terça-feira, 31 de agosto de 2021

Figura(BEL): George Russell

 Ok, não houve corrida, mas nos dois dias anteriores George Russell mostrou mais uma vez que está fazendo por onde para ser apontado como o próximo piloto da Mercedes. O inglês deu um verdadeiro show na classificação, colocando a Williams (isso nem chega a ser mais novidade...) em lugares acima do potencial do carro, sendo que desta vez Russell aproveitou o clima instável para brigar pela pole com os dois titãs da F1 em 2021, ficando na frente de Lewis Hamilton e só sendo superado por Verstappen na tentativa final do piloto da Red Bull no final do Q3. Russell não teve culpa sobre o que aconteceu no domingo, mas seu pódio na corrida fake foi uma espécie de símbolo de que George já está grande demais para o que é hoje a Williams.

Figurão(BEL): FIA

 Não vou aqui criticar a decisão da FIA em não levar a cabo a corrida deste domingo, onde era óbvio que não havia condições devido ao clima de tempestade que fez na Bélgica. Criticar os pilotos é de uma falta de maturidade e empatia que não chega a espantar nesses tempos sombrios em que vivemos, particularmente pelos lados tupiniquins. Qualquer decisão tomada nesse domingo seria alvo de críticas, isso é certo, no entanto, a FIA cometeu dois pecados. O primeiro foi adiar o irremediável. Deixar milhares de torcedores ao léu e levando chuva para constatar o óbvio, de que não havia condições para se correr, foi um verdadeiro espanta-fã. No entanto, o pior foi forçar a barra para oficializar a corrida ao deixar os carros saírem atrás do Safety-car por duas voltas. Foi uma atitude ridícula e causou críticas ferozes em todo o globo. No momento em que a F1 recupera um pouco a sua popularidade, os erros cometidos no domingo não podem ser repetidos e que para não sejam em vão, que muito seja corrigido.

domingo, 29 de agosto de 2021

Como a viúva Porcina

 


Na épica novela Roque Santeiro, que nesse ano completa 35 anos que foi terminada e nunca será esquecida, existia a personagem da viúva Porcina, interpretada por Regina Duarte, que ficou conhecida como 'a quem foi, sem nunca ter sido', pois apesar de ter pegado para si a fama de viúva de Roque Santeiro, mito da cidade de Asa Branca, ela mal o conhecia e a verdadeira noiva era dona Mocinha. Passada a introdução novelística, o Grande Prêmio da Bélgica de 2021 deverá ficar conhecido como a 'corrida que foi, sem nunca ter sido', como a fictícia viúva Porcina.

Hoje houve um vencedor, houve pódio, houve pontuação (pela metade) e houve até mudanças de posição, mas a corrida simplesmente não existiu graças ao inclemente clima em Spa, que impediu qualquer volta realizada em bandeira verde. Claro que Max Verstappen não tem nada com isso e com a pole conquistada ontem e pelo simples fato de estar atrás do Mercedes de Bernd Maylander (menos mal que não era o de Hamilton...), o neerlandês conseguiu mais uma vitória em 2021 onde mal acelerou pelas únicas quatro voltas realizadas em Spa. Ainda houve a festa pelo primeiro pódio de George Russell, que conseguiu seu milagroso segundo lugar na classificação e estava na mesma posição quando a 'corrida' foi iniciada e terminada. Foi o primeiro pódio da Williams em quatro anos e pelo o que vem mostrando até o momento, deverá ser o primeiro de muitos do jovem inglês. A única mudança de posição ocorreu com a saída de pista de Sergio Pérez na volta de alinhamento, que fez o mexicano quase não largar, depois foi autorizado a sair do pit-lane, o que não fez muita diferença, pois Pérez ficou em último e de lá não saiu, perdendo mais alguns valiosos pontinhos para a Red Bull, que renovou seu contrato pensando justamente nisso.

