Trinta anos atrás Luciano do Valle berrou a frase do título acima. Emerson Fittipaldi estava tendo um mês de maio mágico em Indianápolis e caminhava lépido para a sua primeira vitória nas 500 Milhas, além de ser o primeiro brasileiro a vencer no solo sagrado de Indiana. Emerson sempre esteve acostumado em ser o primeiro brasileiro no automobilismo, mas Pat Patrick quase estragou tudo. O chefe de equipe de Emerson mandou que completassem o tanque do Penske PC18 de Emerson em sua última parada e com o carro pesado, Fittipaldi perdeu terreno para Al Unser Jr, que o ultrapassou de forma tranquila nas últimas voltas. Parecia o fim do sonho de Emerson Fittipaldi, mas na reta oposta um grupo de retardatários fez Emerson tentar um ataque final. Ajudado pelo vácuo, Emerson colocou por dentro de Al Unser Jr na entrada da curva 3. Little Al também corria atrás de sua primeira vitória em Indianápolis e não aliviou. O toque foi inevitável. Os dois ficaram de lado, mas enquanto Al Unser bateu para alegria de Luciano do Valle, Emerson conseguiu segurar seu Penske de forma miraculosa rumo a bandeirada em Indianápolis. Novamente Emerson entrava para a história.
terça-feira, 28 de maio de 2019
segunda-feira, 27 de maio de 2019
Figura(MON): Lewis Hamilton
Após superar por menos de um décimo Valtteri Bottas no final da classificação no sábado, bastava a Lewis Hamilton largar bem no domingo para dar um passo enorme rumo à vitória no principado de Mônaco. O script foi seguido à risca no apagar das cinco luzes vermelhas. Hamilton largou bem e ao manter a ponta na frente do seu companheiro de equipe, parecia que partiria para um passeio no parque, passando pelo Cassino e o Hotel Paris. Contudo, a magia das corridas é que intempéries acontecem e são nesses momentos que um grande piloto se sobressai. Um safety-car no começo da corrida instigou às equipes a trazerem seus pilotos aos boxes, mas a Mercedes resolveu colocar os pneus médios no carro de Hamilton, enquanto Red Bull e Ferrari montaram pneus duros nos seus carros. Ainda faltavam mais de sessenta voltas e era claro que os rivais de Hamilton não parariam mais. E se Lewis parasse, a vitória estava perdida. Mesmo contrariado com a escolha errônea de sua equipe, Hamilton se reinventou durante a corrida. Ao invés de imprimir um ritmo forte para sobrepujar seus adversários, o inglês da Mercedes diminuiu drasticamente seu ritmo para levar seus pneus até o fim. Mesmo que eles estivessem em frangalhos, o que foi o caso no final da prova. Mostrando uma grande concentração, Hamilton manteve Verstappen a maior parte do tempo sob controle e soube rechaçar o único ataque do holandês no finalzinho da corrida. Hamilton escolhia os locais onde acelerava, para não poder dar chances à Max, enquanto diminuía claramente para poder poupar seus pneus e sabendo que não seria atacado. Hamilton fez isso por várias voltas até receber a bandeirada em primeiro, conseguindo a sua terceira vitória no principado. Com certeza, a mais impressionante de Lewis Hamilton em Mônaco.
