sábado, 2 de setembro de 2023

Mais uma do Brasil


 Um ano após a triunfo de Felipe Drugovich na F2, bem no final de semana em que o brasileiro fez um teste na F1 com a Aston Martin, o Brasil viu mais um talento nacional vencer em pistas internacionais. Gabriel Bortoleto estava dentro do seu carro nos boxes de Monza quando veio a confirmação do seu título da F3, já que o brasileiro precisava de quase nada para ser campeão. Bastava que seus rivais, o espanhol Josep Maria Marti e o estoniano Paul Aron, não alcançassem a pole position para que o paulista faturasse o campeonato.

Bortoleto não fez um campeonato com vitórias consecutivas, mas usou a inteligência e principalmente a consistência para conquistar o campeonato logo em sua estreia na F3, algo bastante apreciado pelos chefes de equipe da F1. Sem contar que Bortoleto tem a providencial ajuda de Fernando Alonso como manager, inclusive com o espanhol festejando bastante o título do pupilo. Logicamente que com o título, vem logo a pergunta: para onde irá Gabriel Bortoleto em 2024? O caminho natural seria a F2, mas até o momento não há nenhuma equipe de olho no brasileiro, mas não demorará a surgir convites. 

Mesmo não tendo nenhuma ligação com as academias de pilotos da F1, Bortoleto tem o seu belo currículo e o agenciamento de Alonso (que deve abrir muitas portas) como principal argumento para continuar sua caminhada de sucesso rumo a F1.

Única alegria

 


Conta a lenda que nos anos 1980, quando a Ferrari sofria de um jejum aparentemente mais profundo que o atual, os italianos colocavam motores ilegais nos carros durante os treinos em Monza para impressionar os tifosi e lotar as arquibancadas para o resto do final de semana. Claro que isso hoje beira o impossível devido à rédea curta da FIA com relação aos regulamentos, mas hoje Monza viveu um momento bem parecido de trinta e cinco anos atrás, quando a Ferrari tinha breves momentos de felicidade com poles miraculosas, mesmo sabendo que em sã consciência, isso não valerá de nada no domingo. Com carros muito rápidos em volta lançada, a Ferrari interrompeu brevemente o domínio da Red Bull com uma próxima pole de Carlos Sainz, que superou Max Verstappen por menos de um décimo, tendo Charles Leclerc bastante próximos dos dois.

Monza recebeu um ótimo público para ver novamente o fracasso da nova tentativa da Liberty em movimentar a classificação, com as equipes sendo obrigadas a disputar cada parte da classificação com um tipo de pneus, diminuindo o número de pneus para cada piloto no final de semana, porém, tendo como consequência os pilotos poupando pneus nos treinos livres. Para completar, com as características únicas de Monza, havia o temor da repetição de alguns treinos recentes, onde os pilotos ficavam esperando uns aos outros para pegar vácuo e no final todos se atrapalhavam. A FIA foi mais rápida e colocou um delta de tempo para evitar a artimanha, deixando a classificação um pouco normal. Recentemente surgiu a notícia de que Lance Stroll estaria pensando em abandonar a F1 e ir para o seu verdadeiro esporte que ama, o tênis. O canadense, inclusive, teria feito bons papéis em abertos juvenis e que Lance só abraçou o automobilismo para realizar o sonho do pai, verdadeiro entusiasta do automobilismo. Seja como for, Stroll deveria treinar mais seu backhand, ao ficar em último no Q1, enquanto Alonso chegou ao Q3.

Outro destaque negativo ficou para a Alpine, pois vindo de um pódio, a equipe francesa fechou a penúltima fila com seus dois pilotos. Liam Lawson mostrou bom serviço ao andar sempre próximo de Tsunoda, quase indo ao Q3. Já no Q2 a Ferrari mostrava muita força e parecia incomodar Verstappen, enquanto Pérez sofria com problemas em seu carro desde o TL3. Leclerc nunca havia sido superado por um companheiro de equipe em Monza, mas Sainz, que completou 29 anos ontem, vinha andando mais rápido do que Charles e num final de classificação empolgante, o espanhol conseguiu superar o tempo de Max, para delírio da torcida, que vibrou como um gol nas arquibancadas de Monza. Porém, todos sabem ali que na corrida, o ritmo da Red Bull é bastante superior. A ciência desse axioma estava na tranquilidade de Verstappen com o segundo lugar e a frieza de Sainz com a pole. Contudo, a Ferrari deve ter dado a única alegria à sua torcida no final de semana.

