terça-feira, 12 de julho de 2016

JP III

Muitos pilotos foram considerados muito rápidos e por isso, passaram vários anos na F1, mesmo que sem vitórias. Esse foi o caso de Jean Pierre Jarier. Esses francês de enorme sucesso na F2 foi o terceiro Jean-Pierre que surgiu na F1 nos anos 1970 e assim como seus xarás Beltoise e Jabouille, Jarier deixou sua marca na F1, mesmo nunca tendo corrida regularmente em equipes grandes e não ter vencido sequer uma corrida. Completando 70 anos de idade, vamos conhecer um pouco da carreira desse francês.

Jean-Pierre Jacques Paul Jarier nasceu no dia 10 de julho de 1946, na pequena vila de Charenton, próximo à Paris. Tendo crescido numa França se reconstruindo após a guerra, Jarier começou a correr relativamente tarde, participando de suas primeiras corridas na Copa Gordini em 1967, competindo em duas temporadas com algum sucesso, chamando a atenção do seu xará, Jean Pierre Beltoise, que passou a apoia-lo. Já consolidado nas categorias de monopostos, Beltoise convence Jarier trocar os carros de turismo pelas categorias de Formula, partindo para a F-France em 1969, mas JP Jarier fica só um ano na categoria de base, se graduando para a F3 Francesa em 1970, correndo pela famosa equipe Tecno, obtendo um promissor terceiro lugar no campeonato. Com apoio de Beltoise, Jarier gradua-se para o conceituado Campeonato Europeu de F2 em 1971, na equipe oficial da March, obtendo dois pódios em Albi e Madunina. O talento de Jarier era tão evidente que o francês participa de sua primeira corrida de F1 ainda em 1971, no Grande Prêmio da Itália, com um March alugado.

Mesmo com esse grande desempenho nos seus primeiros anos no automobilismo de alto nível, Jarier tem problemas financeiros e não participa de nenhuma corrida de monoposto em 1972, mas é contratado pela Ferrari para o Mundial de Marcas e Jarier venceu uma prova em Watkins Glen. Para 1973, o francês retorna aos monopostos, novamente contratado pela March, onde Jarier participaria da F1 e da F2. Se na F1 a March tinha um equipamento defasado e Jarier não viu a bandeirada nenhuma vez, a maioria dos abandonos por problemas mecânicos, na F2 o francês destruiu a concorrência, com oito vitórias e o título europeu da categoria em 1973. Jarier passa a ser a nova sensação do automobilismo gaulês e algumas equipes passam a disputar o passe o francês para 1974. Já tendo um relacionamento anterior com a Ferrari, Jarier é cogitado para correr com os italianos, mas o francês acaba vetado de última hora e Enzo Ferrari contrata outro piloto jovem, mas não tão promissor (pelo menos no cenário do final de 1973...) quanto Jarier: Niki Lauda. Esse foi o momento em que Jarier mais esteve próximo de uma equipe grande e talvez por isso, a carreira do francês entraria numa crise. Sem chance na Ferrari, Jarier consegue um lugar na equipe americana Shadow em 1974, um time bastante promissor, mas com muito que fazer para se tornar competitiva.

Porém, a velocidade de Jarier ficava evidente quando o modelo DN3 estreou na fase europeia do campeonato. Na primeira vez que viu a bandeirada na F1, Jarier logo conseguiu um surpreendente pódio em Mônaco, pista conhecida em que o talento de um piloto poderia florescer. Jarier marcaria mais dois pontos na prova seguinte na Espanha, mas não chegaria mais entre os seis primeiros até o fim de 1974, porém, o francês dava o recado que tinha chegado na F1 para ficar. O novo Shadow DN5 negro foi a grande sensação do início da temporada 1975 e Jarier teve seu melhor momento na F1. O francês marca sua primeira pole na F1 na Argentina e abandonou quando liderava. Havia uma grande expectativa de quem seria o primeiro piloto a fazer a famosa curva um de Interlagos de pé embaixo. Torcedores ficavam acampados próximo ao local, com o ouvido em pé, esperando se alguém faria a curva sem aliviar o acelerador. Durante os treinos para o Grande Prêmio do Brasil de 1975, Jarier teria sido o primeiro a conseguir essa façanha, além de conquistar sua segunda pole na F1. Jean Pierre larga bem, dispara na frente e tinha tudo para vencer sua primeira corrida na F1. A realidade era que Jarier estava imbatível em Interlagos naquela tarde, mas em segundo lugar vinha José Carlos Pace e toda vez que Jarier passava na frente das arquibancadas, o publico berrava: Quebra, quebra, quebra! E infelizmente para Jarier, a ‘torcida’ deu certo e o francês teve que abandonar com problemas de superaquecimento já no final da prova, possibilitando uma famosa e emocionante dobradinha brasileira em Interlagos, com Pace e Emerson Fittipaldi.

