Num momento em que todos os olhos se voltam para o virtuosismo de Charles Leclerc, outro jovem piloto começa a despontar como uma possível futura estrela. Pierre Gasly não pareceu ter a confiança da Red Bull mesmo vencendo a antiga GP2, mas quando a empresa austríaca se viu sem bons pilotos jovens, Gasly foi escalado na Toro Rosso, seu celeiro de pilotos. O francês logo mostrou que a desconfiança não era merecida e rapidamente convencia não apenas à Red Bull, mas a todos na F1 que ele era merecedor de um bom lugar na F1. Tendo a difícil missão de ajudar o desenvolvimento de um motor que nunca se mostrou competitivo numa equipe grande como a McLaren, Gasly já conseguiu resultados nunca antes conseguidos pela Honda e na Hungria novamente o jovem francês se sobressaiu. Com a F1 vendo um enorme abismo entre as três principais equipes e as demais sete equipes, ser o melhor do 'resto' é a vitória para as equipes do pelotão intermediário e o 'vencedor' dessa corrida em Hungaroring, com ampla vantagem, foi Pierre Gasly, ultrapassando Sainz na largada e nunca deixando Magnussen se aproximar, mesmo a Haas tendo um carro melhor do que a Toro Rosso. Essa boa corrida de Gasly mostra que o futuro da Red Bull, junto com Max Verstappen, pode estar garantido nos próximos anos.
segunda-feira, 30 de julho de 2018
Figurão(HUN): Red Bull
Daniel Ricciardo teve seu motor trocado em Hockenheim antes da largada por um único motivo: ter uma boa posição em Hungaroring, pista que seria amplamente favorável para a Red Bull. A corrida na Alemanha do australiano estava arruinada, mas Daniel teria uma chance de ouro na Hungria, lugar onde já venceu e que o circuito com suas características travadas favoreceriam o carro de alto downforce da Red Bull. Isso tudo em teoria e no final de semana ficou tudo apenas nesse plano. A verdade foi que a Red Bull decepcionou bastante num circuito onde o criticado motor Renault não poderia parar o bom carro projetado de Adryan Newey. Na classificação, debaixo de chuva, a Red Bull falhou na estratégia de Daniel Ricciardo e o australiano amargou uma 12º posição no grid, enquanto Verstappen era superado por Sainz e Gasly com carros nitidamente inferiores. Na corrida Max se recuperou ainda na largada, mas sua corrida durou apenas a tempo do motor Renault novamente deixa-lo na mão e dar mais armas para Christian Horner e Helmut Marko criticar os franceses e seus dirigentes. A corrida de Ricciardo lhe fez ganhar inúmeras posições, mas a diferença do carro da Red Bull em comparação aos demais era tão grande, que os pilotos preferiam deixar o australiano passar do que perder tempo numa batalha perdida. Ricciardo ainda ganhou uma posição de Bottas na última volta quando o piloto da Mercedes teve problemas na asa dianteira após o toque com Vettel, mas a diferença superior a 40s que Ricciardo tomou do vencedor Hamilton mostrou bem que a Red Bull, que tanto batalhou para estar no mesmo nível de Mercedes e Ferrari, desceu um degrau na luta pelas vitórias num circuito que lhe era favorável e agora é novamente a isolada terceira força da F1.
domingo, 29 de julho de 2018
Devagar e com uma parada a menos
Quando Alexander Rossi ficou com a pole em Mid-Ohio, o americano mostrava que tinha totais condições de imprimir um ritmo fortíssimo e vencer no mais travado dos circuitos mistos da Indy. Porém, o piloto da Andretti fez o diferente e com um ritmo mais lento, economizou combustível o suficiente para com uma parada a menos, vencer com enorme tranquilidade nesta tarde de domingo.
