A corrida de ontem teve inúmeros personagens que poderiam facilmente estar aqui. Verstappen, Kvyat, Red Bull, Racing Point, Toro Rosso, Honda... Porém, a escolha recaiu para o segundo colocado da corrida deste domingo por todo o contexto. Um ano atrás Sebastian Vettel liderava sua corrida caseira quando a chuva veio. Num erro infantil, Vettel acabou saindo da pista sozinho e abandonou no setor do estádio, onde a maior parte da torcida fica. Vettel se desesperou, socou o volante, mas o estrago estava feito. Sebastian ainda venceria na Bélgica e reassumiu a liderança do campeonato do ano passado, mas a exibição em Spa foi sua última de destaque. Desde então Vettel entrou numa espiral de erros totalmente inaceitáveis para o seu alto nível. Vettel chegou a bater na primeira volta quatro vezes ano passado, enquanto rodava sozinho no Bahrein e saiu da pista em Montreal quando era pressionado por Hamilton. Os boatos de que Vettel estaria se aposentando no final desse ano começaram a pipocar aqui e ali. Assim como aconteceu quando recebeu Daniel Ricciardo na Red Bull, Vettel não estava reagindo bem a chegada de Charles Leclerc na Ferrari. No sábado, Vettel sofreu outro golpe quando o turbo da Ferrari quebrou e o alemão sequer treinou. Seb largaria em último. Um domingo duro pela frente, ainda mais quando a chuva deu as caras novamente em Hockenheim. O mesmo clima que o vitimou um ano antes. Mesmo ultrapassando oito carros na primeira volta, Vettel parecia sem confiança, passando várias voltas atrás da Alfa Romeo de Kimi Raikkonen. Quando tudo levava a crer que Vettel teria outra corrida medíocre, a pista finalmente secou e Vettel teve um estalo. A Ferrari fora muito forte naquela situação e quando Vettel colocou os pneus slicks pela última vez, o alemão mostrou o quão forte pode ser, iniciando uma corrida de recuperação que todos esperavam dele. Vettel ultrapassou um a um quem aparecia pela frente até chegar ao segundo lugar, terminando uma corrida em que saiu de último. Vettel sorria com o resultado. Se ano passado foi um marco negativo para Vettel, tomara que esse resultado na mesma pista de Hockenheim signifique um marco positivo para o alemão e ele retorne ao alto nível que todos conhecemos.
segunda-feira, 29 de julho de 2019
Figurão(ALE): Mercedes
A Mercedes se preparou para a sua corrida caseira com esmero. Primeiro, colocou o seu nome como patrocinador principal do Grande Prêmio da Alemanha. A estrela de três pontas estavam espalhadas em todos os lugares do circuito de Hockenheim. Comemorando 125 anos de envolvimento no automobilismo, a Mercedes fez questão de rememorar a data. Todos os seus membros estavam vestidos como nos anos 1950, inclusive com paletós e suspensórios. O carro ganhou uma pintura diferente. No sábado, a principal rival da Mercedes durante os treinos livres, a Ferrari, teve problemas com seus dois pilotos e a montadora alemã só não conseguiu uma dobradinha no grid por causa da genialidade de Max Verstappen. Porém, o holandês não largou bem e logo Bottas assumiu o segundo lugar, logo atrás de Hamilton e a Mercedes corria para uma dobradinha que teria um gostinho especial. Ledo engano. Justamente na sua corrida de comemoração, a Mercedes teve seu pior final de semana de 2019. Primeiro Hamilton errou na última curva e bateu no muro de leve, mas a ponto de quebrar o bico, fazendo o inglês ir para os boxes de forma irregular. Ao chegar nos pits, Hamilton viu a Mercedes sem saber o que fazer, demonstrando uma rara cena da equipe que é o primor da eficiência nos últimos anos totalmente atrapalhada. Porém, aquele não seria o único erro de Hamilton, que caiu para último e rodou mais uma vez. Foram seis paradas para Lewis, duas rodadas correndo sozinho e só superando os dois carros da Williams nas voltas finais. Bottas tinha todas as chances de recortar a desvantagem que tem para Hamilton no campeonato e mesmo com Verstappen claramente na frente e com tudo para conseguir a vitória, pelo menos Bottas tinha totais condições de beliscar um segundo lugar. Tinha. Sem alma, Bottas demorou a ultrapassar Stroll e acabou errando na saída da curva um, mesmo local onde Hamilton havia rodado, porém Valtteri bateu no muro de pneus e sua corrida estava acabada. De ritmo de festa, o final de semana da Mercedes acabou em ritmo de velório e ainda durante a corrida, pelo rádio, Lewis Hamilton resumiu a corrida da Mercedes: como tudo deu tão errado hoje?
