Com essa singela imagem, fecho mais uma temporada do blog. Ano que conheci pessoalmente amigos que o blog meu deu e a certeza que a companhia de vocês tem valido demais a pena! Até 2020!
segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
domingo, 22 de dezembro de 2019
Top-10 - Grandes corridas da década
A última década da F1 foi marcada por grandes domínios e muitos questionamentos dos motivos nos quais as grandes equipes mantém uma vantagem tão grande sobre as demais. Como falado anteriormente, apenas três pilotos foram campeões nos anos 2010. Nem por isso deixaram de acontecer grandes corridas, onde o imponderável deu as caras e mudou o rumo de provas e ocorressem surpresas. Vamos ao top-10 das corridas da década:
1) Grande Prêmio do Canadá de 2011
O ano de 2011 vinha sendo até mesmo sem graça com o domínio da Red Bull e de Sebastian Vettel, mas havia um piloto surpreendendo naquele ano: Jenson Button. O inglês entrou no feudo do seu compatriota Lewis Hamilton e mesmo sendo bem menos talentoso do que Lewis, Button fazia uma temporada grandiosa em 2011, superando até mesmo o ano em que foi campeão e seu auge foi na monumental corrida em Montreal, onde os pontos fortes de Button foram determinantes para uma vitória épica. A percepção de Button em condições traiçoeiras de chuva lhe deram uma vitória de uma prova que entrou na história da F1. A corrida havia começado com pista molhada e na luta pelo terceiro lugar com Hamilton, Button acabou se chocando com o companheiro de equipe na McLaren, causando o abandono de Lewis. Button rapidamente foi aos boxes colocar pneus intermediários, mas acabou punido e caiu para último. Poucas voltas depois uma tempestade interrompeu a corrida por duas horas. No reinício Button fazia uma bela corrida de recuperação e chegou a ter outro incidente, desta vez com Fernando Alonso. Depois da tempestade, a pista começou a secar e Button colocou os pneus slicks na hora certa, fazendo-o subir para segundo quando Webber e Schumacher pararam. Num ritmo muito forte, Button vinha se aproximando de Vettel, que liderou a corrida inteira. Na abertura da última volta Button estava bem próximo do alemão da Red Bull, mas sem condições de ataque. Ou não? Vettel erra no meio da última volta e Button assume a liderança pela primeira vez na corrida para vence-la de forma sensacional, depois de mais de quatro horas de uma prova que entrou para a história. Jenson Button pode não ter sido um virtuose, mas o inglês tinha momentos gigantes quando era necessário e essa corrida em Montreal foi sua obra-prima.
2) Grande Prêmio da Alemanha de 2019
Correndo em casa, a Mercedes resolveu promover seu 125º aniversário no automobilismo, fazendo uma pintura especial em seus carros e vestindo seus engenheiros e mecânicos com um visual retrô. Afinal, nada poderia dar errado numa temporada quase perfeita para os alemães, onde Hamilton contava nos dedos quando seria campeão e Bottas caminhava, mesmo aos trancos e barrancos, a um vice-campeonato. Mas como diria Garrincha, faltou combinar com os russos. Assim como havia acontecido um ano antes, Hockenheim viu as condições climáticas ser um fator importante na corrida. Max Verstappen já havia estragada a festa da Mercedes ao ficar na primeira fila, mas uma má largada do holandês fez com que a Mercedes fizessem dobradinha na molhada largada. Tudo levava a crer numa vitória festiva da Mercedes, mas tudo começou a ir para o brejo quando a chuva aumentou e Hamilton acabou batendo na entrada dos boxes. A Mercedes não esperava o inglês e o que se viu foi uma trapalhada dos alemães no pit-stop que deixou Hamilton nas últimas posições. À essa altura Verstappen já havia superado Bottas nos boxes, mas a corrida estava longe de ser definida, com a chuva indo e voltando várias vezes. O piloto da casa Nico Hulkenberg parecia que realizaria o sonho do seu primeiro pódio quando bateu na última curva. Nico saiu do carro desolado. Quando Bottas bateu já no fim da corrida, a festa da Mercedes estava terminada. Verstappen conseguiu uma vitória depois de visitar os boxes cinco (!) vezes e Sebastian Vettel se recuperava do seu erro em 2018 com uma bela corrida de recuperação depois de largar em último para ser segundo. Então veio várias surpresas, como Daniil Kvyat em terceiro, Lance Stroll em quarto, as duas Haas chegando nos pontos mesmo batendo entre si e a claudicante Williams marcando seu único ponto da temporada com Robert Kubica.
