domingo, 2 de setembro de 2018

Vitória categórica fora de casa

O final de semana estava todo a feição da Ferrari. Durante todos os treinos a Ferrari dominou a Mercedes como bem entendeu e mesmo com Kimi Raikkonen ficando com a pole, ninguém imaginaria uma derrota da Ferrari no berço de Monza, de preferência com Sebastian Vettel na frente, diminuindo a desvantagem para Hamilton. Porém, o esporte não vive de certezas ou é uma ciência exata, mesmo numa categoria tão científica como a F1. O fator humano ainda faz a diferença, mesmo alguns críticos dizerem o contrário. Lewis Hamilton fez a diferença numa corrida histórica, onde derrotou os dois carros da Ferrari na frente da torcida italiana numa mistura de talento e astúcia da sua equipe.

A vitória de Vettel em Spa parecia indicar que o campeonato seria tingido de vermelho dali para frente, com a saída de Hamilton da liderança sendo apenas uma questão de tempo. Para completar, uma semana mais tarde a corrida seria em Monza, santuário espiritual da Ferrari e numa pista onde a equipe italiana estava em vantagem. Os treinos mostraram a superioridade da Ferrari, mas Hamilton dava claros indicativos que a vitória vermelha não seria sem luta. O inglês elevou seu nível para ficar sempre próximo da Ferrari, mesmo tendo que largar em terceiro, na primeira dobradinha da Ferrari em Monza desde 2000. O tempo nublado e a perspectiva de chuva também eram esperanças, mas Hamilton não poderia contar com o imponderável. Ele teve que ir a luta! Logo na primeira volta, Vettel atacou Raikkonen para tentar assumir a ponta da corrida logo de cara, como fez semana passada em Spa. De saída da Ferrari, pelas notícias surgidas hoje, Kimi não aliviou, permitindo a Hamilton se colocar na briga. Na Variante Della Roggia, Raikkonen se colocou por dentro, com Vettel por fora. Hamilton viu a brecha e seguiu Kimi. Correndo na casa da Ferrari, Vettel não iria permitir ser ultrapassado daquela maneira na frente dos tifosi. Ele forçou a barra. E acabou rodando, com a asa dianteira quebrada após um toque com Hamilton. Último lugar para o alemão e menos uma Ferrari para Lewis. Ainda tinha um Kimi Raikkonen querendo seu canto do cisne e com um ótimo carro. A vida de Hamilton seguia difícil, mas se Kimi estava nessa luta sozinho, Lewis teria um aliado.

Bottas fazia uma corrida sem vergonha, ficando empacado atrás de Verstappen com um carro nitidamente melhor. O finlandês simplesmente não teve ritmo para seguir seu companheiro de equipe e faria uma corrida anônima e discreta. Foi então que a Mercedes entrou em cena. Primeiro, mandou seus mecânicos irem para o pit-lane, induzindo a Ferrari chamar Raikkonen para os boxes. Os italianos caíram direitinho. A Mercedes retardou ao máximo as paradas dos seus pilotos e mesmo Hamilton tendo perdido a vantagem que lhe permitiria sair na frente de Raikkonen, o piloto da Ferrari se aproximou de Bottas. Mesmo 1s mais rápido do que o compatriota, Kimi simplesmente ficou por ali, perdendo tempo para Hamilton e, mais importante, superaquecendo seus pneus. Hamilton fez sua parada, mas não demorou em encostar nos dois finlandeses. Bottas deixou a disputa, mas seu trabalho estava feito. Tendo parado mais cedo e ficado um bom tempo colado atrás de um carro mais lento do que o seu, os pneus de Raikkonen se encheram de bolhas. E ainda haviam mais quinze voltas para o fim. Hamilton foi paciente e numa manobra belíssima, colocou por fora de Raikkonen na freada da primeira chicane para conseguir o que pode ter sido a manobra do seu pentacampeonato.