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Figura(HOL): Alexander Albon

 Voltando quatro anos no tempo, parecia que Alexander Albon seria mais uma vítima da incessante máquina de moer jovens pilotos comandada por Helmut Marko. O anglo-tailandês saía da Red Bull pelas portas do fundo e para não ficar parado, se mudou para o moribundo DTM, mas ainda em 2022 Albon obteve uma chance inesperada na Williams, em mais uma tentativa de ressurgimento da tradicional equipe, que obtivera bons resultados com George Russell, novato faminto para mostrar serviço. Ainda ligado à Red Bull, Albon estava numa situação parecida com Russell, com a pressão adicional de estar usufruindo de uma rara segunda chance. Após um primeiro ano muito bom com a Williams, Albon garantiu uma segunda temporada com a equipe inglesa em 2023 e os resultados estão cada vez melhores, com pilotagens de alto nível de Alexander. Em Zandvoort, Albon se manteve sempre entre os primeiros colocados em todos os treinos e na complicada classificação, Alex colocou a Williams na segunda fila. Novamente a chuva se fez presente em Zandvoort no domingo e Albon pôde mostrar outra grande pilotagem. Albon vem se mostrando um mestre em administrar seus pneus e nos Países Baixos não foi diferente. Primeiramente Albon aplicou com sucesso a arriscada tática de permanecer na pista com pneus slicks na pista molhada e ao não fazer o pit-stop, Alexander permaneceu mais da metade da corrida com a mesma borracha, por sinal, a mais macia à disposição dos pilotos. Albon fez uma prova incrível e com pneus médios mais novos, era um dos pilotos mais rápidos do pelotão e via a sexta posição com um resultado provável, quando a chuva se fez presente e com mais força do que no começo da corrida, atrapalhando os planos da Williams e de Albon, mas o tailandês ainda beliscou uma oitava posição, marcando mais pontos na Williams, deixando a equipe numa ótima sétima posição no Mundial de Construtores, com a Williams sendo carregada nas costas por Albon. Com atuações como essa, será difícil a Williams segurar Albon por muito tempo.

Figurão(HOL): Logan Sargeant

 A gloriosa Williams hoje tem um dos piores carros do pelotão da F1, mas conta com um piloto que está fazendo a diferença, que está na parte de cima da coluna, porém, o segundo piloto além de não acompanhar o primeiro, ainda dá prejuízos significativos para a equipe, que está longe de ter o maior orçamento da F1. Logan Sargeant foi para a F1 muito mais pela sua nacionalidade e do interesse que a F1 tem no mercado americano, do que propriamente pelo talento, mesmo Sargeant não ser um piloto ruim, mas haviam outros melhores. Porém, Logan já está contratado e passando a metade da temporada 2023, o jovem americano ainda não disse a que veio e em Zandvoort Sargeant teve um final de semana altos e muitos baixos. No sábado, Logan conseguiu quebrar um jejum de trinta anos ao se tornar o primeiro americano a largar no top-10 na F1, desde Michael Andretti, de triste passagem na categoria. Porém, a alegria durou muito pouco, com Sargeant batendo seu Williams ainda no começo do Q3, quando a pista secava e haviam pontos úmidos na pista. O carro foi reconstruído para a corrida e Logan sobreviveu bem as caóticas primeiras voltas da corrida, levando seu Williams montado com pneus slicks numa pista bem molhada. Porém, assim como ocorrera no dia anterior, quando o sol já brilhava nos Países Baixos Sargeant bateu seu Williams novamente, dando um baita prejuízo para a equipe, além de continuar zerado no campeonato. Enquanto a corrida se desenrolava, Logan Sargeant ficou minutos refletindo mais um erro e muito provavelmente pensando na sua carreira. Para a sorte de Logan, a Indy está muito competitiva e provavelmente ele pode se mudar para lá correndo mais perto de casa. Pois na F1, o lugar de Logan Sargeant está cada vez mais distante.

domingo, 27 de agosto de 2023

Que pena...


