domingo, 29 de junho de 2025

Uma mão na taça

 


O surpreendente maior adversário de Marc Márquez na luta pelo título de 2025 da MotoGP é seu irmão Alex, que vem fazendo uma temporada extraordinária. Em Assen, Marc começou a colocar uma mão na taça e não foi apenas a vitória que faz o piloto Ducati contar as corrida até o título. Nesse domingo Alex sofreu uma queda enquanto brigava com Pedro Acosta e acabou fraturando a mão esquerda, indo imediatamente para a Espanha operar. Um baque gigante para Alex. Outro ponto de vantagem para Marc.

A corrida em Assen começou com a tropa da Ducati fazendo o pole Fabio Quartararo comer poeira em sua Yamaha. Fabio fez uma corrida opaca, perdendo muitas posições nas primeiras voltas e depois tendo que desviar do perigoso acidente entre Fermin Aldeguer e Joan Mir. Bagnaia assumiu a ponta, mas tinha Marc Márquez logo atrás, após ele ter ultrapassado o irmão mais novo. Alex foi superado logo em seguido por Bezzecchi e Acosta, mas o piloto da Gresini tentou dar o troco em Acosta e os dois se tocaram. Pior para Alex, que acabou no chão e com a mão quebrada.

Nesse momento Marc Márquez já era o líder, tendo ultrapassado um cada vez mais abalado Bagnaia. O italiano foi deixado para trás pela dupla Bezzecchi e Acosta, mas dessa vez pelo menos conseguiu superar a KTM para ficar com um lugar no pódio, mas ainda abaixo das expectativas. No momento em que a situação entre Jorge Martin e a Aprilia ficam mais tensas e tendem a parar nos tribunais, Bezzecchi deu uma boa resposta ao espanhol. Marco pressionou Márquez a corrida inteira, mas Marc soube administrar a situação andando do jeito que ele sabe: dando tudo de si.

Marc venceu, igualando as 68 vitórias de Giacomo Agostini. Marc Márquez já é um piloto histórico, mas com uma moto superior e com seus adversários mais próximos com problemas, o espanhol corre praticamente sozinho em 2025.

Resposta de Lando

 


As críticas sobre a pilotagem de Lando Norris aumentaram bastante após o incidente totalmente evitável que o inglês provocou junto ao seu companheiro de equipe na McLaren e líder do campeonato nas voltas finais em Montreal. Enquanto Oscar Piastri conseguiu escapar do erro de Lando no Canadá e aumentou sua vantagem no campeonato, Norris viu o mundo cair em cima dele, aumentando ainda mais as críticas sobre os frequentes erros que o inglês vinha cometendo, particularmente durante o Q3 das classificações. Uma quinzena depois, Lando Norris deu um bela resposta aos seus críticos no Red Bull Ring, local da principal rival de sua equipe. Lando liderou todos os treinos livres que participou (no TL1 Lando cedeu seu carro para o piloto reserva Alexander Dunne), conseguiu uma pole impactante, com direito a maior diferença do campeonato e na corrida Lando largou bem e administrou a pressão de Piastri para vencer pela terceira vez em 2025, encostando no briga pelo campeonato.


Um dia quente era tudo o que a McLaren queria. O carro papaia se porta melhor em circuitos com curvas de alta, como o caso do Red Bull Ring, e com o asfalto chegando aos cinquenta graus celsius, o melhor gerenciamento de pneus da McLaren faria ter uma grande vantagem sobre os demais. Mesmo Piastri largando em terceiro, não demorou muitos metros para a McLaren iniciar sua corrida dominadora na Áustria. Leclerc tentou colocar seu carro por dentro, mas o pole Lando Norris foi esperto e fechou o monegasco da Ferrari, abrindo espaço por fora para Piastri mergulhar por fora e assumir a segunda posição, iniciando uma luta particular entre os pilotos da McLaren pela liderança. Piastri mostrava que sua desvantagem na classificação era irreal e lutou bravamente para se manter dentro de 1s, utilizando o DRS nos três setores da pista. Oscar chegou a ultrapassar Norris, mas o inglês deu o troco na reta seguinte, usando o DRS pela única vez nessa briga. Voltas mais tarde, Piastri tentou mais uma vez na freada da curva 4, fritando os pneus e fazendo Zak Brown dar um pulo da cadeira de susto. Um novo acidente era tudo o que a McLaren não queria.