A longa espera pela largada chateou a todos que acompanhavam a epopeia que acontecia em Spa. Pilotos dormiram, chás foram servidos e os comissários brincavam de bocha. Porém, muita gente deve estar criticando a atual a F1 a chamando de' Nutella'. Vamos aos fatos. Não foi a primeira vez que uma corrida foi suspensa devido à uma chuva forte, mesmo que isso seja raro na história da F1, a última vez tendo acontecido em 2009 na Malásia. O recente histórico de Spa também foi um fator preponderante para o que aconteceu nesse domingo, principalmente na curva Eau Rouge. Em 2019 ocorreu a morte trágica de Anthoine Hubert. Poucas semanas atrás, num dia de corrida na chuva, um forte acidente na Eau Rouge mandou dois pilotos de GT para o hospital. Na sexta, um múltiplo acidente no local envolveu seis pilotos da W Series e duas foram ao hospital. E por último, o fortíssimo acidente de Lando Norris ontem na Eau Rouge quando a chuva estava mais forte foi colocado na conta da FIA, que não teria interrompido a classificação a tempo. Todos esses incidentes, sem nunca esquecer os acontecimentos em Suzuka de 2014, fizeram com que a corrida em Spa de hoje se transformasse numa longa novela em que era nítido que dificilmente teríamos corrida. Só faltou tocar a música 'Dona', do grupo Roupa Nova e que na época embalava as cenas românticas da Viúva Porcina. As voltas atrás do SC foram feitas unicamente para que a corrida seja válida, mesmo que com metade dos pontos sendo distribuídos.

Alguém irá questionar: mas antigamente se corria em situações tão molhadas e traiçoeiras como a de hoje e mesmo assim tinha corrida! Antigamente também se corria sem cinto de segurança, com macacão que mais parecia uma roupa de festa, com abismos ao lado das pistas e pedras no asfalto. O fator segurança pode ser considerado chato ou 'Nutella', mas nunca devemos brincar com a vida dos outros, mesmo com pilotos super bem pagos e que escolheram essa vida quando crianças, sabendo de todos os riscos. Se a largada fosse dada, seria um show de Safety-Car ou ainda pior, poderíamos estar lamentando uma tragédia. A corrida não aconteceria de forma normal e ficaria bem abaixo da expectativa geral. A única crítica mais forte a ser feita foi a FIA ter postergado tanto tempo para algo óbvio. Outro fator é, com carros tão longos, os bólidos de F1 são mais susceptíveis a sofrer com aquaplanagens, fazendo de qualquer corrida na chuva algo mais perigoso do que o normal. Algo que deveria ser anotado para o novo carro de 2022.

São muitas discussões e problemas a serem sanados. Hoje não teve corrida e pelas condições impostas, além de todo o contexto, não dá para sair crucificando a F1, Spa ou os pilotos. Lógico que queríamos uma boa corrida na sempre empolgante pista de Spa, mas alguns fatores tem que ser colocados em questão e lições sejam aprendidas para evitar que 'corridas' como a de hoje não se repitam.   

Festa completa

 


A MotoGP conseguiu uma marca inédita em sua história e fez a festa de praticamente todo mundo em Silverstone, claro, com destaque para o vencedor Fabio Quartararo, mais líder do que nunca e cada vez mais próximo do sonhado título. As seis marcas do grid chegaram nas seis primeiras posições, com destaque para a Aprilia, que subiu ao pódio pela primeira vez na era MotoGP, sem contar os tempos de Harada e McWilliams, ficaram no top-3 ainda nos tempos das 500cc. Uma bela marca da MotoGP.

A corrida em Silverstone não foi das mais animadas na luta pela vitória, pois rapidamente Fabio Quartararo mostrou que o tornozelo dolorido pela queda na sexta não lhe pararia e o francês da Yamaha rapidamente assumiu a ponta da corrida para domina-la até a bandeirada, assegurando uma ótima posição no campeonato, já que os seus mais próximos perseguidores tiveram corridas ruins. Zarco nunca se apresentou forte o suficiente e ficou fora do top-10 o tempo inteiro. Bagnaia até largou na primeira fila, mas perdeu rendimento de forma gritante e só marcou dois pontos com um magérrimo P14. O atual campeão Mir foi outra decepção e segurou apenas em P9 no fim após também enfrentar uma queda livre durante a prova. 

No entanto, a briga pelo segundo lugar foi próxima e com surpresas. O surpreendente pole Pol Espargaró segurou o quanto pode o seu ritmo, mas acabou fora do pódio, enquanto seu irmão mais velho fez o papel dele nas primeiras voltas, colocando a Aprilia nas primeiras posições, antes de cair de rendimento. No entanto Aleix não rolou pelotão abaixo e se manteve na briga pela segunda posição com Alex Rins na segunda Suzuki, acentuando a péssima corrida de Mir. Rins estava no mesmo pelotão de Mir no começo da corrida, foi crescendo na prov até chegar à segunda posição, segurando os ataques de Aleix e de Jack Miller, que salvou a honra da Ducati e chegou colado na Aprilia de Espargaró. Talvez o principal piloto da Ducati fosse Jorge Martin, mas o espanhol foi atingido por Marc Márquez na primeira volta e ambos estavam fora da corrida, acabando com as chances de dois potenciais pilotos que poderia estar no pódio. Brad Binder garantiu a sexta posição com a KTM, garantindo o feito inédito para a MotoGP de ter seis motos diferentes nas seis primeiras posições.

