A comparação é inevitável. Assim como Michael Schumacher, Nicky Hayden passou a vida correndo pelas pistas mundo à fora. Venceu corridas, mas como corre de moto, também caiu um bocado, sofrendo uma lesão aqui e ali. Foi campeão mundial na MotoGP, apesar de muitos considerarem o título de Hayden injusto. Essa consideração, sim, é injusta. Porém, Hayden sobreviveu as quedas e prestes a completar 35 anos, ainda está ativo como oficial da Honda no Mundial de Superbike. Andando de bicicleta, em velocidades infinitamente mais lentas do que está acostumado, o americano acabou atropelado e as notícias sobre Hayden não são nada boas. Sua situação é tão crítica, que não é possível operar uma fratura exposta na perna. As lesões são graves na cabeça e no peito. Só nos resta esperar que o Kentuck Kid saía bem dessa.
quarta-feira, 17 de maio de 2017
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Figura (ESP): Fernando Alonso
Não faltaram candidatos a essa parte da coluna nesse final de semana. Lewis Hamilton, Force India, Nico Hulkenberg, Pascal Wehrlein... todos poderiam muito bem estar aqui como o destaque do final de semana, mas Fernando Alonso mostrou, como se isso ainda fosse preciso, de que é um gênio e somente as circunstâncias não o fizeram ter números de gigantes, como os contemporâneos Hamilton e Sebastian Vettel. A situação da McLaren-Honda é tão calamitosa, que o time patrocinou Alonso participar das 500 Milhas de Indianápolis, fazendo-o perder a corrida mais glamorosa do ano (Mônaco) apenas para deixar o espanhol, com o perdão da palavra, menos puto. As situações com que Alonso tem que viver por causa da falta de potência do motor Honda não condiz com a bela história da montadora japonesa, mas correndo em casa, Alonso tirou alguns décimos a mais e fez uma classificação histórica. Com uma reta enorme, Alonso conseguiu o quase milagre de levar seu carro ao Q3 e não fez feio, ficando em sétimo, à frente de carros nitidamente mais rápidos do que o seu, como Force India, Williams e Renault. Foi uma atuação que literalmente levantou a torcida espanhola, que vibrou como nos tempos da Alonsomania, de dez anos atrás. A corrida complicada, onde Fernando saiu da pista na curva dois fez com que o espanhol deixasse de marcar pontos na frente de sua torcida, mas o que Alonso fez no sábado já o coloca nessa altura da coluna e mostrou que Fernando Alonso está entre os grandes da F1.
Figurão(ESP): Lance Stroll
Infelizmente, não há como não ser outro. O canadense, que foi campeão por onde passou nas categorias de base, está se mostrando claramente abaixo do nível de um bom piloto da F1. Stroll não tem a velocidade dos novatos audaciosos, mas não é contante como os pilotos mais cerebrais. Na Espanha, enquanto Massa fazia o seu dever de casa com o carro que tem e participava do Q3, Lance ficou pelo caminho no Q1. A corrida foi ainda pior. Massa furou o pneu na primeira volta e caiu para último, quase um minuto atrás do companheiro de equipe. Pois Felipe, mesmo sofrendo com um carro da Williams que não se encontrou em Barcelona, ainda foi capaz de alcançar e ultrapassar Lance Stroll, mostrando que seja em uma única volta rápida como em ritmo de corrida, o jovem canadense deixa muito a desejar frente a um piloto experimentado como Massa. O enorme aporte de dinheiro que a família Stroll injetou na Williams é muito importante para a equipes, mas os pontos que a equipe deixa de marcar por causa de Lance já fazem o setor financeiro da Williams fazer as contas...
domingo, 14 de maio de 2017
E teve emoção
Se tem um lugar aonde as corridas não são boas normalmente, esse lugar fica em Montmeló, nas proximidades de Barcelona. O traçado seletivo e de poucas freadas fortes, mais o extenso conhecimento prévio das equipes faz do Grande Prêmio da Espanha uma das piores corridas do ano. Isso é histórico. Como a paciência do torcedor em geral (e não falo só da F1) anda muito curta, provavelmente muita gente deixou de assistir a corrida de hoje, com receio de ver outra procissão como em Sochi. Quanto engano! A corrida em Barcelona de hoje foi umas melhores da longa tradição de corridas sonolentas em Montmeló e viu a primeira disputa mano a mano entre Hamilton e Vettel, com vantagem para o primeiro, que com o resultado de hoje, encosta no alemão e só precisa de uma vitória em Monte Carlo para voltar à liderança do campeonato, que cada vez mais se polariza entre os pilotos de Mercedes e Ferrari, enquanto a Red Bull de Daniel Ricciardo, solitário terceiro colocado hoje, está longe demais da briga pela ponta.
