domingo, 25 de abril de 2021

De pai para filho


Quando Bryan Herta deixou as pistas em meados dos anos 2000, ele passou a acompanhar seu filho Colton, que se iniciava nas corridas, além de trabalhar na equipe Andretti, onde usando sua experiência acabou como estrategista da equipe. Já Colton despontava como um piloto extremamente promissor e após rápida passagem pela Europa, entrou na mesma equipe Andretti do seu pai como o futuro da equipe. Bryan passou a ser o principal estrategista da equipe Andretti, enquanto Colton aos poucos tomava as rédeas do time, mesmo contanto com apenas 21 anos de idade, fazendo com que Michael juntasse a dupla pai-filho nesse ano. Se na corrida passada Colton percorreu poucos metros antes de se envolver na carambola provocada por Newgarden, em St Petersburg Colton Herta fez uma corrida impecável, saindo até mesmo das tradições de competitividade da Indy e dominou a prova na Flórida, tendo seu pai como estrategista e o auxiliando em alguns momentos complicados.

Se Newgarden tirou Colton da corrida semana passada em Barber, hoje o americano da Penske foi a única ameaça à Herta. Largando na pole, Colton Herta liderou 97 das 100 voltas da corrida, mas Newgarden ameaçou algumas vezes na relargada, contudo o jovem piloto da Andretti não se intimidou com o bicampeão e venceu a primeira corrida em que teve seu pai como estrategista. Após a presepada no Alabama, Newgarden se recuperou em St Pete e tentará uma recuperação no campeonato. O vencedor da semana Alex Palou fez uma prova apagadissíma, mas ainda se manteve na ponta do certame, tendo colado nele os veteranos Scott Dixon e Will Power, com destaque para o piloto da Penske, que rodou na classificação de ontem, largou apenas em vigésimo e galgou posições até o top-10. Falando em rodadas, a aventura de Jimmie Johnson na Indy já começa a dar indícios de um vexame, com o heptacampeão da Nascar ocupando sempre as últimas posições e hoje chamando duas bandeiras amarelas ao sair da pista sozinho.

Ao mesmo tempo em que os veteranos começam a passar o bastão, a Indy vê sua jovem guarda começar a dar as caras. Palou e Herta tem ambos menos de 25 anos e deverão ser o futuro da categoria. Enquanto Palou ainda tenta ganhar mais experiência na Indy, Colton Herta terá seu pai como grande aliado para se meter entre as bandeiras da Indy como Dixon e Power, lutando com eles e Newgarden pelo título desse ano. 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

História: 15 anos do Grande Prêmio de San Marino de 2006

 


As primeiras três corridas de 2006 viram a equipe Renault conquistar três vitórias, sendo que apenas a vitória no Bahrein foi lutada com afinco. Os franceses pareciam imbatíveis naquele início de temporada de quinze anos atrás, com Fernando Alonso já se tornando o favorito ao título, porém, como demonstrando claramente no ano anterior com a belíssima defesa de Alonso, a posição de pista em Ímola seria essencial.

Correndo na casa da Ferrari e com motor novo, Michael Schumacher fez de tudo para conseguir a pole e garantir que seria ele quem estaria com uma melhor posição de pista daquela vez. O alemão conseguiu o seu objetivo, mas aquele sábado foi ainda mais especial. Schumacher conquistou a 65º pole da corrida, se igualando à Ayrton Senna como o maior poleman da história da F1 até então. Para completar, Alonso não fora tão bem e conseguira apenas o quinto tempo, com Jenson Button mostrando a força da Honda ao completar a primeira fila, com Barrichello logo atrás e Massa completando uma segunda fila toda brasileira.

