sábado, 12 de novembro de 2016

Mais uma disputa particular

A falta de carisma de um e a falta de graça de outro faz com que a disputa para ver quem será o campeão de 2016 seja um pouco agridoce. Nico Rosberg (sem carisma) está correndo com o regulamento debaixo do braço, pois nas duas corridas que restam, o alemão nem precisa ser segundo colocado em todas, algo que com o carro que tem, facilita ainda mais a vida de Rosberg. Tudo o que Lewis Hamilton (sem graça) tem que fazer é vencer as corridas que restam e simplesmente secar seu rival. Na classificação de hoje, Hamilton fez seu papel e estará em primeiro amanhã à tarde, mas terá ao seu lado Nico Rosberg. Também em seu papel para conseguir seu primeiro título.

Após algum tempo, a chuva voltou a assustar a F1 em Interlagos, mas na classificação ficou só no susto mesmo e a Mercedes ficou com mais uma dobradinha. Hamilton dominou na sexta, Rosberg liderou no terceiro treino livre, mas o inglês virou o jogo na classificação, sendo mais rápido do que o companheiro de equipe nas três partes da classificação, mas sempre com os dois pilotos da Mercedes muito próximos. O time comandado por Toto Wolff e Niki Lauda fez de tudo para que Rosberg e Hamilton disputassem na pista com as condições mais idênticas possíveis, resumidamente, que seja tudo decidido na pista. Porém, há uma espécie de falta de sal em ambos os pilotos que faz a decisão de 2016 um pouco non-sense, apesar do claro favoritismo de Hamilton na corrida e de Rosberg no campeonato. Na briga pelo resto, Kimi Raikkonen foi um surpreendente terceiro colocado, enquanto os brasileiros não fizeram valer o fator casa, ficando ambos abaixo das expectativas.

Num GP Brasil cheio de anúncios, a situação de Felipe Nasr não é das melhores, com o brasiliense mais uma vez tomando tempo de Marcus Ericsson e, pior, largando em último na frente de sua torcida e seus patrocinadores. Vinte anos atrás, Nasr seria uma espécie de Ricardo Rosset, que entrou e saiu da F1 sem ser notado. Mas a carência de brasileiros na F1 faz com que todos procurem qualidades em Nasr, mesmo os resultados não mostrando exatamente uma bela passagem do brasileiro na F1, num 2016 terrível para Felipe. Renault (Palmer), Force India (Ocon) e Haas (Magnussen) anunciaram seus pilotos nesse final de semana, com isso sobraram para Nasr as vagas na Sauber (onde está) e na Manor, os fecha-grid da F1 e que dificilmente irão mudar esse status em 2017. A Sauber ainda se recupera da crise econômica que passou e incrivelmente manterá Monisha Katelborn, responsável pela bancarrota da equipe, mesmo com a compra da escuderia por um grupo de investimento. Já a Manor tem uma ligação cada vez maior com a Mercedes, no qual Nasr não tem o mínimo contato. O futuro do Brasil na F1 é sombrio. Massa ficou de fora do Q3, mas ainda foi aplaudido pela torcida. Nos próximos tempos, a comparação com Rubens Barrichello e Felipe Massa aumentará bastante, mas o segundo tem uma boa vantagem no quesito aposentadoria. Enquanto Massa foi homenageado por toda a F1, passando até mesmo pela torcida que tanto o criticou em alguns momentos, Barrichello foi praticamente enxotado da F1 e por alguns anos, ainda tentou voltar forçando a barra.

Assim como Spa, Interlagos conta com a instabilidade climática para animar sua corrida e a expectativa para amanhã é de chuva. Quem ganha com isso é Hamilton, que hoje fez sua 60° pole na carreira, pois além de melhor piloto, fará com que Rosberg saía de sua zona de conforto, pois em condições normais, o alemão não teria muito trabalho para ficar com o título em corridas até mesmo burocráticas. Por isso, nessa disputa particular sem muitos arroubos de emoção, Nico Rosberg terá que olhar muito para o lado da represa amanhã...

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O doutor

Jonathan Palmer foi o típico caso de um piloto que não entregou tudo que dele se esperava, ainda mais sendo inglês, onde sempre há a torcida para que um compatriota seu se torne uma estrela na F1. Porém, se dentro das pistas Palmer não conseguiu grandes coisas, fora dela o inglês que recém completou 60 anos ganhou muito dinheiro e obteve um grande sucesso.

