domingo, 24 de novembro de 2019

Top-10 - Piores da década

Hoje irei iniciar uma série mostrando o que houve de pior e melhor da F1 nessa década que passou. Com a temporada da F1 terminando cada vez mais tarde, reverterei a ordem que fiz dez anos atrás, começando pelos pilotos que entraram na história... pelas portas dos fundos!

1) Jolyon Palmer
Seu pai, Jonathan Palmer, foi um piloto regular de F1 nos anos 1980 e chegou a vencer o Troféu Jim Clark, como melhor piloto que corriam com os motores aspirados em 1987. Jonathan se tornou um notório empresário de corridas depois de se aposentar das pistas e quando seu filho mais velho começou a correr de kart, é claro que o patriarca da família Palmer passou a ajudar no que podia Jolyon a desenvolver sua carreira. Jolyon Palmer correu sempre em categorias em que seu pai era um dos promotores, garantindo sua rápida subida a GP2. Numa época em que a GP2 produzia campeões do nível de Nico Rosberg e Lewis Hamilton, vencer a categoria era um belo cartão de visitas para que um piloto ascendesse à F1. Jolyon passou quatro temporadas antes de se tornar campeão da GP2, derrotando na ocasião Felipe Nasr. Porém, a GP2 também produziu campeões do naipe de Fabio Leimer e Davide Valsecchi. Palmer não se graduou a F1 imediatamente, ao contrário de Nasr, gerando reclamações de Jonathan Palmer. Em 2015 Jolyon se tornou piloto de testes da então Lotus, que seria comprada pela Renault no final do ano. Com um grande lobby do seu pai e patrocinadores ingleses, Jolyon foi contratado como piloto oficial da Renault em 2016. Correndo ao lado de Kevin Magnussen, Jolyon foi esmagado pelo danês e conseguiu apenas um pontinho ao final da temporada. Para sorte de Palmer, Magnussen foi para a Haas e sua vaga permaneceu, aos trancos e barrancos, intacta para 2017. Pois sua segunda temporada foi ainda pior. Mesmo com a Renault evoluindo, a chegada de Nico Hulkenberg aumentou a sensação de que Palmer não estava ao nível da F1. O inglês foi novamente massacrado tanto em ritmo de classificação como de corrida por Hulkenberg e nem mesmo o seu melhor resultado na F1, um sexto lugar em Cingapura, fez Palmer escapar das críticas. Duas corridas depois de sua melhor prova, Palmer seria substituído por Carlos Sainz na Renault, com a cúpula da montadora já sabendo que Jolyon Palmer não faria mais parte dos planos da equipe em 2018. Como Palmer nada fez em duas temporadas, o inglês saiu da F1 como piloto para se tornar comentarista. Num raro momento de sinceridade na F1, Jolyon Palmer admitiu que esteve longe de fazer um bom trabalho na F1 e que mereceu ser demitido antes do final da temporada. Ao menos Jolyon tem noção para ser melhor comentando do que pilotando...

2) Brendon Hartley
Por muitos anos o programa de jovens pilotos da Red Bull foi um exemplo na criação de grandes pilotos na F1. Vettel e Ricciardo são os maiores exemplos da máquina comandada por Helmut Marko. Contudo essa máquina também costuma fritar muitas carreiras. Hartley foi contratado como jovem promessa da Red Bull ainda com 18 anos, mas após cinco anos no programa o neozelandês acabaria dispensado pela Red Bull. Aparentemente sem chances de subir a F1, Hartley enveredou no Endurance com grande sucesso, sendo campeão no WEC e vencendo as 24 Horas de Le Mans com a Porsche. No ano em que venceu a mítica corrida, Hartley recebeu uma estranha ligação: Marko o queria no cockpit da Toro Rosso! Marko havia se cansado de Kvyat e precisava de um piloto experiente para sentar num F1 imediatamente e sem muito testes. Hartley não corria de monopostos fazia muito tempo, mas aceitou a proposta e estreou na F1 no final da temporada 2017. Brendon percebeu que o antes fértil programa de jovens pilotos da Red Bull se tornara um verdadeiro deserto e somente por isso Hartley ficaria na Toro Rosso em 2018. Correndo ao lado do jovem inexperiente Pierre Gasly, Hartley foi atropelado pelo francês. Enquanto Gasly conseguia um quarto lugar no Bahrein e fazia corridas consistentes nos pontos, Hartley remava para entrar na zona de pontuação. Muitas vezes sem sucesso. Como acontecera dez anos antes, Hartley foi dispensado por Marko da Red Bull sem nunca ter mostrado a que veio na F1.