Grid:

1) M.Schumacher (Ferrari) - 1:22.795

2) Button (Honda) - 1:22.988

3) Barrichello (Honda) - 1:23.242

4) Massa (Ferrari) - 1:23.702

5) Alonso (Renault) - 1:23.709

6) R.Schumacher (Toyota) - 1:23.772

7) Montoya (McLaren) - 1:24.021

8) Raikkonen (McLaren) - 1:24.158

9) Trulli (Toyota) - 1:24.172

10) Webber (Williams) - 1:24.795


O dia 23 de abril de 2006 amanheceu com um belo azul no céu de Ímola, um clima tipicamente primaveril na Itália e com as temperaturas baixas que fazia naquele dia, muitos pilotos se preocupavam com a baixa temperatura dos pneus, algo que sofreram bastante na prova anterior em Melbourne. Na largada tudo aconteceu de forma tranquila, mas Alonso mostrava seus armas e ultrapassou Barrichello para ser quarto. Na Variante Villeneuve, Yuji Ide atingiu em cheio a Midland de Christijan Albers, fazendo-o capotar várias vezes. Apesar do susto, o holandês estava ileso, mas Ide não sairia do incidente sem problemas. O japonês da Super Aguri trocou a asa dianteira e abandonou na volta 23 no que seria sua última corrida de F1. Ide demonstrava não ter a mínima condição de estar na F1 e após a prova alguns pilotos chegaram a reclamar abertamente que o japonês poderia ser um perigo para os demais companheiros de pista. A FIA acabou cassando a Superlicensa de Ide, provavelmente no último caso de um piloto sair da F1 por motivos claramente técnicos.


O Safety-Car ficou duas voltas na pista antes da corrida reiniciar-se com os pilotos mantendo seus posições no pelotão da frente. Até 2006 havia a horrorosa regra do piloto treinar com a gasolina que largaria e por isso, muitas vezes as posições nas primeiras voltas não eram verdadeiras. Os pilotos da Honda pararam ainda na volta 15, demonstrando que suas posições no grid se devia bastante a leveza dos seus carros. Schumacher parou na volta 20 e Alonso assumiu a ponta, indicando que o espanhol tinha uma tática inversa aos pilotos da Honda. O espanhol parou cinco voltas depois e quando retornou à pista já pulara para segundo. A segunda parada de Button foi bem complicada, com a mangueira de reabastecimento se recusando a sair do carro do inglês, derrubando Jenson para oitavo. Alonso era o piloto mais rápido da pista e se aproximava rapidamente da Ferrari de Schumacher. Quando percebeu que ultrapassar seria complicadíssimo, Fernando antecipou sua parada na volta 41, mas a Ferrari imediatamente reagiu ao movimento da Renault e trouxe Michael aos boxes na volta seguinte, permitindo que o alemão continuasse em primeiro.


Se em 2005 Alonso ganhou o respeito total e absoluto de toda a F1 quando segurou um Michael Schumacher sedento por uma ultrapassagem em Ímola, exatamente um ano depois e na mesma pista a situação inversa se repetia. Desta vez era Alonso quem era o caçador e faria de tudo para abater a 'caça' Michael Schumacher. As últimas quinze voltas foram de tirar o fôlego, mas Schumacher não deu chances à Alonso e conseguiu sua primeira vitória em 2006. Mesmo terminando em segundo com o carro mais rápido da pista, Alonso ainda era o destacado líder do campeonato. Na luta pelo lugar mais baixo do pódio, Montoya superou Massa na última parada e o colombiano conseguia seu primeiro pódio no ano, com Massa e Raikkonen em seus calcanhares. Como havia acontecido em 2005, Ímola viu uma corrida empolgante entre dois titãs da F1, porém, o circuito italiano parecia fora dos padrões da F1 e ficaria catorze anos fora da F1.

Chegada:

