sábado, 8 de julho de 2017

Anti-clímax austríaco

Quando Romain Grosjean ficou parado no meio da pista em Zeltweg, um final ao estilo de Montreal chegava ao fim antes mesmo de começar. Bottas, Vettel e Hamilton estavam separados por 0.160s e estavam indo para as suas últimas tentativas, onde definiria a pole para o Grande Prêmio da Áustria, porém com o carro da Hass no meio da pista faltando menos de um minuto, a bandeira amarela resultante fez com que os três ficassem nessa posição, para grande azar de Hamilton, que perderá cinco posições no grid amanhã.

Mesmo com o tempo nublado, não houve chuva, que foi esperada em todo o final de semana e até o momento não apareceu. Após conquistar um pódio em Baku e até ter tido chance de vitória com Massa, a Williams teve um dia de McLaren-Honda e ficou pelo caminho no Q1, com seus dois carros ocupando a penúltima fila e seus dois piloto reclamando bastante do aquecimento dos pneus, um ponto nevrálgico para todas as equipes em diferentes pistas. Enquanto isso, a própria McLaren surpreendia num circuito com tantas retas com uma terceira versão do motor Honda e brigou para subir ao Q3, ficando por pouco de fora. Carlos Sainz declarou que estava de saída da Toro Rosso e isso pegou bem mal junto aos seus vários chefes, mas o espanhol deu a resposta na pista, colocando Kvyat no bolso e indo ao Q3.

A estratégia de Hamilton era ficar em primeiro e com a punição que levará pela troca de câmbio, largar em sexto amanhã, numa posição boa para atacar quem vem pela frente e ainda ter chance de briga pela vitória. Mas como diria o outro, faltou combinar com os adversário, começando pelo o seu companheiro de equipe, que conseguiu um tempo espetacular no Q3 e superou por muito pouco Vettel e Hamilton. A Ferrari ressurgiu no terceiro treino livre após domínio de Hamilton na sexta-feira, mas os italianos precisam urgentemente de um piloto que realmente ajude Vettel. Apesar do talento, Kimi Raikkonen não é esse piloto, tomando mais de meio segundo dos líderes, longe de ajudar Vettel na sua briga com a Mercedes. Quando todos se preparavam para as últimas voltas de Bottas, Vettel e Hamilton, Grosjean fico parado na pista e aconteceu o anti-clímax. Não sou fã das teorias da conspiração, mas Grosjean corre pela Haas, que é parceira da Ferrari. Para quem curte...

O terceiro lugar, que o jogará para oitavo, não ajudou muito a situação de Hamilton, que contará com a ajuda de Bottas para segurar não apenas Vettel, como todo o pelotão, na esperança de que Lewis ultrapasse rapidamente os pilotos que estão à sua frente e ainda tenha tempo de brigar pela vitória. A esperada chuva pode cair amanhã, segundo a meteorologia. Hamilton virá de trás. A corrida amanhã promete.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

História: 30 anos do Grande Prêmio da França de 1987

Após a morte de Elio de Angelis em Paul Ricard, os administradores do circuito foram pressionados pela FISA para uma melhoria no circuito de Le Castellet e reformas foram feitas, além da modernização da infra-estrutura do autódromo, que se tornava um dos mais modernos da Europa. Pela primeira vez desde o seu acidente em março de 1986, Frank Williams retornava ao circuito de Paul Ricard, donde acompanhava um teste de sua equipe e acabou sofrendo o acidente que o confinou numa cadeira de rodas. Mesmo com várias limitações, Frank acompanhava sua equipe e tinha que administrar sua explosiva dupla de pilotos, mas a teimosia de Mansell e a ambição de Piquet fazia com que os dois não se falassem e dividissem a equipe, mesmo com várias reuniões dentro da Williams. Frank tinha receio de perder outro campeonato e pedia apenas responsabilidade aos seus pilotos. Alain Prost sonhava em bater o recorde de vitórias de Jackie Stewart em casa, mas o motor Porsche V6 não era páreo para os Honda, principalmente na longa reta Mistral.