Figurão(MON): Ferrari
Praticamente todos os posteres em Monte Carlo tinha uma foto de Charles Leclerc. O jovem piloto da Ferrari era a grande estrela do final de semana monegasco e na curva um do glamoroso circuito de rua de Monte Carlo, o pequeno Charles pegava o ônibus para ir à escola. E eu que pensava que nem existia ônibus em Mônaco, mas Leclerc provou que existe e ele era a grande esperança do pequeno principado em ver um conterrâneo seu vencer pelas apertadas ruas depois de mais de oitenta anos. Mesmo com a Mercedes dominando a F1 esse ano, havia esperança que Leclerc fizesse um bom papel em casa. Bastava a Ferrari fazer um bom trabalho. Esse foi o grande problema de Charles Leclerc. Sua equipe novamente o deixou na mão de forma vexatória. Durante o Q1, a Ferrari esteve longe de brilhar a ponto de Sebastian Vettel estar de fora dos quinze pilotos mais rápidos rumo ao Q2. O alemão, que havia batido no TL3, saiu nos momentos finais do Q1 para garantir seu tempo. Vettel tanto não teve trabalho como marcou o melhor tempo da sessão. Leclerc não estava muito longe de Vettel, mas a Ferrari julgou que o monegasco tinha feito o suficiente para ir ao Q2, mas esqueceu de combinar com os rivais. Vários pilotos além de Vettel melhoraram seu tempo nos momentos agonizantes do Q1 e enquanto Leclerc assistia embasbacado seu nome cair pela tabela de tempos até sair da zona de classificação, sem poder fazer nada. A bizarra desclassificação de Leclerc do Q1 estragou a corrida do monegasco, que corria em casa e teve que largar no pelotão intermediário, onde fez boas ultrapassagens, mas arriscando muito, Leclerc acabou tendo um pneu furado e teve que abandonar. Esse erro primário da Ferrari é mais uma amostra da enorme diferença de gestão entre os italianos e a Mercedes. Enquanto os alemães tem todas as respostas para qualquer risco, a Ferrari vai se atrapalhando e enterrando o seu campeonato, além de levar seus pilotos à beira da loucura, como demonstrou Leclerc.
domingo, 26 de maio de 2019
Uh lá lá
No final de abril, falava-se abertamente que a Penske poderia cortar um carro para 2020 e que esse piloto seria Simon Pagenaud. Campeão em 2016, o francês vinha fazendo temporadas inconsistentes desde o título e o começo da temporada 2019 não tinha sido nada bom para Pagenaud, enquanto Newgarden e Power, os outros pilotos da Penske, brigavam pelas primeiras posições. Então veio Indianápolis.
O famoso mês de maio em Indianápolis, de uns anos para cá, começa com uma corrida no circuito misto e numa prova com clima instável, Pagenaud deu o bote em cima de Dixon nas últimas voltas para vencer. Porém, o oval é bem diferente e Pagenaud nunca foi um especialista em ovais. Se tinha algo a favor de Simon era estar correndo na Penske, especialista no circuito oval de Indiana. Num Fast-9 incrível, Pagenaud ficou com a pole, mas numa corrida com 800 km de distância, o lugar no grid não faz tanta diferença assim. Contrariando tudo o que foi escrito acima, Pagenaud largou na ponta em Indianápolis, liderou a maior parte da prova e num duelo sensacional nas últimas voltas com o já vencedor da prova Alexander Rossi, Pagenaud parecia um especialista em ovais para vencer pela primeira as 500 Milhas de Indianápolis, se tornando o primeiro francês a ganhar a glamorosa prova desde 1914.
A corrida de hoje não foi das mais emocionantes nos três primeiros quartos. A Penske dominava a corrida junto com Ed Carpenter, demonstrando uma superioridade dos motores Chevrolet, mas logo na primeira parada os pilotos com motores Honda mostraram um consumo de combustível bem melhor. Como normalmente acontece, as primeiras 150 voltas da prova são de estudos e de posicionamento, além de mostrar quem é quem para o fim da corrida. Quarto piloto da Penske em Indianápolis, Helio Castroneves teve sua pior edição na carreira, onde nunca esteve sequer perto dos seus companheiros de equipe que lideraram a corrida, além de se envolver num incidente dentro dos pits que pode se considerar uma barbeiragem. Justamente punido, Helio perdeu duas voltas e não se tornou mais um fator na corrida. Já está na hora de Roger Penske dar o famoso carro amarelo da Pennzoil para um piloto que tenha reais chances de vitória, além de Castroneves perceber que seu tempo na Indy já passou. E faz tempo! Tony Kanaan levou seu carro da Foyt nas costas para um ótimo nono lugar.