Foi uma corrida sem bandeiras amarelas e com vários destaques individuais. Sebastian Bourdais tinha sido um dos mais rápidos nos treinos livres, mas um acidente na classificação o relegou à última posição. Com um bom carro, o francês executou uma belíssima corrida de recuperação com direito a várias ultrapassagens (algumas sensacionais!) para terminar a corrida num ótima sexto lugar. Scott Dixon foi outro a fazer uma corrida acima das suas possibilidades. A Ganassi não vive seu melhor momento e Dixon vem tirando leite de pedra faz tempo. Mesmo num circuito onde venceu cinco vezes, Dixon lutou para ficar em nono na classificação, mas na corrida o neozelandês foi novamente cirúrgico para terminar em quinto, logo atrás de Newgarden, até então seu maior rival no campeonato e que claramente tinha mais carro do que Dixon, mas descontou poucos pontos.
Porém, não houve maior destaque do que Rossi. Largando na pole, o americano fez uma corrida perfeita da primeira a última volta em sua arriscada estratégia de parar uma vez menos num circuito em que o consumo de combustível é essencial e o tempo nublado poderia trazer chuva. Rossi diminuiu seu ritmo sem sair do pelotão da frente e com duas paradas, pôde ganhar com mais de 10s de vantagem para Robert Wickens, novamente em uma ótima corrida, mas já começa a dever sua primeira vitória na Indy. A equipe Penske era favorita nos circuitos mistos, mas teve apenas Power no pódio, em terceiro.
O único erro de Rossi foi em sua comemoração. Ao ensaiar um 'zerinho', Alexander acabou com seu carro preso na grama, mas sua vitória enfática coloca-o novamente na luta pelo título.
Nos mínimos detalhes
Uma roda dianteira esquerda que não foi bem encaixada. Esse pequeno lapso foi o suficiente para que o pit-stop de Vettel fosse atrasado em 2s. E que Hamilton tivesse uma vitória límpida e fácil, dominando de ponta a ponta o Grande Prêmio da Hungria, aumentando a diferença para o segundo colocado Vettel na ponta do campeonato, além de triunfar num circuito onde a Mercedes não parecia nada bem, mas que brilhou numa estratégia bem traçada, utilizando muito bem o segundo piloto Valtteri Bottas e contando com o pequeno vacilo do mecânico da Ferrari.
Quinze anos atrás o Grande Prêmio da Hungria era sinônimo de corridas chatas e enfadonhas. Desde que a dependência aerodinâmica prevaleceu na construção dos carros de F1, o travado circuito húngaro se tornou um exemplo de corridas ruins. Para piorar, mesmo realizado em meio ao verão europeu, a chuva raramente aparecia em Budapeste para dar uma chacoalhada na corrida. Seja pelo aquecimento global, seja pelas mudanças de regulamento, as corridas em Budapeste foram melhorando ao longo dos últimos anos, chegando a transformar Hungaroring num dos circuitos 'old school' da F1 e também um dos mais esperados do ano. A chuva se fez mais presente e mesmo com muita dificuldade, as ultrapassagens apareceram. Porém, a prova de hoje foi longe do primor de algumas das últimas edições, mas não deixou de ser interessante pelas táticas que Ferrari e Mercedes impunham aos seus pilotos. A chuva já havia mexido definitivamente na dinâmica da corrida quando a Mercedes, bem atrás da Ferrari no seletivo circuito magiar, ficou com a primeira fila quando Hamilton e Bottas lidaram melhor com a pista molhada no sábado. Contudo, o sol apareceu forte no domingo e todos se perguntavam o que a Ferrari faria para descontar o prejuízo. A resposta da Mercedes veio não de Hamilton, mas de Bottas. O finlandês, que teve seu contrato renovado recentemente, fez um trabalho de equipe mais eficiente do que simplesmente deixar seu companheiro de equipe passar sem briga. Bottas começou a defesa de Hamilton na largada, segurando o ímpeto da dupla ferrarista, com Vettel passando Raikkonen já nas primeiras curvas. Com Hamilton tendo pista livre, o inglês disparou na ponta, enquanto Bottas segurava Vettel sem maiores problemas, mas ainda havia muita corrida pela frente, além da administração do desgaste dos pneus. Dos pilotos da frente, ninguém utilizou os pneus médios, os mais duros do final de semana. Hamilton, Vettel, Bottas e Raikkonen administraram muito bem seus pneus, entregando o que suas respectivas equipes lhe pediram.