3) Grande Prêmio do Azerbaijão de 2017
Um ano antes Baku estreava no calendário da F1 com uma corrida extremamente monótona, com a largada acontecendo poucos minutos após a catarse do que havia acontecido em Le Mans, com a quebra de último minuto da Toyota. O circuito de rua azari parecia mais uma corrida caça-níquel inventado por Bernie Ecclestone em seus últimos anos na frente da F1. Porém, a segunda corrida em Baku seria bem diferente e cheia de alternativas. Logo na primeira volta Raikkonen e Bottas batem, fazendo com que o piloto da Mercedes caísse para último, mas Bottas não estava morto. Mais adiante Daniel Ricciardo pararia cedo nos boxes e caía para 17º. Olho nele! Em uma das entradas do safety-car, Vettel quase bateu no líder Hamilton e ficou fulo da vida. O alemão colocou sua Ferrari de lado da Mercedes e chegou a tocar no inglês, numa cena de briga de rua. Após uma bandeira vermelha, Vettel seria punido. Numa briga caseira da Force India, Ocon e Pérez batem e espalham detritos para todo lugar e muita confusão dentro dos boxes. Ricciardo fazia uma corrida de tirar o fôlego e escalava o pelotão de forma agressiva. A dupla da Williams estava em posição de pódio, com Massa na frente do novato Stroll. Hamilton liderava tranquilo quando seu encosto do cockpit se soltou e ele teve que ir aos boxes consertar o aparato. Massa parecia que venceria depois de muitos anos, mas uma suspensão quebrada estragou os sonhos do brasileiro. Quando Massa estava a ponto de ser ultrapassado por Stroll, os dois carros da Williams foram atropelados por Ricciardo, que fez uma ultrapassagem dupla para assumir a ponta da corrida. Bottas, que havia perdido até uma volta, se aproveitou dos vários incidentes na corrida e ultrapassou Stroll na linha de chegada para ser segundo, enquanto o limitado canadense subia ao pódio pela primeira vez, se tornando o mais jovem a faze-lo. Uma corrida maluca, que teve em Daniel Ricciardo mostrando todo o seu talento.
4) Grande Prêmio do Brasil de 2012
Quatro anos após a sensacional final de 2008, Interlagos seria palco de outra final épica de temporada e onde a chuva seria também um fator importante. Vettel era o grande favorito ao título, usando a força do seu Red Bull frente a um Fernando Alonso inspiradíssimo, mas que estava claramente sem carro para enfrentar o alemão. Somente as forças ocultas de Interlagos para ajudar o espanhol. E essas forças quase apareceram! A largada com pista seca viu Vettel cair para sétimo e na freada do lago foi atingido por Bruno Senna. De alguma forma Vettel conseguiu continuar na corrida, mas seu carro estava claramente danificado e o alemão havia caído para último. Então a chuva veio e Nico Hulkenberg apareceu para liderar a corrida com folga numa estratégia perfeita e uma grande pilotagem do alemão. Vettel aproveitava a situação para se manter nos pontos, enquanto Alonso não conseguia levar sua Ferrari para frente. Um safety-car discutível juntou o pelotão e Hulkenberg acabou se tocando com Hamilton, que saiu da corrida e o alemão seria punido, saindo do pódio. Com isso Button assumiu a ponta e conseguiu o que seria a última vitória da McLaren até o momento. Nesse momento Alonso estava em segundo e com Vettel em sétimo, estava conquistando o tricampeonato, mas o alemão ultrapassaria Michael Schumacher, se aposentando pela segunda vez, nas últimas voltas e quando a chuva apertou de vez, causando a bandeira vermelha, Vettel conquistou o tricampeonato, enquanto Alonso amargava outro vice-campeonato.
