Não faltaram candidatos a estar nessa parte da coluna em Sochi. Hamilton construiu sua vitória com a experiência adquirida em quinze anos de F1. Max Verstappen saiu da vigésima posição rumo a um incrível segundo lugar, se aproveitando de uma estratégia certeira da Red Bull, além de diminuir bastante o prejuízo pela troca de motor em seu carro. Porém, colocar aqui os dois protagonistas da temporada 2021 pode parecer chover (literalmente) no molhado. Mais do que Lewis ou Max, a grande estrela do final de semana acabou sendo Lando Norris. O jovem prodígio da McLaren vem mostrando uma evolução tamanha, que até mesmo Daniel Ricciardo, trazido a peso de ouro para liderar a equipe, está obscurecido com a velocidade e talento de Norris. Mesmo não sendo terceiro no campeonato ou conquistando tantos pódios, não resta dúvidas de que Lando é terceiro melhor piloto do pelotão em 2021 e mais uma vez ele se sobressaiu nesse final de semana. Claro que em condições normais Norris não seria o pole, mas ele colocou os pneus certos no momento exato para conseguir sua primeira pole na F1, mas na corrida Lando foi ainda mais impressionante. Fazendo uma largada prosaica, Norris acabou perdendo a ponta para Carlos Sainz (outro destaque positivo, ao lado de Charles Leclerc), mas o piloto da McLaren não desanimou e em poucas voltas ultrapassou o espanhol e dominou o restante da corrida com a categoria de um veterano. Lando viu a aproximação de Hamilton nas últimas voltas, mas em nenhum momento parecia que esmoreceria frente ao compatriota mais experiente e tarimbado. Enquanto era perseguido por Hamilton, Norris marcou a volta mais rápida da corrida. Estava tudo sob controle. Mas veio a chuva. Parar ou não parar? Hoje é fácil criticar Lando por ter escolhido ficar tanto tempo na pista cada vez mais escorregadia, mas Norris lutou pela primeira vitória e arriscou numa aposta que poderia lhe transformar em um novo vencedor de F1. Infelizmente a aposta não se pagou, Norris saiu da pista e terminou a corrida num infeliz sétimo lugar. Porém, fica a certeza de que o dia de Norris chegará. E logo!
segunda-feira, 27 de setembro de 2021
Figurão(RUS): Valtteri Bottas
Ao ficar apenas na sétima posição na confusa classificação em Sochi, Bottas teve sua missão modificada pela Mercedes para a corrida do domingo: ele iria marcar Max Verstappen no final do pelotão. A Red Bull sempre soube que a Mercedes reina absoluta no circuito de rua improvisado em Sochi e por isso resolveu troca o motor de Verstappen, fazendo-o largar em último. Sem a presença de Max nas primeiras filas, a Mercedes pensou em colocar Bottas no final do pelotão e eventualmente bloquear a esperada corrida de recuperação do neerlandês. Tudo certo, mas como diria Garrincha, faltou combinar com os russos. Ou com o holandês. Bottas ficou na frente de Verstappen nas primeiras voltas, mas tomou uma ultrapassagem desmoralizante do piloto da Red Bull, que continuou sua corrida de recuperação, enquanto Bottas, que sempre andou bem em Sochi, ficou empacado no meio do pelotão e antes da chuva que mexeu em todo o pelotão, estava fora dos pontos, com Max Verstappen mais 15s na sua frente e marcando pontos. A mesma chuva que colocou Max em segundo diminuiu o vexame de Bottas e o fez terminar em quinto com uma parada na hora certa para o finlandês. Assim como foi na hora certa a saída de Bottas da Mercedes. Apesar de ainda estar em terceiro no Mundial de Pilotos, ou seja, superando com folga o segundo piloto da Red Bull, Sergio Pérez, essa não foi a primeira vez em que Bottas falhou em ajudar a Mercedes e Hamilton em 2021.
