domingo, 15 de julho de 2018

Resta um

A Indy chegou à Toronto na expectativa do que o atual campeão Josef Newgarden poderia fazer num circuito que não favorece à Penske. Esta temporada vem sendo marcada por domínios claros variando de circuito a circuito. Nos mistos, a Penske reina. Nos circuitos de rua, a trupe da Honda domina. Newgarden quebrou essa escrita ao ficar com a pole nas apertadas ruas de Toronto, superando Dixon, sempre o mais rápido nos treinos livres, na classificação, tendo Will Power, outro postulante ao título, em terceiro.

O primeiro a ter problemas foi Power. Após uma largada ruim, o australiano encostou no muro ainda no começo da prova e teve problemas na suspensão traseira direita, perdendo duas voltas para consertar. Newgarden liderou boa parte da corrida, tendo Dixon nos seus calcanhares até que numa relargada, tudo deu errado para o americano da Penske. Tentando alargar a curva para sair mais forte na relargada, Josef não contava com a sujeira no lado de fora do trilho da pista, que o fez sujar os pneus e ir direto para o muro. O que seria uma boa relargada, quase destruiu a corrida de Newgarden, que foi aos boxes algumas vezes para consertar seu carro e trocar o bico, podendo ainda continuar na prova, mesmo que longe da briga pela vitória.

Dixon assumiu a ponta da corrida para não mais perde-la, vencendo em Toronto e abrindo uma bela vantagem no campeonato, já que seus principais rivais ficaram pelo caminho. Numa briga forte pela segunda posição na saída da última rodada de paradas, Simon Pagenaud superou o local Robert Wickens, que já faz por merecer uma vitória nessa sua temporada como rookie. Marco Andretti tinha tudo para ser quarto, mas um splash-and-go na última volta entregou a posição para Hinchicliffe. Tony Kanaan fez uma bela corrida para ser sexto numa prova recheada de incidentes que envolveram muitos favoritos. Além dos pilotos da Penske, a dupla da Andretti Alexander Rossi e Ryan Hunter-Reay, também envolvidos na briga pelo título, sofreram incidentes que os tiraram da briga pela vitória.

Com tanta confusão, sobrou apenas Dixon para vencer e se consolidar como principal favorito ao título. Olhando apenas os resultados, ver Dixon na liderança com vantagem no campeonato da Indy está longe de ser surpresa, mas olhando as corridas fica nítido o quanto o neozelandês carrega seu carro e a equipe Ganassi nas costas. Longe de ser brilhante, a Ganassi vai se sustentando unicamente pelo talento extraordinário de Dixon.

Rei de Dresden

Apostar contra Marc Márquez em Sachsenring é quase um caso de masoquismo. O espanhol fez sua estreia no Mundial de Motovelocidade em 2008 e não demorou dois anos para ele vencer na pista da antiga Alemanha Oriental, próximo a sofrida cidade de Dresden. E iniciar um período de dominação poucas vezes vistas no esporte a motor nas categorias de ponta. Contando a vitória de hoje, são simplesmente nove (!) triunfos consecutivos em Sachsenring. Mais um fato que não deixa dúvidas do lugar na história de Marc Márquez dentro da história da MotoGP.

Sachrenring teve a ingrata missão de vir logo depois da épica corrida em Assen, simplesmente a prova mais apertada da história da MotoGP e uma das mais emocionantes da história. O pequeno circuito alemão praticamente feito todo à esquerda teria como referência uma corrida maravilhosa e não foi surpresa ter ficado bem abaixo do que aconteceu na Holanda. Com o seu incrível cartel, o favoritismo era todo de Márquez, que mesmo caindo da pole para terceiro, era nítido que a vitória dele era certa. Escolhendo o pneu traseiro macio, Márquez ficou de mutuca esperando o pneu dianteiro macio de Lorenzo se desgastar. Após ultrapassar Petrucci, o espanhol da Honda esperou o declínio de Lorenzo para assumir a ponta e não ser mais visto. A diferença de Márquez para os demais era tamanha, que quando Rossi esboçou uma leve aproximação, o espanhol tratou de marcar a melhor volta, acabando com qualquer reação do piloto da Yamaha, que conquistou mais um pódio lhe assegurando a vice-liderança do campeonato.