A Mercedes sabia que se a Ferrari tivesse pista livre, a chance dos italianos aumentarem seu ritmo era imensa e com Vettel largando com os pneus macios, era certeza do alemão esticar seu stint ao máximo. A dupla finlandesa parou mais cedo, seguido voltas mais tarde por Hamilton. Vettel postergou sua parada ao máximo, mas Seb acabou atrapalhado por retardatários e a sua diferença para Hamilton diminuía quando ele entrou nos boxes. Poucas voltas antes, a tática da Ferrari era clara. Vettel sairia dos boxes com pneus hipermacios numa perseguição até o fim da prova à Hamilton, calçado com pneus macios. Com o tanque mais vazio, era esperado uma briga fratricida entre os dois tetracampeões, mas tudo foi para o ralo quando a roda dianteira esquerda de Vettel não foi bem encaixada. Os 2s perdidos foram cruciais para Vettel voltar à pista não atrás de Hamilton, mas atrás de Bottas. A briga pela vitória estava terminada. Hamilton mais uma vez contou com seu companheiro de equipe para vencer uma prova que não estava nos seus planos. De uma corrida para reduzir os danos, Hamilton saiu da Hungria com uma vantagem de 22 pontos em cima de Vettel. O alemão tinha muito mais desempenho do que Bottas, mas a notória dificuldade de se ultrapassar em Hungaroring atrapalhou os planos do alemão, que só atacou efetivamente já nas voltas finais, tendo a sorte de não ter o pneu traseiro esquerdo furado quando houve o toque com Bottas. Valtteri forçou muito quando Vettel já estava na frente e perdeu parte da asa dianteira, além de mais uma posição para Raikkonen. Sem ritmo, Bottas ainda se envolveu num toque polêmico com Ricciardo que danificou bastante ambos os carros, mas o australiano se sobressaiu. Bottas merecia uma punição, mas o finlandês saiu da Hungria de bem com a Mercedes e seus chefes, pois Valtteri fez um trabalho perfeito de equipe. Mesmo ganhando duas posições num circuito complicado de se ultrapassar, Vettel sabe que perdeu uma bela chance de diminuir o prejuízo da semana passada em Hockenheim, além de ver Hamilton abrir uma diferença não esperada.
Era esperado uma briga à três, com a Red Bull entrando na batalha pela vitória na Hungria graças ao bom cartel que a equipe austríaca tem em circuitos de baixa velocidade. Porém, a corrida de Ricciardo já foi afetada pela classificação na chuva, com Daniel largando apenas em 14º, enquanto Verstappen saía apenas em sétimo. O holandês largou muito bem ao pular para quinto, mas não parecia um fator quando abandonou com problemas no motor Renault, rendendo muitos xingamentos de Max pelo rádio. A relação conturbada nos últimos anos entre Renault e Red Bull estaria ainda mais estremecida com motores não tão bons? Ricciardo foi até o final e na bandeirada ganhou dez posições, mas o abismo entre as equipes grandes e médias é tão grande, que a maioria dos pilotos preferiu estender o tapete vermelho para Ricciardo, talvez com exceção de Kevin Magnussen. No fim da corrida, Ricciardo se aproveitou do carro danificado de Bottas para garantir mais uma posição, mas a sensação era de que Ricciardo fez mais do que a obrigação e a Red Bull saiu de Hungaroring devendo muita coisa.
Se fosse para escolher um piloto como o nome do dia, indicaria Pierre Gasly. Com um motor Honda ainda em desenvolvimento, Gasly largou muito bem e liderou o pelotão intermediário com uma bela vantagem de 10s sobre Magnussen, que tem uma Haas bem mais competitiva do que a Toro Rosso. Gasly vai se garantindo como um bom nome para o programa Red Bull, enquanto Hartley ficou na beira de marcar pontos, mesmo largando entre os dez primeiros. Pior foi Carlos Sainz, que saindo da terceira fila largou muito mal e por sorte conseguiu pontuar num dia em que a Renault não foi nada bem. No dia do seu aniversário Fernando Alonso garantiu mais alguns pontos para a McLaren, mas novamente teve o dissabor de se ver bem atrás de um carro com motor Honda, enquanto Vandoorne abandonou com problemas mecânicos quando estava na zona de pontuação. Namorado da filha de Gil de Ferran, será que o belga reclamará com o sogrão? Com problemas demais fora das pistas, não foi de se estranhar ver a Force India longe dos pontos, enquanto a Sauber se viu enfraquecida com o abandono precoce de Leclerc e a Williams continuar no seu calvário de pior equipe do campeonato, tomando duas voltas dos líderes.
