segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Figura(JAP): Red Bull

 São quinze vitórias em dezesseis corridas, mais do dobro de pontos conquistados que o vice-líder e o Mundial de Construtores conquistado com mais uma vitória em ritmo de passeio, patrocinado pelo seu principal piloto e virtual campeão Max Verstappen. Mesmo em tempos de domínios contínuos da F1, o que a Red Bull vem fazendo em 2023 é algo assombroso. O Mundial de Construtores foi confirmado com seis corridas de antecipação. Foi 'mais um dia no escritório' para a Red Bull em Suzuka, mas o time austríaco comandado por Christian Horner, que gere talentos como Verstappen e Adryan Newey, merece estar nessa parte da coluna. Pode não ser muito legal de se assistir, mas não há como negar que a história está sendo escrita na nossa frente, só nos restando apreciar o incrível trabalho da Red Bull.

Figurão(JAP): Sergio Pérez

 A disputa foi grande para estar nessa parte da coluna. De um lado, Logan Sargeant bateu no sábado, dando um baita prejuízo à Williams, que já verbalizou através do seu chefe de equipe James Vowles que está sofrendo para se manter dentro do teto orçamentário, além de um toque desnecessário com Bottas no domingo praticamente terminando a corrida de Sargeant, além de colocar enormes dúvidas sobre a continuidade do americano na F1 em 2024. No entanto, Sérgio Pérez conseguiu ser ainda pior e bem no dia em que sua equipe comemorou o sexto título do Mundial de Construtores, o mexicano teve um final de semana horroroso, coroado com uma corrida classificada de forma bem educada como medíocre. Com Verstappen querendo mostrar a todos que os seus resultados medianos em Singapura nada mais eram que um ponto fora da curva em Suzuka, Pérez ficou muito para trás do companheiro de equipe em todos os treinos, chegando a ficar 1s de Max. Na classificação a diferença chegou a impressionantes oito décimos, mas como Pérez é conhecido por ter um melhor ritmo de corrida, era esperado um melhor desempenho no domingo, mas a maionese começou a desandar para Checo ainda na largada, quando saiu mal no apagar das luzes vermelhas e se viu numa linha de quatro pilotos na aproximação da primeira curva. Pérez acabou sendo o maior prejudicado e precisou trocar a asa dianteira, mas isso propiciou o primeiro grande erro de Sergio, ao ultrapassar Alonso antes da linha do SC, lhe dando um pênalti de 5s, que foi pago mais cedo do que o imaginado. Caindo para as profundezas do pelotão, Pérez iniciou uma tentativa de corrida de recuperação, que terminou num acidente estúpido com Magnussen, onde Pérez foi o único culpado. Para não ter que pagar a punição na próxima etapa no Catar, a Red Bull resolveu devolver Pérez para a pista. A cena de Pérez parado por vários minutos dentro do carro, como se estivesse de castigo, foi bem emblemática. O mexicano parece estar com a confiança esmagada pelo tsunami Verstappen e por saber que a sua equipe apoiará o neerlandês por muito tempo. Pérez é um piloto acuado e sem confiança, só restando a ele manter a segunda colocação no campeonato, posição que está nesse momento, mas se Pérez perder essa posição no final do campeonato, sua continuidade na F1 poderá ficar em risco. 

domingo, 24 de setembro de 2023

Um porre

 


Há um ditado que diz que pistas boas produzem corridas boas. Suzuka é das pistas preferidas de todos os pilotos de ontem e de hoje e para os brasileiros, o circuito japonês tem um significado ainda mais especial, por ter sido palco de metade dos títulos conquistados na F1. Porém, Suzuka é um circuito bem 'old school' e com uma F1 com carros tão largos e com alta dependência aerodinâmica, a triste realidade é que o circuito nipônico não está envelhecendo muito bem e normalmente as corridas por lá são verdadeiros porres, daqueles de derrubar qualquer um num sábado para domingo de madrugada. Hoje não foi exceção e novamente vimos uma corrida bem morna, combinando bem com o clima em Suzuka nesse final de semana, onde o sol brilhou forte e causou alto desgaste de pneus. Querendo dar uma resposta aos que duvidavam da Red Bull depois do final de semana horroroso em Singapura, Max Verstappen passeou entre as curvas rápidas de Suzuka, dando o título de Construtores para a Red Bull, além de ficar apenas três pontos de confirmar o tricampeonato.