Os treinos aconteceram debaixo de forte calor e no sábado a pista estava muito escorregadia, fazendo com que os melhores tempos fossem o de sexta, com Nigel Mansell conquistando a quinta pole de 1987 em seis provas naquela temporada, com Alain Prost tirando leite de pedra para colocar a McLaren na primeira fila. Senna reclamava da dirigibilidade do seu carro e teve que se conformar com o terceiro lugar, enquanto Piquet era apenas quarto. A dupla da Benetton teve vários problemas mecânicos nos treinos, mas ainda assim ficaram com a 5º e 7º posições, enquanto a Ferrari decepcionava mais uma vez.

Grid:
1) Mansell (Williams) - 1:06.454
2) Prost (McLaren) - 1:06.877
3) Senna (Lotus) - 1:07.024
4) Piquet (Williams) - 1:07.140
5) Boutsen (Benetton) - 1:08.077
6) Berger (Ferrari) - 1:08.198
7) Fabi (Benetton) - 1:08.293
8) Alboreto (Ferrari) - 1:08.390
9) Johansson (McLaren) - 1:08.577
10) Warwick (Arrows) - 1:08.800

O dia 5 de julho de 1987 estava ensolarado e com um calor incrivelmente forte em Paul Ricard, com a temperatura chegando perto dos 40ºC. Pneus seria um fator numa corrida tão quente, além da mecânica e até mesmo do físico dos pilotos. Durante a volta de instalação no grid, Prost recebe uma mensagem no seu computador que seu motor não estava 100%, mas Alain resolve permanecer com o carro titular. A largada acontece sem maiores problemas, com Mansell mantendo a ponta, seguido por Prost, Piquet, Senna e Boutsen. As duas Ferraris tiveram largadas problemáticas, com Alboreto queimando a largada descaradamente por problemas na embreagem, enquanto Berger sai muito lentamente. Alboreto seria punido com um minuto mais tarde. Mais atrás, Andrea de Cesaris toma a posição de Johansson, mas no ensejo acaba quebrando a asa dianteira da McLaren do sueco.

Usando a força do motor Honda, Piquet ultrapassa Prost na reta Mistral ainda na primeira volta, formando a dobradinha da Williams naquela começo de GP. Ao contrário dos prognósticos, Senna não ataca Prost com o mesmo motor da Williams e era até mais assediado por Boutsen, enquanto De Cesaris abandona na quarta volta com o motor em chamas. O ritmo dos três primeiros era forte e ainda na décima volta Mansell alcançava os primeiros retardatários. Parte do bico da McLaren de Johansson fica alojada na asa dianteira de Mansell, fazendo com que o inglês perdesse o equilíbrio do seu carro e por consequência perdia também um pouco de ritmo e permitindo a aproximação de Piquet. Contudo, o brasileiro roda sozinho na freada da curva na volta 19 e mesmo voltando rapidamente à corrida, é ultrapassado por Prost, que acompanhava à distância os dois carros da Williams. O francês se encontrava num sanduíche dos carros da Willaism, com os três separados por pouco mais de 3s, numa corrida estática na briga pela liderança, mas bem apertada. Senna já vinha com 15s de atraso.

Na volta 31 Piquet abre a rodada de paradas, o que foi seguido nas voltas seguintes por Senna, Prost e Mansell. Enquanto isso, Boutsen abandona com problemas no distribuidor. As voltas rápidas com pneus novos que fez antes dos rivais favoreceu Piquet, que emergiu na ponta, seguido por Prost e Mansell, que teve a parada ligeiramente mais lenta por causa dos detritos que foram retirados da frente do seu carro. Imediatamente após seus pneus atingirem a temperatura ideal, Mansell bateu recorde da pista em perseguição aos seus rivais. Prost foi deixado para trás na volta 39 no final da reta dos boxes. A vantagem de 3s que Piquet foi pulverizada pelo companheiro de equipe, mas Piquet resistia à Mansell, enquanto os dois ultrapassavam os retardatários. Na volta 46, Piquet sai de frente na curva Beausset e permite à Mansell mergulhar por dentro e reassumir a ponta. Nelson consegue manter o ritmo de Mansell, onde tentava pegar o vácuo do inglês na longa reta Mistral, numa briga apertada dos dois pilotos da Williams. Após sua parada, o motor de Prost perde rendimento e o francês diminui o ritmo para poupar o motor e uma possível quebra. Senna estava descontente com o equilíbrio do seu carro e corria sozinho em quarto, enquanto as duas Ferraris vinham a seguir, mas com uma volta de desvantagem. 

