quarta-feira, 9 de agosto de 2017

História: 30 anos do Grande Prêmio da Hungria de 1987

No último final de semana de julho de 1987, Peter Warr recebeu uma carta do advogado de Ayrton Senna reivindicando uma cláusula do contrato do brasileiro com a Lotus sobre a competitividade da equipe. Senna estava em negociações avançadas com a McLaren e não queria outro problema judicial em sua saída da Lotus, como ocorrera com a Toleman três anos antes, e para isso usou a cláusula de competitividade, já que era nítido que a Lotus não poderia lutar com Williams e McLaren pelo título, enquanto o time de Ron Dennis estava muito próximo de anunciar o motor Honda para 1988. Irritado, Warr contratou Nelson Piquet para 1988. O brasileiro estava extremamente insatisfeito com a Williams e sua política de igualidade de condições entre seus pilotos. "Eu trabalhei muito duro para transformar o carro da Williams no melhor da F1 sem ajuda de ninguém. E agora vou ter que disputar o título com meu companheiro de equipe? Isso não me serve!", bradou Piquet. Isso foi um golpe para Senna. Ele negociava um grande contrato com a McLaren e a Marlboro, pois sabia que tinha um contrato com a Lotus se algo desse errado, mas com Piquet garantido na Lotus, ganhando um salário altíssimo bancado pela Camel, Senna teria que diminuir sua pedida se quisesse mesmo ir para a McLaren em 1988.

Um fato pouco conhecido era que o principal alvo da McLaren para 1988 era Piquet, mas o brasileiro não queria outra guerra aberta com Prost após a experiência com Mansell na Williams. Mesmo com a ajuda da Honda, Senna era uma segunda opção. Muito se falou na época em salários e depois ficou comprovado que Piquet tinha o maior salário da F1 com o seu contrato com a Lotus em 1988. Para garantir o melhor motor da F1, Warr assegurou Satoru Nakajima em 1988 na Lotus, mesmo o japonês não tendo feito uma estreia auspiciosa na F1. E Piquet teria no contrato que era o piloto número um da Lotus. A ida de Piquet para a Lotus também atingiu em cheio a Williams. Nelson era um piloto Honda, inclusive com seus salários pagos pelos japoneses. A intransigência da Williams em não dar o status de piloto número um para Piquet fez o brasileiro sair da equipe, deixando a Honda ainda mais irritada com a parceira. Não nos esqueçamos que a Honda nunca engoliu muito bem a perca do título de 1986. A Williams ainda sonhava em permanecer com a Honda, pois o contrato datava até o final de 1988, mas era claro que um divórcio era iminente e naquela momento a melhor equipe da F1 estava praticamente sem motor e procurando pilotos. Os favoritos eram Thierry Boutsen, Alessandro Nannini, Martin Brundle e Jonathan Palmer, este último, antigo piloto de testes da Williams. 

Mansell ficou com a sua décima primeira pole com o tempo da sexta-feira, que ocorreu com o clima mais fresco e até mesmo um pouco de chuva. No sábado, o forte calor impediu que todos melhorassem seus tempos, por pura falta de aderência na pista. Mansell superava em 3s a pole de Senna de 1986, mas ao lado do inglês estava a grande surpresa do dia: a Ferrari de Berger. Desde o verão de 1985 que a Ferrari não colocava ninguém na primeira fila! Provando o bom entendimento da Ferrari em Hungaroring, Alboreto conseguia um bom quinto lugar, enquanto Piquet era terceiro. Prost teve problemas com sua McLaren, que tentava sanar o banal problema que tirou a vitória do francês na Alemanha, e teve que se conformar com a quarta posição. Senna era apenas sexto, enquanto Warwick conseguia um miraculoso nono lugar, mesmo enfrentando uma forte conjuntivite.