domingo, 26 de setembro de 2021
O outro Alex
Aquilo chamou a atenção de Chip Ganassi. O velho chefe de equipe via seu time ser carregado nas costas pela lenda Scott Dixon, enquanto o outro carro parecia parar de funcionar nas mãos de qualquer piloto desde que Dario Franchitti se aposentou em 2013 por causa de um sério acidente. Palou seria mais um na longa lista de piloto que correram com o carro número dez e fracassaram? Pela primeira vez numa equipe forte e com uma certa tranquilidade, Alex Palou passou a utilizar seu talento para imitar Alex Zanardi. Porém, se Zanardi tinha uma pilotagem exuberante, Palou exibiu um jeito de guiar diferente, usando a consistência e a solidez para não apenas andar no mesmo ritmo de Dixon, como fazer uma temporada incrível apenas em sua segunda temporada na Indy. O espanhol mostrou suas armas com a vitória em Barber, sua primeira na Indy e logo assumindo a ponta do campeonato. Aos 24 anos de idade, Palou mostrou uma tenacidade de um veterano. Normalmente Palou sempre conseguia um lugar entre o top-10, além de quase ter vencido as 500 Milhas de Indianápolis. Quando era o principal favorito ao título, Palou sofreu um duro golpe com um abandono duplo no misto de Indianápolis e em Gateway. O espanhol iria entregar os pontos? Nada disso! Indo para três pistas que não conhecia, mas extremamente tradicionais na Indy, Palou mostrou que ele é feito de um material diferente. Em Portland, Palou largou na pole, saiu da pista na primeira volta, mudou a estratégia rumo a sua terceira vitória. Em Laguna Seca, uma pilotagem cerebral o fez terminar em segundo e chegar em Long Beach com a mão na taça.
A tarefa de Palou não era exatamente das mais difíceis e ficaram ainda mais tranquilas quando Ed Jones teve uma diarreia mental e bateu em Pato O'Ward no famoso grampo da última curva em Long Beach ainda nas primeiras voltas. O mexicano caiu para as últimas posições, mas o toque havia sido fatal e não demorou muito para que o semi-eixo do carro de O'Ward quebrasse. Não era dia da McLaren, definitivamente. Palou estava logo atrás do incidente e chegou a ter o carro acertado por Ryan Hunter-Reay, em sua última corrida pela Andretti após uma longa carreira na equipe. Porém, o espanhol ficava ainda mais próximo do título. Josef Newgarden tinha chances retóricas, mas o americano estava no lugar certo se algo acontecesse com Palou. Para o americano da Penske, só a vitória interessava, mas o tricampeonato só viria se Palou terminasse abaixo da vigésima quarta posição. Para um piloto tão sólido e inteligente como o espanhol, isso beirava o impossível. Sem contar que Newgarden não contava com a agressividade de outro jovem piloto.
Vindo de vitória na semana passada em Laguna Seca, Colton Herta errou na classificação após dominar os treinos livres e largara apenas em décimo quarto. O americano da Andretti foi ultrapassando quem via pela frente até tomar a ponta de Newgarden e dominar o resto da prova. Herta foi o grande destaque desse final de campeonato, com corridas dominantes, mas o americano ainda resta controlar seu ímpeto e melhorar a consistência. Talvez dos jovens pilotos da Indy, Herta seja o mais veloz.
Porém, um campeão precisa mais do que apenas velocidade. Alex Palou fez uma prova conservadora e sem correr nenhum risco rumo ao quarto lugar que lhe garantia com folgas o seu primeiro título na carreira. Tendo crescido vendo Fernando Alonso tornar o automobilismo popular na Espanha, Palou é um dos primeiros frutos da Alonsomania. Se o espanhol vai repetir a manobra do seu xará e retornar com pompa para a Europa? Difícil dizer, mas Palou provou que tem o talento e solidez necessária de um campeão. Pato O'Ward é outro dos jovens top-guns da Indy e correndo por uma equipe em acensão como a McLaren, o mexicano tem tudo para evoluir cada vez mais, sem contar que sua equipe está investindo cada vez mais em estrutura. A Penske ainda se salvou com Newgarden, mas seus demais pilotos sofreram com a irregularidade e até mesmo com fogo amigo. Scott McLaughin se tornou o novato do ano, mas esteve longe de brilhar, Will Power foi mais lembrado pelas presepadas do que sua velocidade natural e Simon Pagenaud está de saída da equipe, indo para a Meyer Schanck ao lado de Helio Castroneves, que mais uma vez mostrou ainda ter alguma velocidade em classificação, mas nenhuma consistência em ritmo de corrida. Claro, sem contar em Indianápolis, onde é um verdadeiro fenômeno. A Andretti foi outra que se salvou com apenas um piloto, no caso Herta. Os demais pilotos decepcionaram de forma retumbante, mas a equipe ainda confia em Alexander Rossi, enquanto dispensou os veteranos e cansados Hunter-Reay e James Hinchcliffe. Porém, a equipe não ficará mais nova com a mudança, pois um dos substitutos será Romain Grosjean. O francês fez um excelente ano de estreia, com corridas impressionantes recheadas de ultrapassagens agressivas. Sem se preocupar com as punições comuns da F1, Grosjean chamou a atenção de todos e em 2022 estará na forte equipe Andretti.