Jonathan Charles Palmer nasceu no dia 7 de novembro de 1956 em Lewishan, na Inglaterra, onde teve uma boa educação a ponto de ter se formado em medicina e ter trabalhado por algum tempo como médico em hospitais na Inglaterra. Enquanto estudava medicina, Palmer participava de corridas amadoras com sucesso, fazendo com que Jonathan abandonasse a promissora carreira de médico para se aventurar no automobilismo. Por causa de sua breve passagem na medicina, por algum tempo Palmer ficou conhecido como 'The Doctor'. Em 1979, já com 23 anos, Palmer entrou na F-Ford Inglesa e o inglês fez um bom papel, a ponto de ser contratado pela equipe de Dick Benett, a melhor da F3 Inglesa, em 1981. Mesmo ainda sendo um novato, Palmer dominou o campeonato e venceu o tradicional certame inglês com oito vitórias e sete poles. Isso fez levantar as sobrancelhas dos ingleses, ávidos em colocar bons pilotos na F1.

Ainda em 1982 Palmer conseguiu um primeiro teste com a Williams, onde logo se tornaria piloto de teste da equipe, enquanto estreava na F2 Europeia na equipe de fábrica da Ralt. Em ano de aprendizado, Palmer consegue um nono lugar no campeonato, tendo como melhor resultado um terceiro lugar em Donington Park. Mais preparado na F2, Palmer domina o campeonato e com seis vitórias, se sagrou campeão europeu de F2 em 1983. A Williams entrega à Palmer um terceiro carro no Grande Prêmio da Europa em Brands Hatch e o inglês, levando-se em conta as limitações dos motores aspirados na época e ter sido sua primeira corrida, consegue levar seu carro até o fim. Com o título da F2 debaixo do braço, Palmer esperava um bom lugar na F1 em 1984. Ledo engano. A Williams tinha contrato com Keke Rosberg e Jacques Laffite até o final de 1984 e Jonathan teria que se conformar com um contrato com a RAM, dona do pior carro do ano. Ao lado do atrapalhado Philippe Alliot, Palmer não largou nenhuma vez no top-20, viu a bandeirada apenas quatro vezes e não pontuou. Porém, se na F1 as coisas não foram muito felizes, no Mundial de Marcas Palmer conseguiu uma vitória nos 1000 km de Brands Hatch, ao lado de Jan Lammers. Na F1, Palmer sai da RAM e vai para uma equipe novata: a Zakspeed. O time alemão usou a experiência de Palmer em acertar carros dos tempos de piloto de testes da Williams, mas os resultados foram parcos em 1985, onde o time participou apenas de algumas corridas. 

A carismática Zakspeed novamente teria Palmer como único piloto em 1986, mas fazendo parte de todas as corridas, além de ter um segundo piloto em algumas provas, mas os resultados continuavam a não aparecer. Palmer teve que reviver seus dotes de médico no acidente que encerrou a carreira de Jacques Laffite em Brands Hatch, onde o inglês foi o primeiro que chegou ao carro do francês. Ainda bem cotado pelos títulos nas categorias de base e as boas corridas no Mundial de Marcas, Palmer chegou a negociar com a McLaren em 1987, mas o inglês acabou contratado pela Tyrrell, onde participaria de um campeonato a parte. Balestre queria acabar com os motores turbo e fazia isso de forma gradual, motivando equipes menores a abraçar os motores aspirados, criando até mesmo um campeonato a parte. A melhor equipe ficaria com o troféu Colin Chapman. O melhor piloto, com o troféu Jim Clark. Esse seria o melhor momento de Palmer na F1. A Tyrrell era claramente a melhor equipe com motores aspirados e por isso, Palmer disputou com seu companheiro de equipe Philippe Streiff o título simbólico. Contudo, Palmer fez mais e no cômputo geral, marcou seus primeiros pontos na F1 no Grande Prêmio de Mônaco, com um quinto lugar. Numa pista em que não favorecia os motores aspirados, Palmer levou a Tyrrell e um honroso quinto lugar em Hockenheim e na última etapa do ano, em Adelaide, Jonathan ficou em quarto lugar, garantindo para si o troféu Jim Clark como o melhor piloto com motores aspirados.

Palmer ficaria outro ano na Tyrrell, mas 1988 não seria tão brilhante como no ano anterior, mas o inglês ainda marcaria pontos onde o motor não era tão importante, como Mônaco e Detroit. Em seu último ano na F1, Palmer sofreria mais e mais com a falta de desempenho da Tyrrell, só conseguindo dois sextos lugares como melhor resultado. No Canadá, debaixo de muita chuva, Palmer marcaria sua única melhor volta na F1. Porém, o inglês seria totalmente ofuscado pelo furacão chamado Jean Alesi, que em sua primeira corrida de F1, conseguiu um quarto lugar com a Tyrrell. Ainda com 33 anos, Jonathan Palmer abandonou a F1 com 83 corridas, uma melhor volta e 14 pontos.

