domingo, 28 de novembro de 2021

Godspeed, sir Frank

 


A manhã desse último domingo sem F1 antes da grande decisão do campeonato de 2021 nos reservou uma enorme tristeza. Para quem ama e acompanha a F1, a sensação que existe foi que um parente bem afastado, mas especial e com uma história incrível nos deixou. Pela idade, a gente até poderia adivinhar que isso poderia acontecer a qualquer momento, mas nesses momentos somos todos egoístas e não queremos encarar a triste realidade. Nesse 28 de novembro de 2021 a equipe Williams anunciou o falecimento de Sir Frank Williams, aos 79 anos de idade. Amado, reconhecido e respeitado por toda a sua história, Frank Williams construiu um império vindo do nada, não sem antes sofrer bastante para realizar o seu sonho. Desde novo Frank foi obcecado pelas corridas, começou como mecânico e depois se aventurou como piloto de F3, mas rapidamente ficou claro que o lugar de Williams não era atrás de um volante, mas no pit-wall, comandando tudo.

Inicialmente ele conheceu um contemporâneo bem mais talentoso do que ele e com dinheiro para começarem uma equipe de F2, chamado Piers Courage. O inglês era um dos pilotos mais promissores na segunda metade dos anos 1960 e em 1969 estreou na F1 pela equipe de Frank Williams com um Brabham cliente, onde conseguiu dois segundos lugares. Porém, tudo parecia ir abaixo quando Courage morreu em 1970, bem no dia da final da Copa do Mundo daquele ano. Frank Williams ficou arrasado e falam que a morte do seu amigo Courage fez com que Frank tivesse um tratamento tão frio com seus pilotos posteriormente. Frank nunca teria um bicampeão e isso não é uma simples coincidência. Ele não queria ficar tão próximo do seus pilotos. No entanto Frank ainda tinha um sonho a realizar e foi atrás dele, não importando quão custoso isso seria. As histórias de Frank Williams para permanecer na F1 chegaram a entrar no folclore da categoria, como o conto onde pagou um mecânico que estava com o salário atrasado com um relógio que usava. Foram tempos difíceis, onde até mesmo correr com Frank Williams era sinônimo de cilada. Em 1976 ele se juntou ao milionário Walter Wolf e o que parecia ser a garantia de bons tempos se transformou em pesadelo quando os dois brigaram e Frank teve que sair da própria equipe. Sem pestanejar, Frank criou outra equipe em 1977, que a chamou de Williams Grand Prix Engineering. 

Frank tinha ficado impressionado com um jovem engenheiro chamado Patrick Head e o contratou para a sua 'nova' equipe. Sim, Frank Williams já chefiou a Iso Marlboro, a Politoys, a De Tomaso. Todas fracassaram. Muitas pensavam que esse 'novo' empreendimento seria outro furo n'água na história de Frank. Ledo engano. Após anos de luta, Frank conseguiu o chamado bilhete da loteria quando conseguiu o contato com empresários sauditas, que passaram a patrocina-lo. A Williams se tornava uma das equipes com mais dinheiro na F1, mas ainda existia a desconfiança de todos. Frank daria conta? Além de Head, Frank Williams contratou um piloto, assim como ele, considerado marginalizado dentro do paddock: Alan Jones. Os primeiros resultados iriam começar a aparecer. Jones conseguiu o primeiro pódio em 1978 e para a temporada seguinte, Frank teria dinheiro suficiente para ter um segundo carro, contratando o veterano Clay Regazzoni. O novo carro da Williams demoraria a ficar pronto pelas mudanças ocorridas na época, com a consolidação do carro-asa, mas quando o FW07 ficou pronto, as vitórias não demoraram a aparecer. Ao contrário do esperado, o primeiro vencedor não foi Jones, mas Regazzoni no GP da Inglaterra de 1979 em Silverstone. Jones venceria outras quatro corridas e a Williams se tornava favorita para 1980, contudo, haveria uma pedra no caminho da Williams que logo se juntaria ao time: Nelson Piquet. Jones e Piquet brigaram o campeonato todo, mas em Montreal Jones apareceu com um intimidador macacão verde escuro e deu um chega pra lá em Piquet na largada que praticamente decidiu o campeonato para ele. Após dez anos de lutas inglórias, Frank Williams conquistaria seu primeiro título na F1.