Mesmo andando 1s atrás de Mansell, Piquet resolve apostar alto e faz uma segunda parada nos boxes na volta 63, com dezessete para o final, mas tudo dá errado quando a Williams falha no pit-stop e Nelson perde 15s nos pits, retornando à corrida atrás de Prost. Zangado duplamente pela aposta errada e pelo erro da equipe, Piquet volta à pista voando, quebrando o recorde da pista e rapidamente chegando e ultrapassando Prost, que nem resistiu. Faltando doze voltas, Piquet tinha que tirar 20s. E ele tentou! O carioca era o mais rápido na pista, andando até 2s por volta mais rápido. Mansell administrava a ultrapassagem nos retardatários e se sentiu vingado quando deixou Senna para trás. Faltando duas voltas, Piquet ainda chegou à casa dos 7s de diferença para Mansell, mas era tarde demais para um ataque. Se a Williams não tivesse errado no segundo pit-stop de Piquet, talvez houvesse um final de corrida de tirar o fôlego, mas o 'se' não existe e Mansell venceu pela segunda vez na temporada, com Piquet completando a dobradinha da Williams e Prost completando o pódio. Senna fez uma corrida opaca em quarto, enquanto Fabi se aproveitava do abandono nas últimas voltas de Berger para ser quinto. O piloto da casa Phillipe Streiff fechou a zona de pontos, marcando o primeiro ponto dele em 1987, além do motor aspirado do seu Tyrrell. Frank Williams estava muito feliz com a dobradinha na França, apesar de Piquet não compartilhar a mesma alegria, mas o brasileiro cometeu dois erros durante a prova e numa disputa tão forte como a que teve com Mansell, qualquer detalhe faria a diferença. Senna estava irritado por estar uma volta atrás dos líderes e mesmo ainda liderando o campeonato, sua insatisfação com a Lotus era cada vez maior. Prost também reclamou bastante da falta de potência do seu motor TAG Porsche. A dobradinha em Paul Ricard mostrava que a Williams-Honda era mesmo o carro a ser batido em 1987.

Chegada:
1) Mansell
2) Piquet
3) Prost
4) Senna
5) Fabi
6) Streiff 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

História: 35 anos do Grande Prêmio da Holanda de 1982

Com o cancelamento em cima da hora do Grande Prêmio da Argentina, os patrocinadores pressionavam as equipes por mais uma corrida no calendário da F1, mesmo que fosse realizada em meio à Copa do Mundo. Espanha e Holanda eram as favoritas, mas como as negociações com os espanhóis falharam, os holandeses tiveram que organizar um Grande Prêmio às pressas e ainda teve que trazer a corrida para o sábado, para não colidir com as quartas-de-finais da Copa do Mundo. Patrick Tambay foi contratado pela Ferrari para substituir Gilles Villeneuve e para evitar maiores problemas com o seu primeiro piloto, Tambay era muito amigo de Didier Pironi. Após um acidente que parecia sem maiores consequências em Montreal, Nigel Mansell acabou machucando o pulso e não correria em Zandvoort, sendo substituído pelo jovem piloto de testes da Lotus, o brasileiro Roberto Moreno, desde 1980 na equipe, mas sem maiores chances no time de Colin Chapman. 

O clima em Zandvoort não era dos melhores e a chuva se fez presente em vários momentos, atrapalhando os pilotos na tentativa de conseguir o marcar tempo. O grid foi praticamente definido nos últimos trinta minutos da primeira classificação, na quinta-feira, quando houve pista seca e Arnoux ficou com a pole, melhorando a pole de 1981 em 4s. Prost completava a dobradinha da Renault na primeira fila. Piquet consegue o terceiro tempo com sua Brabham-BMW. Prejudicada por problemas de confiabilidade, seu companheiro de equipe Patrese foi apenas décimo. Depois de alguma hesitação Pironi optou por não utilizar a Ferrari com o novo câmbio longitudinal e ficou na quarta posição. Tambay mostrou imediatamente um bom ritmo e conseguiu o sexto melhor tempo. Toleman-Hart tinha realizado testes extensivos em Zandvoort semanas antes, o que explicava o grande décimo terceiro lugar de Warwick. Brilhante na América do Norte, Cheever não conseguiu qualificar seu Ligier, o mesmo ocorrendo com Moreno na segunda Lotus.