3) Esteban Gutiérrez
Sérgio Pérez foi guindado a F1 pelas ricas mãos de Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo. Porém, o mexicano de Guadalajara se mostrou bem mais do que um simples pay-driver e Pérez fez uma ótima temporada de estreia na Sauber, tornando-se um dos pilotos mais sólidos da década de 2010. Talvez empolgado com o desempenho do seu pupilo, Slim pensou que colocar um jovem mexicano na Sauber com seu dinheiro bastava para ter um bom piloto na F1. Porém, dificilmente um raio cai duas vezes no mesmo lugar. Esteban Gutiérrez seguia os passos de Pérez nas categorias de base europeias, vencendo a F-BMW e GP3. Porém, o mexicano se mostrava afobado e bastante propenso a erros, características comprovadas na GP2, onde não conseguiu vencer mesmo estando na melhor equipe da época, a Lotus ART. Ainda assim Gutiérrez graduou-se a F1 em 2013 pela mesma Sauber de Pérez. A comparação com o compatriota foi imediada e bastante cruel com Gutíerrez, que além de não mostrar a mesma velocidade das categorias de base, manteve-se afobado e errando demais. Ao lado de Hulkenberg, Gutíerrez foi humilhado. Enquanto o alemão marcava pontos com alguma regularidade, Gutíerrez só marcou seus primeiros pontos, de forma chorada, já no final da temporada. Naquela época a Sauber já estava em dificuldades financeiras e somente isso permitiu a Gutíerrez uma segunda temporada na equipe suíça, mas com um carro pior, os resultados foram, logicamente, ainda piores para o mexicano, que acabou dispensado. Gutíerrez corria na Academia da Ferrari e quando Gene Haas resolveu construir um carro de F1 em parceria com a Ferrari, o americano pediu uma opinião aos italianos, que indicaram Gutíerrez. Muito provavelmente Haas estava ocupado demais na sua equipe e não viu muitas corridas de F1 na época. Após um ano sabático, Gutíerrez voltava a F1 pela Haas. Foi outro vexame! Foram vários abandonos, enquanto Grosjean marcava pontos aqui e ali, além de sempre ser bem mais rápido do que o mexicano, que seria dispensado sem maiores cerimônias ao final da temporada pela nova equipe sem nenhum ponto marcado. Um tiro n'água com direito a muita tequila! 

4) Lance Stroll
Como um piloto que subiu ao pódio e largou na primeira fila na F1 pode estar entre os piores da década? Pois bem, o caso de Lance Stroll tem muito mais a ver com o tamanho do bolso do seu pai do que seu talento. Stroll passou muito bem nas categorias de base europeias, vencendo títulos por onde passou. Bom indício, certo? Nem tanto, se olharmos alguns detalhes. Seu pai Lawrence Stroll comprava a melhor equipe da categoria em que seu herdeiro fosse correr e deixava Lance como piloto principal. Na F3, onde Lance se sagrou campeão com sobras, os outros pilotos da equipe eram contratados para serem coaches de Stroll e houve indícios de ordens de equipe para que Lance vencesse. Com a Williams já não tão bem das pernas, Lawrence Stroll comprou parte da equipe e... adivinhem? Sim, impôs que seu filhote estreasse na F1! Com apenas 19 anos Lance Stroll debutou na F1 mostrando muito afobamento e falta de maturidade. Seu ritmo em uma única volta era terrível, melhorando sensivelmente em ritmo de corrida. Mesmo contando com vários treinadores, inclusive Felipe Massa para auxilia-lo, Stroll nunca se desenvolveu como um piloto promissor que nunca foi. Com a Williams cada vez pior, Lawrence comprou a Force India, transformando-a em Racing Point e, claro, colocando Lance na equipe. Esse ano vimos novamente o canadense apanhar feio no grid em comparação a Sergio Pérez e apenas alguns pontos conquistados em corridas fortuitas. Mesmo sem muita condição, Stroll vai ficando na F1 enquanto o bolso sem fundo do seu papai lhe permitir...  

5) Giedo van der Garde
O mundo corporativo trabalha bastante hoje em dia em clima organizacional, onde o colaborador deve se sentir bem acolhido pelos seus pares e superiores. Bom, Giedo van der Garde parece não ligar muito para esse mantra corporativo quando tentou entrar na Sauber a fórceps. Exímio kartista, Van der Garde fez uma carreira decente nas categorias de base, mas só entrou na F1 por causa do seu sogro rico, na antiga Caterham. O holandês não foi de todo mal, mas nada que chamasse a atenção. Porém, o patrocínio que ele tinha interessava as equipes em dificuldades e Van der Garde foi contratado como piloto de testes da Sauber com a promessa de se tornar titular no segundo ano. Só que Monisha Katelborn não entendia assim e para 2015 vendeu seus dois cockpits para Felipe Nasr e Marcus Ericsson. Sentindo-se lesado, Van der Garde, que não fez um único teste na pré-temporada, foi à Austrália e conseguiu na justiça local que participasse da corrida pela Sauber. Foi uma zona! O holandês chegou aos boxes da Sauber uniformizado, mas era evitado por todos da equipe. Na bodega suíça comandada por Katelborn, conseguiu-se um acordo e Giedo Van der Garde nunca mais foi visto no paddock da F1. E Katelborn foi afastada da Sauber logo depois.

6) Sergey Sirotkin
Pay-drivers sempre existiram na F1, mas um piloto sem nenhuma experiência e com apenas 17 anos estrear na categoria era um pouquinho demais. Pois isso quase aconteceu com Sirotkin, que conseguiu um acordo com a Sauber em 2014 e chegou a testar para conseguir a super-licença. Porém, a bodega suíça que era a Sauber de Katelborn desfez o negócio e Sirotkin teria que esperar um pouco mais para estrear na F1. Mesmo não se destacando na GP2, o russo conseguiu comprar um cockpit na Williams de última hora e finalmente estrearia na F1 em 2018. Ao lado de Lance Stroll, Sergey Sirotkin formou uma das piores duplas de pilotos que a F1 jamais viu. Com um carro ruim, uma equipe sem comando firme e dois pilotos inexperientes, a Williams naufragou com seus dois pilotos que estão nessa série. Sirotkin conseguiu a proeza de fazer parelha com o horroroso Lance Stroll. Motivos mais do que suficientes para o russo estar aqui.

