companheiro de equipe conhecido desde o kart, Hamilton sofreu mais do que devia contra Nico Rosberg, um piloto nitidamente menos talentoso do que ele, mas com uma grande força mental. Hamilton teve que afastar todos os seus fantasmas para derrotar Rosberg na última corrida de 2014 e parecia que o seu segundo título tirou um peso enorme das costas do inglês. Hamilton começou 2015 ainda mais forte, não dando muitas chances de briga para Rosberg. Se ano passado a briga pelo título foi até mesmo animada, principalmente pelo domínio da Mercedes, Hamilton não deixou que isso se repetisse nessa temporada, passando por cima de Rosberg com até alguma facilidade para conseguir o sonhado tricampeonato com pinta de domínio, como Schumacher e Vettel fizeram em épocas mais recentes. Com três títulos mundiais, igual ao ídolo Ayrton Senna, Lewis Hamilton já entrou na história da F1 como um dos grandes. Ainda falta uma disputa direta contra um campeão do mundo, algo que Hamilton ainda não o fez. Mas se isso acontecer, Lewis Hamilton dá mostras que pode fazer isso muito bem!
Figurão(EUA): Nico Rosberg
Lewis Hamilton sempre fez questão de dizer que espelha sua carreira na do seu ídolo Ayrton Senna e pelo o que tinha sido em 2014, o inglês parecia ter encontrado no seu companheiro de equipe Nico Rosberg o seu 'Alain Prost'. Parecia! Com características bem distintas, Rosberg e Hamilton disputaram o título do ano passado até a última corrida, com vantagem para o inglês, o que fez Hamilton ganhar ainda mais confiança em exibir seu enorme talento messe ano, enquanto que para Nico Rosberg, a perda do título lhe afetou profundamente. Sem encontrar o mesmo ritmo do ano passado, Nico Rosberg foi deixado para trás por seu companheiro de equipe em praticamente todos os quesitos. Se em 2014 o alemão goleou no quesito posições de largada, esse ano Nico Rosberg foi goleado com uma margem ainda maior nesse item. Vitórias? Hamilton tem mais do que o triplo. Em Austin, Nico Rosberg vinha fazendo a sua melhor corrida da temporada e tinha a vitória nas mãos quando errou bisonhamente nas voltas finais, entregando não apenas o triunfo para o companheiro de equipe, como garantiu o tricampeonato de Hamilton com três provas de antecedência. Nico Rosberg é um piloto rápido, mas esse erro, somando à temporada abaixo da média do alemão, que está atrás de Vettel no momento na classificação tendo um carro bem melhor do que o compatriota, mostra bem a diferença entre um piloto rápido (Rosberg) e um tricampeão do mundo (Hamilton). E com o mesmo carro! Após a corrida, emburrado no canto da ante-sala, Nico Rosberg era a cara da decepção e como já fez várias vezes em 2015, o alemão reclamou da atitude de Hamilton na largada, que espremeu o companheiro de equipe para fora da pista. Uma atitude que não faz mais efeito algum em Hamilton, mas demonstra que, se o inglês se espelha em Senna em sua carreira, Lewis achou em Nico Rosberg o seu 'Gerhard Berger'...
domingo, 25 de outubro de 2015
É tri!
Na melhor corrida do campeonato, Lewis Hamilton garantiu a sua 43º vitória na F1 e com os resultados combinados de hoje, o inglês da Mercedes se igualou ao seu ídolo Ayrton Senna e agora entrou no seleto rol dos tricampeões mundiais de F1. Porém, Hamilton teve bastante trabalho na espetacular corrida de Austin. O furacão Patrícia transformou o final de semana do Grande Prêmio dos Estados Unidos num verdadeiro caos, com treinos cancelados e a classificação, ou parte dela, só ocorrendo no domingo. A espera dos torcedores foi recompensada com uma das melhores corridas dos últimos tempos e, sem sombra de dúvida, a melhor da nova e criticada geração de motores V6 turbo. Hamilton não era o piloto mais rápido da pista, mas o inglês foi ajudado pelo erro de Nico Rosberg no fim da corrida, mostrando a diferença entre um piloto rápido e um piloto histórico.