Logo em seguida Lando foi chamado para a sua primeira parada, enquanto Oscar demorou mais um tempo antes de visitar os boxes da McLaren. Não foram duas paradas perfeitas, com problemas na roda dianteira esquerda de ambos os carros, mas nada que pudesse impedir o domínio da McLaren nesse domingo e para alívio de Andrea Stella e seus papaias caps, ambos ficaram separados, com a diferença chegando aos 6s. Piastri começou a tirar a vantagem de forma gradual, andando ligeiramente mais rápido do que Norris, principalmente nos momentos de ultrapassar os retardatários. A segunda parada de ambos foi sem problemas e ao contrário da primeira, ambos retornaram mais próximos, a ponto de haver uma sensação de que poderia haver uma briga pela ponta novamente, quando Piastri baixou a diferença para 1,2s. No entanto, a corrida se aproximava do fim e num ritmo muito forte, Lando Norris segurou a ponta até o fim e venceu pela terceira vez em 2025, diminuindo a desvantagem para Piastri em sete pontos, agora quinze pontos separando os dois pilotos da McLaren. Para melhorar a situação dos homens de laranja, seu mais perigoso perseguidor teve um dia esquecível na casa de sua equipe. Após uma classificação onde foi atrapalhado por uma bandeira amarela, Max Verstappen largou em sétimo. E saindo do meio do bolo, a chance de acontecer um B.O. é bem maior. O novato Andrea Kimi Antonelli cometeu um erro de principiante na forte freada da curva 3 e para não encher a traseira de Lawson, acertou o carro de Max em cheio, terminando com uma sequência incrível de pontos de Verstappen, além de iniciar um dia simplesmente terrível para a Red Bull em casa. Yuki Tsunoda fez uma corrida horrorosa, onde tocou em Colapinto quando lutava pela antepenúltima posição e sendo punido pelo toque, Tsunoda terminou em último lugar, dando razão à Sergio Pérez, que nessa semana falou que a Red Bull se arrepende de tê-lo demitido. 


Com Max Verstappen agora mais cinquenta pontos atrás de Piastri, a McLaren poderá administrar sem tantas amarras a luta dos seus dois pilotos, mesmo que por trás dos sorrisos, a situação entre Oscar Piastri e Lando Norris vai ficando cada vez mais tensa. O quase toque, agora provocado por Piastri, foi uma prova disso. Para melhorar ainda mais o humor de Zak Brown, a McLaren lidera o Mundial de Construtores com quase o dobro de pontos da nova segunda colocada, a Ferrari. O time de Maranello trouxe um pacote de melhorias para a prova austríaca e o ritmo dos carros vermelhos melhorou, mas isso apenas permitiu à Leclerc e Hamilton ficarem isolados na terceira e quarta posições, respectivamente. Duas corridas solitárias, mas mais uma vez Hamilton se estranhou com seu engenheiro via rádio. Quinze dias depois de um duplo pódio no Canadá, a Mercedes teve uma corrida para esquecer. Antonelli saiu da corrida logo na primeira volta por culpa única e exclusiva dele, já devidamente punido para a próxima semana na prova em Silverstone. Já Russell simplesmente não teve ritmo para andar sequer perto das duas Ferraris, terminando a corrida mais de um minuto atrás do vencedor, num distante quinto lugar. Com isso George não capitalizou o zero ponto de Max Verstappen na briga pelo terceiro lugar no Mundial de Pilotos, mas que pode ser também uma briga pelo lugar na Mercedes em 2026, segundo a Rádio Paddock. Se Toto Wolff chamava seus carros de 'Prima Donna' devido ao temperamento deles, imagine qual apelido ele colocará no carro de 2025...