Só que da mesma maneira que Márquez domina na Alemanha, ele já vai se distanciando no campeonato, aumentando para mais de quarenta pontos de vantagem na ponta. O desempenho das demais motos Honda mostra que Márquez não está com uma moto muito superior as demais marcas, porém, o espanhol se tornou um só com sua Honda e o conjunto Márquez/Honda é simplesmente muito superior aos demais. A Yamaha já sofre com um jejum que superou um ano, enquanto a Ducati viu seus dois pilotos superados por duas motos satélites no final da prova.

2018 pode ter sido o último ano de Sachsenring no calendário da MotoGP, mas a boa forma de Marc Márquez é tamanha, que mesmo saindo de um dos seus feudos, dificilmente ele não continuará dominando a MotoGP.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Foi muito, mas poderia ser mais

Algumas vezes eu brinquei com a situação de Daniel Pedrosa na MotoGP. Já o chamei de 'múmia' de 'ex-piloto em atividade' e de que seu agente 'é o melhor da história'. Dani Pedrosa conquistou três títulos mundiais, 54 vitórias, 153 pódios, 49 poles em 285 corridas disputadas. Porque Pedrosa seria tratado desse forma por esse humilde blogueiro com todos esses números?

Pedrosa talvez foi o primeiro espanhol que foi criado para ser campeão desde a tenra idade. Quando ainda tinha 13 anos, ele foi contratado pela Honda por todo o seu talento precoce e a montadora japonesa não mediu esforços para que Pedrosa se tornasse um gigante no Mundial de Motovelocidade, principalmente pelo potencial mostrado até então. Dani estreou no Mundial em 2001 quando completou 16 anos e não precisou de muito tempo para conquistar o título nas 125cc ao final de 2003. Em 2004, Pedrosa subiu para as 250cc e nem precisou de tempo de adaptação. Foi campeão logo de cara, conquistando o seu terceiro título no ano seguinte. Três títulos consecutivos em duas categorias diferentes. A Honda parecia ter acertado na mosca! Ela tinha seu super campeão criado com todo o carinho para isso. Tendo Alberto Puig como mentor, Pedrosa estreou no Mundial de MotoGP em 2006 ainda com 20 anos. Apesar da categoria-rainha do Mundial de Motovelocidade ser bem mais complexa do que 125cc e 250cc, o título de Pedrosa parecia ser questão de tempo. Pena que o título nunca viria...

Tendo todo o apoio da Honda, Daniel Pedrosa se tornou uma estrela do Mundial de MotoGP e seu talento nunca foi contestado. Porém, alguns aspectos físicos e psicológicos pesaram na carreira do espanhol. Muito pequeno e franzino, Pedrosa sempre sofreu muito mais do que os seus rivais as inevitáveis quedas que um piloto de moto sempre é submetido. Dani sofreu mais de vinte fraturas em seu corpo, o atrapalhando em muitas oportunidades em que tinha tudo para deslanchar na briga pelo título. Corridas perdidas e longos períodos de recuperação sempre tiravam Pedrosa do páreo.

E isso foi mexendo no psicológico do espanhol. Sempre apoiado fortemente pela Honda, Pedrosa tinha a fama de não ser muito simpático e a imprensa italiana o apelidou de 'O Triste'. Seu estilo retraído se refletia nas pistas, onde Pedrosa sofria nos confrontos corpo a corpo, tendo seu físico nada privilegiado como outro fator de dificuldade. Como não poderia deixar de ser, esse apoio da Honda lhe trouxe inimigos que talvez almejassem estar no lugar de Pedrosa. E o principal rival de Daniel Pedrosa tinha nome e sobrenome, além do mesmo país: Jorge Lorenzo.

Pedrosa e Lorenzo sempre foram rivais desde antes de ambos entrarem no Mundial de Motovelocidade, quando disputavam a primazia de quem era a maior esperança espanhola nas motos. Quando ambos começaram a se enfrentar no Mundial, Pedrosa já estava num estágio mais avançado e Lorenzo via no seu compatriota um alvo a ser abatido. Mais expansivo, Lorenzo não media esforços para provocar Pedrosa e os dois simplesmente se detestavam. Até o rei Juan Carlos tentou uma aproximação dos dois jovens potenciais campeões. Somente o tempo fez com que Pedrosa e Lorenzo começassem a se falar e, principalmente, a se respeitar.

