sábado, 7 de outubro de 2017

Completando o calendário

Os números que Lewis Hamilton ainda constrói em sua carreira na F1 já permite algumas pequenas peculiaridades. Com o recorde de poles na mão, Hamilton se dá o luxo de procurar alguns detalhes que ainda faltam nesse quesito. Antes de chegar ao sempre aclamado circuito de Suzuka, Hamilton descobriu que apenas no circuito japonês, no calendário atual da F1, ele ainda não havia sido pole. Pois não falta mais. Num final de semana avassalador, Hamilton conseguiu sua pole de número 71 na carreira e a primeira em Suzuka.

Ao contrário das últimas duas corridas, a Mercedes se achou completamente em Suzuka e Hamilton não quis saber de perder tempo para confirmar o favoritismo da equipe tedesca. Foi um domínio completo nesse sábado, com as melhores voltas em todas as sessões de classificação e o recorde histórico de Suzuka, superando os famosos carros V10 pré-2005. Sim amigos, os criticados motores híbridos já são mais potentes que os V10 e a geração atual de carros está batendo todos os recordes dos circuitos mais antigos da F1. Após um período complicado, Bottas voltou a mostrar o ar da graça ao ficar com o segundo melhor tempo, mas como ele trocou o câmbio (assim como Raikkonen), o nórdico largará apenas em sétimo, elevando Vettel à primeira fila, mas a Ferrari não deu pinta que poderá enfrentar a Mercedes, mesmo em condição de corrida. A Red Bull confirmou a boa forma com seus dois carros na segunda fila, desta vez com Ricciardo na frente de Verstappen. Num final de semana ruim no Japão, a Renault anunciou a demissão de Jolyon Palmer já na próxima corrida, enquanto Sainz estreia na próxima etapa do ano em Austin. Um golpe na carreira de Palmer, que dificilmente retornará à F1. Com a vaga bem ameaçada para 2018, Massa finalmente fez um bom trabalho e superou com sobras Stroll, algo que não vinha acontecendo ultimamente e minava as chances do brasileiro.

Pelo o que Hamilton mostrou nesse sábado, somente a chuva, presente na sexta, poderia dar alguma chance aos rivais, principalmente Vettel. O problema é que a previsão é de sol para o domingo. A Ferrari não soube usar a vantagem que tinha em Cingapura e na Malásia. Se a Mercedes confirmar a forma exibida, principalmente com Hamilton, o inglês poderá dar um belo passo rumo ao tetracampeonato. 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Saindo de cena

A notícia era tão conhecida, que nem chegou a impactar ninguém, apesar de ter como protagonista um piloto com história numa equipe como a Penske. A equipe do capitão Roger Penske nem esperou um mês em que Josef Newgarden venceu o título da Indy para anunciar a saída de Helio Castroneves da categoria em forma integral, se mudando para a IMSA, ainda com o apoio da Penske a partir de 2018, além de voltar para as 500 Milhas de Indianápolis ano que vem.

Os comentários da mudança de Helio para a IMSA eram intensos há vários meses e mesmo com desmentidos aqui e ali, fazia total sentido. O brasileiro já tem 42 anos e seu auge na Indy, apesar da sua popularidade com os fãs da categoria, já tinha passado há muito tempo. Helio Castroneves sai de cena da Indy com um cartel muito forte, com 30 vitórias, 38 poles e vários top-5, além das três vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis, que foi o motivo que sustentou Helio por tanto tempo na Penske.

Em momentos como esse, onde um piloto se despede de uma categoria com relativo sucesso, a tendência é cobrir de elogios e adjetivos como 'brilhante' ser colada na carreira do recém-aposentado. Os números de Helio Castroneves são muito bons, não restam dúvidas, mas correndo por dezoito anos numa equipe como a Penske, os números acabam deixando um pouco a desejar e o fato de nunca ter sido campeão não deixa de ser uma mácula. Chances não faltaram para Helio se sagrar finalmente campeão da Indy, mas ele não aproveitou uma sequer, mesmo tendo total apoio da maior e melhor equipe dos Estados Unidos.

