Foram sete anos. Sete anos de escolhas erradas, declarações polêmicas e explosivas, homenagens, novas experiências e a certeza de que Fernando Alonso, no alto dos seus quarenta anos, ainda é um dos grandes pilotos da F1. O espanhol foi gigantesco na nova pista do Catar, onde andou muito forte o final de semana inteiro e agraciado pelas punições de Max e Bottas, Alonso largou em terceiro. De forma esperada Fernando não teve como se defender da dupla da Red Bull, mas ao arriscar uma estratégia de uma parada, onde outros pilotos viram seus pneus estourarem, Alonso conseguiu segurar um miraculoso terceiro lugar e subir ao pódio na F1 pela primeira vez desde 2014. Apesar de um começo lento, estar enfrentando uma novíssima geração que o viu correr quando crianças e estar limitado por um carro inconsistente como o da Alpine, Alonso se mantém como um piloto de ponta.
segunda-feira, 22 de novembro de 2021
Figurão(CAT): Red Bull
O segundo lugar de Max Verstappen foi tudo o que o neerlandês poderia conseguir num final de semana dominante da Mercedes de Lewis Hamilton, mas tudo ficou mais difícil para Max com a sua punição recebida depois da classificação, quando não tirou o pé no final do Q3 com o carro de Pierre Gasly parado próximo da entrada dos boxes e a dupla bandeira amarela sendo mostrada para quem quiser ver. Concentrado e andando em alta velocidade, Max também poderia tirar o pé, mas não tinha quem lhe avisasse que havia uma bandeira amarela no terceiro setor? A Red Bull pecou nesse quesito, mas por sorte não foi decisivo para Max, pois o segundo lugar era o máximo que ele poderia conseguir nesse domingo, porém, num campeonato tão apertado e que pode ser decidido nos detalhes, erros assim podem causar grandes estragos. Por fim, o comportamento de Christian Horner e Helmut Marko foi mais do mesmo, mas nem por isso menos reprovável a ponto de Horner ter que se explicar à direção de prova pelas abobrinhas ditas.
domingo, 21 de novembro de 2021
Fim de duas eras
Nesse final de semana foram decididos dois campeonatos mundiais, em duas e quatro rodas. Se no WRC não houve nenhuma novidade com o oitavo título de Sebastien Ogier, no Mundial de Superbike uma era pode estar chegando ao fim com o primeiro campeonato de Toprak Razgatlioglu, derrotando o hexacampeão Jonathan Rea.
No WRC o veterano Ogier conquistou a 200º vitória da França na categoria e seu oitavo título no dia de hoje, ficando apenas um do seu compatriota e xará Loeb. Falo no passado pois Ogier, mesmo ainda em forma, já anunciou que fez em 2021 sua última temporada completa do WRC. Com apenas doze etapas esse ano, o WRC viu o domínio da Toyota, que venceu nove etapas, sendo cinco com Ogier. Com apenas dois triunfos, o galês Elfyn Evans foi o grande rival de Ogier até a última etapa realizada nesse domingo na Itália, usando partes do circuito de Monza, mas a experiência de Ogier falou mais alto e o francês entrou no olimpo do esporte a motor.
Os campeonatos vão terminando em 2021 e no caso do WRC e da Superbike, significando o fim de duas eras em modalidades importantes.
Virada definitiva?
sábado, 20 de novembro de 2021
Dando asas
Construído para a MotoGP e a muitos anos na categoria, Losail lembra um pouco o circuito também desértico de Sakhir no Bahrein, com uma reta muito longa e um conjunto de curvas no miolo. A diferença para o traçado barenita é que Losail não tem a reta oposta, é bem mais estreito e se para as motos as curvas são de baixa, a F1 as transformou em curvas de média e até mesmo alta! Isso agradou em cheio os pilotos com a seletividade das curvas, porém, essa ação traz como reação, principalmente num traçado notoriamente estreito no miolo, a dificuldade em se ultrapassar, algo que amanhã poderemos confirmar ou, tomara, não. Outro fator foi a altura das zebras, que causou alguns incidentes com o assoalho dos carros e no final do Q3 quebrou a asa dianteira de Gasly. Isso pode ser um fator na corrida.
Antes de Interlagos olhava-se para Losail como uma pista da Red Bull, mas ocorreu justamente o contrário. Se a força do novo motor Mercedes não se mostrou tão evidente como em Interlagos, ainda garantiu uma vantagem na longa reta catari e Hamilton fez todo o resto no miolo do circuito, numa voltaça no Q3 onde enfiou meio segundo goela abaixo de Verstappen, que largará na primeira fila. Como já se mostrou comum, Bottas fez ótimos treinos, mas na hora H o nórdico ficou abaixo e não brigou pela pole, mas ao menos Valtteri não prestou o papelão de Pérez. Checo em nenhum momento se mostrou à vontade no Catar mesmo sendo um dos poucos pilotos a conhecer a pista e até ter vencido lá. O mexicano voltou a ter um momento bem ruim e ficou no Q2 de maneira até mesmo humilhante, pois Pérez, com pneus macios, foi superado pela Ferrari de Sainz com pneus médio. Algo preocupante para a Red Bull amanhã, pois Verstappen estará na conhecida situação de enfrentar os dois carros da Mercedes sozinho, mesmo que Gasly ainda tenha conseguido o quarto lugar.