domingo, 28 de julho de 2019
Briga de equipe
O circuito de Mid-Ohio é daqueles chamados 'old school'. Construído no final dos anos 1950, o belo circuito é estreito, pequeno e com o traçado seguindo a natureza exuberante do local. Porém, com carros tão potentes, rápidos e largos, ultrapassar com um carro da Indy em Mid-Ohio é um trabalho tão complicado que muitas vezes as equipes preferem construir estratégias vencedoras ao invés de conseguir algo na pista.
A Chip Ganassi já tinha dado claras indicações que tinha um ótimo acerto na pista onde seu principal piloto, Scott Dixon, já havia vencido cinco vezes e por isso foi surpreendente que tanto Dixon como Felix Rosenqvist terem ficado de fora do Fast-Six, que define (até pelo nome) os seis primeiros do grid. Porém, nunca é bom deixar de fora da lista de favoritos um piloto como Dixon, ainda mais em Mid-Ohio. A corrida dessa domingo foi um tablado de xadrez gigante e em alta velocidade, onde as equipes jogavam com as estratégias, muitas vezes deixando seus pilotos em táticas diferente. Assim fez a Ganassi. Rosenqvist e Dixon largaram com pneus duros, mas quando fizeram suas paradas, trocaram de tática. O mesmo ocorreu com as demais equipes. Seguindo a Ganassi, a Penske resolveu deixar o pole Power na pista com pneus macios por várias voltas, enquanto Newgarden e Pagenaud, ambos na luta pelo título, pararam mais cedo e colocaram os pneus duros. A Andretti fez algo parecido com Rossi e Hunter-Reay dividindo as estratégias entre seus dois principais pilotos. Quem acertaria?
Após a última rodada de paradas, a Ganassi parecia que tinha a corrida nas mãos. Dixon liderava com ampla vantagem sobre Rosenqvist, enquanto Hunter-Reay segurava um trem que tinha Newgarden, Power, Rossi, Pagenaud e Colton Herta. Para o campeonato, esse resultado seria o ideal para Newgarden, que aumentaria sua vantagem sobre Rossi e Pagenaud, mas como vimos na prova da F1 pela manhã, as corridas não ciências tão exatas assim. No último stint, Dixon colocou pneus macios e teria que faze-los funcionar nas últimas trinta voltas. Rosenqvist estava com a borracha mais dura e o resultado foi até lógico. Dixon perdeu rendimento e Rosenqvist cortou toda a diferença que Dixon tinha nas últimas voltas. Dixon estava tão lento, que um grupo de quatro retardatários chegou nele, trazendo Rosenqvist. O sueco vem fazendo uma temporada um pouco abaixo do esperado e uma vitória poderia salvar seu emprego de forma definitiva. Porém, ao contrário da F1, a bandeira azul na Indy não é tão respeitada e os retardatários fizeram jogo duro, enquanto não conseguiam ultrapassar um lento Dixon.