Houve um momento perigoso no acidente dentro dos boxes com Jordan King que atropelou um mecânico e este teve a perna quebrada. Will Power errou dentro dos pits, mas conseguiu se recuperar e terminou a prova em quinto. O mesmo não aconteceu com Marcus Ericsson, que rodou na entrada dos pits e perdeu duas voltas. Kyle Kaiser tirou Fernando Alonso da corrida, mas acabou no muro. A corrida teve apenas três bandeiras amarelas até Sebastien Bourdais e Graham Rahal se enroscarem na curva 3 e provocar um pequeno Big-One, ocasionando uma bandeira vermelha quando faltavam 19 voltas. Uma bandeira vermelha desnecessária, pois havia tempo de sobra para limpar a pista. À essa altura, Alexander Rossi já havia entrado na briga pela vitória. O americano da Andretti foi acertando seu carro durante a prova e quando já estava na pelotão da frente, teve um problema no seu pit-stop. Contudo, o ritmo de Rossi era tão bom que logo ele voltou ao pelotão da frente. Na relargada, Pagenaud liderava, seguido por Rossi, Carpenter, Newgarden e Sato. O japonês fazia uma corrida até discreta, mas apareceu muito forte no fim. Sato subiu para terceiro e deu pinta que brigaria pela vitória, o que animaria o final da prova pela conhecida agressividade de Takuma, mas o piloto da Rahal ficou mesmo em terceiro.
A briga pela vitória ficou mesmo entre Pagenaud e Rossi. O piloto da Penske sempre que podia colocava seu carro por dentro no começo das retas, deixando pouco espaço para Rossi, mas isso não impediu que Alexander completasse algumas ultrapassagens por fora. Quando Rossi imitava a tática de Pagenaud, era o francês que conseguia uma ultrapassagem matadora por fora. Pagenaud recebeu a bandeira branca em primeiro e precisou ziguezaguear na reta oposta para não dar o vácuo para Rossi e garantir uma vitória importantíssima para ele. De quase desempregado, Simon Pagenaud venceu as duas corridas em Indianápolis, escreveu seu nome na história do automobilismo francês e até mesmo entra na briga pelo título este ano. Quem poderá pensar em dispensar Pagenaud?
Carreras son carreras
Quando Lewis Hamilton manteve a ponta da corrida após uma largada sem incidentes, com Bottas tendo sorte em se manter em segundo após uma bela largada de Verstappen, parecia que o Grande Prêmio de Mônaco havia terminado na primeira volta. A sexta dobradinha consecutiva da Mercedes parecia questão das 78 voltas no principado acontecerem de forma calma e tranquila. Mas como diria o mestre Juan Manuel Fangio, carreras son carreras. Um safety-car ainda nas primeiras voltas após o furo do pneu de Charles Leclerc mudou toda a cara da corrida e Lewis Hamilton, que correu com um capacete igual ao de Niki Lauda, mudou sua pilotagem para enfrentar uma perseguição implacável de Max Verstappen no que foi o primeiro erro da Mercedes nesse ano. Num final emocionante de corrida, Hamilton segurou o holandês mesmo com os pneus médios em frangalhos, garantindo a vitória de número 77 e viu o hexacampeonato ficar cada dia mais próximo.
Para termos uma corrida emocionante em Monte Carlo, não basta ter ultrapassagens mirabolantes ou mudanças climáticas repentinas. Alguma intempérie acontecendo durante a prova e a tática das equipes ser atrapalhada por algo fora do script normal da corrida já basta para transformar uma corrida onde praticamente ninguém passa ninguém numa prova memorável. A chuva até ameaçou cair nesse domingo, mas o máximo que se viu foram algumas gotas e nada mais. O que mudou a corrida teve como causa-raiz o erro bisonho da Ferrari no sábado, deixando um irritado Charles Leclerc nas últimas posições. Com a faca entre os dentes por estar largando fora de sua posição potencial, Leclerc fez uma ultrapassagem antológica em cima de Grosjean na Rascasse. 'Kamizake', reclamou o francês pelo rádio. Vendo que podia fazer mais, Leclerc tentou a mesma manobra em cima de Hulkenberg, mas o alemão jogou duro e o piloto da Ferrari rodou ligeiramente, mas que custou-lhe um pneu furado. Leclerc teve que ir aos boxes deixando detritos em toda a pista, trazendo o safety-car para a pista e mudando a prova. A corrida se encaminhava em outro passeio no parque da Mercedes, com Hamilton liderando Bottas com facilidade até o final, numa muito provável dobradinha. Porém, o safety-car fez com que as equipes mudassem as estratégias dos seus pilotos e todos os líderes foram aos pits. Hamilton surgiu com os pneus médios, enquanto Vettel e Verstappen saíram com pneus duros, que nem utilizados foram em Monte Carlo. A mensagem era clara: eles não parariam mais.