Os anos seguintes seriam de consolidação para Frank e seu time. A Williams se tornaria uma gigante na F1 e o sonho de Frank parecia realizado, mas tudo poderia ter chegado ao fim abrupto em fevereiro de 1986. Voltando de um teste em Paul Ricard, Frank sai da estrada com seu carro e o capota, comprimindo seu pescoço. Sua situação era tão desesperadora, que chegou-se a sondar que desligassem seus aparelhos. Sua família foi contra e alguns meses depois, Frank Williams entrava em Silverstone de cadeira de rodas para liderar sua equipe. Pela briga entre Piquet e Mansell, o título de pilotos foi perdido em 1986, mas o de Construtores foi ganho e no ano seguinte a dobradinha foi conquistada. A Williams continuava na F1 e ainda seria forte por bons anos.

Frank Williams permaneceu mais 25 anos no comando da sua equipe, conquistando outros quatro títulos de pilotos (Mansell, Prost, Hill e Villeneuve), seguindo os campeonatos conquistados por Jones, Rosberg e Piquet. O baque pela morte de Ayrton Senna foi grande, mas não diminuiu a gana de Frank, que se manteve competitivo até 2003, ano em que Juan Pablo Montoya esteve na luta pelo título. Com o fim da parceria com a BMW no final de 2005, a Williams iniciou um caminho até o momento sem volta para o final do pelotão, retornando aos tempos em que a Williams lutava não por vitórias, mas por alguns pontos. No GP da Espanha de 2012 Pastor Maldonado conquistou a 114º e última vitória da Williams na F1. Frank deixou a equipe aos cuidados de sua filha Claire, mas após vários anos de declínio, ela vendeu o time em 2020.

A equipe Williams aprendeu com seu fundador em nunca desistir. Nesse ano contou com o talento de George Russell para conseguir resultados acima do potencial do carro. Quem, como eu, começou a acompanhar a F1 no final dos anos 1980, ver Frank Williams na sua cadeira de rodas acompanhando as corridas se transformou em sinônimo da F1 e perseverança em como uma pessoa pode liderar uma equipe mesmo com limitações. Frank Williams foi um dos últimos garagistas, terminando uma era belíssima da F1, que encaminhou a categoria para o que ela é hoje. Respeitado por sua história, sua determinação, sua tenacidade e seu amor pelas corridas, sir Frank Williams estará para sempre nos corações de todos que acompanham a F1.

Vá com Deus, sr Frank! 

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Figura(CAT): Fernando Alonso

 Foram sete anos. Sete anos de escolhas erradas, declarações polêmicas e explosivas, homenagens, novas experiências e a certeza de que Fernando Alonso, no alto dos seus quarenta anos, ainda é um dos grandes pilotos da F1. O espanhol foi gigantesco na nova pista do Catar, onde andou muito forte o final de semana inteiro e agraciado pelas punições de Max e Bottas, Alonso largou em terceiro. De forma esperada Fernando não teve como se defender da dupla da Red Bull, mas ao arriscar uma estratégia de uma parada, onde outros pilotos viram seus pneus estourarem, Alonso conseguiu segurar um miraculoso terceiro lugar e subir ao pódio na F1 pela primeira vez desde 2014. Apesar de um começo lento, estar enfrentando uma novíssima geração que o viu correr quando crianças e estar limitado por um carro inconsistente como o da Alpine, Alonso se mantém como um piloto de ponta.

Figurão(CAT): Red Bull

 O segundo lugar de Max Verstappen foi tudo o que o neerlandês poderia conseguir num final de semana dominante da Mercedes de Lewis Hamilton, mas tudo ficou mais difícil para Max com a sua punição recebida depois da classificação, quando não tirou o pé no final do Q3 com o carro de Pierre Gasly parado próximo da entrada dos boxes e a dupla bandeira amarela sendo mostrada para quem quiser ver. Concentrado e andando em alta velocidade, Max também poderia tirar o pé, mas não tinha quem lhe avisasse que havia uma bandeira amarela no terceiro setor? A Red Bull pecou nesse quesito, mas por sorte não foi decisivo para Max, pois o segundo lugar era o máximo que ele poderia conseguir nesse domingo, porém, num campeonato tão apertado e que pode ser decidido nos detalhes, erros assim podem causar grandes estragos. Por fim, o comportamento de Christian Horner e Helmut Marko foi mais do mesmo, mas nem por isso menos reprovável a ponto de Horner ter que se explicar à direção de prova pelas abobrinhas ditas.

domingo, 21 de novembro de 2021

Fim de duas eras

 Nesse final de semana foram decididos dois campeonatos mundiais, em duas e quatro rodas. Se no WRC não houve nenhuma novidade com o oitavo título de Sebastien Ogier, no Mundial de Superbike uma era pode estar chegando ao fim com o primeiro campeonato de Toprak Razgatlioglu, derrotando o hexacampeão Jonathan Rea.