O carisma de Helio o ajudou bastante a se manter tanto tempo em alto nível na Indy, mas foram suas vitórias em Indianápolis que o sustentaram na Penske, mesmo sem título. Em 2001 ele derrotou seu companheiro de equipe Gil de Ferran numa corrida dominada pela Penske. No ano seguinte, uma final polêmica deu a vitória para Helio. Arriscando na tática de combustível (Helio não chegaria ao final da prova em bandeira verde), Helio estava sendo ultrapassado por Paul Tracy quando veio a bandeira amarela salvadora. Até hoje há dúvidas se a bandeira amarela veio antes ou depois da ultrapassagem de Tracy... Já em 2009, Helio viveu um conto de fadas quando escapou da prisão após problemas com o fisco americano para vencer pela terceira vez em Indiana. Nos últimos oito anos, viveu-se a expectativa de uma quarta vitória de Helio, o que o deixaria igual às lendas A.J. Foyt, Al Unser Sr e Rick Mears com quatro triunfos. Minha opinião é polêmica, mas Helio Castroneves se juntar à esses três nomes seria de uma aberração tão grande, que talvez por isso ele tenha batido na trave tantas vezes nos últimos tempos. 

Gigante em Indianápolis, Helio sempre pecou durante o campeonato da Indy. Viu cinco (!) companheiros de equipes serem campeões. Foi vice algumas vezes, mas como ficou claro na última corrida da temporada 2017, faltava estofo de campeão ao paulista. A opaca corrida em Sonoma foi apenas mais uma apática corrida decisiva de Helio. Nos últimos anos o ritmo de corrida de Helio, particularmente em circuitos mistos, era sempre descendente e as vitórias rarearam, resultando em um inacreditável jejum de três anos, num período onde a Penske dominou a Indy. Outro fato que Helio pecou nesses anos todos foi um pouco do seu recalque quanto à F1. Quando ele saiu do Brasil para se tornar um piloto profissional, Castroneves primeiro foi para a Europa, mas apenas por um contingência ele acabou nos Estados Unidos. Mesmo com o seu sucesso na Indy, algumas vezes Helio mostrava uma certa mágoa de nunca ter corrido na F1 e não raro, quando tocava no assunto, atacava os pilotos da F1, se colocando na situação de injustiçado. Helio chegou a testar na F1, mas não chamou atenção de ninguém. Foram duas décadas na Indy sem que sequer fosse cogitado se transferir para a F1. Azar da F1? Sinceramente, não.

A ida para a IMSA em 2018 foi uma espécie de prêmio para Helio, devido à lealdade prestada à Roger Penske e o próprio dono da equipe pode ter ficado relutante em demitir um funcionário com tantos anos prestados à equipe. Os números de Helio na Indy não são de se jogar fora. As três vitórias em Indianápolis estão na história. Mas ficar dezoito anos na melhor equipe dos Estados Unidos sem um título não é algo a se comemorar.   

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Figura(MAL): Red Bull

Com retas longas, aparentemente o circuito de Sepang não parecia muito favorável à Red Bull e o não tão potente motor Renault. Talvez uma chuva, algo que sempre embaralha as coisas numa corrida e sempre presente em Sepang, poderia ajudar ao time austríaco e o melhor tempo no treino livre de sexta, com pista molhada, indicava que isso era possível. Porém, com pista seca a Red Bull parecia no páreo da briga pela pole, mas esta acabou nas mãos de Hamilton. Em outros momentos da temporada, a Red Bull deu pinta de pode brigar até pela vitória pelo desempenho no sábado, mas acabava sucumbindo no domingo. Porém tudo começou a ajudar os austríacos com o problema no motor da Ferrari de Raikkonen ainda antes da largada, talvez o rival mais perigoso da Red Bull. Verstappen aproveitou a brecha na sua frente e pulou para segundo, não demorando para atacar e ultrapassar Hamilton, assumindo a ponta. Ricciardo demorou um pouco mais, mas deixou a segunda Mercedes para trás. Era uma tática diferente? O tempo passou e mostrou que a Red Bull tinha ritmo mais do que suficiente para superar as Mercedes e Ricciardo ainda teve que segurar o rojão de Vettel nas voltas finais. Verstappen deixou para trás uma temporada de azares para vencer pela segunda vez na carreira de forma enfática, enquanto Ricciardo acumulou mais um pódio em 2017, o colocando como um dos pilotos mais sólidos da F1 atual. Foi a melhor exibição da Red Bull desde que perdeu o domínio da F1 no final de 2013 e numa pista que não lhe parecia ideal, isso pode significar uma terceira equipe pronta a vencer nessa reta final de 2017. Ótima notícia para a F1! E, claro, para a Red Bull.

