sábado, 2 de julho de 2022

Smooth Operator

 A sexy música da década de 1980 cantada por Sade virou uma espécie de trilha sonora de Carlos Sainz, que a cada feito nas pistas, cantava o hit via rádio. O espanhol da Ferrari não vem de uma temporada das melhores, mesmo com o começo auspicioso da equipe de Maranello no campeonato. Sainz errou muito e foi totalmente eclipsado pelo companheiro de equipe Charles Leclerc. Porém, na molhada Silvestone deste sábado, Sainz teve a oportunidade para superar o domínio da Red Bull e também Leclerc para conquistar sua primeira pole na F1.

Como é normal no velho aeródromo, o clima inconstante deu as caras nesse final de semana e a chuva se fez presente em Silverstone, porém, como vem se tornando comum nos últimos tempos, a torcida era que a precipitação não fosse tão forte que inviabilizasse a classificação. E assim foi, com os pilotos se comportando muito bem numa pista que transitava em molhada e encharcada nos sessenta minutos de sessão. Esse tipo de situação de pista traz algumas surpresas e a maior, sem dúvida, foi o desempenho do ameaçado Nicholas Latifi. Mesmo trazendo um necessário aporte para a Williams, o jovem canadense tem sua vaga em constante perigo pelos desempenhos nada bons de Latifi em 2022. Apesar de pagar boa parte das contas, Latifi não pegou as novidades que a Williams trouxe para Silverstone, ficando tudo nas mãos de Albon. Pois Latifi não apenas foi ao Q2 eliminando justamente Albon, como soube a hora certa de ir à pista na segunda parte para ir pela primeira vez no ano ao Q3, eliminando nomes como Gasly e Bottas. Outra grata surpresa de outro pay-driver foi Guanyu Zhou, que constantemente andou na frente do seu mais experimentado companheiro de equipe Bottas. A Mercedes também trouxe novidades que a colocou bem próximo de Red Bull e Ferrari, mas talvez ainda não o suficiente para brigar por vitórias, mas correndo em casa e motivado por tudo o que aconteceu nessa semana, Hamilton mostrou que irá com fome extra para a prova dessa domingo. Ele não deu chances à Russell!

Com a chuva aumentando e diminuindo o tempo todo, estar na pista na hora certa iria fazer uma diferença fundamental, numa classificação amplamente dominada por Verstappen e Leclerc. Mesmo com vantagem para o piloto da Red Bull, os dois iam para a ponta a todo momento, mas nos últimos segundos do Q3, quando a pista estava mais molhada, Sainz fez uma volta magnífica, tirando a pole de Verstappen por muito pouco. Vindo logo atrás do espanhol, Max e Leclerc foram incapazes de baixar o tempo de Sainz, que comemorou de forma sóbria sua primeira pole na F1. Era esperado cantoria no rádio, que acabou não acontecendo. Estaria Sainz guardando para soltar a voz no domingo? Enquanto Sainz não canta, vamos ouvir um pouco da bela música de Sade e seu ritmo envolvente com sax. 

 

sexta-feira, 1 de julho de 2022

O que vai ficar de um gênio

 


Sempre tive a curiosidade de como seriam as reações nas redes sociais em determinados momentos da história. Os memes, a cobertura, o que seria dito e opinado numa época em que apenas TV, rádio, jornais e revistas nos traziam as informações do que acontecia de mais importante no mundo. No início de 1988, Ayrton Senna provocou o atual campeão Nelson Piquet, que de bate pronto insinuou que o compatriota era gay. Foi uma confusão daquelas! Agora, imaginem se isso ocorresse em 2022? Bem, por declarações mais tristes e descabidas de Nelson, tivemos uma noção de como seria esse escândalo de 34 anos atrás.

Essa semana Nelson Piquet se envolveu numa situação triste e constrangedora não apenas para ele, como para seus fãs mais sensatos. Numa sucessão de sandices, Piquet soltou ataques gratuitos à Lewis Hamilton usando palavras totalmente inconsequentes em qualquer época, ainda mais agora.