Grid:
1) Arnoux (Renault) - 1:14.233
2) Prost (Renault) - 1:14.660
3) Piquet (Brabham) - 1:14.723
4) Pironi (Ferrari) - 1:15.825
5) Lauda (McLaren) - 1:15.832
6) Tambay (Ferrari) - 1:16.154
7) Rosberg (Williams) - 1:16.260
8) Giacomelli (Alfa Romeo) - 1:16.513
9) De Cesaris (Alfa Romeo) - 1:16.576
10) Patrese (Brabham) - 1:16.630

O dia 3 de julho de 1982 estava nublado nas dunas de Zandvoort e um pequeno público foi ao autódromo holandês para ver uma corrida que foi organizada em cima da hora e por isso, sem a promoção que merecia, além da concorrência cruel da Copa do Mundo. O famoso atraso do turbo em baixas rotações fazia com que René Arnoux normalmente não aproveitasse suas várias poles e 35 anos atrás não foi diferente, com o piloto da Renault largando muito mal, o mesmo não acontecendo com Prost (com o mesmo carro...), que assumiu a ponta numa bela ultrapassagem por fora sobre Arnoux, enquanto Piquet também largava mal, caindo para sexto.

O começo da corrida tinham todos os pilotos próximos e Piquet já tentava se recuperar de sua má largada, ultrapassando rapidamente Lauda e Tambay para ser quarto, enquanto Pironi pressionava Arnoux pela segunda posição. O piloto da Ferrari logo assumia a segunda posição e ia para cima da segunda Renault de Prost. A briga entre eles foi curta, com Prost começando a sofrer com os seus pneus Michelin. Piquet tentava se aproximar de Arnoux, enquanto mais atrás, Tambay segurava um pelotão de carros mais rápidos. Rosberg fazia várias ultrapassagens e na volta 12 finalmente deixa Patrick para trás, mas o piloto da Williams já estava mais de 20s atrás do líder Pironi, que administrava a vantagem de 4s em cima de Prost. Sofrendo com os pneus duros da Michelin, Arnoux é alcançado por Piquet e sem muita resistência, é ultrapassado pelo brasileiro na volta 15, mas Piquet já estava 6s atrás de Prost, que via Pironi se distanciar na frente. 

No final a volta 22, ocorreu o momento mais assustador e marcante daquela corrida. Quando se aproximava a 300 km/h da curva Tarzan, René Arnoux viu a roda dianteira esquerda do seu carro ganhar vida. Sem freios e sem controle, Arnoux foi direto para a proteção de pneus à alta velocidade. Numa F1 assombrada com duas mortes em pouco tempo, temeu-se pelo pior. A frente da Renault ficou destruída, mas a barreira de pneus absorveu bem a pancada e mesmo assustado, Arnoux estava ileso e era ajudado pelos comissários a sair do seu carro. Num circuito que adorava, Piquet começa a encostar em Prost, mas quando todos se animavam pela briga entre os dois grandes pilotos, o motor Renault de Prost perdeu rendimento e o francês tem que abandonar (mais uma vez...) na volta 33, deixando Piquet em segundo, mas 20s atrás de Pironi. Numa corrida sem muito brilho, Lauda demorou 38 voltas para ultrapassar Tambay, que logo depois era ultrapassado pela segunda Williams de Daly. Temendo pela parca confiabilidade do seu motor BMW, além do alto consumo do mesmo, Piquet diminui seu ritmo e permite a aproximação de Keke Rosberg.

