domingo, 28 de setembro de 2025

Resiliência e glória

 


Ao ser atingido por sua Honda em Jerez após uma segunda queda, na primeira corrida da complicada temporada 2020, Marc Márquez não poderia imaginar pelo o que aconteceria a seguir. O braço direito quebrado fora operado no dia seguinte e Marc pensava em retornar para a corrida seguinte, dali a seis dias. Márquez foi visto até fazendo flexão no hospital na tentativa de voltar o mais rápido possível e Márquez chegou a subir em sua moto no final de semana seguinte, mas a dor era grande demais. Era apenas o início do suplício de Marc Márquez. Fisioterapia, dor, cirurgias, retornos, frustração, dúvidas. Tudo isso atormentava a cabeça de Marc Márquez.

Se Marc Márquez não era mais o mesmo, a sua Honda também. Moto complicada e sem o seu feeling para desenvolver tornou a Honda uma máquina improvável para retornar aos tempos vencedores. Marc escaneou o paddock e era óbvio que a Ducati tinha os meios para tirar a dúvida que martelava a cabeça do espanhol: ele ainda era capaz de ser campeão da MotoGP?

No que parecia uma loucura, Marc Márquez quebrou seu milionário contrato com a Honda e foi para a pequena equipe Gresini praticamente de graça, mas o time comandado pela viúva de Fausto Gresini tinha algo que era bastante precioso para Márquez: uma Ducati. Não era a Ducati de fábrica. Nem mesmo a do ano vigente. Mas era uma Ducati, a melhor moto do grid da MotoGP. Márquez poderia se medir com os pilotos que emergiram no vácuo de sua ausência. As vitórias chegaram e era evidente que Márquez poderia fazer algo especial com uma Ducati de fábrica. Num movimento polêmico, a Ducati de fábrica preteriu Jorge Martin, que seria campeão em 2024, pelo veterano Marc Márquez. Era uma aposta arriscada de Davide Tardozzi e Luigi Dall'Igna. Mas que se pagou plenamente!

Logo nos primeiros testes Marc Márquez mostrou sua magia e Pecco Bagnaia, piloto sempre ligado à Ducati, italiano e bicampeão da MotoGP pela montadora foi suplantado frente ao talento de Márquez. O começo da temporada indicava que algo incrível estava para acontecer. Marc Márquez deixava para trás o que acontecera entre 2020 e 2024. Ele retornava aos tempos dominantes com a Honda, quando as vitórias aconteciam naturalmente e os títulos eram mera formalidade. De forma surpreendente, o amado irmão Alex seria o maior 'rival' de Marc. Entre aspas, pois na temporada 2025 Marc Márquez não teve um rival. Foi um massacre. Os demais pilotos pareciam um ou mais degraus abaixo do espanhol de 33 anos. O título, como acontecia nos bons tempos da Honda, era mera formalidade. E o título veio nesse domingo em Motegi. Num raro bom momento de Bagnaia em 2025, o italiano varreu o final de semana. Correndo com o regulamento debaixo do braço e Alex num final de semana ruim, Marc terminou em segundo para comemorar seu sétimo título.

Todos os títulos são especiais, mas esse título de Marc Márquez será para sempre lembrado como o veterano campeão se igualou ao arquirrival Valentino Rossi com sete títulos, além de também se juntar à Michael Schumacher, Lewis Hamilton, A.J. Foyt, Jimmie Johnson, Dale Earnhardt e Richard Petty como os heptacampeões do esporte a motor. Como Márquez provou que pode vencer com uma moto diferente, saindo de sua zona de conforto na Honda. E principalmente, Marc Márquez provou que pode ser o piloto dominante como era antes do seu acidente.

sábado, 27 de setembro de 2025

Que pena...

