sábado, 6 de maio de 2023

Coitada da mamãe Leclerc...

 


Após uma derrota inesperada em Baku, dando mais confiança à Sergio Pérez, Max Verstappen estava pronto para colocar ordem na casa da Red Bull nesse final de semana em Miami. O neerlandês foi mais rápido em todos os treinos livres do que seu companheiro de equipe e estava com a faca e o queijo na mão para conseguir não apenas uma pole, mas também uma vitória consagradora, daquelas de baixar a bola de quem quer seja. Porém, Max Verstappen viu suas ideias ir para o vinagre no Q3, quando cometeu um ligeiro erro que o fez abortar a primeira volta rápida, antes de Charles Leclerc voltar a aprontar das suas e bater, causando a bandeira vermelha definitiva para que Pérez, para delírio do público, ficasse com a pole, enquanto Max terá que sair da nona posição amanhã.

O domínio de Verstappen era tão evidente, que havia até mesmo um desânimo no ar em Miami, com sua pista reasfaltada causando mais escorregões do que num novo ringue de patinação numa cidade tropical. Porém, nem isso parecia parar Max, que só não liderou todos os treinos livres por que no primeiro resolveu se resguardar. Verstappen vinha com faca nos dentes, na tentativa de lembrar à Checo Pérez quem é o queridinho da Red Bull, rumo ao tricampeonato. Enquanto isso ocorria, a McLaren decepcionava na casa do seu chefe ao deixar seus dois pilotos no Q1, em companhia do péssimo Lance Stroll, um arremedo de piloto que só está na F1 pelos motivos que todos conhecemos. Chamou atenção também a péssima exibição da Mercedes, onde chegaram a sofrer riscos de passar ao Q2 e só passou ao Q3 com Russell. Ainda assim em décimo. Hamilton ficou com a P13 e rezando para que o já famoso novo pacote da Mercedes prometido para Ímola lhe ajude de alguma maneira.

A consagração de Max Verstappen estava próxima, mesmo com a dupla da Ferrari próxima em ritmo de classificação. Porém, tudo desandou quando Max cometeu um pequeno erro em sua primeira tentativa e resolveu arriscar tudo na segunda volta rápida. À essa altura Pérez liderava à frente de Alonso e Sainz. Leclerc também errara na sua tentativa de número um, quando tinha ótimas parciais. O monegasco foi à pista com a mesma pressão de Verstappen, mas a diferença entre os pilotos bons e campeões é justamente seu desempenho nessas situações. Leclerc errou na mesma curva que encerrou o segundo treino livre, assim como a classificação foi terminada com os pilotos de língua hispânica dominando as três primeiras posições. Magnussen beliscou uma quarta posição, com Russell ainda salvando um sexto lugar. Na volta aos boxes, Max Verstappen certamente xingava até a quadragésima geração dos Leclerc, começando com a mãe de Charles. Com o carro que tem, é bem possível Verstappen fazer uma bela corrida de recuperação, mas dependendo do que tenha ocorrido até lá, Pérez pode estar numa situação tranquila lá na frente e o máximo que Max poderá fazer será completar uma dobradinha. O clima entre os dois ficou claro quando Max, ainda de capacete, falou com Pérez e o mexicano, tendo toda a torcida ao seu lado em Miami, mal se manifestou. Amanhã deveremos ver um Verstappen com sangue no olho para tentar uma remontada histórica. Ou ver Pérez perigosamente com mais confiança do que Max imaginava.

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Figura(AZE): Sérgio Pérez

 Já dá para afirmar que Sergio Pérez é um dos grandes pilotos em circuito de rua na F1. O mexicano tem simplesmente cinco vitórias em circuito citadinos e no Azerbaijão Checo varreu o final de semana, com outra vitória na Sprint Race. Tendo que encarar um piloto reconhecidamente mais talentoso do que ele e numa equipe que vive em torno do primeiro piloto, a tarefa de Pérez dentro da Red Bull é inglória na tentativa do mexicano em derrotar Verstappen, mas quando Pérez se sente confiante, o mexicano vai deixando Verstappen em situações desconfortáveis e foi assim que Sergio se sobressaiu em Baku. Em todos os treinos os dois pilotos da Red Bull andaram próximos e já na Sprint Race Pérez mostrou suas credenciais ao largar muito bem e ao ultrapassar Leclerc, vencer a mini-corrida. No Grande Prêmio, Pérez estava colado em Verstappen quando a Red Bull se precipitou e trouxe o neerlandês aos boxes, beneficiando involuntariamente Pérez, que não saiu mais da ponta, mesmo tendo Verstappen em seu encalço o resto da corrida. Pela primeira vez Baku viu um piloto bisar uma vitória, mas a missão de Pérez ainda é bastante difícil. Ele será capaz de vencer Verstappen em seu próprio feudo? Lembrando que nem todas as corridas até o final do ano são de rua... 