Figurão(MAL): Ferrari

Pelo segundo final de semana consecutivo, a Ferrari tinha totais chances de marcar pontos importantes nos dois Mundiais em disputa, até mesmo fazendo dobradinha com seus pilotos na corrida, mas empacotou suas coisas no domingo à noite com um déficit maior do que tinha na sexta-feira pela manhã. Se em Cingapura a culpa foi da 'animação' excessiva dos pilotos na largada, desta vez quem pecou foi a confiabilidade dos carros vermelhos. Após a decepção cingapuriana, a Ferrari chegou à Malásia superando a rival Mercedes nos treinos livres, indicando que poderia reviver o final de semana na Cingapura, onde tinha tudo para dominar, mas uma largada terrível estragou tudo. Porém, as coisas começaram a degringolar ainda na primeira parte da classificação, quando Vettel, dominador no único treino livre seco da sexta, apareceu lento antes de completar sequer uma volta rápida. Um problema no motor fez com que o alemão abandonasse a classificação no começo, significando a última posição no grid para o alemão. Mesmo perdendo por pouco a pole para Hamilton, o ótimo ritmo de corrida da Ferrari deixava Raikkonen como grande favorito à prova. Isso, se ele conseguisse largar. Quando levava seu carro ao grid, Kimi sentiu um problema no motor (até o momento, não se sabe se foi o mesmo que fez Vettel abandonar a classificação) e após ter seu carro levado para os boxes, confirmou-se que o finlandês estava fora da corrida antes mesmo da largada. O ritmo de Vettel, que pulou de último para quarto na bandeirada indica bem o quão rápido a Ferrari estava na Malásia e com Hamilton não sendo capaz de andar no ritmo da Red Bull de Verstappen, mostrou bem que a Ferrari perdeu uma ótima oportunidade de se firmar nessa reta final do campeonato. Com dois vacilos seguidos, a Ferrari agora já não depende unicamente de si para ser campeã em 2017.  

domingo, 1 de outubro de 2017

Domínio laranja

Quando Max Verstappen assombrou o mundo em sua estreia pela Red Bull vencendo em Barcelona no ano passado, tudo aconteceu devido ao toque entre as duas Mercedes. Claro que o jovem holandês teve seus méritos na ocasião, mas não deixa de ser verdade que a vitória caiu no colo naquele dia. Hoje não. Verstappen largou em segundo com a inacreditável quebra de Raikkonen antes da largada, ultrapassou sem perder muito tempo Hamilton ainda nas primeiras voltas e a partir de então, despachou o líder do campeonato sem deixar qualquer chance para o azar, que tanto perseguiu Verstappen esse ano. Foi uma vitória enfática, sem sombra de dúvidas, além de um presente de aniversário de 20 anos para Max, que parece ter mandado a uruca para longe. Hamilton, ciente da sua confortável situação no campeonato, se acomodou com a segunda colocação, mas sua margem poderia ser ainda maior, se não fosse a belíssima corrida de recuperação de Sebastian Vettel.