No pelotão intermediário, grande destaque para Gabriel Bortoleto, escolhido pelos internautas o 'Piloto do dia' nesse domingo. O brasileiro da Sauber confirmou na corrida os bons treinos que fez no Red Bull Ring, onde Gabriel ficou entre os dez primeiros em todas as sessões. Bortoleto não executou a melhor das largadas, ultrapassado por Albon e Gasly, mas se livrou do melê entre Antonelli e Verstappen. Temia-se pelo ritmo de corrida da Sauber, mas Bortoleto fez uma prova sólida, sempre entre os dez primeiros e mesmo a Sauber não fazendo a melhor das estratégias, Bortoleto conseguiu seus primeiros pontos da F1 e os primeiros do Brasil na F1 desde 2017. Porém, a posição de Bortoleto poderia ser ainda melhor. Lawson e Alonso arriscaram numa tática de uma única parada, enquanto os demais pilotos pararam duas vezes. Os dois conseguiram maximizar a tática e ficaram logo à frente de Bortoleto, que vinha mais rápido nas últimas voltas e travou uma bela luta com Alonso, mas o piloto da Sauber acabou atrapalhado pelas bandeiras azuis. 


Destaque para o sexto lugar de Lawson, que vinha pressionado pelas constantes derrotas sofridas por Hadjar, mas na Áustria o neozelandês superou o francês e numa corrida sólida, não se deixou levar pela grande experiência de Alonso, segurando a posição por praticamente toda a corrida. Hulkenberg corroborou com a boa fase da Sauber fechando a zona de pontuação, com os dois carros suíços da equipe marcando pontos. Ocon fechou a zona de pontuação com o décimo lugar com a Haas, seguido pelo seu companheiro de equipe, Bearman. Mesmo classificando entre os dez primeiros e fazendo uma boa largada, Gasly não esteve sequer perto dos pontos, enquanto Colapinto foi punido por espremer Piastri para fora da pista enquanto levava uma volta. Colapinto e Doohan se mostram praticamente farinha do mesmo saco. A Williams teve um dia para esquecer, após uma boa sequência. Carlos Sainz ficou parado no grid e atrasou a largada. Quando tentou largar dos boxes, os freios traseiros pegaram fogo, terminando o domingo do espanhol, enquanto Albon até largou bem e tinha tudo para marcar mais pontos, mas antes da volta 20, o tailandês encostou seu carro com problemas mecânicos.


Não foi uma corrida emocionante. Afora o jogo de gato e rato entre a dupla da McLaren e a normal apreensão dos primeiros pontos de Gabriel Bortoleto para a torcida brasileira, a corrida não foi das mais atrativas. Lando Norris não tinha com isso e com uma pilotagem segura, derrotou Piastri num dia de domínio da McLaren. Com Verstappen ficando cada vez mais para trás, a dupla papaia lutará cada vez com mais liberdade pelo título e Lando Norris deu sua resposta ao erro de Montreal. 

sábado, 28 de junho de 2025

E ele não amarelou

 


As classificações da temporada 2025 da F1 vem sendo caracterizadas pela força da McLaren, mas também inúmeros vacilos de Lando Norris no Q3, sendo que muitas vezes o inglês vinha sendo mais rápido do que seu companheiro de equipe, Oscar Piastri. Debaixo de muito calor na Áustria, Norris não amarelou e após a McLaren dominar os treinos livres, Lando se sobressaiu frente aos adversários, metendo meio segundo em Leclerc, o segundo colocado, enquanto Piastri acabou atrapalhado pela rodada de Gasly no final do Q3, que pela primeira vez contou com a presença de Gabriel Bortoleto.

Com forte calor e uma pista mais ao gosto 'papaia', a McLaren dominou praticamente todos os treinos livres, para desgosto da Red Bull, anfitrião nesse final de semana. Max Verstappen muito reclamou na classificação, mesmo o neerlandês mostrando, mais uma vez, sua magia ao colocar seu Red Bull sempre em boas posições, enquanto Tsunoda mais uma vez caiu no Q1, contudo, a compactação do grid foi tamanha, que menos de 1s separou os vinte pilotos, com o japonês da Red Bull sendo meros 0,25s mais lento do que Max. Outro destaque negativo foi Carlos Sainz, sempre nas últimas posições. A Sauber mostrou sua evolução na Áustria e Bortoleto sempre andou entre os dez primeiros nos treinos, criando uma boa expectativa para o final de semana. No Q1, Hulkenberg errou e largará em último, enquanto Bortoleto se mostrou sempre forte e no seu melhor final de semana até o momento, Gabriel foi ao Q3 com um tempo excepcional no Q2, um centésimo mais lento do que Verstappen nas mesmas condições de pneus.