A largada foi o momento mais interessante da corrida. Piastri deve ter levado um pouco a sério a brincadeira feita por Norris no dia anterior, quando o inglês pediu ao companheiro de equipe uma largada à la Senna em 1990. Piastri estacionou seu McLaren apontando para Verstappen e largou de forma diagonal, tentando ir para cima de Max, que segurou a posição, mas essa manobra deixou o caminho livre para Norris pular bem na primeira curva e brigar por alguns metros com Verstappen, mas logo o neerlandês colocou ordem na casa e deu um 'tot ziens' para Lando. Mais atrás, a corrida do outro piloto da Red Bull se tornava um inferno. Sérgio Pérez largou bem, assim como Hamilton e Sainz. Naquele bolo, apenas Leclerc, que largava em quarto, não saiu bem no apagar das luzes vermelhas, mas o ferrarista não entregaria a sua posição fácil e como resultado, os quatro chegaram a ficar emparelhados no aproche da primeira curva, inclusive com Sainz tentando uma manobra duvidosa ao colocar sua Ferrari à fórceps entre Leclerc e Pérez. No entanto, ao lado de Pérez já estava Hamilton, que colocou as rodas na grama e tocou-se com Checo, que foi o grande prejudicado da confusão, pois teve a asa dianteira quebrada e precisou ir aos boxes troca-la. Nas últimas posições, Bottas e Ocon batiam, fazendo com que Albon e Zhou pegassem resquícios do toque, que fez com que a pista ficasse tão suja, que o Safety-Car fosse à pista.


Pérez continuou sua corrida desastrada ao cometer o erro primário de ultrapassar carros com o SC na pista, lhe causando uma punição de 5s, que foi cumprida mais rápido do que o planejado quando Checo se envolveu num acidente estúpido com Magnussen, no hairpin, coroando uma corrida pífia do mexicano, que teve que abandonar a corrida... para depois tentar um retorno sem nenhum motivo aparente. Pérez passou vários minutos dentro do carro, recebeu o ok para retornar à pista, deu uma volta lenta para encostar novamente. Enquanto isso, Verstappen passeou pelas curvas de Suzuka para vencer pela 48º vez na carreira e demonstrando o quanto Pérez foi inútil nesse final de semana, os pontos conquistados por Max foram mais do que suficientes para que a Red Bull conquistasse o Mundial de Construtores com uma antecedência absurda, mesmo para os padrões atuais de seguidos domínios na F1. Verstappen chegou aos quatrocentos pontos ainda faltando seis provas para fim, restando ao piloto da Red Bull apenas três pontos para confirmar um tricampeonato que já era favas contadas desde a primeira corrida da temporada. A conta deverá ser batida ainda no sábado, na corrida Sprint do Catar. Pérez pode ser um bom piloto, mas demonstra ter problemas de confiança e ao ser esmagado por Verstappen e vendo a equipe viver em torno do neerlandês, Pérez parece acuado. O mexicano ainda tem uma boa vantagem sobre Hamilton na segunda posição, mas com corridas como a de hoje, essa posição pode ficar bem ameaçada, o que seria uma derrota doída e com consequências para o futuro de Pérez na F1.


Com a pista abrasiva e um calor fora da curva em Suzuka, o desgaste de pneus seria um ponto primordial na corrida nipônica, mas nem isso animou muito a prova, com praticamente todos os pilotos optando pela tática padrão de duas paradas. Piastri foi beneficiado pelo SC Virtual no toque entre Pérez e Magnussen por ter feito o seu primeiro pit-stop durante o período, mas o ritmo superior de Norris fez com que a McLaren realizasse a troca entre seus pilotos. Foi uma corrida bem solitária para ambos, mas garantindo bons pontos para a McLaren e o primeiro pódio na F1 para Piastri, que em troca não pareceu muito feliz com sua conquista. Provavelmente Piastri não tenha ficado contente com a ordem de equipe, além de saber de sua capacidade e que um pódio é apenas um passo rumo a conquistas ainda maiores. Leclerc fez uma corrida tranquila, onde a Ferrari não cometeu erros crassos, mesmo que permitindo que Sainz, longe do brilhantismo de Marina Bay, perdesse uma posição para a Mercedes num undercut. Por sinal, os pupilos de Toto Wolff estavam bem animados, com Hamilton e Russell chegando a trocar tintas durante a corrida. George arriscou numa estratégia de uma parada, mas no final o inglês chegou praticamente na mesma posição em que ficaria, caso escolhesse a tática padrão. Nas voltas finais, Sainz tentou um ataque em cima de Hamilton, mas Lewis segurou bem a posição e aumentou sua vantagem para Alonso na briga pelo terceiro lugar no campeonato.