5) Grande Prêmio da Europa de 2012
Talvez essa tenha sido a grande atuação individual da década e a obra-prima de Fernando Alonso na F1. Por um erro estratégico da Ferrari, Alonso largaria apenas em 11º numa apertadíssima classificação em Valencia, corrida que só aconteceu graças ao grande momento de Alonso. Na época a Espanha passava por sérias dificuldades financeiras e as vitórias de Alonso era um dos poucos momentos de alívio do povo espanhol. Pois Alonso conseguiu dar uma enorme alegria ao seu povo. Até o momento o circuito de rua valenciano não havia permitido corridas emocionantes, mas em 2012 Alonso daria emoção de sobra com ultrapassagens em cima dos seus rivais e aproveitaria da quebra do líder Vettel para vencer de forma emocionante. Michael Schumacher se aproveitou de um toque nas últimas voltas entre Pastor Maldonado e Lewis Hamilton para subir ao pódio por uma última vez. Alonso parou seu carro antes de chegar ao pódio, vibrou com a torcida e se emocionou no pódio. Ele próprio parecia adivinhar que tinha feito algo grandioso naquela tarde.
6) Grande Prêmio do Bahrein de 2014
Quando a Mercedes exibiu uma diferença abismal para seus rivais na primeira corrida da nova Era híbrida, todos apostavam que Lewis Hamilton venceria o campeonato facilmente. Porém, Nico Rosberg mostrou no desértico circuito do Bahrein que não entregaria o título sem uma boa briga. Lewis Hamilton e Nico Rosberg foram sublimes, lutando volta após volta pela liderança, com as voltas finais especialmente tensas. Ver o quão perto os dois pilotos da Mercedes estavam próximos sem nunca se tocarem foi incrível, enquanto Toto Wolff surpreendeu em deixar seus pilotos decidirem tudo na pista, algo que seria repetindo nos próximos três anos, para sorte dos fãs da F1. Aquele dia foi o início de uma rivalidade interna histórica dentro da Mercedes e mesmo com a vitória de Lewis Hamilton, Nico Rosberg marcava seu território dentro da Mercedes.
7) Grande Prêmio do Brasil de 2016
A tensão entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton estava nos mais altos níveis naquele final de 2016, com o alemão administrando de forma fria o campeonato, enquanto Hamilton esperava capitalizar algum erro do seu companheiro de equipe e ex-amigo. Porém, o grande personagem daquela tarde em Interlagos não corria com o prateado carro da Mercedes. Max Verstappen mostrava um talento todo especial no seu segundo ano na F1 e o primeiro num carro de ponta. Na encharcada pista de Interlagos, o holandês teve uma corrida de mestre em condições em que vários veteranos, como Felipe Massa, Kimi Raikkonen e Fernando Alonso, bateram. Por sinal, o abandono de Massa, que havia anunciado que estava se aposentando semanas antes (depois ele mudou de ideia), foi um dos momentos mais emocionantes da década. Verstappen entrou nos boxes nas voltas finais para trocar pneus e saiu ultrapassando quem via pela frente numa emocionante recuperação rumo ao pódio que levantou a torcida brasileira nas arquibancadas.
8) Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2010
A final da temporada de 2010 já era histórica. Pela primeira vez na história da F1, quatro pilotos tinham chances de vencer o campeonato, mas a disputa parecia restrita a Mark Webber e Fernando Alonso, com Sebastian Vettel correndo por fora. Hamilton tinha apenas chances matemáticas. A Ferrari resolveu colocar Alonso marcando Webber numa disputa homem-a-homem. Um acidente na primeira volta fez com que alguns pilotos fossem aos boxes cedo e não parassem mais, entre eles, Vitaly Petrov da Renault. Como imaginado, quando Webber fez sua parada, a Ferrari chamou Alonso para os boxes. O espanhol estava na frente de Webber, mas acabou atrás de carros mais lentos, que haviam parado durante o safety-car. Alonso estava em sexto, logo atrás de Petrov com muitas voltas pela frente. Tarefa fácil para o espanhol, certo? Nem tanto. O travado circuito de Abu Dhabi praticamente não permitiu nenhum ataque de Alonso, que ficou empacado a corrida inteira atrás do russo, enquanto Vettel vencia e com o sexto lugar de Alonso, conquistava de forma surpreendente o seu primeiro título. Alonso reclamou de forma infantil com Petrov depois da bandeirada, chegou aos boxes de cabeça baixa e a Ferrari demitia Chris Dyer, o homem que bolou a estratégia de Alonso. Vendo que o título de Alonso não veio por causa de uma não-ultrapassagem, a FIA criaria o polêmico DRS meses depois.