Os acidentes e algumas atuações apáticas pareciam que apagavam a estrela de Pedrosa. O tempo foi passando e o esperado título do espanhol não vinha. A Honda usou sua força política para mudar o motor da MotoGP de 990cc para 800cc para ajudar o pequeno físico de Pedrosa, mas nem isso fez com que o espanhol ganhasse um título. Logo em seu ano de estreia, Dani viu seu primeiro companheiro de equipe ser campeão: Nicky Hayden. O americano não tinha o talento de Pedrosa, mas soube ser forte e aproveitou o seu momento. Mais experiente, Pedrosa tomou as rédeas da equipe, mas viu seu rival Lorenzo estrear na MotoGP e ser campeão uma, duas, três vezes! Casey Stoner foi contratado pela Honda como sua principal estrela e o talentoso não quis saber de Pedrosa e todo o seu tempo de equipe. Stoner venceu o título logo em seu primeiro ano de Honda. Quando Stoner se aposentou repentinamente, surgiu Marc Márquez.

Pedrosa deve ter se visto no jovem compatriota. Considerado um fenômeno desde criança, Márquez foi atropelando nas categorias menores do Mundial até ser contratado pela Honda, que já estava de olho nele desde sempre. O que aconteceu? Márquez foi campeão logo em seu primeiro ano de MotoGP e com apenas 25 anos, vai se tornando uma lenda viva da MotoGP.

Enquanto isso, Pedrosa ia ficando na Repsol Honda num papel muito longe do que dele se esperava dentro da equipe. De supercampeão trabalhado para derrotar Valentino Rossi, que virou as costas para a Honda e se sagrou multi-campeão pela rival Yamaha, Pedrosa foi ficando na Honda por sempre garantir bons pontos para a equipe, além de ser um grande acertador de motos.

Nos últimos anos, as lesões apareciam e demoravam cada vez mais para sarar. Pedrosa já não era o garoto com potencial de ser campeão da MotoGP. Ele fez 30 anos e os cabelos branco apareceram com força. Sem a velocidade para competir com Márquez, Pedrosa foi ficando mais e mais para trás. O anúncio da saída da Honda após 18 anos era um indício do que poderia vir. Mais uma temporada com a mais dócil Yamaha numa equipe satélite? Pedrosa disse que não.

Hoje ele anunciou que, aos 32 anos (irá completar 33 em setembro), a temporada de 2018 será sua última no Mundial de Motovelocidade. Fiel à Honda, deverá ficar na equipe com algum cargo, mesmo que Puig, seu antigo mentor, esteja no comando da equipe e o final do relacionamento entre eles não foi dos mais tranquilos. Em Valencia se completarão treze temporadas na MotoGP.

Porque então Daniel Pedrosa poderia ser mais do que foi? A expectativa. O espanhol fez toda a sua carreira na melhor equipe da MotoGP, viu três companheiros de equipe serem campeões, sendo que um deles era claramente inferior, mas Pedrosa ficou sem nenhum título para dizer que é seu em treze anos. Não faltou apoio da Honda, mas Pedrosa sempre falhava no momento decisivo. Seja uma lesão ou uma corrida perdida no final, Pedrosa foi engolido por Rossi, Lorenzo e Márquez.

A carreira do espanhol foi belíssima e ele foi um dos grandes talentos de sua época, mas para sempre Daniel Pedrosa deixará um gostinho de quero mais. 

quarta-feira, 11 de julho de 2018

História: 20 anos do Grande Prêmio da Inglaterra de 1998

Enquanto o mundo inteiro se preparava para a final da Copa do Mundo entre os anfitriões da França e o favorito e desorganizado Brasil, a F1 teve a insensibilidade de marcar uma de suas corridas mais tradicionais apenas algumas horas mais cedo do maior evento esportivo do planeta em 1998. Menos mal que não houve concorrência no horário e no Brasil, muita gente pôde assistir a corrida enquanto se preparava para algum churrasco ou se preparava psicologicamente para o penta. 