1) M.Schumacher

2) Alonso

3) Montoya

4) Massa

5) Raikkonen

6) Webber

7) Button

8) Fisichella

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Figura(EMI): Lando Norris

 Todos lamentaram quando a estúpida regra do 'track limits' deletou o tempo de Lando Norris no sábado. O jovem inglês da McLaren tinha feito um tempo que o colocava no mesmo décimo de Hamilton e poderia colocar Norris facilmente nas duas primeiras filas numa classificação limpa. Mesmo largando em sétimo por causa da punição, Norris não baixou a cabeça e fez uma senhora corrida no domingo, avançando pelo pelotão até a bandeira vermelha o deixar em terceiro. Na relargada atacou Leclerc para ser segundo e quanto Lewis Hamilton encheu os retrovisores de Lando, o piloto da McLaren não cedeu a posição sem luta, dando trabalho à Hamilton. O terceiro lugar garantiu não apenas o segundo pódio na carreira de Lando Norris na F1, mas deixou o inglês na terceira posição no campeonato e a certeza que a McLaren acertou em cheio ao trocar o motor Renault pela Mercedes, além de Norris poder se sobressair na McLaren, que investiu pesado na contratação de Daniel Ricciardo, mas o australiano não foi páreo para Norris, que vai se tornando num dos grandes destaques da F1 em 2021.

Figurão(EMI): Valtteri Bottas

 Antes do polêmico acidente em que se envolveu, Valtteri Bottas vinha em nono lugar e tinha acabado de colocar os pneus slicks. Porém, o piloto da Mercedes não tinha sido dos primeiros a parar. Ao contrário. Antes da parada ele vinha em oitavo, sendo acossado pela Williams de George Russell. Com os pneus frios quanto gelo, Bottas se viu atacado definitivamente por Russell na entrada da Variante Tamburello. Não devemos nos esquecer que a Williams até bem pouco tempo era o fecha-grid da F1 e pouca coisa mudou de lá para cá, da mesma forma que a Mercedes também não caiu vertiginosamente, como demonstrado por Lewis Hamilton lá na frente. Foi nesse contexto em que Bottas se envolveu num forte acidente com Russell e acabou outra corrida horrorosa do nórdico pela equipe heptacampeã da F1. Já na classificação o final de semana de Bottas não se mostrava dos melhores, quando perdeu muito rendimento no Q3 e teve que largar em oitavo, quase meio segundo de desvantagem para o seu companheiro de equipe. Com pista molhada, Bottas pouco evoluiu até se envolver no acidente com Russell, que saiu esbravejando contra Valtteri, mas como a própria direção de prova concordou, foi um incidente 50/50. Por essas ironias, Bottas bateu em George Russell, seu provável sucessor na Mercedes, pois com atuações medonhas como essa, será difícil para Toto Wolff achar argumentos para manter Bottas mais uma temporada na Mercedes.

domingo, 18 de abril de 2021

Estreia perfeita


 Havia uma espécie de maldição do carro número 10 da Ganassi, onde vários pilotos por lá passaram e pouco sucesso fizeram, principalmente em comparação ao carro 9, que sempre foi guiado pela lenda Scott Dixon. Tentando acabar com esse problema mais uma vez, Chip Ganassi contratou o jovem Alex Palou, que se destacou em sua temporada de novato na pequena Dale Coyne ano passado. Seria mais tentativa do velho Chip, mas pelo o que demonstrou em sua estreia, Palou pode ter sido a escolha certeira, com uma corrida madura e sólida rumo a vitória logo em sua primeira corrida numa equipe grande.

A corrida de abertura da Indy no Alabama foi marcada por um grande acidente ainda na primeira volta, envolvendo vários protagonistas. Josef Newgarden colocou duas rodas na grama e rodou no meio da pista. O detalhe foi que o piloto da Penske vinha em sétimo e todo pelotão ainda estava por vir. Muitos pilotos não tiveram para onde ir e acertaram o carro de Newgarden num incidente potencialmente perigoso, mas sem ninguém ferido, felizmente. Além de Newgarden, Colton Herta, Ryan Hunter-Reay e Felix Rosenqvist tiveram que abandonar num chamado Big One.

O pole Pato O'Ward liderou boa parte da prova, mas ainda falta à McLaren a experiência que sobra para a sua irmã na F1. O circuito de Barber nunca foi fácil de ultrapassar e a estratégia sempre foi essencial para obter vantagem. Sem poder ultrapassar na pista, as equipes se movimentaram nos pits, trazendo seus pilotos aos boxes no momento exato para ganhar terreno. E foi aí que a Ganassi se sobressaiu e deixou Palou em ótima posição, mas longe de tranquila, pois atrás do espanhol vinha dois pilotos experientes e acostumados com essa situação. Will Power e Scott Dixon foram para cima de Palou, mas o espanhol de 24 anos não se perturbou com a chegada das raposas felpudas para ganhar em sua estreia, fazer a alegria de Ganassi e se tornar o primeiro espanhol a vencer na Indy em dezesseis anos.