 


Dono de uma das equipes pequenas mais charmosas da década de 1980 da F1, Vicenzo 'Enzo' Osella começou a correr no começo da década de 1960 com carros da Abarth e não demorou muito para Enzo ir para o lado gerencial do automobilismo, se tornando chefe de equipe e construtor de carros. Como um jovem piloto em começo de carreira, a equipe Osella começou nas categorias de base, passando pelo Turismo antes de correr por F3 e F2, culminando com a F1 em 1980. Num momento em que as equipes de F1 desenvolviam motores turbo e chassis com efeito-solo, Enzo Osella sofreu com a falta de financiamento, mas nem por isso deixou de construir carros muito bonitos, projetados por gente competente como Guiseppe Petrotta e Tony Southgate. A equipe Osella conseguiu bons resultados aqui e ali, como o quinto lugar de Ghinzani em Dallas/1984 e a mesmo posição de Jo Gartner em Monza/1984, mas normalmente a Osella lutava pelas últimas filas do grid. O simpático time italiano atravessou a inesquecível década de 1980 com valentia e em 1990 o time se tornou Fondmetal, fazendo com que Enzo Osella saísse do time que fundara, retornando à construção de carros-esporte, como fizera na década de 1970, dessa vez com sucesso na Itália. Hoje, aos 86 anos, foi anunciado a morte de Enzo Osella, um dos últimos garagistas da década de 1980 que ainda estavam entre nós.

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Figura(AZE): George Russell

 O piloto da Mercedes chegou à Baku gripado e esteve próxima de desistir do final de semana azeri, mas Russell ficou e fez uma bela corrida, voltando ao pódio. George soube se livrar dos problemas na classificação e mesmo perdendo posição para Tsunoda na largada, Russell retomou a posição e rapidamente se aproximou da briga entre os novatos Lawson e Antonelli, que por sinal lhe fechou a porta na primeira volta, deixando o inglês fulo. Russell encostou em Antonelli, sugeriu uma troca de posições, mas a Mercedes simplesmente tirou Antonelli do caminho e Russell apenas esperou Lawson fazer sua parada e já assumir a segunda posição, pois Sainz tinha parado. Com o desgaste de pneus bem baixo nesse domingo, Russell manteve um ótimo ritmo e emergiu na frente de Sainz para ficar em segundo e subir novamente ao pódio. Uma clara demonstração de que Russell é mais do que um piloto de ponta, mas um verdadeiro líder numa equipe grande.

Figurão(AZE): Lando Norris

 Na semana anterior à corrida em Azerbaijão, Lando deu declarações à revista Vogue inglesa e soltou a seguinte pérola: Quero curtir a vida, é minha prioridade número um. Minha prioridade número dois é ser campeão mundial. E Norris foi bem coerente com sua frase, executando um final de semana miserável, onde o inglês tinha tudo para diminuir decisivamente a desvantagem que tem para Oscar Piastri, que teve um final de semana atípico e zerou após dois acidentes em Baku. Podendo capitalizar os problemas do seu principal rival pelo título, Norris errou na classificação após o primeiro acidente de Piastri e na corrida, nada fez para superar os pilotos à sua frente, largando e terminando numa opaca sétima posição. Uma corrida que reflete a falta de mentalidade competitividade de Lando Norris, além de ver Max Verstappen começar a crescer cada vez mais nesse terço final de campeonato. 

domingo, 21 de setembro de 2025

Castelo dos ventos uivantes

 


O clima capcioso de Baku nesse final de semana não foi capaz de parar Max Verstappen, que com uma segunda vitória consecutiva em 2025 começa a levantar a cabeça na luta pelo campeonato, cujos protagonistas falharam fragorosamente nesse domingo. Piastri sequer completou meia volta antes de estatelar sua McLaren em dos muros de Baku, enquanto Lando Norris fez uma corrida sorumbática, onde terminou onde largou, não capitalizando o infortúnio do companheiro de equipe. Somado às suas tragicômicas declarações à revista Vogue inglesa (Ser Campeão Mundial é minha prioridade número 2, quero curtir a vida) só aumenta o sentimento que Norris é talentoso, rápido, está na equipe certa na hora certa, mas lhe falta o sangue no olho que sobra em Max Verstappen. Enquanto Oscar Piastri precisa voltar a ter corridas decentes e mostrar que quer mais do que Norris (o que não parece muito difícil...) para ser campeão.