No Q3 Bortoleto não virou o mesmo tempo do Q2, atrapalhado por uma rodada de Gasly na última curva que estragou a classificação de Verstappen. Max não brigaria pela pole, mas estaria nas duas primeiras filas, porém teve que tirar o pé, terminando numa opaca sétima posição, largando ao lado de Bortoleto. Uma boa surpresa foi Lawson, que superou Hadjar no Q2 e com a sexta posição, será o melhor piloto da Red Bull no grid. Lando Norris não deu chances para Piastri. Mais rápido do que o australiano, Lando dominou o Q3 e conseguiu sua terceira pole em 2025 e como Oscar também foi vítima de Gasly, o australiano sairá apenas em terceiro, mais de meio segundo atrás do companheiro de equipe. Lando Norris deu mais um passo para ter um final de semana limpo, resta saber se ele confirma seu favoritismo amanhã, quando importa. 

domingo, 22 de junho de 2025

Ponto fora de casa

 


Mesmo Marc Márquez correndo pela Ducati, a torcida italiana torcia por uma vitória de Francesco Bagnaia na belíssima pista de Mugello, mesmo o fratelli estando em péssima fase. Bagnaia teve uma primeira metade de corrida combativa, brigando forte com os irmãos Márquez, mas o efeito de sua motivação acabou a ponto de Pecco perder o pódio para o compatriota Fabio Di Giannantonio nas últimas voltas e viu, junto da torcida italiana, os irmãos Márquez continuarem seu show em 2025, com vitória de Marc, a 93º no Mundial, com Alex completando a dobradinha.

O sol forte em Mugello refletia o calor do momento de Bagnaia. Após outra Sprint para lá de ruim, o italiano era impelido a fazer um algo a mais na frente da torcida que lotou Mugello, esperando que Pecco completasse uma quadra, já que nos últimos três anos o italiano venceu em casa. Desde a largada Bagnaia se mostrou forte, não querendo uma repetição das últimas corridas e o domínio dos Márquez. Pecco atacou seu companheiro de equipe com vontade e quase houve toques entre eles. Num desses encontros imediatos, Alex chegou a tomar a ponta. Na medida em que a metade da corrida se aproximou, Bagnaia foi perdendo o ímpeto e o que se viu em 2025 foi retornando. Alex está na ponta? Sem problemas, pensou Marc. Após deixar Pecco para trás, confortavelmente Marc se aproximou do irmão mais novo e ultrapassou Alex rumo a uma vitória com jeito de fora de casa. Ontem Marc Márquez foi vaiado pela torcida italiana, para desgosto de Davide Tardozzi, chefe da equipe oficial da Ducati, mas isso não surtiu efeito, com vaias sendo ouvidas no pódio do domingo em direção à Marc.

O herói local ainda viu sua situação piorar ao ser ultrapassado por Di Giannantonio nas voltas finais, perdendo o pódio e escancarando uma situação bastante desagradável para Bagnaia. A chegada de Marc no time oficial da Ducati colocou a equipe em um nível muito elevado e bem acima do que Pecco pode entregar e Marc ainda puxou seu irmão Alex, que usa a moto 2024, melhor do que a 2025. Em retorno, Alex garante um escudo atrás do irmão mais velho, garantindo a dobradinha dos irmãos Márquez, deixando Bagnaia impotente e sem resposta frente aos espanhóis. Um golpe duro em casa para Bagnaia, enquanto Marc comemorou a importante marca de 93 vitórias fora de casa. 


terça-feira, 17 de junho de 2025

Figura(CAN): Mercedes

 Ainda longe dos áureos tempos onde dominou a F1 por quase uma década, a Mercedes voltou a triunfar quando parecia contra si. Ao contrário do normalmente clima ameno em Montreal, fez bastante calor no final de semana canadense, algo que a Mercedes já provou algumas vezes que isso é um problema. Por causa dos pneus e da característica do carro, o carro da Mercedes funciona melhor no asfalto frio. Para piorar a Mercedes não foi nada bem na rodada tripla na Europa, mas a dupla do time liderado por Toto Wolff fez uma ótima classificação em Montreal, com Antonelli ficando em quarto e George Russell arrancando a pole das mãos de Max Verstappen já com o cronômetro zerado. O calor ficou ainda mais forte no domingo, trazendo velhos fantasmas para a Mercedes e seu ritmo de corrida, mas Russell fez uma prova bem característica sua: sólida. O inglês largou bem, administrou a vantagem sobre Verstappen e liderou rumo a uma vitória tranquila, a primeira de Russell em 2025. Para melhorar ainda mais para os lados mercedianos, Antonelli largou bem, tomou o terceiro lugar do líder do campeonato Piastri. O jovem italiano chegou a atacar Verstappen e no final da prova segurou muito bem os ataques de Piastri, se mantando no pódio para conquistar o seu primeiro pódio na F1, além de Antonelli se tornar o terceiro piloto mais jovem a subir no pódio na F1. Com os seus dois pilotos no pódio, a Mercedes subiu para segundo no Mundial de Construtores e se anima para o resto do campeonato.

