sábado, 14 de maio de 2016

Melhor do que o mestre

No começo da década passada, Sebastien Bourdais atravessou o Atlântico após alguns anos na F3000 e contratado pela Newman-Hass, então melhor equipe da CART/Champ Car, o francês teve um ano de aprendizado em 2003 para então enfileirar quatro títulos consecutivos com uma pilotagem sólida e bem superior aos seus pares naquele tempo. Bourdais chamou atenção da Toro Rosso e novamente o francês cruzou o Atlântico para realizar o sonho de correr na F1, mas Sebastien acabou atropelado por um Sebastian Vettel faminto e Bourdais nunca mais foi o mesmo. Sabendo que seu lugar estava um Oceano de distância, Bourdais voltou ao automobilismo americano e lá se reencontrou com seu discípulo. Simon Pagenaud foi para os Estados Unidos em 2006, no auge de Bourdais na Champ Car, e logo de cara conseguiu o título da saudosa F-Atlantic. Apadrinhado por Bourdais, Pagenaud fez um ano na moribunda Champ Car antes de se enveredar para as corridas de Endurance, chegando a ser parceiro de Gil de Ferran na equipe do brasileiro, por indicação de Bourdais.

Pagenaud mostrou velocidade esses anos todos, fez sua primeira corrida na Indy em 2011, mas sempre lhe faltou equipamento para brigar com os estabelecidos talentos da categoria, apesar de todos enxergarem talento em Simon. Em 2015, Pagenaud ganhou sua grande chance após uma temporada espetacular com a pequena Schmidt Peterson em 2014 ao ser contratado pela Penske. O time comandado por Roger Penske só tinha cobra criada na sua equipe, como o eterno Helio Castroneves, o carismático Juan Pablo Montoya e o talentoso Will Power. A parada para Pagenaud não seria fácil e 2015 não foi um bom ano para o francês, claramente suplantado pelos mais experientes companheiros de equipe. Simon sabia que 2016 teria que ser diferente. E está sendo.

Em cinco corridas na temporada de 2016 da Indy, Simon Pagenaud vem fazendo um campeonato excepcional. Foram dois segundos lugares e três vitórias, a última hoje no circuito misto de Indianápolis. Como seu mentor Sebastien Bourdais, Simon Pagenaud vem dominando a Indy de forma impressionante e a forma como ganhou hoje é uma amostra disso, onde o francês largou na pole e pouco foi ameaçado, mesmo com alguns pilotos mudando a estratégia, ganhando a terceira corrida consecutiva. Um ótimo impulso no importante mês de maio, onde a Indy passa a se concentrar para as 500 Milhas de Indianápolis. Pagenaud ainda não tem toda a manha nos ovais e talvez não vença a corrida mais importante para Roger Penske na sua 50º temporada como chefe de equipe, mas o que ele vem fazendo impressiona, até por que Bourdais dominou uma Champ Car bastante decadente, com pilotos em final de carreira, como Paul Tracy, Alex Tagliani (há dez anos já era coadjuvante e hoje é ainda mais!) e Bruno Junqueira, enquanto Pagenaud vem derrotando estrelas consagradas do automobilismo americano de monopostos. Um típico caso do aluno superando o mestre. 

Voltando ao normal

Pela primeira vez em muito tempo, Lewis Hamilton vem tendo um final de semana sem maiores problemas e quando isso aconteceu em outras oportunidades, o inglês mostrou todo o seu grande potencial e em Barcelona, Lewis não se fez de rogado ao conseguir uma pole dominante em cima de Nico Rosberg, podendo ser o início de uma virada de domínio, já que Rosberguinho vem de sete vitórias consecutivas. Se no começo da semana já começaram a pipocar que a batata de Arrivabene está assando dentro da Ferrari, a possibilidade real da equipe italiana cair para a terceira força do Mundial deve fazer com que o performático italiano fique bem preocupado com a tranquila segunda fila da Red Bull.

Falando na equipe austríaca, todos estavam curiosos em ver como se sairiam Daniil Kvyat e Max Verstappen, que trocaram de lugar semana passada. A forma como isso aconteceu, após apenas quatro corridas e rebaixando um piloto de forma até mesmo humilhante para Kvyat, é bem duvidosa, mas a história pode mostrar que a Red Bull teve a visão de que o jovem holandês é um campeão em potencial e vendo que podia perder Verstappen para alguma rival, fez a polêmica troca. Abatido, Kvyat ficou atrás de Carlos Sainz dentro da Toro Rosso, enquanto Verstappen foi mais rápido do que Ricciardo em boa parte do final de semana, mas o simpático australiano deu o bote na hora certa e conseguiu um lugar na foto dos três primeiros colocados, derrotando Verstappen com uma boa margem. Contudo, essa é o primeiro final de semana do holandês na Red Bull e ele poderá fazer muito mais no futuro. Mesmo que as custas da carreira de um jovem piloto, a Red Bull pode estar nos mostrando um piloto diferenciado no futuro.