O que parecia uma corrida até modorrenta pela falta de bandeiras amarelas, logo se transformou num emocionante fim de prova. Com os pilotos da Ganassi lentos por motivos distintos, Hunter-Reay e Newgarden encostaram de vez. Na última volta, Rosenqvist tinha se livrado a duras penas dos retardatários e estava colado em Dixon. Ainda com Dixon na briga pelo título, será que Chip Ganassi deixaria Rosenqvist atacar o neozelandês? A resposta foi dada na curva 2 da última volta, quando os dois se tocaram e quase jogaram a dobradinha da Ganassi no lixo. Porém, o pior aconteceu mais atrás. Líder do campeonato e com seus rivais pelo título mais próximos atrás de si, Newgarden tentou uma manobra para lá de otimista em cima de Newgarden e ele acabou na caixa de brita, caindo para 14º e vendo Rossi se aproximar novamente no campeonato.
Foi um fim de corrida eletrizante. A Ganassi garantiu a primeira dobradinha em quatro anos e o velho Chip já deve ter ligado para Günther Steiner sobre administração de companheiros de equipe. Com o erro para lá de evitável de Newgarden, Rossi se aproximou e Dixon mantém-se vivo na briga pelo hexa.
Doideira
Nos dias de corrida de F1 pela manhã eu tenho um pequeno ritual um pouco do início da transmissão, que é ver como está o tempo. Sol ou chuva? Após dois dias de calor sufocante, Hockenheim amanheceu com chuva, o que dava uma pitada a mais para uma corrida que já prometia, pois as duas rápidas Ferraris largariam na segunda metade do pelotão. Porém, nem de longe a corrida prometia ser tão insana como a de hoje, em que o vencedor fez cinco pit-stops, o safety-car entrou na pista quatro vezes, boa parte dos pilotos de ponta tiveram corridas para esquecer, Stroll liderou algumas voltas e Daniil Kvyat levou a Toro Rosso de volta ao pódio pela primeira vez desde a célebre vitória em Monza de Vettel em 2008.
A corrida na Alemanha já começou prometendo quando foi anunciado que a largada seria parada. Sim, já era um indício de que as coisas seriam diferentes. Quando a pista está molhada, virou padrão para a FIA mandar que a largada seja atrás do safety-car. Bernd Maylander até esteve presente na largada, mas apenas para que os carros se acostumassem ao piso molhado, já que em nenhum momento desse final de semana os pilotos experimentaram essas condições. Largada, parada, dada, Max Verstappen novamente largou mal e caiu para quarto, repetindo a má saída da Áustria, quando venceu. Será destino? A partir de então a corrida se tornou uma loteria ao bel-prazer da mãe-natureza, com a chuva indo e voltando a todo momento, tornando a situação dos pilotos críticas. Cada decisão tomada influenciou positiva ou negativamente a corrida dos pilotos nesse domingo. E quem se sobressaiu foi Max Verstappen, que lutou contra uma má largada para novamente vencer em condições atípicas. Se na Áustria o holandês se aproveitou do calor infernal, hoje Max se aproveitou do clima inclemente nas margens da Floresta Negra. Além da sua excepcional pilotagem, Verstappen contou também com pit-stops sem erros e na hora certa da Red Bull para vencer com certa tranquilidade no final, aumentando a sensação que o holandês só precisa de um carro ligeiramente melhor para brigar pelo título. Porém a Red Bull viu o outro lado da moeda em outra corrida medonha de Pierre Gasly. O francês errou várias vezes, em nenhum momento flertou em brigar pelo pódio, foi ultrapassado por pilotos da Toro Rosso, subsidiária da Red Bull e no fim acabou se envolvendo num incidente com Albon na última volta. Após sua corrida decente em Silverstone, Gasly voltou ao olho do furacão, onde já havia batido na sexta e viu os dois pilotos da Toro Rosso andarem muito bem.