A corrida de hoje não teve os emocionantes lances da semana passada em Hockenheim, mas a prova foi definida nos mínimos detalhes. Hamilton venceu sem ser incomodado com a ajuda decisiva do seu companheiro de equipe, abrindo ainda mais para Vettel. Porém, se o pit-stop de Vettel tivesse ocorrido de forma natural, a corrida poderia ter uma desenrolar bem diferente e uma briga interessante no final. Deixa pra próxima!
sábado, 28 de julho de 2018
Inversão de favoritos
Conhecendo a capacidade de Lewis Hamilton na chuva, a pole de número 77 do inglês na pista encharcada de Hungaroring parece ter sido um resultado meramente normal na F1 atual. Porém, olhando o contexto do final de semana húngaro, o melhor tempo de Hamilton debaixo de muita chuva foi uma baita zebra num final de semana onde a Ferrari sempre foi bem mais rápida, trazendo consigo não a Mercedes, mas a Red Bull, que literalmente naufragou na chuva.
A chuva demorou a vir em Hungaroring a ponto dos melhores tempo do Q1 terem sido feitos com os pneus slicks, mas já pingava desde antes da luz verde. Como é comum nesse tipo de situação, a chuva trouxe algumas surpresas e no Q1 ficaram o elogiado Charles Leclerc e a dupla da Force India. Numa crise inimaginável, a Force India entrou em processo de falência ontem à noite e Vijay Mallya foi defenestrado da F1 após dez anos na categoria. Próximo de ser deportado, Mallya deixou sua equipe à míngua e esperando por um comprador, que pode ser a Mercedes, Michael Andretti ou Lawrence Stroll, deixando uma pulga atrás da orelha de todos os seus integrantes, acabando por refletir na performance na pista.
O Q2 começou com todo mundo com pneus slicks, menos Vettel. Ainda na volta de aquecimento a chuva, acompanhada de raios, veio forte e o alemão deu muita sorte por estar com os pneus apropriados naquele momento, ficando com o melhor tempo com certa facilidade, se garantindo no Q3. Como sempre ocorre nessas situações, estar na hora certa da pista faz muita diferença e Alonso, Ricciardo e Hulkenberg não souberam aproveitar bem a situação, ficando no Q2. A Red Bull errou duplamente com o australiano. No Q1, inventou pneus macios para Daniel e ele quase ficou de fora do Q2. Na segunda sessão, vacilou novamente no timing, deixando Ricciardo com cara de brabo nos boxes. Alonso perdeu uma bela oportunidade de ficar no top-10, enquanto Hulkenberg lamentava a chance de brilhar, principalmente com seu companheiro de equipe Sainz tendo feito uma bela apresentação na chuva.
O momento de Vettel no Q2 foi seu melhor no sábado. Com todos devidamente calçados com pneus de pista molhada, o alemão não foi páreo nem para Raikkonen, que ponteou a maior parte do Q3, mas foi superado no final pela dupla da Mercedes, que vinha tendo um final de semana discreto, mas Hamilton soube usar seu talento sobre-humano para conseguir superar Bottas na volta final e deixar a primeira fila de amanhã prateada. Vettel parece ainda tendo que se recuperar do seu erro na pista úmida semana passada e não esteve muito confiante hoje com piso molhado. Verstappen, considerado um ás com pista molhada, se viu superado por Sainz e Gasly, com a Toro Rosso vendo seus dois carros no Q3.