Nas motos o turco Razgatlioglu, pupilo da lenda Kenan Sofuoglu, conseguiu um lugar na equipe oficial da Yamaha em 2021 e com um pilotagem agressiva, enfrentou a lenda Rea e sua Kawasaki. Os dois praticamente dividiram as vitórias ao longo do ano, mas no fim o piloto da Yamaha conseguiu superar Rea com mais constância e chegou à última etapa na Indonésia com uma bela vantagem. Para aumentar o drama, choveu forte e uma das corridas foi suspensa, mas Razgatlioglu só precisou de um segundo lugar na primeira bateria para acabar com o longo reinado de Rea. Com 25 anos de idade, Toprak Razgatlioglu chegou a ser cogitado a uma mudança para a MotoGP para o lugar de Rossi e todos vêm no turco um nome a ser observado nos próximos anos, além de consolidar um excelente ano para a Yamaha, campeã na MotoGP e no Mundial de Superbike. Rea ficará outro ano no Superbike e tentará resgatar seu título, mas terá forte oposição de Toprak e Scott Redding.

No WRC o veterano Ogier conquistou a 200º vitória da França na categoria e seu oitavo título no dia de hoje, ficando apenas um do seu compatriota e xará Loeb. Falo no passado pois Ogier, mesmo ainda em forma, já anunciou que fez em 2021 sua última temporada completa do WRC. Com apenas doze etapas esse ano, o WRC viu o domínio da Toyota, que venceu nove etapas, sendo cinco com Ogier. Com apenas dois triunfos, o galês Elfyn Evans foi o grande rival de Ogier até a última etapa realizada nesse domingo na Itália, usando partes do circuito de Monza, mas a experiência de Ogier falou mais alto e o francês entrou no olimpo do esporte a motor.


Mesmo não tendo o mesmo carisma de Loeb, Ogier só tem um título a menos do que o compatriota e foi piloto dominante dos anos 2010 no WRC. Para os gauleses, foi o fim de um domínio avassalador, onde conquistaram nada menos do que dezessete títulos nos últimos dezoito anos, acabando com a fama dos finlandeses como os grandes especialistas nos ralis. Contudo, se Loeb deixou Ogier como seu substituto, nenhum francês veio no vácuo de Ogier, mas não faltam novos nomes no rali. Campeão de 2019, Ott Tanak tentará superar os azares que lhe tiraram muitas vitórias nesse ano, além da falta de confiabilidade do Hyundai, algo que também afetou bastante o belga Thierry Neuville. Porém, a Toyota virá forte com Evans e Kalle Rovanpera, jovem piloto de 21 anos e filho do antigo piloto da Peugeot no WRC Harri Rovanpera. Kalle venceu duas etapas, se tornando o mais jovem no WRC a consegui-lo e é um dos pilotos mais promissores dos ralis na atualidade.

Os campeonatos vão terminando em 2021 e no caso do WRC e da Superbike, significando o fim de duas eras em modalidades importantes. 

Virada definitiva?

 


A temporada 2021 da F1 vem se caracterizando pela incrível alternância de forças entre Mercedes e Red Bull. Ao final da corrida no México, Max Verstappen vencia pela segunda corrida consecutiva, além de resultados mais forte do que seu rival Hamilton e já se falava que o neerlandês poderia ser campeão por antecipação. A cara de Lewis no pódio da Cidade do México indicava que a sua situação saía do controle aos poucos, mas veio Interlagos e um novo motor da Mercedes para inverter tudo. Hamilton teve um final de semana histórico em Interlagos e passado apenas uma semana, a F1 voou para o Oriente Médio para a corrida no novo circuito de Losail, há anos na MotoGP, mas estreando na F1. Parecia um circuito Red Bull. Parecia. A Mercedes e Lewis Hamilton deram uma resposta e tanto no Catar e Hamilton venceu com o pé nas costas no oriente, diminuindo a desvantagem que ainda tem para Max, porém, ninguém duvida que o momento é totalmente favorável à Lewis Hamilton.