 O dia estava bonito em Cascavel no Paraná, que recebia em sua tradicional pista o Campeonato Brasileiro de Motovelocidade. Ainda na primeira volta da categoria Moto1000GP , o piloto André Veríssimo caiu no meio da pista. É a situação mais perigosa numa corrida de motos, pois com todos os pilotos ainda agrupados, a chance de um atropelamento é muito grande, lembrando a morte de Marco Simoncelli, por exemplo. Érico Veríssimo, que não tem nenhum parentesco com André, não conseguiu desviar do piloto caído e o atingiu em cheio. Um terceiro piloto teve que passar raspando no muro para não se envolver no acidente. André e Érico foram levados para o hospital em estado gravíssimo, mas não resistiram aos ferimentos e faleceram poucas horas depois. Um dia trágico para o esporte a motor brasileiro... 

Tudo normal no caos neerlandês

 


Pode chover, relampejar, raio cair... mas Max Verstappen continuará sua temporada dominante na F1. Em meio ao caos que marcou o início e o fim da corrida em Zandvoort, Max Verstappen soube passar por cima de qualquer intempérie para vencer novamente, se igualando ao recorde que foi de outro piloto da Red Bull, Sebastian Vettel dez anos atrás, com nove vitórias consecutivas. Contudo não se pode afirmar que foi outro passeio domenical do neerlandês, com a chuva atrapalhando os planos de Max de uma vitória sossegada na frente do seus sempre animados torcedores.


Havia previsão de chuva para todo o final de semana neerlandês e se no sábado os meteorologistas laranjas foram certeiros, no domingo foram ainda mais precisos. Quando os pilotos estavam saindo para a volta de apresentação, já se enxergava pingos nas câmeras de TV e no apagar das luzes vermelhas, ainda com pista completamente seca, Max saiu calmamente, se aproveitando da estreiteza da pista em Zandvoort, onde ninguém se arrisca ao extremo pelo simples fato de não haver espaço. Porém, quando o pelotão de carros se aproximou do último terço da primeira volta, a pista estava bastante molhada, pegando todos de surpresa. Tanto que poucos pilotos tiveram a iniciativa de ir aos pits colocar pneus intermediários, liderados por Sergio Pérez. No entanto, a previsão era que a chuva fosse passageira, deixando os estrategistas de cabelo em pé. O que fazer? Arriscar ficar na pista molhada com os pneus slicks ou ir imediatamente aos pits? Boa parte do grid optou pela segunda opção e quanto mais tempo os pilotos ficassem na pista com slicks, poderia perder ainda mais tempo. Verstappen foi um dos que pararam na segunda volta, levando uma clara desvantagem de quem parou na primeira volta. Max chegou a ficar 13s atrás de Checo, que rapidamente chegou à liderança da corrida. Enquanto isso, os 'pajés' de McLaren e Mercedes comeram mosca e deixaram seus carros mais uma volta e só então os trouxeram aos pits, fazendo com que Hamilton, Norris e Russell perdessem muito tempo. 'Minha previsão era ir ao pódio e agora estou nas últimas posições', bodejou via rádio Russell. Já Albon, Piastri, Hulkenberg e Sargeant arriscaram a primeira tática e talvez a mais arriscada, que era não parar e ficar na pista molhada com os pneus slicks.