Lá na frente, Hamilton sempre foi o mais rápido dentro do seio da Mercedes e será difícil para Rosberg parar Hamilton, mesmo que o inglês largue mal (novamente) amanhã. A surpresa da classificação foi ver a Ferrari perdendo ritmo para a Red Bull, com os carros vermelhos na terceira fila, com Raikkonen sempre mais rápido do que um apagado Vettel. A McLaren deu sinal de vida com Alonso indo ao Q3 pela primeira dessa parceria com a Honda. O espanhol sempre fez algo mais quando correu em casa. A Williams já deve estar conformada em ser a quarta força da F1 e talvez isso tenha afetado a estratégia da equipe, que vacilou com Felipe Massa, o liberando tarde demais no Q1, fazendo com que o brasileiro largue no final do pelotão amanhã. Contudo, Massa nunca andou no ritmo de Bottas nesse final de semana e já se fala em Button em 2017 na Williams. Para quem procura renovar o contrato, não foi uma boa Massa ficar numa posição tão ruim num circuito onde tradicionalmente é difícil de se ultrapassar.

A prova de amanhã pode ter como diferencial a briga entre Hamilton e Rosberg na ponta. Que o inglês é mais piloto que o alemão, não restam muitas dúvidas, mas Nico está numa fase exuberante e Lewis terá um adversário motivado, mesmo que inferior, para derrotar amanhã e iniciar sua caminhada rumo a uma virada ainda mais complicada do que em 2014. Resta saber também como será o ritmo de corrida de Verstappen, em sua primeira corrida com a Red Bull.  

quinta-feira, 12 de maio de 2016

História: 25 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1991

A McLaren vinha tendo uma temporada excepcional em 1991, com Senna vindo de três vitórias consecutivas, enquanto Berger vinha de dois pódios seguidos. Era um domínio absoluto que a F1 poucas vezes tinha visto e isso começava a incomodar as rivais, muito em particular a Ferrari, que via uma guerra interna entre o 'capo' Cesare Fiore e sua estrela Alain Prost. As duas péssimas exibições em São Paulo e em Ímola, casa da Ferrari, tinha acabado com a paciência da cúpula da equipe italiana, que acabaria demitindo Fiore dias mais tarde, dando ainda mais poder à Prost, mesmo a equipe muito longe de McLaren e Williams, que começava a mostrar todo o seu potencial nas vezes em que os carros azuis e branco não estavam abandonando uma corrida por problema mecânico. 

Os treinos ocorreram debaixo de sol forte e marcado um espetacular acidente de Alex Caffi nos Esses da Piscina, onde o Footwork do italiano foi dividido ao meio tamanha violência do impacto. Mesmo com uma pequena concussão, Caffi estava bem, mesmo que fora da corrida. Senna fez mais uma típica pole no seu palco favorito, enquanto Modena surpreendia ao colocar seu Tyrrell com motor Honda de 1990 na primeira fila, mostrando que a aposta do velho Ken Tyrrell no piloto italiano e no motor japonês tinha sido certeira. Mais uma vez Patrese era mais rápido do que Mansell e os dois estavam separados por Piquet, mesmo o brasileiro odiando a pista monegasca. A Ferrari escancarava sua crise com Prost em sétimo e Alesi apenas em nono.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:20.344
2) Modena (Tyrrell) - 1:20.809
3) Patrese (Williams) - 1:20.973
4) Piquet (Benetton) - 1:21.159
5) Mansell (Williams) - 1:21.205
6) Berger (McLaren) - 1:21.222
7) Prost (Ferrari) - 1:21.455
8) Moreno (Benetton) - 1:21.804
9) Alesi (Ferrari) - 1:21.910
10) De Cesaris (Jordan) - 1:22.764

O dia 12 de maio de 1991 estava nublado e havia chovido no sábado à noite, mas a pista estava seca não apenas no velho warm-up, como também na corrida. Como era costumeiro, Senna toma a ponta na luz verde, cortando o barato de Modena, que havia largado muito bem, mas não atacou Senna. Pela primeira vez largando numa posição tão boa, Modena não quis arriscar muito preferindo manter sua posição. O mesmo não acontecendo com Berger. Levando quase 1s de Senna na classificação e na terceira fila, Berger tentou uma manobra otimista na primeira curva e bateu em Piquet, que teve a suspensão traseira quebrada e abandonava a sua última corrida em Mônaco metros mais tarde. Com a asa dianteira quebrada, Berger foi aos boxes, mas bateria na nona volta na Piscina, mostrando o abismo entre ele e Senna, líder inconteste da corrida logo no começo.