Figurão(CAN): Lando Norris

 E lá vamos nós de novo... Lando Norris vem se caracterizando em 2025 por cometer erros em momentos chaves do final de semana e a grande diferença em Montreal foi que por muito pouco o inglês da McLaren não provoca um abandono duplo de sua equipe num acidente infantil causado pelo próprio Lando. Tudo começou a dar errado quando Norris, sempre mais rápido do que Piastri nos treinos livres, errou novamente durante o Q3, fazendo-o largar apenas em sétimo, longe da luta pela vitória. O ritmo de Lando era tão bom que durante a corrida, usando uma estratégia diferente, o inglês conseguiu alcançar e atacar seu companheiro de equipe no final da corrida, iniciando uma bela briga entre os dois pilotos da McLaren, que lideram o campeonato. Norris tentou uma manobra no hairpin, mas Piastri lhe deu o troco de imediato, com ambos andando lado a lado na reta oposta, com vantagem para Oscar. Na entrada da reta dos boxes, Lando tentou um novo ataque, mas Piastri já estava claramente por dentro e simplesmente não havia espaço ali. Por um motivo que somente Lando Norris pode dizer, ele achou que poderia ultrapassar aonde não tinha lugar e o toque foi inevitável. Se Piastri ainda se manteve na pista, Norris bateu seu McLaren no muro e abandonou pela primeira vez em 2025. Se mantendo vivo no campeonato muito pela consistência, o zero ponto de Norris lhe custou bem caro, perdendo bastante terreno para Piastri, mas o pior dano pode ser dentro da McLaren.

domingo, 15 de junho de 2025

Primeiro encontro imediato

 


Desde quando a McLaren se tornou a equipe com o melhor carro do grid da F1 e seus dois pilotos se tornaram favoritos à vitória em praticamente toda corrida do calendário, o mundo da F1 se perguntava quando Oscar Piastri e Lando Norris teriam um contato mais forte entre eles. Não foi uma batalha pela vitória, mas esse primeiro contato imediato entre os papaias aconteceu em Montreal, por culpa única e exclusiva de Lando, que imediatamente se penalizou via rádio pelo incidente, que pode ser mais um ponto em que o inglês se coloca em situações de inferioridade frente ao companheiro de equipe, ainda mais por causa de um incidente estúpido (palavras de Lando) e culpa de Norris. Enquanto isso, George Russell confirmou sua pole com uma vitória tranquila, onde administrou muito bem o segundo colocado Max Verstappen, vencendo pela primeira vez no ano, enquanto a Mercedes também celebrou o primeiro pódio de Andrea Kimi Antonelli.


Ao contrário de outros anos, Montreal nos presenteou um belo dia de sol para o Grande Prêmio do Canadá, o que podia ser um motivo de preocupação para a Mercedes, mais afeita a corrida mais frias. Outro ponto de preocupação foram as recentes rusgas entre Russell e Verstappen, ocupantes da primeira fila. Era esperado uma briga ácida entre os dois, mas George mostrou a solidez que lhe é característica desde a largada, saindo melhor do que Verstappen e contornando a primeira curva confortavelmente na ponta. Para sorte de Max, o terceiro colocado Piastri também não largou tão bem a ponto de Antonelli colocar por dentro da segunda curva e na pequena reta rumo a curva 3, o jovem italiano se sobressaiu frente à Piastri para assumir a terceira posição. Afora o enrosco entre Colapinto e Albon, que fez o piloto da Williams dá um ligeiro passeio pela grama, a primeira volta foi normal e sem incidentes. Logo o foco das equipes passou a ser os pneus e sua degradação. A maioria do grid largou com os pneus médios, pois os pneus C6 da Pirelli, usados como macios no final de semana canadense, ter a mesma serventia dos pneus de chuva extrema, pois ninguém quer usar. Dos pilotos top-10, apenas Norris e Leclerc saíram com os pneus duros, numa clara indicação que esticariam ao máximo o primeiro stint, talvez esperando a chegada do Safety-Car, tão comum no Circuito Gilles Villeneuve.