Contudo, os problemas não terminaram ali. Verstappen foi liberado pela Red Bull em cima da Mercedes de Bottas, causando um toque e o holandês subindo para segundo. Não se sabe se o pneu de Bottas furou ou se a Mercedes percebeu o erro que tinha cometido, mas o nórdico voltou aos pits na volta seguinte para colocar os pneus duros. Também não pararia mais. Hamilton estava calçado com os pneus médios, mas ainda era o início da corrida. Ele conseguiria ir até o final? E a chuva viria ou não? Tudo isso tornou o Grande Prêmio de Mônaco extremamente tenso até a bandeirada. A chuva de forma literal não veio, mas Hamilton teve que se reinventar. Para levar seus pneus até o fim, ele baixou seu ritmo drasticamente, fazendo com que uma fila de carros o perseguisse. Verstappen tinha mais ação, mas lhe faltava tração, enquanto Hamilton só acelerava no túnel e na reta dos boxes. Nos outros pontos do circuito, Lewis praticamente parava o carro, com Verstappen quase batendo na traseira da Mercedes na Lowes. Para aumentar o drama, Verstappen foi punido em 5s por liberação insegura de sua equipe (algo bastante discutível...) e o holandês precisava de espaço para perder o menor tempo possível. Vettel e Bottas eram meros expectadores da disputa de gato e rato entre os dois líderes, enquanto Hamilton chorava as pitangas no rádio, reclamando do único erro da Mercedes até agora: ter colocado pneus médios no comecinho da corrida. Comprovando seu amadurecimento, Verstappen não foi para cima de forma tresloucada. Esperou que os desgastados pneus de Hamilton também o deixasse sem tração e na penúltima volta tentou o ataque na freada da chicane do porto, mas Lewis conseguiu se defender de forma perigosa, pois um pneu traseiro furado não seria impossível para Hamilton, que partiu para a vitória num dia de homenagens à Niki Lauda por todos os lados.
Com a punição de Verstappen, Vettel conseguiu o segundo lugar e Bottas completou o pódio, mas o finlandês já deve saber que as chances de títulos diminuíram consideravelmente com Hamilton tendo vinte pontos de vantagem na ponta do campeonato. Mesmo com sua bela corrida, Verstappen teve que se contentar com o quarto lugar. O ritmo dos líderes era tão lento, que Pierre Gasly resolveu colocar pneus macios nas últimas voltas para marcar a volta mais rápida da prova, chegando a ficar 28s atrás de Bottas. Na bandeirada, ele estava apenas 4s atrás da segunda Mercedes. Leclerc teve que abandonar com o assoalho quebrado e o coração partido ao ser o único abandono do dia na frente dos seus torcedores.
O abismo entre as três equipes grandes e o resto foi escancarado com o quinto colocado Ricciardo ficando mais de 24s em menos de quinze voltas do quarto colocado Vettel. Carlos Sainz ficou como o melhor do resto, quase um minuto atrás de um lento Hamilton. A dupla da Toro Rosso conseguiu uma bela corrida ao ficar com a sétima posição com Kvyat e a oitava com Albon. Quatro motores Honda entre os oito primeiros em Mônaco, enquanto Alonso teve que assistir tudo isso pela TV, antes de tirar uma siesta... Grosjean ficou em nono, mesmo ultrapassado por Leclerc no começo da prova e Ricciardo, que errou ao parar junto com os líderes no safety-car e perder muitas posições, completou a zona de pontuação. Destaque negativo para Lance Stroll, que não consegue andar bem num circuito onde o piloto faz a diferença, e para a Alfa Romeo, que ficaram nas últimas posições. Stroll, Raikkonen e Giovinazzi conseguiram a proeza de serem superados pela Williams de Russell, com Giovinazzi chegando em último e já se tornando uma das decepções da temporada.
Para uma corrida ser emocionante, não significa obrigatoriamente ultrapassagens em todo o lugar ou resultados lotéricos. Mônaco também provou que as corridas não terminam na primeira volta e que muita coisa pode acontecer durante os 305 km de uma corrida de F1. Lewis Hamilton precisou mudar sua pilotagem e contar com uma grande força mental para segurar Verstappen até o fim para vencer pela terceira vez em Monte Carlo. Com as benção de Niki Lauda!
sábado, 25 de maio de 2019
O que eu vou dizer lá em casa, Binotto?