O único susto de Senna naquele dia vinte e cinco anos atrás foi no final da quinta volta, quando um fiscal de pista ainda limpava os pequenos destroços do incidente entre Berger e Piquet na primeira volta e por muito pouco não foi atropelado pelo brasileiro. Como era de se se esperar, Senna abriu uma bela vantagem para Modena, que se mantinha confortável em segundo. O italiano retaliou bem os ataques de Patrese na primeira volta e corria isolado em segundo, enquanto Patrese segurava Mansell e Prost. A corrida fica estática e tirando uma rara ultrapassagem de Prost em cima de Mansell, a corrida fica bastante aborrecida, sem muita ação dentro da pista. Ainda aprendendo a lidar com os retardatários, Modena se atrapalha com Pirro e permite a aproximação de Patrese. Na volta 43, com Patrese sob controle, a belíssima corrida de Modena chega ao fim quando o confiável motor Honda V10, que tinha dado o título a Senna em 1990, estourou dentro do túnel. Pego de surpresa com o óleo espalhado na sua frente, Patrese acaba escorregando e fica quicando com seu Williams dentro do túnel. Eram dois abandonos significativos na corrida, pois Prost estava 40s atrás de Senna. Ao chegar ao box, desconsolado, Modena não queria muita conversa. Era a segunda corrida consecutiva em que Modena perdia um pódio certo.

A corrida era um verdadeiro passeio de Senna. Se fosse nos dias de hoje, talvez se falaria que a F1 estava morta com tanto domínio e uma corrida tão sem graça. No entanto, haviam pilotos que poderia acabar com qualquer marasmo. Mansell novamente se aproximava de Prost e após algumas tentativas, o inglês conseguiu uma audaciosa ultrapassagem sobre Prost na chicane do porto. A verdade era que Prost tinha problemas de bateria, que faria o francês fazer um pit-stop já no final da prova, o jogando para o quinto lugar. Alesi subiria para terceiro e também subiria ao pódio monegasco pelo segundo ano consecutivo. Mansell rezava para não quebrar, já que seu Williams-Renault se mostrava com um enorme potencial, mas também muito frágil. Senna tirou o pé nas voltas finais a ponto de Mansell descontar metade da vantagem que o brasileiro tinha. Ayrton Senna conseguia a quarta vitória em Monte Carlo, se garantindo como o segundo mais vencedor no principado, enquanto um aliviado Mansell marcava seus primeiros pontos em 1991 logo com um pódio, seguido por Alesi e Moreno, discreto, mas bem confiável para garantir outros três pontos para a Benetton. Quatro corridas. Quatro vitórias. Senna dominava em 1991 e parecia que ninguém estava reclamando disso...

Chegada:
1) Senna
2) Mansell
3) Alesi
4) Moreno
5) Prost
6) Pirro

História: 30 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1986

A F1 chegava a um dos seus mais tradicionais palcos em Monte Carlo trinta anos atrás, com o travado circuito de Mônaco recebendo duas pequenas alterações em seu traçado, na chicane do porto e na curva do Gasômetro. Nos bastidores, a Renault demonstrava seu descontentamento com o programa de F1, fazendo com que a Lotus iniciasse conversações com a Honda para 1987. Os carros foram preparados especialmente para o circuito de Mônaco, com várias equipes introduzindo novidades nas suas configurações para se conseguir mais downforce. 

Na quinta-feira, Senna foi o mais rápido, com a Williams-Honda tendo sérios problemas nos motores e Mansell estaria fora do grid de vinte carros no domingo. No sábado, a Honda deu a volta por cima e Mansell superou o tempo de Senna, mas Alain Prost veio no fim da sessão e foi o único a marcar 1:22. Com problemas no câmbio e numa pista em que detestava, Nelson Piquet teve que se conformar com uma obscura 11º posição. Alboreto mostrou mais uma vez sua ótima performance em circuitos de rua e levou a desequilibrada Ferrari ao quarto lugar. Enquanto Riccardo Patrese conseguia um impressionante sexto lugar com a problemática Brabham BT55, Elio de Angelis sofria com o motor BMW e largaria em vigésimo e último lugar no domingo. Dias mais tarde, a Brabham iria treinar em Paul Ricard e o piloto escolhido seria Patrese, mas chateado com o seu rendimento e querendo mais intimidade com o carro, De Angelis pede à equipe para testar na França no lugar de Patrese. O destino seria bastante cruel com o carismático italiano, que faria sua última corrida na F1 trinta anos atrás.