Palmer voltaria a ser piloto de testes, agora na McLaren em 1990, usando sua experiência para melhorar o ótimo carro da equipe e ajudar no segundo título de Senna. Entre 1990 e 1991, Palmer participou do Mundial de Marcas, primeiro com a Porsche e depois com a Mercedes, sem muito sucesso. Ainda em 1991, Palmer participou do famoso campeonato BTCC, com uma BMW até voltar à F1 em 1993, substituindo James Hunt quando este morreu, nos comentários pela BBC ao lado de Murray Walker. Se dentro da pista, Palmer não foi essas coisas toda, fora das pistas o inglês usou seu faro pelos negócios para faturar. Em 1998 ele criou a F-Palmer Audi, numa categoria monomarca com apoio da montadora alemã e com o objetivo de ser uma categoria mais barata do que a F3. O primeiro vencedor foi o saudoso Justin Wilson e logo Palmer passou a empresariar o inglês, levando-o no ano seguinte para a F3000. Comentou-se na época que o carro de Wilson tinha 'cuidados especiais', por o piloto ser empresariado por Palmer, dono da categoria, que por esses comentários, caiu em discredibilidade.  Na virada do milênio, Palmer criou a PalmerSport, empresa que representava pilotos e negócios com o automobilismo. Palmer comprou quatro tradicionais circuitos (Brands Hatch, Oulton Park, Snetterton e Caldwel Park) e passou a promover categorias novamente, como a F4 Britânica e o forte Campeonato Inglês de Superbike. Além dos negócios, Palmer viu seus dois filhos o seguirem na profissão de piloto. Jolyon foi campeão na GP2 e hoje está na equipe Renault de F1, enquanto o mais novo, Will, venceu a F4 Britânica em 2015 e tenta seguir os passos do pai e do irmão mais velho.

Parabéns!
Jonathan Palmer

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Seppi

Vindo de um país onde se era proibido corridas de carros, era difícil para um jovem se encantar pelas corridas na Suíça, porém, o afável Jo Siffert viu uma corrida de carros pela primeira vez antes da proibição e decidiu se tornar piloto de corridas. Rapidamente nas motos, mas definitivamente nos carros, Siffert se tornou um dos pilotos mais fortes de sua geração, ganhando muito espaço nas corridas do Mundial de Marcas, antes de brilhar definitivamente na F1, onde fez várias corridas nos aos 1960 sem mostrar muitos resultados, mas todos reconheciam o talento desse popular piloto suíço, que nessa semana completou 45 anos de sua morte.

Joseph Siffert nasceu no dia 7 de julho de 1936 em Fribourg, na Suíça, numa fazendo local, já que sua família era proprietária de uma fazenda de laticínios. Mesmo morando no campo, Siffert logo se apaixona por algo bem cosmopolita, que eram as corridas, quando assistiu ao Grande Prêmio da Suíça de 1948 e decidiu se tornar piloto. Porém, Seppi, como era conhecido pelos seus amigos, demoraria um bom tempo antes de abraçar sua profissão de vez. Somente nove anos após ver sua primeira corrida, Jo Siffert faz suas primeiras corridas, ainda assim, com motos, já que desde 1955 eram proibidas corridas de carros na Suíça, mas eram permitidas corridas em duas rodas. Jo demora dois anos para se sagrar Campeão Suíço de Motovelocidade na categoria 350cc, em 1959, mas a verdadeira paixão de Siffert eram mesmo os carros e logo no ano seguinte ele se mudou para as quatro rodas, disputando a F-Junior, categoria o que hoje poderia ser uma F3. Siffert se destaca rapidamente e consegue o vice-campeonato em 1961, com o mesmo número de pontos do sul-africano Tony Maggs, mas isso não significava um bom contrato para a F1, objetivo do suíço. 

