domingo, 31 de agosto de 2025

Ano Palou



 A Indy sempre foi caracterizada pela competitividade de suas corridas e campeonatos. Mesmo com muita diversidade de pistas, o fato de termos carros e pneus iguais faz da Indy uma categoria com vários vencedores diferentes e certames decididos na última prova. Não foi o que aconteceu em 2025. Alex Palou conseguiu um ano beirando o perfeito, com oito vitórias, incluindo as 500 Milhas de Indianápolis e o campeonato decidido com rara antecipação de três provas. O espanhol da Ganassi transformou um campeonato normalmente disputado num verdadeiro desfile de talento e qualidade.

A última corrida em Nashville, realizada nesse domingo, mostrou o quão dominante Palou está na Indy atual. O espanhol teve um pneu furado quando liderava e rapidamente foi aos pits, cuja janela de paradas mal tinha se iniciado. Palou se manteve na briga pela vitória até as últimas voltas, superado pelo vencedor Josef Newgarden nas últimas voltas, mas sempre se mantendo próximo. Palou pode não vencer todas as corridas, algo que beira o impossível num campeonato de alto nível, mas sempre marca bons pontos quando não vence. Não ganhou em Nashville? Terminou em segundo. Assim como aconteceu semana passada em Milwakee e em outras corridas em 2025, quando não venceu. Apenas um abandono em Detroit e mais de 160 pontos na frente do vice-campeão Pato O'Ward, ou seja, mais de três corridas de vantagem. Um passeio poucas vezes vistas na Indy, cuja história de Alex Palou foi um dos poucos pontos altos.

A categoria teve um ano esquecível em vários sentidos. Após mais de trinta anos na Indy, a Honda pode estar saindo da categoria, deixando a Chevrolet sozinha. Uma das reclamações da Honda é porque a Ilmor, que prepara os motores da Chevrolet tem como um dos sócios Roger Penske, dono da categoria e do Indianapolis Motor Speedway. Constantes escândalos de desclassificações e punições técnicas marcaram a Indy, inclusive com a Penske sendo desclassificada dos treinos em Indianápolis, que viu o segundo e terceiro colocados desclassificados depois da prova. A chegada da Fox Sports americana deu um 'up' na transmissão de TV e na divulgação, mas a teimosia dos líderes da Indy fez com que a Nascar chegasse ao México antes da Indy, mesmo a categoria de monopostos ter um dos seus principais pilotos o chicano Pato O'Ward. A chegada dos motores híbridos aumentou os custos da categoria e visualmente não trouxe grande evolução de desempenho. Pilotos pagantes como Nolan Siegel e Devlin DeFrancesco tiraram lugares de pilotos mais abonados de talento e não de dinheiro. Após mais de vinte anos, a Indy voltará a ter um game oficial, algo que todo esporte tem. E por último, a chegada do novo carro, sempre adiada, se tornou uma novela e trazendo várias polêmicas.

Mesmo com domínio de Palou, vimos Scott Dixon vencer em Mid-Ohio e continuar sua incrível sequência de vitória que remonta a 2006, com pelo menos uma vitória por ano. Contando com 45 anos de idade, Dixon vai mostrando os sinais da idade e com Palou assumindo o protagonismo dentro da Ganassi, com Kyffin Simpson, também piloto pagante, se mostrando uma grata revelação, conseguindo bons resultados e seu primeiro pódio. A McLaren trouxe Christian Lundgaard para o time e o nível subiu, mesmo que ainda falte ao dinamarquês uma maior consistência em ovais. No entanto, Pato O'Ward continuou como o primeiro piloto da equipe e mesmo sendo vice-campeão, esteve longe de uma disputa real com Palou pelo título. E é isso que falta à O'Ward para se garantir ainda mais entre as grandes estrelas da Indy, pois carisma não lhe falta. O ano da McLaren só não foi perfeito pela inacreditável escolha de Tony Kanaan em Nolan Siegel como terceiro piloto. O jovem americano nem de longe anda próximo de O'Ward e Lundgaard, sofrendo inúmeros acidentes ao longo do ano a ponto da McLaren ver o seu terceiro carro fora dos vinte melhores que garantem premiação no final da temporada. Sendo que Tony tinha Theo Porchaire nas mãos, um piloto muito mais promissor do que Siegel. A sorte de Kanaan foram as boas temporadas dos outros dois pilotos.