Grid:
1) Mansell (Williams) - 1:28.047
2) Berger (Ferrari) - 1:28.549
3) Piquet (Williams) - 1:29.724
4) Prost (McLaren) - 1:30.156
5) Alboreto (Ferrari) - 1:30.310
6) Senna (Lotus) - 1:30.387
7) Boutsen (Benetton) - 1:30.748
8) Johansson (McLaren) - 1:31.228
9) Warwick (Arrows) - 1:31.416
10) Patrese (Brabham) - 1:31.586

O dia 9 de agosto de 1987 amanheceu com forte calor em Budapeste, o que poderia indicar uma corrida difícil naquela dia de verão na Hungria. Nos treinos, com muito calor, os pilotos reclamaram bastante da falta de aderência com a pista quente. "Parece gelo", reclamou Johansson. Berger sofria com problemas estomacais e estava em constante cuidados quando estava fora do carro, o mesmo acontecendo com Warwick. O Grande Prêmio da Hungria havia se tornado um sucesso de público e a corrida seria transmitida ao vivo até para a União Soviética. Mesmo com o forte calor e os problemas de aderência, a Goodyear sugeriu às equipes que não trocassem os pneus durante a corrida. Na luz verde, Berger vacila um pouco ao evitar queimar a largada e é ultrapassado por Piquet, enquanto Mansell lidera com facilidade a primeira curva. Ainda na segunda curva, Berger retoma a segunda posição e é acompanhado por Alboreto, com as Ferraris separando os dois carros da Williams. Prost larga muito mal e cai para sexto.

Para surpresa geral, Berger e Alboreto não apenas seguem Mansell de perto, como colocam pressão no inglês, com Piquet ficando a 4s de Alboreto, num solitário quarto lugar. Senna ficava para trás e já era pressionado por Boutsen. A má largada de Prost se mostrava num problema de câmbio que faz o francês perder algumas posições nas primeiras voltas. Mansell aumenta o ritmo, mas Berger ainda o perseguia de perto, com ambos trocando a melhor volta da corrida, enquanto eram acompanhados por Alboreto e Piquet, que se aproximou do italiano. Após muito tempo, a Ferrari voltava à briga pela vitória! Porém, na volta 13, Berger sai lento da última curva e abandona com o diferencial quebrado, deixando Mansell com 6s de vantagem na ponta. Duas passagens depois Johansson, que tinha ultrapassado Prost, tem o diferencial quebrado na chicane e acaba rodando. Para evitar bater no companheiro de equipe, Prost roda, mas mantém o carro funcionando e volta à corrida, ainda mais atrasado. Senna era pressionado por Boutsen na briga pelo quarto lugar, mas o belga tinha problemas nos freios e talvez por isso, não ameaçava de forma mais incisiva o brasileiro, que lutava com um Lotus bem instável no momento.

Num circuito estreito e sinuoso como Hungaroring, negociar bem com os retardatários era essencial. Alboreto e Piquet brigavam pela segunda posição enquanto se livravam dos carros mais lentos. Na volta 29, Piquet consegue colocar o carro por dentro na primeira curva, mas perde o carro um pouco na freada e Alboreto emparelha, porém, Piquet fica por dentro na segunda curva e completa uma ultrapassagem trabalhada. A Williams voltava a fazer dobradinha, algo normal em 1987. Assim que ultrapassa Alboreto, Piquet aumenta o ritmo e parte em perseguição à Mansell, mas o inglês responde e os dois passam a trocar melhor volta da corrida. Nigel tinha 12s de vantagem e a corrida, aparentemente, sob controle. Senna se livra um pouco da presença de Boutsen quando os problemas nos freios do belga pioram e ele diminui o ritmo. Senna começava a cortar a diferença (que era grande) para Alboreto, mas logo fica claro o motivo disso, quando o italiano encosta sua Ferrari na grama com o motor quebrado. Zero ponto para a Ferrari, mas finalmente um desempenho encorajador para os italianos em 1987. A corrida fica estática e o único momento de emoção foi o toque entre os dois carros da Arrows. Apesar dos problemas, Prost permanecia na corrida e estava para se aproveitar de um problema no turbo de Boutsen, que fez o belga perder ainda mais rendimento. Na volta 59, o francês assumia o quinto lugar, já uma volta atrás de Mansell, que administrava sua vantagem sobre Piquet, contudo, ambos andando muito forte e bem mais rápido do que o resto do pelotão.