A melhor briga da corrida era entre Derek Daly, Bruno Giacomelli e Michele Alboreto pela quinta posição, mas essa batalha acabou atrapalhando Piquet, normalmente cauteloso nos seus encontros com retardatários. Piquet perde tempo e vê sua vantagem para Rosberg cair para perigosos 3s, quando algumas voltas antes eram 11s! Numa das disputas entre Daly e Alboreto, o italiano leva a pior, enquanto Rosberg perseguia Piquet de perto, mas em nenhum momento o brasileiro da Brabham deixou uma brecha para que o piloto da Williams o atacasse. Didier Pironi recebeu a bandeirada com tranquilos 20s de vantagem sobre Piquet e Rosberg, que acabaram separados por menos de 1s. Lauda completou a prova num solitário quarto lugar, enquanto Daly e Baldi completavam os que pontuavam em 1982. Era a sétima vez que a Renault saía de mãos abanando de uma corrida, fazendo com que Prost e Arnoux ficassem cada vez mais longe de se tornarem o primeiro francês a ser campeão mundial. Naquele momento, a honra estava muito próxima de Didier Pironi.

Chegada:
1) Pironi
2) Piquet
3) Rosberg
4) Lauda
5) Daly
6) Baldi

domingo, 2 de julho de 2017

The King Richard

Fora das pistas, o sorriso no rosto, o grande bigode, o óculos escuro e o grande chapéu de cowboy. Dentro da pista, o carro azul número 43 patrocinado pela STP. Por mais de três décadas, essa foi a síntese da Nascar representada pelo seu rei, Richard Petty. Homem de números superlativos, Petty entrou para a história como o maior piloto da história da Nascar, se tornando um ícone da categoria, principalmente nos primeiros anos da Nascar, quando a stock car americana tinha um quê de festa do interior do meio oeste americano. Completando 80 anos de idade, vamos passar um pouco pela história dessa lenda americana.

Richard Lee Petty nasceu no dia 2 de julho de 1937 em Level Cross, na Carolina do Norte, bem próximo do berço da Nascar, onde o pequeno Richard cresceu. Desde criança, Richard viveu intensamente as corridas, com seu pai Lee Petty se tornando um dos principais pilotos dos primórdios da categoria com sua equipe, a Petty Enterprise. Desde o colegial Richard se preparou para correr e quando completou 21 anos de idade, em muitos locais a idade mínima para se iniciar nas corridas, ele fez sua primeira corrida da Nascar. Seu pai já era um dos principais nomes da Nascar e em 1959 ele venceria a primeira Daytona 500, ano em que Richard se tornaria o novato do ano e teria a curiosa situação de perder sua primeira vitória por causa do seu pai, que protestou após a corrida e acabou ganhando em Lakewood. Porém, as primeiras vitórias não tardariam a acontecer e também o sucesso para Richard, que logo ultrapassaria seu pai no quesito fama na Nascar. Após boas temporadas, finalmente Richard Petty vence o campeonato e a Daytona 500, principal corrida do certame, em 1964. Na época correndo pela Plymouth, Petty passaria um ano de fora da Nascar por causa de um boicote aos motores Hemi, mas Richard retornaria em 1966.

E Petty retornaria vencendo pela segunda vez a Daytona 500 de forma dramática, após ter problemas e chegar a ficar duas voltas atrasado, o fazendo o primeiro piloto a bisar a corrida em Daytona. Richard Petty já era o piloto mais popular da Nascar por causa de seu carisma e de sua velocidade. Ninguém parecia deter Petty e em 1967 ele conquistou seu segundo título com direito a 27 vitórias na temporada, sendo dez consecutivas. Cinquenta anos atrás, Richard Petty ganharia o apelido que o marcaria para sempre: The King. Em 1971 Petty vence Daytona pela terceira vez, assim como o campeonato e no final do ano, assina contrato com a STP, adotando o mítico lay-out azul-laranja, que junto com o número 43, transformaria num dos carros mais conhecidos do automobilismo. E as novas cores dão sorte, com Petty conquistando mais um campeonato e em 1973 ele bateria Steve Baker numa ultrapassagem por fora nas últimas voltas para vencer a Daytona 500 pela quarta vez. No ano seguinte, a Nascar diminuiu em cinquenta milhas a corrida em Daytona por causa da crise petróleo, mas Petty não se fez de rogado e venceu mais uma vez, no que seria completado com mais um título no final do ano.