O espanhol da Aston Martin largou bem, se aproveitando do entrevero na sua frente na primeira curva, pulando na frente da dupla da Mercedes, mas Alonso simplesmente não tinha ritmo para enfrentar Ferrari e Mercedes, terminando num opaco oitavo lugar e já se impacientando com a decadência de sua equipe nesse último terço de campeonato. Stroll abandonou, mas não por culpa sua, mas por problemas na asa traseira, fazendo com que a Aston Martin trouxesse o canadense para os pits. Mesmo tendo que fazer uma parada não programada pelo toque com Bottas na primeira volta, Ocon ainda teve fôlego para conseguir pontuar ao mudar de estratégia e ficar bastante tempo na pista com pneus duros no primeiro stint. Gasly superou a dupla da Alpha Tauri e com a parada de Ocon, terminou em nono, mostrando que a Alpine é a quinta força do campeonato. Bem no final de semana em que foi confirmado como piloto reserva em 2024, Lawson fez outra corrida muito boa usando seu conhecimento de Suzuka, já que Liam disputa a Super Formula japonesa, e superou Tsunoda na casa do japonês, ficando a um posto de marcar ponto novamente. Foi uma corrida com mais abandonos do que o normal e novamente Sargeant se envolveu em um acidente, que aumenta ainda mais a pressão em cima do americano. Drugovich agradece.


Numa corrida sem muita história, a Red Bull confirmou seu merecido título de Construtores na casa de sua parceira, a Honda, e ainda deixou Max Verstappen esperando apenas a confirmação matemática para poder comemorar o título. O neerlandês dominou a corrida em Suzuka com a mesma facilidade em que efetuou na maioria de suas treze vitórias em 2023. Com suas curvas rápidas e estreitas, Suzuka é cada vez mais uma pista para o piloto, mas nem tanto para o público. Não foi uma corrida boa de se assistir, mas Verstappen e a Red Bull não tem nada com isso e vai destruindo recordes, concorrência e até mesmo seu segundo piloto. Uma domínio para a história.

sábado, 23 de setembro de 2023

Resposta

 


Após o final de semana problemático em Cingapura, com as novas diretivas da FIA sobre a flexibilidade de asas e assoalho, a F1 criou uma esperança de que a Red Bull poderia ter algumas rachaduras em sua armadura de invencibilidade. Bastou uma semana para que todos percebessem que o ocorrido nas ruas cingapurianas não passou de um ponto bem fora da curva. Voltando a um circuito regular, Max Verstappen resolveu dar uma resposta a quem duvidava de seu domínio. Após liderar com facilidade os três treinos livres em Suzuka, o neerlandês da Red Bull massacrou na classificação, colocando meio segundo na dupla da McLaren, além de sete décimos em Checo Pérez, o quinto. Marina Bay foi apenas um sonho curto de verão.

Antes da corrida surgiu a especulação de que Felipe Drugovich estaria negociando com a Williams, ultrapassando nessa corrida Mick Schumacher. Contudo, a Williams trouxe Logan Sargeant de suas canteras para desenvolve-lo e não faria sentido dispensa-lo após apenas um ano. Será? Antes de completar sua primeira volta no Q1, o americano estampou seu Williams na saída da curva 18, um lugar não muito habitual para se bater, dando mais prejuízo à sua equipe, além de aumentar as esperanças de Drugovich de estar no grid da F1 em 2024, principalmente se o paranaense conseguir juntar uma boa grana na mesa de James Vowles, chefe da Williams. Ainda na manhã nipônica, surgiu a notícia que a Alpha Tauri terá como dupla de pilotos em 2024 Yuki Tsunoda e o ainda lesionado Daniel Ricciardo. Usando seu conhecimento da pista de Suzuka, Liam Lawson andou próximo de Tsunoda e mostra que teria totais condições de estar na F1 em 2024, lembrando que no Q1, o neozelandês chegou a superar Pérez, que até o momento está num final de semana bastante esquecível.