A Shadow tentava dar um passo à frente e se tornar uma equipe grande, mas isso acabaria com a própria equipe. Usando Jarier como chamariz, já que o francês corria com sucesso pela Matra no Mundial de Marcas, a Shadow tentou uma parceria com a montadora francesa, onde se utilizaria o famoso motor Matra, mas isso tirou o foco da equipe e quase que imediatamente os resultados da equipe e de Jarier decaíram dramaticamente. O francês conseguiria alguns bons resultados no grid ao longo de 1975, mas só pontuaria uma única vez, com um quarto lugar na Espanha. Jarier estrearia o motor Matra em Monza, mas o resultado não é o esperado. O francês permanece mais um ano na Shadow, mas o belo carro negro não faria o mesmo efeito de 1975. A primeira corrida de 1976 ainda trás esperança, com Jarier largando em terceiro e estava nessa mesma posição quando escorregou no óleo do segundo colocado Hunt. Contudo o resto da temporada foi de desilusão e Jarier não marcaria nenhum ponto até o final do ano. Desmotivado, Jarier sai da equipe Shadow e se transfere para a equipe ATS em 1977. O time alemão, capitaneado Gunter Schmidt, tinha comprado os espólios da Penske, que resolvera retornar aos Estados Unidos definitivamente. O time americano havia conquistado uma vitória em 1976 e com um bom carro, Jarier marca ponto logo na estreia da equipe, contudo, a falta de desenvolvimento do carro, além do noviciado da equipe faz com que esse fosse o único ponto da equipe e de Jarier no ano. O francês já parecia carta fora do baralho da F1 e Jarier dava bastante atenção ao Mundial de Marcas, onde se mantinha como um piloto vencedor. Em 1978, o francês dá mais atenção ao Mundial de Marcas do que a F1, onde tentou classificar o novo carro, agora de construção própria, da ATS. Contudo, um convite indesejado daria uma sobrevida à Jarier na F1.

Na largada do Grande Prêmio da Itália de 1978, um grande acidente acaba vitimando Ronnie Peterson. A Lotus havia dominado a F1 como poucas vezes tinha sido visto e a equipe precisava de um substituto para as duas últimas provas do campeonato. Sem muitas opções no mercado, Chapman convida Jarier e o francês consegue ótimas exibições com o carro. Em Watkins Glen, Jarier vinha em terceiro quando ficou sem combustível já no final da prova. Na corrida seguinte o francês faria ainda melhor, conquistando sua terceira e última pole na F1. Jarier liderou a corrida praticamente inteira, mas um vazamento de óleo acabou mais uma vez com o sonho de Jean Pierre vencer na F1. Porém, esses resultados convenceram os chefes de equipe que Jarier ainda podia ser o piloto rápido do começo da carreira e com isso, o francês conseguiu um contrato com a Tyrrell em 1979. O projetista Maurice Philippe tinha participado do projeto Lotus 79 e contratado pela Tyrrell, fez uma cópia fiel do carro dominador do ano anterior. Com um carro decente nas mãos, mas sem ser vencedor, pois todos os times agora utilizavam os carros-asa, Jarier teria o seu melhor ano na F1, incluindo dois pódios (Inglaterra e África do Sul), além de pontos que lhe garantiram a 11º posição no Mundial de Pilotos. Mesmo com as vitórias no Mundial de Marcas e a velocidade do francês, esse seria o melhor resultado de Jean Pierre Jarier na F1.