A corrida se encaminhava para o colo de Mansell, que completara 34 anos no dia anterior. Piquet diminui o ritmo quando uma vibração faz o brasileiro se aquietar. O problema parecia sério a ponto de Piquet ter dificuldades nas voltas finais. Porém, o problema se mostra ainda mais sério no outro carro da Williams, num dos abandonos mais cruéis da F1 nos anos 1980. Faltando cinco voltas para a bandeirada, Mansell vinha impávido quando seu Williams bambeia no final da reta oposta. O inglês ainda consegue fazer duas curvas, mas logo estaciona seu carro na grama. O replay mostrava a porca da roda traseira direita do carro de Mansell se soltando e destruir outra vitória do inglês em 1987. Nigel se senta num guard-rail inconsolável. Foi um duro golpe para Mansell! Informado do problema do seu companheiro de equipe e supondo que era isso a causa das fortes vibrações em seu carro, Piquet diminui o ritmo, já que Senna vinha 43s atrás. Apesar do drama, Piquet recebe a bandeirada em primeiro, numa vitória totalmente inesperada, com Senna completando outra dobradinha brasileira, mas sem o mesmo brilho de 1986. Apesar dos problemas, Prost termina em terceiro, com o seu motor soando muito mal, mas Boutsen tinha quebrado seu turbo faltando duas voltas e se arrastou para receber a bandeirada em quarto, uma volta atrás de Piquet. Patrese marcou seus primeiros pontos de 1987 e mesmo tocado pelo companheiro de equipe e sofrendo com conjuntivite, Warwick fechou a zona de pontuação. Piquet dava um passo decisivo rumo ao tricampeonato. Ele tinha oito pontos de vantagem sobre Senna, mas todos sabiam que Ayrton não tinha como deter a força da Williams-Honda. Porém, Mansell já se encontrava dezoito pontos atrás, o que significava duas corridas completas, com o campeonato já se aproximando do seu final. "Eu já dei o meu beijo de despedida do campeonato", lamentou Mansell. Enquanto isso, Piquet se regozijava. "Eu falei na Alemanha que minha temporada tinha começado lá. Pobre do Mansell...", falava o carioca com um sorriso no canto da boca. O título se encaminhava ao brasileiro da Williams, mesmo de saída da equipe.

Chegada:
1) Piquet
2) Senna
3) Prost
4) Boutsen
5) Patrese
6) Warwick

domingo, 6 de agosto de 2017

What a feeling

A volta das férias da MotoGP foram bem conturbadas pelo clima instável em Brno, lugar do Grande Prêmio da República Tcheca. A chuva apareceu no meio da Moto2 e já deixou a corrida da categoria menor confusa, praticamente nos mostrando duas corridas distintas. A MotoGP foi declarada com pista molhada, mas na volta de apresentação já fazia sol. Quem tivesse uma melhor sensibilidade sobre as condições de pista, iria sobressair. E quem teve o 'feeling' perfeito foi Marc Márquez. O espanhol da Honda, que largou na pole, escolheu o pneu menos favorável para a condição de pista molhada e por isso foi o primeiro a trocar de moto. Quando a poeira baixou, Márquez tinha uma vantagem inexpugnável de 20s e com a vitória de hoje, começa a disparar na frente do campeonato.

Ao contrário das corridas malucas, o resultado em Brno foi bem normal, com as duas Hondas terminando em dobradinha após terem dominados nos treinos, após um teste acontecido semanas antes na bela pista tcheca ter deixado a Honda com um passo à frente das rivais. Com a pista molhada, mas com o sol já brilhando, Márquez resolveu calçar os pneus traseiros com o composto de chuva mole, porém, a pista secava a olhos vistos, tendo a surpreendente liderança de Jorge Lorenzo, que disparou em outra largar sensacional e ao contrário do visto anteriormente, se destacava com pista molhada. Com o desgaste de pneus mais acentuado, Márquez foi perdendo posição em cima de posição e fez o espanhol pensar rápido e ser um dos primeiros a parar nos boxes e trocar de moto, acertada para piso seco. Marc venceu a corrida nesse momento. Os demais pilotos foram parando nas voltas seguintes e Márquez, mais rápido na pista com larga vantagem com os pneus corretos para a ocasião, se viu com 20s de vantagem para pilotos com máquinas fracas, como Redding, Aleix Espargaró e o piloto da casa Karel Abraham. Logicamente eles foram superados pelos pilotos que demoraram mais um pouco para parar e Daniel Pedrosa completou a dobradinha da Honda numa pilotagem segura, mas também solitária.

