segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
Que pena...
domingo, 27 de fevereiro de 2022
O outro Scott
Logo na abertura do campeonato de 2022, McLaughlin marcou sua primeira pole na carreira da Indy e fez uma corrida de almanaque, onde soube dosar o ritmo com os dois tipos de pneus, superou uma bandeira amarela um pouco fora de hora e por fim segurou com maestria o atual campeão da Indy em seus retrovisores para vencer a sua primeira corrida na Indy em St Petersburg.
Ao contrário do que normalmente ocorre na travada pista de rua da Flórida, houve somente uma bandeira amarela, que mexeu com a tática das corridas, porém, deixou a corrida bem fluída. McLaughlin não sentiu a pressão de largar na ponta e manteve a liderança no primeiro terço da prova, mesmo largando com os pneus macios, que se desgastavam muito e era evitado pela maioria dos pilotos. Colton Herta ficou essa parte da corrida em segundo, mas quando seus pneus disseram adeus, foi facilmente ultrapassado por Will Power, único dos pilotos do pelotão dianteiro a largar com pneus duros. A bandeira amarela causada por uma batida do novato David Malukas poderia mudar o rumo da prova, mas McLaughlin esteve praticamente perfeito. Ele se manteve na frente dos pilotos que pararam em bandeira amarela e esperou os pilotos com uma tática diferente pararem na sua frente. Ele nem se abalou quando um desses pilotos era justamente seu xará, a raposa felpuda Scott Dixon. O veterano hexacampeão não esteve num dos finais de semana mais brilhantes, mas liderou uma parte da prova e como a bandeira amarela não veio, caiu para o meio do pelotão.
No entanto, McLaughin não foi o único a se destacar na prova de hoje. O atual campeão Alex Palou teve um final de semana difícil, onde bateu nos treinos e largou apenas em décimo. O espanhol foi efetuando ultrapassagens e se colocando em boa posição na corrida. Na parte final da prova, faltou a McLaughin um pouco de malícia em ultrapassar os retardatários e por isso Palou encostou nas voltas finais, porém, Scott soube controlar os ataques de Palou sem maiores arroubos para uma primeira vitória emocionante e encorajadora para o oceânico. Will Power confirmou o bom dia da Penske com um terceiro lugar, porém, o líder da equipe Josef Newgarden não apareceu bem em nenhum momento e terminou num obscuro décimo sexto lugar. Colton Herta era um dos favoritos à vitória, mas um segundo pit-stop lento o colocou num distante quinto lugar, sendo segurado pelo neerlandês Rinus Veekay. O americano da Andretti só ultrapassou Veekay no final da prova, mas teve que se conformar com a quarta posição, seguido por Romain Grosjean, que chegou a ser o mais rápido na sexta para sofrer um acidente bizarro com Takuma Sato no sábado. O francês quase bateu em Power na largada, mas se segurou e fez uma prova segura, mas bem longe de brilhar. Dixon ainda salvou um oitavo lugar, ficando atrás de Graham Rahal após sua última parada e ainda tendo que segurar seu companheiro de equipe Marcus Ericsson, que fez ótima corrida após ser punido, cair para o fundo do pelotão e ainda garantir um top-10.
McLaughlin comemorou muito sua vitória, apesar de claramente extenuado. Após um ano de estreia sem brilho, o neozelandês fez uma corrida muito boa rumo à sua primeira vitória e quem sabe ele não seja o futuro da Penske.