A classificação de sábado basicamente definiu o andamento de uma corrida que foi morna e com poucas emoções. Todos os treinos viram um show de interrupções e batidas, deixando os pilotos ainda mais cautelosos para uma pista de rua de alta velocidade, que com um clima às margens do Mar Cáspio traz muitos ventos que dificultou bastante a vida de todos os pilotos. Tanto que o único Safety-Car do dia foi logo na primeira volta, mas seu protagonista foi inesperado. Oscar Piastri pode não ter sido brilhante ao longo da temporada 2025, mas não se pode questionar a eficiência do jovem australiano, vindo de um sequência espetacular de 38 corridas nos pontos. Seu erro no sábado, que fez Oscar largar apenas em nono, pareceu mexer com a cabeça dele e logo na largada o piloto da McLaren vacilou, claramente queimando a largada e ao frear, seu carro entrou em Anti-Stall, fazendo com que a McLaren de Piastri ficasse praticamente parada no grid, deixando o piloto oceânico em último. Atarantado com o vacilo que pode ser decisivo para o campeonato, Piastri tentou forçar na primeira volta, mas a junção de pneus frios, pista suja e fria fez com que Piastri travasse os pneus e estampasse um dos muros de Baku. Game Over para Oscar Piastri, que foi flagrado assistindo a corrida num celular, pensando nas consequências dos seus seguidos erros.


Largando com pneus duros, Max Verstappen se defendeu bem de qualquer ataque de Carlos Sainz e partir de então não foi mais visto no domingo azeri. Max dominou a corrida ao seu bel-prazer, lembrando os bons tempos de 2023, quando passeava pelas pistas enquanto empilhava vitórias rumo ao tricampeonato. Foi a quarta vitória de Verstappen no campeonato, ficando apenas uma atrás de Norris, porém, a forma enfática como Max venceu em Monza e Baku, duas pistas distintas, cuja coincidência reside apenas em ser pistas cujos carros andam com baixo arrasto aerodinâmico, pode estar ligando a luz amarela na McLaren. A diferença de 69 pontos que Verstappen tem de desvantagem frente à Piastri pode se desmilinguir caso a McLaren faça outro final de semana miserável como esse. Não bastasse a sequência de erros de Piastri desde sábado, Andrea Stella e seus 'papaia caps' viram Lando Norris fazer uma corrida abaixo da crítica nesse domingo, onde o inglês largou e terminou em sétimo, diminuindo a vantagem para Piastri apenas para 25 pontos, num dia em que Oscar zerou ainda na primeira volta. Norris começou a vacilar logo na relargada, ao ficar longe do primeiro pelotão e ser ultrapassado por Leclerc na curva um. Norris ainda ultrapassou Hadjar logo após a relargada, mas foi incapaz de atacar Charles num dia ruim da Ferrari. Largando com pneus duros, Norris esticou ao máximo o seu stint, mas a McLaren errou no pneu dianteiro direito e novamente Lando ficou atrás de Leclerc. Com pneus mais novos e médios, enquanto Leclerc tinha pneus duros e usados, Norris até ultrapassou o ferrarista, mas depois ficou preso atrás da luta entre Lawson e Tsunoda, terminando numa opaca sétima posição. Por mais dificuldades que Norris tenha, seja pela não adaptação da McLaren ao circuito de rua de Baku, seja pelo famoso 'trem de DRS', a falta de 'fome' de Norris nesse final de semana chamou a atenção. Com seu principal rival zerado, era de se esperar um Lando Norris faminto para capitalizar o deslize de Piastri, mas Norris fez uma corrida burocrática, sem sangue, bem de acordo com suas declarações nessa semana à revista Vogue. Lando Norris pode até ser Campeão Mundial em 2025 e não sou daqueles que desmerecem títulos de F1, mas o comportamento de Norris nessa temporada o colocará como um daqueles campeões que só levaram o título porque todo ano tem que haver um campeão.


