sábado, 31 de outubro de 2020

Jogo rápido

 


A volta de Ímola à F1 também serviu para experimentar algo que há muitos anos é solicitado por algumas equipes: um final de semana de Grande Prêmio com apenas dois dias. Algumas vezes isso aconteceu, mas de forma aleatória, normalmente quando o clima não deixou. Com algumas restrições devido ao barulho na regiao, a F1 experimentou ter apenas dois dias numa pista nova para todo mundo, até mesmo as experientes. Desde 2006 fora do calendário da F1 e com o traçado modificado, Ímola foi novidade para todo mundo, porém, o pelotão não mudou muito, com a Mercedes dominando a primeira fila com Max Verstappen logo atrás.

Com apenas 90 minutos de treinos livres e muita correria, era esperado que houvesse alguma surpresa. Contudo, como normalmente acontece, esquecem de avisar isso aos 'russos'. Com a enorme diferença de orçamento entre as equipes, os times mais ricos tem mais recursos nos simuladores e o que se viu foi a Mercedes novamente dominar o sábado, com Max Verstappen logo atrás, mesmo o neerlandês tendo levado um susto quando uma vela do seu motor Honda deu defeito no Q2. Resumidamente, nada de estranho aconteceu, mas deu para pinçar alguns destaques. Fazendo uma bela homenagem à Ayrton Senna, Pierre Gasly ficou em quarto lugar, colocando ainda mais pressão sobre Albon, que teve sua volta deletada várias vezes por infringir os limites da pista. Na mesma curva... George Russell, com o contrato garantido com a Williams em 2021, não apenas foi ao Q2 como ficou perto de ir ao Q3, um verdadeiro feito pelo carro que tem.

Para quem lembra dos antigos GP de San Marino, Ímola não era um circuito que propiciasse corridas emocionantes e cheias de ultrapassagem. As curvas rápidas e a pista estreita era sinônimo de corridas sonolentas muitas vezes, mas também brigas históricas, como os inesquecíveis pegas entre Michael Schumacher e Fernando Alonso no biênio 2005/06. A largada deverá ser essencial amanhã e Bottas largará na ponta. Se ele será capaz de segurar o rojão de Hamilton, isso veremos amanhã. 

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

A vez de Gil

 


A Indy ainda vivia um grande momento no final dos anos 1990, mesmo já tendo ocorrido a famigerada cisão com a IRL em 1996, a CART ainda era um campeonato de alto nível. Gil de Ferran fora um dos pilotos que migraram para os Estados Unidos atrás de sucesso após a F1 ter lhe negado uma chance. O brasileiro foi o novato do ano em 1995 com a equipe Hall e o mítico leiaute da Pennzoil. Em 1997 ele se mudou para a equipe Walker e conseguiu o vice-campeonato atrás de Zanardi, mesmo sem conquistar uma única vitória sequer. As duas temporadas seguintes viram Gil sendo coadjuvante no domínio dos pilotos da Ganassi, mas era nítido que De Ferran tinha condições de brigar pelo título, se tivesse o equipamento correto.

Ao mesmo tempo a Penske sofria uma rara entressafra. Ainda produzindo seu próprio chassi, a Penske sofria com o crescimento da Reynard e para piorar o motor Honda era disparado o melhor da Indy, enquanto o time de Roger corria com Mercedes por causa de relações comerciais do Capitão com a montadora germânica. Por fim, os pneus Firestone eram bem superiores ao Goodyear, enquanto a Ganassi usava os Firestone, a Penske sofria com os Goodyear. A falta de competitividade da Penske fez com que a equipe tomasse um decisão drástica no final de 1999. O time não apenas abandonaria o próprio chassi, como usaria o mesmo equipamento da Ganassi, com motores Honda e pneus Firestone. Al Unser Jr tinha quebrado a perna na primeira corrida de 1999 e quando retornou, estava longe dos bons tempos, sendo logo colocado como carta fora do baralho. A Penske testou vários jovens pilotos enquanto tentava se achar, mas não tinha se impressionado com nenhum. Tendo muita ambição para 2000, Roger Penske foi ao mercado. Gil de Ferran era um dos grandes pilotos à disposição e fora um escolha natural para liderar o ressurgimento da Penske. O jovem piloto também foi escolhido a dedo, para ser o futuro da Penske: Greg Moore. Infelizmente o promissor canadense faleceu na derradeira corrida de 1999 em Fontana e sem muitas opções no mercado, Penske contratou Helio Castroneves, que tinha mostrado algum talento em equipes menores.