Aos 38 anos de idade, Richard Petty alcança o auge de sua carreira ao vencer o título da Nascar pela sexta vez com o recorde de treze vitórias, incluindo a primeira World 600, em Charlotte, considerada a segunda corrida mais importante do calendário. Alguém poderá retrucar. Como a campanha de 1975 foi recorde, se em 1967 o Rei venceu quase o dobro de corridas? Até 1972 o calendário da Nascar permitia mais de uma corrida por final de semana e foi justamente nesse época que Petty empilhou um número absurdo de vitória, tanto que a Nascar considera sua época moderna a partir de 1972, quando se fazia uma corrida por final de semana da categoria principal. Em 1976 Petty perdeu a Daytona 500 numa chegada espetacular, quando se envolveu num acidente com David Pearson na última volta e acabou em segundo. Durante o biênio 1978-79 Petty passou por algo que nunca havia sentido: 45 corridas sem vitória. Contudo, o final do tabu aconteceria na pista favorita de Richard, vencendo a Daytona 500 de 1979. Essa prova ficaria para sempre marcada pela luta, literalmente, entre Donnie Allison e Cale Yarborough pela vitória e que acabou em acidente na última volta e briga entre os envolvidos na primeira corrida transmitida ao vivo da Nascar. E com vitória do piloto mais popular da categoria, Richard Petty, que conquistaria seu sétimo e último título no final da temporada.

Petty venceria a Daytona 500 pela última vez em 1981, derrotando Donnie Allison, mas a chegada de jovens pilotos como Dale Earnhardt, Darrell Waltrip, Terry Labonte e Bill Elliot no início dos anos 1980 significava uma mudança de guarda da Nascar. Ainda com a popularidade em alta, Petty ainda tinha gana para vencer e em 1984 ele saiu da equipe do seu pai, onde corria desde a década de 1950, para tentar se manter competitivo. Na primavera daquele ano, aconteceria a segunda corrida em Daytona no calendário, uma prova de 400 Milhas. Bem no dia da independência americana, Ronald Reagan deu o sinal para ligarem os motores e numa chegada sensacional, Petty derrotou seu velho rival Cale Yarborough por um bico, na bandeirada. Era a vitória de número 200 de Richard Petty na Nascar. E também a última. Contando com quase 45 anos de idade, a carreira de Petty começava a declinar. Seu filho Kyle iniciou uma carreira medíocre na Nascar, onde esteve milhas de se igualar ao seu pai ou até mesmo o seu avô. No final de 1991, Petty, já de volta à equipe da família, anuncia que 1992 seria sua última temporada na Nascar. Em todas as pistas em que visitaria pela última vez como piloto, houve uma comoção local de fãs, pilotos e equipes. No dia 15 de novembro de 1992, em Atlanta, a Nascar reverenciou o seu rei pela última vez. Na volta 94, Petty sofreu um acidente e parecia não mais retornar à prova, mas uma lenda não poderia sair de cena dessa maneira. A Petty Enterprise trabalhou incessantemente e faltando apenas duas voltas, Richard foi a pista para receber sua última bandeirada, aos 55 anos de idade. De forma discreta, o jovem Jeff Gordon estreava nessa mesma corrida.

Os números de Richard Petty são impressionantes. Foram 1.184 largadas e 200 vitórias, além de 123 poles. Foram sete títulos (1964, 67, 71, 72, 74, 75 e 79), algo só igualado por Dale Earnhardt e Jimmie Johnson e igualmente sete vitórias nas 500 Milhas de Daytona (1964, 66, 71, 73, 74, 79 e 81). A Petty Enterprise continua na Nascar até hoje, mas sem o comando no dia-a-dia de Richard, que vendeu o time em 2008, e sem o charme do patrocínio da STP. Se Kyle Petty não conseguiu seguir os mesmos passos de Richard, havia uma forte esperança de que seu neto Adam Petty pudesse fazê-lo, mas o jovem piloto faleceu aos 20 anos, num acidente em New Hampshire, apenas um mês depois do patriarca Lee morrer. Richard Petty continua até hoje no mundo da Nascar, levando seu carisma e simpatia para todos os fãs, que ainda o idolatra, mesmo que seus melhores anos já tenham completado 40 anos e que sua despedida tenha completado um quarto de século. Porém, os feitos do Rei são simplesmente inigualáveis! 