A corrida pode ser definida na largada pela dificuldade de se ultrapassar e na clara intenção das equipes de parar apenas uma vez amanhã. Depois da vitória no México, parecia que Max vinha mais forte para esse fim de ano, mas o triunfo em Interlagos, com todo o contexto, trouxe um up para Hamilton que pode fazer a diferença. O inglês está por cima agora, mas com tantas mudanças e reviravoltas ao longo do ano, isso pode facilmente mudar. Uma dessas formas de mudança se dará no grid de amanhã, onde teremos mais uma vez a tensão de ter Lewis e Max novamente na primeira fila e pelo histórico desse ano, podemos esperar muita coisa dos dois contendores ao título em outro capítulo dessa emocionante temporada 2021.
segunda-feira, 15 de novembro de 2021
Figura(BRA): Lewis Hamilton
Não podia ser outro! A temporada de altíssimo nível de Lewis Hamilton vem se mostrando um divisor de águas na percepção do lugar do inglês na história da F1, mas em Interlagos o piloto da Mercedes exagerou em exuberância e carisma. Com a Mercedes pensando em deixar Lewis numa situação cada vez melhor no campeonato, os alemães resolveram trocar o motor do seu primeiro piloto, garantindo uma punição de cinco posições no grid no domingo. Porém, as coisas piorariam bastante na sexta. Após marcar a pole para a Sprint Race, veio uma punição por uma montagem incorreta do DRS, jogando Hamilton para último, ou seja, vinte posições abaixo. Lewis entrou numa vibe de recuperação e de não desistir. Talvez inconscientemente, Hamilton entrou no mesmo modo de Ayrton Senna quando ele foi desclassificado em Suzuka/89 e debaixo de um aguaceiro em Adelaide, destruiu seus oponentes enquanto esteve na pista. Senna queria mostrar seu recado e dar na pista o que lhe foi tirado fora dela. Hamilton encarou o resto do final de semana dessa maneira. No sábado Lewis conseguiu nada menos do que quinze ultrapassagens e é de se registrar que ele estava próximo da briga pela terceira posição. Isso, em 24 voltas. O que o inglês poderia fazer em 71? A resposta foi dada num domingo brilhante de Hamilton, que chegou à terceira posição após largar em décimo em menos de cinco voltas e logo partiu para cima dos dois carros da Red Bull. Se a luta contra Pérez já tinha sido renhida, o que seria com Max Verstappen? Conforme expectativa, Hamilton e Verstappen deram outro show de pilotagem, mas usando a potência do seu motor, Hamilton precisou lutar muito para ultrapassar um aguerrido Max e vencer a corrida em São Paulo, que pode lhe dar o gás necessário rumo as três corridas que faltam para finalizar o campeonato. Em 405 km de disputa em Interlagos, Hamilton ultrapassou cada um dos seus dezenove adversários do grid da F1. Lembram de Senna? Ídolo confesso do tricampeão, Hamilton resolver utilizar os mesmo artifícios do brasileiro para transformar Interlagos num caldeirão de emoções e as cenas vistas em Interlagos ficarão para sempre marcados na história do tradicional circuito, na F1 e na carreira desse incrível Lewis Hamilton.
Figurão(BRA): Yuki Tsunoda
O japonês da Alpha Tauri, protegido da Honda, vai terminando sua temporada de estreia com a certeza de que estará novamente na F1 em 2022. Se é justo ou não, são outros quinhentos. Tsunoda até estreou bem na F1 ao marcar pontos na sua primeira corrida, sendo o primeiro nipônico a fazê-lo, mas o pequenino japonês não conseguiu evoluir como piloto e os acidentes se amontoaram ao longo da temporada, fazendo até mesmo que Tsunoda se mudasse da Inglaterra para a Itália, próximo à fábrica da Alpha Tauri. Mesmo com Pierre Gasly sendo um dos pilotos mais sólidos do grid atualmente, Tsunoda nem de longe consegue andar no mesmo ritmo do companheiro de equipe e seu ritmo de corrida não é nada demais, fazendo com que Gasly, praticamente sozinho, ainda mantenha a Alpha Tauri na briga pela quinta posição no Mundial de Construtores, já que Tsunoda dificilmente marcar pontos para ajudar a causa do time satélite da Red Bull. Em Interlagos tivemos uma síntese como está sendo a temporada de Tsunoda. Na classificação o japonês ficou atrás de Gasly e largando no meio do pelotão, Tsunoda sempre está propenso em se envolver em confusões. Numa manobra para lá de otimista no Esse do Senna, Yuki tentou ultrapassar Lance Stroll e acabou atingindo a lateral do canadense, que dessa vez não teve culpa da privação de sentidos de Tsunoda. Após alguns característicos palavrões via rádio, Tsunoda teve que trocar sua asa dianteira, estragando sua corrida e ficando longe dos pontos. Mais uma vez a Alpha Tauri ficou na dependência dos pontos amealhados por Gasly para permanecer empatada com a Alpine, que marca pontos com seus dois pilotos. Algo bem diferente da Alpha Tauri. Se não melhorar muito em 2022, será difícil ver Tsunoda ir para uma terceira temporada na F1, ainda mais com a saída da Honda.