A primeira corrida de F1 de Siffert é pela equipe da federação suíça em 1962, com um Lotus e ainda durante o ano, o suíço se muda para a equipe Filipinetti, completando a temporada sem marcar pontos, além de ter alguns problemas com seus chefes. De personalidade forte, além de cultivar um elegante bigode, Siffert monta sua própria equipe em 1963, marcando seu primeiro ponto no Grande Prêmio da França, com um sexto lugar. Para a temporada de 1964, Siffert troca a Lotus pela Brabham e os resultados melhoram, com um quarto lugar no sempre complicado circuito de Nürburgring. Isso chama a atenção do velho chefe de equipe Rob Walker, que contrata Siffert ainda em 1964 e o suíço não decepciona, conseguindo um terceiro lugar logo na estreia pela equipe no Grande Prêmio dos Estados Unidos. Seria um longo relacionamento entre Siffert e Walker, onde o suíço mostraria lealdade ao chefe de equipe inglês, mesmo que seu talento fosse latente e que poderia lhe posicionar em melhores equipes, na medida em que estar numa equipe de fábrica ficava cada vez mais essencial na F1 dos anos 1960. Siffert conseguia bons resultados eventuais com a equipe particular de Rob Walker, primeiro com um Brabham e depois com um Cooper-Maserati, mas não era interessante para as equipes de fábrica perderem para um time cliente. Por isso, entre 1965 e 1967, Siffert consegue apenas quatro quartos lugares como melhor resultados, além de muitos abandonos.

Contudo, esse período não seria apenas de resignação no meio do pelotão da F1 para Jo Siffert. Como era comum naqueles tempos, pilotos poderiam ter um duplo expediente e participavam ativamente de mais de uma categoria. Mostrando velocidade e talento, além de ter experiência prévia em corridas de longa duração, Siffert é contratado pela Porsche no Mundial de Marcas em 1966 e com o apoio oficial de uma fábrica, o suíço se mostraria um verdadeiro piloto de ponta nessa categoria vencendo várias corridas importantes, além de liderar grandes projetos da Porsche. Em 1967 Siffert participa do Campeonato Europeu de F2 como piloto oficial da BMW, mas o suíço não é páreo para o poderio da Matra. Em 1968, Siffert vence as 24 Horas de Daytona, as 12 Horas de Sebring e os 1000 km de Nürburgring com a Porsche, além de ver sua situação melhorar na F1. A Lotus tinha lançado o belo e histórico Lotus 49 com motor Ford Cosworth em meados de 1967 e Rob Walker consegue um acordo com Colin Chapman para usar os carros na temporada 1968. Mesmo ainda estando numa equipe cliente, Siffert teria um carro realmente de ponta na F1, mas a primeira metade da temporada seria complicada para Siffert e a equipe Rob Walker, com vários abandonos. Para o Grande Prêmio da Inglaterra, Siffert receberia a versão B do Lotus 49, que era idêntico aos usados pela equipe de fábrica da Lotus e Siffert consegue um bom quarto lugar no grid. Após ver os pilotos oficiais da Lotus abandonarem, Siffert se torna a única Lotus no pelotão, numa luta acirrada com a Ferrari de Chris Amon pela primeira posição. Siffert e Amon eram reconhecidos como bons pilotos, mas não haviam vencido ainda na F1. Porém, Amon perde rendimento no final e Jo Siffert vence sua primeira corrida na F1, dando à Rob Walker sua última vitória na F1, além de ter sido a última vitória de um equipe cliente na F1. O suíço tem sua melhor temporada até então na F1, com direito a uma pole no México, última corrida da temporada de 1968.

Com um bom carro na F1, Siffert também teria que desenvolver o novo Porsche 917 no Mundial de Marcas durante 1969, carro que iria entrar para a história do automobilismo. Siffert venceria em Brands Hatch, Monza, Spa, Nürburgring, Watkins Glen e Zeltweg, dando a Porsche, do lendário chefe de equipe John Wyer, o título do Mundial de Marcas, lembrando que não existia um Mundial de Pilotos. Siffert tinha como companheiro de equipe na Porsche o atrevido mexicano Pedro Rodríguez, com quem Siffert tinha uma relação de amor e ódio, pois o suíço algumas vezes se zangava com a velocidade e audácia de Rodríguez, mas gostava bastante do mexicano fora das pistas. Na F1, Siffert tem outro bom ano na equipe Rob Walker, com dois pódios (Mônaco e Holanda) e um nono lugar no Mundial de Pilotos. As boas prestações de Siffert na F1 e no Mundial de Marcas chamam a atenção da Ferrari, que tenta contratar o suíço para os dois campeonatos. Siffert queria dar um passo na F1, mas ainda tinha contrato com a Porsche, que o pede para assinar contrato com a March, que estreava na F1 em 1970. A equipe era ambiciosa, mas pecava pelo noviciado e por ser, talvez, ambiciosa demais. A primeira vez de Siffert numa equipe de fábrica na F1 não foi uma boa experiência, com o suíço tendo várias quebras e não pontuando sequer uma vez. O sucesso de Siffert no Mundial de Marcas continuava, com uma vitória na mítica Targa Florio em 1970.