Foi uma corrida tensa na luta pela vitória, onde os dois líderes teimavam em ficar próximos, mesmo com estratégias diferentes. Hamilton largou mal novamente e Vettel já freou para a primeira curva na frente. Mais atrás, Bottas, Raikkonen e Verstappen tentavam ocupar um espaço onde só cabiam dois carros e após o esparramo de Bottas, Raikkonen saiu de frente e bateu em Verstappen, eliminando ambos ainda na primeira volta e causando o grande momento da prova. A transmissão flagrou um menininho vestido de Ferrari chorando na arquibancada. Algumas voltas mais tarde, ele sorria com a belíssima ultrapassagem de Vettel em Bottas para mais tarde ele ter a experiência de sua vida até o momento. Ele foi se encontrar com Raikkonen nos boxes da Ferrari e ganhou o boné do finlandês, além de uma foto que rodou o mundo. Uma imagem que emocionou a todos e mostra que a F1, aos poucos, está ficando mais humana, algo que todos cobravam de Bernie e o veterano dirigente parecia incapaz de fazer. Mérito da Liberty.
Voltando à pista, Hamilton deve ter pensado que a corrida estava perdida, pois se há um aspecto em que a Ferrari está superior, esse é o ritmo de corrida e Vettel logo abriu uma vantagem de 2s em cima de Hamilton, que ficou na pista o máximo possível, esticando o seu stint e garantindo uma tática de duas paradas. Vettel voltou em quarto, ultrapassou rapidamente Ricciardo e partiu para cima de um apático de Bottas. O finlandês não foi nem sombra do piloto que venceu pela primeira vez na Rússia, mas soube jogar pela Mercedes, segurando Vettel o máximo que pode, mas foi ultrapassado de forma agressiva pelo alemão, para delírio do público. E do menininho da Ferrari! Agora Vettel se aproximava de Hamilton, que estava com pneus médios, quando Vandoorne trouxe o safety-car virtual e a corrida foi decidida. Hamilton colocou pneus macios quando a corrida ainda tinha 29 voltas pela frente. Teoricamente, Lewis não teria pneus no final da prova. Quando Vettel colocou os pneus médios, finalmente houve uma disputa real e próxima com Hamilton, quando ambos disputaram a primeira curva no limite, com vantagem para Vettel. Com pneus mais rápidos, não demorou para o inglês retomar a ponta, mas se mantivesse aquele ritmo, provavelmente os pneus de Hamilton acabariam e ele diminuiu o ritmo, deixando a corrida imperdível no final, pois Vettel, teoricamente com os pneus em melhores condições, poderia atacar no final. Porém, o ataque não veio. Vettel novamente se desentendeu com Massa e perdeu 1.5s quando faltavam poucas voltas e Lewis Hamilton venceu pela segunda vez esse ano, com Vettel logo atrás. Foi uma corrida bem acima das expectativas, com brigas dentro e fora da pista pela vitória. Foi uma disputa de altíssimo nível e quem perdeu a corrida de hoje se arrependeu.