Com menos de dez voltas, o sol já brilhava em Zandvoort e com os pilotos que arriscaram ficar com slicks até 4s mais rápidos, estava na hora dos pilotos que colocaram pneus intermediários 'destrocar' para slicks. Nesse momento Verstappen já havia deixado Zhou e Gasly para trás com uma ferocidade incrível e com a mesma fome, diminuiu a vantagem de Pérez de 13s para menos de 5s. Não querendo encrencas na pista entre seus pilotos, a Red Bull foi bem prática ao trazer Max primeiro aos pits, só trazendo Checo uma volta mais tarde, para tristeza do mexicano, que questionou a manobra via rádio, mesmo que se tudo fosse resolvido na pista, Verstappen atropelaria Pérez como fizera em Miami. Apesar das reclamações, não se pode afirmar que Pérez ficou no rol dos prejudicados nas caóticas primeiras voltas, pois largando em sétimo, com tudo isso Sérgio completava a dobradinha da Red Bull, com Alonso em terceiro, após uma largada agressiva do espanhol, ganhando duas posições na primeira volta e parando na mesma volta de Max. Leclerc tocou rodas com Norris na primeira volta e se aparentemente só quebrou parte do bico, não estava à olho nu a quebra do assoalho, estragando de vez a corrida do monegasco. Contudo, não se pode falar de uma corrida em 2023 sem uma atrapalhada da Ferrari. Charles foi um dos que foram aos pits na primeira volta. Leclerc tinha tudo para capitalizar, assim como fizera Pérez, Zhou e Gasly. Só esqueceram de avisar a Ferrari, que quando viu Leclerc emergir no pit-lane, simplesmente não tinham os pneus intermediários prontos. Mais uma cena inacreditável que entrará para o folclore da F1 e da Ferrari. O vexame só não foi maior porque, com o problema no assoalho, Leclerc abandonou melancolicamente, quando levava pressão do novato Liam Lawson.


Com sol brilhando, a corrida entrou numa fase mais tranquila, quando Logan Sargeant estampou sua Williams no muro, trazendo o primeiro Safety-Car do dia. O jovem americano, que quebrou um jejum de trinta anos de um piloto ianque largando entre os dez primeiros numa corrida de F1, mais uma vez bateu forte seu Williams no final de semana e ficou a corrida inteira introspectivo, pensando na vida e no que fazer em 2024, o que pode ser bem longe da F1.  Isso fez com que alguns pilotos que se aproveitaram do caos das primeiras voltas vissem pilotos prejudicados encostarem, como foi o caso de Hamilton e Norris, enquanto Russell pensou um pouco diferente e colocou pneus duros, numa tentativa de levar sua Mercedes até o final. Ou quem sabe até a próxima pancada de chuva. Afinal, como anunciadores do apocalipse, as equipes sempre davam previsões de que a chuva viria em algum momento no final da corrida. Enquanto isso, Max liderava tranquilamente, tendo Pérez como escudeiro e Alonso fechando o pódio provisório. Na única Ferrari minimamente competitiva, Sainz sofria com um carro com acerto ruim em pistas de alto downforce e era superado por um Gasly que capitalizou bastante na estratégia nas tateantes primeiras voltas. Hamilton e Norris subiam pelo pelotão, já se aproximando da zona de pontuação, enquanto Albon fazia outra corrida assombrosa. Enquanto seu companheiro de equipe sofria ao lado da pista, pensando na morte da bezerra, Albon passou da metade da corrida sem fazer um único pit-stop, se segurando na pista com pneus não compatíveis com a situação e depois levando essa mesma borracha a durar mais do que o esperado. É por essas e outras que Albon já desperta a cobiça de equipes grandes na F1.


Ao horizonte, uma nuvem pesada vindo do Oceano Atlântico se aproximava da pista de Zandvoort. O céu escureceu e faltando dez voltas para o fim, uma chuva ainda mais forte do que uma hora e meia antes despencou em Zandvoort. Foi outro Deus-nos-acuda. Pérez fez o mesmo que a primeira volta e entrou nos pits antes de todos, talvez sem avisar à equipe, que deu uma de Ferrari e esqueceu dos pneus, fazendo Pérez perder muito tempo na operação. Sorte de Checo foi que a Aston Martin já tinha falhado com Alonso na parada do espanhol e Fernando estava mais longe do que o normal. Aconteceu outra procissão aos pits, mas a chuva era tão forte, que não demorou que alguns pilotos aquaplanassem, entre eles Pérez, que dessa vez perdeu a posição para Alonso. Ocon colocou os pneus para chuva forte e quando o francês reclamou com sua equipe, o que era uma chuva forte se transformou em dilúvio, fazendo com que alguns pilotos imitassem o francês da Ocon, antes de Guanyu Zhuo bater forte sua Alfa Romeo na curva Tarzan, causando uma bandeira vermelha. Até mesmo com os pilotos levando seus carros aos pits, alguns saíram da pista, tamanho era a quantidade de chuva.