Contra todas as possibilidades, Lewis Hamilton cruzou a bandeirada em primeiro e se igualou a Michael Schumacher como o grande vencedor em Monza. O inglês levou vaia da torcida italiana, mas seu nome na história no tradicional circuito italiano já estava devidamente escrito. Hamilton fez a diferença numa corrida toda da Ferrari, mas o inglês teve a preciosa ajuda da sua equipe, que soube usar muito bem Bottas num momento crucial da corrida. Com os pneus cheio de bolhas, Raikkonen teve sorte em completar em segundo, enquanto Bottas se utilizou de outro afobamento de Verstappen para subir ao pódio. Quem sabe um dia Max perceba que Hamilton era assim, mas com o tempo foi amadurecendo a ponto de conseguir performances como a de hoje. O holandês da Red Bull segurou de forma magnífica a terceira posição, mas aprontou outra das suas quando se moveu na freada da primeira chicane e tocou em Bottas, causando uma posterior punição. Bottas subiu para terceiro, com Vettel fazendo sua protocolar corrida de recuperação para ser um infeliz quarto colocado e sendo derrotado de forma categórica dentro da casa da Ferrari.

A Red Bull ainda terá do que reclamar ao ver o novo motor de Ricciardo explodir quando o australiano fazia uma bom papel ao largar tão atrás. Daniel fica numa situação complicada, pois vê sua futura equipe não conseguindo bons resultados e ter um motor que ainda deixa muito a desejar. Se em Spa a Force India foi a melhor do resto, desta vez coube à Haas ficar com a sexta posição com Grosjean, já que Magnussen se envolveu num toque com Ocon ainda na primeira volta e terminou em último. A dupla da Force India veio logo à seguir, com Sainz e Stroll fechando a zona de pontuação. Numa pista onde o downforce não faz a menor diferença, a Williams conseguiu pelo menos pontuar, superando Sauber, Toro Rosso e McLaren. Hartley bateu na largada, enquanto Fernando Alonso continua sua sina e abandonou cedo. Um final de carreira indigno para um piloto tão forte.

Hoje tivemos a oportunidade de ver uma corrida histórica e que podemos contar pros nossos filhos. Não foi a mais emocionante do mundo, mas vimos um piloto usar seu talento para vencer não apenas dois pilotos rivais. Mas também toda a força de uma equipe, de uma torcida e de uma nação. E Hamilton fez isso na casa da Ferrari. Ainda faltam mais sete corridas, mas Hamilton pode ter conquistado seu pentacampeonato hoje.

sábado, 1 de setembro de 2018

E deu Kimi!

Num campeonato tão bipolarizado entre Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, a pole de Raikkonen foi uma grata surpresa no santuário de Monza, mas mostrou bem a força da Ferrari nesse final de semana que é tão especial para os italianos.

Numa cena rara, a chuva está sendo bem presente em Monza e se atrapalhou a sexta-feira, criou expectativa no sábado, mas a classificação ocorreu com piso seco. Num circuito onde o motor é praticamente tudo, ver a Williams no Q3 com Lance Stroll não é exatamente uma surpresa, mesmo o canadense tendo sido beneficiado pelas punições à Ricciardo e Hulkenberg, que nem abriram volta no Q2. Um bom indicativo para a Red Bull é ver Gasly com o motor Honda no Q3, mostrando o desenvolvimento do motor japonês, na mesma medida em que o time sofre com Verstappen tomando mais de 1s para a pole. A Ferrari demonstrava até agora estar por cima na briga com a Mercedes, mas os alemães tem o talento de Hamilton para fazer a diferença e Lewis quase surpreende novamente quando ele ficou com o melhor tempo na primeira rodada de tempos no Q3. Era esperado a resposta da Ferrari, mas pensando no campeonato, talvez ela tenha vindo do homem errado. Vettel superou seu rival e chegou a vibrar, mas logo em seguido Raikkonen acabou com sua seca de mais de um ano sem pole e superou o companheiro de equipe com a volta mais rápida da história de Monza, com uma média superior aos 263 km/h.