9) Grande Prêmio da Alemanha de 2018
Sebastian Vettel vinha em ótima forma no verão de 2018 e liderando o campeonato, após derrotar Lewis Hamilton na casa do inglês. Agora era Vettel que corria em casa e ele queria sua primeira vitória em Hockenheim. O alemão da Ferrari liderava com tranquilidade, enquanto Hamilton fazia uma ótima corrida de recuperação. No entanto, uma chuva até mesmo fraca mudou totalmente a corrida. Vettel estava no setor do estádio quando sua Ferrari saiu de frente e bateu na barreira de pneus na frente de sua torcida. Hamilton conseguiria uma vitória essencial para o título e Vettel, com a confiança abalada pelo erro que cometeu, ainda não se recuperou.
10) Grande Prêmio da Espanha de 2016
A vida de Max Verstappen havia mudado radicalmente semanas antes do Grande Prêmio da Espanha. O russo Daniil Kvyat havia sido rebaixado da Red Bull e sem fazer um único teste com o carro, Max estrearia numa equipe de ponta. Usando seu conhecido talento, Verstappen largou nas primeiras filas e viu de perto a dupla da Mercedes se tocar na primeira volta. Nico Rosberg e Lewis Hamilton, donos do melhor carro disparado naquele dia, estavam fora da prova numa das várias polêmicas em que se meteram. Mas havia muita corrida pela frente. Ricciardo e Vettel se envolveram numa incidente que furou o pneu do australiano da Red Bull. Verstappen assumiu a liderança depois de ficar mais tempo na pista do que seus rivais diretos. Com quase o dobro de sua idade e com pneus melhores, Kimi Raikkonen foi para cima de Max Verstappen, mas o holandês usou a conhecida dificuldade de ultrapassagem do circuito de Barcelona para vencer pela primeira vez na F1 logo em sua estreia na Red Bull, quebrando vários recordes de precocidade.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2019
Que pena...
Antes de Jimmie Johnson fazer história na Nascar, havia um outro JJ que fez história na categoria. Junior Johnson foi um piloto de ponta nos primeiros anos da Nascar e mesmo não conquistando um título, se tornou uma lenda por sua complicada história de vida e por suas performances em pista de terra. Após sua aposentadoria como piloto, Junior Johnson se tornou chefe de equipe e venceu vários títulos nos anos 1970 e 1980 com Cale Yarborough e Darrell Waltrip. Aos 88 anos Junior Johnson passou a ter problemas de saúde no final de 2019 e faleceu no dia de hoje. Que pena...
domingo, 15 de dezembro de 2019
Tal pai, tal filho
Exatamente vinte anos depois do primeiro título do seu pai, Chico Serra, na Stock Car, Daniel Serra conseguiu seu terceiro título seguido nesse domingo, igualando-se à Chico, que em 2001 completou o tricampeonato consecutivo.
A corrida de hoje em Interlagos foi de extrema segurança para Serrinha, como Daniel é conhecido. Largando em sétimo, Daniel se preocupou em não se envolver nos vários toques ocorridos nas primeiras voltas e fez uma prova tática, subindo para o terceiro lugar após as paradas obrigatórias, que dava com sobras seu título. Quando Felipe Fraga ficou sem gasolina na reta de chegada, Daniel ainda pulou para segundo. Thiago Camilo, eterno vice da Stock, venceu pela sexta vez nesse ano e garantiu o quarto vice-campeonato em 2019.