Como tinha sido comum em 1998, a McLaren-Mercedes dominou todos os treinos e Mika Hakkinen conquistou sua sexta pole na temporada sem forçar muito, colocando quatro décimos em cima de Schumacher. Coulthard, por outro lado, teve problemas de motor e tomou mais de 1s do companheiro de equipe, ficando em quarto, com o atual campeão Jacques Villeneuve ficando em terceiro. Irvine e Frentzen ocupavam a terceira fila, à frente de Hill e Alesi. Sofrendo muitos problemas nas sessões de treinos, Ralf Schumacher ficou relegado ao fim o grid após falhar em testes de segurança depois de conseguir o décimo tempo, junto com Oliver Panis. No geral, com exceção da McLaren, as equipes equipadas com pneus Bridgestone sofreram frente às equipes com Goodyear. Para provar isso, bastava ver o mau desempenho da Benetton, apenas décimo e décimo primeiro.

Grid:
1) Hakkinen (McLaren) - 1:23.271
2) M.Schumacher (Ferrari) - 1:23.720
3) Villeneuve (Williams) - 1:24.102
4) Coulthard (McLaren) - 1:24.310
5) Irvine (Ferrari) - 1:24.436
6) Frentzen (Williams) - 1:24.442
7) Hill (Jordan) - 1:24.542
8) Alesi (Sauber) - 1:25.081
9) Herbert (Sauber) - 1:25.084
10) Fisichella (Benetton) - 1:25.654

O dia 12 de julho de 1998 amanheceu com o típico clima inglês: frio e chuva. O warmup foi realizado debaixo de chuva muito forte, mas quando a largada se aproximou a chuva arrefeceu e haviam alguns pontos secos na pista, mesmo que na Stowe ainda estivesse muito molhado. Todos os pilotos optaram pelos pneus intermediários, exceto os dois Stewarts, que fizeram a corajosa opção pelos pneus slicks. Hakkinen já tinha mostrado dificuldades com piso molhado antes, mas na largada consegue manter a ponta, seguido por Schumacher e Coulthard. Executando uma largada estupenda, Alesi pula de oitavo para quarto, relegando Villeneuve a quinto, enquanto Irvine largaria ainda pior, despencando para décimo.

Como em toda corrida molhada, erros aconteciam aos montes. Considerado um dos mestres em condições molhadas, Schumacher começou um ataque em cima de Hakkinen, que resiste até o momento de Michael errar na quarta volta. O alemão ficou à mercê de Coulthard, que completou a dobradinha da McLaren na quinta volta, efetuando a manobra na curva Abbey. Hakkinen tinha 9s de vantagem sobre Coulthard, que abria 3s para Schumacher. Mais atrás, Irvine conseguia uma boa recuperação de sua má largada e em oito voltas o irlandês completara quatro ultrapassagens para aparecer em sexto. Quando tem um mínimo de pista livre, Irvine se torna o piloto mais rápido da pista e imediatamente ataca a Williams de Frentzen, que duas voltas antes ultrapassara Villeneuve. A chuva dá uma apertada e as rodadas começam com Hill, que abandonou na volta 14. Seu companheiro de equipe Ralf foi para os boxes colocar pneus para chuva forte. Coulthard coloca pneus intermediários e chega a tirar toda a vantagem que Hakkinen tinha em poucas voltas, mas quando a pista fica completamente encharcada, o escocês perdia contato com o seu companheiro de equipe. Herbert, Tuero e Rosset rodavam e abandonavam por causa da pista no momento muito molhada.

Ainda com pneus intermediários, Coulthard se atrapalha quando ia colocar uma volta em Tora Takagi e roda, ficando preso na caixa de brita. Fim de corrida para Coulthard na volta 39. A chuva ficou ainda mais forte e os pilotos que tinham arriscado com os intermediários voltavam aos pits para colocar pneus de chuva forte, enquanto outros pilotos faziam suas segundas paradas. Na volta 42 Hakkinen dá uma rodada, gira 360º, mas com muita sorte o finlandês retornou à pista com o carro intacto, tendo perdido pouco mais de 10s da vantagem que tinha para Schumacher. As condições de pista ficam extremas e com as rodadas de Barrichello e Panis, a direção de prova decide mandar o safety-car para a pista.