Nessa última corrida em Sepang, os malaios assistiram uma bela corrida de F1, no que pode ter sido também o começo de um diferencial nessas últimas corridas da temporada 2017. Se o campeonato estava bipolarizado entre Mercedes e Ferrari, com ambas flutuando suas atuações de acordo com as características das pistas do calendário, hoje a Red Bull mostrou que pode entrar na briga pelas vitórias, numa exibição forte dos seus dois pilotos, principalmente Max Verstappen. Bafejado com uma falta de sorte incrível em 2017, o holandês fez uma corrida de gente grande um dia depois de completar apenas 20 anos de idade. Max largou bem, perseguiu Hamilton apenas por duas voltas e mesmo com um motor não tão potente quanto o do oponente, ultrapassou com até facilidade o inglês, com certeza correndo hoje no modo de segurança. Apesar de uma tentativa de contra-ataque de Hamilton, Verstappen começou a abrir da Mercedes, chegou a confortáveis 9s e passou a administrar uma prova toda sua. A agressividade e até mesmo a marra de Verstappen já foi muito criticada, mas assim como pilotos que chegaram mostrando muito serviço na F1, Verstappen tem motivos para se achar que vitórias como a de hoje deveriam ser rotina, não exceção. Se a primeira vitória de Max chegou a ser fortuita, hoje o holandês dominou na melhor corrida da Red Bull desde a mudança de regulamento em 2014. Daniel Ricciardo chegou a esboçar um ataque à Hamilton, mas a partir do momento em que os ponteiros fizeram suas únicas paradas, o australiano passou a se concentrar nos ataques de Vettel. Daniel se defendeu bem para colocar a segunda Red Bull no pódio, além de Ricciardo amealhar outro pódio, o deixando ainda mais destacado na quarta posição do campeonato.

Hamilton não parecia exatamente feliz no pódio, talvez esperando uma vitória que o deixasse ainda mais isolado na ponta do campeonato, mas o inglês saiu da Malásia totalmente no lucro. Se a Ferrari não tivesse um final de semana horroroso e a Mercedes seria a terceira força em Sepang, talvez com vitória de Vettel e Hamilton amargando um quarto lugar. Porém, tudo começou dando errado para a Ferrari na classificação e continuou no domingo com um problema de Raikkonen antes da largada, o deixando de fora de uma corrida que tinha tudo para ser dele. Vettel foi escolhido o piloto do dia após uma corrida de recuperação que quase o colocou no pódio, mas os problemas não terminaram, quando ele foi atingido por Stroll depois da corrida, destruindo a traseira da Ferrari. Pelo menos foi depois da corrida... Hamilton saiu mais líder do que nunca da Malásia, mas da forma que está andando Bottas, o inglês terá que se virar sozinho nas últimas corridas. O finlandês da Mercedes fez outra corrida para esquecer, do nível de Raikkonen desmotivado. Depois do contrato renovado, Bottas passou a fazer corridas totalmente sem brilho e hoje terminou num distante quinto lugar.

No pelotão intermediário, total destaque para Stoffel Vandoorne. O belga chegou a andar em quinto, foi superado pela potência do motor Mercedes de Sergio Pérez e só. Vandoorne segurou as duas Williams atrás de si no último stint de corrida e conseguiu um heroico sétimo lugar, superando com sobras Fernando Alonso, que ficou de fora da zona de pontuação. Pela primeira vez desde que dividiu a equipe com Hamilton na mesma McLaren, Alonso não conseguiu até agora o melhor desempenho da equipe na temporada. Em vias de renovar o contrato, Alonso pode estar vendo o crescimento de um jovem talento ao seu lado, mas a vitória do motor Renault com a Red Bull é um alento para a McLaren. Pérez superou uma gripe para ser sexto, enquanto Ocon teve uma corrida cheia de toques e saídas de pista, mas o francês ainda foi capaz de ser décimo. Stroll estava fazendo uma corrida sólida após uma largada muito boa e mesmo não conseguindo alcançar um piloto (Vandoorne) com um motor bem menos potente do que o seu, ele acabou em oitavo, à frente de Massa, que foi tocado por Ocon na largada. Então, veio a presepada depois da corrida, onde Stroll acabou destruindo a Ferrari de Vettel e foi bastante criticado por isso. Se viu o seu motor vencer, a equipe Renault teve uma corrida complicada, onde seus dois pilotos ficaram longe da zona de pontos, brigando com a Haas. Carlos Sainz tinha tudo para pontuar, depois de uma briga muito forte com Ocon, mas acabou traído pelo equipamento, enquanto Gasly fez uma estreia digna, brigando no pelotão intermediário, lugar onde pertence sua equipe. A Sauber continua na agonia de pior equipe do campeonato.