Como acontecera em 1996 quando apostou de forma arriscada em Alex Zanardi, Chip Ganassi sabe que fez outra aposta certeira em Palou. Com 41 anos de idade, Scott Dixon não será eterno e em algum momento o neozelandês irá parar de nos surpreender com sua pilotagem precisa e cerebral, com vários títulos e recordes. Após vários tiros n'água, parece que o velho Chip encontrou alguém que possa ser o principal piloto da equipe num futuro próximo. Marcus Ericsson conseguiu duas vitórias surpreendentes em 2021, mas muito baseado nas ótimas táticas da equipe. Dixon fez um ano abaixo dos seus altos padrões, enquanto Jimmie Johnson está apenas se divertindo na Indy. Já Alex Palou é o presente e o futuro da Ganassi na Indy. Ele não é espetacular quanto o outro Alex, mas o espanhol tem tudo que um campeão precisa.
Vitória hoje. Azar no geral
Olhando como foi a corrida, a chuva no final e comemorando sua centésima vitória, Lewis Hamilton deveria estar celebrando bastante, porém, colocando o emocional de lado, o inglês deve ter olhado para o seu lado direito no pódio e após fazer contas rápidas, ter percebido que o melhor mesmo era que a chuva não tivesse caído e ele estaria comemorando com Lando a primeira vitória do conterrâneo. Antes da chuva Hamilton estava abrindo onze pontos para Verstappen no campeonato, mas com todo o caos pluviométrico em Sochi, a diferença é de apenas dois pontos num final de semana onde a Red Bull trocou o motor de Verstappen e o holandês largou em último. Porém, a centésima vitória de Lewis Hamilton na F1 é certamente um marco histórico. Mesmo com os números inflados com um domínio gigantesco da Mercedes nos últimos anos, Hamilton tem seus méritos e a corrida de hoje foi um exemplo de sua enorme bagagem acumulada em quinze temporadas de F1. Lewis novamente largou mal, mas não se afobou e até perdeu mais posições na primeira volta. Largando com pneus médios, Hamilton ficou empacado atrás de carros nitidamente mais lentos, mas em nenhum momento fez um ataque incisivo, apenas esperando que os carros à sua frente visitassem os pits e ele tivesse pista livre. Foi nesse momento que ele viu a aproximação incrível de Verstappen, mas Lewis fez sua parada e com pneus duros e finalmente pista livre, se tornou o piloto mais rápido na caça à Lando Norris, líder da corrida desde a ultrapassagem sobre Carlos Sainz ainda nas primeiras voltas. Hamilton encostou em Norris, ensaiou alguns ataques, mas vendo que Norris tinha um bom ritmo com sua McLaren da mesma forma como em Monza, parecia conformado com o segundo lugar, quando veio a chuva e tudo mudou. Hamilton contou com a teimosia de Lando em permanecer na pista, mas qual campeão é azarado? Afinal, os grandes campeões fazem sua própria sorte e hoje Hamilton construiu sua centésima vitória desde a primeira volta e ainda foi bafejado pela sorte.
sábado, 25 de setembro de 2021
Aleatoriedade
Com direito a raios e tempestade, parecia que hoje seria outro dia com reclamações de fãs mais exaltados de que a F1 não corre em pista molhada. A corrida da F2 foi adiada e parecia que a F1 treinaria somente no domingo, quando há previsão de tempo bom. No entanto a chuva foi embora e a classificação da F1 aconteceu sem maiores dramas em sua maior parte. Na polêmica regra de trocas demais de motores fazendo que pilotos percam posições, Max Verstappen sequer se deu o trabalho de treinar. Deu um shakedown, recolheu o carro e torcerá para que complete uma corrida de recuperação no domingo. O mesmo acontecendo com Leclerc e Latifi. Tenho uma ideia de que seria muito mais inteligente pensando na parte esportiva em que tirar pontos do Mundial de Construtores a cada troca a mais de motor, mas como a Liberty ou a FIA dificilmente lerá isso, temos que nos conformar com essas bizarrices do líder do campeonato largando de último. Um dos motivos da quarta e proibida troca do motor de Max foi o desempenho da Mercedes. Mesmo com piso molhado era esperado uma dobradinha dos carros negros, provavelmente com Sergio Pérez beliscando um terceiro lugar para perturbar a turma da Mercedes. Isso, na teoria.
Todos os pilotos usaram os pneus intermediários até a metade do Q3, quando George Russell, onipresente no Q3, pediu para a Williams preparar os pneus slicks. O começo do inglês foi lento, mas a pista tinha um claro trilho seco, significando uma romaria para os pits. Até então líder com folga, Hamilton também foi aos boxes colocar pneus slicks e acabou batendo bisonhamente na entrada dos pits, trazendo o caos para a Mercedes. Ninguém esperava trocar o bico de Lewis, que ficou muito tempo esperando o bico novo e nisso, chegou Bottas, em segundo. Isso atrasou definitivamente os dois pilotos da Mercedes, que não tiveram tempo de aquecer seus pneus de forma correta e não melhoraram seus tempos.