Para quem acompanha esse blog sabe que esse blogueiro não é o maior fã de Daniil Kvyat. O russo pode dizer que tem a estrela na testa, pois em outros tempos já estaria correndo numa categoria menor como a F-E, depois de tantos fracassos na F1 e ser até mesmo humilhado pela cúpula da Red Bull. Como hoje quem teve sorte chorou menos, Kvyat acertou na mosca ao colocar os pneus slicks na penúltima relargada e estava em segundo quando todos os líderes colocaram os pneus certos. Kvyat só não pôde segurar Vettel no final, mas ao ultrapassar Stroll um pouco antes, o piloto da Toro Rosso se colocou numa ótima posição de pódio, levando a equipe italiana que um dia se chamou Minardi de volta ao pódio depois de quase onze anos. E combinado com mais uma péssima exibição de Gasly, o nome de Kvyat está de volta a baila para uma vaga na Red Bull. O grande rival de Kvyat está dentro de sua equipe, pois Albon também fez uma belíssima corrida e pontuou bem, apesar do toque com Gasly na última volta. Sainz foi a cara dessa corrida maluca. O espanhol saiu da pista, quase atolou sua McLaren e ainda assim teve tempo para ser quinto, enquanto Norris abandonou com problemas mecânicos. Em algum lugar nas Astúrias, deve ter chegado a informação que a Honda colocou dois carros seus no pódio e a McLaren beliscou um bom quinto lugar. Ai Alonso...
Mesmo com a bela corrida de Verstappen, o nome da corrida foi mesmo Sebastian Vettel. Um ano antes, em condições até parecidas com a de hoje, Vettel saiu da pista sozinho e começou seu inferno astral, onde quando não é a Ferrari que erra, é o alemão que apronta com batatadas que não condizem a um tetracampeão. Ontem a Ferrari errou, mas hoje, um ano depois da corrida que marcou sua carreira, Vettel consertou a marcada com uma prova sensacional vindo de último para a segunda posição. Quando a pista ainda estava úmida, Vettel fazia uma corrida até apagada, ficando muito tempo atrás da Alfa Romeo de Kimi Raikkonen, mas quando a pista secou, Vettel pareceu ter ligado o 'turbo' e passou quem via pela frente, chegando a um incrível segundo lugar. Da mesma forma que Hockenheim foi um marco negativo na carreira de Vettel ano passado, tomara que a prova de 2019 seja uma reviravolta positiva para o alemão. Leclerc começou a corrida de forma agressiva, se aproveitou um dos raros acertos da Ferrari ao colocar pneus intermediários novos quando o safety-car virtual deu as caras, mas o jovem monegasco também errou muito e acabou batendo quando a chuva veio no momento em que a maioria estava com pneus slicks. Mais uma chance desperdiçada para Leclerc, que provou não ser tão forte assim no molhado.
Com tantos personagens importante na corrida de hoje, alguém poderia perguntar: e a Mercedes? Pois é, a Mercedes armou toda a festa pelos seus 125 anos de história no automobilismo, patrocinou a ameaçada corrida em Hockenheim, vestiu seus mecânicos de forma retrô e pintou seus carros de forma diferente para ter a sua pior corrida dos últimos cinco anos. A lamentação de Hamilton pelo rádio foi verdadeira: como tudo pode ter dado tão errado? Sim, tudo deu errado para a Mercedes, começando com seus pilotos, que lideraram o primeiro stint da corrida e davam pinta de mais uma dobradinha. Porém, foi Hamilton e Bottas que cometeram os maiores erros do dia, saindo da pista três vezes e deixando a equipe no zero. O caso de Bottas foi o mais emblemático. O finlandês tinha tudo para tirar toda a desvantagem que tinha para Hamilton no campeonato, mas Bottas simplesmente não conseguia ultrapassar Stroll e acabou errando sozinho na curva um, lugar onde Hamilton tinha rodado um pouco antes. A batida de Bottas deixou a Mercedes no zero, bem no final de semana em que a montadora anunciou que decidirá quem será seus pilotos em 2020 no mês vindouro. Se fosse futebol, Esteban Ocon já estaria no aquecimento ao lado do campo...