O podcast é uma forma de comunicação que está cada vez mais popular no streaming. Com um clima mais descontraído, normalmente as entrevistas nesses ambientes são mais informais e provavelmente isso fez com que Nelson Piquet trocasse os pés pelas mãos, confundindo descontração com uma mesa de bar, onde falamos com amigos de forma longe da ideal com uma câmera ligada. Foi uma presepada em cima da outra. A palavra 'neguinho' em relação à Hamilton foi a que chamou mais atenção. Aqui em casa meu pai chamava minha mãe de 'nêga' de forma carinhosa. Amigos, Nelson não foi nada carinhoso com Hamilton. Ao contrário. Havia um tom de desdém e menosprezo. Por Hamilton ser negro? Provavelmente não. Piquet simplesmente não gosta de Hamilton e é possível enumerar os motivos, concordemos com eles ou não:

1) Hamilton derrotou Nelsinho Piquet na GP2 e conseguiu uma carreira gloriosa na F1, enquanto Nelsinho saiu da F1 pelas portas dos fundos, protagonista de um escândalo de proporções gigantescas.

2) O grande antagonista de Lewis é hoje genro de Nelsão

3) Lewis Hamilton nunca escondeu ser fã incondicional de Senna, que é antagonista de Piquet

Nelson sempre tratou mal seus inimigos e sua língua simplesmente não tem freios. Mansell e Senna que o digam. Hamilton se tornou um alvo para Piquet e o brasileiro usou as piores palavras para falar de um piloto gigantesco, queiram os haters de Lewis ou não. A condenação de Piquet foi imediata e veio com uma força que talvez o tricampeão não imaginava. Não sejamos hipócritas que há, sim, um teor político na forma que algumas pessoas que se aproveitam das posições políticas de Piquet para maximizar ainda mais o que já é um absurdo pela natureza. Da mesma forma que não sejamos hipócritas também de querer minimizar o que foi dito por Nelson Piquet. Foi nojento e asqueroso, não condizente a um gênio do esporte brasileiro.

Mais do que as conquistas no esporte, o legado deixado pelos atletas é mais significante do que os títulos. Já li que o cidadão Nelson Piquet é uma pessoa generosa com seus amigos e de bom coração. Provavelmente ele não seja racista, só usando as palavras que usou por raiva da pessoa Hamilton, não da cor de sua pele. Nelson Piquet marcou uma geração, conquistou títulos e vitórias inesquecíveis usando seu conhecimento em mecânica e sua malícia. Contudo, prestes a completar 70 anos, Nelson Piquet não ficará lembrado por isso. Esse não será seu legado. Por tudo que falou num obscuro podcast, Nelson Piquet deverá ficar conhecido pelo cara sem noção e rancoroso que sem motivo aparente, atacou de forma racista e homofóbica um dos grandes do seu esporte.

Triste...

domingo, 26 de junho de 2022

O primeiro erro

 


Até Assen Fabio Quartararo vinha de uma temporada 2022 próxima da perfeição na MotoGP. O francês da Yamaha quase não renova seu contrato com a montadora por causa da falta de desempenho e desenvolvimento da moto nipônica. Contudo, confiante com o título do ano passado e contanto com um pelotão muito forte e equilibrado, mas um degrau abaixo dele, Quartararo tratou de fazer corridas magníficas para liderar o campeonato longe de ter a melhor moto. Porém, os grandes também erram. Em algum momento não acordamos no nosso dia e esse domingo não foi o dia de Quartararo. Fabio cometeu não um, mas dois erros hoje e ainda sofreu uma queda desnecessária, que poderia ter lhe machucado e complicado sua situação no campeonato, ainda confortável, mesmo com a vitória do seu mais perigoso rival, Francesco Bagnaia, que ao contrário de Quartararo, está numa temporada irregular.

A corrida em Assen foi envolta pela ameaça da chuva e as temidas bandeiras brancas com um 'xis' vermelho chegaram a ser mostradas, indicando que a precipitação tinha chegado e que os pilotos estavam autorizados a trocar de motos, se quisessem. À essa altura, pouco depois da metade da corrida, o fato decisivo da corrida já tinha acontecido. Sabedor da deficiência de sua moto, principalmente em linha reta, Quartararo sempre trata de largar de forma agressiva e liderar a corrida para aproveitar seu talento, particularmente nas curvas, ponto forte de sua Yamaha. Apesar de não ser um grande piloto em termos de talento, Aleix Espargaró está no auge de sua confiança e sua Aprilia é hoje uma moto de ponta, certamente superior à Yamaha de Quartararo. Aleix está numa situação parecida com a de Nicky Hayden em 2006, quando o americano ganhou o campeonato, mesmo não sendo o piloto mais talentoso e rápido do pelotão de dezesseis anos atrás. Hayden tinha uma grande moto e a confiança em alta. Mesma mistura do irmão mais velho dos Espargaró. Mais de noventa pontos atrás, Bagnaia confirmou sua pole e liderava a corrida, segurando os ataques de Quartararo, que para piorar, foi ultrapassado por Esparagaró, segundo colocado no campeonato.