Max Verstappen, ao contrário do seu companheiro de equipe, chegou à Suzuka com a clara disposição de responder a quem duvidada que o domínio dele e da Red Bull estivesse à perigo. Max liderou todo o treino com uma imposição impressionante, assim como chamou a atenção o ótimo desempenho da McLaren e particularmente de Oscar Piastri, superando Norris e ficando na primeira fila. Após duas ótimas classificações, Sainz voltou a tomar tempo de Leclerc, que ficou em quarto, na frente de um sorumbático Pérez. No outro lado do boxe, a Red Bull comemorou bastante mais uma pole de Max e a quase certeza de uma vitória dominante no domingo.

terça-feira, 19 de setembro de 2023

A consagração de Nigel


Nigel Mansell demorou a desabrochar na F1, mas quando o fez mostrou uma velocidade surpreendente e que ninguém parecia acreditar. O inglês saiu das sombras e se tornou uma estrela do automobilismo mundial, mas ainda havia quem achava que Mansell também era um personagem folclórico, capaz de pilotagens incríveis e erros inacreditáveis. Não faltava coragem e carisma ao piloto inglês, assim como lhe faltava tato com as pessoas e uma mentalidade mais pragmática. Mansell saiu de sua querida Williams no final de 1988, passou um tempo na Ferrari que acabou sendo um pouco decepcionante antes de retornar à Williams ainda perseguindo seu sonhado título.


Ayrton Senna era a maior estrela da F1 naquele momento, mas havia uma torcida para o velho Leão. Após um 1991 de grande desenvolvimento da Williams, a temporada 1992 foi um verdadeiro sonho para Mansell, dominando a F1 como nunca tinha sido visto até então. Foram recordes quebrados, uma imposição impressionante e Mansell finalmente ganhava seu primeiro título na F1, já contando com seus 39 anos de idade. Contudo, Mansell ainda tinham alguns críticos de que ele não tinha finesse de Prost, o conhecimento de Piquet ou a genialidade de Senna. Havia uma piada que o Williams FW14 era feito sob medida para Mansell, pois evitava que o inglês cometesse as suas conhecidas bobagens. Ao conquistar o título com uma antecipação inédita, Mansell cresceu os olhos para renovar com a Williams. Contudo, Frank havia contratado Alain Prost para 1993 e com Mansell pedindo muito dinheiro, o velho Frank desdenhou da pedida de Nigel. Ainda em setembro de 1992, Mansell anunciava não apenas que não defenderia seu título em 1993, como ele faria uma mudança drástica na carreira.


A Formula Indy vivia uma fase mágica e incomodava a F1 e Bernie Ecclestone. Na tentativa de retirar uma das estrelas da Indy, Ecclestone incentivou Ron Dennis a contratar Michael Andretti para a F1. O que Bernie não contava era que o atual campeão da F1 e uma de suas maiores estrelas iria fazer o caminho inverso e partiria para um contrato de dois anos com a Newman-Haas, antiga equipe de Michael e uma das mais tradicionais da Indy. Foi um assombro! Não bastasse a Indy já ter várias estrelas do calibre de Emerson Fittipaldi, Mario Andretti (companheiro de equipe de Mansell), Al Unser Jr, Bobby Rahal (atual campeão) entre outros, Mansell cruzaria o Atlântico para aumentar a constelação de estrelas da Indy. Foi um golpe de mestre da categoria e Mansell se reencontraria com Mario Andretti dentro da equipe de Paul Newman. Nigel Mansell conseguiu uma pole logo em sua primeira corrida na F-Indy em Surfer's Paredise e o inglês venceu a prova, se tornando o primeiro novato a conseguir tanto a pole, como a vitória na estreia. Na Inglaterra, recordes de audiência eram quebrados no final de tarde do domingo britânico para acompanhar Nigel.


Havia uma curiosidade como o sempre agressivo Mansell se comportaria nos ovais, que necessitam de uma pilotagem mais neutra. E a estreia de Nigel não foi das melhores, quando ele perdeu o controle do Lola-Ford e bateu forte no muro durante os treinos em Phoenix, resultando numa pequena cirurgia nas costas de Mansell.  O inglês retornou às pistas na corrida seguinte em Long Beach e terminou a corrida em terceiro lugar, mostrando o quanto Nigel poderia superar as dificuldades. Diziam na época que Mansell estava querendo se livrar dos brasileiros (Senna e Piquet) na F1, mas acabou encontrando outros (Fittipaldi e Boesel) na F-Indy. Em Cleveland, Nigel teve uma briga histórica em Emerson, com os dois veteranos brigando roda e roda como se fossem dois garotos no kart. Após um início difícil em Phoenix, Mansell surpreendeu nos demais ovais daquele ano. Fora Phoenix e Indianápolis, Mansell venceu todas as corridas em oval (Milwaukee, Michigan, New Hampshire e Nazareh). E mesmo em Indianapolis, Nigel ficou perto de vencer, liderando mais voltas, mas faltando algumas voltas para o fim ele tocou o muro ligeiramente danificado sua suspensão dianteira. Mas ele fez um grande trabalho, mantendo-se na luta e terminando na 3° posição.