Reginaldo Leme soltou um 'Meu Deus...' quando a TV mostrou Lance Stroll saindo com pneus slicks. O veterano comentarista mal poderia imaginar que essa manobra por muito pouco não deu o segundo pódio da carreira do canadense. Stroll emergiu na ponta da corrida e se não fosse o furacões Verstappen e Vettel, teria garantido o pódio para Racing Point, que viu seu piloto principal ser a primeira vítima da pista traiçoeira. Teoricamente a Haas estaria comemorando seus dois carros na zona de pontuação, numa corrida onde o time americano tentou estratégias arriscadas com Magnussen chegando a correr em segundo. Porém, o pobre Günther Steiner terá outra crise para administrar, pois novamente Grosjean e Magnussen se tocaram numa disputa de posição. Da mesmo forma que Gasly e Bottas, Grosjean e Magnussen devem estar procurando algo para fazer em 2020. Hulkenberg, que sempre se mostrou fortíssimo na chuva, se achou em segundo lugar numa das relargadas. Seria hoje que o alemão quebraria o tabu sem pódios? Definitivamente, não. Primeiro, Hulk seria ultrapassado pela dupla da Mercedes e depois bateria na saída da última curva, local onde Leclerc abandonou e Hamilton saiu da pista e quebrou o bico. Para completar o dia para Abiteboul, Daniel Ricciardo abandonou com o motor quebrado. Voltando aos clichês do futebol, Abiteboul está prestigiado dentro da cúpula da Renault. Numa bela corrida de Kimi Raikkonen e Antonio Giovinazzi chegando a ficar com a volta mais rápida, a Alfa Romeo marcou pontos também com seus dois pilotos. Com tantos acidentes, erros, problemas e abandonos, a Williams quase marcou pontos, mas com um carro tão ruim, acabou no zero novamente.
Para quem açodadamente cravou a morte da F1, seria bom rever alguns conceitos. O mundo está tão imediatista, que basta um momento ruim (ou até mesmo bom) para decretar conceitos sobre o que está acontecendo. A F1 está cheia de problemas estruturais e tomara que sejam consertadas logo, para o bem do automobilismo, mas morta ou próxima disso, a F1 definitivamente não está! Mesmo com tantas presepadas, a Mercedes dificilmente perderá o título desse ano e Hamilton será hexacampeão, mas das últimas seis corridas, cinco foram sensacionais. Tirando a dona da casa Mercedes, Leclerc, Renault, Gasly, Bottas, Steiner e Alonso, todos saíram de Hockenheim com muito o que comemorar com a doideira de hoje.
sábado, 27 de julho de 2019
Boa nostalgia
Na manhã desse sábado em Hockenheim, os torcedores da Ferrari sentiram uma boa nostalgia quando viram a Ferrari F2004 pilotada por um piloto com sobrenome Schumacher pela pista alemã. Voltando quinze anos no tempo, a Ferrari venceu o Grande Prêmio da Alemanha de 2004 com Michael Schumacher dominando a corrida, assim como o alemão dominava aquele campeonato rumo ao heptacampeonato. Eram bons tempos da Ferrari, o auge do pai de Mick Schumacher, que deu umas voltas hoje, e da cúpula ferrarista, composta por Jean Todt, Ross Brawn e Rory Byrne. Lógico que erros e problemas aconteciam, mas a Ferrari estava tão bem estruturada, que tudo parecia coberto pela experiência dentro e fora da pista.