Falando em boa temporada, a Penske esteve longe de fazer uma. Não bastasse os vários problemas extra pista, a equipe teve sua pior temporada em anos, conseguindo apenas duas vitórias já no final da temporada. Newgarden e McLaughlin tiveram inúmeros problemas e estiveram longe da briga pelo título, sendo que Josef amargou uma péssima 16º posição no campeonato. O melhor piloto da Penske foi Power, vencedor em Portland, mas de saída da equipe após mais de quinze anos de bons serviços à equipe, muito provavelmente substituído por David Malukas, que fez boas provas ao longo do ano, principalmente em ovais. A Foyt fez as vezes de segunda equipe Penske e não raro andou na frente da equipe principal, com Malukas e o irascível Santino Ferrucci. Com a confirmação da equipe Cadillac na F1 usando a estrutura da Andretti, o time comandado por Dan Towriss teve um ano bem abaixo, mesmo com Kyle Kirkwood tendo vencido duas corridas e brigado com O'Ward pelo vice-campeonato. Novamente Colton Herta deixou a desejar, mas muito se fala que o americano, considerado o jovem americano mais talentoso dos monopostos, estaria de saída da Indy, indo correr na F2 em preparação para a F1. Marcus Ericsson fez um campeonato tão ruim, que quase teve seu contrato reincidido.

Das equipes intermediárias, destaque para Carpenter, que viu Christian Ramussen vencer pela primeira vez, em Milwakee. Em ovais, Conor Daly fez ótimos trabalhos com a Juncos, que sofre com problemas financeiros, algo que afeta também a Dale Coyne, mas Rinus Veekay fez um ótimo trabalho levando o time nas costas. A Rahal continuou seus problemas com ovais, o único brilhareco da estreante Prema foi a miraculosa pole de Robert Shwartzman em Indianápolis e a Meyer&Shank conseguiu bons resultados em classificação, mas Marcus Armstrong e Felix Rosenqvist deixaram a desejar em ritmo de corrida.

A Indy encerra sua temporada 2025 ainda em agosto, em outro erro estratégico da categoria, pois passaremos oito meses sem falar da categoria. No Brasil, fala-se que com a saída da F1 da Band, a Indy estaria saindo da TV Cultura e retornando a Band. Tomara que levem o ótimo Geferson Kern junto! Palou entrou para a história do automobilismo americano, mas o espanhol corre o risco de ter o destino parecido com o de Sebastian Bourdais nos anos 2000, quando dominou a Champ Car mais por falta de quórum do que por outra coisa.

Futuro repetindo o passado


 Voltando nove anos no tempo, Lewis Hamilton liderava o Grande Prêmio da Malásia de 2016 e se aproveitando de um toque recebido por Nico Rosberg na primeira curva em Sepang, estava prestes a assumir a ponta do campeonato pela primeira vez, quando o motor Mercedes explodiu sem aviso. Mesmo vencendo as últimas quatro provas do campeonato 2016, Hamilton foi incapaz de superar o zero ponto na Malásia e o título ficou com Nico. Retornando para 2025 e mesmo sem sabermos quem será o campeão dessa temporada, podemos estar vendo o passado se repetindo. Lando Norris liderou todos os treinos livres, perdeu a pole por milésimos e fazia uma corrida equilibrada contra seu companheiro de equipe e rival pelo título Oscar Piastri quando o mesmo motor Mercedes dos tempos da briga Hamilton/Rosberg abriu o bico quando faltavam sete voltas para o fim do animado Grande Prêmio dos Países Baixos. Um zero ponto para Lando Norris que pode fazer toda a diferença a favor de Oscar Piastri, vencedor da prova desse domingo.


A esperada chuva em Zandvoort, falada desde o início da semana nos três dias de Grande Prêmio ficou na ameaça e apenas alguns pingos caíram que pouca diferença fez para a corrida. Com nuvens carregadas no horizonte, a largada foi dada sem maiores problemas e Piastri quase que imediatamente foi para direita, cortando qualquer ameaça de Norris. Correndo em casa e tentando criar qualquer chance para fazer algo a mais, Max Verstappen optou pelos pneus macios e isso foi uma vantagem na largada, com o neerlandês pulando para segundo e chegando a ficar lado a lado com Piastri na primeira curva, que não teve maiores pudores em fechar o anfitrião do dia. Norris por pouco recuperou a segunda posição, mas Verstappen mostrou sua magia ao seu manter na posição carregando muita velocidade entre as curvas 2 e 3, perdendo a aderência do seu carro, porém, segurando o carro e a posição com maestria. O único incidente aconteceu com Bortoleto, que ficou sem potência e imediatamente caiu para último. Leclerc mostrava suas credenciais ao ultrapassar Russell na primeira volta, iniciando o dia de muita pressão do incrível Isack Hadjar, sempre com alguém lhe enchendo os retrovisores. 