Faltando sete voltas para o fim, em outros tempos essa bandeira vermelha significaria o fim da corrida, mas em tempos de Liberty Media, o show tem que continuar, mesmo com alguns empecilhos. A grande realidade é que Zandvoort só está no calendário da F1 atual por causa da 'Verstappenmania' e mesmo na década de 1980, já haviam reclamações do pouco espaço no pit neerlandês. Com um pit-lane tão apertado, seria um risco os pilotos largarem com pneus para chuva extrema e na volta seguinte, como vem sendo comum, irem procurar, todos ao mesmo tempo, os pneus intermediários. Então se esperou quarenta minutos para que a chuva diminuísse e a pista se tornasse praticável para os intermediários, com os pilotos sendo obrigados a largarem com os pneus de tarja verde. Assim que foi dada a relargada, foi anunciado uma punição de 5s para Pérez, por excesso de velocidade nos pits. Verstappen teve a presença incômoda de Alonso na relargada, mas como o próprio espanhol relatou depois da corrida, as condições estavam tão difíceis que um acidente poderia tirar os dois da corrida. E talvez Alonso tivesse que sair da pista num camburão de polícia. As últimas voltas foram marcadas pela tentativa frutífera de Gasly se manter menos de 5s de Pérez para conseguir um muito comemorado pódio, enquanto Hamilton tentava e não conseguia ultrapassar a Ferrari de Sainz, tendo que se conformar com a sexta posição. Albon marcou bons pilotos, condizentes com sua bela pilotagem em todo o final de semana. Norris largou na primeira fila, mas foi derrubado por erros estratégicos da McLaren e pelo melhor ritmo da Mercedes para ser oitavo, tendo se envolvido num toque com Russell nas últimas voltas, que fez o piloto da Mercedes cair para último. Piastri teve a mesma estratégia de Albon, mas não brilhou como o anglo-tailandês, mas pelo menos terminou nos pontos, enquanto Ocon melhorou ainda mais o dia da Alpine conseguindo um pontinho.


Foi uma corrida caótica, onde muita coisa aconteceu. Só não mudou o vencedor. Enquanto os pilotos esperavam a pista melhorar e completarem a corrida, a torcida neerlandesa começou uma festa incrível, meio que esperando que o grande motivo deles estarem ali completasse o serviço. Mesmo com algumas dificuldades, Max Verstappen torna tudo muito fácil e transformou uma corrida caótica em outra vitória dominante. Da mesma forma como a torcida neerlandesa, a F1 parece saber que pode acontecer de tudo numa corrida na temporada 2023. Chover, relampejar, nevar, os oceanos entrarem em ebulição, mas o vencedor será Max Verstappen. 

Incoerência

 Para quem curte esporte a motor ultimamente, muitas vezes vivemos em constante incoerência. De um lado, sentimos saudades de um certo despojamento do esporte e como os pilotos, de duas e quatro rodas, encaravam os perigos do esporte, fazendo-os heróis para os fãs. Portanto, quando vemos certos cuidados com a segurança nas pistas atualmente, esse saudosismo aflora e as críticas para os 'pilotos Nutellas de hoje em dia' aparecem aos montes, principalmente nas cada vez mais tóxicas Redes sociais (ou antissociais). No entanto, quando um piloto sai de um carro após um terrível acidente praticamente intacto, dizemos logo: oh, ainda bem que a segurança evoluiu. Fica a pergunta: olhando em retrospectiva, será que o correto seria os cuidados com a segurança atual e que isso teria poupado várias vidas em outras décadas? Observando que Ryan Preece saiu do seu carro com suas próprias forças depois de um acidente como esse na Nascar, ainda podemos chamar os pilotos atuais de Nutella? A evolução dos carros, das pistas e também nos procedimentos no quesito segurança é algo que sempre deveremos comemorar, NUNCA menosprezar.