Ok, não houve corrida, mas nos dois dias anteriores George Russell mostrou mais uma vez que está fazendo por onde para ser apontado como o próximo piloto da Mercedes. O inglês deu um verdadeiro show na classificação, colocando a Williams (isso nem chega a ser mais novidade...) em lugares acima do potencial do carro, sendo que desta vez Russell aproveitou o clima instável para brigar pela pole com os dois titãs da F1 em 2021, ficando na frente de Lewis Hamilton e só sendo superado por Verstappen na tentativa final do piloto da Red Bull no final do Q3. Russell não teve culpa sobre o que aconteceu no domingo, mas seu pódio na corrida fake foi uma espécie de símbolo de que George já está grande demais para o que é hoje a Williams.
terça-feira, 31 de agosto de 2021
Figurão(BEL): FIA
Não vou aqui criticar a decisão da FIA em não levar a cabo a corrida deste domingo, onde era óbvio que não havia condições devido ao clima de tempestade que fez na Bélgica. Criticar os pilotos é de uma falta de maturidade e empatia que não chega a espantar nesses tempos sombrios em que vivemos, particularmente pelos lados tupiniquins. Qualquer decisão tomada nesse domingo seria alvo de críticas, isso é certo, no entanto, a FIA cometeu dois pecados. O primeiro foi adiar o irremediável. Deixar milhares de torcedores ao léu e levando chuva para constatar o óbvio, de que não havia condições para se correr, foi um verdadeiro espanta-fã. No entanto, o pior foi forçar a barra para oficializar a corrida ao deixar os carros saírem atrás do Safety-car por duas voltas. Foi uma atitude ridícula e causou críticas ferozes em todo o globo. No momento em que a F1 recupera um pouco a sua popularidade, os erros cometidos no domingo não podem ser repetidos e que para não sejam em vão, que muito seja corrigido.
domingo, 29 de agosto de 2021
Como a viúva Porcina
Hoje houve um vencedor, houve pódio, houve pontuação (pela metade) e houve até mudanças de posição, mas a corrida simplesmente não existiu graças ao inclemente clima em Spa, que impediu qualquer volta realizada em bandeira verde. Claro que Max Verstappen não tem nada com isso e com a pole conquistada ontem e pelo simples fato de estar atrás do Mercedes de Bernd Maylander (menos mal que não era o de Hamilton...), o neerlandês conseguiu mais uma vitória em 2021 onde mal acelerou pelas únicas quatro voltas realizadas em Spa. Ainda houve a festa pelo primeiro pódio de George Russell, que conseguiu seu milagroso segundo lugar na classificação e estava na mesma posição quando a 'corrida' foi iniciada e terminada. Foi o primeiro pódio da Williams em quatro anos e pelo o que vem mostrando até o momento, deverá ser o primeiro de muitos do jovem inglês. A única mudança de posição ocorreu com a saída de pista de Sergio Pérez na volta de alinhamento, que fez o mexicano quase não largar, depois foi autorizado a sair do pit-lane, o que não fez muita diferença, pois Pérez ficou em último e de lá não saiu, perdendo mais alguns valiosos pontinhos para a Red Bull, que renovou seu contrato pensando justamente nisso.
A longa espera pela largada chateou a todos que acompanhavam a epopeia que acontecia em Spa. Pilotos dormiram, chás foram servidos e os comissários brincavam de bocha. Porém, muita gente deve estar criticando a atual a F1 a chamando de' Nutella'. Vamos aos fatos. Não foi a primeira vez que uma corrida foi suspensa devido à uma chuva forte, mesmo que isso seja raro na história da F1, a última vez tendo acontecido em 2009 na Malásia. O recente histórico de Spa também foi um fator preponderante para o que aconteceu nesse domingo, principalmente na curva Eau Rouge. Em 2019 ocorreu a morte trágica de Anthoine Hubert. Poucas semanas atrás, num dia de corrida na chuva, um forte acidente na Eau Rouge mandou dois pilotos de GT para o hospital. Na sexta, um múltiplo acidente no local envolveu seis pilotos da W Series e duas foram ao hospital. E por último, o fortíssimo acidente de Lando Norris ontem na Eau Rouge quando a chuva estava mais forte foi colocado na conta da FIA, que não teria interrompido a classificação a tempo. Todos esses incidentes, sem nunca esquecer os acontecimentos em Suzuka de 2014, fizeram com que a corrida em Spa de hoje se transformasse numa longa novela em que era nítido que dificilmente teríamos corrida. Só faltou tocar a música 'Dona', do grupo Roupa Nova e que na época embalava as cenas românticas da Viúva Porcina. As voltas atrás do SC foram feitas unicamente para que a corrida seja válida, mesmo que com metade dos pontos sendo distribuídos.