Jarier permaneceria outro ano na Tyrrell em 1980, mas praticamente com o mesmo carro do ano anterior e poucos recursos financeiros, o francês faria uma temporada regular, onde pontuaria apenas três vezes no ano. Em 1981 Jarier substituiria seu xará Jabouille na Ligier, enquanto o compatriota se recuperava das fraturas nas pernas, sofrida no ano anterior em Montreal. Jarier entraria numa polêmica em Jacarepaguá, quando tem que ceder, à contragosto, a sua posição para Jacques Laffite. Jarier sai do carro uma fera e briga com Guy Ligier, que imediatamente o dispensa. Mesmo quando Jabouille se aposentou no meio de 1981, Ligier não contrata mais Jarier, que tem que se conformar com a Osella, o pior carro do grid. O francês sofreria com o carro pesado, lento e sem desenvolvimento da Osella, mas seria com o carro italiano que Jarier marcaria seus últimos pontos na F1, com um quarto lugar no esvaziado Grande Prêmio de San Marino de 1982. Jarier retornaria, agora como titular, à Ligier em 1983 e faria seu último show em Long Beach. A Ligier estava com problemas financeiros e era uma das poucas equipes com motores Cosworth, mas no apertado circuito de rua californiano, os carros com motores aspirados teriam uma chance. Largando em nono, Jarier chegou a brigar no primeiro pelotão, mas um toque em Keke Rosberg acabou com a corrida do francês, que teria vários problemas até o final da temporada, onde se aposentaria da F1 na corrida derradeira de 1983. Jean Pierre Jarier participou de 134 Grandes Prêmios, marcou três poles, três voltas mais rápidas, três pódios e 31,5 pontos conquistados.

Piloto extremamente rápido, Jarier teve suas glórias no Mundial de Marcas, onde conquistou várias vitórias, mas não há como negar que ele ficou abaixo do esperado na F1. Após sua aposentadoria na F1, Jarier ficou correndo praticamente toda a década de 1980 e 1990 em provas GT, ganhando a famosa 24 Horas de Spa em 1993, ao lado de Christian Fittipaldi e Uwe Alzen, além de títulos franceses em 1998 e 1999. Jarier também se tornou dublê em cenas de alta velocidade, particularmente no filme Ronin. Rápido e dono de uma tocada forte, Jarier chamou atenção de quem o viu correr, apesar dos resultados não terem falado pela velocidade que tinha.

Parabéns!
Jean Pierre Jarier

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Figura(ING): Lewis Hamilton

Quando Nigel Mansell vencia na Inglaterra, era garantia de festa depois da corrida. Nigel dizia que correr na frente de sua torcida lhe garantia 1s mais rápido do que o normal. Pois Hamilton demonstrou mais uma vez que correr em sua casa lhe faz muito bem e se sentindo extremamente confortável em Silverstone, pista que conhece muito bem desde sempre, o piloto da Mercedes esteve simplesmente imparável nesse final de semana, com um domínio absurdo sobre os rivais. Hamilton foi o mais rápido em todos os treinos livres e nas três partes da classificação, conseguindo uma pole arrebatadora. Mesmo temendo a chuva, única chance de embaralhar o grid, Hamilton usou seu talento em piso molhado e dominou a prova a seu bel prazer, vencendo praticamente de ponta a ponta e com a quarta vitória em Silverstone, se tornou o britânico com mais vitórias no mítico circuito inglês, além de igualar dois recordes históricos. Com o triunfo desse domingo, Hamilton se igualou à Mansell como o britânico a vencer mais vezes o Grande Prêmio local e como Lewis venceu pela terceira vez consecutiva, o inglês simplesmente se igualou à Jim Clark. Olhando para o presente, essa quarta vitória em 2016 significou que Hamilton está apenas um ponto atrás de Nico Rosberg na classificação, quando dois meses atrás, o alemão já pensava em administrar sua enorme vantagem sobre o companheiro de equipe. Lewis Hamilton ainda está na vice-liderança, mas nos braços do povo e guiando o fino, o inglês pode assumir a liderança rapidamente e partir para outro triunfo de número quatro. O tetracampeonato mundial.