Com Verstappen o separando de Norris, Piastri aproveitou para abrir o máximo que podia, mas não demorou para que os pneus macios de Verstappen começassem a perder ritmo e antes da décima volta Norris efetuou uma bela ultrapassagem sobre Max, por fora na curva Tarzan. Nesse momento Piastri liderava com 4s de vantagem e ao se livrar de Max, Lando tirava a diferença aos poucos. A corrida ficou estática, com as notórios dificuldades de se ultrapassar em Zandvoort ficando claras, mas um ligeira garoa (ou neblina, se você for do Ceará...) se abateu sobre a pista às margens do Mar do Norte, tornando o asfalto ligeiramente escorregadio, mas ninguém pensou em pneus intermediários, para alegria da Pirelli. Porém, nesse momento Lewis Hamilton corou mais um final de semana nada frutífero e bateu na curva 3, ao passar pela parte verde e estatelar sua Ferrari no lugar. O Safety-Car apareceu, mexendo com a estratégia das equipes, mesmo que na frente não tivesse tantas mudanças. A McLaren escolheu a bola de segurança e trouxe seus dois pilotos ao mesmo tempo, colocando pneus duros, mesmo que Norris quase levou o mecânico do macaco dianteiro junto. O SC trazido por Hamilton acabou atrapalhando Leclerc, que tinha acabado de fazer sua parada e o monegasco acabou ultrapassado por Russell. Na tentativa de dar o troco, Leclerc efetuou a manobra do dia, ao arriscar um 'dive bomb' na apertada chicane e após se esfregar com Russell, completar a manobra. O inglês da Mercedes ficou uma arara, reclamando via rádio, mas a investigação ficou para depois da corrida.


Com os dois pilotos da McLaren andando mais próximos, a corrida ficou mais tensa, com Oscar e Lando sempre separados por menos de 1,5s. A corrida seguia seu fluxo normal, quando a Mercedes resolveu mudar a estratégia de Andrea Kimi Antonelli e colocou pneus macios no carro do italiano faltando vinte voltas. Temendo ver Leclerc atacado nas voltas finais, a Ferrari imediatamente trouxe Charles para os pits e colocou os mesmos pneus de Kimi. Leclerc voltou imediatamente à frente de Antonelli, demonstrando a diferença que os pneus macios faziam naquele momento, mas o que o ferrarista não contava era que Antonelli resolvesse ultrapassa-lo numa manobra para lá de otimista, resultando num toque entre eles e Leclerc ficando no mesmo muro que Hamilton batera voltas antes. Zero ponto para a Ferrari no mesmo local. Antonelli teve um pneu furado, foi punido em 10s pelo toque em Leclerc e posteriormente mais 5s por excesso de velocidade nos boxes quando visitou os pits pela terceira vez. Zero ponto para o jovem italiano. Isso motivou a McLaren trazer seus dois pilotos para os pits e mesmo num processo longe de ser perfeito, os dois se mantiveram na ponta rumo a mais uma dobradinha. O motor Mercedes já tinha quebrado nos carros da Williams, Aston Martin e da própria equipe Mercedes, faltando apenas a McLaren. Faltando sete voltas para o fim, Lando reportou fumaça no cockpit e quando a câmera abriu, a fumaça estava em todo lugar na McLaren de número 4. O motor Mercedes completara a cartela em 2025 e todas as equipes que usam a usina de Stuttgart abandonaram pelo menos uma vez. E Lando Norris foi o 'escolhido' da McLaren.

Obviamente Lando Norris saiu do carro arrasado, enquanto o SC voltava à pista, mas a corrida estava ganha para Oscar Piastri, que completou seu primeiro 'Grand Chelem' da carreira. O australiano não começou o final de semana de forma prodigiosa, mas apareceu no momento certo na classificação e após uma boa largada, controlou as 72 voltas do Grande Prêmio dos Países Baixos, mesmo quando tinha alguém perto dele. O australiano venceu de forma sóbria e ainda teve a sorte (de campeão?) de ver seu rival mais próximo ter uma rara explosão de motor, fazendo com que a diferença entre os dois primeiros colocados no campeonato suba para 34 pontos. Piastri começa a se colocar numa situação de, na mesma forma como controlou a corrida de hoje, a controlar o campeonato até o fim.