7) Marcus Ericsson
Em meados da década passada, um dos melhores celulares que haviam era o Sony-Ericsson. Para quem ligou o nome da multinacional com o piloto, acertou em cheio. Milionário, Marcus Ericsson passou pelas categorias de base europeias sem muito barulho, mas graças ao seu dinheiro subiu a F1 com a Caterham. Quando a Sauber estava orando por um pay-driver, Ericsson estava lá para salvar a lavoura. Por essas sortes da vida, em 2015 a Sauber construiu um bom carro e Felipe Nasr chegou a ser quinto colocado na primeira corrida da temporada, na Austrália. Já Ericsson foi apenas oitavo, uma volta atrás. Mesmo claramente inferior ao brasileiro, Ericsson ficou na equipe quando as finanças apertaram na Sauber novamente e 'investidores suecos' salvaram a equipe. Foram cinco temporadas em que Marcus Ericsson ficou no final do pelotão da F1 e tomando tempo dos companheiros de equipe.

8) Stoffel Vandoorne
O belga é mais um caso de piloto que surgiu no vácuo de alguém que surgiu muito bem, mas que acabou dando muito errado. Quando revelou Lewis Hamilton, a McLaren sabia que tinha uma boa receita para forjar campeões. Por isso a equipe contratou Stoffel Vandoorne ainda bem novo, o colocando em boas equipes nas categorias de base. E o belga não decepcionou, vencendo por onde passou e causando ótima impressão. Porém, Vandoorne deu azar de subir na F1 no pior momento possível da McLaren. A equipe vivia em conflito com a Honda, que não conseguia fornecer um motor decente para a tradicional escuderia, enquanto Fernando Alonso não se furtava em colocar gasolina na fogueira. Foi nesse caos que Vandoorne estreou na F1, mas correndo ao lado de um piloto histórico como Alonso, num carro que deixava a desejar e numa equipe em uma difícil fase de transição, Vandoorne naufragou na F1, perdendo confiança na medida em que os resultados não vinham, acabando na saída do belga da McLaren e da F1 pelas portas dos fundos, sem nunca mostrar o que dele se esperava.

9) Daniil Kvyat
O torpedo é uma arma tática de grande poder de destruição em batalhas navais. Isso poderia ser um bom apelido na F1, mas não no caso de Kvyat. O russo foi outra cria do programa de jovens pilotos da Red Bull e estreou muito bem na F1, mostrando velocidade na Toro Rosso. Quando Vettel foi para a Ferrari, Kvyat subiu para a Red Bull. Seu primeiro ano não foi ruim, mas sua principal característica ficou bem clara: seu afobamento. Não faltaram acidentes para Kvyat, mas foi em sua segunda temporada na RBR que o russo ficou conhecido como 'torpedo'. Após uma corrida na China onde aprontou bastante, Kvyat conseguiu bater duas vezes em Vettel em duas curvas na sua corrida caseira, atrapalhando ainda seu companheiro de equipe Ricciardo. Também cria da Red Bull, Vettel foi a sua antiga equipe reclamar de Kvyat, que acabaria rebaixado à Toro Rosso ainda no começo da temporada para dar lugar ao fenômeno Max Verstappen. O russo sentiu bastante o passo atrás e em 2017 acabaria dispensado da Toro Rosso e da Red Bull. Porém, Marko não tem mais tantos frutos no seu programa de jovens pilotos e sem alternativas, trouxe Kvyat de volta para a Toro Rosso. Ao lado do novato Alex Albon, Kvyat acabou ficando para trás e viu o tailandês, e não ele, subir para a Red Bull quando rebaixaram Gasly. Só que ao contrário de Daniil, Gasly cresceu no seu passo atrás e em Interlagos, o francês conseguiu um emocionante segundo lugar, enquanto Kvyat foi apenas nono. Apesar de veloz e ser genro de Nelson Piquet, Kvyat apenas esquenta lugar para alguém do programa da Red Bull lhe tomar o lugar. Novamente!

10) Lucas di Grassi
O brasileiro teve uma bela carreira no kart e nas categorias de base até chegar na F1, mesmo que na barca furada que foi a Virgin. Di Grassi nada mostrou em seu único ano na F1 e foi dispensado para continuar sua carreira no Endurante e na F-E com sucesso. E por qual motivo Di Grassi está aqui? Sabe aquela música 'Beijinho no ombro'? Pois bem, Lucas di Grassi parece nunca ter se conformado em ter fracassado na F1 e fica elogiando a péssima F-E com argumentos fracos e que não respondem ele ter tomado pau do Timo Glock...

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Lenda que se vai

Domingo a Nascar viu Kyle Busch se consagrar bicampeão com uma vitória até mesmo tranquila em Hoemestead. Mais atrás, fazendo outra corrida bastante discreta em 2019, Jimmie Johnson terminou em 13º, aumentando ainda mais seu incômodo jejum de vitórias.