Como Daniel Serra falou, esse campeonato foi conquistado na tática de sua equipe, comandada por Meinha. Ao entender o bizarro campeonato da Stock, que embaralha o grid das corridas de forma artificial, Meinha e Serra perceberam que a regularidade seria um fator muito mais importante e foram acumulando pontos. Foi apenas uma vitória de Daniel Serra, mas sua estratégia foi tão eficaz que ele só precisava de um quinto lugar hoje. Como todo bom estrategista, Daniel fez o necessário e vai colocando seu nome na história da Stock.
Top-10 da década 2010
Assim como fiz no final de 2009, irei olhar dez anos no tempo e dessa vez irei ver quem foram os grandes pilotos das últimas dez temporadas, marcadas por dois grandes domínios, poucos pilotos sendo campeões (três), uma grande mudança técnica na metade da década e uma luta tênue entre esporte e entretenimento dentro da F1. Porém, surgiram dois pilotos nessa década que sobressaíram nos números e que nos fazem imaginar aonde Hamilton e Vettel estão dentro da rica história da F1. Para escolher os dez grandes pilotos nos anos 2010, classifiquei os dez primeiros colocados, como na pontuação atual, dos campeonatos de 2010 a 2019 e fiz a soma. Vamos agora a eles!
1) Lewis Hamilton - 189 pts
Hoje parece fácil cravar Lewis Hamilton como o piloto da década, principalmente pelo o que o inglês fez nos últimos anos, mas no começo da década Lewis corria o risco de ser um piloto que entregaria muito menos do que seu potencial. Ninguém duvidava do talento e velocidade de Hamilton, mas ainda bastante imaturo o inglês teve alguns problemas fora da pista que o atrapalharam dentro dela. Com a McLaren também não ajudando muito a deixar Hamilton à vontade, o inglês se mudou para a Mercedes no final de 2012 no que seria uma troca arriscada, mas também certeira. Com a entrada em cena dos motores híbridos, a Mercedes começou uma hegemonia poucas vezes vistas na história da F1, mas Hamilton teve que enfrentar seu antigo amigo Nico Rosberg para poder se sobressair e ter a casca necessária para derrotar a Ferrari e Sebastian Vettel. Com a maturidade, Hamilton passou a pilotar ainda melhor e com isso veio os recordes. Com seis títulos no bolso, Hamilton corre agora para se igualar a Michael Schumacher e supera-lo em número de vitórias. Com a motivação ainda em alta e a Mercedes se mostrando uma força nessa Era híbrida, Lewis Hamilton ainda pode reescrever vários recordes nos próximos anos.
2) Sebastian Vettel - 183 pts
Quando a década começou Vettel parecia destinado a confirmar a sua fama de 'Baby Schummy'. O alemão conquistou um vice-campeonato logo em sua segunda temporada completa na F1 e de forma surpreendente, derrotou seu companheiro de equipe Mark Webber e Fernando Alonso na última corrida de 2010 para se tornar o piloto mais jovem a se sagrar campeão da F1. Foi o início do domínio da Red Bull, com Vettel faturando mais três títulos seguidos, sendo que em 2012, derrotando um inspiradíssimo Fernando Alonso. Tudo levava a crer que Vettel quebraria os recordes do seu compatriota Schumacher, mas quando a Era híbrida começou, Vettel começou seu lento declínio e mostrar algumas brechas em sua armadura de grande piloto. Em 2014 ele recebeu o imberbe Daniel Ricciardo na Red Bull e ainda se adaptando com a nova tecnologia, Vettel acabou superado pelo australiano. Se inspirando em Schumacher, Vettel foi para a Ferrari para ser o antagonista da Mercedes de Lewis Hamilton, iniciando uma rivalidade esperada por todos. Contudo, a batalha pendeu sempre para um lado e Vettel acabou derrotado. Sob pressão e longe de sua zona de conforto, Vettel cometeu erros incompatíveis com um piloto de sua grandeza e nesse ano reviveu o drama da Red Bull, com a chegada do fogoso Charles Leclerc na Ferrari para supera-lo. Hoje Vettel tem suas glórias questionadas. Ele teria dominado a F1 no começo da década por causa da força da Red Bull? Como diria Alonso, quem venceu aqueles campeonatos foi Adryan Newey e não Sebastian Vettel? Essas perguntas Vettel terá que responder rapidamente nos próximos anos.