Semana passada, o sábado foi de Vettel e o domingo de Hamilton, ao contrário do que havia acontecido na Inglaterra. Com o tempo instável em Budapeste, além da conhecida dificuldade de se ultrapassar em Hungaroring, amanhã teremos um quadro sem favoritos claros, onde uma inversão poderá acontecer. Um belo quadro nessa F1 atual, diga-se.
quinta-feira, 26 de julho de 2018
História: 20 anos do Grande Prêmio da Áustria de 1998
As primeiras corridas da temporada 1998 indicavam uma espécie de passagem de bastão, com a McLaren tomando o lugar da Williams como o melhor carro disparado da F1. Mika Hakkinen, que até a penúltima corrida de 1997 não tinha vencido sequer uma vez na F1, tomou gosto pela vitória e liderava a McLaren no que parecia ser uma dobradinha parecida com de dez anos antes, quando a McLaren só perdeu uma corrida em dezesseis provas. Porém, Michael Schumacher queria pagar sua dívida com a torcida da Ferrari. Quando aportou em Maranello, o alemão prometeu vencer um título em até três anos e 1998 seria a temporada. O domínio da McLaren, que chegou a colocar uma volta em todo o pelotão na primeira etapa do ano, não esmoreceu a determinação do alemão e com muito trabalho e, principalmente, talento, Schumacher foi equilibrando a temporada e com três vitórias consecutivas, onde Michael soube aproveitar todas as chances que lhe apareceram, o alemão da Ferrari se aproximava no campeonato e o domínio da McLaren parecia estar por um fio.
No circuito de A1 Ring, os pilotos da McLaren dominaram os treinos livres, mas tudo parecia conspirar contra, pois uma chuva leve começou a cair durante a classificação. Os pilotos saíram com pneus biscoito, mas a pista logo estaria bem melhor e a classificação seria decidida na base da sorte de estar na pista na hora certa. E o sorteado pela Sra. sorte foi Giancarlo Fisichella, um dos últimos a receber a bandeirada. Era a primeira pole do italiano de 25 anos e para comprovar o quão maluca havia sido a classificação na Áustria, Jean Alesi completava a primeira fila com sua Sauber. A segunda fila era mais 'normal' com Hakkinen e Schumacher, enquanto Barrichello e Salo continuavam com a surpresa. Se Fisichella teve a sorte de ficar com a pole, seu companheiro de equipe Wurz foi apenas 17º, enquanto Coulthard era um pouquinho melhor, conseguindo apenas a 14º posição.
Grid:
1) Fisichella (Benetton) - 1:29.598
2) Alesi (Sauber) - 1:30.317
3) Hakkinen (McLaren) - 1:30.517
4) M.Schumacher (Ferrari) - 1:30.551
5) Barrichello (Stewart) - 1:31.005
6) Salo (Arrows) - 1:31.028
7) Frentzen (Williams) - 1:31.515
8) Irvine (Ferrari) - 1:31.651
9) R.Schumacher (Jordan) - 1:31.917
10) Panis (Prost) - 1:32.081
O dia 26 de julho de 1998 amanheceu com um belo sol de verão em Zeltweg, indicando que as surpresas na classificação logo perderiam espaço para as duplas de McLaren e Ferrari. Porém, com tantos pilotos largando em posições pouco usuais, a largada acabou sendo caótica. Hakkinen conseguiu largar muito bem e imediatamente ultrapassou Alesi, colocando por dentro de Fisichella na primeira curva para assumir a liderança da corrida. Salo larga muito mal, enquanto Panis ficou parado com a embreagem quebrada, mas não seria o último abandono da primeira volta. Mais atrás, Takagi perdeu o controle do seu Tyrrell na freada da primeira curva e acaba tocando em Tuero e Herbert, mas felizmente os dois atingidos permanecem na corrida, o que não era o caso do japonês. A confusão continuaria na freada da curva 3, quando Pedro Paulo Diniz bate no seu companheiro de equipe Salo, fazendo-o rodar. Quando tentava se recuperar, Salo acabou batendo em Coulthard.