A vantagem de Hakkinen é neutralizada, com Schumacher tendo agora Irvine, numa bela corrida de recuperação, em terceiro, seguidos por Alesi, Fisichella e Wurz. A chuva cessa pouco tempo depois e a relargada é dada na volta 50 com um pouco de sol, com Schumacher cometendo uma irregularidade. O alemão tinha Fisichella, uma volta atrás, entre ele e Hakkinen. Um pouco antes da linha de chegada, Schumacher ultrapassou o italiano, o que era claramente ilegal. Após seu erro, Hakkinen parecia inseguro e na volta 51 ele saiu da pista novamente, desta vez com Schumacher capitalizando seu erro e assumindo a ponta da corrida. O alemão imprime um ritmo fortíssimo, abrindo até 2s por voltas para Hakkinen, que era perseguido de perto por Irvine. Alesi tem sua corrida arruinada quando tem o câmbio quebrado na volta 54, fazendo com que Ralf Schumacher entrasse na zona de pontos, além de pressionar Wurz. Como esperado, Schumacher é penalizado com um stop-and-go e mesmo com 20s de vantagem, ele perderia a posição se cumprisse a punição nas voltas finais. O que fazer? A Ferrari deixa Schumacher na pista, criando uma grande tensão com a direção de prova. Mais uma vez Schumacher desobedeceria a FIA e não cumpriria a punição?

Quando abriu a última volta parecia que Schumacher desafiaria a FIA quatro anos depois de fazer o mesmo em Silverstone. Quando a direção de prova esperava Schumacher para dar a bandeirada, o alemão apontou na reta e... entrou nos boxes para cumprir sua penalidade! Schumacher tinha 23s de vantagem sobre Hakkinen, tempo suficiente para cumprir o pênalti e receber a bandeirada por dentro dos boxes na frente do finlandês. Foi um verdadeiro caos! Ninguém sabia ao certo quem era o vencedor, pois Hakkinen recebeu a bandeirada dentro da pista, mas os cronômetros mostraram que ele terminou a corrida 12s atrás de Schumacher. O alemão subiu ao pódio e foi declarado o vencedor. Hakkinen estava indignado no pódio, a McLaren entrou com um recurso, mas a Ferrari alegou que recebeu a notificação da punição na penúltima volta e por isso, não teve tempo útil para trazer seu piloto mais cedo. Foi uma grande confusão e Schumacher esteve novamente no meio de uma grande confusão. No final do dia, isso acabou sendo nota de rodapé com o título da França com um acachapante 3x0 sobre um Brasil ainda traumatizado pela convulsão de Ronaldo, acontecida provavelmente durante a corrida.

Chegada:
1) M.Schumacher
2) Hakkinen
3) Irvine
4) Wurz
5) Fisichella
6) R.Schumacher  

História: 25 anos do Grande Prêmio da Inglaterra de 1993

A F1 chegou à Silverstone para o tradicional Grande Prêmio da Inglaterra sobre uma enorme tensão fora das pistas. Desde Montreal equipes eram acusadas de estarem com carros ilegais e na semana anterior, a Williams foi acusada de que o carro de Prost estava abastecido com um combustível irregular nas quatro provas anteriores. Patrick Head acusava a FIA de querer desclassificar Prost unicamente para tentar manter o campeonato aberto artificialmente. Após um período de inconstância no começo do campeonato por causa de corridas debaixo de chuva, a Williams mostrava que era muito melhor do que a concorrência. Na Inglaterra, Senna teria pelo menos o alívio de ter o mesmo motor Ford Cosworth da Benetton em sua McLaren, o que poderia lhe ajudar na ingrata missão de enfrentar Prost e seu imbatível Williams. 

O ondulado circuito de Silverstone favorecia os carros com suspensão ativa e era a Williams que melhor dominava essa tecnologia e mais uma vez o time de Frank dominou. Depois da chuva atrapalhar os treinos na sexta, Prost conseguiu sua oitava pole em nove corridas em 1993, batendo Hill nos minutos finais da sessão com um tempo apenas um décimo mais rápido. Os demais pilotos ficaram muito para trás. Schumacher era terceiro a mais de um segundo de Prost. O pior era Senna em quarto quase três segundos atrás de Prost! O novo motor Ford era mais potente, mas a dirigibilidade não agradava Senna. Michael Andretti era apenas o décimo primeiro, enquanto a Ferrari decepcionava com Alesi e Berger em décimo segundo e décimo terceiro. Pela terceira vez consecutiva, a Alboreto não se qualificava a corrida. 