C42
Muito ligada à Ferrari, a Alfa Romeo só não ficou em último no Mundial de Construtores por causa do papelão que fez a Haas, porém, esse não foi o motivo da mudança completa de pilotos da Alfa. Após mais de vinte anos de carreira, Raikkonen se aposentou de forma definitiva da F1, enquanto o irregular Antonio Giovinazzi não teve como se segurar mais um ano na F1 e se mudou para a insípida F-E, ainda com esperanças de retornar à F1. Com essas saídas Frederic Vasseur teve que mudar todo o seu plantel de pilotos. Para o lugar de Kimi, veio o compatriota Valtteri Bottas. Mesmo com dois vice-campeonatos e algumas vitórias na Mercedes, Bottas irá tentar refazer sua carreira na Alfa Romeo, onde pela primeira vez na carreira será o pilotos mais experiente da equipe e é a vivência que Valtteri teve na Mercedes que a Alfa espera explorar. No outro cockpit terá o único novato de 2022. E também o primeiro chinês da F1. Guanyu Zhou teve uma carreira razoável nas categorias de base e foi terceiro na F2 em 2021, porém, foi o dinheiro dos patrocinadores do chinês que convenceu a Alfa a contrata-lo, sem contar o ainda inexplorado mercado chinês, algo que a F1 sempre quis ter.
Com um piloto vencedor, mas que ficou abaixo das expectativas na equipe mais vencedora da história, e um novato com currículo decente, mas que só entrou na equipe pelo aporte financeiro, a Alfa Romeo espera fazer uma temporada melhor em 2022. O carro é belo e a mistura (em teoria) de pilotos é boa. Se isso dará certo, iremos ver no Bahrein.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022
Nuvens carregadas do leste
Políticas e tensões à parte, a Indy vai para mais uma temporada prometendo o que sempre mostrou em todos os seus anos, não importando se está em alta ou em baixa: muita competitividade. Em 2021 foram nove vencedores de seis equipes diferentes e nas sete primeiras não houve repetição. Para 2022 a expectativa é a mesma, até mesmo por não ter tido muitas mudanças de regulamento ou entre as equipes. Os novos motores híbridos ficarão para 2023, enquanto o novo chassi somente entrará em cena em 2024. Com tanto equilíbrio, a consistência foi a grande marca do campeão do ano passado. Alex Palou não foi um piloto espetacular na maior parte do tempo, mas mostrou mais do que velocidade e talento, uma solidez que o fez conquistar o campeonato apenas em sua segunda temporada na Indy, a primeira numa equipe grande, a Ganassi. Palou faz parte da nova geração de pilotos talentosos que invadiu a Indy nos últimos anos e o espanhol pode muito bem ser o sucessor de Scott Dixon, que nesse ano completa 41 primaveras e em 2021 não levou a Ganassi nas costas, mas nunca é bom subestimar um multi-campeão como o neozelandês. A novidade na Ganassi é que Jimmie Johnson, queiram ou não, foi muito mal em seu ano de estreia na Indy, não apenas partirá para um segundo ano, como dessa vez correrá todas as corridas, incluindo os ovais. Demissão de Tony Kanaan? Nada disso! O baiano correrá apenas nas 500 Milhas de Indianápolis, onde tentará o bicampeonato na prova.
Atual vencedor das 500 Milhas, Helio Castroneves deve sonhar num campeonato somente na pista de Indiana. Sua merecida vitória em 2021 mostrou novamente sua força em Indianápolis, mas que não se repete nas outras pistas. Helio deverá tentar focar numa inédita quinta vitória, pois pelos resultados dos últimos anos, o esperado título deverá ficar na vontade. Castroneves terá como companheiro de equipe na Meyer Shank o seu sósia e ótimo piloto Simon Pagenaud, que ficou devendo no último ano na Penske. A equipe do dono da Indy diminuiu sua participação na categoria para três carros, liderados por Josef Newgarden, em busca do tricampeonato e talvez mais do que isso, sua consagração em Indianápolis. Will Power está claramente em declínio, enquanto Scott McLaughlin terá que mostrar mais se quiser ficar na Penske, após um ano de novato bem discreto pelo o que se esperava dele.
As principais notícias da Andretti nas última semanas seria de uma nova tentativa de Michael em ir para a F1 como equipe, algo que está no momento apenas na especulação. Enquanto isso, a equipe vai para essa temporada da Indy tendo como líder o talentoso Colton Herta, que já se põe como candidato a correr na F1 se a Andretti for mesmo para a categoria. Após vários anos liderando o time, Alexander Rossi tentará se reencontrar com o piloto agressivo que conquistou várias vitórias antes de 2019. A grande novidade da equipe será Romain Grosjean. Após ressurgir das cinzas (literalmente), o francês fez uma ótima temporada como novato a ponto de chamar atenção da gigante Andretti, que o colocou no lugar do quase aposentado Ryan Hunter-Reay. Se conquistou poles e pódios numa equipe pequena, é esperado que Grosjean brigue por vitórias em 2022, algo que o novato Devlin De Francesco deverá passar longe.