Com a decepção na March, Siffert se muda para a BRM em 1971, equipe que já tinha sido campeã nos anos 1960, mas patinava nos anos anteriores. A grande carta na manga da BRM era o potente motor V12, que funcionava muito bem em circuitos rápidos. O ano de 1971 começou muito bem para Siffert, vencendo os 1000 km de Buenos Aires com um Porsche 917, corrida marcada pela trágica e bizarra morte de Ignazio Giunti, da Ferrari. Siffert teria como companheiro de equipe Pedro Rodríguez, formando com o mexicano a mesma dupla no Mundial de Marcas. A BRM tem um bom ano em 1971, mas a equipe e Siffert sofrem um enorme baque com a morte de Rodríguez numa corrida de Endurance em Norisring. Siffert toma as rédeas da equipe e na Áustria, pista onde o motor era essencial, o suíço vence com direito e hat-trick (pole, vitória e melhor volta). Na última corrida da temporada, Siffert fecha o ano com um segundo lugar em Watkins Glen, atrás de François Cevert, terminando o campeonato com um promissor quarto lugar, o melhor ano de 'Seppi' na F1. Para 1972 a perspectiva era boa, com a assinatura do contrato com a Marlboro, mas antes de encerrar 1971, a F1 faria uma última prova, a Corrida dos Campeões, prova em homenagem ao campeão do mundo, no caso, Jackie Stewart.

Como sempre, a Corrida dos Campeões seria realizada em Brands Hatch e o piloto mais rápido da sexta-feira ganhava cem garrafas de champanhe. Siffert estava com um carro bem acertado naquela tarde de 24 de outubro de 1971, mas o suíço tem um toque com a March de Ronnie Peterson ainda na largada. Siffert continua na corrida normalmente, mas na volta 12 a suspensão, avariada pelo toque com Peterson, quebrou de vez e Siffert perdeu o controle do seu BRM, batendo num barranco. Imediatamente começou um incêndio de grandes proporções e mesmo com todos os esforços, o fogo não foi debelado. Jo Siffert, aos 35 anos, morreu no local, na frente de todos os pilotos que pararam seus carros, sem poder fazer nada. Mesmo mal acostumado com tantas mortes nas pistas, Graham Hill chorou dentro do seu carro ao ver a cena. Emerson Fittipaldi sempre se emociona quando lembra do acidente fatal de Siffert. Isso demonstra bem a popularidade do suíço dentro do paddock, assim como a impotência dos pilotos frente aos acidentes que assolavam a F1 na época. Várias medidas de segurança foram adotadas após o acidente de Siffert, que descobriu-se depois ter morrido por inalação de fumaça tóxica, não pelo fogo em si. Mais de 50.000 pessoas acompanharam o velório de Jo Siffert, incluindo um Porsche 917, que o suíço pilotou tão bem deixou tanta saudade. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Figura(MEX): Daniel Ricciardo

Em meio a toda a polêmica entre Sebastian Vettel e Max Verstappen no final do Grande Prêmio do México, Daniel Ricciardo se aproveitou dos entreveros entre os dois para subir ao pódio, mesmo que três horas depois das comemorações. O australiano da Red Bull mostra-se mais completo do que seu companheiro de equipe em vários momentos da temporada, além de mostrar uma velocidade, no mínimo, similar ao de Max Verstappen. Ricciardo foi o único a arriscar uma estratégia de duas paradas durante a corrida mexicana e o australiano acabou se dando bem, se aproximando da animada briga entre Vettel e Verstappen pelo terceiro lugar nas voltas finais. Enquanto Vettel soltava cobras e lagartos pelo rádio pelas manobras de Verstappen, Ricciardo jogou seu carro por dentro e Vettel não restou outra alternativa se não fechar o seu antigo companheiro de equipe de forma ilegal, segundo a FIA, dando chances à Ricciardo se aproveitar das punições dos seus adversários na pista para chegar mais uma vez em terceiro, garantindo a mesma posição no campeonato com duas provas de antecedência, garantindo-se como o melhor piloto fora da F-Mercedes em 2016. Ricciardo sofreu com o furacão Verstappen no começo, mas o simpático australiano não demorou para domar o holandês e novamente tomar as rédeas da Red Bull, marcando mais pontos do que o holandês, só não garantindo algo mais, por que a Mercedes, pelos seus méritos, vem dominando a F1 mais uma vez esse ano. Atrás de Rosberg e Hamilton, porém, não há piloto melhor do que Daniel Ricciardo.