Parabéns!
Richard Petty

Na sala de estar

Oito corridas. Oito vitórias. Todas largando da pole. O retrospecto de Marc Márquez em Sachsenring é mesmo impressionante. Quando marcou a pole ontem, numa sessão atrapalhada pela chuva, o espanhol da Honda já se configurava como o maior favorito da prova alemã e Marc não decepcionou, com um triunfo praticamente de ponta a ponta, mas que teve um adversário surpreendente na figura do local Jonas Folger, em sua melhor corrida na carreira, onde levantou a torcida alemã. 

O clima próximo a Dresden, local do circuito saxão, foi bastante volátil durante todo o final de semana e mesmo muito nublado, a corrida aconteceu com piso seco, favorecendo ainda mais a Honda, que dominou o final de semana em Sachsenring e evitando as surpresas que a chuva sempre traz. Márquez largou na ponta, trazendo consigo Daniel Pedrosa e Jorge Lorenzo, em outra largada impressionante com a sua Ducati. Tendo Pedrosa como escudeiro, Márquez parecia ter a corrida nas mãos, mas o espanhol não contou com o fator local, que fez Jonas Folger ter a corrida de sua vida até agora. Completamente eclipsado pelo companheiro de equipe Johann Zarco esse ano, Folger se estabeleceu na quarta posição após uma briga muito forte com Danilo Petrucci e num ritmo fortíssimo, partiu para cima dos espanhóis que lideravam a corrida. No caso de Lorenzo, foi até fácil, com o piloto da Ducati despencando após a boa largada de Jorge. Contudo, a facilidade com que se aproximou e ultrapassou as duas Hondas levantou os mais de 70.000 expectadores que encheram o pequeno circuito alemão. Se Pedrosa rapidamente ficou pelo caminho, Márquez se manteve na cola de Folger. O piloto da Yamaha Tech 3 ainda se acostuma com a MotoGP e os erros de principiante eram esperados. E foram acontecendo na medida em que Márquez reassumiu a ponta e controlava Folger. Na aproximação da curva um, o alemão errou algumas vezes, permitindo que Márquez escapasse no final, mas não diminuindo a bela exibição de Folger.

Pedrosa teve outra corrida (mais uma em sua longa carreira) apagada e ficou isolado em terceiro. A partir de então, foi uma bela briga que envolveu vários pilotos. Descontente com a sua moto no molhado, Viñales prometeu que no seco seria diferente. E realmente foi. Largando em décimo primeiro, Maverick foi escalando o pelotão até atingir a quarta posição, logo à frente de Rossi, que rapidamente chegou nessa posição, mas foi incapaz de incomodar Pedrosa pelo lugar no pódio. Numa pista travada como Sachsenring, a potência da Ducati parecia incompatível e o ex-líder Doviziozo perdeu rendimento nas voltas finais, saindo da briga contra as Yamahas e ainda ficando atrás da Aprilia de Aleix Espargaró e a Ducati privada de Alvaro Bautista, que ressurgiu muito bem esse ano ao trocar a Aprilia pela Ducati/16. Lorenzo e Petrucci caíram inúmeras posições, mostrando que a Ducati ainda precisa melhorar bastante se quiser lutar pelo título, pois a constância é que faz os campeões, não brilhar em determinados circuitos e outros não.