Palou pode ser a resposta que Ganassi sempre quis para o futuro de sua equipe, principalmente quando Dixon se aposentar. Falando nisso, o quarto piloto da Ganassi, Jimmie Johnson, fez uma estreia bem ruim, ficando sempre entre os últimos e tomando três voltas. Nada condizente a uma lenda da Nascar. Enquanto futuro e passado se fundem na Ganassi, a Indy vê com interesse o surgimento de mais um jovem piloto promissor surgir.

Caos na Emilia Romagna




 A chuva que caiu poucos minutos antes da largada em Ímola transformou o que prometia um duelo intenso pela ponta entre Max Verstappen e Lewis Hamilton numa corrida cheia de alternativas e de onde aconteceu praticamente tudo. O esperado duelo aconteceu apenas na primeira curva, quando Verstappen se impôs sobre Hamilton na primeira curva após uma super largada do neerlandês. Um segundo round se anunciava após a rodada de paradas, onde todos os pilotos colocaram pneus slicks, mas Hamilton se precipitou quando se aproximava de Max e ao ultrapassar um retardatário, acabou fora da pista e da briga pela vitória, que acabou de forma tranquila nas mãos de Verstappen. Hamilton ainda salvou um pódio e com a melhor volta da corrida, ainda lidera o campeonato com o referido ponto, enquanto Lando Norris se recuperou de sua punição de ontem em um belíssimo pódio.


O Grande Prêmio da Emilia-Romagna já prometia quando o experiente Fernando Alonso bateu seu Alpine enquanto levava seu carro ao grid. E a promessa ficou ainda mais forte quando a chuva parou e a eterna dúvida de qual pneu usar nessa situação dominou todo o grid. Mesmo a maioria escolhendo os intermediários, Max Verstappen fez uma super largada e mostrou suas verdadeiras intenções para 2021. O piloto da Red Bull ignorou o spray e estreiteza da pista para espremer seu carro entre a Mercedes de Hamilton e a grama para ficar por dentro na primeira curva, após sair de terceiro. Na variante Tamburello, as duas estrelas da F1 chegaram lado a lado onde só cabia um carro e o toque foi inevitável, com Hamilton chegando a danificar sua asa dianteira, mas mantendo a segunda posição. Com a pista ainda molhada, Verstappen era claramente mais rápido, mas quando o asfalto começou a secar, Lewis começou a diminuir a diferença. O que era 6s de desvantagem caiu para menos de 2s quando os líderes chegaram num enorme grupo de pilotos. Na ocasião, todo o pelotão já estava com pneus slicks, mas a pista ainda estava úmida fora do trilho. Voltando aos tempos em que a impetuosidade era maior do que o enorme talento, Lewis Hamilton tentou deixar para trás os retardatários o mais rápido possível e acabou freando na parte úmida na curva Tosa, saindo da pista e batendo de leve no muro. A vitória estava perdida, mas poderia ter sido muito pior.


Momentos depois, quando Hamilton tinha engatado uma ré e retornado à pista com a asa dianteira toda arrebentada, o momento mais polêmico e assustador aconteceu. George Russell estava com a asa aberta para ultrapassar Valtteri Bottas, que se colocou por dentro e tentando intimidar o jovem inglês, foi um pouco para a direita. De fato, isso intimidou Russell, mas as consequências foram piores do que os calculados por Bottas, pois George colocou um pneu na grama molhada, perdeu o controle do seu Williams e se chocou com a Mercedes de Bottas, levando ambos a baterem muito forte e sujando toda a pista. Russell ficou furioso, chegando a dar um 'pedala Robinho' no capacete de Bottas, mas a bandeira vermelha resultando acabou ajudando muito Hamilton. Podendo reparar seu carro sem perder muito tempo, Hamilton ainda recuperou a volta perdida e numa recuperação muito forte nas últimas voltas, conseguiu a segunda posição e ao marcar a melhor volta da prova, desempatou a disputa toda particular que travará com Verstappen, pelas estimativas e para a alegria de todos, até o fim da temporada.