Figurão(AZE): Carlos Sainz

 Um dos papéis de um engenheiro de pista é ser um pouco psicólogo para o piloto durante a corrida, lhe dando apoio moral e mostrando que uma virada é, sim, possível. Logo após a relargada do único Safety Car da corrida no Azerbaijão, Carlos Sainz vinha apenas em quinto, tendo levado uma ultrapassagem incrível de Fernando Alonso, num local que não parecia possível. Pelo rádio, Riccardo Adami, engenheiro de Sainz deu uma força ao espanhol. 'Pode usar mais energia e caçar'. Algo do gênero, 'vai Carlos, você consegue'. Não dá para saber o que Carlos Sainz entendeu naquele momento, mas a realidade foi que Sainz viu a diferença para Alonso aumentar até chegar aos 23s na bandeirada, enquanto o piloto da Ferrari ainda sustentava os tímidos ataques de Lewis Hamilton. Foi apenas a coroação de um final de semana pífio de Sainz, onde Leclerc ficou com a pole nas duas classificação realizadas em Baku, enquanto Carlos chegou a tomar oito décimos na cabeça. Desconfortável em seu carro, Sainz apenas bateu ponto na corrida e mesmo levando pontos pelo quinto lugar, o espanhol precisa de muito mais para fazer frente a Leclerc e convencer à Ferrari que não é apenas um segundo piloto.

domingo, 30 de abril de 2023

Torcida frustrada

 


Desde que chegou à Indy vindo de uma passagem conturbada e marcante na F1, existe uma torcida toda especial para Romain Grosjean, ainda mais após o acidente que o francês sofreu que terminou sua carreira na F1 e a forma como Romain está feliz na América junto à sua família, mostrada várias vezes nas redes sociais. Após um ano um pouco abaixo das expectativas em 2022 na equipe Andretti, Grosjean tomou as rédeas da equipe nesse ano, superando até mesmo o queridinho Colton Herta. Grosjean bateu na trave em St Pete, sofreu um acidente no final da corrida do Texas e ficou com a pole em Barber nesse sábado, sendo o melhor carro da Andretti com sobras. Grosjean liderou praticamente toda a corrida, mas nas voltas finais o francês da Andretti cometeu um pequeno erro que foi capitalizado por Scott McLaughlin da Penske, que conseguiu a sua primeira vitória no ano.

No belo circuito do Alabama, Grosjean liderou as primeiras voltas vindo da pole e não demorou para que a estratégia entrasse em ação. Afinal, parar duas ou três vezes? Essa questão seria crucial para o andamento da corrida, enquanto Romain liderava à frente de Palou e O'Ward. Os carros da Penske não estavam lutando diretamente pela vitória e provavelmente por isso o Capitão trouxe seus três carros para os pits ao redor da volta quinze de noventa, indicando que parariam três vezes. Grosjean e os líderes ficaram mais tempo na pista, demonstrando que parariam duas vezes. Inicialmente a turma da Penske parecia estar certa. Liderados por Newgarden, o trio de Roger foi subindo o pelotão rapidamente, usando os pneus macios novos, ultrapassando quem via pela frente. Quando os líderes pararam, a turma da Penske estava bem na fita, mas na única bandeira amarela do dia, provocada por Sting Ray Robb pouco depois da metade da corrida, as estratégias se igualaram, pois a turma das três paradas tinham acabado de parar.