O abandono de Norris fez com que Max Verstappen chegasse num bom segundo lugar, coroando mais um final de semana em que o neerlandês anda bem mais do que o potencial do carro. A Red Bull tem um carro desequilibrado e que só Max consegue domar. Tsunoda fez uma corrida anônima na maior parte do tempo e que só lhe rendeu pontos pelas entradas do SC, que acabaram favorecendo ao nipônico voltar a marcar pontos depois de bastante tempo. Bem melhor do que ele fez Isack Hadjar. Após uma classificação estupenda, o jovem francês da Racing Bulls segurou a pressão de Leclerc e Russell a corrida inteira, não se intimidando pelos nomes que o perseguia. Hadjar fez uma prova correta, seu time fez uma estratégia sem maiores invencionices e com a quebra de Lando, Isack conseguiu o primeiro pódio da carreira, além de se tornar o francês mais jovem a subir ao pódio da F1. O problema disso é se Hadjar for ser promovido. Lawson estava marcando bons pontos para a Racing Bulls, mas na primeira relargada se envolveu num toque com Carlos Sainz e a corrida de ambos acabou ali. Sainz foi punido pelo incidente e ficou cuspindo maribondo via rádio, se dizendo inocente pelo toque.


Russell teve seu assoalho danificado com o toque recebido por Leclerc e por isso teve sorte em manter o quarto lugar e marcar importantes pontos para a Mercedes, que luta com a Ferrari pelo vice-campeonato no Mundial de Construtores. Albon fez uma ótima largada, se manteve nos pontos o tempo inteiro, andou no ritmo da dupla da Mercedes e com os problemas que ocorreram ao seu redor, garantiu bons pontos com um quinto lugar. A Haas largou com seus dois pilotos com pneus duros, esticou ao máximo seu primeiro stint e colocou os médios apenas no segundo SC, fazendo com que seus pilotos parassem nos pits uma vez e com os pneus certos na segunda metade de prova. Bearman conseguiu um ótimo sexto lugar, seu melhor resultado na F1 até agora, com Ocon fechando a zona de pontuação. A Aston Martin começou o final de semana dando pinta que poderia brigar por algo acima do que vinha fazendo, mas a classificação mostrou que não era bem assim, ainda mais com Stroll batendo no Q1. Largando em último, o canadense foi o primeiro a fazer pit-stop e depois colocou o terceiro set de pneus na hora certa e ficar em sétimo. Alonso teve uma corrida mais conturbada, onde se estranhou com seu engenheiro de pista via rádio, mas a experiência do espanhol prevaleceu e Alonso foi sétimo, no entanto, mais uma vez, ficou a sensação que a Aston Martin acertou na estratégia com o piloto errado. Já a Sauber errou a vontade na estratégia dos seus pilotos e mesmo Bortoleto relargando em décimo, o brasileiro estava com os pneus errados e foi engolido pelo pelotão. A Alpine tentou fazer o mesmo com Gasly, que resistiu o quanto pôde, mas teve o mesmo destino de Gabriel. Já Colapinto tentou um 'all-in' no último SC e quase garantiu um ponto, mas a corrida acabou o portenho teve que se conformar com o 11º lugar.


Zandvoort viu uma corrida acima das expectativas e o grande vencedor foi Oscar Piastri, não apenas pelo triunfo no domingo, como pelo abandono infeliz de Norris, que saiu dos Países Baixos mais de trinta pontos atrás no campeonato e sua situação ficando bem complicada. Como seu compatriota Hamilton nove anos atrás, podemos esquecer todos os erros que Lando Norris cometeu durante o ano, mas a quebra de motor em Zandvoort poderá ser lembrada como o grande diferencial que poderá ter dado o título à Piastri no final do ano.

sábado, 30 de agosto de 2025

Sem mudanças na volta

 


O retorno da F1 das férias de verão viram um cenário muito parecido da primeira metade da temporada 2025. A McLaren dominou o final de semana até aqui, não dando chances às demais. No conhecido panorama de uma disputa particular dentro do seio 'mclariano', melhor para Oscar Piastri, que tirou a pole de Lando Norris, mesmo o inglês tendo liderado todos os treinos livres em Zandvoort.