Enquanto Raikkonen vibrava à seu modo com a pole, seu contemporâneo Fernando Alonso se metia em mais uma polêmica num lance desnecessário com Kevin Magnussen no final do Q2, estragando a volta de ambos. É por essas e outras que Kimi Raikkonen estará aos 40 anos numa equipe de ponta e Alonso está saindo da F1 praticamente pelas portas dos fundos. As chances de chuva amanhã são pequenas, o que é uma boa notícia para os tifosi, pois podem ir à Monza sem maiores percalços e com boas chances de ver uma vitória da Ferrari.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

História: 30 anos do Grande Prêmio da Bélgica de 1988

Após semanas de angústia à respeito da saúde de Enzo Ferrari, o 'commendatore' faleceu no dia 14 de agosto de 1988 aos 90 anos de idade, com o anúncio acontecendo apenas dois dias depois. Após 38 anos, a F1 não teria a presença física de Enzo Ferrari, mesmo que por telefone em Maranello, deixando todo o mundo do esporte a motor de luto. Outro desfalque, mas esse temporário, era de Nigel Mansell, ainda se recuperando da catapora que contraíra semanas antes. Praticamente de partida para a Ferrari em 1989, muito se falou se o inglês estava mesmo tão mal a ponto de faltar uma corrida, mas Frank Williams fez questão de mostrar o boletim médico de Mansell, que seria substituído em Spa pelo compatriota Martin Brundle. 

Como normalmente acontece em Spa, a chuva se fez presente e os tempos que valeram foram os da sexta-feira, quando a pista estava seca. Senna conquistou sua 25º pole na carreira, superando Lauda e Piquet no ranking histórico da F1. Como era norma em 1988, Prost completava a primeira fila com a dupla da Ferrari logo à seguir. Patrese era quinto com boa vantagem sobre Brundle, apenas 12º. Após o italiano vinham as duplas da Benetton e da Lotus, com Satoru Nakajima superando pela primeira vez no ano Nelson Piquet. O brasileiro teve sérios problemas técnicos com seu Lotus e tomou mais de 4s de Senna. A péssima temporada da Lotus resultou na demissão do projetista Gerard Ducarouge, grande admirador de Senna e por consequência inimigo de Piquet. Mesmo sofrendo com o acerto do seu Williams, Brundle surpreendeu ao ficar com o melhor tempo no molhado treino de sábado.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:53.718
2) Prost (McLaren) - 1:54.128
3) Berger (Ferrari) - 1:54.581
4) Alboreto (Ferrari) - 1:55.665
5) Patrese (Williams) - 1:57.138
6) Boutsen (Benetton) - 1:57.455
7) Nannini (Benetton) - 1:57.535
8) Nakajima (Lotus) - 1:57.616
9) Piquet (Lotus) - 1:57.821
10) Warwick (Arrows) - 1:57.925

O dia 28 de agosto de 1988 amanheceu com céu limpo e um clima bastante agradável em Spa, afastando a possibilidade de uma corrida com pista molhada. Tentando dar uma virada no campeonato, onde estava empatado com Senna mesmo com duas vitórias a menos, Prost utilizou um acerto completamente diferente do companheiro de equipe para a corrida. A delicada freada da La Source também preocupava e os dois pilotos da McLaren combinaram de não se atacarem na primeira curva. Largando no lado sujo, Senna patinou e Prost conseguia a primeira posição. Porém, a liderança de Prost não durou muito. Senna pegou o vácuo de Prost na reta Kemmel e numa disputa sem maiores dramas, colocou por dentro na Les Combes para reassumir a ponta da corrida. E sumir!