3) Nico Rosberg - 83 pts
Nico vinha fazendo boas temporadas na Williams quando foi contratado pela Mercedes em 2010, passando a usar o carro vencedor do ano anterior. O alemão tinha mostrado seu valor com um carro de equipe média e teoricamente teria um bom carro para brigar por vitórias. Teoricamente. A Mercedes ainda demoraria alguns anos antes de realmente pensar em vitórias, mas Nico Rosberg continuava se mostrando um piloto muito sólido, mesmo sem o talento do seu amigo Lewis Hamilton, com quem passou a compartilhar a equipe em 2013. Com o advento dos motores híbridos e a estruturação dentro da Mercedes, os alemães passaram a dominar a F1 e quando todos pensavam que Hamilton conquistaria facilmente o título, Nico Rosberg deu mais trabalho do que o imaginado, iniciando uma das grandes rivalidades da história da F1. Nico sabia que Lewis era mais rápido e passou a utilizar para si os pontos fracos do inglês, além de maximizar seus pontos fortes. Se antes eram amigos, Rosberg e Hamilton se tornaram amargos rivais. O alemão foi derrotado nos dois primeiros anos, mas em 2016 Nico usou todo o seu arsenal para derrotar Lewis Hamilton e... se aposentar dias depois, chocando a F1. Rosberg foi o único piloto a furar o domínio de Hamilton e Vettel na década e derrotou dois multi-campeões (Schumacher e Hamilton) com o mesmo carro. Apenas sua apatia fora das pistas é que não faz com que enxergamos todos os feitos de Nico Rosberg em sua carreira.
4) Fernando Alonso - 75 pts
Foram dois anos apenas esperando a ligação da Ferrari na cambaleante Renault, mas o futuro de Fernando Alonso parecia glorioso. No início da década o espanhol era considerado o piloto mais completo do grid e a entrada na Ferrari seria o começo de um domínio que os italianos experimentaram com Michael Schumacher poucos anos antes. Alonso começou vencendo sua primeira corrida com a Ferrari e parecia que confirmaria tudo que dele se esperava. Parecia. De gênio difícil, apesar de muito rápido, não demorou para Alonso entrar em atrito com a cúpula ferrarista e sua falta de liderança, vista em Schumacher, fez com que a Ferrari não conseguisse a união necessária para poder enfrentar a força da Red Bull de Vettel. Dentro das pistas Alonso mostrava todo a sua categoria com três vice-campeonatos, incluindo o de 2012, temporada que vários gênios da F1 assinariam. Alonso saiu da Ferrari de forma conturbada e entrou no projeto McLaren-Honda, mas o que parecia um sonho se torna um pesadelo com os japoneses entregando motores fracos tanto em termos de potência como de confiabilidade. Alonso não se furtava em colocar gasolina no fogaréu e criticava a Honda abertamente. GP2 engine? Pois Alonso fez com que a McLaren quebrasse o vantajoso contrato com a Honda e se tornou cliente da Renault, mas aí quem errou foi a McLaren, que construiu um carro ruim. Cansado de lutar por posições muito abaixo do seu potencial, Alonso saiu da F1 e se enveredou por outras categorias em busca da tríplice coroa. Para colocar sal na ferida, a Honda construiu um ótimo motor para a Red Bull e a McLaren cresceu com a saída de Alonso. O espanhol ainda sonha em retornar a F1, mas até o momento nenhuma equipe se interessou muito em trazer um piloto que faz muito dentro da pista, mas que tumultua fora delas.
5) Kimi Raikkonen - 72 pts
A F1 se assustou quando Kimi Raikkonen anunciou seu retorno a categoria em 2012. Três anos antes o finlandês saiu da Ferrari com a motivação em baixa e completamente de saco cheio da F1. Lembrando o que Schumacher (não) estava fazendo, todos temeram que Raikkonen voltasse abaixo do seu alto nível, mas o nórdico surpreendeu com uma ótima pilotagem com a Lotus, garantindo um terceiro lugar no campeonato e um contrato com a Ferrari em 2014. O retorno para a equipe italiana poderia significar uma volta de Kimi na luta pelo título, mas já veterano e com um título mundial, faltou a Raikkonen aquele algo a mais para derrotar seu amigo Vettel e a força da Mercedes. Raikkonen passou a fazer corridas burocráticas, mas ganhando importantes pontos para a Ferrari no Mundial de Construtores e se garantindo entre os seis primeiros no Mundial de Pilotos nos últimos anos. Somente isso garantiu Kimi por tanto tempo na Ferrari. Raikkonen ainda ganhou sua vigésima corrida, se tornando o finlandês com mais vitórias na F1 e com 40 anos de idade, ainda se mantém na F1 com a Alfa Romeo, além de garantir a diversão dos fãs com suas patadas via rádio.