No fim Quartararo pareceu nem ter suado muito para vencer em Silverstone e abrir considerável vantagem para o vice-líder Joan Mir. Correndo praticamente sem companheiro de equipe com a polêmica saída de Maverick Viñales e tendo toda a atenção da Yamaha, o francês está com a faca e o queijo Camembert para se tornar o primeiro campeão francês da MotoGP.

sábado, 28 de agosto de 2021

Contrastes britânicos


 Lando Norris tinha tudo para brigar pela sua primeira pole na F1 no chuvoso sábado em Spa, mas o inglês da McLaren acabou sendo vítima das armadilhas do tradicional circuito belga e a não menos gloriosa Eau Rouge. Com seu carro destruído, Norris dificilmente não escapará de largar dos boxes, mas a honra britânica foi assegurada no dia de hoje. E quem pensou que quem fez isso foi Hamilton, está redondamente enganado!

Muito se fala que George Russell usufrui de um imenso lobby da sempre influente imprensa britânica em sua luta para estar na Mercedes em 2022. Mesmo com a força dos jornalistas da ilha da velocidade, que foram capazes de, com suas opiniões, manterem pilotos medianos por vários anos a fio na F1, George Russell está fazendo por onde ser tão elogiado e conseguir seu lugar na Mercedes num futuro próximo. Em condições traiçoeiras em Spa, Russell ofuscou a briga entre Verstappen e Hamilton para ser o grande nome da complicada classificação desse sábado, ao colocar sua Williams na primeira fila, superado no último momento por Max Verstappen, que apesar da naturalidade holandesa, nasceu na Bélgica e garantiu a festa da torcida.

O dia de hoje foi bem típico de Spa, com o tempo mudando de sol tímido para tempestade em questão de minutos, fazendo com que os pilotos e engenheiros quebrassem a cabeça durante quase duas horas, que foi a duração da classificação. Se no Q1 não houveram grandes surpresas, a Ferrari acabou ficando de fora do Q3 mesmo com as ótimas voltas de Leclerc quando a pista estava muito molhada. Vindo de uma renovação de contrato por mais um ano, Alonso ficou no Q2, enquanto o último vencedor Ocon foi ao Q3. A Williams e Russell já tinham mostrado suas credenciais quando foram ao Q1 com pneus intermediários, enquanto os demais iam com pneus de chuva forte. George foi ao Q3 e Latifi quase conseguiu, mas o melhor de Russell ainda estava por vir.

Em meio a indas e vindas da chuva, no começo do Q3 estava com uma precipitação muito pesada e Norris, que liderara os treinos até ali, estampou com força sua McLaren na Eau Rouge, reascendendo alguns questionamentos sobre a mítica curva, além de um momento bem legal de Vettel, que tinha acabado de pedir bandeira vermelha pelo rádio e quando soube de um acidente muito forte na Eau Rouge, praticamente encostou seu Aston Martin ao lado do carro de Norris para se certificar que estava tudo bem com Lando. 

Depois de algum tempo, o resto do Q3 aconteceu com muita troca de posições, mesmo com pouco tempo. E numa surpresa inimaginável, Russell apareceu com setores roxos no final do Q3. Ao cruzar a linha de chegada, o piloto da Williams era o pole com muita margem, mas logo atrás vinham Lewis e Max. Hamilton não fez um bom segundo setor e ficou milésimos atrás de George, mas Max acabou com a brincadeira e ficou com a pole. Para curiosidade geral, Bottas tomou 2,4s de Russell com um carro imensamente melhor e como fora punido, Valtteri largará amanhã na P13. As desculpas de Wolff para não contratar Russell já estão cessando. Na entrevista pós-classificação, Russell não parecia deslumbrado com sua incrível exibição, demonstrando que o inglês pensa alto e já merece isso. Amanhã a previsão do clima é o mesmo de hoje, ou seja, podemos ter outra corrida maluca em 2021.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