Com uma boa vantagem no campeonato, Quartararo poderia apenas comboiar Aleix e perder poucos pontos ou até mesmo atacar o espanhol da Aprilia de forma segura. Fabio não fez nem uma coisa, nem outra. Entrando na lenta curva 5, ainda no começo da corrida, Quartararo colocou por dentro de Espargaró de forma agressiva e acabou no chão, levando Aleix junto, mas o espanhol permaneceu de pé e voltou à corrida bastante atrasado. Quartararo levantou sua moto, foi aos boxes dando pinta de abandono, mas resolveu retornar já uma volta atrasado para todo mundo. A esperada chuva estava no horizonte e uma troca de moto poderia ajudar Fabio a ganhar alguns pontos, mas tudo resultou numa perigosa segunda queda na mesma curva que o vitimara antes, onde o francês tomou um highside e sua cara de dor assustou a todos, mas aparentemente Fabio saiu apenas com a dor do primeiro erro de 2022. Com seus dois perseguidores mais belicosos fora da briga pela vitória, Bagnaia relaxou. Vindo de duas quedas quando tinha tudo para vencer, Pecco apenas levou sua Ducati até o final, mesmo com alguns pingos terem alarmado o italiano. Foi a terceira vitória de Bagnaia no ano, se igualando à Quartararo e Bastianini como os maiores vencedores do ano, mas devido à sua irregularidade, Bagnaia ainda está mais de sessenta pontos atrás de Quartararo na quarta posição no campeonato.

Outro fator que ajudou a acalmar os nervos de Bagnaia era que o segundo colocado era o novato Marco Bezzecchi. O jovem italiano da equipe de Valentino Rossi fez uma corrida estrondosa na difícil pista de Assen e chegou num seguro segundo lugar, dando a melhor posição para a sua equipe, que vibrou bastante. Após sua conturbada saída da Yamaha, Maverick Viñales voltou ao pódio hoje, logo à frente de... Aleix Espargaró. Usando a força de sua moto e uma confiança altíssima, Aleix saiu da décima quinta posição para quarto, numa ultrapassagem antológica em cima de Miller e Binder na última curva da última volta, mostrando muito bem como o piloto da Aprilia está forte em 2022.

O quarto lugar diminuiu bastante a desvantagem que Aleix tinha para Quartararo, baixando para menos de uma corrida a liderança de Quartararo. Com Bagnaia tentando se recompor de uma temporada de altos e baixos, a Ducati tem a incrível sensação de ter a melhor moto do grid, mas que talvez falte um piloto para brigar de verdade pelo Mundial de Pilotos. Johan Zarco, melhor piloto da Ducati no campeonato, hoje sequer conseguiu um top-10 na bandeirada em Assen. Yamaha e Aprilia investem tudo em um único piloto e isso leva uma briga polarizada entre o talentoso Quartararo e o trabalhador Espargaró. O talento está vencendo, mas hoje errou feio.

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Corrida para nunca esquecer

 Há corridas que para sempre serão lembradas. Para mim, essa foi uma das melhores corridas que assisti na minha vida e que completou 25 anos essa semana. Primeira vitória de Mark Blundell na Indy e uma chegada de arrepiar na reta de Portland.


segunda-feira, 20 de junho de 2022

Figura(CAN): Fernando Alonso

Apesar do sexto lugar na bandeirada, que se transformou em nono com uma punição na última volta por uma defesa irregular frente à Valtteri Bottas, não diminuiu o brilho de Fernando Alonso no final de semana canadense, principalmente no chuvoso sábado. Alonso já tinha feito um bom trabalho na sexta-feira, mesmo que isso não seja necessariamente um novidade para a turma da Alpine, contudo, com a pista molhada se apresentando no sábado, Alonso deu um verdadeiro show, só superado por Max Verstappen. A primeira fila do espanhol era a primeira dele em dez anos e nos lembrou a magia de Fernando Alonso.

