A corrida não foi lá essas coisas, mas quantas vezes podemos ver um piloto se igualar à Juan Manuel Fangio?
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Figurão(MEX): Haas
Correndo praticamente no quintal de casa, a americana Haas teve a sua pior exibição em sua curta existência na F1. Não há dúvidas que a Haas conseguiu uma enorme evolução em 2018 e brigou várias vezes com Renault e a antiga Force India para ser a quarta força do pelotão da F1, mas nas difíceis condições do circuito no México, onde altitude se misturou com alto desgaste de pneus e motor, a Haas se perdeu totalmente e nem de longe o time de Kannapolis exibiu exibições sequer próximas do que já conseguiu esse ano. Na classificação, Grosjean e Magnussen ficaram no Q1, superados pela Toro Rosso e a McLaren de Alonso, que normalmente ficam nessa fase de classificação. Confirmada a péssima posição de largada, a experiente dupla de pilotos da Haas teria uma corrida longa pela frente. Com problemas no acerto do carro e desgastando bastante os pneus (Grosjean sempre se caracterizou por poupar muito bem os pneus...) a dupla da Haas ficou nas duas últimas posições, superada até mesmo pela fraca Williams e seus mais fracos ainda pilotos, com Grosjean sendo o único a tomar três voltas na prova de ontem. Depois de um ano tão positivo, o final de semana mexicano será dos mais esquecíveis para a Haas.
domingo, 28 de outubro de 2018
Sem segundo turno
Não foi com uma vitória, como Lewis Hamilton com certeza queria. Na verdade, Hamilton fez uma de suas piores corridas dos últimos tempos na cidade do México. Porém, sua vantagem construída ao longo dos últimos três meses transformou a conquista do pentacampeonato no México apenas uma questão de formalidade, onde o inglês precisou apenas não se estranhar com nenhum adversário para levar seu carro até a bandeirada. Numa outra vitória enfática de Max Verstappen no Autódromo Hermanos Rodríguez, Hamilton só precisou do quarto lugar para entrar no panteão dos grandes campeões da história da F1 e se colocar entre os gigantes da categoria.
Apesar de não ter tido o melhor carro em nenhum momento na América Central, Lewis Hamilton contou com a ótima forma da Red Bull no rarefeito circuito mexicano para se tornar ainda mais favorito ao título com duas corridas de antecedência. Se ontem Verstappen perdeu a pole por muito pouco para o seu companheiro de equipe Ricciardo, o holandês fez uma corrida irretocável nesse domingo um ano após sua vitória na mesma pista. O holandês largou otimamente e superou logo Ricciardo, ficando lado a lado com Hamilton na freada da primeira curva. Se colocando por dentro, Max ganhou a disputa e disparou na frente com um domínio que só foi visto nos melhores dias da parceria Mercedes/Hamilton ou Ferrari/Vettel. Verstappen ganhou com 15s de vantagem sobre os demais, mas a sua vida não foi tão simples por causa do desgaste excessivo de pneus, que fez a maioria dos pilotos optarem pela estratégia de duas paradas. Max ganhou e se tornou o piloto com mais vitórias sem uma única pole na carreira, mas a forma como dominou a corrida de hoje mostra bem que o jovem holandês só precisa de um carro a altura do seu talento para brigar mais seriamente pelo título. E que seja também minimamente confiável, como provou Daniel Ricciardo, abandonando pela oitava vez em 2018 quando estava prestes a completar uma dobradinha da Red Bull com uma parada a menos e teve o motor quebrado nas voltas finais.
Com a Red Bull tão na frente, a vida de Hamilton ficou bem descomplicada, pois somente a vitória interessava à Vettel e esse objetivo esteve bem longe do alemão. Desde a corrida de Singapura em 2015 que a Mercedes não tinha errado tão a mão no acerto do carro como nesse final de semana no México. A cara tensa de Toto Wolff na chegada mostrava um sabor agridoce para o austríaco, que viu a Mercedes fica na incômoda posição de terceira força da corrida, com Bottas chegando a fazer três paradas, tamanha era a dificuldade com os pneus. Correndo 2s mais lento que os pilotos de Red Bull e Ferrari, Hamilton sabia que bastava cruzar a bandeirada para coroar o pentacampeonato. Vettel fez o que pôde, conseguiu boas ultrapassagens sobre Hamilton e Ricciardo, conseguiu seu primeiro pódio no México, mas não tinha muito com o que o piloto da Ferrari poderia fazer ao sustentar uma desvantagem tão grande no campeonato. Muito por erros do próprio Sebastian. Como deve acontecer em casos de vitória ou derrota, o gesto elegante de Vettel e Hamilton no abraço sincero que deram provam que ambos são gigantes, mas com Hamilton um passo acima.