Nesse momento, houve um deja vú da primeira corrida em St Pete, pois Grosjean liderava à frente de Scott McLaughlin, que conseguia a sorte grande nessa bandeira amarela. Newgarden passou a sofrer com problemas em seu carro e cairia pelotão abaixo. Mesmo com O'Ward e Palou vindo muito forte, trazendo consigo o surpreendente Christian Lundgaard, que fez uma prova maravilhosa, a corrida passou a ser uma disputa direta entre Grosjean e Big Mac, algo já visto em St Pete e que não deu muito certo. Os dois abriram na relargada e quando fizeram suas paradas derradeiras, iniciaram uma briga de tirar o fôlego, com praticamente a mesma cena ocorrendo em St Pete. Grosjean parou uma volta antes de McLaughlin, que saiu dos pits na frente, mas com os pneus frios. De forma agressiva, Grosjean conseguiu a ultrapassagem e partia impávido rumo a sua esperada primeira vitória na F1. Será?

Com mais push-to-pass, McLaughlin se aproximou novamente de Grosjean e faltando poucas voltas para a bandeirada, Romain espalhou a farofa e permitiu o troco do piloto da Penske. Para complicar, Will Power havia superado O'Ward e Palou nos pits, se aproximando dos dois líderes rapidamente com os pneus macios. Além de não poder atacar Scott, Grosjean teria que lidar com Power, mas na medida em que se aproximou do carro da Andretti, Will foi perdendo o ímpeto e garantiu o seu primeiro pódio no ano. Scott McLaughlin venceu pela primeira vez no ano, enquanto torcer para Grosjean está se tornando algo cada vez mais complicado para quem acompanha a Indy. 

Melhor do que a preliminar


 Uma coisa boa que a Liberty fez foi ter uma ligação com as demais categorias importantes do esporte a motor. Nos tempos de Bernie, as corridas da F1 ocorriam na hora que desse na telha do dirigente e não faltaram momentos onde a F1 invadia o horário de outras corridas interessantes, fazendo os fãs perderem boas corridas. Com a Liberty isso meio que acabou e nesse final de semana, houve uma clara sincronização entre as corridas da F1 e da MotoGP. E o interessante foi que a F1 começou bem cedo, deixando a MotoGP como evento principal do dia. Foi bem assim que aconteceu, com a corrida da MotoGP bem melhor do que o sonífero de duas horas que foi o Grande Prêmio do Azerbaijão. Jerez viu uma corrida próxima na briga pela liderança e por muito pouco Bagnaia derrotou Brad Binder, reassumindo a liderança do campeonato, após algumas quedas bobas do atual campeão.

Felizmente os pilotos da MotoGP não acompanharam a prova azeri e não ficaram com muito sono, pois a corrida em Jerez começou animada, deixando claro como as KTM's tem um controle de largada muito superior à Aprilia do pole Aleix Espargaró. Porém, assim como aconteceu na Sprint de ontem, uma bandeira vermelha deu as caras ainda nas primeiras curvas. Tentando andar mais do que sua Yamaha, hoje uma das motos mais fracas do pelotão, Fabio Quartararo contornou os primeiros metros de forma agressiva e acabou caindo, levando consigo Miguel Oliveira, que voltava do acidente em casa com Marc Márquez. Oliveira bateu forte no muro inflável e saiu de maca, enquanto Quartararo teve que pagar uma punição por volta longa. E duas vezes, já que queimou a saída da primeira volta longa. Incrível como as motos nipônicas estão claramente atrás das europeias, iniciando uma nova era da MotoGP. Se não fossem as quedas durante a corrida, nem Honda ou Yamaha ficariam no top-10 da corrida de hoje.

Lá na frente a dupla da KTM largou novamente muito bem, com Binder se sobressaindo sobre Jack Miller, enquanto Bagnaia se colocava em terceiro. Espargaró caiu para quarto e ainda seria ultrapassado por Jorge Martin. Foi uma corrida próxima, onde os sete primeiros chegaram a estar separados por apenas 3s com mais da metade da corrida. E o sétimo colocado era o convidado Daniel Pedrosa, que testava a KTM, mostrando o grande erro estratégico da Honda em dispensar o veterano espanhol nos testes da moto. Enquanto a Honda via seus principais pilotos em Jerez caindo nas primeiras voltas (Mir e Rins), a KTM liderava a corrida em dobradinha, mas tinha Bagnaia como grande ameaça. Correndo pressionado após as quedas na Argentina e em Austin, parecia que Pecco era mais cauteloso do que o normal, pois tinha mais moto que Binder e Miller. Numa tentativa atrapalhada, Bagnaia chegou a encostar em Miller, antes de ser punido e tendo que devolver a posição. Pecco não baixou a guarda, foi para cima das duas KTM's e assumiu a ponta já no final da prova. Caso encerrado? Nada disso! Mesmo com pneus claramente desgastados, Binder colocou o coração na ponta dos dedos e numa demonstração de muito coragem, foi para cima de Bagnaia na última volta, que forçou tudo para se manter na ponta e voltar a vencer no campeonato.