Carlos Sainz vinha sendo uma das decepções desse ano, mas uma classificação miraculosa e uma administração de corrida soberba fez com que o espanhol cantasse Smooth Operator pela primeira vez com as cores da Williams. Sainz largou muito bem e manteve a segunda posição a maior parte da corrida, mas quando parou na metade da prova e colocou pneus duros, Carlos viu o crescimento de George Russell. O inglês da Mercedes começou o final de semana com problemas de saúde e até mesmo Valtteri Bottas ficou sob aviso caso Russell não apresentasse uma melhora de seu quadro viral. George soube se livrar dos problemas na classificação e mesmo perdendo posição para Tsunoda na largada, Russell retomou a posição e rapidamente se aproximou da briga entre os novatos Lawson e Antonelli, que por sinal lhe fechou a porta na primeira volta, deixando o inglês fulo. Russell encostou em Antonelli, sugeriu uma troca de posições, mas a Mercedes simplesmente tirou Antonelli do caminho e Russell apenas esperou Lawson fazer sua parada e já assumir a segunda posição, pois Sainz tinha parado. Com o desgaste de pneus bem baixo nesse domingo, Russell manteve um ótimo ritmo e emergiu na frente de Sainz para ficar em segundo e subir novamente ao pódio. Mesmo perdendo o segundo posto, Sainz comemorou bastante seu primeiro pódio com a Williams, se recuperando parcialmente de um ano esquecível com a Williams, que viu Albon bater em Colapinto e, punido, ficar longe dos pontos. 


Quando fez sua parada, Antonelli perdeu também a condição de brigar com Russell, mas com pneus duros finalmente foi capaz de ultrapassar Lawson e chegar em quarto, menos de 2s atrás de Sainz. Foi a melhor corrida de Antonelli desde o pódio no Canadá e os pontos conquistados pelo italiano ajudaram a Mercedes virar sobre a Ferrari na briga pelo segundo lugar no Mundial de Construtores. O título da McLaren não foi consolidado matematicamente nesse final de semana, mas é apenas questão de tempo. Pelo menos isso. Já o segundo lugar será uma briga mais animada. A Ferrari começou o final de semana de forma promissora, mas já na classificação a coisa começou a desandar para a turma de Fred Vasseur e seus 'red caps' e no final vimos uma corrida fraca dos italianos. Com pneus médios no stint final, Hamilton viu Leclerc abrir caminho, mas o inglês não foi capaz de atacar Norris, mesmo bem mais rápido no final. Os dois pilotos da Ferrari terminaram numa triste oitava e nona posições. Muito, muito pouco para a Ferrari. E Tsunoda fez uma corrida digna com a Red Bull. Claro que o nipônico esteve longe de andar sequer próximo de Verstappen, mas pelo menos Tsunoda marcou bons pontos com a sexta posição, segurando Norris, no que pode até mesmo ajudar Verstappen numa hipotética luta pelo título, porém, também é fato que Tsunoda foi incapaz de ultrapassar Lawson. O neozelandês fez sua melhor corrida na F1 até o momento, correndo muito tempo em terceiro, mas as táticas não permitiram que Lawson emulasse o pódio de Hadjar semanas atrás em Zandvoort. No entanto Lawson segurou as Mercedes no primeiro stint e depois não se intimidou com a presença de Tsunoda, terminando num bom quinto lugar, marcando bons pontos para a Racing Bulls, que viu Hadjar fechar a zona de pontos, numa corrida em que o francês quase não largou por problemas mecânicos, mas Isack fez o que pôde para fechar a prova novamente pontuando.


Reagindo ao movimento errático de Piastri na largada, Alonso acabou queimando a largada e por isso nem reclamou quando foi punido, o relegando a 15º posição, mas ainda duas posições à frente do seu sempre fraco companheiro de equipe Stroll. Bortoleto nem precisou esperar Alonso ser punido para assumir a 11º posição, mas o brasileiro não teve condições de atacar Hadjar e brigar pelos pontos. Num final de semana abaixo da Sauber, Gabriel fez o que pôde, enquanto Hulkenberg bateu em Ocon na primeira volta e ficou perdido no meio do pelotão. A Haas teve um final de semana ruim, longe da zona de pontuação e com poucas brigas, enquanto a Alpine foi a única que viu seus pilotos tomarem volta numa corrida onde apenas Piastri abandonou. Briatore terá bastante trabalho...


Numa corrida sem sal, Max Verstappen está tentando colocar tempero num campeonato em que a McLaren parece querer estragar com suas 'Papaya Rules', sem contar seus pilotos que parecem não querer magoar o outro para manter a harmonia dentro da equipe. A distância de Max Verstappen para a dupla da McLaren ainda é grande, mas o neerlandês está de olho em mais vacilos de Piastri e Norris. Que com o final do campeonato se aproximando, as gafes da dupla da McLaren parece aumentar. Max agradece!