Hamilton teve que fazer quatro ultrapassagens após a relargada, mas a mais difícil foi sobre um dos destaques do final de semana. Todos lamentaram a punição de Lando Norris no sábado pela estúpida regra de 'track limits', fazendo o inglês sair de uma potencial primeira fila para sexto. Porém Norris fez uma senhora corrida de recuperação e ao ultrapassar Leclerc na relargada, estava num sólido segundo lugar, suportando bem a pressão da dupla da Ferrari. Quando Hamilton apareceu no retrovisor de Norris, a situação parecia irreversível, mas Lando deu uma luta para o compatriota, que só assumiu a segunda posição nas voltas derradeiras. Norris já é um dos destaques da F1 em 2021 e é um incrível terceiro colocado no campeonato. A Ferrari mostrou uma grande evolução ao que foi visto em 2020. Porém, se olharmos pelo lado do copo vazio, piorar a pífia temporada passada teria consequências inimagináveis em Maranello. Leclerc ficou a maior parte do tempo no pódio, mas não resistiu ao melhor ritmo de Norris, que relargou com pneus macios e teve que se contentar com a quarta posição, enquanto Carlos Sainz, mesmo com os seguidos erros durante a corrida, ainda foi quinto e na mesma balada do companheiro de equipe. 


Daniel Ricciardo foi sexto, mas não há muito o que comemorar para o australiano. Daniel em nenhum momento esteve à altura do ritmo de Lando Norris, a ponto de ser convidado pela McLaren a ceder sua posição para Norris e no final, a equipe teve total razão, com Norris andando muito mais forte do que Ricciardo. Já que falamos de pilotos devedores, continuaremos por Sérgio Pérez. O mexicano fez uma corrida horrorosa nesse domingo, onde errou durante o safety-car e mesmo com mais de dez anos de F1, simplesmente ultrapassou dois carros durante o período de SC. Algo proibido desde 1993! Para completar, quando estava em quarto lugar após cumprir sua punição, Pérez rodou sozinho e caiu para as últimas posições, não conseguindo pontuar. Helmut Marko já pensa em pedir a FIA para que a Red Bull corra com apenas um carro... O resumo da corrida de Valtteri Bottas pode ser que, ao se envolver no incidente que acabou ajudando seu companheiro de equipe, ele estava para ser ultrapassado por uma Williams pela nona posição. Punto e basta! 


Stroll marcou pontos com a Aston Martin, enquanto a carreira de Sebastian Vettel é cada vez mais questionada com corridas seguidas abaixo da crítica, como a de hoje. Gasly largou com pneus de chuva forte, rezando para que uma precipitação caísse em Ímola nas primeiras voltas, mas além da chuva não ter voltado, a pergunta era: porque a Alpha Tauri demorou tanto para trocar os pneus do francês? Mesmo com uma parada a mais, Gasly ainda salvou um oitavo lugar, enquanto Kimi Raikkonen marcou os primeiros pontos da Alfa Romeo e Esteban Ocon entrou para a história da Alpine ao marcar o primeiro ponto da equipe. Por sinal, a rodada na volta de instalação foi um resumo do péssimo final de semana de Fernando Alonso. A Haas chegou ao fim com seus dois carros, mas o horrível Mazepin conseguiu rodar em todos os dias de competição e a Williams, animada com seus dois carros no Q2 acabou o final de semana com dois PTs.


Novamente 2021 nos entregou uma corrida de tirar o fôlego, mesmo que por diferentes motivos. Max Verstappen e Lewis Hamilton continuam dando verdadeiros shows e devem ser os dois protagonistas de uma temporada que promete ser épica, se o status quo permanecer o mesmo. Com os dois companheiros de equipes deles com problemas, outros pilotos surgem muito bem, como é o caso de Lando Norris. O caos em Ímola nos deu vários momentos divertidos e que 2021 seja assim por pelo menos boa parte das corridas.   