Com a queda de Bezzecchi, Bagnaia reassumiu a liderança do campeonato, além de tirar um grande peso dos ombros após as decepcionantes corridas onde abandonou e jogou muitos pontos no lixo. Com Quartararo sofrendo com a Yamaha, Márquez sofrendo com seus fantasmas e os demais pilotos se revezando na frente, Bagnaia vai se mantendo sempre na briga pela ponta e se consolidando como favorito ao bicampeonato.

Street Fighter


 Correr em circuitos de rua, com seus muros próximos, significa estar mais perto do erro e por isso, o piloto precisa ser bastante preciso em sua tocada. Com cinco vitórias em circuitos de rua (sem contar a Sprint de ontem), Pérez já pode ser considerado um especialista em pistas citadinas, mas não foi esse o principal motivo da vitória de Checo hoje. Um Safety-Car na hora errada transformou no que seria em mais uma vitória de Max Verstappen num amargo segundo lugar, com o irascível neerlandês tendo que ser conformado via rádio por Christian Horner, enquanto Checo vencia novamente e completava a dobradinha da Red Bull em Baku, que também teve como característica a dobradinha de corridas soporíferas.


Baku é uma pista de rua com personalidade, com uma sessão de altíssima velocidade bastante longa, uma parte bem capciosa no meio do circuito, onde os pilotos normalmente encostam no muro ou passam muito perto, além da parte estreita do castelo. Ótimas corridas já aconteceram na pista azeri, mas a edição de 2023 esteve longe de entrarem para o rol de provas assim. Mesmo com o SC entrando na pista e praticamente definindo o vencedor, a corrida foi um longo bocejo, mas Sergio Pérez e a Red Bull não tem do que reclamar. Mesmo com Charles Leclerc ficando com a pole e mantendo a ponta na largada, até os postes de Baku sabiam que o monegasco não duraria muito à frente da turma da Red Bull. Bastou que o DRS estivesse ativo, para que a Ferrari de Charles fosse engolida pelo duo da Red Bull sem maiores cerimônias. Nem Max ou Checo forçaram a barra, nem Leclerc dificultou a manobra. Era algo tão natural que Leclerc preferiu nem perder muito tempo segurando a turma austríaca. Rapidamente na ponta, Max e Sergio dispararam na ponta, com o mexicano já acossando Max quando Nyck de Vries, amigão de Verstappen, cometeu um erro básico ao quebrar a suspensão batendo na entrada de uma curva. Mesmo com toda a moral dentro da Red Bull, será difícil para Verstappen defender De Vries. Minutos antes, Verstappen reclamava da falta de aderência do carro e isso seria o motivo de Pérez estar tão próximo. 'Box, box, box', respondeu de imediato a Red Bull. O problema foi que o timing não foi dos melhores. Com De Vries estacionado com a traseira do lado de fora da pista, era claro como um dia de sol no Ceará que o SC real entraria na pista. E quem estava nela, teria uma vantagem. Verstappen parou, o SC veio e Pérez fez sua parada de forma tão tranquila, que não apenas permanecia na liderança, como Max ainda teria que ultrapassar Leclerc novamente.


Verstappen não perdeu muito tempo atrás de Leclerc e logo encostou no seu companheiro de equipe. E assim as demais voltas em Baku viram uma batalha próxima e de alto nível entre Pérez e Verstappen, com os dois andando no limite, com direito e ligeiros toques no muro, mas muito, muito longe de emocionar o público que assistia a corrida in loco ou pela TV. A corrida foi de um bode assustador. Após a única relargada do dia, onde houveram algumas trocas de posições, como a bela ultrapassagem de Alonso em cima de Sainz, a corrida entrou num longo marasmo, onde praticamente nada aconteceu até a bandeirada. Com os pneus duros servindo muitíssimo bem para completar a corrida praticamente inteira, ninguém arriscou uma segunda parada e simplesmente administraram a borracha para chegar bem o bastante para terminar bem a prova. Houveram algumas trocas de melhor volta por parte de dos líderes nas voltas derradeiras, mas lá atrás George Russell se viu incapaz de ultrapassar Lance Stroll e muito na frente do nono colocado. O inglês colocou pneus macios novos e acabou com a brincadeira, mantendo a posição e ainda ganhando um pontinho extra. Pérez venceu, mas no rádio pós-corrida ficava claro de quem é a preferência dentro da Red Bull. Verstappen era consolado por Horner, que com uma voz paternal, dizendo que foi mesmo falta de sorte de Max. Uma situação que deixa clara a situação de Pérez dentro da equipe, mesmo ele estando próximo de Verstappen nos pontos na briga pelo título.