Retornando ao presente, a Ferrari dominava o final de semana alemão com alguma facilidade, com Leclerc chegando a botar seis décimos na turma da Mercedes, que corre literalmente em casa e em comemoração aos 125 anos de envolvimento com o automobilismo, chegou à Hockenheim com um estilo retrô. Também correndo em casa estava Vettel, que está usando o capacete da lenda do DTM Bernd Schneider. Um ano depois do erro que se tornou um marco em sua carreira, Vettel sofreu outro golpe em Hockenheim quando teve um problema no turbo de sua Ferrari ainda no Q1 e largará amanhã em último. Leclerc continuava liderando a Ferrari na luta pela pole, mas quando o Q3 começou, os mecânicos da Ferrari cercavam o carro do monegasco. Enquanto a dupla da Mercedes e Verstappen marcavam seus tempos, Leclerc saiu do cockpit vermelho para incredulidade de todos em Hockenheim. A Ferrari, talvez em sua melhor chance em 2019 para derrotar a Mercedes, abandonava com seus dois carros na classificação, entregando de bandeja a pole para Hamilton, que já se tornou o favorito a vitória amanhã.
A classificação teve alguns destaques adicionais, como a impressionante proximidade no pelotão intermediário, que viu Norris ficar no Q1, enquanto Sainz foi ao Q3. Raikkonen liderou a meiúca com sua Alfa Romeo, enquanto a Haas mostrou algum alento depois da desastrosa corrida na Inglaterra. Resta saber como os americanos sairão na corrida. Pela primeira vez no ano Stroll passou ao Q2. Mesmo com o feito, isso só é outra demonstração de fraqueza do canadense, enquanto Pérez foi ao Q3 e mostrou seu bom trabalho de sempre. Chama também atenção Verstappen ter conseguido beliscar a primeira fila, mesmo tendo problemas em seu motor. Outro ponto negativo para Bottas, que deve estar ansioso para saber se ficará ou não na Mercedes em 2020.
A corrida de amanhã já terá a atração de ver as duas Ferraris, que andaram muito bem até agora, saindo em posições bem abaixo do potencial delas. Leclerc e Vettel terão corridas divertidas pela frente, ainda mais com a possibilidade de chuva. Enquanto a Mercedes vibra outra vez em casa, a reunião da Ferrari deverá ser quente, como numa reunião de família napolitana. Bem longe dos tempos em que a Ferrari dominava a F1.
quinta-feira, 25 de julho de 2019
Puxando a sardinha
Os anos 1980 foram os mais legais e românticos do esporte a motor. Na mesma medida em que as corridas entravam cada vez mais nos lares das pessoas através da TV, a velocidade impressionante dos bólidos e a aura que os pilotos dessa época tinham fazem que essa década tenha um lugar especial para todos que acompanharam, nem que seja um pouco, F1, Indy, Rali, Endurance ou motovelocidade naqueles tempos.
Falar dos anos 1980 causa um enorme turbilhão de emoções nas pessoas, fazendo-as imaginar estar em Silverstone, Indianapolis, Le Mans, Assen ou Jacarepaguá. Foram realmente anos mágicos e que entraram para a história, mas passados trinta naos dessa década explosiva, algumas pessoas se esquecem que o mundo não parou em 1989 e que a vida, assim como o esporte a motor como um todo, segue evoluindo.
O que era o topo da tecnologia se tornou rapidamente obsoleto e foram substituídas, mesmo tendo muito carinho por elas. Motor turbo, câmbio na mão, poucos comandos no volante se tornaram peças de museu e seguindo o propósito do automobilismo, aparatos mais modernos apareceram, da mesma forma que os pilotos vão se preparando cada vez mais e superando os que ficaram para trás. Essa é a ordem natural da vida.
Nessa semana Nigel Mansell sacudiu o mundo da F1 com uma entrevista à revista da FIA onde tentava dizer em palavras o que era a F1 no seu tempo. Mansell usou bem as palavras em seu depoimento para destacar seu tempo, que foi realmente inesquecível e espetacular, mas como acontecia nos seus tempos de pilotos, Nigel acabou derrapando quando estava mais emocionado. O inglês usou a frase "os pilotos de hoje nunca saberão o que é um carro de F1" para quantificar o quão bom era sua época. E realmente era. Porém, Mansell se esqueceu de um detalhe primordial: a F1 não parou no tempo.