O grande rival de Mansell em 1993 fora mesmo Emerson Fittipaldi e os dois chegaram em Nazareth trinta anos atrás com o inglês treze pontos na frente do piloto da Penske. Os dois compartilharam a primeira fila na largada e mesmo não largando bem, Nigel logo assumiu a primeira posição para não ser mais ameaçado, onde apenas o segundo colocado Scott Goodyear estava na mesma volta de Mansell. Com Emerson terminando apenas em quinto, Mansell aumentava a sua diferença na ponta para 23 pontos e conquistava o título da Indy com uma prova de antecipação.


Era a consagração definitiva de Nigel Mansell dentro do automobilismo mundial. Após vencer finalmente seu merecido título na F1, um ano depois o inglês iria para uma Indy num momento relevante e vencia o campeonato em sua estreia. Como Prost ainda não tinha confirmado seu título na F1, Mansell era então campeão da F1 e da Indy. Um grande momento para Nigel Mansell!

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Figura(CIN): Carlos Sainz

 Não poderia ser outro! Vindo de um final de semana de destaque em Monza, Carlos Sainz continuou sua ótima fase numa pista completamente diferente, onde suas principais qualidades ficaram mais evidentes. Sainz não tem o mesmo talento de Leclerc, seu companheiro de equipe e queridinho da Ferrari, mas o espanhol tem algumas virtudes que lhe ajudaram bastante no final de semana cingapuriano. Com a Red Bull tendo um final de semana irreconhecível, Sainz aproveitou a chance e ficou com a pole, garantindo para si o privilégio da estratégia ferrarista. E isso seria primordial, lembrando que o carro da Ferrari tem sérios problemas de desgaste de pneus. Sainz sabe disso e por isso fez uma corrida cerebral e foi de uma frieza que normalmente lembram os nórdicos, não os sempre quentes espanhóis. Carlos soube usar sua imensa visão de corrida para se manter sempre na frente na difícil pista de Cingapura, mesmo tendo alguém lhe fustigando no retrovisor, na corrida mais longa e física do calendário da F1. No primeiro stint, sabendo que Leclerc estava sendo sacrificado para segurar o pelotão, Sainz aproveitou para preservar seus pneus. Após as duas entradas do Safety-Car e a corrida mudada, Sainz teve a frieza de ficar perto de Lando Norris de propósito para dar ao inglês o necessário DRS para se defender das Mercedes com pneus novos e num ritmo 2s mais rápido. Foi um verdadeiro show de pilotagem inteligente, mostrando que Carlos Sainz merece ser considerado mais do que um mero segundo piloto na Ferrari.

Figurão(CIN): Lance Stroll

 Personagem recorrente nessa parte da coluna, o canadense parece sempre se superar em sua mediocridade. Não bastasse estar levando um verdadeiro vareio de Fernando Alonso dentro da equipe do pai, Lance Stroll vê a equipe que foi feita praticamente para ele ser prejudicada... por causa dele! No começo da temporada a Aston Martin era a segunda força da F1 e com a genialidade de Alonso, o time britânico conseguiu pódios consecutivos e ocupou por bastante tempo a segunda posição no Mundial de Construtores. Contando apenas com Alonso, pois Stroll nada faz para ajudar a causa da Aston Martin, o time foi perdendo fôlego e foi alcançada por Mercedes e Ferrari. Logicamente que, se Alonso começou a perder rendimento, em consequência Stroll cairia ainda mais e se Fernando agora marca pontos aqui e ali, Stroll nem isso. Os pontos que não foram marcados por Lance significa menos dinheiro ganho pela equipe e para piorar, em Cingapura Stroll deu um literal prejuízo ao seu pai. No final do Q1, ocupando a nada gloriosa última posição e sem chances de passar ao Q2, Stroll perdeu o controle do seu carro na última curva e destruiu seu Aston Martin. Detalhe foi que Alonso foi ao Q3 confortavelmente. Mesmo saindo ileso do seu carro, Stroll acusou dores no domingo e com o carro destruído, Lance ficou de fora da corrida, além de Lawrence amargar um senhor prejuízo. Os especialistas já identificaram que, se a Aston Martin quiser crescer e ser levada à sério, precisará brevemente de um novo segundo piloto, mas fica a questão: quem falará isso à Lawrence, que investiu centenas de milhões para deixar o filhão na F1? Uma saída de Lance Stroll poderia ocasionar uma desilusão à Lawrence com a F1? O que fica claro é que Lance Stroll, para tristeza do seu pai, que fez de tudo por ele, simplesmente não tem talento o suficiente para render o investimento feito e que seu futuro deverá ser bem longe das glórias na F1.