Grid:
1) Prost (McLaren) - 1:22.627
2) Mansell (Williams) - 1:23.047
3) Senna (Lotus) - 1:23.175
4) Alboreto (Ferrari) - 1:23.904
5) Berger (Benetton) - 1:23.960
6) Patrese (Brabham) - 1:24.102
7) Laffite (Ligier) - 1:24.402
8) Tambay (Lola) - 1:24.686
9) Rosberg (McLaren) - 1:24.701
10) Brundle (Tyrrell) - 1:24.860

O dia 11 de maio de 1986 estava ensolarado no principado de Mônaco, ao contrário dos quatro anos anteriores, e a primavera proporcionou um belo dia para se ter uma corrida em Monte Carlo. Antes da largada, Tambay e Laffite tem problemas em seus carros, mas enquanto o piloto da Lola largaria na sua posição original, Laffite largaria em último, para desespero de Guy Ligier. Na largada, Prost larga muito bem, enquanto Mansell larga muito mal, sendo superado por Senna, enquanto Keke Rosberg se aproveita do espaço à sua frente com os problemas de Laffite e pula para sexto lugar. Durante a primeira volta, o finlandês faz algo raro em Mônaco, mesmo trinta anos atrás: uma ultrapassagem. Na Mirabeau, Keke pega Berger de surpresa e pula para o quinto lugar, ganhando quatro posições em menos de uma vota!

Prost imprimi um bom ritmo e rapidamente abre com relação à Senna, enquanto Rosberg tentava ultrapassar Alboreto. Na segunda volta, Streiff perde o ponto de freada e bate em Alan Jones. Streiff consegue retornar à corrida sem problemas, enquanto o australiano, virado na contramão, mas com o carro intacto, não consegue voltar à prova e se torna o primeiro abandono do dia. Nas primeiras voltas Mansell acompanhou Senna de perto, mas logo no começo da corrida o inglês passaria a ter, mais uma vez, problemas com seu motor Honda e Senna se afastaria de Mansell, mas para sorte do piloto da Williams, Alboreto segurava Rosberg, claramente mais rápido do que eles. Na 16º volta, Keke Rosberg coloca de lado em cima de Alboreto na 'reta' dos boxes e mesmo o italiano apertando-o contra o guard-rail, Keke efetua a ultrapassagem na St. Devote, ganhando a quarta posição. Imediatamente Keke se aproxima de Mansell, enquanto Senna tinha 12s de desvantagem para Prost, que praticamente passeava no principado. Na volta 29 Mansell pára nos boxes e era seguido por Rosberg três voltas mais tarde, porém, o pit-stop da McLaren é muito ruim e o finlandês se vê novamente atrás de Alboreto, que tinha parado na mesma volta de Mansell. Desta vez Rosberg não espera mais do que uma volta para efetuar a ultrapassagem e ficar com terceiro lugar, já que a Williams também tinha aprontado com Mansell e o inglês agora estava atrás do finlandês. Prost faz sua parada na volta 35, mas sua vantagem para Senna era tão grande, que o francês retorna à pista apenas 5s atrás do brasileiro. Sabendo que Rosberg vinha muito rápido atrás, Prost sabia que não podia perder muito tempo e rapidamente encostou em Senna e tentou ultrapassar o brasileiro.