Numa corrida sem safety-car, sol infernal ou chuva, a Malásia se despediu da F1 deixando a sensação que a temporada poderá ficar ainda mais empolgante, com a chegada da Red Bull com força para essa reta final do campeonato. Uma terceira equipe brigando por vitórias faz muito bem à F1, mas também a Hamilton, pois se Vettel quiser brigar pelo título terá que derrotar não apenas a Mercedes, mas também a forte dupla da Red Bull, ainda mais com Max Verstappen com a confiança lá em cima com a vitória de hoje.

sábado, 30 de setembro de 2017

Sorte de campeão?

Nas corridas, existem várias frases e clichês sobre a diferença do que pode acontecer entre sábado e domingo. "É na corrida que vale", "Os pontos são conquistados no domingo" e por aí vai, mas o passo que Lewis Hamilton deu rumo ao tetracampeonato nesse sábado não pode ser ignorado. O inglês da Mercedes conseguiu sua 70º pole na carreira, mas o que importa foi o problema no turbo de Vettel ainda no Q1, quando a Ferrari dava mostras que tinha carro para dar à Sebastian um respiro na luta pelo título com Hamilton.

De forma até surpreendente, a Ferrari liderava o pelotão em Sepang nos treinos livres e Vettel tinha ótimas chances de começar o final de semana com o pé direito, mas logo no Q1 as esperanças do alemão viraram pó, com o seu carro perdendo potência logo na sua primeira volta rápida. "Turbo", falou Vettel pelo rádio. A Ferrari ainda tentava um milagre, mas a cara dos mecânicos italianos diziam tudo. Ao invés da pole, Vettel largará em último amanhã, deixando o caminho livre para Hamilton abrir ainda mais na tábua de classificação do campeonato. Se há algo de bom para Vettel, é que a preocupação em ter que fazer a quinta troca de motor e ser punido acabou, pois largando em último amanhã, o alemão trocará o motor e correrá as provas finais com tudo novo, mas sua luta será inglória.

Assim como aconteceu em Cingapura, Hamilton capitalizou o problema de Vettel e marcou a pole, num final de semana que tinha cores vermelho-Ferrari. O inglês marcou a pole com direito a recorde histórico da pista de Sepang, que se despede do calendário da F1 nessa temporada. Carregando as esperanças ferraristas, Raikkonen ainda ficou muito próximo, menos de um décimo de Lewis, mas completará a primeira fila. A dupla da Red Bull superou um apagado (mais uma vez) Valtteri Bottas. Na luta pelo melhor do resto, melhor para a Force India e Esteban Ocon, que colocou tempo em Pérez. Hulkenberg ficou logo atrás do francês e a McLaren surpreendeu ao colocar seus dois carros no Q3 num circuito com duas retas longas. Ainda mais com Vandoorne superando Alonso, além da surpresa de Gasly ficando muito próximo de Sainz em sua estreia, algo que Kvyat não fazia o tempo todo. Enfrentando o declínio da Williams nesse ano, Massa ficou no Q2, nessa que pode ser sua última temporada na F1, desta vez, de forma definitiva.