Senna imediatamente impunha seu forte ritmo e Prost parecia conformado de que não tinha muito o que fazer para deter seu companheiro de equipe. Berger ameaçou alguns ataques em cima de Prost, mas logo o motor Ferrari apresentou problemas eletrônicos e o austríaco teve que ir aos boxes para tentar reparos, mas logo abandonaria. Alboreto assumiu a terceira posição, mas já vinha longe da dupla da McLaren, porém, logo atrás do italiano uma animada briga no meio do pelotão animou boa parte da corrida. Com o acerto de corrida errado, Patrese perdia várias posições, enquanto Nakajima era a surpresa do dia ao segurar um bom quinto lugar dos ataques de Nannini e Piquet. Boutsen andava sozinho em quarto, enquanto Prost sofria nas curvas lentas e com isso, desgastava seus pneus. Senna liderava absoluto. Nakajima tem problemas de motor na volta 22, um pouco depois de Piquet o ultrapassar. Ivan Capelli fazia uma corrida interessante e na Bus Stop consegue uma ultrapassagem dupla sobre Patrese e seu companheiro de equipe Maurício Gugelmin.

Piquet tentava se aproximar de Boutsen, mas acaba saindo da pista e o passeio na grama enche seus radiadores de sujeira, superaquecendo seu motor Honda e permitindo a rápida aproximação de Nannini. Na volta 35 o motor Ferrari de Alboreto explode e Boutsen assumia a terceira posição quietamente, enquanto Piquet apenas tentava preservar seu motor. Nas últimas voltas o brasileiro seria ultrapassado por Nannini e também por Capelli, o homem que mais ultrapassagens fez no dia. Com quase 30s de vantagem, Senna recebeu a bandeirada na frente de Prost, com Boutsen conseguindo um pódio na frente do seu público. Porém, horas mais tarde a dupla da Benetton seria desclassificada por irregularidades no combustível, fazendo com que a combativa corrida de Capelli lhe rendesse um ótimo terceiro lugar, com Piquet sobrevivendo com o motor nas últimas com um quarto lugar e a dupla da Arrows fechando a zona de pontuação. A McLaren conquistava o Mundial de Construtores com uma campanha próxima da perfeição, mas nem tudo era alegria no boxe chefiado por Ron Dennis. Prost estava muito desanimado e falou que o título já era de Senna. "Não me vejo ganhando quatro corridas até o final do campeonato", lamuriava Prost. Senna se fazia de desentendido e falava que o campeonato ainda estava aberto. Mas com sete vitórias contra quatro de Prost, Senna começava a garantir seu primeiro título mundial.

Chegada:
1) Senna
2) Prost
3) Capelli
4) Piquet
5) Warwick
6) Cheever

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Figura(BEL): Force India

Foram momentos angustiantes, os últimos meses da Force India. Com várias dívidas e seu dono enfrentando os mais variados processos, além de não poder sair da Inglaterra para não ser preso, a Force India sobrevivia apenas com as duas últimas ótimas temporadas, mas quando as férias chegaram, a crise da equipe foi escancarada para todo mundo da F1. Vijay Mallya praticamente não mandava mais na equipe e os credores da equipe, incluindo aí fornecedores importantes como a Mercedes e seu piloto Sergio Pérez, batiam à porta cada vez mais forte. Sem ter para onde ir, a equipe foi declarada em administração judicial e à venda. A Force India fazia uma temporada decente em 2018, mas a equipe corria sério risco de acabar, além de ter 400 funcionários desempregados. Um consórcio liderado por Lawrence Stroll comprou a equipe, garantindo o futuro a curto prazo do time, mas não o fim dos problemas. Por problemas burocráticos a equipe poderia não participar da corrida na Bélgica e para que isso não acontecesse, o nome 'Racing Point' foi adicionado à Force India e os pontos da equipe no Mundial de Construtores seria cassados. A Force India começaria do zero. Definitivamente não era a preparação adequada para uma corrida, mas a Force India, que um dia foi Jordan e Spyker, se superou e num circuito favorável, conseguiu ser o melhor do resto. Na classificação, onde a chuva deu as caras no Q3, a equipe rosa fez ainda mais, com Esteban Ocon (praticamente de saída da equipe para a entrada do inexpressivo Lance) conseguiu um terceiro lugar, com Pérez ao seu lado. Na corrida, o time não teve chances contra os pilotos das equipe top-3 que largavam atrás, mas ainda assim Pérez foi quinto, com Ocon logo atrás. Foram os primeiros dezoito pontos da nova Force India, mas que valeu bem mais que os pontos conquistados anteriormente!