Alguém irá questionar: mas antigamente se corria em situações tão molhadas e traiçoeiras como a de hoje e mesmo assim tinha corrida! Antigamente também se corria sem cinto de segurança, com macacão que mais parecia uma roupa de festa, com abismos ao lado das pistas e pedras no asfalto. O fator segurança pode ser considerado chato ou 'Nutella', mas nunca devemos brincar com a vida dos outros, mesmo com pilotos super bem pagos e que escolheram essa vida quando crianças, sabendo de todos os riscos. Se a largada fosse dada, seria um show de Safety-Car ou ainda pior, poderíamos estar lamentando uma tragédia. A corrida não aconteceria de forma normal e ficaria bem abaixo da expectativa geral. A única crítica mais forte a ser feita foi a FIA ter postergado tanto tempo para algo óbvio. Outro fator é, com carros tão longos, os bólidos de F1 são mais susceptíveis a sofrer com aquaplanagens, fazendo de qualquer corrida na chuva algo mais perigoso do que o normal. Algo que deveria ser anotado para o novo carro de 2022.
São muitas discussões e problemas a serem sanados. Hoje não teve corrida e pelas condições impostas, além de todo o contexto, não dá para sair crucificando a F1, Spa ou os pilotos. Lógico que queríamos uma boa corrida na sempre empolgante pista de Spa, mas alguns fatores tem que ser colocados em questão e lições sejam aprendidas para evitar que 'corridas' como a de hoje não se repitam.
Festa completa
A corrida em Silverstone não foi das mais animadas na luta pela vitória, pois rapidamente Fabio Quartararo mostrou que o tornozelo dolorido pela queda na sexta não lhe pararia e o francês da Yamaha rapidamente assumiu a ponta da corrida para domina-la até a bandeirada, assegurando uma ótima posição no campeonato, já que os seus mais próximos perseguidores tiveram corridas ruins. Zarco nunca se apresentou forte o suficiente e ficou fora do top-10 o tempo inteiro. Bagnaia até largou na primeira fila, mas perdeu rendimento de forma gritante e só marcou dois pontos com um magérrimo P14. O atual campeão Mir foi outra decepção e segurou apenas em P9 no fim após também enfrentar uma queda livre durante a prova.
No entanto, a briga pelo segundo lugar foi próxima e com surpresas. O surpreendente pole Pol Espargaró segurou o quanto pode o seu ritmo, mas acabou fora do pódio, enquanto seu irmão mais velho fez o papel dele nas primeiras voltas, colocando a Aprilia nas primeiras posições, antes de cair de rendimento. No entanto Aleix não rolou pelotão abaixo e se manteve na briga pela segunda posição com Alex Rins na segunda Suzuki, acentuando a péssima corrida de Mir. Rins estava no mesmo pelotão de Mir no começo da corrida, foi crescendo na prov até chegar à segunda posição, segurando os ataques de Aleix e de Jack Miller, que salvou a honra da Ducati e chegou colado na Aprilia de Espargaró. Talvez o principal piloto da Ducati fosse Jorge Martin, mas o espanhol foi atingido por Marc Márquez na primeira volta e ambos estavam fora da corrida, acabando com as chances de dois potenciais pilotos que poderia estar no pódio. Brad Binder garantiu a sexta posição com a KTM, garantindo o feito inédito para a MotoGP de ter seis motos diferentes nas seis primeiras posições.
No fim Quartararo pareceu nem ter suado muito para vencer em Silverstone e abrir considerável vantagem para o vice-líder Joan Mir. Correndo praticamente sem companheiro de equipe com a polêmica saída de Maverick Viñales e tendo toda a atenção da Yamaha, o francês está com a faca e o queijo Camembert para se tornar o primeiro campeão francês da MotoGP.
sábado, 28 de agosto de 2021
Contrastes britânicos
Muito se fala que George Russell usufrui de um imenso lobby da sempre influente imprensa britânica em sua luta para estar na Mercedes em 2022. Mesmo com a força dos jornalistas da ilha da velocidade, que foram capazes de, com suas opiniões, manterem pilotos medianos por vários anos a fio na F1, George Russell está fazendo por onde ser tão elogiado e conseguir seu lugar na Mercedes num futuro próximo. Em condições traiçoeiras em Spa, Russell ofuscou a briga entre Verstappen e Hamilton para ser o grande nome da complicada classificação desse sábado, ao colocar sua Williams na primeira fila, superado no último momento por Max Verstappen, que apesar da naturalidade holandesa, nasceu na Bélgica e garantiu a festa da torcida.