Três dias depois da final da Nascar, Jimmie Johnson usou as redes sociais para anunciar que em 2020 será sua última temporada completa como piloto da Nascar, pendurando as sapatilhas após uma carreira gloriosa. Johnson não impressionou muito nas categorias de base, mas uma pessoa importante teve o olho clínico para com o jovem piloto na virada do milênio: Jeff Gordon. Considerado o melhor piloto da era moderna da Nascar, Gordon convenceu a seu chefe de equipe Rick Hendrick a contratar Johnson, que estreou na categoria principal, que ainda se chamava Winston Cup, em 2001. Já na temporada seguinte Johnson conquistou suas primeiras vitórias e em 2003 foi vice-campeão com bem mais vitórias do que o campeão Matt Kenseth, fazendo a Nascar rever a sua pontuação e introduzir o famigerado Play-Off.

Já considerado o melhor piloto do pelotão, Jimmie Johnson teimava em ser seu esperado título escapar. Somente em 2006 que Johnson conquistou seu título, mas iniciando um raro domínio na equilibrada categoria. Foram inacreditáveis cinco títulos consecutivos, o que seria adicionado outros dois, o último em 2016, sempre ao lado do chefe de mecânicos Chad Knaus. Ter sete títulos na conta faz de Jimmie Johnson ser o maior vencedor da Nascar, se igualando às lendas Richard Petty e Dale Earnhardt. O melhor? Tecnicamente muitas pessoas afirmam que Johnson foi, sim, o melhor piloto que a Nascar já viu, mas avesso a polêmicas e muito técnico, JJ não tem um décimo do carisma de Petty e Earnhardt. Mesmo considerado o melhor piloto dos últimos tempos, Johnson nunca foi tão popular quanto os seus contemporâneos Dale Jr, Gordon ou Tony Stewart. 

Aos 44 anos e vendo mais uma nova geração chegando na Nascar, Jimmie Johnson sente o tempo chegando. Ele não vence desde meados de 2017 e pela primeira vez em sua carreira Johnson não foi para os Play-Offs esse ano, algo que seus jovens companheiros de equipe na Hendrick (Elliot, Bowman e Byron) conseguiram. Knaus agora cuida do carro de Byron e Johnson preferiu escolher parar ainda com todo o respeito dos seus pares. Grande conhecedor de marketing, a Nascar irá aproveitar 2020 para homenagear a lenda Jimmie Johnson. E será bastante merecido!

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Figura(BRA): Interlagos

Mesmo sendo uma das corridas mais populares do calendário da F1, o Grande Prêmio do Brasil vez por outro é ameaçado de sair do longo caminho da F1 ao redor do mundo. Com tantos países ricos querendo receber a F1, uma prova que não conta com o apoio oficial do governo federal logo fica em risco. Esse ano surgiu até um rival caseiro, com a construção do autódromo de Deodoro recebendo aval do governo Bolsonaro para receber a F1 em poucos anos. O detalhe é que onde estará (ou não) o novo circuito do Rio, há apenas árvores e muita confusão. Só que Interlagos vai se safando com corridaças como a de ontem. O circuito paulistano tem uma espécie de magia que faz com que suas corridas, mesmo aquelas que estão mornas como a de ontem, sempre se transformem em provas inesquecíveis. Se até a quebra de Valtteri Bottas a corrida não tinha nada de especial, o safety-car trazido pelo finlandês causou uma metamorfose na prova de ontem, com várias ultrapassagens e toques trazerem cenas como o pódio duplo da Honda, a volta da McLaren ao top-3, Gasly e Sainz estreando no pódio, a Alfa Romeo colocando dois carros no top-5, as duas Ferraris batendo entre si e apenas um carro das equipes grandes, do vencedor Max Verstappen, entre os três primeiros. E olha que a tradicional chuva ficou apenas na sexta-feira. Por isso que por mais que se façam autódromos faraônicos pelo mundo, Interlagos ainda é um dos palcos icônicos da F1.

Figurão(BRA): Ferrari

Se uma foto vale mais do que mil palavras, basta essa imagem para perceber o motivo da Ferrari estar aqui...

domingo, 17 de novembro de 2019

Arrancada de Buschinho

Em 2015 Kyle Busch se aproveitou de um arranjo no regulamento para poder conquistar seu merecido título da categoria principal da Nascar, quando quebrou a perna e passou várias etapas de fora. O piloto da Joe Gibbs continuava competitivo, mas o título não era bisado, principalmente com o crescimento de pilotos como Martin Truex Jr e Joey Logano. Em 2019 Busch continuou na sua toada de piloto da ponta da Nascar e ficou em primeiro lugar na temporada 'regular'.

Nos play-offs Busch continuava a marcar boas posições e ir evoluindo no intrincado sistema que a Nascar bolou para deixar o campeonato aberto até a última corrida, para ter uma espécie de showdown em Homestead, mesmo que de forma artificial. Porém, Kyle sofria um incomum jejum de 21 corridas e teria que enfrentar três pilotos muito fortes na final e com vitórias recentes. Demonstrando a força de sua equipe, seus companheiros de pits Martin Truex Jr e Denny Hamlin se classificaram para a Homestead com vitórias, o mesmo acontecendo com o sempre perigoso Kevin Harvick, da Stewart-Hass, que ficou com a quarta vaga.