Figurão(ING): FIA

Nos últimos tempos, há uma corrente nas Redes Sociais de um saudosismo que as vezes não é muito justo com a F1 atual. Para muita gente, a F1 de antigamente era 100% melhor do que a atualidade, o que nem sempre é verdade. Porém, algumas coisas da atualidade fazem com que essas pessoas irem, com razão, a qualquer Rede Social descarregar sua raiva da F1 atual. A recente morte de Jules Bianchi ter acontecido em circunstâncias muito molhadas pode ter deixado a FIA extremamente cautelosa com essa condição, mas o que vimos neste domingo em Silverstone beirou o ridículo. Uma pancada de chuva minutos antes da largada fez com que a FIA escolhesse que a largada acontecesse atrás do Safety-car, algo que vem se tornando uma triste recorrência nos últimos anos. Afinal, correr na chuva sempre fez parte do DNA da F1 e os melhores pilotos do mundo tem totais condições de andar numa pista encharcada em alguns locais, mas já fazia sol no momento da largada. Contudo, daremos o desconto de que praticamente não se correu com pista molhada em Silverstone e os pilotos talvez não conhecessem os locais mais propícios a terem poças d'água. Mas cinco voltas atrás do Mercedão soou um exagero, a ponto de quando a pista foi liberada, o asfalto já permitia o uso de pneus intermediários e o tiro da FIA saiu pela culatra, pois se o Safety-car, como diz o próprio nome do carro, serve para aumentar a segurança, as cinco voltas com a pista neutralizada criou vários atos inseguros dentro do pit-lane, pois vários carros entraram ao mesmo tempo nos boxes para colocar os pneus intermediários, quase causando vários acidentes enquanto os pilotos entravam e saíam dos seus pits. Entre mortos e feridos, sobreviveram todos, mas ficou a sensação ainda maior de que os pilotos da F1 atual são mimados e que a categoria está sem graça, incluindo, que está com medo de correr na chuva. Nas Redes Sociais, tome-se corridas antigas que começaram debaixo de chuva... 

domingo, 10 de julho de 2016

Empenado

Na perigosa pista do Texas, o promissor Josef Newgarden sofreu um acidente assustador, onde bateu no muro e ficou com a cabeça perigosamente próxima do muro. Porém, os problemas maiores estavam numa fratura da clavícula e na mão direita, incluindo uma delicada operação. Newgarden voltou incrivelmente rápido, participando já da etapa seguinte, em Road America.

Chegando em Iowa, menos de um mês depois do infortúnio no Texas, Newgarden conseguiu a primeira fila do grid, superado pelo impressionante Simon Pagenaud. Após a classificação, o piloto da CFH relatou que ainda não está 100% com relação às suas fraturas, mas tentaria fazer o seu melhor. E o melhor de Newgarden foi incrível. O americano não liderou de ponta a ponta, mas por 282 das 300 voltas do oval curto de Iowa, Josef liderou de forma impressionante. Até a primeira bandeira amarela, causada por uma espetacular quebra do motor de Ryan Hunter-Reay, Newgarden já tinha colocado uma volta no terceiro colocado Helio Castroneves. E o americano estava bem mais rápido do que o segundo colocado Pagenaud!

As estratégias das equipes diminuíram um pouco da varrida (expressão muito usada nos esportes americanos) que Josef Newgarden deu nos adversários, sejam eles que fossem. Will Power cresceu no final e ficou em segundo, seguido por Scott Dixon e o cada vez mais líder do campeonato, Simon Pagenaud. Castroneves entrou nos boxes na hora errada e perdeu duas voltas, além da vice-liderança.

Newgarden é jovem, americano e carismático. Todos os requisitos para se tornar uma futura estrela da Indy, não sei até o momento porque nenhuma equipe grande (leia-se Penske, Ganassi ou Andretti) o contratou ainda, pois com a excepcional exibição de hoje, Josef Newgarden merece um melhor equipamento nas suas (quando estiverem 100%) habilidosas mãos. 

Não falta emoção

Décima etapa do campeonato 2016. Nona vitória da Mercedes, sendo mais uma dobradinha. O certame desse ano está tão chato quanto a regular temporada 2014 e o porre do ano passado? Nada disso! Próximo a metade do campeonato, a F1 vem mostrando até agora corridas excelentes e mesmo com a Mercedes continuando a dominar, as corridas vem sendo muito boas até esse momento e o campeonato cada vez mais acirrado, com Hamilton vencendo pela quarta vez em Silverstone e transformando a enorme diferença que Rosberg tinha no campeonato numa exígua vantagem de quatro pontos à favor do alemão. E chegando à metade do ano, a F1 vai ganhando uma estrela: Max Verstappen. O holandês fez outra baita corrida, protagonizando com Rosberg uma das melhores disputas do ano, valendo o segundo lugar e se Nico ganhou, foi mais por estar de Mercedes do que por outro motivo.