6) Valtteri Bottas - 69 pts
O finlandês ganhou na loteria quando Nico Rosberg anunciou sua aposentadoria no final de 2016, deixando a Mercedes com pouquíssimas alternativas para 2017. Bottas era empresariado por Toto Wolff e fazia um bom papel na Williams, se tornando uma opção viável para a Mercedes, mas o tempo provou que Bottas esteve longe de fazer o mesmo papel de Nico Rosberg. Para completar a Williams entrou em parafuso logo depois. Quando o motor Mercedes tinha uma diferença brutal em comparação à Ferrari, Renault e Honda, a Williams se mostrou como a segunda força de 2014 e Bottas fez ótimas corridas e angariou alguns pódios. Na Mercedes o nórdico marca pontos importantes para a equipe, conseguiu algumas vitórias quando houve oportunidade, mas Valtteri Bottas dificilmente passará de um fiel segundo piloto de Lewis Hamilton na Mercedes.
7) Daniel Ricciardo - 54 pts
Se a lista fosse do piloto mais simpático da F1, Daniel Ricciardo ganharia com sobras. Com um sorriso cheio de dentes o australiano se tornou uma das pessoas mais populares do paddock, mas dentro da pista Ricciardo também mostrou seu valor, mesmo que tenha entrado na Red Bull num momento de transição. Cria do Programa de jovens pilotos da Red Bull, Ricciardo mostrou seu valor ao derrotar o tetracampeão Sebastian Vettel logo em sua primeira temporada com a Red Bull. Alçado a líder da equipe com a saída de Vettel, Ricciardo sofreu as agruras da briga entre Red Bull e Renault. Para piorar, a chegada de Max Verstappen na equipe com todo o seu talento era um sinal claro para Ricciardo: o holandês era o futuro da Red Bull. Sem tempo a perder Ricciardo foi para a Renault esse ano na esperança de que, numa equipe de fábrica, pudesse crescer juntos, mas o australiano subestimou o desafio e naufragou junto com a Renault. Resta saber se os franceses poderão melhorar e levar o rápido e simpático Daniel Ricciardo a retornar ao pelotão dianteiro da F1.
8) Mark Webber - 53 pts
Webber perdeu sua grande chance de ser campeão logo no começo da década, quando brigou com Fernando Alonso pelo título de 2010. Sebastian Vettel ainda não estava maduro o suficiente e se envolveu em alguns acidentes, enquanto Webber era um piloto mais sólido. Porém, Webber e Alonso acabaram atropelados por Vettel no final do ano e com o titulo, o alemão ganhou a confiança necessária para liderar a Red Bull nos próximos anos e vencer mais três títulos. Mark Webber perdeu o trem da história, mas se manteve um piloto competitivo na Red Bull, inclusive com alguns arranca-rabos com Vettel, como no toque na Turquia e o evento 'Multi21' na Malásia. Webber se aposentou ainda como um piloto de ponta e mostrou que é possível brigar pelo título mesmo não sendo um piloto extramente rápido e talentoso, mas consciente e trabalhador.