Os demais dezoito pilotos da corrida foram meros coadjuvantes, mas houve desempenhos de protagonistas ao longo do pelotão. Aproveitando dos abandonos de carros mais fortes na frente, a Force India se consolidou como a quarta força da temporada e deixou Sergio Pérez em quarto e o ótimo estreante Esteban Ocon em quinto. O jovem francês marcou pontos em todas as corridas até agora e sempre andando no mesmo ritmo do seu competente e experiente companheiro de equipe, mostrando as qualidade do jovem piloto de desenvolvimento da Mercedes. Porém, o outro pupilo da Mercedes foi ainda mais impressionante. Usando-se de uma tática arriscada da Sauber, Wehrlein esticou ao máximo seu primeiro stint e se colocar entre os pilotos na zona de pontos, mas estava claro que o alemão perderia esse status quando parasse, mas o safety-car virtual fez com que Pascal igualasse sua janela de paradas com os demais pilotos e o alemão da Sauber conseguiu um extraordinário sétimo lugar, passando boa parte da corrida tendo em seus retrovisores o motivado Carlos Sainz, que correndo em casa, fez de tudo para agradar sua torcida, mas foi derrotado por Wehrlein, que conseguiu o seu melhor resultado na carreira e dando pontos importantes para a Sauber. Provavelmente o ritmo ruim de Bottas deveu-se aos problemas de motor que o fizeram abandonar e quem subiu ao lugar mais baixo do pódio foi Daniel Ricciardo, mas a Red Bull não tinha muito o que comemorar. O novo pacote aerodinâmico da Red Bull trouxe grandes expectativas de levar o time austríaco próximo de Mercedes e Ferrari, mas a realidade foi que Ricciardo terminou em terceiro um minuto inteiro atrás de Hamilton. Por trás do sorriso do sempre alegre Ricciardo, existe uma clara preocupação da Red Bull ser mais uma vez coadjuvante.
O miraculoso sétimo lugar de Alonso no grid se desfez na má largada do espanhol e pelo toque com Felipe Massa, que tentava desviar de Raikkonen e Verstappen, na segunda curva, que fez o piloto da McLaren sair da pista e também da zona de pontuação, onde não entrou mais, apesar de um final de corrida forte de Alonso, que permitiu o espanhol ultrapassar as duas Williams e terminar sua primeira corrida de 2017 próximo dos pontos. Massa teve uma corrida confusa, onde um pneu furado o colocou nas últimas posições, mas o brasileiro ainda teve tempo para se estranhar com Vettel novamente, se envolver em um incidente com Stoffel Vandoorne que trouxe o safety-car virtual (culpa inteiramente do belga, diga-se) e ultrapassar Stroll. O jovem canadense vem se transformando na grande desilusão da temporada. Kvyat saiu da última fila para marcar pontos após uma briga encarniçada com Kevin Magnussen, que fez o danês ter um furo de pneu. Magnussen sempre andou mais rápido do que Grosjean, que aproveitou o incidente para pontuar, por um motivo bizarro. A Haas atrasou a produção das atualizações para dois carros e apenas um dos pilotos usaria as novidades em Barcelona. Num simples cara-ou-coroa, Magnussen foi bafejado pela sorte e ficou com as atualizações...
A corrida desse domingo mostrou uma F1 bipolarizada como não se via desde 2006, com Schumacher (Ferrari) e Alonso (Renault), com vantagem para o último. Em 2017, Sebastian Vettel da Ferrari e Lewis Hamilton da Mercedes deverão brigar até o final do ano pelo título e havendo mais corridas como essa nesse ano, teremos uma temporada histórica, com dois gigantes se digladiando corrida a corrida pela vitória.
sábado, 13 de maio de 2017
Força do começo ao fim
Will Power é um dos melhores pilotos em circuito misto da Indy nos últimos dez anos. A forma como o australiano domina nos circuitos que não se vira apenas para a esquerda chega a assombrar. O piloto da Penske vinha de um 2017 ruim, com vários percalços, principalmente quando estava na ponta, como em Barber. Em Indianápolis, na prova em circuito misto, Power não deu chances aos seus rivais e tirando um ligeiro momento onde Helio Castroneves liderou, Will dominou a prova, após dominar todos os treinos e finalmente vencer nesse ano, entrando na briga pelo título.
A corrida em Indianápolis não foi das mais animadas. Power tomou a ponta na largada, mesmo com Helio o pressionando. As rodadas de paradas aconteceram com Castroneves tentando dar o pulo do gato, mas falhando ao colocar menos combustível numa das paradas e sempre usar os pneus macios, quando sempre em algum momento numa corrida da Indy, se deve usar os pneus duros. Helio usou os pneus duros no final, quando todos os demais colocaram pneus macios novinhos em folha. Se na última parada Power tinha pouco mais de 2s de vantagem sobre Castroneves, o brasileiro foi caindo até o quinto lugar, mais de 20s do vencedor da prova. Sem Castroneves para lhe fazer sombra, Power administrou o fim da prova, mesmo tendo a sempre incômoda presença de Scott Dixon em segundo, mas o piloto da Ganassi estava sob controle.