Maverick Viñales parou um pouco de lamentar sua situação perdida dentro da Yamaha e foi ganhando posições até alcançar a terceira posição, voltando ao pódio depois de muito tempo, mas ao mesmo tempo ficando com um gosto amargo de ver um título que parecia bem alcançável cada vez mais nas mãos de Márquez. Se Valentino Rossi fosse realmente correr na F1, ele teria sérios problemas nas estratégias, pois novamente o italiano julgou errado a hora de parar, sendo um dos últimos a trocar de moto e perdeu um tempo impressionante na manobra, caindo para o pelotão intermediário, mas ainda tendo tempo para salvar um quarto lugar, numa bela ultrapassagem na última volta sobre Cruthlow. Doviziozo seguiu Rossi na estratégia e ficou em sexto, enquanto Lorenzo passou pelo mico de entrar nos boxes e encontrar a Ducati ainda arrumando sua moto, o deixando nas últimas posições e bastante contrariado.

Marc Márquez teve o sentimento correto sobre a pista e entrou nos boxes na hora certa para garantir uma importante vitória nessa volta às férias da MotoGP e consolidar ainda mais sua liderança no campeonato. Num campeonato onde Honda, Yamaha e Ducati se alternam nas vitórias de acordo com a pista, Márquez soube utilizar bem a vantagem da Honda e numa condição difícil por causa do tempo venceu com extrema categoria. Os pilotos da Yamaha, principalmente Viñales, parecem um pouco perdidos com o acerto da moto e de grandes favoritos ao título, vêem cada vez mais de longe Márquez tentar garantir um quarto título em cinco anos.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Que pena

Definitivamente a motovelocidade não terá um 2017 para ser lembrado. Ao contrário do que ocorreu com Nicky Hayden, o grave acidente de Angel Nieto em Ibiza não deixou todos alarmados. O caso do americano era desde sempre gravíssimo, enquanto as notícias sobre o veterano espanhol não eram de todas ruins e havia um quadro de evolução nos últimos dias. Porém, tratava-se de uma pessoa de 70 anos de idade. O quadro piorou de uma hora para outra o 'Anjo' nos deixou hoje, deixando todo o mundo do esporte a motor mais triste. Nieto foi o primeiro grande astro espanhol do mundo da motovelocidade, dominando as classes menores do Mundial de forma arrebatadora, conquistando treze títulos (ou 12+1) ao longo de quinze anos e era o terceiro piloto com mais vitórias na história do Mundial de Motovelocidade (90). Seus dois filhos o seguiram nas corridas, mas sem o mesmo brilho. Uma lenda que foi reverenciada durante a vida e será para sempre celebrado como um dos gigantes da história.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Espetáculo ruim

Domingo retrasado voltei a um autódromo pela primeira vez em quase dez anos e pude experimentar novamente o que é a essência do automobilismo. Ao meu lado, crianças se encantavam com os 'brutos' da Truck, que passavam com seus bólidos coloridos em alta velocidade à nossa frente. Foi emocionante ver especialmente um menino, cuja a mãe dizia que agora estava com um problema, pois seu filho iria querer sempre estar ali.

E lembrei do que motivo porque gosto tanto de corrida. Costumo dizer que o amor pelo automobilismo se sustenta pelo binômio carro-piloto. Se o carro encantar pela velocidade, pelo barulho que faz e até mesmo por sua beleza, muita gente fará questão de acompanhar a prova. Se atrás do volante do tiver um piloto carismático e ídolo de todos, quem não irá acompanha-lo? 

Essa semana que se passou, Mercedes e Porsche surpreenderam a todos a anunciar suas saídas, respectivamente, de DTM e WEC para se mudarem para a F-E, que teve nesse seu final de semana suas corridas finais e que consagrou o brasileiro Lucas di Grassi como novo campeão. Sinceramente tentei assistir a corrida de sábado. Não consegui, preferi assistir um joguinho que passava em outro canal. A F-E representa exatamente o inverso pelo o que me apaixonei pelo automobilismo. Vejamos. Os carros são vergonhosamente lentos e tenho uma teoria que a F-E só corre em circuito de rua para disfarçar a lentidão dos carros, que ficariam evidentes em circuito permanentes, além da comparação com outras categorias. 

Além de lentos, os carros são feios. Muito feios. Simplesmente não encanta aquelas proteções nas rodas e os pneus com perfil alto. Por sinal, o fato dos pneus não serem slick torna a corrida quase amadora, maximizado pelo fato do carro simplesmente não ter autonomia de completar a prova, com os pilotos tendo que trocar de carro no meio da prova. Precisa falar alguma coisa sobre o som que os motores elétricos fazem? Faz vergonha até ao liquidificador aqui de casa!