Porém, Senna já era conhecido por ser osso duro de roer e vendeu caro a posição, só sendo ultrapassado quando foi aos boxes trocar pneus na volta 43. Porém, o atraso de Senna em ir aos boxes lhe custou caro. Com pneus mais novos, Rosberg andou mais rápido do que o brasileiro e Senna voltou à corrida em terceiro, logo à frente de Mansell. O inglês diria mais tarde que não pôde seguir a Lotus de perto por causa de um pequeno vazamento de óleo no carro da frente e por isso, se conformou com a quarta posição. A corrida fica estática a partir de então. Prost fazia a volta mais rápida da corrida e continuava a sua dominação, enquanto Keke Rosberg coroava a dobradinha da McLaren com uma bela corrida de recuperação. Piquet tentava pelo menos ficar na zona de pontuação, mas o brasileiro acabaria indo aos boxes por uma segunda vez e ficava em nono lugar, atrás do dois carros da Ligier, numa boa corrida de recuperação de Laffite, saindo de último para sexto. As últimas voltas viram os líderes negociarem ultrapassagens com os retardatários, algumas vezes diminuindo bastante a diferença com o da frente, ou perdendo terreno, dependendo aonde pegava o retardatário. Coisas de Mônaco. Então, veio o grande susto do final de semana. Brundle e Tambay brigavam pela sétima posição, quando o francês mergulhou por dentro na Mirabeau. Provavelmente Brundle não viu o não quis ver Tambay e fechou a porta, fazendo com que Patrick Tambay capotasse, chegando a bater levemente com o pneu traseiro no capacete de Brundle. Por sorte, Tambay caiu com o carro para cima e pôde sair incólume do carro, enquanto Brundle levou seu carros até aos boxes para abandonar, além da marca do pneu em seu capacete. Mansell estava logo atrás da confusão e perdeu muito tempo para desviar do carro de Tambay. Após esse acidente, a corrida ficou ainda mais estática e Alain Prost pôde vencer pela terceira vez consecutiva em Mônaco, sendo o segundo piloto a conseguir isso, imitando Graham Hill anos anos 60. Keke Rosberg chegava em segundo para o que seria seu último pódio na F1, enquanto um esgotado Senna terminava em terceiro num pódio onde se acostumaria bastante a ficar no topo. Prost assumiu a liderança de um campeonato que se mostrava cada vez mais espetacular.

Chegada:
1) Prost
2) Rosberg
3) Senna
4) Mansell
5) Arnoux
6) Laffite

domingo, 8 de maio de 2016

Destruidor

Jorge Lorenzo teve a corrida que ele mais gosta hoje. Pole, boa largada, pista livre, rivais caindo e vitória tranquila. O espanhol da Yamaha destruiu a concorrência com um ritmo avassalador, não dando chances a ninguém, ainda mais numa corrida onde apenas treze pilotos receberam a bandeirada por causa dos vários acidentes em sequencia, incluindo o antigo líder do campeonato Marc Márquez.

A forma como Lorenzo conseguiu a pole e dominou o final de semana indicava que o pessimismo de Márquez e Rossi em comparação ao ritmo de Lorenzo era válida. O espanhol teve uma corrida de sonho desde a largada, já que seus maiores rivais na MotoGP, Márquez e Rossi, largaram muito mal. Escoltado pelas duas Ducatis, sua futura equipe em 2017, Jorge Lorenzo liderou soberano nas primeiras voltas, abrindo na medida em que Iannone caía novamente, enquanto Rossi e Márquez se recuperavam e partiam para cima de Doviziozo. Rossi teve uma péssima largada, chegando a se meter numa perigosa briga na primeira volta com Bradley Smith e Aleix Espargaró, mas o italiano usou o equilíbrio de sua Yamaha para escalar o pelotão, ultrapassando quem vinha pela frente até assumir a segunda posição. Rossi, Doviziozo e Márquez andavam juntos. Tão juntos que Doviziozo e Márquez caíram de forma tão sincronizada, que nem se tivessem combinado, eles se sairiam tão bem.

Doviziozo está com uma nuvem negra sobre sua cabeça, pois desde o pódio na primeira corrida no Catar, o italiano vem sofrendo problemas mecânicos ou quedas, sendo a maioria por culpa alheia. E isso está ocorrendo num momento decisivo, pois até agora ninguém sabe quem será o companheiro de equipe de Lorenzo na Ducati ano que vem, mas para sorte de Dovi, Iannone está ainda pior, sofrendo vários acidentes em todos os finais de semana, mostrando muita velocidade e irregularidade. Contudo, o maior prejudicado do incidente foi Márquez, que com a queda perdeu a liderança do campeonato, onde o espanhol da Honda corria para diminuir o prejuízo num final de semana onde nada deu certo para a Honda, mas houve tantos acidentes que mesmo com a moto toda arrebentada, Márquez voltou à corrida e ainda marcou três pontos com a 13º e última posição. Quem se aproveitou de tudo isso foi Maverick Viñalez, que conquistou seu primeiro pódio na MotoGP com o terceiro lugar, além do primeiro da Suzuki nessa sua volta à MotoGP. Pedrosa, em outra corrida opaca em sua já longa carreira, terminou em quarto. Se Pedrosa permanecer na Honda ou se transferir para a Yamaha, como andam falando, o empresário de Dani tem que ter uma estátua erguida no quintal da casa de Pedrosa, pois é inacreditável como um piloto que teve todas as chances como Pedrosa ao longo de onze anos na MotoGP, corra de forma tão apática e ainda tem quem aposte nele.