A classificação começou com mais um motivo de que por mais que Lawrence Stroll invista na Aston Martin, enquanto o time tiver Lance Stroll como um dos seus pilotos titulares, a equipe esmeraldina sempre terá um peso morto atrapalhando a evolução do time. Com a equipe andando forte nos treinos livres, Stroll bateu ainda no começo do Q1, o relegando ao último lugar do grid, sendo que na sexta-feira Lance já tinha batido forte. Simplesmente inacreditável Lance Stroll ainda estar na F1, independente de Felipe Drugovich ser o piloto reserva da Aston Martin. Na apertada pista de Zandvoort, pilotos reclamaram bastante de tráfego e alguns foram bastante atrapalhados, mesmo que no final, a ordem do grid não tenha sido alterada de forma drástica por causa disso. Bortoleto reclamou bastante de Tsunoda em sua melhor volta do Q2, mas o próprio brasileiro afirmou que o nipônico nada poderia fazer na situação. Por coincidência, Bortoleto e Tsunoda marcaram o mesmíssimo tempo no Q2, mas enquanto Gabriel tem uma Sauber nas mãos, o pressionado Yuki corre de Red Bull...

E falando em Red Bull, Max Verstappen fez de tudo para dar uma alegria para a sua torcida, que lotou Zandvoort, mas o máximo que o neerlandês fez foi conquistar o terceiro lugar, ou seja, o melhor do resto. Hadjar surpreendeu ao superar Russell e largar da segunda fila, enquanto a Ferrari se recuperou parcialmente de um final de semana que vinha sendo duro. A McLaren esteve intocável em todas as sessões realizadas até agora em Zandvoort. Norris liderou todos os treinos, mas Piastri apareceu na hora certa, ficando muito próximo do companheiro de equipe e finalmente supera-lo no limite (0.012s) no Q3, ficando com mais uma pole, enquanto Norris amargou mais uma derrota num momento decisivo. Fala-se em chuva em Zandvoort desde o início da semana, mas até o momento a F1 só correu em piso seco nos Países Baixos. Continuará assim no domingo? 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Aposta coerente no duvidoso

 


Nessa terça-feira a Cadillac anunciou sua dupla da pilotos para o começo da empreitada da legendária marca americana na F1. Foram inúmeras especulações e novamente o nome de Felipe Drugovich apareceu pela ligação que o brasileiro tem com a Cadillac no WEC, mas no final uma vez mais Felipe foi preterido. Começando uma equipe praticamente do zero, a escolha por uma dupla experiente chega a ser lógica, mas optar por Valtteri Bottas e Sérgio Pérez fez com que a Cadillac garantisse bastante experiência no seu primeiro ano na F1, como também falta de carisma em dois nomes que tiveram seus bons momentos na F1, mas saíram de suas equipes pelas portas dos fundos. Apesar de lógica, a escolha da Cadillac foi bastante duvidosa.

domingo, 24 de agosto de 2025

Chatice húngara

 


Parece que os húngaros não são exatamente especialistas em desenhar bons traçados para os seus autódromos. Apesar de Hungaroring estar se tornando um clássico na F1, a pista localizada próximo à Budapeste demorou a entrar no gosto do fã de automobilismo e com a enorme quantidade de circuitos projetados por Hermann Tilke, ou seja, com a mesma característica, um autódromo fora desse formato fez da pista magiar ter sua imagem bem melhorada ao longo do tempo, mesmo Hungaroring sendo um circuito travado e de ultrapassagens escassas. Porém, quase quarenta anos depois da chegada de Hungaroring, a MotoGP aportou em Balaton Park, descrito por Fabio Quartararo como 'um super kartódromo'. Um conceito certeiro do francês, em mais um final de semana perfeito de Marc Márquez.

O horroroso circuito de Balanton Park, curto, cheio de chicanes e onde as motos mal conseguem engatar a sexta marcha, viu mais um passeio no parque de Marc Márquez. Mesmo se atrapalhando na primeira curva com Marco Bezzecchi, Márquez respirou fundo e se vendo em terceiro, precisou de menos da metade da corrida para ultrapassar Franco Morbidelli e Bezzecchi para reassumir a ponta e vencer com enorme tranquilidade nesse enfadonho campeonato 2025 da MotoGP. Márquez prova corrida a corrida que está alguns patamares na frente dos demais pilotos, que se conformam em brigar pela segunda posição. Alex Márquez voltou ao normal e se tornou o piloto errático de antes, caindo durante a prova após uma classificação ruim e marcando poucos pontos. Francesco Bagnaia está com sua confiança destruída e seguiu seu calvário após uma classificação decepcionante e uma corrida medíocre, terminando em nono, após cometer vários erros em disputa com o semiaposentado Pol Espargaró. 