Raikkonen completou o pódio numa corrida opaca, onde parou uma vez menos e diminuiu seu ritmo para chegar até o fim sem trocar pneus. Outra despreocupação de Hamilton foi o abismo das equipe top-3 e o resto. A Renault ainda se animou com os bons tempos na sexta-feira, mas a realidade na corrida foi até constrangedora. Hulkenberg foi o melhor do resto levando duas voltas de Verstappen. Pareceu até aqueles resultados dos anos 1980... Correndo em casa, Pérez fazia uma boa corrida até abandonar, algo que Fernando Alonso teve que fazer ainda nas primeiras voltas quando um pedaço da asa de Ocon ficou preso debaixo da sua McLaren. Um final de carreira amargo do espanhol. Pensando até em escrever uma carta para ele. Porém, nem tudo foi ruim para a McLaren, que viu Stoffel Vandoorne fazer sua melhor corrida na F1 para ser oitavo, superando Ericsson e Gasly, que fecharam a zona de pontuação. Enquanto Leclerc fazia outra corrida sensacional para ser sétimo, a Haas teve uma corrida terrível, ficando com as duas últimas posições, tomando tempo da fraca Williams e Grosjean tomando três voltas no cocuruto.
O título de hoje foi a confirmação de que Hamilton está mesmo no olimpo dos grandes do esporte mundial e da F1. O inglês de 33 anos pode ter seus defeitos, mas a forma como piloto em 2018 mostrou muito bem que Hamilton merece os números que vem construindo em sua laureada carreira. Vettel se portou bem hoje, mas foi o culpado do final de campeonato morno que tivemos, mesmo com as boas indicações de que se a Red Bull acertar na parceria com a Honda, poderemos ter uma bela batalha em 2019. No animado pódio do México, não tivemos Hamilton, mas ele já está no pódio dos maiores campeões da história da F1.
Fim do jejum
A Yamaha sofria de uma seca histórica na MotoGP. Foram anos de glória com Valentino Rossi e Jorge Lorenzo e mesmo ainda contando com o veterano italiano, a marca dos três diapasões sofria com um 2018 absolutamente fora do comum de tão ruim. Contudo, foi necessário a MotoGP aportar num circuito fora do comum para que a Yamaha voltasse a vencer, acabando com um jejum de mais de vinte corridas.
O belíssimo circuito de Philipp Island tem como características além da beleza e da pista de alta velocidade, a quantidade de corridas sensacionais e bastante próximas. Ano após ano, corridas de alta qualidade são travadas no Grande Prêmio da Austrália que fica até difícil separar as melhores de todos os tempos. Talvez inspirados pela paisagem espetacular, os pilotos não apenas da MotoGP, mas das três categorias do Mundial, promovem corridas tão espetaculares quanto a bela vista. A edição 2018 da prova da MotoGP não foi diferente e numa prova bastante próxima na primeira metade, Maverick Viñales soube se desvencilhar do compacto grupo da frente para dar à Yamaha o gosto da vitória após etapas de fracassos contínuos. O próprio espanhol foi o que mais reclamou dos problemas da Yamaha e parecia perdido na situação adversa em que se encontrava, mas Viñales mostrou sua velocidade e conseguiu uma vitória enfática frente a uma batalha titânica pela ponta.