O Grande Prêmio da Inglaterra começou de forma bizarra, começando pela histórica presepada da repórter da Globo, Mariana Becker, na minha opinião bastante fraquinha, deixando vazar no ar que ia fazer xixi (Risos eternos). Porém, o que incomodou mesmo foi o safety-car na largada. Os nostálgicos adoram rasgar a seda do passado, dizendo que a F1 era bem melhor em outros tempos e que o agora não presta, sendo que muitas vezes esses mesmos nostálgicos utilizam de memória seletiva, como já falei algumas aqui. Porém, a própria F1 dá armas para essas pessoas falarem mal da categoria e preferirem os chamados 'bons tempos'. Para que cinco voltas atrás do safety-car? A pista estava muio molhada? Os pneus Pirelli de chuva extrema estava montado nos carros, além do mais, havia sol forte na hora da largada e a visibilidade não seria um grande problema. E tome lembranças de grandes corridas em Silverstone que começaram com muita chuva no passado... Quando o Mercedão foi para os boxes, a pista já estava mais para os pneus intermediários e rapidamente todos procuraram os boxes, fazendo com que não houvessem muitas mudanças entre os líderes. Hamilton liderava à frente de Rosberg e Verstappen, enquanto Pérez deu o pulo do gato e subiu para quarto, à frente de Ricciardo e Raikkonen. Porém, a pista secava ainda mais e os pilotos logo procuraram os pits para colocar pneus slicks. Para não pararem mais, todos os pilotos colocaram os pneus duros, mesmo a Pirelli solicitando que fossem dado no máximo 28 voltas com esse pneu por motivo de segurança, mas ainda faltavam muito mais do que isso. Com pneu para chuva extrema, intermediário ou pneu duro, Lewis Hamilton não foi incomodado em nenhum momento e tirando a saída de pista (onde a maioria do pelotão o fez) na traiçoeira curva um, o inglês foi absoluto durante toda a corrida, vencendo praticamente de ponta a ponta, fazendo Silverstone reviver os tempos de Nigel Mansell com uma grande festa. Hamilton quase deu uma de Helio Castroneves (Luís Roberto disse que Senna fazia isso. Se o fez, estejam à vontade para me corrigir, mas sinceramente não me lembro) e foi bem próximo da torcida enquanto vibrava. Lewis tem muito o que comemorar. Foi a sua quarta vitória em Silverstone, se tornando o britânico mais vitorioso na mítica pista inglesa, já que Mansell venceu uma de suas provas na Inglaterra em Brands Hatch. Hamilton também se igualou ao não menos mitológico Jim Clark com três vitórias seguidas em casa. E se após a quarta etapa Rosberg parecia ter uma vantagem inexpugnável, na metade do campeonato Hamilton tem apenas quatro pontos de desvantagem para o rival da Mercedes, com Lewis agora na crista da onda.

E o resultado poderia ter sido muito pior para Rosberg. Max Verstappen deu um show nas condições mistas de Silverstone e poderia (e merecia) muito bem ter ficado com o segundo lugar. O holandês fez uma belíssima ultrapassagem por fora em Rosberg na Becketts e estava tão rápido quanto Hamilton com pneus intermediários. Com slicks, Rosberg cresceu de rendimento e partiu para cima do piloto da Red Bull, mas se em outros tempos o motorzão Mercedes engoliria a Red Bull, esse ano a Renault está bem melhor e Verstappen, com sua pilotagem agressiva, vendeu bem caro a ultrapassagem, com Rosberg efetivando a manobra já no final da prova, para levar um grande susto no final, quando o seu câmbio ficou travado na sétima marcha e como recebeu instruções da Mercedes, Nico ainda estava sob investigação. Após a manobra bruta na Áustria, Rosberg não teve a mínima chance de sequer encostar em Hamilton e com o inglês cada vez mais forte, não será surpresa Nico perder a liderança do campeonato já na próxima etapa, na Hungria. O que seria outro forte golpe em Rosberg. Vendo hoje, a polêmica troca que Helmut Marko bancou entre Max Verstappen e Daniil Kvyat vem se mostrando muito mais do que uma aposta, mas uma enorme premonição do austríaco. Verstappen vem, literalmente, levantando a galera com sua pilotagem agressiva e, melhor nos dias de hoje, sem comprometer os pneus. O holandês brigou de igual para igual com a Mercedes de Nico Rosberg em condições mutáveis e difíceis. Foi outra grande pilotagem de Verstappen, que vem deixando Ricciardo cada dia menos sorridente. Se com Kvyat o australiano era absoluto dentro da Red Bull, hoje é uma mera sombra do jovem companheiro de equipe. Ricciardo foi suplantado sem dó, nem piedade por Verstappen em todos o final de semana. Após ultrapassar Pérez, Ricciardo mal apareceu na corrida, ficando num solitário quarto lugar.