Rumo à liderança

 


Quando o tempo de Francesco Bagnaia foi cancelado de forma, no mínimo, polêmica no sábado, Fabio Quartararo começava a pavimentar o seu caminho rumo à liderança do campeonato de 2021 ao herdar a pole e ficar numa bela situação na corrida. Como normalmente acontece, o piloto da Yamaha não dominou a corrida de ponta a ponta, tendo que lutar até chegar a ponta e trocar melhor voltas com Alex Rins até o espanhol da Suzuki cair. Quartararo ainda se aproveitou da queda do compatriota Zarco para assumir de vez a liderança do campeonato com a segunda vitória consecutiva e se destacar como um dos favoritos ao título.

Com um dispositivo de largada praticamente imbatível, a Ducati de Zarco disparou na frente e o francês, então líder do campeonato, liderou as primeiras voltas da prova. Quartararo despencou para sexto, enquanto seu companheiro de equipe Maverick Viñales foi ainda pior, caindo para último e lutando apenas para pontuar em outra corrida horrorosa do espanhol, numa prova da sua falta de consistência. Porém, Quartararo se manteve no pelotão dianteiro, que tinham oito pilotos no belíssimo circuito de Portimão. Quando Zarco perdeu a ponta da corrida, Quartararo já tinha ultrapassado Márquez e as duas Suzukis para assumir a liderança da corrida, mas o francês não teve sossego, com Alex Rins se mantendo colado na Yamaha de Fabio. Tendo perdido o título para o companheiro de equipe ano passado, Rins segue pressionado para tentar tomar as rédeas da Suzuki. Provavelmente por isso o espanhol pressionou o que podia. E o que não podia. Já no final da prova Rins caiu e tornou a vida de Quartararo ainda mais fácil rumo à bandeirada e a vitória, que com a queda de Zarco uma volta depois do incidente de Rins, deixou Fabio na liderança do campeonato.

Por causa de sua injusta punição largando em 11º, Bagnaia fez uma ótima corrida de recuperação, assumindo a segunda posição no final da prova e mostrando que, se largasse na pole, teríamos uma ótima briga entre o italiano da Ducati e Quartararo. Já Jack Miller... Considerado por muitos como o sucessor de Casey Stoner na Ducati, Miller mais lembra os tempos em que Stoner era conhecido como 'Rolling Stoner', por causa de suas quedas contínuas. O atual campeã Mir subiu ao pódio na mesma toada do ano passado, mas ele precisa de resultados melhores para defender seu título. 

Como falado mais cedo, Marc Márquez largou para o Grande Prêmio de Portugal com sua Repsol Honda, após nove meses de uma recuperação complicada e cheia de problemas. Máquez conseguiu um lugar na segunda fila, largou muito bem e pensou-se em determinado momento que o espanhol faria um retorno triunfal à MotoGP. Não foi o caso. Antes da largada Márquez falou que sentiu muitas dores no braço direito avariado e até colocou em dúvida se conseguiria terminar a corrida. Após perder posições em sequência até a décima posição, Márquez foi subindo de posição com os abandonos na sua frente e terminou num discreto sétimo lugar. Contudo, Marc foi o melhor piloto da Honda e não estava tão distante assim do esperado top-5 em termos de tempo. Com um ritmo decente até o fim, Márquez deverá evoluir durante o ano, mas o título parece difícil para o espanhol da Honda. Falando em antigos campeões, Valentino Rossi vai fazendo um início de temporada tenebroso. O piloto da Yamaha só não era o pior piloto da marca por causa da largada horrorosa de Viñales, mas já era alcançado pelo espanhol quando caiu sozinho, fora do top-10. Já contando com 42 anos de idade, Rossi corre o sério risco de ser aposentado, ao se tornar uma pálida sombra do que já foi.

Com a vitória em Portugal, Quartararo não apenas se garantiu na ponta do campeonato, como se tornou o favorito, mas o francês esteve numa situação parecida ano passado e murchou de forma inacreditável a ponto de terminar o campeonato num obscuro sexto lugar. Resta saber se Fabio Quartararo conseguirá manter o ritmo até o fim.