Nada menos que nove motos brigavam pela ponta da corrida, com várias trocas de posição entre eles. A Suzuki de Iannone era uma moto a se observar, com o italiano andando bem em todas as sessões e só perdendo a pole por causa do chuvisco no final da classificação. Porém, as trocas incessantes de posição não deixava ninguém se destacar, mas o perigoso acidente entre Marc Máquez e Johann Zarco na rápida curva um mudou a cara da prova. Mesmo sem cair, o espanhol da Honda teve que abandonar e mostrou a dependência que a Honda tem com ele. Sem Máquez (Cruthlow quebrou o tornozelo nos treinos e talvez nem volte em 2018), a melhor Honda do dia foi Franco Morbidelli em oitavo. Viñales já vinha no pelotão da frente quando o acidente ocorreu e assumiu a ponta para não mais perde-la. Iannone realmente foi muito forte durante a corrida, mas demonstrou o porquê da Ducati ter preferido Doviziozo e não ele. Iannone errou várias vezes nas incessantes brigas por posições, muitas vezes perdendo terreno quando poderia brigar mais na frente. A falta de confiabilidade na pilotagem do italiano da Suzuki ajudou Viñales chegar a abrir 4s de vantagem. Grande destaque também para Alvaro Bautista, que substituindo Jorge Lorenzo na Ducati, brigou de igual para igual com Doviziozo e acabou num comemorado quarto lugar, logo atrás do italiano, que andou com a moto o ano inteiro.
Foi uma corrida fora do comum num circuito fora do comum de tão espetacular e bonito. Somente assim para a Yamaha conseguir uma vantagem sobre os rivais e vencer depois de um longo jejum.
sábado, 27 de outubro de 2018
Se não quebrar...
Durante o terceiro treino livre a F1 mostrou um gráfico com uma dura realidade para Daniel Ricciardo: com sete abandonos, o simpático australiano é o piloto com mais desistências do ano. A sorte realmente não ajudou Ricciardo, que está saindo da Red Bull após longos anos e durante todo o complicado final de semana mexicano, foi superado pelo companheiro de equipe Max Verstappen. Porém, Ricciardo surpreendeu no final do Q3 e quando nenhum piloto conseguia melhorar seu tempo, Daniel tirou forças não se sabe da onde e superou Verstappen por menos de três centésimos, conseguindo sua terceira pole na carreira.
O Autódromo Hermanos Rodríguez está sendo um belo desafio para as equipes. Localizado à alta altitude, o tradicional circuito mexicano causou várias dores de cabeça para as equipes, principalmente com relação ao desgaste de pneus e motor. A Red Bull já anunciara que pelas características da pista, a corrida do México era a última chance de vitória em 2018 e os austríaco se provaram corretos, com Max Verstappen liderando os três treinos livres, com Mercedes e Ferrari logo atrás. Num circuito curto as diferenças sempre foram pequenas, mas no Q3 Verstappen logo tomou as rédeas e tinha tudo para conseguir sua primeira pole na F1, o que o transformaria no mais jovem da história, porém, ninguém sabe como, Ricciardo destruiu o tempo do seu companheiro de equipe na sua última tentativa para ficar com a pole e formar uma rara primeira fila toda da Red Bull. Verstappen não gostou nada da forma como foi superado, demonstrando isso ao atropelar a marca da segunda posição na entrevista pós-corrida. Como esperado, Ricciardo vibrou muito e mesmo de saída da equipe, a Red Bull comemorou bastante, demonstrando o enorme carisma desse australiano querido por todos.
Na briga pelo título, Hamilton conseguiu outro passo rumo ao título de forma antecipada. Precisando apenas de um sétimo lugar, o inglês ficou logo atrás dos dois carros da Red Bull e ainda superando Vettel por muito pouco, sendo que o alemão necessita desesperadamente da vitória. Depois de conseguir ótimas posições na sexta-feira, onde superou Ferrari e Mercedes, a Renault voltou ao normal e ficou como quarta força destacada e na briga por essa posição no Mundial de Construtores, ainda viu Haas e Force India ficarem pelo caminho.
A largada de amanhã será uma das mais esperadas do ano. A Red Bull saíra na frente após um longo tempo e Verstappen deverá estar mordido por essa derrota tão perto do final da classificação. Hamilton deverá ser cauteloso, enquanto Vettel terá que atacar, contudo, vimos o comportamento do alemão da Ferrari nessas situações nas últimas corridas. Ainda há o fator climático. A sexta trouxe um clima abrasador no México e hoje era esperado chuva, o que não aconteceu. Ficará para amanhã? Ainda há o fator confiabilidade. A corrida promete amanhã!