Figurão(CAN): Sergio Pérez

 Após a vitória consagradora em Mônaco, Sérgio Pérez caiu de produção assustadoramente e em Montreal, em particular, Pérez teve um final de semana simplesmente esquecível. Durante os treinos livres o piloto da Red Bull esteve muito distante do seu companheiro de equipe, lembrando alguns momentos desagradáveis do ano passado, quando Pérez não conseguia ficar próximo de Max Verstappen em ritmo de classificação. Por sinal, a classificação em Montreal foi simplesmente horrorosa para Checo. Num piso bastante molhado, Pérez passou risco no Q1, se garantindo para a fase seguinte em sua última volta e no Q2 foi ainda pior, com o mexicano saindo da pista na curva 3 e tendo que voltar aos pits sabendo que largaria no meio do pelotão. O abandono no começo da corrida não teve o dedo de Sergio Pérez, mas o mexicano precisa voltar ao ritmo de Monte Carlo se não quiser ser um mero segundo piloto da Red Bull.

domingo, 19 de junho de 2022

Domínio à vista?


 Muitos reclamavam de quando Lewis Hamilton matava a pau seus rivais com sua imbatível Mercedes. "Ah, é o carro", "Ah, não tem graça". Essa eram as expressões das pessoas ávidas por mais emoção na F1, além dos haters do inglês, que ao invés de apreciar o notável talento dele, preferem critica-lo em qualquer ação de Lewis. Pois bem, passados dois anos, podemos estar vendo o início de mais um domínio na F1. Max Verstappen sempre foi um talento nato, talvez um dos mais incríveis da história recente da F1 e tendo chegado muito novo na categoria e no auge do domínio do conjunto Mercedes/Hamilton, Max demorou para conquistar seu esperado título, contudo, isso fez com que o neerlandês crescesse como piloto e em Montreal o piloto da Red Bull deu outra amostra de sua enorme capacidade e seu amadurecimento, onde teve uma corrida perfeita no Canadá mesmo com SC aparecendo na hora errada e tendo a Ferrari de Sainz lhe fungando o cangote. No momento, são cinco vitórias em seis corridas, com a vantagem para Leclerc chegando aos 49 pontos, quase duas corridas. 


A prova em Montreal teve os Safety-Cars de praxe e por isso tivemos algumas movimentações interessantes, inclusive na ponta da corrida. Com Fernando Alonso largando numa surpreendente primeira fila, o espanhol prometeu uma largada agressiva, já que Alonso não tem mais nada a perder em sua carreira. Calejado, Verstappen tratou de executar uma largada perfeita, não dando qualquer chance à Alonso tentar alguma gracinha. Max partia para uma corrida dominadora, mas os referidos SC's, virtuais e o real, acabou por atrapalhar um pouco os planos desse domingo de Verstappen e da Red Bull. E o primeiro problema veio justamente com Pérez, que teve um final de semana esquecível, onde errou na molhada classificação e saindo no meio do pelotão, acabou tendo um aparente problema de câmbio na prova. O SC Virtual apareceu e Max tratou de se livrar dos pneus médios e colocar os duros, mas também se colocando numa situação em que Verstappen dificilmente completaria a corrida sem outra visita aos pits. Veio então o segundo SC causada pelo desafortunado Mick Schumacher e foi a vez de Sainz, maior ameaça à vitória de Max, entrar nos pits para colocar os pneus duros, mas o espanhol ficaria numa situação frágil se arriscasse uma corrida até o fim. Isso deixava os pilotos numa situação de teórica igualdade, mas Sainz contava que pararia mais tarde e teria melhores pneus no fim. Até mesmo arriscar os médios novamente, mas a Ferrari não pensou assim. Tanto Max como Carlos saíram de seus segundas paradas com pneus duros, com Sainz tendo apenas algumas voltas de vantagem, algo que não se mostraria tão decisivo, mas então Yuki Tsunoda teve uma pane mental quando saía dos pits e estatelou seu Alpha Tauri na saída do pit-lane. Mais uma vez fogo amigo para a Red Bull, que viu a corrida ser neutralizada com o SC real e deixar todo mundo junto.