Poucas horas antes da corrida houve a confirmação da punição à Max Verstappen e Vallteri Bottas por terem desrespeitado as bandeiras amarelas no final do Q3, quando o pneu de Gasly estourou na entrada dos boxes. O que mais me causa espanto foi a FIA demorar tanto em algo que, eu estando a milhares de quilômetros de distância e tendo apenas a TV na minha frente vi a infração na hora, e os comissário da FIA, treinados, no local do incidente, com dezenas de telas à disposição vendo a situação demorarem horas para constatar o óbvio. É mais uma prova do quão assustado está Michael Masi em meter seu bedelho na briga pelo título, tendo o australiano punido pilotos e equipes seguidas vezes ao longo de 2021 por variadas situações em que o melhor seria ficar quieto e agora por questões idênticas, Masi é cobrado a agir. Com Bottas em sexto e Verstappen em sétimo no grid, a largada ganhou um temperou adicional de tensão, tendo Gasly na primeira fila e Fernando Alonso, um exímio largador, em terceiro. Porém, Lewis Hamilton acabou com qualquer tipo de tensão ao largar bem, apontar sua Mercedes em primeiro na largada e praticamente colocar o braço para fora para vencer com imensa facilidade a corrida inaugural no Catar. Hamilton não foi ameaçado em nenhum momento, administrando a corrida a sua bel prazer, não dando chances à Verstappen. Verstappen? Sim, o neerlandês nem ligou para a sua punição e ainda na primeira volta já aparecia em quarto, só não subindo para terceiro quando teve sua porta fechada com vontade por Alonso. Max não teve dificuldades para ultrapassar Alonso e Gasly para se estabelecer na segunda posição, mas sem chances de atacar Hamilton e defender sua agora diminuta vantagem. O piloto da Red Bull se mostrou resignado após a corrida, pois era claro que não tinha qualquer chance contra Hamilton. O problema é que faltam duas corridas e a maré está inteiramente à favor do piloto inglês.


Se Max permanecia frio frente à nova situação, era claro a tensão de Helmut Marko e Jos Verstappen debaixo do pódio. O novo motor Mercedes deu uma vantagem que pode ser decisiva para Hamilton e o inglês aproveitou isso com a segunda vitória consecutiva nessa reta final de campeonato. A pergunta que se começa a fazer é se vale a pena a Honda colocar um novo motor no carro de Max (acarretando em uma nova punição) e conseguir uma nova reviravolta no campeonato. Enquanto a turma da Red Bull e da Honda queimam as pestanas, a Mercedes se vê com a mão superior nessas jogadas finais.


Apesar de todo o protagonismo de Lewis e Max, não se pode deixar de destacar o pódio de Fernando Alonso. O espanhol começou o ano devagar, mas logo estabeleceu seu alto nível, só sendo limitado pelo carro que tem. No entanto, em algumas oportunidades víamos a genialidade de Alonso e nesse domingo o espanhol deu outro show. Numa pista em que Fernando logo se apaixonou, o piloto da Alpine aproveitou-se dos pneus macios para ultrapassar Gasly e se estabelecer em terceiro, não ligando pelo rolo compressor chamado Max Verstappen. Alonso sabia que seu principal rival usava um carro da Red Bull, mas não era Max. Mais atrás Sergio Pérez se recuperava de sua classificação bisonha e com ultrapassagens seguras o mexicano foi se aproximando do pelotão dianteiro e após a primeira rodada de paradas, ultrapassou Alonso para o que seria um bom terceiro lugar para o mexicano, contudo, a Red Bull resolveu chamar Pérez para uma segunda parada, deixando Alonso novamente em terceiro e Fernando havia decidido: não pararia mais. Não foi uma decisão fácil e confortável. No fim da corrida muitos carros começaram a ter furos de pneus, particularmente o dianteiro esquerdo. Eram carros que estavam na mesma estratégia de Alonso. Vários carros diminuíram o ritmo e Pérez foi ultrapassando quem via pela frente. Porém, um dos carros que furaram o pneu, Latifi, abandonou seu carro na pista, trazendo um controvertido Virtual Safety Car. Era mesmo necessário? Alonso bradou aos céus! Foram praticamente duas voltas de intervenção e como Pérez não poderia tirar a diferença, quando a corrida voltou não houve tempo para Checo atacar e Alonso conseguiu seu primeiro pódio em sete anos. Pérez estava menos de 3s atrás e provavelmente ultrapassaria sem o VSC. Bendito VSC!