Durante o Grande Prêmio da Inglaterra, Lewis Hamilton pulou para os braços do povo após sua vitória, mostrando um pouco o quanto o inglês é popular. Alguém seguraria Lucas di Grassi nos braços? O pessoal da Fox Sports com certeza não... Diga-se de passagem, existia um site muito bom chamado 'F1 Rejects', que era uma ode à F1 lado B. Para entrar nessa lista, o piloto tinha 'requisitos' para estar presente nela. Um piloto nunca poderia ter ido ao pódio e ter marcado no máximo um determinado número de pontos durante sua passagem na F1. Poucos, logicamente. Lucas di Grassi e Sebastien Buemi entram com certeza na categoria 'F1 Reject'. Pilotos ruins? Não. Apenas longe, muito longe de serem estrelas que chamem público.

Categorias como DTM e WEC morrerem por causa da F-E seria um pecado muito maior do que a cisão da Indy em meados da década de 1990. Apesar do futuro indicar que os carros de rua sejam elétricos nas próximas décadas, isso não pode simplesmente indicar o fim do automobilismo como gostamos. Não será possível que essa tecnologia não faça nos emocionar? Torcer por um carro e um piloto? 

Pois a F-E não consegue fazê-lo nesse momento. O espetáculo é ruim, chato e insípido. E apesar da chegada de várias montadoras, o público parece não se interessar e os exemplos estão aí aos montes. Quinze dias atrás tive a curiosidade de acessar o site Motorsport americana, para ver o que se falava da F-E, que naquele final de semana corrida nas ruas de Nova Iorque. Muita Nascar, alguma coisa de F1 e Indy. E rodapé para a F-E. Semana passada houve uma briga verbal entre Di Grassi e Buemi, mas nada chamou mais a atenção do que o 'Suck my balls' de Magnussen à Hulkenberg depois do Grande Prêmio da Hungria. Por sinal, a F1 caminhava para ser uma competição 'amiga' da natureza, mas logo se percebeu que os fãs estavam indo embora e o que fez a F1? Aumentou a potência dos carros, tenta fazer os pilotos ainda mais estrelas e procura o ronco do motor perdido.

Neste domingo, a etapa derradeira da F-E teve sua largada marcada, coincidentemente, no mesmo momento em que a Indy teria a bandeira verde em Mid-Ohio. As duas teriam suas provas transmitidas ao vivo. A Indy está longe dos áureos tempos. Mas tem velocidade, ronco de motor bonito e público fiel ao seus ídolos. Adivinhem qual corrida assisti? 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Figura(HUN): Kimi Raikkonen

O finlandês da Ferrari teve uma corrida irrepreensível na Hungria e mesmo escolhendo não vencer, praticamente garantiu seu lugar no time em 2018. Raikkonen andou no ritmo de Vettel o final de semana inteiro e não foi diferente na corrida, onde a Ferrari despachou a concorrência até Vettel começar a sofrer com problemas em sua barra de direção. O carro do alemão puxava para a esquerda, enquanto Raikkonen tinha um carro perfeito e pronto para passar Sebastian. Raikkonen cobrou o time, deixando claro que poderia vencer tranquilamente, mas Kimi escolheu ser um 'team player' e ficou escoltando Vettel até o final da prova, mesmo fortemente atacado pelos dois carros da Mercedes. Kimi soube se defender sem ser ameaçado, da mesma forma em que deixava o fragilizado Vettel vencer sem maiores arroubos. O segundo lugar de Raikkonen, onde defendeu o primeiro piloto da equipe com maestria, mostrou que a Ferrari pode contar com Kimi Raikkonen quando puder e o finlandês não esquentará sua fria cabeça com isso. Provavelmente, até a próxima temporada!