A aposta da Penske não demoraria a se pagar, com Gil de Ferran liderando a equipe na briga pelo título, algo que não acontecida faziam longas cinco temporadas. A esperada centésima vitória da Penske veio com Gil em Nazareth e com mais uma vitória em Portland, De Ferran era favorito ao título usando a consistência. Porém, não faltavam concorrentes. Mudando de Honda para Toyota, a Ganassi não dominou como nos últimos anos, mas Montoya ainda fazia ótimas corridas nos ovais. A equipe Patrick estava particularmente muito forte, com Adrian Fernández e Roberto Moreno, que venceu uma corrida em Cleveland e estava na liderança do campeonato naquele momento. Usando o mesmo equipamento da Penske, o time Green tinha o sempre atrapalhado Paul Tracy mais consciente e na luta pelo título. E por último, o novato Kenny Brack da Rahal mostrava muita força. Foram vários pilotos diferentes vencendo e com os brasileiros nas equipes mais fortes da Indy, não faltaram pódios inteiramente verde-amarelo.

Com um terceiro lugar em Houston, antepenúltima etapa do ano, Gil de Ferran poderia conquistar o título na prova seguinte em Surfers Paradise, porém, Gil cometeu um erro incomum e bateu em Montoya ainda na largada, acabando completamente com suas chances de vencer na Austrália. Para piorar, Fernández venceu e se aproximava decisivamente do piloto da Penske, trazendo consigo Kenny Brack. A última etapa seria as 500 Milhas de Fontana, onde Gil teria o apoio de Jackie Stewart e David Coulthard em busca do seu primeiro título desde a F3 Inglesa em 1992. A Honda havia levado um motor especial para o circuito californiano e com ele, Gil de Ferran conseguiu a volta mais rápida da história da Indy, com uma média de 388,6 km/h. Mais importante do que o recorde, era o ponto conseguido pela pole. Para melhorar, Adrian Fernández não estava com seu carro acertado, porém, o primeiro título não viria logo. A largada foi dada no domingo, mas uma chuva fez com que a corrida fosse adiada para segunda, não sem antes Paul Tracy bater e ser menos um piloto para Gil se preocupar.

Na época o SBT estava de saída da transmissão da Indy e transmitia apenas VT's às 23h de domingo. Mesmo com toda a importância da prova, a emissora de Silvio Santos não passou a corrida ao vivo na segunda, dia 30 de outubro de 2000, e muitos (como eu) tiveram que acompanhar a prova pela Internet. Castroneves e Gil lideraram boa parte da corrida e chegaram a tentar colocar um volta em um problemático Fernández, mas a corrida foi muito acidentada a ponto de apenas sete dos 26 pilotos que largaram viram a bandeirada. Correndo com cautela e apenas marcando Adrian Fernández, Gil de Ferran levou seu Penske até o terceiro lugar, formando uma trinca verde-amarela com Christian Fittipaldi em primeiro e Roberto Moreno, terceiro no campeonato com o resultado, em segundo. 

Gil de Ferran chegou aos pits aos prantos. Com 32 anos de idade o brasileiro nascido em Paris conquistava o primeiro título internacional de ponta para o Brasil desde o triunfo de Senna em 1991 e colocava seu nome como um dos gigantes do automobilismo brasileiro.

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Figura(POR): Lewis Hamilton

 A corrida de Portimão foi a mostra do quão maduro está o piloto Lewis Hamilton. Não se sentindo à vontade no novo e belo circuito de Portimão, Hamilton parecia que seria derrotado por Bottas na classificação, mas na hora agá o inglês usou seu talento para conseguir sua 97º pole na carreira. Na corrida as coisas não foram tão fáceis. Na largada a pista escorregadia ainda estava levemente molhada, fazendo com que os pneus estivessem congelados quando as cinco luzes vermelhas se apagaram. Hamilton errou uma freada e chegou a cair para quarto. Sabedor do seu potencial, Hamilton não se desesperou e ultrapassou facilmente a dupla da McLaren até se aproximar de Valtteri Bottas. Sem pestanejar e com a ajuda do DRS, Hamilton atropelou Bottas como se o finlandês usasse outro carro e Lewis enfiou 20s goela abaixo de Valtteri. A vitória de número 92 veio em grande estilo!