Lorenzo apostou alto em deixar a Yamaha e se transferir para a Ducati em 2017, mesmo as motos italianas estarem se desenvolvendo, apesar dos seus dois pilotos adorarem um cheirinho do asfalto bem de perto. O espanhol assumiu a liderança do campeonato e com a MotoGP tão equilibrada, com Yamaha e Honda se alternando no domínio em cada pista, um piloto sólido como Jorge Lorenzo pode fazer a diferença. 

sábado, 7 de maio de 2016

História: 10 anos do Grande Prêmio da Europa de 2006

Apesar da brilhante vitória de Michael Schumacher em Ímola, era claro que a Renault tinha um melhor ritmo de corrida e somente a dificuldade de se ultrapassar no circuito italiano proporcionou à Schumacher segurar Alonso nas voltas finais de tirar o fôlego do Grande Prêmio de San Marino. Houve um teste em Silverstone onde praticamente todas as equipes estiveram presentes e a Renault, com Alonso e Fisichella foram sempre os mais rápidos, enquanto Ferrari e Toyota testavam em Paul Ricard. 

A classificação foi um confronto direto entre Alonso e Michael Schumacher, com vantagem para o espanhol em sua última volta rápida. Schumacher vinha logo atrás do espanhol, mas acabou dois décimos atrás. Cada vez mais confiante na Ferrari, Felipe Massa foi terceiro, enquanto Fisichella destoou e ficou ainda no Q2. Irado, o italiano da Renault saiu do seu boxe direto para a BMW, reclamando de que Jacques Villeneuve o teria atrapalhado no final da sessão, deixando Fisichella numa posição difícil para o domingo, onde não poderia ajudar Alonso. 'Bastardo', gritou Fisichella para Villeneuve, bem no final de semana em que se completava 24 anos da morte de Gilles Villeneuve... A Honda fez um bom trabalho e ficou nas primeiras posições, separados pela McLaren de Raikkonen, enquanto um cada vez mais desmotivado Montoya era destruído pelo finlandês. 

Grid:
1) Alonso (Renault) - 1:29.819
2) M.Schumacher (Ferrari) - 1:30.028
3) Massa (Ferrari) - 1:30.407
4) Barrichello (Honda) - 1:30.754
5) Raikkonen (McLaren) - 1:30.933
6) Button (Honda) - 1:30.940
7) Trulli (Toyota) - 1:31.419
8) Villeneuve (BMW) - 1:31.542
9) Montoya (McLaren) - 1:31.880
10) R.Schumacher (Toyota) - 1:30.994

O dia 7 de maio de 2006 estava ensolarado e quente em Nürburgring, condições perfeitas para uma corrida de F1, mostrando um grande erro da meteorologia alemã, que no começo da semana havia previsto um final de semana frio e chuvoso ao sope do castelo de Nürbur. Quando as cinco luzes vermelhas se apagaram, Alonso saiu bem, mantendo as duas Ferraris atrás de si. Button havia conseguido uma ótima largada e pulado para quarto, seguido por Raikkonen, Barrichello e Trulli. No meio do pelotão, Vitantonio Liuzzi tocou em Ralf Schumacher, que foi forçado para cima de Coulthard. Liuzzi foi o primeiro abandono do dia, enquanto Coulthard, após uma longa parada dos boxes, abandonaria mais tarde. Por causa dos destroços, o safety-car ficou na pista algumas voltas.

Quando foi dada a relargada, Alonso disparou na frente, sendo seguido de perto pelas duas Ferraris. O espanhol tratou de fazer várias voltas rápidas, mas nem assim conseguia abrir uma boa diferença para os carros vermelhos, que estavam longe da posição de atacar Alonso. A corrida, pelo menos nas primeiras posições, fica bem estática. Dez anos atrás havia a brincadeira de se saber quem era o piloto mais leve nas primeiras posições e quando Alonso parou ainda na volta 10, todos perceberam do ritmo forte do espanhol, mas as Ferraris pararam nas voltas seguintes, primeiro Massa, depois Schumacher. O alemão voltou à pista colado em Alonso, enquanto Massa deu azar de ficar atrás do sempre complicado de ultrapassar Trulli. Após a primeira rodada de paradas, as posições eram as mesmas e o momento mais emocionante da corrida era a tríplice briga entre Villeneuve, Fisichella e Montoya, com todos esperando para ver qual seria a reação de Fisichella com Villeneuve, vinte e quatro horas depois dos dois terem se estranhado na classificação. Button teve um triste abandono com o motor quebrado, enquanto a corrida se encaminhava para a sua hora da verdade: a segunda rodada de paradas.