Grid:
1) Prost (Williams) - 1:19.006
2) Hill (Williams) - 1:19.134
3) Schumacher (Benetton) - 1:20.401
4) Senna (McLaren) - 1:21.986
5) Patrese (Benetton) - 1:22.364
6) Brundle (Ligier) - 1:22.421
7) Herbert (Lotus) - 1:22.487
8) Warwick (Footwork) - 1:22.834
9) Blundell (Ligier) - 1:22.885
10) Suzuki (Footwork) - 1:23.077

O dia 11 de julho de 1993 amanheceu nublado sobre a velha base aérea de Silverstone e havia perspectiva de chuva, o que poderia ser a repetição do show de Senna em Donington Park, realizada poucos meses antes alguns quilômetros dali. Porém, a pista estava seca no momento da largada, mas isso não significava que não teríamos um pequeno show do brasileiro da McLaren. Prost novamente tem problemas com a embreagem da Williams e patina muito na luz verde, sendo ultrapassado facilmente por Hill. Senna consegue uma largada voadora e sobe para segundo, ultrapassado Prost e Schumacher, enquanto seu companheiro de equipe Michael Andretti largava mal, sofria um toque, saía da pista e abandonava na caixa de brita na primeira volta. Mais contrastante, impossível!

Prost sabia que correndo em casa Hill poderia ter a motivação extra o suficiente para elevar seu nível e poder derrotar o francês. Largar tão mal não estava nos planos de Alain e ele sabia que ultrapassar Senna logo era imperativo. Hill realmente aumentava a vantagem na ponta correndo sozinho, enquanto Prost tentava ultrapassar seu arqui-rival de todas as formas, mas Senna não tinha o menor pudor em fechar a porta de Prost em praticamente todas as curvas. Schumacher apenas observava a briga fratricida entre os dois gênios. Foi um show de defesa de posição, com Prost quase saindo da pista algumas vezes e Senna dando fechadas a torto e a direito. Porém, a potência da Williams era grande demais e na sétima volta Prost efetuou a ultrapassagem na reta Stowe, deixando Senna sem outra alternativa a não ser se preparar para receber os ataques de Schumacher. O impetuoso alemão não esperou muitas curvas para iniciar os ataques. E ter a porta fechada em sua cara. Nos boxes da Benetton, Flavio Briatore gesticulava com as fechadas que o pupilo recebia. Ao seu lado, o racer Tom Walkimshaw dava risadas. Ele sabia do show que estava presenciando!

Prost havia perdido exatamente 1s por volta atrás de Senna, que segurou Schumacher apenas por três voltas, sendo superado na mesma reta Stowe. E com o mesmo motor do alemão! A corrida fica estática, mesmo que um nuvem negra ameaçasse despejar uma chuva e todos pudessem ver do que Senna seria capaz nessa situação conhecida. Os pilotos postergavam ao máximos suas paradas, esperando pela chuva que não veio. Senna foi atrapalhado pelo amigo Boutsen na saída do seu pit-stop, mas permanece tranquilamente em quarto, o mesmo acontecendo com Schumacher em terceiro, muito à frente do brasileiro. Prost faz sua parada na trigésima volta, com Hill visitando os boxes na passagem seguinte e a Williams foi 1s mais rápida no trabalho do carro de Hill. Correndo em casa, Hill estava com a faca e o queijo na mão para conseguir o que seria sua primeira vitória na F1.