Figurão(HUN): Max Verstappen

A Red Bull via em Hungaroring um excelente cenário para enfrentar de igual para igual as dominantes Ferrari e Mercedes. O travado circuito magiar não exigia muitos dos motores e a eficiência da aerodinâmica dos carros da Red Bull já havia feito Daniel Ricciardo dominar na sexta, mas o aumento de potência nos motores Mercedes e Ferrari no sábado fizeram com que essas equipes voltassem às duas primeiras filas na classificação, enquanto a dupla da Red Bull largava na conhecida terceira fila. Porém, em ritmo de corrida, a expectativa era boa para os austríacos e a largada foi excelente. Hamilton não saiu muito bem e a dupla da Red Bull brigava à frente do inglês. Verstappen estava ligeiramente à frente de Ricciardo no aproche da segunda curva e por dentro. O australiano vinha por fora, na tentativa de obter vantagem na curva seguinte. Porém, Max estragou as boas perspectivas da Red Bull numa freada forte para se manter à frente do seu companheiro de equipe, fazendo o holandês perder a frente do carro e ir em direção ao bólido de Ricciardo, enchendo a lateral do australiano que abandonou metros depois com o radiador quebrado. O bom moço Ricciardo chegou fulo da vida aos boxes e não aliviou nas entrevistas, chamando Max até de amador. Como resultado da manobra desastrada, Verstappen foi punido e ficou longe da briga pelo pódio, que pelo ritmo imprimido pelo holandês nas voltas finais, quando facilmente chegou em Valtteri Bottas, era algo amplamente plausível. Verstappen estragou o final de semana mais promissor da Red Bull no ano e as desculpas que o holandês obviamente deu não foram suficientes para apagar a asneira feita ainda na segunda volta de uma longa corrida. 

domingo, 30 de julho de 2017

Funil apertado

Enquanto a F1 chegou hoje na sua metade da temporada, a Indy já se encaminha para as suas últimas quatro corridas do ano e o funil está ficando cada vez mais apertado, mas com algumas indicações bem claras. Com seus quatro pilotos entre os cinco primeiros do campeonato, a Penske tem tudo para que um dos seus pilotos seja o campeão de 2017, pois nem mesmo o talento de Scott Dixon pode derrotar todo o poderio da Penske, além do que, Dixon corre sem o apoio dos seus companheiros de equipe.

Também ficou claro hoje em Mid-Ohio que Josef Newgarden está crescendo na hora certa e com uma vitória dominante, o americano não apenas conseguiu sua terceira vitória na temporada como assumiu a liderança do campeonato, mesmo que de forma marginal, pois a diferença entre Newgarden e Dixon, o terceiro colocado, é de apenas sete pontos, com Helio Castroneves no meio. Lembrando que a pontuação da Indy distribui bastante pontos, com o vencedor podendo levar até mesmo mais de 50 pontos numa etapa. Newgarden largou hoje em segundo e perseguiu seu companheiro de equipe Will Power nas primeiras voltas, mas o americano executou uma bela ultrapassagem em cima do seu companheiro de equipe e ficou na ponta até a bandeirada, numa vitória extremamente enfática, demonstrando que Josef, em seu primeiro ano na Penske, tem tudo para estrear carimbando seus companheiros de equipe logo de cara e ser campeão.

A briga pela segunda posição foi bem mais apertada e a única bandeira amarela da corrida ajudou a tornar as coisas ainda mais complicadas para Power, que teve que segurar até a bandeirada um trenzinho que tinha Graham Rahal, Simon Pagenaud, Takuma Sato e Alexander Rossi. Apesar de algumas colocadas de lado, a corrida terminou nessa mesma formação. Os então líderes do campeonato decepcionaram. Dixon começou a prova marcando Helio Castroneves e deixou o brasileiro para trás na primeira rodada de paradas, mas um problema no carro do neozelandês acabou deixando o brasileiro muito longe dos ponteiros e Dixon teve que antecipar sua segunda parada. Castroneves teve outra corrida opaca, onde foi ultrapassado na única relargada da corrida por Sato e Rossi, terminando a corrida apenas em sétimo, perdendo a chance que tinha para tomar a liderança do campeonato. Helio ainda acompanha seus companheiros de equipe em ritmo de classificação, mas é nítido que em ritmo de corrida Castroneves ainda deixa muito a desejar.

Das quatro corridas que restam, duas serão em ovais e duas em misto. Helio pode se dar bem em Gateway, que retorna ao calendário depois de 15 anos. Por sinal, o brasileiro venceu na ocasião. Porém, Castroneves não tem bom retrospecto em Pocono, Watkins Glen e Sonoma. A Honda de Dixon costuma se dar bem em ovais como em Pocono. Já Newgarden vem numa crescente e começa a pintar como favorito ao título, mas do jeito que o campeonato está embolado, é até difícil prever o que poderá acontecer nessa reta final de campeonato.