Figurão(POR): Lance Stroll

 Dificilmente o jovem canadense da Force India não sai dessa parte da coluna, tanto que ele já virou até mesmo habitué, porém, sua performance na corrida em Portimão nos faz pensar até quando Lawrence Stroll vai bancar seu filho na F1. Já estando em sua quarta temporada na F1, é nítido como as águas de Maragogi que Lance só está na F1 por ser filho de quem é, pois até o momento o canadense nada fez para se manter na categoria por suas próprias pernas. Nesse final de semana Stroll tomou o meio segundo habitual de Sergio Pérez na classificação lembrando que, não devemos esquecer, o mexicano está de saída da equipe e não recebe as atualizações do time antes de Lance. Na corrida o canadense cometeu o velho erro de não respeitar a lei da física onde dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Bem mais rápido do que Lando Norris, Stroll tentou uma manobra estranhíssima ao colocar seu carro por fora já na zebra (ou seja, sem o mínimo espaço) e tentar a fazer a curva um normalmente, como se não tivesse nenhum carro ali. O toque foi inevitável e Stroll rodou, foi corretamente punido, foi punido outra vez por causa de limites da pista até abandonar quando estava em último. Não deixa de ser triste para a F1 ver um piloto tão fraco como Lance Stroll ter um bom equipamento em mãos por causa unicamente pelo tamanho da carteira do seu pai.

domingo, 25 de outubro de 2020

Na história!

 


A tarefa de Scott Dixon não era das mais complicadas nesse domingo, mas como carreras son carreras o título poderia se esvair pelos dedos do neozelandês, principalmente por causa da recente forma de Dixon, com alguns erros incaracterísticos dele. Contudo, não se deve nunca subestimar um piloto com tanta tarimba e talento como Scott Dixon. Mesmo não tenho o melhor dos resultados em St Petersburg, Dixon fez mais do que o suficiente para conquistar o sexto título da Indy e se colocar entre os grandes do automobilismo.

O único rival de Dixon na luta pelo título era Josef Newgarden, que precisava de uma vitória de qualquer maneira. Largando em oitavo (três posições à frente de Dixon), Newgarden fez uma corrida agressiva, mas se aproveitou dos erros dos adversários para fazer sua parte e vencer em St Pete, com destaque para a ultrapassagem dupla que lhe valeu a primeira posição numa relargada, na apertada curva um. Porém, Dixon também fez sua parte. Ele teve nervos para marcar Newgarden à uma distância segura, nunca ficando abaixo do nono lugar quando Newgarden assumiu a ponta e o piloto da Chip Ganassi chegou num suficiente terceiro lugar para lograr o título.

A corrida parecia que ia para o bolso da equipe Andretti, com três dos seus pilotos liderando boa parte da corrida. Contudo, um a um, Alexander Rossi, Colton Herta e James Hinchcliffe foram errando e entregando a rapadura para Newgarden, para desespero de Michael Andretti, que ainda viu seu filho abandonar e teve que se conformar com um pálido sexto lugar de Ryan Hunter-Reay num final de semana que era todo de sua equipe. Pato O'Ward se meteu entre os líderes do campeonato, mas o mexicano é claramente o futuro da Indy. Terceiro lugar no campeonato, correndo por uma equipe forte como a McLaren, o jovem O'Ward tem tudo para se meter ainda mais na briga de Dixon, Newgarden e companhia limitada.

Numa temporada complicada por todos os motivos que conhecemos, a Indy coroou novamente Scott Dixon, que aos 40 anos se mostra cada dia mais em forma e pronto para bater outros recordes. Correndo sempre com a Ganassi, onde conquistou seus seis títulos, Scott Dixon foi sempre capaz de levar a equipe nos últimos anos nas costas para angariar seus resultados. Dixon oscilou nas últimas provas, deixou a decisão ir para a prova derradeira, mas o piloto da Ganassi respirou fundo para conseguir o sexto título e ficar apenas um título atrás da lenda A.J. Foyt. Porém, já podemos colocar Dixon entre as lendas da Indy.  