Mansell pisou na bola ao dizer essa frase, menosprezando os pilotos da F1 atual, cujos carros são factualmente os mais rápidos da história. Seja na F1 ou em qualquer ramo, subestimar as pessoas é um erro grave e dizer que os pilotos atuais 'não conhecem um carro de F1' foi mais um da longa lista de Mansell. Um carro de F1 nunca foi fácil de ser pilotado e mesmo com vários aparatos ao alcance da mão, um piloto de F1 atual precisa ser extremamente técnico e talentoso para ser rápido. Não devemos nos enganar. Para um piloto atual de F1, altamente preparado mental e tecnicamente, pilotar um carro dos anos 1980 pode até parecer fácil. A mão de obra dentro de um carro de F1 atual é tão ou mais frenética do que nos anos 1980, mesmo que bastante diferente dos tempos mágicos de Mansell.
Rememorando a Copa do Mundo de 1994, cuja conquista completou 25 anos esse mês, falava-se abertamente antes da competição que os jogadores da Copa de 1970, a última que o Brasil havia vencido naquele momento, torciam contra os atletas comandados por Parreira. O motivo? Se dizia que muitos daqueles jogadores do mágico time de 1970 ainda viviam das glórias daquele título. No caso de uma vitória do Brasil 24 anos depois, como acabou acontecendo, esses jogadores perderiam essa pecha de últimos campeões.
Maldades à parte, é da natureza humana querer que seu feito seja o mais importante, o mais difícil, o mais emocionante. Mansell puxou a sardinha para o seu lado, destacando sua época que foi realmente sensacional e inesquecível, mas a F1 e a vida não parou naqueles gloriosos tempos.
segunda-feira, 15 de julho de 2019
Figura(ING): Lewis Hamilton
O inglês teve mais trabalho do que o planejado, mas isso não impediu que Lewis Hamilton conseguisse sua sexta vitória em Silverstone e se tornar, de forma isolada, o maior vencedor do Grande Prêmio da Grã-Bretanha. Hamilton não liderou nenhum treino livre, mas dava a sensação que estava tudo sob controle e que a vitória viria no domingo, já que a Mercedes novamente abria muita vantagem para as rivais. Porém, Hamilton acabou superado por míseros seis milésimos de segundo para o seu companheiro de equipe na classificação. Largando na primeira fila, Hamilton esperava superar Bottas como já acontecera antes, mas o nórdico, precisando mostrar serviço para continuar na Mercedes em 2020, jogou duro na disputa entre eles e se manteve na liderança no primeiro stint. Com duas estratégias diferentes entre os pilotos da Mercedes, Hamilton teve a sorte dos campeões ao ver Antonio Giovinazzi rodar sozinho e o safety-car entrar na pista no momento correto, fazendo com que Hamilton entrasse nos boxes para sua única parada nesse momento. Após a relargada, com Bottas atrás e ainda tendo que fazer uma parada, Hamilton estava com a vitória nas mãos. Porém, Lewis meio que queria provar que sua vitória não foi na sorte. Quando Bottas fez sua segunda parada e colocou pneus macios, ele logo marcou a volta mais rápida da corrida e parecia que o finlandês ficaria com o ponto da melhor volta. Porém, Hamilton economizou seu equipamento e numa última volta mágica, conseguiu marcar a melhor volta da corrida com direito a recorde da pista com o pneus duros e com trinta voltas de 'idade'. Um momento incrível e um recado de Hamilton para o seu companheiro de equipe: você andou bem hoje, mas tenho reserva para lhe derrotar quando quiser. Hoje, Hamilton pode derrotar qualquer um na F1 com seu incrível talento.
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