Com tão pouco tempo de treino e uma situação de pista que os pilotos não haviam encontrado ainda nesse final de semana (pista seca), a corrida em Austin acabou sendo espetacular devido justamente as muitas variáveis encontradas pelos pilotos da primeira à última volta. Mais uma vez Hamilton largou melhor do que Rosberg e num lance polêmico entre os dois companheiros de equipe, o inglês se impôs na curva e ainda pôs Nico fora da pista, fazendo o alemão cair para quinto, atrás dos dois carros da Red Bull e de Sergio Pérez. Com os pilotos utilizando os pneus intermediários pela primeira vez, após os pilotos terem dado as poucas voltas até agora com pneus de chuva forte, as coisas se embaralharam e se era esperado uma fácil recuperação de Rosberg, Kvyat e Ricciardo mostraram o contrário. Foi uma briga titânica e espetacular entre os dois carros da Mercedes e os dois carros da Red Bull, com Ricciardo escalando o pelotão até a primeira posição. E com boa vantagem sobre Hamilton e os demais. Parecia que uma zebra do tamanho do Texas estava prestes a acontecer, mas bastou a pista secar definitivamente para a carruagem da Red Bull se transformar em abóbora e os dois pilotos da Mercedes dominarem. Rosberg vinha na frente, seguido de perto por Hamilton. A pista ainda tinham muitos pontos úmidos, fazendo com erros acontecessem aos borbotões, fazendo com que o safety-car, o literal e o virtual, aparecesse quatro vezes durante a corrida. Nico Rosberg, o pilotos mais rápido da pista, fez sua segunda e última parada nas voltas finais e voava ao ultrapassar Max Verstappen e Sebastian Vettel, outros protagonistas da corrida. Hamilton parecia tentar não parar mais, mas o acidente de Kvyat trouxe o inglês para os pits pela segunda vez e a corrida estava nas mãos de Rosberg, o que adiaria o tricampeonato de Vettel. Porém, relargada dada e os dois pilotos da Mercedes equilibrados, eis que Nico Rosberg erra e entrega a liderança no colo de Hamilton faltando poucas voltas. Era o que Lewis necessitava. Apesar das tentativas de Nico, Hamilton apenas administrou a prova até o fim e recebeu a bandeirada como o novo tricampeão mundial, levando-o às lágrimas. Foi o fruto de um integração impressionante entre Lewis Hamilton e o carro da Mercedes de 2015, que fez o inglês suplantar por completo Nico Rosberg e com a vantagem da Mercedes para os demais, dominar o campeonato como somente Schumacher e mais recentemente Vettel fizeram. Foi um fecho de ouro para o inglês: conquistar o campeonato com uma vitória na melhor corrida de 2015 até agora. Para Nico Rosberg, a sua cara na ante-sala do pódio dizia tudo. O alemão, que poderia ser uma espécie de 'Prost' acabará sendo mesmo um 'Berger' para Hamilton.