Além da estatística vencedora na Alemanha, Marc Márquez tem outro número a comemorar. De 1998 para cá, apenas em 2015 o líder do campeonato após a corrida em Sachsenring não foi campeão. E com a vitória de hoje, somado ao final de semana difícil de Doviziozo e a dupla da Yamaha, o piloto da Honda assumiu a ponta do campeonato, mesmo que de forma apertada, onde os quatro primeiros estão muito próximos. Correndo praticamente em casa, Márquez entra de férias na ponta de uma campeonato imprevisível e emocionante.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

The end

Em 2006 e 2007, a F-Truck veio correr aqui em Fortaleza e fiz questão de pagar 50 reais para ver a categoria mais popular do Brasil no circuito do Eusébio. Na primeira edição, fiquei debaixo de chuva, na saída da curva um, enquanto no ano seguinte, fiquei na arquibancada protegido do sol forte, no final da reta. Foram duas boas atrações e que teve um bom público na ocasião. Apesar da Stock-Car se dizer a melhor do Brasil, bastava prestar um pouco mais de atenção para ver que a Truck era superior à Stock em termos de público e tecnicamente falando, com montadoras realmente investindo em equipes oficias e com caminhões bastante potentes e modernos.

A morte de Aurélio Batista Félix fez com que a categoria fosse comandada pela viúva do grande promotor da Truck. Foi um declínio longo, mas contínuo. O público ainda era grande e as corridas passavam ao vivo na TV Bandeirantes, mas não havia o mesmo apelo de antes. Haviam notícias de insatisfação com o comando da Truck e no início desse ano, as principais equipes e pilotos abandonaram a categoria, criando a Copa Truck. Restou à F-Truck alguns caminhões pilotados por pilotos de categoria duvidosa. Quando o tetracampeão Wellington Cirino correu, a vantagem foi estarrecedora para os demais pilotos. A Copa Truck conseguiu logo um acordo valioso com a Sportv, enquanto a F-Truck não tinha praticamente nada.

Hoje, a F-Truck anunciou que suspendeu a temporada 2017 e mesmo falando em 2018, não há razão para acreditar que a categoria retornará ano que vem, substituída pela Copa Truck, que irá correr por aqui nos próximos meses. O combalido automobilismo brasileiro perdeu sua maior categoria e mesmo substituída por uma similar, ainda não está no mesmo nível do auge da F-Truck. Correndo agora sozinha, se espera que a Copa Truck ao menos reviva a antecessora em termos de sucesso de público e crítica.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Figura(AZE): Valtteri Bottas

O finlandês da Mercedes mostrou a todos na F1 sua incrível resiliência. Não bastasse ser segundo piloto de uma das equipes dominantes da F1, correndo contra alguém do nível de Lewis Hamilton, Bottas provou que desistir não está em seu dicionário esportivo. A corrida de Bottas parecia fadada ao fracasso ainda na segunda curva, quando novamente se envolveu num acidente com seu compatriota Kimi Raikkonen. Valtteri teve o pneu traseiro furado no começo de um circuito de seis quilômetros, tendo que se arrastar até aos boxes com o sensível assoalho batendo no asfalto. Com certeza, o seu Mercedes não ficou incólume a tamanho judiação e quando terminou de trocar o pneu e a asa dianteira, Bottas estava uma volta atrás de todos os seus concorrentes e em último. Parecia fim da linha para o nórdico, mas Valtteri nunca pensou em desistir e após um começo tão ruim, os fatores começaram a favorecê-lo, quando a entrada do safety-car permitiu ao menos que Bottas recuperasse a volta perdida. O piloto da Mercedes ainda estava fechando o pelotão, mas estava na mesma volta dos outros pilotos. As primeiras ultrapassagens, até pelo carro que tem, aconteceram ao natural, mas a briga entre os dois carros da Force India, a quebra do favorito Felipe Massa e, principalmente, o entrevero entre Hamilton e Vettel colocou Bottas numa situação em que estava subindo ao pódio. A já incrível corrida de recuperação de Bottas ainda não tinha terminado. Precisando andar rápido para se ver livre de Vettel, Bottas tirava mais de 1s do surpreendente segundo colocado Lance Stroll e quando se abriu a última volta, parecia que apenas um erro do novato canadense poderia fazer Bottas subir ainda mais. Não foi preciso. Bottas pegou o vácuo de Stroll e na linha de chegada, recebeu a bandeirada numa extraordinária segunda posição, após ter ficado em último a uma volta de todo mundo. Uma prova de que Valtteri Bottas tem uma resiliência e uma força mental acima da média.