O dia de hoje foi bem típico de Spa, com o tempo mudando de sol tímido para tempestade em questão de minutos, fazendo com que os pilotos e engenheiros quebrassem a cabeça durante quase duas horas, que foi a duração da classificação. Se no Q1 não houveram grandes surpresas, a Ferrari acabou ficando de fora do Q3 mesmo com as ótimas voltas de Leclerc quando a pista estava muito molhada. Vindo de uma renovação de contrato por mais um ano, Alonso ficou no Q2, enquanto o último vencedor Ocon foi ao Q3. A Williams e Russell já tinham mostrado suas credenciais quando foram ao Q1 com pneus intermediários, enquanto os demais iam com pneus de chuva forte. George foi ao Q3 e Latifi quase conseguiu, mas o melhor de Russell ainda estava por vir.
Em meio a indas e vindas da chuva, no começo do Q3 estava com uma precipitação muito pesada e Norris, que liderara os treinos até ali, estampou com força sua McLaren na Eau Rouge, reascendendo alguns questionamentos sobre a mítica curva, além de um momento bem legal de Vettel, que tinha acabado de pedir bandeira vermelha pelo rádio e quando soube de um acidente muito forte na Eau Rouge, praticamente encostou seu Aston Martin ao lado do carro de Norris para se certificar que estava tudo bem com Lando.
Depois de algum tempo, o resto do Q3 aconteceu com muita troca de posições, mesmo com pouco tempo. E numa surpresa inimaginável, Russell apareceu com setores roxos no final do Q3. Ao cruzar a linha de chegada, o piloto da Williams era o pole com muita margem, mas logo atrás vinham Lewis e Max. Hamilton não fez um bom segundo setor e ficou milésimos atrás de George, mas Max acabou com a brincadeira e ficou com a pole. Para curiosidade geral, Bottas tomou 2,4s de Russell com um carro imensamente melhor e como fora punido, Valtteri largará amanhã na P13. As desculpas de Wolff para não contratar Russell já estão cessando. Na entrevista pós-classificação, Russell não parecia deslumbrado com sua incrível exibição, demonstrando que o inglês pensa alto e já merece isso. Amanhã a previsão do clima é o mesmo de hoje, ou seja, podemos ter outra corrida maluca em 2021.
quarta-feira, 25 de agosto de 2021
História: 30 anos do Grande Prêmio da Bélgica de 1991
Senna costumava ser um mestre em Spa e o brasileiro comprovou sua reputação com sua 58º pole no circuito belga. Patrese conseguiu a segunda posição no sábado, mas foi desclassificado após uma inspeção técnica perceber que a Williams de Patrese não tinha a marcha ré funcionando. Este fora um erro grave da parte dos mecânicos e Frank Williams pediu desculpas ao piloto italiano, que largaria em décimo sétimo com seu tempo na sexta-feira. Prost ainda ficaria com um lugar na primeira fila, Berger era quarto após quebrar dois motores, com Mansell em terceiro reclamando bastante do seu Williams. A grande surpresa veio do estreante. Schumacher ficou com o quinto tempo mais rápido na sexta-feira, à frente de seu companheiro de equipe De Cesaris por quase um segundo. No sábado Michael se envolveu num incidente com Prost e jogou a culpa no veterano, mostrando uma grande personalidade. No sábado Schumacher ficou em sétimo, metendo sete décimos no experimentado De Cesaris. Era Michael Schumacher chegando com tudo!
Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:47.811
2) Prost (Ferrari) - 1:48.821
3) Mansell (Williams) - 1:48.828
4) Berger (McLaren) - 1:49.485
5) Alesi (Ferrari) - 1:49.974
6) Piquet (Benetton) - 1:50.540
7) Schumacher (Jordan) - 1:51.212
8) Moreno (Benetton) - 1:51.283
9) Martini (Minardi) - 1:51.299
10) Modena (Tyrrell) - 1:51.307
Berger faz sua parada na volta 18 e novamente a McLaren se atrapalhou, perdendo 16s na operação e para piorar, o austríaco ainda sai da pista quando retornou à corrida. Alesi havia escolhido largar com pneus duros e tentaria não parar, com isso, o francês estava em segundo, entre Mansell e Senna, mas Alesi não era atacado por Ayrton, que por sua vez tinha um impressionante De Cesaris nos seus retrovisores, antes do italiano da Jordan fazer seu pit-stop. Mansell tentava abrir vantagem, mas tudo acabou em frustração ao inglês quando ele abandonou na volta 22 com um problema elétrico. Outro golpe duro na tentativa de Mansell em brigar com Senna pelo título, mas o brasileiro ainda não liderava a prova, ponteada por Alesi na metade da prova. O terceiro colocado Piquet começou a ter problemas de desgaste de pneus e era alcançado pela dupla italiana Patrese e De Cesaris, enquanto Berger marcava a volta mais rápida da corrida em sua tentativa de recuperação. Na volta 27 Senna perde desempenho rapidamente quando erra uma marcha, o que se mostraria dramático. Senna se recupera, mas teria dois problemas. O primeiro era que o trio liderado por Piquet se aproximou de forma ameaçadora dele. E a segunda era que o câmbio da McLaren estava danificado com o raro erro de Ayrton, que teria que administrar seu câmbio com um terço de corrida pela frente. Patrese tentou ultrapassar Piquet, mas acabou saindo da pista, perdendo posição para De Cesaris.
Depois da corrida Senna confessaria que seu câmbio estava quebrado e não duraria mais nenhuma volta. Uma vitória de sorte. Ou não? "Justiça foi feita para mim! Esse sucesso compensa meus abandonos em Silverstone e Hockenheim!"
Chegada:
1) Senna
2) Berger
3) Piquet
4) Moreno
5) Patrese
6) Blundell
domingo, 22 de agosto de 2021
De volta ao jogo
A fome de Newgarden de vitória ficou clara numa das relargadas em Gateway, quando bateu rodas com seu companheiro de equipe Simon Pagenaud para ganhar uma posição e deixar o francês possesso, pois no processo perdeu o bico e caiu para último. A Penske tinha mostrado sua força com a pole de Will Power, mas o australiano nunca teve ritmo de corrida para vencer, ao contrário de Newgarden, mas o americano não era o único. A dupla da Andretti Colton Herta e Alexander Rossi fez uma ótima prova nesse sábado à noite, liderando em vários momentos junto com Newgarden, mas os dois não viram a bandeirada. Após uma parada, Herta teve problemas de transmissão e Rossi provocou a última bandeira amarela da noite ao bater sozinho no muro, continuando com a via-crucis do americano.
Quando Rossi abandonou, Newgarden tinha apenas Pato O'Ward como grande rival pela vitória, mas Josef sabia que o mexicano da McLaren não o atacaria com muito ímpeto. A primeira metade da corrida em Gateway foi bastante truncada e cheia de bandeiras amarelas, com destaque para a boa estreia de Romain Grosjean em ovais. Numa das relargadas, Rinus Veekay foi bastante otimista no aproche da primeira curva e acabou batendo em Alex Palou, que bateu em Scott Dixon. Os três foram ao muro e apenas Dixon ainda retornou à corrida, mas inúmeras voltas atrasado. Palou, que já tinha visto o motor quebrar no misto de Indianápolis semana passada, viu sua confortável vantagem no campeonato virar pó e com o segundo lugar ontem, O'Ward fez o suficiente para se tornar o novo líder do campeonato.
Porém, O'Ward tem várias cobras criadas no seu encalço nas três corridas finais. Dixon caiu para quarto no campeonato, mas nunca é interessante subestimar um piloto do tamanho do neozelandês. Com a vitória, Newgarden pulou para terceiro, meros 22 pontos atrás de O'Ward, com Palou ainda na vice-liderança muito próximo, mas precisando findar sua onda de azar. As próximas três corridas acontecerão em três palcos icônicos da Indy e os dois primeiros colocados do campeonato nunca pisaram lá. Newgarden não conhece Laguna Seca, mas já conseguiu bons resultados em Portland e Long Beach. E não restam dúvidas que o piloto da Penske vem em ascensão nesse final de campeonato rumo ao tricampeonato.