Leclerc não fez maiores esforços para se manter em terceiro, numa corrida solitária e onde teve como maior emoção ser ultrapassado três vezes por um carro da Red Bull. Porém, foi o primeiro pódio da Ferrari no ano e Leclerc vai se consolidando como um dos especialistas em Baku. Já Carlos Sainz viveu uma corrida ainda mais burocrática, onde levou uma ultrapassagem daquelas de Alonso e ainda se viu motivado a atacar o conterrâneo pelo seu engenheiro via rádio. Não sei o que Carlos entendeu, mas o fato foi que ele terminou longínquos 22s atrás de Alonso e tendo que se defender de Hamilton. Sainz vai se consolidando como um segundo piloto da Ferrari. Embalado pelas músicas de Taylor Swift, Alonso fez uma corrida decente, depois dos problemas que a Aston Martin enfrentou no final de semana, chegando a esboçar um ataque à Leclerc nas voltas finais, mas Fernando teve que se conformar com o quarto lugar, terminando fora do pódio pela primeira vez em 2023. Stroll chegou a receber dicas alonsianas durante a corrida. 'O acerto de freio está bom assim', falou Fernando para Lancinho... que saiu da pista e foi ultrapassado por Hamilton. Quase 30s atrás de Alonso, Stroll vai mostrando a diferença que o separa de Alonso. Após todo o auê de ontem, a Mercedes teve um desempenho bastante discreto, com Hamilton iniciando a corrida de forma bem sem graça, seguindo Verstappen no SC e com isso perdendo tempo, mas Lewis despertou após a relargada e efetuou quatro ultrapassagens, incluindo uma bem apertada em cima de Russell, mas mesmo com mais carro, Hamilton ficou empacado atrás de Sainz a corrida quase inteira, o mesmo acontecendo com Russell em relação à Stroll.


No pelotão intermediário, Esteban Ocon e Nico Hulkenberg largaram dos pits com pneus duros, esperando e rezando que um segundo SC entrasse na pista e os salvasse. O primeiro já tinha elevado-os à zona de pontuação e ambos ficaram a corrida inteira com os pneus duros, mas como nada aconteceu, Ocon e Hulk pararam já nas voltas finais e saíram da zona de pontuação, entregando a nona e décima posições para Norris e Tsunoda. Porém, destaque negativo para a parada de Ocon. O francês esperou a última volta para entrar no pit-lane e deu de cara com a FIA se preparando para o pódio, fechando a passagem e com vários fotógrafos no local. Numa cena perigosa, Ocon passou perto de várias pessoas, que chegaram a pular para não serem atingidas. Outro destaque negativo vai para Bottas, que desde que entrou nessa onda naturista, viu sua carreira ir por água abaixo. Último lugar para o nórdico, que andou o tempo todo atrás de Zhou, até o abandono do chinês.


E assim foi o Grande Prêmio do Azerbaijão de 2023. Sem muitas linhas a serem escritas, pois pouca coisa aconteceu na pista. Pérez ganhou e se aproximou de Verstappen no campeonato, mas se quiser ser campeão, o mexicano teria que fazer um campeonato onde teria que derrotar não apenas Max, uma missão por si só bastante complicada, mas também sua própria equipe, já que a Red Bull praticamente vive em torno de Max Verstappen. Será possível que Pérez emule o que Nelson Piquet fez em 1987 e Fernando Alonso quase fez em 2007? Checo desequilibraria Verstappen como Nico Rosberg fez em 2016? O tempo dirá, mas a próxima corrida será numa pista de rua. Chance para Checo dar um xeque em Verstappen, ou o neerlandês colocar ordem na casa. Em 2023, tudo se resume ao que acontece dentro da Red Bull.