Como já aconteceu outras vezes, Pérez deixou para trás uma classificação ruim com uma corrida cheia de ultrapassagens e só não subiu ao pódio pelo tardio VSC. Falando em pneus furados, um dos afetados foi Bottas. O finlandês largou na frente de Max, mas em nenhum momento atrapalhou o adversário de sua equipe. Na verdade, Bottas perdeu várias posições na largada e ficou algumas voltas empacado, fazendo com que Toto Wolff praticamente o obrigasse a ultrapassar carros nitidamente mais lentos que o seu. Foi outra corrida ruim de Bottas, que agora vê Pérez se aproximar na luta pelo terceiro lugar no Mundial de Pilotos e para saber quem será o melhor coadjuvante das equipes gigantes de 2021. O terceiro lugar de Alonso foi uma ótima exibição da Alpine, com Ocon chegando em quinto e praticamente colocando a montadora francesa na quinta posição do Mundial de Construtores num péssimo dia para a Alpha Tauri, zerada mesmo com seus dois pilotos terminando a prova. Assim como ocorrera na Hungria, quando Alonso segurou Hamilton para garantir o lugar de Ocon rumo à vitória, hoje foi a vez do francês segurar Pérez quando estes se encontraram na pista durante a perseguição do mexicano. As curvas lado a lado com Ocon podem ter custado o tempo para que Pérez chegasse ao pódio hoje. As Ferraris não brilharam e ainda foram surpreendidas pela estratégia de uma parada de Lance Stroll, que terminou num bom sexto lugar após um final de semana opaco do canadense. Sainz e Leclerc chegaram juntos e juntos se aproximam de Lando Norris no Mundial de Pilotos. Após ficar boa parte do campeonato em terceiro lugar no Mundial de Pilotos, Norris vê o quinto lugar ameaçado pela dupla da Ferrari, com a montadora italiana já praticamente se garantindo como terceira colocado no Mundial de Construtores, com a queda da McLaren e com Ricciardo não conseguindo andar ao nível de Norris de forma constante. Vettel marcou o último ponto da noite, mas o alemão acabou eclipsado por Stroll. A dupla da Alfa Romeo também não brilhou, enquanto os pilotos da Williams tiveram seus pneus furados no fim. A Haas teve vários problemas com o carro de Mazepin e talvez isso explique um pouco o russo ter tomado mais de um minuto de Mick Schumacher. Claro, sem contar a diferença de talentos entre eles...


Após uma cansativa rodada tripla, a F1 terá um leve respiro antes das duas corridas finais, que prometem tirar o fôlego dos fãs, apesar do que os palcos não sejam os mais apropriados. Após surgirem dúvidas se de fato a corrida em Jeddah ocorreria, surgiram fotos do circuito de rua praticamente pronto. Uma verdadeira incógnita, apesar de haver um longa zona de aceleração. Ponto para a Mercedes e seu novo motor. Porém, num ano com tantas reviravoltas em pouco tempo, é difícil cravar algo. O certo é que Max Verstappen já poderá ser campeão na Arábia Saudita, tendo seu primeiro match point na vida. Nesse final de semana faltou alguém da Red Bull dizer ao Max para tirar o pé no final do Q3. Seria já falta de experiência do Max? A maré hoje está toda a favor de Hamilton e seu novo motor, mas num campeonato tão imprevisível, isso pode mudar facilmente. 

sábado, 20 de novembro de 2021

Dando asas

 


A famosa propaganda da Red Bull sobre seu energético fala que tomando o líquido com gosto de chiclete, você ganha asas. Ironicamente, a vitória em Interlagos deu 'asas' à Lewis Hamilton, que no circuito de Losail esmagou justamente o representante da Rd Bull Max Verstappen e conquistou uma pole dominante, quase meio segundo na frente do neerlandês na pista que debuta na F1 com vários elogios, mas com todo jeito que não agradará muitos os fãs.

Construído para a MotoGP e a muitos anos na categoria, Losail lembra um pouco o circuito também desértico de Sakhir no Bahrein, com uma reta muito longa e um conjunto de curvas no miolo. A diferença para o traçado barenita é que Losail não tem a reta oposta, é bem mais estreito e se para as motos as curvas são de baixa, a F1 as transformou em curvas de média e até mesmo alta! Isso agradou em cheio os pilotos com a seletividade das curvas, porém, essa ação traz como reação, principalmente num traçado notoriamente estreito no miolo, a dificuldade em se ultrapassar, algo que amanhã poderemos confirmar ou, tomara, não. Outro fator foi a altura das zebras, que causou alguns incidentes com o assoalho dos carros e no final do Q3 quebrou a asa dianteira de Gasly. Isso pode ser um fator na corrida.