Se amanhã a Ferrari ainda vier dizendo que acredita no título, é melhor mandar internar seus chefes. Já dá para cravar que a Ferrari perdeu o posto de primeira perseguidora da Mercedes para a Red Bull, enquanto Raikkonen fazia outra corrida correta para terminar em quinto, mesmo posição em que largou, numa ultrapassagem nas últimas voltas em cima de Pérez. Já Vettel esteve irreconhecível. Mesmo correndo em piso molhado, onde é reconhecidamente um dos melhores, o alemão não esteve no nível sequer de Raikkonen, saindo da pista várias vezes e se o finlandês ultrapassou de forma justa Pérez, Vettel precisou jogar o carro em cima de Massa para terminar a ultrapassagem que lhe deu apenas a nona posição. Muito pouco para quem falava em brigar pelo título. A Ferrari terá que mirar em 2017, sendo que cabeças poderão rolar até lá. Sergio Pérez fez outra ótima corrida, se aproveitando das condições confusas do início da corrida para pular para quarto, superando Ricciardo e Raikkonen, porém, o mexicano vendeu caro as ultrapassagens e o sexto lugar mostra que o mexicano volta a se credenciar a futuro piloto de equipe de ponta, algo que Hulkenberg um dia esteve nessa situação, mas as seguidas surras que vem levando de Pérez já não deixa mais transparecer. Sainz e Kvyat marcaram pontos com a Toro Rosso, sendo que o russo finalmente conseguiu algum ponto com a nova equipe, porém, novamente atrás do jovem companheiro de equipe.

Assim como a Ferrari, a Williams falava grosso no começo de 2016 e novamente a tradicional equipe inglesa ficou fora dos pontos, em outra prova bem abaixo da expectativa. Mesmo numa pista veloz, a crônica falta de desempenho da Williams em piso molhado se fez presente novamente e Massa ainda foi um dos poucos que pararam três vezes. Assim como Hulkenberg, Bottas vem numa fase menos boa e se o finlandês ainda sonha com um posto numa equipe que brigue por vitória, está passando da hora de melhorar seu desempenho. Mesmo largando bem na frente de Massa e fazendo uma parada a menos, Bottas terminou atrás do companheiro de equipe. Alonso batalhou bastante, passou a maior parte da corrida na zona de pontos, mas sua espetacular rodada fez com que o espanhol fizesse uma terceira parada, o tirando da zona de pontos, enquanto Button, com sua pilotagem limpa e suave, ainda mais em condições difíceis, novamente terminou outra corrida, quietamente, na frente de Alonso. Nasr chegou a aparecer em quinto, mas a mediocridade do seu carro derrubou dez posições, mas já dá para perceber uma evolução do brasileiro na claudicante Sauber. A Renault só apareceu quando liberaram Palmer com apenas três pneus numa das paradas. A equipe francesa está rezando para 2016 terminar logo e a preparação para 2017 já deve estar ocupando bem mais as mentes em Enstone do que o péssimo 2016. Após os milagrosos pontos na Áustria, Wehrlein foi um dos primeiros a rodar e abandonar em Silverstone, sendo seguido por Haryanto.