Vettel esteve perto de fazer uma corrida antológica e adiar o tricampeonato de Hamilton em uma semana. Largando em 14º graças as punições sofridas pela Ferrari por causa da troca de motor, Vettel se livrou da confusão da primeira curva causada por Felipe Massa e logo se estabeleceu na sexta posição, atrás de Pérez e sofrendo ataques do atrevido Max Verstappen, muito bem na corrida, não importando a condição de pista. Quando a pista secou, Vettel logo se tornou um dos mais rápidos e chegou a tentar dar o pulo do gato quando colocou os pneus médios no meio da prova, dando a pinta que tentaria não parar mais, contudo, o último safety-car fez com que o alemão mudasse de ideia e nas últimas voltas, encostou bastante em Rosberg. Se ultrapassasse o triste compatriota, Sebastian tiraria o doce da boca de Hamilton. Pensou-se até que Rosberg, brabo com Hamilton por outra espremida na primeira curva, poderia entregar a posição para Vettel para provocar o companheiro de equipe, mas Rosberg completou a dobradinha da Mercedes. Seb ganhou onze posições durante a corrida e se manteve na vice liderança do Mundial, ainda à frente de Nico Rosberg, mostrando a qualidade da temporada de Vettel. Bem ao contrário de Raikkonen, que muito reclamou no rádio e ainda bateu quando colocou os pneus slicks, abandonando logo depois após outra corrida tosca do finlandês da Ferrari. Max Verstappen vem calando a boca dos críticos de sua idade e mesmo Sergio Maurício teimar que o holandês tem 17, quando na verdade Max já completou 18 anos, Verstappen vem fazendo uma temporada estupenda e em Austin, mais uma pista que não conhecia, o holandês andou a corrida inteira na zona de pontos, atacou quando podia, inclusive pilotos como Vettel, e usou a cabeça quando não tinha carro para enfrentar Mercedes ou Ferrari. O quarto lugar de Max Verstappen prova que o holandês poderá uma estrela no futuro na F1, enquanto que Carlos Sainz fazia uma corrida espetacular e estava na zona de pontos após largar em último, mas o espanhol acabou se envolvendo num toque com Daniel Ricciardo e foi punido por excesso de velocidade nos pits. Sainz pontuou, mas acabou bem eclipsado pelo companheiro de equipe.
A Red Bull teve um início de corrida mágico, com Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat correndo de igual para igual com a Mercedes com piso úmido, inclusive com o australiano chegando abrir 8s sobre Nico Rosberg, mas quando a pista secou, a deficiência do motor Renault ficou clara e os dois carros caíram pelotão abaixo, com Kvyat provocando o último safety-car da tarde ao bater sozinho e Ricciardo se envolvendo em toques com Hulkenberg e Sainz, fazendo o australiano conseguir a décima posição nas voltas finais, marcando só um pontinho. Faltando apenas uma semana para a sua corrida caseira, Sergio Pérez andou forte como podia e o mexicano conseguiu outros preciosos pontos com a quinta posição, enquanto Hulkenberg, que andou sempre próximo de Pérez, se envolveu num toque com Ricciardo que tirou o alemão da corrida. Jenson Button fez uma ótima corrida numa tipo de prova que o inglês adora, com a pista em constante mutação. Button deixou Alonso para trás mesmo com um motor de uma geração anterior e garantiu uma ótima sexta posição, lembrando as enormes retas em Austin e o déficit de potência do motor Honda. Alonso estava até próximo de Button, mas o espanhol acabou tendo problemas com o seu novo motor Honda e perdeu a décima posição no finalzinho da prova. Maldonado marcou pontos numa corrida onde apenas tentou sobreviver com seu Lotus sem desenvolvimento, enquanto Grosjean, envolvido no melê provocado por Massa na primeira curva, foi um dos primeiros abandonos. Por sinal, a Williams teve um final de semana esquecível, com seus dois pilotos tendo problemas mecânicos ainda no começo da prova, mas os carros brancos não andaram bem em nenhum momento. Numa corrida de sobrevivência, Nasr conseguiu marcar pontos com o nono lugar mesmo tendo parado cinco vezes, ter batido em seu companheiro de equipe Ericsson, que abandonaria mais tarde por problemas mecânicos, e a Sauber nunca ter conseguido acertar seus carros. Ponto positivo para Nasr. E também para Alexander Rossi, que correndo em casa, por pouco não repetiu a façanha de Bianchi e pontuou com o carro da Manor. O americano chegou em 12º e na mesma volta dos líderes.
Foi uma corrida agitada, cheia de oportunidades e ultrapassagens, mas o resultado foi o mesmo de sempre, com a Mercedes conseguindo outra dobradinha, com Hamilton na frente de Rosberg. Esse tricampeonato vai coroando uma carreira que começou arrebatadora, sofreu com os problemas de cabeça de Hamilton, mas o amadurecimento do inglês fez com que Lewis dominasse um piloto forte mentalmente, mesmo que não tão forte quanto ele tecnicamente e em talento. Lewis Hamilton hoje é um piloto completo e merece estar no rol dos tricampeões do mundo.
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