Bezzecchi arriscou numa estratégia com pneus macios e acabou alcançado por Pedro Acosta, que caiu várias vezes no final de semana, sendo que uma delas quase jogou sua moto em cima de um cinegrafista, mas o jovem espanhol se segurou no domingo e com o segundo lugar deu um alento à cambaleante KTM. Destaque para Jorge Martin, terminando em quarto lugar na corrida, apenas uma posição atrás de Bezzecchi, mostrando que poderá dar bons resultados à Aprilia até o final da temporada. Luca Marini conseguiu seu melhor resultado com a Honda com um quinto lugar, enquanto Joan Mir segue caindo mais que caju nessa época do ano no Ceará.

Márquez nem ligou muito para a ruindade do traçado de Balanton Park. Na verdade, o espanhol da Ducati não liga para nada rumo ao seu mais tranquilo título em sua já longa carreira. Sem adversários de verdade, Márquez humilha a concorrência.

domingo, 10 de agosto de 2025

Fazendo história


 Quando surgiu na Indy no começo de 2020, pouco se sabia de Alex Palou. De carreira discreta na Europa, o espanhol se mudou para o Japão e com seus bons resultados, se tornou piloto Honda, que o indicou para correr na Indy naquele ano, junto à parceira Dale Coyne. Logo em seu ano de estreia, Palou se mostrou um talento bruto e Chip Ganassi, sempre farejando estrelas emergentes, contratou o espanhol no final daquela temporada, iniciando uma parceria incrivelmente vitoriosa. Praticamente cinco anos depois de aportar na Ganassi, Palou conseguiu números impressionantes. Nesse domingo Alex garantiu seu quarto título, com o terceiro lugar em Portland, prova vencida por Will Power. 

A temporada 2025 da Indy foi amplamente dominada por Alex Palou, algo raro numa categoria conhecida pela competitividade. Até o momento são oito vitórias nesse ano, deixando os demais pilotos no chinelo. Em menos de cem corridas na Indy, Palou já conta com dezenove vitórias, ultrapassando vários campeões no processo. Se já venceu o campeonato por antecipação, Palou fez ainda mais em 2025, pois venceu com duas provas de antecedência, garantindo também o tricampeonato consecutivo, algo não visto desde 2011 com Dario Franchitti. E falando no escocês, desde que Dario venceu o campeonato e as 500 Milhas de Indianápolis em 2010, não se via uma dobradinha na Indy, mas Palou o fez em 2025. 

Uma campanha memorável do espanhol, que não tem nada a ver com os vários problemas que a Indy enfrenta. Alex Palou tem o seu nome entre os grandes da história do automobilismo e ainda pode fazer bem mais.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Figura(HUN): Gabriel Bortoleto

 As primeiras corridas de Gabriel Bortoleto na F1 mostram como o brasileiro encara suas temporadas. Após um início exploratório, Gabriel vai aumentando o ritmo, crescendo ao longo do ano e por consequência, melhorando suas apresentações. Bortoleto já vai se reputando por ser ótimo em ritmo de classificação, mas ainda pecava em ritmo de corrida, principalmente na gestão de pneus, algo muito importante na F1 atual. Gabriel foi aprendendo, principalmente com seu experiente companheiro de equipe Hulkenberg e juntamente com o crescimento da Sauber, o brasileiro vai crescendo mais e mais. Após pontuar na Áustria e na Bélgica, novamente Bortoleto conseguiu uma ótima classificação, indo mais uma vez ao Q3, mas foi na corrida que Gabi se sobressaiu. Lutando contra lendas como Alonso e Verstappen, Bortoleto controlou sua corrida com maestria e fazendo funcionar a estratégia de uma única parada, conseguindo se colocar no meio da dupla da Aston Martin e conquistar a sexta posição, sua melhor posição até agora. Em franca ascensão, Gabriel Bortoleto vai se consolidando como um dos grandes destaques entre os vários novatos da F1 em 2025.