Enquanto isso, Sainz aparecia com parciais roxas e o espanhol, até então discreto nesse final de semana, marcou a pole provisória, mas logo atrás Lando Norris cravou a pole definitiva, fazendo a alegria da McLaren pelo segundo final de semana de corrida seguido. Com tempo para aquecer os pneus, Russell ainda teve tempo para tirar Hamilton, que rodou em sua tentativa, das entrevistas dos top3.
Com tamanha surpresa, houve cenas de júbilo com Norris e Russell, com Sainz mais pragmático. Bottas e Pérez também não melhoraram seus tempos com pneus slicks, caindo várias posições, aumentando a derrota da Mercedes, que esperava uma primeira fila e teve que se contentar com P4 e P7. Mesmo sem treinar, Max ainda teve motivos para sorrir. Norris vibrou como nunca, assim como os fãs da F1, que viram outro resultado maluco nessa temporada inesquecível de 2021.
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
Que pena...
domingo, 19 de setembro de 2021
Seguindo a tradição da família
A corrida no belíssimo e tradicional circuito de Laguna Seca ocorreu quase sempre em bandeira verdade, pois a única bandeira amarela aconteceu no início da corrida e foi bem rápida. Alexander Rossi teve uma privação de sentidos e quase bateu no seu companheiro de equipe Colton Herta, sendo que Rossi foi a única vítima da sua afobação. Quando a bandeira verde reapareceu, a corrida se desenvolveu sem nenhum incidente, facilitando a vida de Colton Herta. Não foi a primeira vez que Colton dominou uma corrida em 2021, mas houve o caso de Nashville, quando Herta era claramente o piloto mais rápido do dia, mas teve azar numa bandeira amarela e acabou no muro. Hoje Colton imprimiu um ritmo forte e liderou 91 das 95 voltas. Colton também teve a sorte de que quem mais o ameaçou estava pensando mais no campeonato. Após a presepada de Rossi, Will Power assumiu a segunda posição, mas logo o australiano entrou nos boxes com problemas de motor, elevando Alex Palou ao segundo lugar. O jovem espanhol da Ganassi correu pensando unicamente no campeonato, não se preocupando muito em atacar Herta, que em troca não deu chances à Palou.
O único momento em que os dois primeiros colocados estiveram próximos foi quando Herta ficou preso atrás de um bolo de retardatários e mesmo assim, Palou não forçou nenhuma barra, pois sabia que estava amealhando importantes pontos no campeonato. Numa corrida onde o desgaste de pneus foi bastante acentuado, Pato O'Ward se perdeu na estratégia e ficou bastante longe da luta pela vitória, que nessa altura era o único resultado que lhe interessava. Pior atuação teve Scott Dixon. O hexacampeão esteve irreconhecível hoje e pecou justamente numa de suas melhores qualidades, que é a administração de corridas. Dixon quase levou uma volta hoje e ainda se envolveu num toque involuntário com Sato, saindo definitivamente da luta pelo título desse ano. Newgarden largou em 17º, arriscou numa heterodoxa estratégia de quatro paradas que acabou lhe colocando no top-10 no final, mas o americano da Penske tem chances apenas retóricas de conquistar o tricampeonato. Basta Palou largar semana que vem em Long Beach para que Josef saía do páreo.
No último stint da corrida, Romain Grosjean tomou conta do show. A sua equipe sempre esticava as paradas, fazendo com que Grosjean liderasse brevemente enquanto permanecia na pista. Porém, a tática se pagou na última parada, quando Grosjean colocou os pneus macios com poucas voltas para o fim e como a pista estava bem emborrachada, o desgaste não seria tão acentuado. Grosjean foi para cima de quem via pela frente, passando por fora ou por dentro, num ritmo alucinante do francês. Tão alucinante que quase pôs tudo a perder quando foi colocar uma volta em Jimmie Johnson na mítica curva Saca-Rolha.
Grosjean subiu para o terceiro lugar, tirando pontos importantes de Pato O'Ward, que teve que se conformar com o quarto lugar. Palou teve que aumentar o ritmo para não ser importunado por Grosjean, mas o segundo lugar conquistado em Laguna Seca foi bastante valioso para o espanhol, que chegará à última corrida da temporada com uma mão e meia na taça.