A última etapa em Homestead ficou focada apenas nos quatro, que sempre andaram no pelotão da frente, mesmo com um ou outro incidente. O regulamento de play-off pode ser bem cruel com um piloto, pois basta um erro que todo o campeonato vai para o brejo. Truex Jr liderou de forma dominante a primeira parte da prova, mas um erro primário e absurdo em um dos pit-stops (os mecânicos trocaram os pneus errados) do piloto da Gibbs fez com que ele perdesse uma volta, mas uma bandeira amarela na hora certa recolocou Truex no páreo. A corrida na cidade vizinha a Miami começa no final da tarde e se estende até a noite, mudando o acerto dos carros. Se de dia Truex tinha o melhor carro, a noite era Busch quem dava as cartas. Sempre se mantendo num seguro top-5, Kyle Busch atropelou Truex e Hamlin nas voltas finais para se estabelecer na frente.

Sem alternativas, os demais concorrentes ao título tentaram mudar o status quo na tática. Harvick e Truex esticaram ao máximo o penúltimo stint para ter melhores pneus nas voltas finais, esperando uma bandeira amarela que surpreendentemente nunca veio. Quando os dois voltaram à pista, Busch estava muito na frente. Hamlin teve um problema nos pits, onde seus mecânicos não retiraram um adesivo para tampar o radiador e por consequência perder arrasto na reta. Com o motor superaquecendo, Hamlin teve que voltar aos boxes e perdeu uma volta. Correndo em segundo Truex tentou uma aproximação, mas o máximo que fez foi baixar de sete para quatro segundos sua desvantagem para o líder Buschinho.

Kyle Busch recebeu a bandeirada com bastante tranquilidade e não apenas acabou com seu incômodo jejum de vitórias como garantiu seu segundo título com mais um triunfo em Homestead. Considerado um garoto prodígio quando surgiu na metade da década passada, Kyle Busch teve vários rompantes durante as suas primeiras provas, onde se metia em confusões durante e depois das corridas, trazendo para si a pecha de arrogante e marrento, mas também conquistou vários fãs com seu estilo de pilotagem sempre agressivo. Outro problema de Buschinho, como é chamado por aqui por ser irmão mais novo de Kurt Busch, outro campeão da Nascar, era que seu desempenho sempre caía nos momentos decisivos do campeonato, fazendo-o perder títulos em sequência, mesmo quando era considerado favorito. O amadurecimento fez que Kyle Busch se metesse em menos confusões com seus adversários e garantiu uma pilotagem cada vez mais sólida, que o manteve entre os pilotos de ponta da Nascar. Com esse título e contando ainda com 34 anos de idade (lembrando que na Nascar a 'validade' do piloto passar e muito dos 40 anos), Kyle Busch pode se garantir entre os grandes dessa geração da Nascar.

Magia de Interlagos

Vire e mexe se fala na saída do Grande Prêmio Brasil do calendário da F1 ou a substituição de Interlagos por uma pista nova. Se o Autódromo José Carlos Pace não tivesse uma magia toda especial, provavelmente isso já até teria acontecido, mas corridas como a de hoje faz com que os fãs praticamente implorem para que Interlagos permaneça na F1, mesmo que não tenhamos mais o protagonismo de antes na F1. Novamente o público no autódromo e os milhões em todo o mundo assistiram uma corrida de tirar o fôlego na icônica pista de Interlagos, com vitória de um inspirado Max Verstappen, com Pierre Gasly conseguindo um emocionante pódio batendo Lewis Hamilton na bandeirada, enquanto Carlos Sainz saiu de último para ser terceiro com a justa punição a Hamilton e mais uma vez a Ferrari terá uma reunião pós-corrida bastante tensa com seus pilotos.

Pela primeira vez no final de semana o sol apareceu forte em São Paulo e talvez por isso as equipes e pilotos preferiam a cautela na primeira metade da prova. Verstappen largou bem, enquanto Hamilton executava uma baita manobra por fora em cima de Vettel para ser segundo. Leclerc não demorou a escalar o pelotão vindo de 14º para ficar em sexto. Como foi falado mais cedo, o calor se fez presente em Interlagos apenas nesse domingo e ninguém tinha muito noção de como os pneus se comportariam com temperaturas mais altas. Ficou claro que parar apenas uma vez era arriscado demais e as primeiras paradas não tardaram a acontecer. Hamilton inaugurou a rodada de pits e quando Verstappen foi aos boxes na volta seguinte, tomou uma fechada sem noção de Kubica, que acabaria punido mais tarde. Perdendo a posição nos boxes, Verstappen contou com um antigo rival seu para retomar a ponta. Com pneus novos Hamilton encontrou Leclerc bem no miolo do circuito, só efetuando a ultrapassagem na saída da Junção, trazendo um embalado Verstappen junto. O holandês pegou o vácuo e ultrapassou lindamente Hamilton no Esse do Senna. Ferrari, Mercedes e Red Bull colocavam táticas diferentes na mesa, mas a corrida estava longe de estar emocionante. Foi então que uma rara quebra mudou tudo. Tendo parado pela segunda vez, Bottas partiu para cima de Leclerc com pneus novos, mas o monegasco usou a potência do motor Ferrari para segurar a Mercedes. Quando ambos já viam Albon nos retrovisores, o motor de Bottas disse adeus. Mesmo o nórdico estacionando seu Mercedes num lugar seguro, o Safety-car aparaceu numa decisão até mesmo discutível da direção de prova, mas que influenciaria decisivamente para um dos melhores finais de corrida dessa temporada. E não faltou corrida boa nesse segundo semestre!