Como não poderia deixar de ser, Vettel aposta no clima instável da Malásia. Como sempre, a chuva pode aparecer a qualquer momento e tornar a corrida uma loteria, algo que já aconteceu em várias oportunidades em Sepang. Largando em último, o alemão torce pelo imponderável, mesmo sabendo que Hamilton adora situações de pista molhada. Nessa reta final de campeonato, a estrela de Hamilton começou a brilhar na hora certa.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Saída pelos fundos

Para quem passou pela péssima sensação de ser demitido, sabe que mesmo quando é esperado, nunca é bom. Dizer que Daniil Kvyat mereceu ser demitido é não se colocar no lugar do jovem piloto russo, mas não restam muitas dúvidas que Kvyat não fez um trabalho, digamos, de nota em seus anos na F1.

Fruto do celeiro da Red Bull, Kvyat estreou na F1 em 2014 na Toro Rosso, após passagens de destaque nas categorias de base com apoio da Red Bull. Daniil fez todo o caminho que um piloto apoiado pela Red Bull faz até a F1 e a passagem pela Toro Rosso era apenas uma das etapas para ver Kvyat, se mostrasse serviço, na equipe Red Bull algum dia. Mesmo fazendo um ano irregular, mas mostrando muita velocidade, Kvyat se viu na Red Bull logo em sua segunda temporada, com a saída de Vettel para a Ferrari. O alemão foi o maior expoente do programa de jovens pilotos da Red Bull e Kvyat teria uma missão espinhosa logo em sua segunda temporada na F1, mas o russo não foi de todo mal, num ano em que a Red Bull ainda sofria horrores com os motores Renault.

Kvyat surpreendeu ao superar Daniel Ricciardo, seu companheiro de equipe que no ano anterior havia superado a estrela Vettel. Porém, para quem viu a temporada 2015, era claro que Ricciardo sofreu mais com os motores Renault e se mostrava bem superior à Kvyat, contudo, o russo ainda tendia a evoluir. Daniil Kvyat continuava a mostrar a mesma velocidade alucinante dos tempos das categorias de base na F1, mas essa agressividade parecia não domada pelo próprio russo. No momento decisivo da carreira de Kvyat, essa agressividade acabou se virando contra si e no quintal de sua casa, no Grande Prêmio da Rússia, Daniil assinou seu futuro na F1. Numa largada desastrosa, Kvyat tocou no seu companheiro de equipe Ricciardo no que seria o único zero do australiano em 2016. Para completar, Kvyat tocou em Vettel duas vezes em duas curvas, fazendo com que o antigo piloto da Red Bull abandonasse, deixando-o irado e fosse reclamar com a Red Bull na frente de toda a F1. O recado estava dado. Daniil Kvyat não tinha condições de estar na Red Bull. E seu substituto já estava prontinho.

Max Verstappen foi trazido ao seio da Red Bull após muito sucesso do prodígio holandês em toda a sua vida desde o kart e após tamanha presepada, Kvyat se viu na humilhante situação de ter sido rebaixado de volta para a Toro Rosso no meio da temporada, enquanto Max assumia o seu lugar e logo na estreia vencia em Barcelona. A carreira de Kvyat foi pelo ralo. De forma incrível, o russo renovou com a Toro Rosso para 2017, mesmo superado por Carlos Sainz. Pierre Gasly, protegido pela Red Bull e campeão da GP2, já aquecia na lateral, como se diz no futebol. Para piorar, os resultados de Kvyat não vinham e antes da temporada 2017, após ser superado amplamente por Carlos Sainz, o russo saiu pelas portas dos fundos da Toro Rosso, substituído por Gasly já na próxima corrida, em Sepang. Novamente no meio da temporada...

Kvyat teve todas as chances para fazer um bom trabalho na F1, mas o russo falhou em todas elas. Apesar da força mental de ter permanecido com a Red Bull mesmo sem ter nenhum futuro nessa parceria, Kvyat nunca se mostrou uma opção sequer para outras equipes e sai da F1 com apenas 23 anos sem deixar nenhuma saudade. A Red Bull já garantiu o sucesso de grandes talentos nos últimos anos, mas já moeu vários pilotos jovens, alguns antes mesmo de chegar à F1. Kvyat foi a última vítima.