Figurão(BEL): McLaren

Quando a McLaren estava em parceria com a Honda, Fernando Alonso exclamou aos quatro ventos que estaria vencendo corridas se tivesse outro motor, pois o chassi da McLaren era um dos melhores da F1. Mesmo trazido pela Honda à peso de ouro, Alonso fez de tudo para que a McLaren rompesse com os japoneses em situações embaraçosas para todos os lados. Tendo o motor Renault esse ano, a McLaren voltava a falar em pódios e tendo Alonso em suas fileiras, por que não em vitórias? Passado mais da metade da temporada 2018, o que poderia ser a temporada de redenção da McLaren se transformou em outro vexame para a tradicional equipe inglesa. Se antes da temporada começar a McLaren imaginava em brigar com a Red Bull, agora se vê atrás até da equipe de fábrica da Renault, que ainda tenta se reerguer. Como o motor Renault ainda não está no mesmo nível de Mercedes e Ferrari, o rapidíssimo circuito de Spa se transformou num pesadelo para a McLaren, hoje a pior equipe com os motores Renault. Em todos os treinos a McLaren andou junto com a Williams, mas ao contrário de quinze anos atrás, quando as duas equipes inglesas brigavam pelas vitórias, em Spa elas brigavam para fugir da última posição, superadas por Sauber e Toro Rosso. Alijado da disputa ainda na largada, Alonso não passou pelo vexame que foi a McLaren em Spa. Tendo o piloto local Stoffel Vandoorne, a McLaren não saiu um único momento da última posição, superada pela claudicante Williams e seus pilotos-pagantes. Foi uma corrida cheia de simbolismos para duas equipes que antes eram sinônimos de vitórias e títulos. Porém, a queda da McLaren, que hoje não ostenta um patrocínio-master, foi ainda mais acentuada e com um motor não tão forte, passou a humilhação de ser a pior equipe da F1 atual, sem tempo para fazer muita coisa para a próxima etapa em Monza, um circuito ainda mais veloz do que Spa e que provavelmente trará dificuldades similares. Num dos mais tradicionais palcos da F1, a tradicional McLaren naufragou mesmo sem a conhecida chuva de Spa. A troca de motores evidenciou os erros de gestão da McLaren, resultando num carro ruim. Ah! O motor Honda, desprezado pela McLaren, conseguiu um nono lugar com a pequena Toro Rosso.

domingo, 26 de agosto de 2018

Decidida no primeiro quilômetro

A frase 'uma corrida não se decide na primeira curva' não se aplicou em Spa nessa manhã. Se a corrida não foi decidida na primeira curva, foi no primeiro quilômetro de uma corrida que ficou aquém do belo histórico de Spa na F1. Sebastian Vettel confirmou o favoritismo da Ferrari com pista seca numa corrida onde liderou de ponta a ponta, com Hamilton ficando num isolado segundo lugar, o mesmo acontecendo com Verstappen, que foi terceiro se aproveitando dos infortúnios dos seus rivais mais próximos.