A Mercedes chamou Hamilton para os boxes. Se isso influenciou ou não, o fato foi que Verstappen entrou nos boxes e Hamilton não. Mais um blefe da Mercedes, mas a situação de Hamilton não seria nada confortável nas últimas voltas. O inglês seria o único do pelotão dianteiro com pneus médios e ainda assim usados, enquanto os demais carros atacariam Lewis com pneus macios. E no caso de Verstappen, novos. Assim como aconteceu na Hungria, mesmo que de forma inversa, Verstappen sabia que não poderia esperar demais para atacar Hamilton e por isso o holandês freou por fora no Esse do Senna para efetuar a manobra da vitória logo na relargada. Mais atrás, Albon emulava a manobra do companheiro de equipe e subia para terceiro ao ultrapassar Vettel, que fazia uma corrida apagada. Mas logo ganharia luz. Vettel tentou um ataque em cima de Albon, mas acabou surpreendido por Leclerc, que ganhou a quarta posição no Esse do Senna. Vettel tentou dar o troco na reta oposta e o resultado foi um ligeiro toque dos dois carros da Ferrari que furou o pneus de ambos os bólidos e muitos palavrões no rádio com mais um zero da Ferrari. Acabou? Ainda não! Os destroços da Ferrari quebraram a suspensão de Stroll e por isso o safety-car retornou à pista com apenas quatro voltas para o fim. Hamilton viu uma oportunidade e colocou pneus macios, mesmo caindo para quarto. Na relargada faltando duas voltas, Hamilton logo ultrapassou a Toro Rosso de Gasly e com a fome de um multi-campeão, não quis esperar muito tempo para tomar o segundo lugar de Albon, fazendo o pobre tailandês rodar e cair para as últimas posições. Mesmo com a asa dianteira avariada, Hamilton foi com tudo para cima de Gasly, mas provando a força do motor Honda, o francês segurou Hamilton na bandeirada, com ambos cruzando lado a lado numa cena de cinema.

Quatro segundos à frente, Max Verstappen dava a volta por cima depois de perder a vitória ano passado de forma até infantil, quando bateu no retardatário Esteban Ocon. Hoje o holandês esteve perfeito, dando o troco em todas as investidas que Hamilton lhe dava. Foram duas ultrapassagens antológicas de Max em cima de Lewis, demonstrando que Hamilton terá ainda muito trabalho com a geração nova que vem por aí. Contudo, os ataques de Hamilton nas últimas voltas terminaram por estragar o que poderia ter sido um pódio inteiramente da Honda, com Albon em segundo e Gasly em terceiro. O toque em cima de Albon destruiu o sonho do primeiro pódio de um tailandês na F1. Porém, fez Gasly mostrar a todos que ele não era um caso perdido. Ao contrário do que aconteceu com seu companheiro de equipe quando este foi rebaixado da Red Bull para a Toro Rosso, Gasly ganhou uma motivação extra na Toro Rosso e hoje foi claramente o piloto melhor coloado do pelotão intermediário e ao se aproveitar dos infortúnios dos carros das equipes top-3, o jovem francês garantiu o seu primeiro pódio na F1 e o segundo da Toro Rosso nesse ano, sendo que desta vez com pista seca. Ah! Enquanto Gasly subia ao pódio numa corrida sensacional, Kvyat era um apagado décimo lugar...

Porém, colocar o título de melhor piloto do pelotão intermediário em Gasly seria simplificar muito as coisas. Outro piloto da canteira da Red Bull fez uma corrida monstruosa hoje e se todos queriam a punição de Hamilton, era para que a corrida de Carlos Sainz fosse coroada com um pódio. O espanhol teve problemas de motor ontem e largou em último. Sainz iniciou uma ótima corrida de recuperação até o terceiro lugar, com a punição de Hamilton confirmada, o que foi bastante merecido pelos esforços da McLaren e de Sainz. Sem falar que Fernando Alonso poderia ver dois motores Honda no pódio, junto com uma McLaren. É Fernando, paciência faz bem às pessoas. Continuando no pelotão intermediário, a Alfa Romeo saiu da má fase para colocar seus dois carros na zona de pontuação, com Raikkonen atacando Sainz nas últimas voltas e Giovinazzi segurando Lando Norris, na segunda McLaren. Daniel Ricciardo foi justamente punido por ter tentado uma ultrapassagem para lá de otimista em cima de Kevin Magnussen no começo da corrida, mas o australiano se recuperou para marcar pontos com sua cambaleante Renault, que agora não apenas vê a McLaren de longe no Mundial de Construtores, como tem agora a Toro Rosso apenas seis pontos atrás. Com um carro que não se entende bem com os pneus, o calor em Interlagos praticamente acabou com a corrida da Haas, enquanto a Williams só apareceu com a atabalhoada saída dos pits de Kubica, que fez Verstappen quase bater no pit-wall.