Charles Leclerc está em todos os cartazes em Mônaco. Mesmo com a Mercedes dominando a F1 em 2019, os anfitriões tinham esperanças de que o jovem piloto da Ferrari se tornasse o segundo monegasco a vencer no charmoso principado, igualando um feito de mais de oitenta anos feito por Louis Chiron. Leclerc ainda deu esperanças ao ficar com o melhor tempo no terceiro treino livre. Será que Charles poderia desbancar a Mercedes? As esperanças esvaíram ralo abaixo por culpa... da Ferrari! Num Q1 muito apertado, os italianos não liberaram Leclerc para uma última volta e o monegasco, correndo em casa e recebendo visita do príncipe Albert antes da classificação, foi eliminado no Q1 em outro erro monumental de estratégia da Ferrari.
O domínio da Mercedes em 2019, que mais uma vez ficou com toda a primeira fila no grid esse ano, passa muito pelos erros constantes da Ferrari. Leclerc estava claramente mais preparado para a crucial classificação em Mônaco, já que Vettel bateu no TL3. Preocupados em ver o alemão eliminado no Q1, a Ferrari se concentrou unicamente em tirar Vettel do fundo do poço e Seb conseguiu com facilidade, mas se esqueceram que Leclerc não estava numa situação das mais confortáveis e mesmo tendo tempo no cronômetro, deixou o pobre piloto da casa nos boxes enquanto seu nome ia caindo pela tabela de tempos até aparecer em 16º. A nova gestão da Ferrari vem se mostrando patética e pífia, como diria o poeta futebolístico. Enquanto a Mercedes nada em piscina olímpica, a Ferrari se enfia num mar bravio, onde Mattia Binotto será extremamente cobrado por outra presepada.
Mesmo com a triste morte de Niki Lauda, a Mercedes não parou um minuto sequer na preparação para esse final de semana. Todas as brechas de problemas são cobertas pelos eficientes alemães. Hamilton e Bottas brigaram pela pole, mas um erro do finlandês na última volta entregou a 85º pole de Hamilton, que vibrou muito num final de semana em que Bottas parecia mais forte. Hamilton estava claramente emocionado. Lauda fez de tudo para que Hamilton se mudasse para a Mercedes num movimento que parecia temerário na época, mas a lenda austríaca fez com que Hamilton estivesse numa situação privilegiada, onde recordes são batidos de forma impressionante. Se o número de poles de Senna parecia imbatível quinze anos atrás, Hamilton já tem vinte poles de vantagem! Max Verstappen chegou a pensar que poderia se igualar às Mercedes, mas o holandês não tem o famoso modo fiesta no motor Honda e teve que se conformar com a terceira colocação.
O motor nipônico colocou seus quatro carros no Q3. Enquanto correu com motor Honda, Alonso fez de tudo para que a McLaren chutasse os japoneses da equipe. Em 2019 a Honda terá quatro pilotos entre os dez primeiros em Mônaco, enquanto o espanhol assistirá o final de semana mais premium do automobilismo no ano pela TV... Vettel esteve completamente errático hoje, com dois toques na classificação e tomando mais de meio segundo para as Mercedes. Se 95% da corrida defini-se no sábado, a dobradinha da Mercedes é apenas uma questão de tempo e clima bom em Mônaco. Algo que não deve estar tendo nesse momento na Ferrari e seu novo chefe, Mattia Binotto.
sexta-feira, 24 de maio de 2019
Férias inesquecíveis
Essa sexta-feira é tecnicamente meu último dia das férias em 2019. Um período de trinta dias que entraram para a minha história. Não pela nona cirurgia da 'carreira' ou por ter se envolvido num acidente de trânsito pela primeira vez.
Desde 2007 mantenho esse blog como se fosse um hobby sério. Em termos financeiros, não ganho absolutamente nada para escrever aqui, mas o contato com várias pessoas que tem o gosto pelo esporte a motor igual ao meu já vale a pena estar aqui. O blog foi criado inspirado nas minhas contribuições no GPTotal, melhor e maior site de história do automobilismo, criado em 2001. Me recordo que sempre que terminava uma corrida de F1, corria para o computador escrever alguma coisa no fórum do site. Três anos e meio atrás fui convidado pelo Lucas Giavoni para ser colunista do site. Quanta honra!