Muito se reclamou que Schumacher só ultrapassava nos boxes na carreira, mas a verdade foi que poucos realizaram o trabalho do alemão em seus áureos tempos de Ferrari. As mesmas duas voltas de diferença entre as paradas de Schumacher e Alonso se repetiram na segunda rodada de pit-stops. Enquanto o espanhol fazia sua parada, Schumacher voava na pista. Combinando isso com um belo trabalho da Ferrari, o alemão saiu dos boxes um pouco à frente de Alonso, para delírio da torcida alemã, que lotou Nürburgring naquele dia. Como havia acontecido na primeira parada, Raikkonen esticou ao máximo sua parada, mas o finlandês voltou à pista mesmo em quarto. Na briga entre Villeneuve e Fisichella, melhor para o italiano, enquanto Montoya se atrasava e ficava atrás de Nico Rosberg. Contudo, Montoya teria o motor quebrado e o colombiano parecia pouco importar com o acontecido. Sem a presença incômoda de Villeneuve, Fisichella tentou um ataque em cima de Barrichello pela quinta posição, se aproveitando do abandono de Ralf Schumacher, mas quando o italiano da Renault encostou em Barrichello, faltavam poucas voltas e não foi possível a ultrapassagem. Kimi tentou um ataque final em Massa, que passou boa parte da prova sozinho. Felipe já vinha sendo questionado e precisava urgentemente de um bom resultado e ele veio, segurando sem maiores dramas Raikkonen, garantindo seu primeiro pódio na F1. A corrida foi bastante tática e sem emoções. Schumacher fez uma prova sem erros e manteve Alonso 3s atrás praticamente em todas as voltas finais. Com a pressão de Raikkonen, Massa acabou encostando em Alonso, fazendo com que os quatro primeiros terminassem a prova separados por apenas 5s. No campeonato, Alonso ainda tinha treze pontos de vantagem sobre Schumacher, mas com duas vitórias seguidas, não era nada bom descartar o alemão da briga pelo título.

Chegada:
1) M.Schumacher
2) Alonso
3) Massa
4) Raikkonen
5) Barrichello
6) Fisichella
7) Rosberg
8) Villeneuve 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

História: 20 anos do Grande Prêmio de San Marino de 1996

A Itália se preparou para receber seu novo herói vinte anos atrás. Michael Schumacher, ou simples 'Schummy' para os italianos, já havia conquistado os tifosi, apesar de uma pequena resistência inicial, por Michael ter substituído o ídolo Jean Alesi, mesmo o francês só contar com uma vitória em seis anos de Ferrari. Apesar de toda a festa ferrarista, a realidade mostrava uma Williams muito forte, tendo conquistado todas as quatro vitórias em 1996, sendo três com Hill e uma com Villeneuve, mostrando seu valor ao derrotar Schumacher no quintal do alemão, em Nürburgring, na corrida anterior.

O público italiano lotou as arquibancadas do Autodromo Enzo e Dino Ferrari com suas bandeiras vermelhas, esperando que Schumacher tirasse outro coelho da cartola na casa da Ferrari. O alemão liderou a primeira metade do treino de classificação, quando Damon Hill saiu com o segundo jogo de pneus dele e ficou 0.3s à frente da Ferrari. Quando o cronômetro marcava um minuto para o fim da sessão, Schumacher tirou o coelho da cartola e ficou com uma emocionante pole, o que tornou ainda mais especial quando a Ferrari do alemão quebrou algumas curvas após a sua melhor volta e Schumacher deu uma volta inteira no lado de fora de um carro da organização, para delírio da torcida. Villeneuve finalmente estava numa pista em que conhecia dos seus tempos de F3 Italiana e garantiu o terceiro lugar, mas que poderia ser ainda melhor se não fosse um erro do canadense em sua última volta rápida. Coulthard usou uma versão melhorada do motor Mercedes para ficar em quarto, enquanto Hakkinen era apenas 11º, já a Benetton ficou na média de 1996, com Berger e Alesi em quinto e sétimo, respectivamente, sendo separados por Irvine. Na parte de trás, finalmente a Forti Corse estrearia seu novo carro, quando Luca Badoer finalmente conseguiu um tempo dentro do limite de 107%  do tempo do pole.