sábado, 29 de abril de 2023

Mexer no que está quieto (2)

 


Com a Liberty desesperadamente tentando fazer com que o formato da Sprint engrene, as mudanças transformaram o sábado num evento inteiramente dedicado à mini-corrida inventada não se sabe bem o porquê e nem para quê. A minha visão disso tudo é que a Liberty está angustiada por mais receitas e para isso, precisa aumentar o número de corridas no calendário, mas as próprias equipes se negam a fazê-lo pela estafa do próprio staff. Então a Liberty coloca a Sprint como uma forma de barganha para os promotores das corridas para aumentar a quantia a ser paga por prova, algo que deverá funcionar com os países ditos emergentes dentro da F1, como o pessoal do Oriente Médio. Porém, como diria o poeta Garrincha, faltou combinar isso com os russos, pois até o momento a Sprint Race vai se mostrando um fracasso de público e crítica, pois tantos os pilotos não gostam, como também as equipes e, mais importante para a Liberty, também a audiência.

Como a Liberty investe nesse formato até mesmo como uma forma de aumentar a grana, ela vai mudando o conceito da ideia, mas parece que nada vai dando certo. Com os pilotos preocupados em marcar pontos no domingo e os chefes de equipe desesperados em não ter grandes danos que afetem o teto orçamentário, qual a motivação de querer agressividade na Sprint Race? Os próprios pilotos e equipes verbalizam isso. Ao bater na classificação da Sprint, Logan Sargeant ficou de fora da mini-corrida e a Williams foi muito clara que o melhor era se concentrar no domingo. Numa regra sem sentido, a FIA resolveu outorgar quais compostos de pneus as equipes usariam na classificação da Sprint. Cada time teria que reservar pneus médios novos para Q1 e Q2 e um jogo de pneus macios novos para o Q3. Norris não tinha mais pneus novos e a McLaren o fez de forma consciente, mesmo sabendo que isso prejudicaria a Sprint de Lando. Qual motivo? Muito simples. O foco é no domingo...

Claro que quando os dezenove carros vão para a largada e os pilotos fecham suas viseiras, algo pode acontecer que saía do script. Max Verstappen não largou de forma perfeita e foi atacado por George Russell. Houveram alguns toques TOTALMENTE NORMAIS de corrida entre os dois e no fim, o piloto da Mercedes se deu melhor na primeira volta. Na relargada do Safety-Car causado pelo acidente de Tsunoda ainda na primeira volta, Russell bobeou de forma até inocente e Max deu o troco de forma graciosa. Porém, Max não se conformou com os toques na primeira volta e foi tomar satisfação com Russell na frente de todos depois da corrida, amentando a sensação de que mesmo sendo uma baita piloto, talvez um dos mais talentosos da história, Max Verstappen está longe do carisma dos poucos gigantes que passaram nesses 73 anos da F1. Falando da corrida em si, Sergio Pérez usou seu fetiche por corridas de rua e facilmente ultrapassou Leclerc assim que o DRS esteve disponível. Enquanto teve pneus, Leclerc perseguiu Checo de perto, mas quando a Ferrari satisfez sua fome por borracha, Charles perdeu contato, mas com Verstappen ainda com lágrimas nos olhos pelo chorôrô no incidente com Russell e tendo um buraco na lateral do seu Red Bull, Leclerc controlou Max e garantiu a segunda posição e teve a certeza que a pole de amanhã dificilmente será capitalizada na bandeirada em condições normais.

Com equipes e pilotos boicotando a ideia a Sprint Race, o que vimos em Baku foi algo tão emocionante quando assistir uma pintura secar ao vento. Muitas vezes o arroz com feijão serve muito bem. Colocar novos ingredientes pode até ser interessante na teoria, mas basta uma colherada para perceber que o básico já é o suficiente para saciar a nossa fome. Por mais que a Liberty tente nos fazer engolir a Sprint Race, a ideia vai se tornando um fracasso, mesmo com todas as tentativas. O final de semana da F1 com treinos na sexta, classificação normal no sábado e corrida no domingo é o arroz com feijão que serviu nos últimos 73 anos e mesmo com invencionices, é o cardápio que o fã da F1 precisa.