História: 30 anos do Grande Prêmio da Bélgica de 1991

 


No dia 13 de agosto de 1991, Bertrand Gachot foi intimado pelo tribunal de Southwark, em Londres, sobre uma agressão a um taxista londrino no ano anterior. Para o belga, que fazia uma boa temporada pela Jordan, provavelmente tudo aquilo resultaria numa sentença leve em suspenso. Porém, Gachot se viu numa enrascada gigantesca quando chegou ao tribunal e viu o forte sindicato dos taxistas fazendo um piquete na frente do tribunal exigindo uma pena 'exemplar'. Gachot foi interrogado, antes de ir para o júri e o resultado foi chocante: uma multa de 500 libras e prisão de 18 meses na prisão de Brixton, uma das mais perigosas da Inglaterra. O pai de Gachot fez de tudo para livrar a cara do filho, mas enquanto recorriam, Gachot foi mandado para a prisão. Eddie Jordan defendeu seu piloto, mas por outro lado, precisava de um piloto para correr na quinzena seguinte em Spa. Ele pensou em Stefan Johansson, que havia corrido de forma interina em Montreal na Arrows, e Alessandro Zanardi, líder da F3000. Além desses, Jordan estabeleceu contato com Jochen Neerpasch, diretor de competição da Mercedes, que lhe ofereceu um jovem piloto alemão de 22 anos, que havia sido campeão da F3 Alemã em 1990 e vencido a famosa corrida em Macau. Michael Schumacher se apresentou num teste em Silverstone e deixou todos embasbacados, fazendo Jordan lhe oferecer um contrato longo, mas orientado pelo seu empresário Willi Weber, Schumacher conseguiu enrolar Jordan, que lhe perguntou se o alemão já havia corrido em Spa. Michael respondeu que sim. O problema foi que a pergunta do velho Eddie havia sido incompleta, pois Schumacher só havia corrido na famosa pista belga de bicicleta...


Como era de se esperar, houveram muitas manifestação contra a prisão de Gachot quando a F1 chegou em Spa, corrida caseira do piloto da Jordan. A namorada de Gachot mandou fazer várias camisas 'Gachot Why?' e praticamente todos os pilotos usaram-na no final de semana. A Honda trazia um novo motor para a McLaren que traria um aumento de potência em altos giros, porém, Ayrton Senna já sentia que o melhor momento da McLaren estava passando, cedendo lugar para a Williams, que pela infelicidade do brasileiro, renovou os contratos de Mansell e Patrese para 1992. Recém-completados 39 anos, Nelson Piquet ainda negociava para permanecer na F1 e após pedir sete milhões de dólares à Briatore, Piquet viu o dirigente da Benetton se negar e tentou um lugar na Ligier, na esperança de ter os motores Renault na temporada seguinte. 

Senna costumava ser um mestre em Spa e o brasileiro comprovou sua reputação com sua 58º pole no circuito belga. Patrese conseguiu a segunda posição no sábado, mas foi desclassificado após uma inspeção técnica perceber que a Williams de Patrese não tinha a marcha ré funcionando. Este fora um erro grave da parte dos mecânicos e Frank Williams pediu desculpas ao piloto italiano, que largaria em décimo sétimo com seu tempo na sexta-feira. Prost ainda ficaria com um lugar na primeira fila, Berger era quarto após quebrar dois motores, com Mansell em terceiro reclamando bastante do seu Williams. A grande surpresa veio do estreante. Schumacher ficou com o quinto tempo mais rápido na sexta-feira, à frente de seu companheiro de equipe De Cesaris por quase um segundo. No sábado Michael se envolveu num incidente com Prost e jogou a culpa no veterano, mostrando uma grande personalidade. No sábado Schumacher ficou em sétimo, metendo sete décimos no experimentado De Cesaris. Era Michael Schumacher chegando com tudo!