Porém, como se veria mais tarde, o Mercedes pilotado por Bernd Maylander só apareceria no final da prova. Max Verstappen tentou ataques em cima de Russell e até passou a sensação de que o neerlandês tinha bem mais carro que o George nas primeiras voltas, mas na medida em que os pneus foram se desgastando, Russell abriu uma diferença segura e na décima volta Verstappen já se via atacado por Antonelli. Quando o italiano colocou de lado, Max inaugurou a rodada de paradas, mostrando a todos que pararia duas vezes. As paradas se sucederam rapidamente, logicamente não para quem largou com pneus duros, fazendo com que Norris e Leclerc assumissem a ponta. A corrida se aproximava da metade, mas com muito desgaste na borracha da Pirelli, Lando e Charles foram aos pits, para revolta do monegasco, que queria ficar mais tempo na pista. As posições voltaram praticamente as mesmas de antes da parada, com Leclerc confortavelmente na frente de Hamilton. Assim como ocorreu no primeiro stint, Verstappen viu seu rendimento despencar e quando já tinha Antonelli cheio em seus retrovisores, Max fez sua segunda parada. Kimi foi aos pits logo em seguida, marcando Verstappen e por muito pouco não saiu na frente da Red Bull, mas Max se sobressaiu. 


Russell esperou mais um pouco, ficou novamente atrás de Norris e Leclerc, mas voltou à liderança quando esses pararam, administrou muito bem a vantagem sobre Verstappen, que se aproximou bem na medida em que os retardatários apareceram na frente dos líderes. A rodada tripla na Europa não foi das melhores para a Mercedes, mas o time comandado por Toto Wolff deu uma bela resposta em Montreal e mesmo com temperaturas mais altas do que o normal, o ar limpo fez toda a diferença para George Russell gerenciar bem os pneus e vencer com tranquilidade seu primeiro Grande Prêmio em 2025. Atrás de George, as coisas foram mais animadas. Literalmente!

Lutando com o desgaste de pneus nos stints anteriores, Max Verstappen tinha Antonelli menos de 2s atrás dele e por isso, Max não podia vacilar nas voltas finais, gerenciando bem os pneus para não ficar sem rendimento no final da corrida, garantindo um bom segundo lugar. Se Antonelli atacou no final dos dois primeiros stints, no final do terceiro, ele foi bem atacado. A McLaren se mostrou discreta a maior parte do tempo na corrida, com Piastri não atacando Kimi, mas nas voltas finais o australiano partiu para cima do italiano da Mercedes. Porém, essa não era a única preocupação de Oscar. Norris fez sua segunda parada depois do companheiro de equipe e colocou pneus médios, sendo um dos carros mais rápidos da pista nas voltas finais. Com Piastri hesitando na luta com Kimi, Lando Norris se aproximou rapidamente e a esperada briga entre os dois pilotos da McLaren começou. Apesar de ter pneus melhores, Lando sabia que Oscar não abriria para ele, jogando as famigeradas 'Papayas Rules' para as cucuias. Norris fustigou, viu Piastri se aproximar de Antonelli e poder usar o DRS, mas faltando quatro voltas, Lando colocou de lado no hairpin. Piastri deu o xis e os dois McLarens percorreram a reta oposta juntos, separados por centímetros. Na freada da chicane, Piastri freou bem mais tarde por dentro. Ponto para Oscar, que nesse momento, com ambos lado a lado, foi o último a frear.