Com tantos acidentes, o safety-car entrou na pista. Schumacher ultrapassara Fisichella antes da entrada do safety-car, enquanto Coulthard vai aos boxes trocar a asa dianteira. A corrida foi reiniciada na quarta volta e imediatamente Schumacher partiu para cima de Hakkinen, que se defendeu muito bem. O alemão tentou outra manobra, mas acabou saindo da pista e re-ultrapassado por Fisichella. Schumacher estava com uma gana descomunal vinte anos atrás e após ultrapassar Fisichella novamente de forma agressiva, partiu para cima de Hakkinen mais uma vez. Mika sabia que segurar Schumacher naquela altura do campeonato era muito importante psicologicamente e por isso, ele resistia bravamente. Os dois corriam num ritmo alucinante e marcavam volta mais rápida em cima de volta mais rápida, batendo o recorde da pista, mesmo que todos esperassem que os recordes demorariam a cair após a mudança de regulamento em 1998. Porém, o ritmo forte dos dois traria dividendos. Na volta 17, Schumacher, correndo no limite, saiu da pista da curva Rindt e ao bater na grama, a asa dianteira da Ferrari quebrou. Para piorar, o incidente aconteceu na última curva, fazendo Schumacher fazer uma volta bem lenta antes de ir aos boxes trocar sua asa dianteira. Schumacher retornou à pista em último, mas haviam esperanças. A diferença de McLaren e Ferrari para as outras equipes era simplesmente grande demais. Coulthard, que havia relargado em último, já aparecia em quarto depois de apenas 19 voltas.
Na volta 21 começava a primeira rodada de paradas e o segundo colocado Fisichella foi o primeiro a visitar os boxes. A parada do italiano foi normal e o piloto da Benetton voltou à pista bem na frente de Alesi. Os dois fizeram uma das retas lado a lado e acabaram se tocando na freada, acabando com a corrida dos dois ocupantes da primeira fila. Não era o fim de corrida que Fisichella e Alesi imaginavam. Hakkinen liderava com tranquilidade e quando se preparava para colocar uma volta num grupo de retardatários, que incluía Schumacher, o finlandês foi aos boxes fazer sua única parada na volta 34. Irvine e Coulthard vinham atrás de Hakkinen e quando Irvine parou primeiro, Coulthard marcou a volta mais rápida para emergir na frente de Eddie, formando uma dobradinha da McLaren. Schumacher mantinha a gana das primeiras voltas e fazia ultrapassagens sucessivas. Após a segunda parada do alemão na volta 42, ele já vinha em sétimo. Michael ultrapassou Ralf e com as paradas de Hill e Wurz, o alemão da Ferrari assumia o quarto lugar. Irvine ainda tentou um ataque sob Coulthard nas voltas posteriores as paradas deles, mas assim que Schumacher ficou atrás do irlandês, a vantagem de Irvine de 15s foi se esvaindo numa clara ordem de equipe, que foi consumada quando faltavam menos de três voltas para o final. Mika Hakkinen vencia pela quinta vez na temporada e a forma como segurou um impetuoso Schumacher nas primeiras voltas mostrava que o piloto da McLaren não cederia fácil sua primeira posição no campeonato. Mika queria o título!
Chegada:
1) Hakkinen
2) Coulthard
3) M.Schumacher
4) Irvine
5) R.Schumacher
6) Villeneuve
quarta-feira, 25 de julho de 2018
Que pena
Sergio Marchionne substituiu Luca di Montezemolo como presidente da Fiat e da Ferrari há alguns anos e sem perder muito tempo, foi efetivando mudanças para fortalecer essas duas marcas icônicas. Apaixonado por F1, Marchionne rapidamente começou a atuar dentro da equipe, mudando chefes para voltar a ganhar. Como todo capo da Ferrari, Marchionne sempre se preocupou mais no bem-estar da equipe do que no panorama geral da F1 e seguindo uma espécie de tradição, ameaçou tirar a Ferrari da categoria se as coisas não acontecessem ao seu feitio. A notícia do afastamento de Marchionne no sábado tinha mais jeito de demissão sumária, mas infelizmente esse não era o caso. Fumante inveterado, Marchionne desenvolveu um câncer no pulmão e ao fazer uma intervenção cirúrgica no ombro, consequência da sua grave doença, o presidente da Ferrari entrou em coma e acabou falecendo no dia de hoje. Uma notícia chocante pela rapidez com que um importante homem da fábrica automobilística nos deixou.
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