Dando um pequeno spoiler do filme 'Ford vs Ferrari', durante as 24 Horas de Le Mans de 1966, Carrol Shelby, personagem de Matt Damon, vez ou outra aprontava com os mecânicos e engenheiros da Ferrari, ora roubando equipamentos, ora jogando peças nos boxes da equipe de Maranello. Os italianos ficavam histéricos! Conta a lenda que a Ferrari só ganha quando um estrangeiro está na gestão da equipe, o que é uma má notícia para Mattia Binotto, que mais uma vez terá que se reunir com seus dois pilotos, que tocaram-se na reta oposta e deixaram a Ferrari com zero ponto. Vettel vinha fazendo uma corrida opaca e simplesmente não conseguia ultrapassar Albon, quando foi surpreendido por Leclerc, que fez a corrida de recuperação que era dele esperado. Aquilo pareceu mexer com os brios de Vettel, que partiu para cima do companheiro de equipe na reta oposta e quando tentava dar um chega pra lá em Leclerc, acabou tocando muito de leve no carro do rival, mas o suficiente para estourar ambos os pneus e estragar a corrida da Ferrari. Claro que os rádios dos dois foram cheios de piiiis, mas a reunião da Ferrari será, no mínimo, animada nesse final de tarde.

Foi mais uma corrida épica para a conta de Interlagos, que raramente nos decepciona no quesito corrida confusa. Dos seis carros que sempre lutam no pelotão intermediário, apenas dois chegaram na frente, numa atuação inspirada de Max Verstappen. Hamilton pode não ter tido a corrida dos seus sonhos, mas mostrou estar faminto mesmo já tendo o hexa nas mãos. A gestão da Ferrari? Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. Se não foi a melhor corrida do ano, o Grande Prêmio do Brasil desse ano entrou para mais um corridão dessa temporada que começou decepcionante no quesito emoção, mas que nos últimos meses calou a boca de quem já estava matando a categoria. Não falta polêmica e pilotos excelentes na pista, mas foi a magia de Interlagos que ajudou a transformar a corrida de hoje numa prova inesquecível. 

Paul Ricard da MotoGP

Muitas pessoas tem uma memória afetiva com a F1 nas décadas de 1970, 80 e 90. São os 'bons tempos', como gostam de dizer os saudosistas. Porém, assim como ocorre hoje em dia haviam corridas chatas e ruins nesse período, mesmo que muitos neguem esse fato. Costumo dizer que a MotoGP vive sua terceira Era de Ouro. Para quem não sabe, as duas primeiras ocorreram nos anos 1960, com o surgimento das montadoras japonesas e piloto icônicos como Mike Hailwood e Giacomo Agostini, e depois nos anos 1980, quando o Mundial de Motovelocidade foi invadido pelos carismáticos pilotos americanos e seu estilo dirt track de se correr. Nos últimos anos estamos vendo a MotoGP entrar num enorme equilíbrio de marcas e corridas emocionantes, apesar de alguns poucos pilotos terem conquistado títulos. 

Mesmo nessa Era de ouro, há a possibilidade de corridas ruins e hoje foi o caso. O Grande Prêmio de Valência da MotoGP pode ser facilmente comparado ao tenebroso Grande Prêmio da França de F1 no meio desse ano. A corrida foi praticamente um longo bocejo num script já conhecido nesta temporada. Marc Márquez não larga bem, atropela o pelotão até chegar no líder de então para efetuar a ultrapassagem da vitória e administrar a corrida até o fim. Ponto. Assim se resumiu a corrida de hoje e a temporada de Márquez, que levou a Honda nas costas, dando o títulos de construtores e de equipe para a marca da asa dourada. Terminada a temporada, dá para afirmar que a segunda metade da F1 foi bem mais interessante do que o da MotoGP, mesmo a F1 tendo visto outro domínio, dessa vez de Lewis Hamilton.

O que estragou a competitividade da MotoGP foi a genialidade de Márquez. O espanhol é um ponto fora da curva e tirando sua queda em Austin, Márquez chegou sempre em primeiro ou segundo em 2019, numa sequência que nenhum outro piloto do ótimo pelotão da MotoGP esteve sequer perto de igualar. Porém, fica a sensação de que Márquez não conquistou os corações dos fãs do esporte a motor e um exemplo de como isso acontece veio hoje. Numa corrida chata e com mais uma vitória de Márquez, o dia era de Jorge Lorenzo, que na última quinta-feira anunciou sua aposentadoria da MotoGP. Lorenzo também seguiu seu script na sua pífia temporada. O espanhol largou no fim do pelotão e num ritmo horroroso, só garantiu o 13º lugar por causa das quedas ocorridas na sua frente. Porém o dia era de Lorenzo. Se o vencedor de hoje fosse Valentino Rossi, mesmo com todas as diferenças com o espanhol, ele teria chamado Lorenzo para um aperto de mão e deixaria toda a festa para o pentacampeão. Com Márquez não foi assim. Ele queria estar no centro das atenções e preparou uma festa que dividiu as atenções com Lorenzo depois da bandeirada. Foi até meio patético a falta de sensibilidade de Márquez, que não foi visto cumprimentando Lorenzo, que chegou aos boxes cercado de aplausos e abraços das outras equipes. Será que Márquez terá esse respeito?