Falando em F1, a McLaren vem muito forte para essa temporada da Indy e assim como Herta, com um piloto que faz campanha para estar na F1 num futuro próximo. Após ter testado um carro da F1 no final do ano passado, o talentoso Pato O'Ward quer usar a Indy como trampolim para a F1 e seus resultados desse ano serão essenciais para saber se o mexicano conseguirá seu objetivo. Decepção ano passado, Felix Rosenqvist conseguiu mais um ano na McLaren, enquanto Juan Pablo Montoya alinhará um terceiro carro em Indianápolis. A Rahal tentará utilizar a tática da Ganassi em apostar num jovem europeu ao trazer o dinamarquês Christian Lundgaard, enquanto Graham Rahal tentará voltar a brigar por vitórias. A Ed Carpenter se apoiará em Rinuus Veekay, integrante da 'geração de ouro da Holanda' para andar bem em todas as pistas, não apenas nos ovais com o próprio Ed Carpenter. A Dale Coyne surpreendeu com a velocidade do novato David Malukas na pré-temporada, que substituiu o veterano Sebastien Bourdais e terá a experiência de Takuma Sato, quando este não aprontar. A Foyt terá o horroroso Dalton Kellet e a presença feminina de Tatiana Calderón. A colombiana já pilotou vários tipos de carro e se não passou vexame, também esteve longe de impressionar. Atual campeão da Indy Lights, Kyle Kirkwood estreará pela Foyt, mas com a Andretti o acompanhando de perto.
Não faltarão atrações para essa temporada e no Brasil, a ESPN garantirá mais um canal transmitindo a temporada, porém, a dupla da Cultura Geferson Kern e Rodrigo Mattar já está entre as preferidas para quem gosta de automobilismo.
Palou bisará o título? Helio conquistará o pentacampeonato? Respostas difíceis de dizer num campeonato tão equilibrado, com tantas equipes boas e de nível técnico cada vez melhor. Ano passado um jovem venceu o campeonato e um veterano a principal corrida. Isso resume bem o presente da Indy, com os novos cada vez mais tomando seu espaço na categoria e com os veteranos tentando se segurar. A festa deverá ser grande na Flórida. Mesmo que as notícias do leste sejam preocupantes nesses dias.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
A522
Orgulho do automobilismo francês, a Alpine é a única equipe a usar os criticados motores Renault, que são indubitavelmente os mais fracos da F1 atual, mesmo que a diferença não seja tão brutal como no início da era híbrida. Ainda procurando os tempos de glória, a Renault auto-impôs metas de voltar a vencer em até cinco anos, nem que isso seja a dispensa de ícones como Alain Prost, que saiu do time no final do ano passado. Se nos bastidores houveram bastante mudanças na Alpine, os pilotos permanecerão os mesmos. Fernando Alonso será o piloto mais velho do grid e espera mostrar sua genialidade mais próximo do pelotão da frente, após um hiato extremamente grande para um virtuose como o espanhol. Para contrapor a experiência de Alonso, o ainda jovem Esteban Ocon vai para a sua segunda temporada consecutiva com a Alpine para se consolidar cada vez mais entre as futuras estrelas da F1, lembrando que Ocon derrotou Verstappen nos tempos de F3.