Grid:
1) Schumacher (Ferrari) - 1:26.890
2) Hill (Williams) - 1:27.105
3) Villeneuve (Williams) - 1:27.220
4) Coulthard (McLaren) - 1:27.688
5) Alesi (Benetton) - 1:28.009
6) Irvine (Ferrari) - 1:28.205
7) Berger (Benetton) - 1:28.336
8) Salo (Tyrrell) - 1;28.423
9) Barrichello (Jordan) - 1:28.632
10) Frentzen (Sauber) - 1:28.785

O dia 5 de maio de 1996 estava ensolarado em Ímola, num dia perfeito para uma corrida de F1. Na volta de apresentação, Schumacher ficou longe do resto dos carros para evitar ficar muito tempo parado no grid. A torcida em peso torcia para uma largada relâmpago de Schumacher, mas foi Hill quem largou melhor na primeira fila no apagar das luzes vermelhas e ficou no meio da pista, enquanto Schumacher procurava o melhor local para tangenciar a primeira curva. Tudo parecia bom para Hill, até que Coulthard, numa largada impressionante, foi por fora da chicane Tamburello e tomou a ponta. Nesse mesmo local Villeneuve praticamente acabou sua corrida. Largando muito mal, o canadense acabou tendo um pneu furado ao passar por cima da asa dianteira de Alesi, fazendo com que Villeneuve procurasse os boxes ao final da primeira volta, caindo para último. Quem se aproveitou dessa confusão foi Mika Salo, que pulou de oitavo para quarto, seguido por Berger e Barrichello.

Com Salo servindo de tampão, os três primeiros colocados cruzaram na frente com alguma vantagem, mesmo sendo claro que Coulthard não tinha ritmo para andar na frente de Williams e Ferrari. Logo na terceira volta, para delírio do público em Ímola, essa ordem mudou quando Schumacher ultrapassou Hill na primeira chicane, com o alemão indo imediatamente para cima de Coulthard. O ritmo de Hill não era bom no começo da prova, mas Coulthard já tinha mostrado que era muito difícil de se ultrapassar e segurou Schumacher o primeiro stint de corrida, fazendo com que o alemão ficasse nas vistas de Hill. A corrida fica estática até a primeira rodada de paradas. Coulthard parou primeiro e numa volta voadora, Schumacher fez sua parada no giro seguinte e mesmo a Ferrari fazendo o pit-stop mais lento do que a McLaren, o alemão ainda passou na frente de Coulthard. Com pista livre, Schumacher tratou de abrir do escocês da McLaren. Porém, Hill permanecia na pista e andando muito rápido. A boa corrida de Salo chega ao fim na volta 23 com o motor quebrado, enquanto Alesi é penalizado por excesso de velocidade nos pits e perde ainda mais terreno, fazendo com que seu ano na Benetton ficasse ainda pior.

Quando faltavam três voltas para a metade da corrida, Damon Hill ainda não havia parado e tudo levava a crer que o inglês só faria um pit-stop. Ledo engano. Hill parou na volta 30 e com um pit-stop de apenas 7.5s, significava que pouco combustível tinha sido colocado na Williams do inglês, porém o pouco tempo perdido fez Damon sair dos pits na frente de Schumacher, para desgosto dos tifosi. Hill e Schumacher estavam separados por 1.5s, numa perseguição implacável do alemão. Ainda na volta 40, Schumacher fez sua segunda e última parada. O mecânico da Ferrari que segurava a mangueira se machucou, atrasando um pouco o alemão. Quando Coulthard teve sua bela corrida arruinada por causa de um problema hidráulico, Schumacher era segundo, mas 34s atrás de Hill. Para piorar as coisas, o alemão da Ferrari foi atrapalhado pela briga entre Hakkinen e Diniz, o que acabou ocasionando uma penalização para ambos. 

Faltando doze voltas para o fim, Hill fez sua parada e retornou à pista confortáveis 22s na frente de Schumacher, que por sua vez tinha uma tranquila vantagem sobre o terceiro colocado Gerhard Berger, que fazia uma corrida praticamente anônima, mas garantindo um pódio numa conturbada temporada para a atual campeã de construtores, a Benetton. Villeneuve havia feito uma boa corrida de recuperação, mas o canadense acabou tendo a suspensão quebrada no final da corrida, ainda pelo toque em Alesi na largada, e abandonou quando vinha em quinto. Hill recebeu a bandeirada tranquilamente na frente. O mesmo não podia dizer de Schumacher. A roda traseira direita da Ferrari travou no meio da última volta e Schumacher teve que fazer a metade da volta derradeira com seu carro envolto numa fumaça branca e sua roda totalmente travada. Para sorte do alemão, a vantagem sobre Berger era o suficiente para ele cruzar em segundo e logo depois Michael estacionar o seu carro. Os tifosi correram em delírio para dentro da pista, causando um grande perigo para os demais pilotos, mas no fim, tudo deu certo. Mesmo com Hill conseguindo a quarta vitória em cinco corridas em 1996, o final da corrida em Ímola teve muita festa para a Ferrari e Michael Schumacher.

Chegada:
1) Hill
2) Schumacher
3) Berger
4) Irvine
5) Barrichello
6) Alesi