A apertada curva Surcis causou um sério acidente quando Nico Hulkenberg errou a freada e encheu a traseira de Alonso, que alçou voo e caiu praticamente em cima de Charles Leclerc. O monegasco só não sentiu mais o peso da McLaren de Alonso por que o criticado Halo segurou o tranco. Ponto para a FIA. Alonso também bateu na traseira de Ricciardo, que atingiu o pneu traseiro direito de Raikkonen. Mais à frente, numa das cenas mais lindas do campeonato, Vettel pegou o vácuo de Hamilton no meio da reta Kemmel e completou a ultrapassagem ainda bem longe da freada da primeira curva. Usando a força do motor Mercedes, a dupla da Force India, que vinham logo atrás, ajudado pelo vácuo também emparelhou com os líderes e os quatro ficaram praticamente lado a lado, mas o juízo dos pilotos dos carros róseos falou mais alto e todos os quatro contornaram a chicane  inteiros para ser anunciado a entrada do safety-car. O que ninguém sabia era que a corrida estava praticamente decidida ali. Raikkonen, com seu ótimo histórico em Spa, abandonaria algumas voltas mais tarde com a asa traseira avariada. Ricciardo teve sua asa traseira recolocada, mas como já largou com uma volta de atraso, a Red Bull achou por bem economizar equipamento e parou o australiano. Bottas também bateu na primeira volta e atrasou sua protocolar corrida de recuperação, deixando Verstappen sozinho para atacar os dois carros da Force India e garantir a terceira posição.

Lá na frente, Vettel administrou a corrida da mesma maneira com que fazia quando tinha nas mãos o dominador carro da Red Bull no começo dessa década. A única ameaça do alemão foi na única parada de pit-stops. Com bolhas aparecendo no pneu traseiro esquerdo, a Mercedes chamou seus pilotos para os boxes e ato contínuo, a Ferrari trouxe Vettel para os pits. Hamilton vinha muito rápido, mas encontrou Verstappen pela frente, enquanto Vettel saía à frente do holandês. Quando Lewis efetuou a ultrapassagem sobre Max na reta Kemmel, estava menos de 2s atrás de Vettel e pronto para um ataque, mas não demorou duas voltas para Vettel colocar ordem na casa e disparar na frente. Mesmo se tivesse conseguido a ultrapassagem nos boxes, era bem claro que Hamilton não teria como segurar Vettel, que partiu para uma vitória tranquila e dando-lhe um bom respiro no campeonato. Hamilton tirou o pé para economizar o seu equipamento e se preparar para o desafio a seguir. Se antes o carro da Mercedes era melhor do que a Ferrari em circuito rápidos, hoje foi provado o inverso, lembrando que a próxima corrida será em Monza, casa da Ferrari e onde o motor é ainda mais importante do que em Spa. Depois vem Marina Bay, circuito onde a Mercedes nunca andou muito bem. A liderança de Hamilton ainda é boa, mas a tendência é ir diminuindo cada vez mais.

Bottas teve sua recuperação adiada, mas conseguir o quarto lugar protocolar ao ultrapassar Sergio Pérez já nas últimas voltas. Porém, não se pode negar a corrida heroica da Force India. Durante as férias a equipe foi anunciada que estava falida, foi comprada por um consórcio, mas por motivos burocráticos, o time quase não correu em Spa. Trocando de nome de última hora e perdendo todos os seus pontos até a Hungria conquistados, a Force India participou da corrida na Bélgica como se nada tivesse conseguido e utilizando seus dois bons pilotos, além da força do motor Mercedes, conseguiram um quinto lugar com Pérez e um sexto com Ocon com grande tranquilidade para a sua antiga rival pelo quarto posto no Mundial de Construtores, a Haas. O time americano pontuou com seus dois pilotos e ainda viu a Renault fazer uma corrida esquecível, com Hulkenberg batendo na primeira curva e Sainz não brigar pelos pontos. Em outros tempos, Spa seria um pesadelo para o motor Honda, mas Gasly provou a evolução do motor japonês com um seguro nono lugar, ainda na mesma volta do líder. E a Red Bull vibra! Ericsson se aproveitou dos problemas dos demais para ficar com a última posição pontuável. A Williams fez sua corrida medíocre de sempre, mas usando o motor Mercedes conseguiu superar a McLaren, que sempre viu Vandoorne ficar sempre em último. Vinte anos atrás, Williams e McLaren eram sinônimos de glórias, vitórias e títulos. Hoje, lutam para escapar da última posição. Sinais dos tempos!