Figurão(MEX): Max Verstappen

Um grande piloto, além da grande velocidade, tem que ser trabalhador, conhecer a parte técnica não apenas de pilotagem, mas também do seu carro e saber se adaptar às intempéries que apareçam durante treinos, corridas ao longo de uma temporada inteira. Incrivelmente, aos 19 anos Max Verstappen tem tudo isso, mas lhe falta algo primordial para ser um piloto completo. Não, não é experiência, mas conhecer os limites. Os seus, os do carro e da pista. Verstappen parece que não tem em seu dicionário a palavra 'limite' e passa por cima de todos eles. No México nesse domingo, o jovem holandês animou a corrida, sem sombra de dúvidas, mas se meteu em várias confusões e passou a humilhação extrema de praticamente ser expulso do pódio por ter cortado a chicane e ganhar vantagem na briga com Vettel. A própria Red Bull mandou Max ceder sua posição ao alemão da Ferrari, mas Verstappen fez ouvido de mercador e continuou na pista para pagar o mico do ano. Isso sem contar que o piloto da Red Bull quase definiu o campeonato numa tentativa otimista ao extremo de ultrapassagem em cima de Nico Robserg. O pior de tudo é que Max Verstappen não absorve esses problemas em que vai se metendo e exala arrogância ao chamar um tetracampeão como Vettel de ridículo. O pior de toda pessoa é não admitir seus erros e Verstappen claramente não os admite, preferindo usar seu enorme talento como escudo para mostrar que está certo. Como na vida, ou alguém fala com esse rapaz para diminuir um pouco o facho, ou ele terá problemas futuros. Seja um grave acidente provocado por ele. Ou levar um safanão no pé do ouvido após alguma molecagem. 

domingo, 30 de outubro de 2016

Valeu pelo final

Hamilton necessitava de uma vitória para se manter vivo na briga pelo título mundial. O inglês largou na pole, vacilou na primeira curva, mas depois disso passeou nas 71 voltas do Grande Prêmio do México. Objetivo conquistado. Nico Rosberg necessitava urgentemente de um segundo lugar para manter o campeonato nas suas mãos. O alemão largou bem, mas se assustou com um animado Max Verstappen começando a aprontar logo na primeira curva, passou reto e Nico teve um certo trabalho para se manter na frente dos dois carros da Red Bull, porém, Rosberg conseguiu a segunda posição. Objetivo conquistado. Mais uma dobradinha da Mercedes. Corrida chata? Na maioria das voltas, sim. Porém, as voltas finais entraram na história recente da categoria, inclusive com cenas inéditas de um piloto sendo praticamente expulso do pódio. Como se diz aqui no Ceará, Max Verstappen ficou com cara de rapariga ruim quando viu a punição a ele imposta e teve que sair do pódio para a entrada de Sebastian Vettel, que vem disputando com Fernando Alonso quem mais reclama no rádio.

Hamilton só teve uma pequena palpitação na largada, quando travou os pneus na freada da curva um e passou reto, mas para a sua sorte, Nico Rosberg teve que se defender de Max Verstappen e o alemão também perdeu tempo quando passou reto também. Lewis dominou a corrida mexicana como quis e completou um final de semana perfeito igualando-se à Alain Prost como o segundo maior vencedor da história da F1, além de se manter vivo no campeonato, mas não há como negar que o título ainda está nas mãos de Nico Rosberg. O alemão teve muito mais trabalho para se segurar na frente do que seu companheiro de equipe. Rosberg sempre teve um Red Bull lhe acossando, fazendo com que Nico atrasasse sua parada única para não ser ultrapassado por Daniel Ricciardo e depois foi perseguido implacavelmente por Max Verstappen. O holandês chegou a colocar de lado e passar o alemão, mas Max tentou ultrapassar de forma tão atabalhoada, que Rosberg reconquistou a segunda posição sem muito trabalho e com os pneus de Verstappen estragados, Nico Rosberg não teve mais trabalho para se manter em segundo e se no México era difícil o alemão ser campeão, no Brasil daqui a quinze dias a possibilidade de Nico 'matar' o match-point é bem mais plausível. Basta chegar na frente de Lewis Hamilton para Rosberg se igualar à Damon Hill e se tornar o segundo filho de campeão a repetir o feito do pai.