A corrida começou de forma chata e irritante, pois se o safety-car estava na pista por segurança, causou foi um ato ainda mais inseguro, pois a pista melhorou e vários carros foram aos boxes colocar os pneus intermediários, fazendo com que vários acidentes quase acontecessem dentro do pit-lane. Porém, o show ficou por conta de Lewis Hamilton, que dominou a seu bel-prazer sua corrida caseira, enquanto mais atrás, Rosberg e Verstappen batalhavam lindamente pela segunda posição. Foi uma corrida para ficar na frente da TV (sem tempo de ir fazer xixi...) com gosto, enquanto o campeonato fica cada vez mais acirrado. O domínio da Mercedes continua, mas não falta emoção!

sábado, 9 de julho de 2016

Detalhes

A classificação do Grande Prêmio da Inglaterra foi um jogo de cartas marcadas, onde estava claro desde o início que Hamilton ficaria com a pole, com Rosberg ao seu lado, com os dois carros da Red Bull na segunda fila, com os dois carros da Ferrari na terceira, apesar de que, mais uma vez, um câmbio quebrado custará cinco posições à Vettel, que largará em 11º amanhã.

Prestei mais atenção em outros detalhes. Olhei além das três grandes equipes e vi um Carlos Sainz cada vez mais maduro e se a Ferrari renovou com Raikkonen para 2017, pode pensar no jovem espanhol em 2018, já que a Red Bull manterá seus dois pilotos nas próximas duas temporadas. A 'briga' com Max Verstappen parece ter levado Sainz a um nível melhor e mesmo com um motor Ferrari 2015, o piloto da Toro Rosso vem fazendo uma temporada muito sólida, enterrando ainda mais a carreira de Kvyat, que não consegue acompanhar Carlos. Após um 2015 esquecível, finalmente a parceria McLaren-Honda vai evoluindo e Alonso está passando ao Q3 com relativa constância, não sendo mais algo circunstancial. Button ficou no Q1 numa opção da McLaren em mantê-lo nos boxes quando era nítido que o inglês tinha que estar na pista. Após uma confusão para saber se o tempo de Magnussen seria ou não anulado, Button ficou mesmo de fora e acho que ele estará de fora da McLaren também em 2017. Além da aposentadoria, Button tem a opção de encerrar a carreira onde começou, na Williams. Se Bottas fez o que dele se esperava, a recente má fase de Massa pode ser um indicador que o brasileiro não está nos planos da equipe em 2017, fazendo com que o brasileiro possa estar se aposentando da F1 ou indo para a Renault. Olhando pro agora, seria um suicídio profissional ir para os carros amarelos agora, mas essa era a sensação quando Massa foi para a Williams em 2014 e o brasileiro, além da própria equipe, surpreenderam. Isso pode voltar a acontecer com a Renault ano que vem. Por último, a maré da Sauber está tão ruim, que não basta ser superada pela Manor, mas também ver Marcus Ericsson bater forte no terceiro treino livre e se o sueco não baixasse hospital, provavelmente Ericsson ficaria de fora de qualquer maneira, pois a Sauber não teria peças de reposição em Silverstone...

A anulação do primeiro tempo marcado por Hamilton no Q3 apenas forçou o inglês a melhorar ainda mais seu tempo, superando a sua pole de 2013, quando a F1 corria com motores V8. Hamilton só tem a temer o céu carrancudo de Silverstone, que pode trazer chuva amanhã e embaralhar um pouco as coisas para amanhã.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Que pena...

Um dos icônicos chefes de equipe da Indy, ao lado de Roger Penske, Pat Patrick e Chip Ganassi, Carl Haas nos deixou no último dia 29. Apesar da longa história no automobilismo americano, incluindo Can-Am e até uma breve passagem pela F1, a imagem que sempre terei de Carl Haas é dele sentado no pit-wall da equipe Newman-Haas, comandando a equipe com seu inseparável charuto no auge da Indy. Chefe de equipe vitorioso, Carl Haas teve uma longa associação com Paul Newman, donde surgiu a famosa equipe Newman-Haas, com o qual Mario e Michael Andretti enfrentou o poderio da Penske de Rick Mears e Emerson Fittipaldi, além de Al Unser Jr e Bobby Rahal, nos tempos áureos da Indy. Aos 86 anos de idade, Carl Haas morreu há alguns dias, mas só hoje a família divulgou. Uma pena...