Antes de Interlagos olhava-se para Losail como uma pista da Red Bull, mas ocorreu justamente o contrário. Se a força do novo motor Mercedes não se mostrou tão evidente como em Interlagos, ainda garantiu uma vantagem na longa reta catari e Hamilton fez todo o resto no miolo do circuito, numa voltaça no Q3 onde enfiou meio segundo goela abaixo de Verstappen, que largará na primeira fila. Como já se mostrou comum, Bottas fez ótimos treinos, mas na hora H o nórdico ficou abaixo e não brigou pela pole, mas ao menos Valtteri não prestou o papelão de Pérez. Checo em nenhum momento se mostrou à vontade no Catar mesmo sendo um dos poucos pilotos a conhecer a pista e até ter vencido lá. O mexicano voltou a ter um momento bem ruim e ficou no Q2 de maneira até mesmo humilhante, pois Pérez, com pneus macios, foi superado pela Ferrari de Sainz com pneus médio. Algo preocupante para a Red Bull amanhã, pois Verstappen estará na conhecida situação de enfrentar os dois carros da Mercedes sozinho, mesmo que Gasly ainda tenha conseguido o quarto lugar. 

A corrida pode ser definida na largada pela dificuldade de se ultrapassar e na clara intenção das equipes de parar apenas uma vez amanhã. Depois da vitória no México, parecia que Max vinha mais forte para esse fim de ano, mas o triunfo em Interlagos, com todo o contexto, trouxe um up para Hamilton que pode fazer a diferença. O inglês está por cima agora, mas com tantas mudanças e reviravoltas ao longo do ano, isso pode facilmente mudar. Uma dessas formas de mudança se dará no grid de amanhã, onde teremos mais uma vez a tensão de ter Lewis e Max novamente na primeira fila e pelo histórico desse ano, podemos esperar muita coisa dos dois contendores ao título em outro capítulo dessa emocionante temporada 2021.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Figura(BRA): Lewis Hamilton

 Não podia ser outro! A temporada de altíssimo nível de Lewis Hamilton vem se mostrando um divisor de águas na percepção do lugar do inglês na história da F1, mas em Interlagos o piloto da Mercedes exagerou em exuberância e carisma. Com a Mercedes pensando em deixar Lewis numa situação cada vez melhor no campeonato, os alemães resolveram trocar o motor do seu primeiro piloto, garantindo uma punição de cinco posições no grid no domingo. Porém, as coisas piorariam bastante na sexta. Após marcar a pole para a Sprint Race, veio uma punição por uma montagem incorreta do DRS, jogando Hamilton para último, ou seja, vinte posições abaixo. Lewis entrou numa vibe de recuperação e de não desistir. Talvez inconscientemente, Hamilton entrou no mesmo modo de Ayrton Senna quando ele foi desclassificado em Suzuka/89 e debaixo de um aguaceiro em Adelaide, destruiu seus oponentes enquanto esteve na pista. Senna queria mostrar seu recado e dar na pista o que lhe foi tirado fora dela. Hamilton encarou o resto do final de semana dessa maneira. No sábado Lewis conseguiu nada menos do que quinze ultrapassagens e é de se registrar que ele estava próximo da briga pela terceira posição. Isso, em 24 voltas. O que o inglês poderia fazer em 71? A resposta foi dada num domingo brilhante de Hamilton, que chegou à terceira posição após largar em décimo em menos de cinco voltas e logo partiu para cima dos dois carros da Red Bull. Se a luta contra Pérez já tinha sido renhida, o que seria com Max Verstappen? Conforme expectativa, Hamilton e Verstappen deram outro show de pilotagem, mas usando a potência do seu motor, Hamilton precisou lutar muito para ultrapassar um aguerrido Max e vencer a corrida em São Paulo, que pode lhe dar o gás necessário rumo as três corridas que faltam para finalizar o campeonato. Em 405 km de disputa em Interlagos, Hamilton ultrapassou cada um dos seus dezenove adversários do grid da F1. Lembram de Senna? Ídolo confesso do tricampeão, Hamilton resolver utilizar os mesmo artifícios do brasileiro para transformar Interlagos num caldeirão de emoções e as cenas vistas em Interlagos ficarão para sempre marcados na história do tradicional circuito, na F1 e na carreira desse incrível Lewis Hamilton.