Agora, Max Verstappen. O jovem de 19 anos é uma sensação da F1 e terá um belo futuro pela frente, mas o holandês precisa que alguém fale sério com ele, pois talento e velocidade não bastam para ser um campeão na F1. É preciso estratégia, calma e, princípio básico, saber respeitar seus adversários. Max Verstappen já está conseguindo a antipatia de meio grid e hoje o holandês aprontou das suas ao não se conformar em ser ultrapassado por Vettel e simplesmente passar reto pela grama, ganhando uma clara vantagem nas voltas finais. Logicamente Vettel soltou os cachorros em cima de Max e da FIA, mas o alemão da Ferrari foi rapidamente atendido e uma cena insólita aconteceu. Verstappen subiu serelepe ao pódio e conversava animadamente com os pilotos da Ferrari quando soube que estava obviamente punido pela manobra em cima de Vettel e teve que sair do pódio com o rabinho entre as pernas, enquanto Vettel corria para o pódio. As atitudes de Max Verstappen animam as corridas, mas também podem causar sérios danos. Na tentativa de ultrapassar Rosberg, se o holandês batesse na Mercedes, o título poderia ter sido decidido ali. Em Spa, a fechada que o jovem deu em Raikkonen foi perigosa. Após a bandeirada, Vettel gesticulou nervoso para Max. Vai chegar o dia que um piloto mais nervoso vai chegar às vias de fato com o piloto da Red Bull. Max precisa de melhor aconselhamento para melhor canalizar toda essa gana para vencer seus rivais na pista e pelos meios normais.

Precisando correr para chegar ao pódio, Vettel fez uma bela corrida, saindo de sétimo para ser terceiro, tendo que defender-se de forma enfática de Daniel Ricciardo no final. O alemão da Ferrari deu uma resposta para quem já falava que Vettel não estava motivado na Ferrari. Ricciardo tentou uma tática diferente, parando duas vezes, enquanto os seus rivais pararam apenas uma. O australiano tirou toda a diferença para Verstappen e Vettel, que se digladiavam e quando ficou claro que Verstappen seria punido, o australiano tentou uma manobra forte em cima de Vettel, mas o alemão se segurou e o australiano ainda ganharia o quarto lugar do punido Verstappen. Piloto morno nesse ano, Raikkonen conseguiu uma bela manobra em cima de Hulkenberg e garantiu o sexto lugar, pegando o alemão tão de surpresa, que Nico rodou, mas o alemão da Force India ainda conseguiu um bom sétimo lugar. Bottas conseguiu o recorde de 372,54 km/h no final da reta dos boxes, mas chegando atrás da Force India, a Williams não tem muito do que comemorar, fora o problema de saúde de Frank. Em sua antepenúltima prova na F1, Massa passou a corrida inteira segurando Sergio Pérez, que era empurrado pela torcida. O mexicano tentou, mas acabou a prova num decepcionante décimo lugar. Mesmo na frente no campeonato, Pérez começou a ser superado por Hulkenberg quando foi anunciado que o alemão irá para a Renault em 2017. Porque será que a Force India não sabota Nico?

Reginaldo Leme continuou com a triste e chata tese de que a Sauber continua sacaneando Felipe Nasr, mas o resultado na pista mostra Marcus Ericsson conquistando um 11º lugar e quase marcando o primeiro ponto da Sauber em 2016, enquanto o brasileiro terminou cinco posições atrás. A Toro Rosso só apareceu quando Carlos Sainz colocou Alonso na grama na primeira volta e depois seus dois pilotos fizeram corridas anônimas. A McLaren foi outra que ficou para trás em relação ao desempenho de semana passada em Austin e Alonso continuou dando suas patadas via rádio, mas acabou a prova atrás de Button. Ameaçadíssimo de ficar fora da F1 em 2017, Jolyon Palmer parece ter acordado para a vida e passou a andar na frente de Magnussen, ficando próximo dos pontos hoje, enquanto o danês ficou bem para trás. A Haas decepcionou, correndo entre os últimos, mesmo tendo um dos pilotos da casa, Gutierrez. Wehrlein se meteu num incidente na primeira volta e jogou fora sua ótima posição no grid, se tornando o único abandono do dia. Ocon chegou em último, sendo o único a levar duas voltas.