A corrida teve seus bons momentos, como a bela cena na primeira volta e a ultrapassagem na Eau Rouge de Bottas em cima do inofensivo Hartley. Contudo, a corrida ficou abaixo das expectativas de Spa e houve até torcida para que as nuvens carregadas no horizonte trouxessem a onipresente chuva na floresta da Ardenas. Para o campeonato, a vitória de Vettel significa que o alemão pode começar uma virada nessa volta das férias com sua Ferrari aparentemente melhor do que as demais, enquanto Hamilton e Mercedes lutarão para se manterem no topo. Um campeonato que poderá ter capítulos históricos até o final!

sábado, 25 de agosto de 2018

Contrariando a lógica

Um piloto ter 78 poles na carreira ser o mais rápido ao final da classificação está longe de ser uma surpresa. Ainda mais na chuva, que é sua especialidade. Mas a pole de Lewis Hamilton foi uma tremenda surpresa em outro final de semana em que a Ferrari tinha claramente mais carro, mas acabou atrapalhada pelas condições do tempo instáveis, que caracteriza Spa e que vem trazendo muita chuva nos últimos finais de semana da corrida na F1.

Só que ao contrário do imaginado, não era exatamente Sebastian Vettel o mais rápido no final de semana. Com quatro vitórias em Spa, Kimi Raikkonen era o favorito à vitória no belo circuito belga, mas como diria o botafoguense, 'há coisas que só acontecem com Kimi'. A chuva deu as caras no Q3 e um problema fez com que Raikkonen ficasse de fora do momento mais agudo do Q3, quando a chuva tinha cessado e a pista melhorava claramente. Foi exatamente nesse momento que Hamilton mostrou sua habilidade absurda para tirar uma pole da cartola, num final de semana que era todo da Ferrari. Vettel ainda salvou um lugar na primeira fila e mantém suas chances de vitória, principalmente se amanhã não chover.

Como normalmente acontece nessas situações de clima instável, novos personagens aparecem e a dupla da Force India, agora conhecida como Racing Point, fez o milagre do ano até agora. Com Vijay Mallya defenestrado do controle da Force India e o anúncio da compra por um consórcio liderado por Lawrence Stroll, o futuro imediado da equipe era incerto. Correu-se até mesmo o risco da equipe não competir esse final de semana. Um novo nome foi adicionado, além dos pontos da equipe no Mundial de Construtores terem sido zerados. Com Stroll liderando agora a equipe, é nítido que Lance sairá da capenga Williams e irá para o time do papai, sobrando para Esteban Ocon. Pois foi o francês quem liderou a equipe para ficar com a segunda fila e Ocon conquistando um emocionante lugar entre os três primeiros. Outro ameaçado, Grosjean, foi quinto, dividindo a terceira fila com Raikkonen. Red Bull decepcionou amargamente numa situação em que seus dois ótimos pilotos poderiam tirar o atraso no braço, mas Verstappen, com a torcida holandesa e tudo, ficou em sétimo, com Ricciardo logo atrás. Se a Red Bull decepcionou, o que dizer das tradicionais McLaren e Williams? Últimas colocadas com boa desvantagem sobre as rivais? Quem te viu, quem te vê...

A pole de Hamilton não pode significar muita coisa se amanhã estiver ensolarado e a Ferrari vier com tudo para cima do inglês, que terá que enfrentar a volúpia italiana sozinho, já que Bottas largará nas últimas posições devido à punições. Porém, o clima instável em Spa pode mudar tudo amanhã.