Por causa desse convite, passei a conviver com pessoas que nem conhecia pessoalmente, mas que me sentia bem em estar próximo delas, mesmo que pelo Whatts. Edu, Lucas, Salu, Flaviz, Chiesa, Rafael, Marcio, Mauro, Marcel, Paulo, Agresti, Marcelo, Cássio, Cleiton, Vinicius...
Todos os dias trocamos algumas palavras, discutimos de forma amigável, mandamos fotos e nos divertimos bastante em dia de Grande Prêmio. No começo do ano o Marcio Madeira sugeriu que nós fizéssemos uma homenagem ao Emerson Fittipaldi por duas datas especialíssimas em 2019: 30 anos da vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis e 50 anos do início da carreira internacional do nosso mito. As conversas via Whatts foram evoluindo e decidimos que haveria um encontro e faríamos uma homenagem ao Emerson in-loco. Da nossa turma, a viagem mais longa seria a minha, mas me comprometi em estar presente nesse encontro. Em meados de março, Márcio conseguiu uma janela da agitada agenda de Emerson Fittipaldi para o final de abril. Imediatamente marquei minhas férias para essa época do ano, inclusive postergando minha cirurgia.
Seria uma emoção dupla. Claro, nem precisa dizer que conhecer uma lenda viva é algo único em nossa vida. Porém, conhecer a turma do GPTotal seria tão emocionante quanto. Foi minha primeira vez em São Paulo e junto com minha namorada, fui ao encontro da turma em frente ao escritório do Emerson Fittipaldi. Logo de cara, conheci pessoalmente o Márcio, Salu e o Cleiton. Ao adentrar o escritório, lá estava Alex Dias Ribeiro. Não vou mentir que nessa hora tremi! Veria um piloto de F1 pessoalmente pela primeira vez na vida! Também encontrei o Chiesa e o Marcelo, mas encontrar o Lucas, que me convidou para estar no meio dessa turma, seria especial. Assim que o Lucas chegou com a homenagem ao Emerson, o abracei!
Ainda faltava chegar o homenageado. Emerson Fittipaldi. Bicampeão mundial de F1, duas vezes vencedor em Indianápolis. Lenda. E seríamos recebidos por ele em seu escritório. Evitava falar para muita gente que iria me encontrar com ele, pois como toda estrela, ele poderia desmarcar o encontro, mas o grande dia havia chegado. Conversamos por meia hora até a chegada do Emerson. Fiquei um pouco paralisado. O cara que eu só via pela TV e que meu pai contava histórias estava ali presente. Emerson misturou passado e presente em uma uma hora e meia de muitas histórias. Algumas eu já sabia, outros ele nos contou ali, numa conversa bem informal. Numa dessas coincidências, ele falou em Niki Lauda, menos de um mês antes de sua morte.
Após as fotos e ter a minha camisa do Ceará devidamente autografada, ideia da minha namorada, o encontro não tinha terminado ainda. Um almoço nos esperava na casa do Mario Salustiano. Porém, Alex Dias Ribeiro aceitou o nosso convite e por três horas nos contou deliciosas histórias de sua carreira e do Patinho Feio. Infelizmente, Alex teve que se retirar. Ficamos eu, Salu, Lucas, Marcelo, Cleiton e Marcio conversando sobre outros assunto fora automobilismo. Como se fôssemos amigos por correspondência, estávamos nos conhecendo ali, contando passagens de nossas vidas. Chiesa já havia saído, Marcelo e Cleiton teriam que viajar de volta às suas cidades. Edu iria aparecer a qualquer momento, mas eu tinha um compromisso e não pude esperar.
Assim que sentei no Uber, disse à Diana que a viagem já tinha valido à pena. Na verdade, essas férias entraram para a minha história. Mas não apenas a viagem tinha valido à pena. Valeu à pena as leituras na Internet, as horas perdidas procurando informações e as saídas canceladas para assistir uma corrida. Valeu à pena ter começado esse blog e ter a oportunidade de ter contato com tantas pessoas especiais, que me proporcionaram um momento único na minha vida. Ainda falta conhecer pessoalmente alguns colunistas do GPTotal (Edu, Marcel, Flaviz, Mauro), mas esse encontro abriu a porta para outros oportunidades e termos uma reunião como a que tivemos no final de abril com Emerson Fittipaldi, que entrou na história de cada uma que lá esteve.
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