Na volta 35 o carro de Luca Badoer fica parado na reta dos boxes com problemas elétricos. Antigamente, o italiano sairia dali rapidinho e a corrida aconteceria normalmente. Era até comum a corrida continuar com carros encostados ao lado do muro, mas em 1993 o Safety-car já tinha entrado em cena e em Silverstone o carro estava de volta à pista. À essa altura, Hill era pressionado por Prost, que se aproveitara dos retardatários para tirar todos os 6s que tinha de desvantagem. A corrida reinicia na volta 40 com Hill marcando a volta mais rápida da corrida, na tentativa de fugir do seu companheiro de equipe. Porém, duas voltas mais tarde o confiável motor Renault explodiu e Hill saiu do carro arrasado, enquanto sua esposa lamentava nos boxes. Prost se tornava o grande favorito à vitória, pois nem Schumacher, nem muito menos Senna tinha ritmo para alcança-lo. Brundle, Herbert e Patrese iniciam uma animada briga pelo quarto lugar, no momento mais animado do final da corrida, com os três andando juntos e ameaçando um ao outro, até Brundle abandonar com o câmbio quebrado quando faltavam cinco voltas. Prost tinha 5s de vantagem para Schumacher, enquanto Senna já vinha 40s atrás. Porém, sem conhecer muito bem o consumo do seu novo motor Ford, Senna ficou sem gasolina pela terceira corrida consecutiva em Silverstone na última volta. Alain Prost venceu sua quinquagésima corrida na Fórmula 1, com Schumacher terminando em segundo e obteve seu terceiro pódio consecutivo. Patrese terminou em terceiro e conseguiu seu primeiro pódio com a Benetton. Herbert era o quarto pela terceira vez naquele ano, enquanto Senna ainda ficou em quinto, à frente de Warwick, uma volta atrás do brasileiro e pela primeira vez na temporada nos pontos. Prost teve sorte para vencer em Silverstone. Sorte de campeão!

Chegada:
1) Prost
2) Schumacher
3) Patrese
4) Herbert
5) Senna
6) Warwick

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Figura(ING): Ferrari

Os italianos de Maranello tem muito o que comemorar finda a inédita rodada tripla que marcou esse começo de verão na Europa. A Mercedes tinha todas as chances de repetir o desempenho em Paul Ricard no Red Bull Ring e em Silverstone, mas devido a problemas técnicos e táticos, a Mercedes saiu vinte pontos atrás da Ferrari no Mundial de Construtores e Hamilton amarga uma desvantagem de oito pontos para Vettel, o grande vencedor da corrida na Inglaterra. Circuito que não se adapta muito bem à Ferrari, Silverstone já tinha se tornado um tabu para os italianos, que não venciam lá desde 2011. E com Hamilton motivadíssimo para vencer em casa pela sexta vez, sendo cinco consecutivas, a Mercedes tinha tudo para dar a volta por cima do revés na corrida da semana passada. Porém, a Ferrari mostrou força nos treinos e mesmo perdendo a pole, era claro que a diferença tinha sido Hamilton. Quando o inglês largou mal e acabou tocado num incidente de corrida por Raikkonen, a Ferrari ficou com boas chances de vencer. Vettel liderou a corrida quase que por inteiro, apenas administrando a vantagem em cima de Bottas. O safety-car no terço final da prova fez com que a Ferrari pensasse rápido e trouxesse seus dois pilotos para uma segunda parada para ter borracha fresca nas últimas voltas, enquanto a Mercedes arriscou ficar numa melhor posição de pista com pneus velhos. Vettel atacou Bottas faltando cinco voltas para conseguir a manobra da vitória, enquanto Raikkonen saiu de suas características burocráticas para subir ao pódio mesmo justamente penalizado em 10s pelo toque com Hamilton. Um duplo pódio, com direito a vitória, num circuito que não lhe era favorável fez da Ferrari sair de Silverstone com um sorriso de orelha e orelha.

Figurão(ING): Williams

A fase da Williams anda tão ruim, que até quando o time consegue uma evolução o carro acaba andando... para trás! Correndo em casa e na frente de sua torcida, a Williams trouxe novidades aerodinâmicas para tentar sair da última posição. Stroll ainda conseguiu um top-10 no primeiro treino livre, mas tanto o jovem canadense como Sergey Sirotkin rodaram de forma estranha durante a classificação. Devido a qualidade duvidosa dos pilotos, todos apontaram o dedo para Stroll e Sirotkin, mas logo veio a justificativa dos 'erros'. Devido ao novo pacote aerodinâmico, a asa traseira sofria um desequilíbrio logo após o período com o DRS, com a asa aberta. Os carros ficavam tão instáveis que os seus pilotos acabaram perdendo o controle logo após fecharem a asa. Tendo que trocar a asa traseira dos seus carros de forma emergencial, a dupla da Williams teve que largar dos boxes. E quase sofreram um acidente! Sérgio Pérez perdeu o controle do seu Force India na primeira curva da corrida e quase atingiu os carros da Williams que estavam saindo dos boxes! Pela fase atual da Williams, um raro momento de sorte.