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
Força Robert
Infelizmente veio a notícia que ninguém queria ouvir. Na verdade, todos nós torcíamos que a verdade não viesse à tona, mas foi o próprio Robert Wickens quem revelou a triste realidade: após seu terrível acidente em Pocono, o canadense ficou paraplégico.
Robert ainda conseguiu o título de Novato do Ano da Indy numa temporada sensacional, onde a vitória bateu na trave algumas vezes. Mesmo em seu primeiro ano e não estando numa equipe de ponta, Robert Wickens sempre andava no pelotão da frente, fazendo do futuro do canadense algo a ser apreciado, porém, veio o acidente em Pocono e a trágica consequência. A lista de fraturas havia sido muito grande, mas o que preocupava era a 'indeterminada lesão na espinha'. Wickens colocava vídeos que dava esperança até mesmo que ele retornasse às corridas, mas nessa sexta-feira ele revelou que 'está muito longe de caminhar com as próprias forças' e tinha feito seu primeiro exercício 'como paraplégico'.
É o fim de uma carreira muito forte de um piloto talentoso, que se destacou na Europa, mas que não o levou à F1. Convidado pelo amigo James Hinchcliffe, Wickens se mudou para a Indy, onde encontrou seu destino. Fico imaginando como deve estar sentindo Hinchcliffe, que convidou Wickens para correr nas Indy e seus temidos ovais, e também Ryan Hunter-Reay, que se envolveu no acidente. Deve ser bem difícil para eles essa situação, mas não será mais complicado do que a missão que Robert Wickens terá pela frente. Só nos resta torcer para que ele vença mais essa corrida.
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
Figura(EUA): Kimi Raikkonen
Não vou negar os adjetivos que já dirigi ao finlandês da Ferrari em 2018: sorumbático, burocrata e letárgico. Esses três foram os que vieram à mente agora, mas deve ter havido mais. Kimi Raikkonen mereceu muitas críticas esse ano e foi muitas vezes um submisso segundo piloto da Ferrari, dando a sensação que estava apenas batendo o ponto nas corridas, conquistando pontos no Mundial de Construtores que eram nada menos do que sua obrigação. A sua falta de combatividade na hora de ultrapassar chegava a dar nos nervos a ponto da Ferrari preferir sua troca em 2019, trazendo o sangue novo de Charles Leclerc até mesmo para colocar alguma pressão em Sebastian Vettel. Como se o alemão já não tivesse pressionado... Raikkonen já havia feito uma corrida notável em Monza, mas acabou ultrapassado por um inspirado Lewis Hamilton e parecia ter perdido sua última chance de vencer na F1, pois mesmo não se aposentando no final dessa temporada, Kimi terá chances escassas à bordo de uma Sauber em 2019. Porém, as besteiras cometidas por Vettel deixou Raikkonen como a única esperança da Ferrari e na maior parte da corrida na liderança da prova em Austin, Kimi não decepcionou. O piloto da Ferrari conseguiu uma bela largada e ultrapassou o pole Hamilton ainda antes da primeira volta. Depois não deixou o inglês passar quando estava com os pneus em frangalhos, enquanto Hamilton vinha com tudo com pneus novos. Raikkonen segurou Hamilton como nos bons tempos onde o nórdico ainda procurava seu primeiro título. O tempo em que ficou à frente de Hamilton pode ter contribuído para superaquecer os pneus da Mercedes do inglês, que teve que parar uma segunda vez, mas Raikkonen não teria que enfrentar apenas Hamilton. Verstappen vinha fazendo uma corrida estupenda após largar do meio do pelotão e estava com pneus em melhores condições, sem contar Hamilton, voando nas últimas voltas com pneus novos. Foi um final de corrida emocionante que poucas vezes se viu esse ano. Raikkonen apertou o ritmo e segurou o rojão de dois pilotos melhores 'calçados' do que ele e conseguiu sua primeira vitória em cinco anos, batendo o recorde de maior diferença entre vitórias, além de tomar a liderança isolada de piloto finlandês com mais vitórias na F1. Uma grande corrida de Kimi Raikkonen, mostrando que quando quer, o finlandês ainda tem a velha magia de outros tempos.
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