Porém, Piastri entrou na reta dos boxes mais lentamente e permitiu o ataque de Norris. O australiano esperava por isso e se colocou por dentro. Por um motivo que apenas Norris poderá explicar, ele tentou uma manobra por dentro onde não havia mais espaço. O toque foi inevitável e Lando acabou batendo no muro de forma até infantil, ganhando o primeiro zero de 2025, no que pode ser decisivo no campeonato. A diferença entre os dois pilotos da McLaren era pequena no Mundial de Pilotos, mesmo com Piastri tendo cinco vitórias, contra duas de Lando, muito pela consistência de Norris. Com o toque entre eles, imediatamente culpabilizado por Norris ainda no rádio, o inglês perdeu doze pontos para Piastri, que mesmo apenas em quarto e tendo que fazer uma terceira parada por precaução, aumentou bem a diferença para o vice-líder. Com Max Verstappen sempre sendo um perigo e o crescimento da Mercedes, chegará o momento em que a McLaren poderá ter que apostar suas fichas em um único piloto. E Oscar Piastri está mostrando quem será não apenas por sua velocidade, mas pela maturidade em momentos chaves do final de semana.


O esperado Safety-Car apareceu apenas para terminar a corrida, mas durante o seu período, Max e George tiveram um pequeno entrevero, mesmo que no pós-corrida os dois se portaram muito bem entre eles. Antonelli sofreu na ligeira má fase da Mercedes e zerou nas últimas três corridas, mas o jovem italiano passou por mais prova de fogo e não apenas atacou Verstappen, como segurou muito bem os ataques de Piastri, depois de ter ultrapassado o líder do campeonato de forma bastante oportunista na largada. Esse primeiro pódio deve ser o primeiro de muitos para Andrea Kimi Antonelli. A Ferrari fez uma corrida para lá de discreta, com a volta do alfabeto sendo ditado via rádio e seus pilotos dando patadas via rádio em seus engenheiros. Leclerc reclamou bastante de sua estratégia e ninguém entendeu quando ele colocou pneus médios no último stint e mesmo assim, não conseguiu evoluir. Hamilton fez uma corrida opaca, mas o atropelamento de um animal na pista pode ser um desculpa para o inglês. Com o duplo pódio da Mercedes, os alemães ultrapassaram a Ferrari no Mundial de Construtores, mas ao menos os italianos podem contar com pontos dos seus dois pilotos. A Red Bull continua a sofrer com o seu segundo piloto e Tsunoda, largando dos pits após ser penalizado em dez posições por ultrapassar durante uma bandeira vermelha durante os treinos, ficou fora dos pontos mais uma vez.


No melhor do resto, Fernando Alonso foi um grande destaque, retornando aos tempos em que era normalmente o piloto que ficava atrás das grandes. O espanhol largou bem, se manteve por algum tempo na frente de Norris, antes de ser ultrapassado de forma até esperada pela McLaren. Depois Alonso entrou na ciranda de paradas, ultrapassando quem esticava os stints com duros, acabando por terminar em sétimo, marcando bons pontos para a Aston Martin, enquanto Lance Stroll teve a corrida de sempre. Largou lá atrás, se atrapalhou na luta com outro piloto (nesse caso, com Gasly), foi punido e terminou... lá atrás. E Lance não pode culpar sua cirurgia, pois é isso que o canadense normalmente faz. Hulkenberg fez outra bela corrida com a Sauber, marcando mais pontos. Quando Albon e Colapinto se estranharam na primeira volta, Nico ultrapassou os dois e já na primeira volta estava na zona de pontos, levando a Sauber a marcar pela segunda corrida consecutiva. Bortoleto foi para uma estratégia diferente e arriscada, parando apenas uma vez. Gabriel foi elogiado pelo engenheiro, mas no fim, só ganhou uma posição em comparação ao que largou. 

Ocon e Sainz foram dois que esticaram suas paradas o quanto puderam e foram premiados com pontos, terminando a zona de pontos. A Williams viu Albon reclamar de forma pública de procedimentos internos, até este abandonar. Colapinto largou em décimo, mas nem de longe brigou para marcar pontos, enquanto Gasly, largando dos boxes, pouco evoluiu. Já Hadjar caiu muito de rendimento, numa tática ruim da Racing Bulls e ficou longe dos pontos, algo que vinha marcando com alguma frequência recentemente.


A corrida em Montreal foi próxima, com aquela tensão por ver os carros sempre próximos na luta pela liderança, mas também foi morna pela pouca movimentação, tanto que os quatro primeiros que finalizaram a primeira volta receberam a bandeirada na mesma ordem 69 voltas depois. Porém, Zak Brown e Andrea Stella terão trabalho para acalmar seus pilotos nesse primeiro toque entre os pilotos da McLaren. Haja Papaya Rules dessa vez!