Foi um final indigno de uma temporada em que Márquez se mostrou ainda mais dominante. Com apenas 26 anos de idade e toda a potência da Repsol Honda por trás, será difícil para-lo num curto prazo. A situação nas demais equipes colabora para que Marc continue conquistando títulos. A Yamaha está um pouco refém de Rossi, que não quer finalizar sua carreira numa equipe satélite, cedendo seu lugar na equipe de fábrica para o promissor Fabio Quartararo, segundo colocado hoje. Maverick Viñales demonstrou um grande ritmo todo o final de semana, mas após uma má largada o espanhol simplesmente desapareceu durante a corrida, terminando num opaco sexto lugar. Viñales não inspira confiança e força para peitar Márquez, enquanto o auge de Rossi já passou há muitos anos. Para a Yamaha resta apostar em Quartararo, que demonstrou uma velocidade surpreendente em seu primeiro ano de MotoGP, mas numa equipe satélite não terá a oportunidade de desenvolver a moto ao seu estilo.

A própria Honda está literalmente refém de Márquez. Dono de um estilo único, a Honda projeta sua moto de acordo com o seu piloto mais rápido. O problema é que os demais pilotos da Honda simplesmente não conseguem acompanhar Márquez. Dá para dizer que o estilo de Márquez já aposentou Pedrosa e Lorenzo. Mesmo a vaga da Repsol Honda sendo cobiçadíssima, o piloto que lá chegar poderá enfrentar uma tremenda sinuca de bico. Cal Cruthlow, que caiu mais uma vez hoje, não inspira confiança, o mesmo acontecendo com Nakagami. Johan Zarco apareceu como opção, mas o francês não fez nada demais para exigir algo da Honda. Sobrou para Alex Márquez, atual campeão da Moto2 e irmão mais novo de Marc, que já faz campanha para o mano a muito tempo. Piloto irregular e com nem um décimo do talento do irmão mais velho, Alex esperou cinco temporadas para vencer a Moto2 sempre com a melhor moto da categoria e ele ainda teve a sorte de garantir o campeonato com antecedência, pois hoje Alex caiu e com a terceira vitória seguida, Brad Binder ficou muito próximo na contagem final da Moto2. Pelo menos Marc e Alex treinam juntos e o estilo agressivo de Marc não seria totalmente desconhecido para Alex, que poderá estrear na equipe mais forte da MotoGP e muita pressão por causa das comparações. 

Nas demais equipes, a Suzuki mostrou força com Alex Rins no começo do ano e o espanhol chegou a ser vice-líder, mas a Suzuki perdeu o fôlego com uma dupla jovem e ainda carente de experiência para acertar uma moto de fábrica. A Ducati por muito tempo durante a temporada foi considerada a melhor moto do pelotão, mas Andrea Doviziozo não foi páreo para a genialidade de Márquez. Sem o mesmo talento e velocidade de pilotos como Viñales, Quartararo ou Rins, Doviziozo vai trabalhando para construir a melhor moto e também para se manter no pelotão da frente. O já veterano italiano viu toda a sua geração se aposentar, mas Dovi ainda segue forte com o terceiro vice-campeonato consecutivo. Danilo Petrucci fez um baita esforço para que seu contrato com a Ducati oficil fosse renovado, venceu uma corrida e ficou muito tempo em terceiro lugar no campeonato, mas assim que veio a confirmação que estará na Ducati em 2020, Petrucci caiu de rendimento de forma abrupta a ponto da Ducati já pensar em colocar o italiano na equipe satélite e promover Jack Miller, o rápido e tresloucado australiano, à equipe oficial. Dono de um estilo agressivo de pilotagem, como boa parte dos seus compatriotas pilotos, Miller chegou em terceiro lugar hoje muito pela ótima largada e sua pilotagem forte.

KTM sofreu o baque de ter sido abandonada por Zarco no meio da temporada e em 2020 terá uma equipe bastante jovem, com Binder e Lucuona subindo da Moto2, liderados por Pol Espargaró. Seu irmão mais velho Alex que ainda sofre bastante com a falta de desenvolvimento da Aprilia, muito provavelmente investindo bastante em funilaria para consertar as quedas de Iannone. Nas classes menores, Alex Márquez finalmente conquistou o título, mas a falta de um rival claro facilitou demais a vida do irmão de Marc. Brad Binder fez um ótima final de temporada e subirá para a equipe oficial da KTM. Lorenzo Della Porta venceu a sempre equilibrada Moto3 e tentará seguir seu caminho na Moto2 junto com o instável vice-campeão Aron Canet.

Como não poderia deixar de ser a MotoGP em 2019 teve grandes corridas com finais decididos nos metros finais, mas houve mais corridas ruins como a de hoje do que o normal. Lorenzo fez uma temporada tão ruim que se aposentou, seguindo o mesmo rumo de Pedrosa. Valentino Rossi teve sua pior temporada na Yamaha e esse pode ser um claro sinal de que o lendário piloto de 40 anos deve pensar fortemente em se aposentar logo com todas as homenagens possíveis e imaginárias. Se a Yamaha se decepcionou novamente com a falta de força mental de Viñales, viu o surgimento de Fabio Quartararo, o piloto mais surpreendente desde Casey Stoner. Doviziozo seguiu com sua luta inglória para acertar a Ducati e enfrentar outro piloto lendário da MotoGP. Marc Márquez tem seus defeitos e não atrai tanta torcida como Rossi, mas seus números, recordes e estilo único o fazem um dos gigantes do Mundial de Motovelocidade.