Grid:

1) Senna (McLaren) - 1:47.811

2) Prost (Ferrari) - 1:48.821

3) Mansell (Williams) - 1:48.828

4) Berger (McLaren) - 1:49.485

5) Alesi (Ferrari) - 1:49.974

6) Piquet (Benetton) - 1:50.540

7) Schumacher (Jordan) - 1:51.212

8) Moreno (Benetton) - 1:51.283

9) Martini (Minardi) - 1:51.299

10) Modena (Tyrrell) - 1:51.307


O dia 25 de agosto de 1991 amanheceu com sol e bom tempo, algo raro na floresta das Ardenhas. Mostrando toda a sua frustração, os fãs de Gachot fizeram várias pichações no asfalto de Spa, o que poderia atrapalhar em caso de pista molhada, mas não seria o caso. Após dois dias difíceis, a Williams apareceu muito forte no domingo e fizeram os melhores tempos no warm-up, se mostrando como reais desafiantes na corrida, que começou sem maiores problemas na sempre difícil largada em Spa. Schumacher fritou pneus na freada da curva, saiu da La Source em quinto, mas na subida da Eau Rouge, o alemão tirou o pé com problemas. A embreagem tinha explodido, mas Schumacher havia dado seu recado à F1. Uma nova estrela estava chegando!


Com o carro mais acertado, Mansell rapidamente ataca Prost para ficar com a segunda posição e logo tenta uma aproximação em cima de Senna. Contudo, a corrida de Prost seria muito breve, pois na terceira vez em que saiu da La Source, o motor Ferrari explodiu e Prost teve que encostar com um pequeno incêndio atrás de si. Alain saiu uma fera, deteriorando ainda mais seu relacionamento com a Ferrari. Piquet assumia a terceira posição, mas já vinha 5s atrás dos dois líderes e segurando Berger, a quem Nelson ultrapassara na primeira volta. Mesmo com o novo motor Honda, a McLaren estavam lentas nas retas, mas Senna resistia bravamente aos ataques de Mansell, enquanto Berger não conseguia ultrapassar Piquet. Já Patrese fazia uma ótima corrida de recuperação e se aproximava da zona de pontuação com menos de dez voltas de prova. Senna faz sua única parada na volta 15, que fora mais lenta devido a uma roda dianteira presa, fazendo o brasileiro da McLaren voltar no meio de uma briga entre Patrese e De Cesaris. Andrea se livra de Patrese e ataca Senna, fazendo-o perder ainda mais tempo para Mansell, que faz uma volta muito rápida antes de parar duas voltas depois de Senna, retornando na frente do brasileiro. Hoje chamamos isso de undercut. 


Berger faz sua parada na volta 18 e novamente a McLaren se atrapalhou, perdendo 16s na operação e para piorar, o austríaco ainda sai da pista quando retornou à corrida. Alesi havia escolhido largar com pneus duros e tentaria não parar, com isso, o francês estava em segundo, entre Mansell e Senna, mas Alesi não era atacado por Ayrton, que por sua vez tinha um impressionante De Cesaris nos seus retrovisores, antes do italiano da Jordan fazer seu pit-stop. Mansell tentava abrir vantagem, mas tudo acabou em frustração ao inglês quando ele abandonou na volta 22 com um problema elétrico. Outro golpe duro na tentativa de Mansell em brigar com Senna pelo título, mas o brasileiro ainda não liderava a prova, ponteada por Alesi na metade da prova. O terceiro colocado Piquet começou a ter problemas de desgaste de pneus e era alcançado pela dupla italiana Patrese e De Cesaris, enquanto Berger marcava a volta mais rápida da corrida em sua tentativa de recuperação. Na volta 27 Senna perde desempenho rapidamente quando erra uma marcha, o que se mostraria dramático. Senna se recupera, mas teria dois problemas. O primeiro era que o trio liderado por Piquet se aproximou de forma ameaçadora dele. E a segunda era que o câmbio da McLaren estava danificado com o raro erro de Ayrton, que teria que administrar seu câmbio com um terço de corrida pela frente. Patrese tentou ultrapassar Piquet, mas acabou saindo da pista, perdendo posição para De Cesaris. 