Juan Pablo Montoya foi rápido nos treinos em sua reestreia na Indy, mas em ritmo de corrida o colombiano foi caindo pelas tabelas e terminou apenas em décimo. Após um início de prova titubeante, Simon Pagenaud foi melhorando de desempenho para terminar em quarto, superado pelo agressivo Ryan Hunter-Reay, que terminou em terceiro e subiu ao pódio. Pagenaud manteve a ponta do campeonato, com Dixon logo atrás. Montoya só não foi o pior carro da Penske pela falta de experiência de Josef Newgarden. O americano vinha pressionando Dixon na entrada dos pits e na tentativa de entrar colado no neozelandês, Newgarden acabou excedendo o limite de velocidade e foi punido. Mais uma vez Tony Kanaan fez uma má corrida, onde foi acertado na primeira volta por Marco Andretti e sempre andou em último, onde recebeu a bandeirada. Por mais que os comentaristas da Band tentem encher a bola dos brasileiros, a verdade é que Helio Castroneves e Tony Kanaan, ambos com 42 anos, já estão em claro declínio em suas carreiras e principalmente no caso de Tony, já está chegando a hora de dar tchau, como dizia um antigo programa infantil.
Numa prova sem amarelas, Power venceu do jeito que quis, mostrando que o australiano tem a mão dos circuito mistos. O problema do piloto da Penske é que a principal corrida da Indy, até mesmo mais importante do que o campeonato, ocorre num circuito oval, ali mesmo em Indianápolis. Após essa avant-premiere, os pilotos passarão as próximas duas semanas testando exaustivamente até estarem prontos para as 500 Milhas, onde os mitos aparecem.
Fazendo a diferença
A pole de Hamilton, que ficou a apenas uma de empatar com seu ídolo Ayrton Senna, ficou em segundo plano. Até mesmo a pequena diferença entre Mercedes e Ferrari ficou abaixo do que Fernando Alonso fez na classificação desse sábado em Barcelona. Vencer com o melhor carro, um bom piloto consegue. Heikki Kovalainen venceu uma vez com a McLaren. Alonso não está com um bom conjunto, pois se a McLaren tem aparentemente um bom carro, a Honda está manchando sua gloriosa história na F1 com atuações pífias desde que retornou à categoria. Somente um fenômeno como Fernando Alonso, que sempre fez um algo a mais na frente de sua torcida, para fazer a diferença. Colocar a McLaren-Honda em sétimo num circuito com uma longa reta é somente para gênios e como se ainda precisasse mostrar isso, Alonso nos lembrou do que é feito. Foi uma volta para a história, que trouxe o sorriso de volta ao espanhol e aos japoneses da Honda.
A classificação serviu também para a grande diferença entre pilotos da mesma equipe. Seria pedir demais para que o novato Stoffel Vandoorne andasse no mesmo nível de Alonso, mas o também novato Lance Stroll fica cada dia mais longe do seu companheiro de equipe Massa, figurinha carimbada no Q3, enquanto o canadense sempre fica no caminho pelo Q1. Palmer corre o sério risco de ficar à pé ainda no meio da temporada, mas o desempenho de Daniil Kvyat foi assustador, com o russo ficando com a lanterna da classificação, enquanto Carlos Sainz quase foi para o Q3. A diferença entre os dois pilotos da Toro Rosso foi de sete décimos, numa situação onde Kvyat foi rebaixado para a equipe B um ano atrás e pode ser rebaixado novamente, agora para o olho da rua.
Com a Mercedes dominando na sexta e a Ferrari ressurgindo no sábado, a classificação foi equilibrada e Hamilton nem precisou melhorar seu tempo no Q3 para permanecer na ponta, enquanto a Ferrari sofreu no terceiro setor da pista, mas Vettel ainda arranjou um lugarzinho na primeira fila. O detalhe foi que Bottas errou em sua primeira tentativa, quando estava mais rápido do que Hamilton, enquanto Raikkonen repetiu suas atuações, onde o finlandês até anda na frente de Vettel nos treinos livres, mas no momento da verdade, acaba ficando atrás do alemão.
Foi um treino emocionante e legal de assistir, onde muitos pilotos andaram muito forte e fizeram a diferença, com destaque óbvio para Alonso. A previsão de tempo para amanhã é de chuva, o que poderia embaralhar um pouco as coisas num circuito onde notoriamente, e isso vem de muito longe, as corridas não são muito boas de assistir. E se o motor Honda resistir, podemos ver outro show de Alonso antes dele partir para Indianápolis.
terça-feira, 9 de maio de 2017
Além de Gilles
Poucas corridas foram tão esquecidas, mas são tão significativas e marcantes como o Grande Prêmio da Bélgica de 1982. A prova em Zolder resumiu o que foi aquela temporada de 35 anos atrás. Emocionante, confusa e polêmica. Além de mortal.