Se a corrida foi em boa parte sem graça, o final foi emocionante com a briga entre os carros da Red Bull e Vettel, com vantagem para o alemão. O futuro pertence a Max Verstappen, mas o holandês ainda tem que aprender muito para chegar a briga pelo título, que hoje pertence aos dois pilotos da Mercedes. Mesmo vencendo, Hamilton se desanima ao ver ao seu lado direito Nico Rosberg, que vem cumprindo com muita frieza seu papel de apenas marcar Hamilton nas provas finais para ser campeão. Nesse final de semana no México, Nico não acompanhou Hamilton e pareceu sempre na retranca, mas com a possibilidade real de matar o campeonato no Brasil, podemos ver Nico Rosberg mais forte do que nos últimos três dias. Porém, Hamilton tentará de tudo mais uma vitória e se manter na briga. Interlagos poderá ser palco, novamente, de outra corrida inesquecível. 

Justificando a escolha

Não sei bem o motivo, mas me simpatizo bastante com Andrea Doviziozo desde os tempos das 250cc, quando ele enfrentava os espanhóis e suas Aprilia com uma Honda. Na época Doviziozo era conhecido como 'calculadora' pela forma fria como administrava as corridas e foi com esse estilo calmo que o italiano debutou na MotoGP. Pelo próprio apelido demonstra, Doviziozo não é um piloto espetacular, mas aquele que entrega os resultados pedidos pela equipe. Foi assim na Honda e está sendo agora na Ducati. Mesmo Andrea Iannone sendo claramente mais rápido na comparação dentro da equipe Ducati, o atrapalhado italiano está longe de ser um piloto confiável e mais uma vez demonstrou isso em Sepang. Andrea Doviziozo, que largou na pole, justificou a escolha da Ducati para correr ao lado de Lorenzo em 2017. Cerebral e consciente, Dovi enfrentou a pista encharcada e os grandes pilotos de 2016 para vencer pela primeira vez em sete anos, além de se tornar o nono piloto a triunfar nessa temporada.

Como é comum na Malásia, uma tempestade tropical apareceu antes da corrida e a prova foi atrasada em alguns minutos, mas estava claro que a corrida seria com pista bem molhada. Doviziozo havia conquistado uma surpreendente pole com piso molhado no sábado, mas em ritmo de corrida, vários pilotos estiveram na briga. Perdendo a ponta na largada, Doviziozo teve que enfrentar os grandes nomes de 2016, incluindo seu companheiro de equipe Iannone, que retornava às pistas após um vértebra quebrada o deixar algumas provas de fora. Agressivo e tendo como apelido o sugestivo nome de 'Crazy Joe', Iannone logo assumiu a ponta, mas ninguém saberia como o italiano se comportaria durante a prova, quando sua condição física poderia lhe cobrar um preço. Outro problema era que a corrida estava apertada e seis pilotos corriam muito próximos nos minutos iniciais, com Iannone segurando uma tripleta italiana, com Rossi e Doviziozo, enquanto Márquez, Cruthlow e Lorenzo os seguiam de perto.

Fazendo uma temporada decepcionante, Lorenzo tinha mostrado várias vezes um péssimo ritmo de corrida em pista molhada, mas em Sepang o espanhol foi menos medíocre e chegou a marcar a volta mais rápido, no entanto, o espanhol da Yamaha começou a perder contato com os demais. Pelo menos Lorenzo não caiu e garantiu um pódio, pois em voltas consecutivas, as duas Hondas de Cruthlow e Márquez foram ao chão. O espanhol da Honda teve muito sorte em garantir o título no Japão, pois após se sagrar campeão, Márquez colecionou duas quedas que, felizmente para ele, não farão diferença no campeonato. Lá na frente, os italianos dominavam, mas Iannone já tinha caído para terceiro quando, mais uma vez, foi ao chão.  Rápido o italiano é, mas Iannone não demonstra que um chefe de equipe possa confiar nele e Andrea colecionou outra queda, deixando a briga pela vitória entre os experientes Rossi e Doviziozo. O piloto da Ducati parecia mais à vontade na pista, mas não precisou de muita briga para assumir a ponta, pois Rossi errou na curva um. Com uma ótima moto para as condições da pista, que já não estava encharcada, Doviziozo logo abriu uma boa diferença para Rossi e disparou rumo à uma vitória que conhecia desde 2009.

A forma como Doviziozo foi cumprimentado por todos os pilotos mostra o respeito que tem para com os seus pares. Piloto de fábrica, estava incômodo passar 2016 sem vitórias, quando vários pilotos de equipes satélites já venceram, mas Doviziozo fez uma prova ao seu estilo, cerebral e de espera, para sair desse incômodo jejum e voltar a vencer. Em 2017, a Ducati terá dois pilotos fortes, mas, para quem não lembra, Lorenzo e Doviziozo não se davam muito bem nas categorias menores. Afinal, quem se dá bem com Lorenzo?