9) Max Verstappen - 45 pts
Em dez anos, quando faremos o top-10 dos pilotos da década de 2020, tenho bastante curiosidade da posição que estará Max Verstappen. Nas últimas décadas poucos pilotos impressionaram tanto quanto o holandês, filho de Jos Verstappen. Max bateu todos os recordes de precocidade da F1 quando estreou aos 17 anos e rapidamente conseguiu um lugar na Red Bull, estreando com vitória. Seu talento e velocidade nunca estiveram em dúvida, mas sua impetuosidade juvenil o fez se envolver em vários acidentes evitáveis, fazendo com que Max Verstappen fosse bastante criticado em várias ocasiões. Porém, em 2019 Max conseguiu o equilíbrio de sua velocidade com a solidez de um piloto que, mesmo muito jovem, já está na sua quinta temporada na F1. Verstappen venceu três corridas memoráveis em 2019 e ficou com o terceiro lugar no Mundial de Pilotos, superando os pilotos da Ferrari e se consolidando como uma estrela do futuro.
10) Jenson Button - 44 pts
Button iniciou a década com um inesperado título numa equipe que se sequer existia em janeiro. Aos 30 anos o inglês ia para a McLaren ser companheiro de equipe de Lewis Hamilton, que era exatamente o contrário de Button dentro e fora das pistas. Para muitos, o vice-campeonato de Button em 2011 foi o auge do inglês, inclusive um campeonato melhor do que o seu título em 2009. Dono de uma pilotagem clássica e muito gente fina fora das pistas, Jenson Button se manteve fiel a McLaren mesmo nos momentos mais difíceis e se aposentou em meados da década como um piloto que, mesmo sem ser um virtuose, foi uma estrela em duas décadas na F1.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
A glória de Brabham
Exatamente sessenta anos atrás, Jack Brabham conquistava seu primeiro título na F1 de uma das formas mais emocionantes da história. O australiano havia se aproveitado do enorme potencial do Cooper de motor traseiro e passou boa parte do campeonato em disputa com o Cooper/Rob Walker de Stirling Moss e a Ferrari de Tony Brooks. Ao chegar à última corrida do ano, Brabham precisava de uma vitória ou apenas ficar à frente de Moss para garantir o título, enquanto a situação de Brooks era mais delicada, mas o inglês ainda estava no páreo, o que fazia daquela decisão de campeonato especial, pois pela primeira vez na curta história da F1, três pilotos tinham chances de ser campeão.
A corrida também seria especial por ser o primeiro Grande Prêmio dos Estados Unidos fora de Indianápolis. A pista escolhida foi Sebring, conhecida por muito por causa da famosa corrida de Endurance, mas essa seria a única visita da F1 à Sebring, pois a corrida seria um fracasso de público. Também precisando unicamente de uma vitória para ser campeão, Moss ficou com a pole, seguido por Brabham e Harry Schell, com Brooks em quarto. Descobriu-se depois que Schell tinha achado um 'atalho' dentro da pista de Sebring e diminuído bastante seu tempo na classificação. Eram, definitivamente, outros tempos.
No dia 12 de dezembro de 1959 a largada foi dada com Moss disparando na frente, mas o inglês teve que abandonar ainda na quinta volta com o câmbio quebrado. Como Brooks tinha sido atingido na traseira pelo companheiro de equipe Von Trips na primeira volta e ter ficado dois minutos parado nos boxes, o título estava indo tranquilamente indo para Brabham, que liderava a corrida seguido por dois Coopers, um do seu jovem companheiro de equipe Bruce McLaren e Maurice Trintignant, esse piloto da equipe de Rob Walker. Brabham esperava uma corrida sprint e por isso, não encheu seu tanque de combustível e isso quase seria determinante. Faltando duas voltas o Cooper de Jack engasgou na reta principal e na última volta ele ficou sem combustível. McLaren, que vinha colado em Brabham, tirou seu carro no susto e recebeu a bandeirada com apenas seis décimos de vantagem sobre Trintignant. Bruce se tornava o primeiro neozelandês a vencer uma corrida e por muitos anos, foi considerado o mais jovem vencedor da F1, sem contar Troy Ruttman nas 500 Milhas de 1952. Brooks tinha feito uma corrida de recuperação espetacular e cruzou a linha de chegada em terceiro.
Para conseguir os pontos necessários para ser campeão, Brabham precisava receber a bandeirada com meios próprios. O australiano saiu do seu carro e começou a empurra-lo, numa cena comovente. Quando conseguiu o feito, Jack desmaiou de exaustão e se tornava o primeiro australiano da ser campeão da F1.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
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