Tendo todo o apoio de uma montadora tradicional e contando com dois pilotos vencedores, a Alpine não deixa de decepcionar até o momento. Apesar do seu falado plano, o quinto lugar no Mundial de Construtores e dois pódios ao longo do ano não deixa de ser muito pouco para o potencial da equipe. A Alpine é mais uma a apostar alto nos novos regulamentos que estrearão nesse ano e pela pressão que existe por lá, já está na hora mesmo da equipe mostrar algo melhor do que o visto até agora.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022
W13
O novo carro da Mercedes tem como grande novidade o retorno do prata e as grandes estrelas na carenagem, mas o que poderia ser a real grande novidade acabou não acontecendo. Muito ativo nas redes sociais, Lewis Hamilton ficou em silêncio desde a polêmica final de Abu Dhabi e isso levantou várias especulações de que o inglês, sentindo-se traído pela F1 pela forma em que foi derrotado por Max Verstappen, estaria se aposentando de forma repentina, assim como ocorreu com o rival Nico Rosberg. Após muito diz que me diz, Hamilton finalmente falou e disse apenas que nunca pensou em se aposentar...
Isso não deixa de ser uma boa notícia. Mesmo com a derrota de Lewis em 2021, a Mercedes manteve a hegemonia no Mundial de Construtores, chegando a incrível marca de oito títulos consecutivos. Mesmo a F1 mudando radicalmente para 2022, o time comandado por Toto Wolff mostrou ter força o suficiente para tirar tudo o que for possível na nova fórmula e se sobressair. E com uma equipe hiper vitoriosa por trás, Hamilton irá com tudo para tentar ele o oitavo título e se isolar como o maior campeão da história da F1. Após anos tranquilos ao lado de Valtteri Bottas, Hamilton terá ao seu lado o promissor George Russell. O inglês conseguiu mostrar resultados bem acima do seu Williams e a chegada à Mercedes era questão de tempo, acabando por acontecer agora em 2022. Russell é treze anos mais novo do que Hamilton e tem toda uma carreira pela frente. Não é segredo que muitos pilotos gosta de serem a prima-donna da equipe e Hamilton espera permanecer assim em seu ataque em cima de Verstappen e talvez por isso Russell apenas observe. A grande dúvida é qual distância George estará dessa luta e se ele poderá até mesmo ajudar Hamilton em algumas oportunidades, algo que Bottas, talvez de saco cheio de sua situação dentro da equipe, não o fez na segunda parte da temporada 2021.
Com a Mercedes prometendo vir forte para 2022 e Hamilton claramente mordido por ter perdido o octa tão perto do fim, é provável que a espetacular temporada de 2021 não tenha terminado por completo, com outro round da luta entre Lewis e Max.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022
F1-75
A Ferrari foi mais uma equipe que apostou alto no novo regulamento desse ano e mesmo evoluindo bastante em 2021, após um 2020 horroroso, o time de Maranello olhou com muito carinho para 2022 e muitas vezes declarou que o desenvolvimento do bólido do ano passado ficou de lado para olhar para o carro desse ano. O resultado foi um novo carro muito bonito e a volta do preto nos aerofólios, lembrando o visual dos anos 1980 e 1990, tempos muito parecidos com o atual. Desde a saída de Todt, Schumacher e Brawn nos tempos gloriosos dos anos 2000, a Ferrari entrou em claro declínio e com várias mudanças de no alto clero da equipe. Hoje Mattia Binotto tentar reverter essa tendência de várias trocas de chefes e devolver a Ferrari os bons tempos de vitórias e títulos, algo que não acontece desde 2007, quando Todt ainda estava na equipe. Um jejum incômodo, como acontecia nos anos 1980 e 1990.
O novo carro tem algumas novidades visuais, mas os pilotos permanecem os mesmos. Por enquanto, Charles Leclerc e Carlos Sainz vem se mostrando uma dupla sólida e forte para levar a Ferrari aos bons tempos, mas enquanto não há briga por vitórias, ainda há harmonia, porém, percebe-se uma certa animosidade entre eles, que andaram juntos em muitas corridas e disputaram fortemente em muitas oportunidades. Se Leclerc é visto como o futuro da Ferrari, Sainz superou o monegasco em sua primeira temporada na Ferrari. Há o receio de quando a Ferrari tiver um carro realmente forte para brigar pela vitória, a harmonia dentro dos boxes ferrarista esteja em perigo.
Porém, a Ferrari espera conseguir estar nessa situação de brigar por vitórias e espera dar o pulo do gato com o novo regulamento com sua forte dupla de pilotos.