Um ano após a tragédia com um mecânico da Osella morto, atropelado por Carlos Reutemann, Zolder recebia a F1 num clima bastante pesado. Duas semanas antes as equipes alinhadas com a FOCA boicotaram o Grande Prêmio de San Marino e após muitas negociações, a trupe de Bernie Ecclestone resolveu se encontrar com as equipes alinhadas com a FISA na Bélgica. Aquela quinzena fora decisiva para o futuro da F1. Na Ferrari, o clima era irrespirável. "Eu nunca irei perdoa-lo. Se eu poder bloqueá-lo, acredite, eu farei. Agora é uma guerra entre nós!" Essa foi a forma 'carinhosa' com que Gilles Villeneuve se referia à Didier Pironi, que pouco tempo antes era seu amigo mais próximo e na chegada à Bélgica, era o pior inimigo do canadense.
Todos tentavam argumentar com Gilles para que se concentrasse unicamente em correr, mas Villeneuve só queria uma coisa naquele final de semana e no resto da temporada: bater Didier Pironi. E o francês com isso? Inicialmente Pironi tentou transparecer que Villeneuve apenas era um mal perdedor. "Uma coisa é ser segundo colocado. Outra era ser segundo após ser roubado", respondeu Villeneuve. Todos estavam a favor de Villeneuve 35 anos atrás, enquanto Pironi parecia até mesmo envergonhado com a situação e até tentou uma aproximação com o seu companheiro de equipe, mas Gilles simplesmente ignorou Pironi.
O que aconteceu no dia 8 de maio de 1982, todos já conhecem. Villeneuve morreu tentando bater Pironi, que virou ainda mais vilão dentro da F1.
Porém, no dia seguinte haveria uma corrida. Claro, com um clima bem fúnebre, mas foi uma bela corrida. John Watson largava apenas em 12º e resolveu escolher pneus duros da Michelin, enquanto Lauda e boa parte dos pilotos que corriam com os pneus franceses, corriam com os moles. Os usuários da Goodyear resolveram usar pneus duros. Na largada, o pole Arnoux se manteve na frente por apenas cinco voltas, quando começou a ter problemas até abandonar. Alçado a primeiro piloto da Williams pela aposentadoria repentina de Carlos Reutemann, Keke Rosberg assumiu a ponta de uma corrida de F1 pela primeira vez na carreira e administrava bem a distância para Lauda, o segundo colocado. Watson fazia uma corrida sensacional, cuidando dos pneus na medida em que crescia através do pelotão.
Pouco depois da metade da prova, Watson era terceiro colocado e com pneus em melhores condições em comparação à Rosberg e Lauda. Após facilmente ultrapassar seu companheiro de equipe na McLaren, Watson partiu numa perseguição implacável em cima de Rosberg, que também tinha problemas nos freios. Quando assumiu a 2º posição, com 23 voltas para o fim, Watson estava 18s atrás de Rosberg. O irlandês foi tirando a diferença até estar menos de 2s atrás de Rosberg na abertura da penúltima volta. Nervoso e tendo ultrapassar o retardatário Eddie Cheever, Rosberg escorrega e acaba perdendo a primeira posição na última volta de uma corrida de tirar o fôlego.
"Apesar do sorriso, eu estou muito triste. Estou feliz com minha vitória e pronto", assim resumiu o seu sentimento John Watson depois do pódio. Faltava a polêmica. Poucas depois da bandeirada, foi anunciado que a McLaren de Niki Lauda estava com peso mínimo abaixo do permitido e o austríaco foi desclassificado, elevando Cheever ao terceiro lugar, além de garantir pontos para Nelson Piquet, que passou a corrida com problemas de câmbio, e o único ponto de Chico Serra na F1.
Gilles Villeneuve foi enterrado, com honras de herói, no dia 14 de maio de 1982 em Montreal. O mundo chorava pelo pequeno canadense. Aquele final de semana em Zolder resumiu o que foi aquela temporada de 1982 na F1 e as histórias daquele ano terrível ainda não haviam terminado.
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