Número 92


E a história foi feita! Sim, há muitos pormenores a serem ditos sobre todo o contexto da F1 atual, mas não se pode negar aos fatos. Lewis Hamilton se tornou hoje o piloto com o maior número de vitórias da história da F1, ultrapassando a antiga marca, que já parecia imbatível, de Michael Schumacher. O incrível número de vitórias levam à alguns fatos assustadores. Hamilton tem o mesmo número de vitórias de Prost e Senna somados, os pilotos-lendas que estão em quarto e quinto nessa lista histórica. Claro que o enorme domínio da Mercedes na era híbrida é um grande fator desequilibrante, além de outros detalhes, mas o que Hamilton conseguiu nesse domingo o coloca entre os gigantes do esporte.


A corrida de hoje teve como expectativa a chuva que poderia aparecer a qualquer hora. De certa forma ela até apareceu, mas de forma muito leve, porém o bastante para bagunçar a primeira volta em Portimão. O clima frio, o asfalto escorregadio, a pista levemente molhada e os pneus que não aqueciam corretamente causou um verdadeiro pandemônio na primeira volta, com praticamente todos os pilotos mudando de posição. Carlos Sainz pulou da sétima posição para primeiro, enquanto Norris era terceiro, mas tudo não passou de um rápido sonho de verão para a McLaren, com a Mercedes rapidamente colocando a casa em ordem, com Bottas em primeiro. Hamilton vinha perto do finlandês, talvez economizando pneus ou estudando as condições da pista. Quando se sentiu seguro, foi a vez de Hamilton colocar a casa em ordem com uma ultrapassagem arrebatadora sobre o companheiro de equipe e depois enfiando 20s goela abaixo de Bottas, que nada pode fazer do que se contentar com o segundo lugar e completar outra dobradinha da Mercedes. A diferença entre Hamilton e Bottas ficou latente hoje. Por mais que Valtteri seja forte nas classificações, Hamilton mostra as suas cartas no domingo e Bottas nada pode fazer. E talvez poucos poderiam. Hamilton já está na categoria de lenda viva da F1.


Max Verstappen fez o papel que lhe cabe atualmente, que é levar sua Red Bull ao terceiro lugar, mas o neerlandês teve um toque forte com Sergio Pérez na confusa primeira volta e mesmo investigado, Max nada sofreu e apenas levou seu carro ao final para receber a bandeirada. No entanto a Red Bull em outros problemas para resolver. O desempenho de Alex Albon só piora e hoje ele tomou uma volta do companheiro de equipe e sequer pontuou. Apesar da referência ser ingrata, Albon está mostrando muito menos do que se espera dele e a pressão só aumenta sobre o tailandês. Albon já corre sério risco de ser a próxima vítima da máquina de triturar pilotos comandada por Helmut Marko. Enquanto isso, Pierre Gasly fez outra boa corrida, mostrando ao mesmo Marko que nem todos os jovens pilotos tem a mesma velocidade de desenvolvimento. Após um ano horroroso com a Red Bull ano passado, Gasly foi rebaixado para a hoje Alpha Tauri e seu trabalho desabrochou. Contudo, a falta de paciência de Marko não ajuda e talvez a Red Bull olhe para fora do seu programa para trazer um piloto que pelo menos pontue no Mundial de Construtores, algo que Albon não vem conseguindo. Pérez foi um dos destaques da corrida ao cair para último depois do toque com Verstappen e ocupar um quinto lugar, mas o mexicano perdeu duas posições nas voltas finais. Pérez é um dos candidatos ao lugar de Albon. Já Stroll... Não deixa de ser triste ver um piloto tão fraco ter um bom equipamento nas mãos e cometer erros tão elementares, como não respeitar a lei da física em que dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo. A tentativa de ultrapassagem sobre Norris foi de um otimismo atroz e o toque entre os dois jovens pilotos foi inevitável, fazendo Stroll rodar, ser punido corretamente e abandonar quando estava em último, fazendo a equipe do seu papai perder mais pontos preciosos no Mundial de Construtores.