Parecia que aquele dia era mesmo de Alesi, que liderava tranquilo e com pneus ainda em ordem, porém, quando o francês saía da Eau Rouge na volta 31, o motor Ferrari explodiu, destruindo os sonhos da primeira vitória de Alesi, que saiu do carro arrasado. Senna reassumia a ponta, mas teria no seu encalço um Andrea de Cesaris em dia inspirado, após o romano ultrapassar Piquet. Como num conto de fadas, Andrea partiu para cima de Senna, enquanto Berger se aproximava de Piquet e Patrese, fazendo o italiano da Williams ultrapassar o brasileiro, sofrendo com seus pneus. Berger ultrapassa Piquet e começou a pressionar Patrese, que via seus freios piorarem a cada volta. Senna tinha mais intimidade com os retardatários e abre 5s para De Cesaris, mas o sonho do piloto da Jordan se transforma em fumaça na volta 41, em um dos abandonos mais tristes da F1 nos anos 1990 com o motor quebrado da Jordan de Andrea. Patrese passou a ter problemas de câmbio e foi seguidamente ultrapassado por Berger e Piquet. Ayrton Senna conquistava a sexta vitória em 1991 e a quarta consecutiva em Spa-Francorchamps. O ritmo de Berger era tão forte que ele chegou colado em Senna, numa alegre dobradinha da McLaren, com Piquet fechando o pódio. Pela última vez, Senna e Piquet compartilharam um pódio e a tensão entre eles ainda era grande, com os dois brasileiros se evitando no pódio. Roberto Moreno tinha feito uma parada extra, fez a melhor volta da corrida e ainda conseguiu ultrapassar Patrese na última volta, chegando em quarto lugar. Com isso, haviam três brasileiros entre os quatro primeiros. Eram outros tempos! Tinha sido a melhor corrida de Roberto em 1991, mas como se veria nas próximas semanas, isso não adiantaria muito...

Depois da corrida Senna confessaria que seu câmbio estava quebrado e não duraria mais nenhuma volta. Uma vitória de sorte. Ou não? "Justiça foi feita para mim! Esse sucesso compensa meus abandonos em Silverstone e Hockenheim!" 

Chegada:

1) Senna

2) Berger

3) Piquet

4) Moreno

5) Patrese

6) Blundell 

domingo, 22 de agosto de 2021

De volta ao jogo

 


Nunca é bom subestimar a competitividade da Indy. Depois de um início complicado de campeonato, incluindo recordes negativos, a Penske deu a volta por cima em 2021 e após as doloridas derrotas em Elkhart Lake e Detroit, Josef Newgarden contou com a ajuda de um strike da equipe Ganassi para ficar numa posição muito forte dentro do campeonato da Indy.

A fome de Newgarden de vitória ficou clara numa das relargadas em Gateway, quando bateu rodas com seu companheiro de equipe Simon Pagenaud para ganhar uma posição e deixar o francês possesso, pois no processo perdeu o bico e caiu para último. A Penske tinha mostrado sua força com a pole de Will Power, mas o australiano nunca teve ritmo de corrida para vencer, ao contrário de Newgarden, mas o americano não era o único. A dupla da Andretti Colton Herta e Alexander Rossi fez uma ótima prova nesse sábado à noite, liderando em vários momentos junto com Newgarden, mas os dois não viram a bandeirada. Após uma parada, Herta teve problemas de transmissão e Rossi provocou a última bandeira amarela da noite ao bater sozinho no muro, continuando com a via-crucis do americano.

Quando Rossi abandonou, Newgarden tinha apenas Pato O'Ward como grande rival pela vitória, mas Josef sabia que o mexicano da McLaren não o atacaria com muito ímpeto. A primeira metade da corrida em Gateway foi bastante truncada e cheia de bandeiras amarelas, com destaque para a boa estreia de Romain Grosjean em ovais. Numa das relargadas, Rinus Veekay foi bastante otimista no aproche da primeira curva e acabou batendo em Alex Palou, que bateu em Scott Dixon. Os três foram ao muro e apenas Dixon ainda retornou à corrida, mas inúmeras voltas atrasado. Palou, que já tinha visto o motor quebrar no misto de Indianápolis semana passada, viu sua confortável vantagem no campeonato virar pó e com o segundo lugar ontem, O'Ward fez o suficiente para se tornar o novo líder do campeonato.

Porém, O'Ward tem várias cobras criadas no seu encalço nas três corridas finais. Dixon caiu para quarto no campeonato, mas nunca é interessante subestimar um piloto do tamanho do neozelandês. Com a vitória, Newgarden pulou para terceiro, meros 22 pontos atrás de O'Ward, com Palou ainda na vice-liderança muito próximo, mas precisando findar sua onda de azar. As próximas três corridas acontecerão em três palcos icônicos da Indy e os dois primeiros colocados do campeonato nunca pisaram lá. Newgarden não conhece Laguna Seca, mas já conseguiu bons resultados em Portland e Long Beach. E não restam dúvidas que o piloto da Penske vem em ascensão nesse final de campeonato rumo ao tricampeonato.