Não se pode acusar de que Sainz não tentou. Ele fustigou, lutou para ficar sempre dentro de 1s de desvantagem para Max e tentar o ataque com a ajuda do DRS, mas Verstappen usou a maior velocidade de ponta do motor Honda/Red Bull para controlar a vantagem sem maiores sustos nas voltas finais. A tensão das últimas voltas foi se diluindo na medida em que Max simplesmente mostrava que todos os anos ganhando casca nos últimos tempos e principalmente na última temporada fez do neerlandês um piloto quase completo, capaz de corridas sem erros como a de hoje. Foi a sexta vitória de Max em 2022 e a quinta nas últimas seis provas dessa temporada. Teoricamente as pistas com mais pressão aerodinâmica seriam melhores para a Ferrari, mas foi justamente aí que a Red Bull deu um show junto com Max Verstappen, mais líder do que nunca e já garantido como o maior favorito ao título, que seria o segundo dele. Com o abandono de Pérez e Leclerc diminuindo os prejuízos pela troca do motor pela Ferrari com um quinto lugar, hoje aparentemente a luta será mais pelo vice do que pelo título em si. Leclerc esperava uma recuperação mais aguda do que a conseguida, mas o monegasco ainda conseguiu fazer duas belas ultrapassagens sobre a dupla da Alpine no grampo quando tinha pneus piores. E ficou a sensação se fosse Leclerc no lugar de Sainz, o resultado poderia muito bem ser outro. Sainz não é um piloto medíocre, bem longe disso, mas seu limite para ser abaixo do que Leclerc pode fazer e a Ferrari já sabe disso. 


Ao contrário da semana passada, Lewis Hamilton saiu do seu Mercedes todo serelepe para subir novamente ao pódio numa corrida sólida do heptacampeão. Historicamente andando muito bem em Montreal, Hamilton fez uma corrida segura, rapidamente superando Alonso (que era a sua briga) quando a Alpine errou na estratégia do espanhol. Dessa vez sem maiores problemas com SC entrando na hora errada, Hamilton superou seu companheiro de equipe sem maiores problemas, mesmo que essa tenha sido a primeira derrota de Russell dentro do seio da Mercedes em sete corridas. Russell fez outra corrida boa, sólida e sem maiores dramas, aumentando sua incrível sequencia de top-5 na F1. A Mercedes se consolida cada vez mais como a terceira força da F1 e com um carro menos 'quicante', seus pilotos agradecem. Alonso fez um ótimo primeiro stint, se mantendo nas posições de pódio, mas a Alpine acabou trocando os pés pelas mãos na estratégia, não trazendo o espanhol para os boxes na hora certa, quando o VSC estava na pista e Alonso perdeu várias posições, ficando atrás até mesmo do seu companheiro de equipe Ocon. No fim, Alonso ainda teve que ouvir sua equipe pedir para não atacar Ocon e ter que segurar um mais rápido Bottas no final da prova. O nórdico não teve o final de semana dos sonhos, mas se recuperou um pouco na corrida e usando a estratégia, ficou à frente de Zhou, estabelecendo a hierarquia dentro da Alfa Romeo, que saiu feliz com seus dois pilotos pontuando.


Fazendo as honras da casa, Lance Stroll fechou a zona de pontuação com um décimo lugar, numa estratégia de uma parada que acabou se pagando, com o canadense tendo os pneus médios novos contra vários pilotos que tinham pneus duros novos à sua frente. A Aston Martin poderia ter pontuado com Vettel, mas o alemão perdeu ritmo no fim, ao contrário do seu companheiro de equipe. A Haas estava bem feliz com seus dois pilotos na terceira fila no grid, mas tudo começou a desandar com Magnussen tendo problemas na asa dianteira logo na primeira volta e ao entrar nos pits para troca-la, a corrida do danês foi uma negação, com Kevin terminando em último dentre os que chegaram, enquanto Mick nem isso conseguiu, com um problema em seu carro quando estava entre os dez. A Alpha Tauri tinha chances de pontuar com Tsunoda, mas o japonês pôs tudo a perder ao sair da pista com pneus frios como se não tivesse amanhã e acabou pagando o mico de ficar no muro na saída do pit-lane, enquanto Gasly nada fez, talvez pensando no seu futuro, que parece ser eternamente piloto da equipe júnior da Red Bull. Num raro final de semana em que Ricciardo andou na frente de Norris, a McLaren saiu de mãos abanando do Canadá, sendo que a primeira parada de Lando lembrou a famosa (pelo mau sentido...) parada de Eddie Irvine em Nürburgring/1999. Albon fez mais do que o potencial de sua Williams fez tudo dentro do seu fraco potencial.


A F1 vai se aproximando de sua metade com Max Verstappen se consolidando com o maior favorito ao título. Se preparando para esse momento desde antes de entrar precocemente na F1, Max tem todas as armas para conquistar o bicampeonato e a Red Bull, que vem de seis vitórias consecutivas, pode voltar a conquistar o Mundial de Construtores desde 2013. Um domínio como o feito por Hamilton e a Mercedes. Teremos as mesmas reclamações?