A Ferrari parece ter hoje duas equipes em uma. De uma parte, Charles Leclerc faz ótimas classificações, coloca seu carro limitado em posições acima do seu potencial e marca pontos importante com um sólido quarto lugar. Do outro lado, Vettel fez outra corrida medíocre, onde sofreu para pontuar. Muito pouco para um tetracampeão que é terceiro na lista de vencedores da F1. A Renault errou a dose de pressão aerodinâmica e seus carros eram muito lentos na longa reta dos boxes, mas Ocon ainda conseguiu ficar à frente de Ricciardo, algo não muito usual em 2020. Kimi Raikkonen conseguiu uma primeira volta estupenda, quando pulou incríveis dez posições! Logicamente as limitações da Alfa Romeo fizeram Kimi perder as posições, mas  Raikkonen mostrou que ainda é capaz de nos deslumbrar com sua magia.


O ótimo circuito de Portimão nos propiciou uma corrida movimentada e talvez em sua única edição na F1, um momento histórico. Lewis Carl Davidson Hamilton conseguiu outro recorde e vai reescrevendo a história da F1.  

Tudo embolado. De novo

 


Já fizeram a pergunta de como seria se a Mercedes não estivesse na F1. Seria mais equilibrado? Bom, de certa forma, a MotoGP em 2020 está mostrando isso. Sem a presença desequilibrante de Marc Márquez nessa temporada por causa de sua grave lesão no braço, a MotoGP está se mostrando incrivelmente equilibrada e surpreendente, onde não se pode afirmar quem será o próximo vencedor. Repetir vitórias? Apenas os pilotos da Petronas Yamaha, com Franco Morbidelli conseguindo seu segundo triunfo do ano e da carreira em Aragão nesse domingo. A atípica temporada 2020 está tão imprevisível, que não há lógica de uma corrida para outra.

Enquanto Morbidelli venceu dominando a corrida de ponta a ponta, seu companheiro de equipe Fabio Quartararo foi apenas oitavo, em outra exibição opaca do francês. A melhor Ducati foi o quinto colocado Zarco, com um modelo de 2018. A Yamaha que vem vencendo não é da equipe de fábrica, mas sim da equipe satélite. A única moto regular desse ano é a Suzuki, que vai colocando seus dois pilotos em ótimas posições a ponto de Joan Mir ser líder do campeonato sem ter uma única vitória. O equilíbrio marcante desse ano, porém, não garante muita coisa para Mir ou qualquer um que esteja na luta pelo título, pois a diferença entre os primeiros colocados é bastante pequena e tudo pode mudar nas próximas corridas. Hoje foi a vez de Morbidelli vencer. O italiano se aproveitou da precoce queda do poleman Nakagami para dominar a corrida de ponta a ponta, onde Franco só não liderou as primeiras curvas. Mesmo tendo a Suzuki de Rins o tempo todo em seu cangote, Morbidelli não se acabrunhou e mesmo todos esperando o ataque da Suzuki nas voltas finais, já que a moto de Hamamatsu funciona muito bem com o tanque vazio, Morbidelli aumentou a diferença para Rins nos giros derradeiros para receber a bandeirada de forma tranquila e entrar de vez na briga pelo título.

Quartararo, tão badalado no começo do ano e com vaga certa na equipe oficial da Yamaha em 2021, fez outra corrida esquecível, que se não foi tão ruim quanto da semana passada, também esteve longe de ser uma corrida de campeão. O francês parece ainda não ter o estofo para aguentar a pressão, algo que já está muito claro com Maverick Viñales, que basta ser ultrapassado uma vez para ter seu psicológico destruído. Outrora favorito ao título, Andrea Doviziozo vai sofrendo com sua Ducati que simplesmente não anda e hoje só foi melhor do que o fraquíssimo Tito Rabat com a mesma marca. Muito pouco para quem quer lutar pelo título. A Honda dá sinais de sobrevida. Ontem Nakagami foi pole, mas estragou tudo nas primeiras curvas. Alex Márquez, em rápido crescimento, era um dos mais rápidos quando caiu. 

Joan Mir vai enchendo o papo na medida em que vai conseguindo pódios. O espanhol da Suzuki não teve uma boa classificação, mas subiu rapidamente para o pelotão da frente, porém o terceiro lugar foi o limite para Mir, contudo, como ele chegou à frente de Quartararo e Viñales, ainda sendo capaz de aumentar sua vantagem no campeonato, mas a vitória de Morbidelli e o segundo lugar de Rins, somado a vitória do espanhol semana passada, deixou os sete primeiros embolados na briga pelo títulos. Faltam poucas corridas para o fim, mas o clichê é claro: tudo pode acontecer!