 

sábado, 20 de setembro de 2025

Odisseia azeri

 


Momentos antes de se iniciar a classificação na capital do Azerbaijão, a F1 anunciou a extensão do contrato com a pista de rua de Baku até 2030, com direitos a declarações protocolares de Stefano Domenicalli e Farid Gayibov, ministro da juventude e dos esportes do Azerbaijão. Talvez os dois dirigentes não estivessem preparados para o que viria em seguida, numa das classificações mais acidentadas e caóticas de todos os tempos. Um recorde de seis bandeiras vermelhas (três só no Q1) fez com que o treino que definiu o grid durasse duas horas e Max Verstappen mostrou que em meio a tantas dificuldades, seu talento absurdo faz muita diferença.

O clima estranho em Baku no sábado trouxe ventos que passaram dos 40 km/h, fazendo com que os pilotos fossem surpreendidos por rajadas de ventos que os fizeram sair da pista em vários momentos. E como se trata de um circuito de rua, isso significa muro. No Q1 Albon, Hulkenberg e Colapinto bateram, sem contar as várias escapadas. Destaque que quando Colapinto bateu pela enésima vez, a transmissão não se furtou de procurar um Briatore cada vez mais furibundo com a falta de desempenho do argentino e, pior, sua predileção de destruir carros. No Q2 Bearman bateu, estragando um final de semana até promissor da Haas, mas pior fez Hamilton, não conseguindo marcar um bom tempo e ficando de fora do Q3 mais uma vez, após ter feito o melhor tempo do segundo treino livre.

No final da corrida da F2, minutos antes do início da classificação da F1, os pilotos relataram pingos de chuva e pista escorregadia. Essa situação apareceu bem no Q3 e os prejudicados foram dois favoritos à pole. Charles Leclerc vinha de quatro poles seguidas em Baku, mas acabou batendo no muro do Castelo, mesmo local onde se chamou de idiota em 2019. Minutos depois foi a vez do líder Oscar Piastri bater forte no muro e dar uma boa chance de Lando Norris diminuir bastante a sua desvantagem no campeonato. Porém, na semana em que falou para a revista Vogue inglesa que 'ser campeão do mundo é minha prioridade número 2, eu quero curtir a vida', Norris demonstrou mais uma vez sua que lhe falta uma mentalidade realmente vencedora ao errar em sua volta no Q3 e com isso, largará apenas duas posições à frente de Piastri amanhã. Se não foi 'Papaya Rules', para a McLaren 'manter a harmonia' entre seus pilotos, foi mais uma chance desperdiçada para o inglês.

Com a pista escorregadia e a sequência de bandeiras vermelhas, Carlos Sainz, 18º no campeonato e uma das decepções do ano, estava com a pole, com Liam Lawson, demitido da Red Bull após duas corridas e correndo para sobreviver na F1, ao seu lado na primeira fila. Porém, Max Verstappen passou por cima de uma pista escorregadia e o vento forte em Baku para marcar a pole, a segunda consecutiva. Com a dupla da McLaren distante, não é demais afirmar que Max já é o favorito para vencer no domingo.

domingo, 14 de setembro de 2025

Primeiro match-point à vista

 


A temporada de Marc Márquez já é histórica. O espanhol bateu o recorde de pontos numa só temporada e ainda faltam seis etapas para o fim do certame, que pode ser liquidado matematicamente na próxima corrida, em Motegi. Mais do que números, o que impressiona de Marc é o seu domínio. Correndo em terreno hostil, Márquez caiu na Sprint enquanto liderava, fazendo com que a torcida italiana fosse à loucura em Misano. Um dia depois, Marc largou novamente bem e comboiou o vencedor da véspera, Marco Bezzecchi, até este cometer um erro. Especialista da manhosa pista de Misano, Bezzecchi subverteu a lógica de 2025, pois perseguiu de perto o dominante Marc Márquez até a bandeirada, numa disputa apertada, mas que teve o resultado de sempre nesse ano: vitória do espanhol, que também se aproxima de sua centésima vitória na carreira no Mundial de Motovelocidade. Alex Márquez terminou num seguro terceiro lugar numa corrida que contou com muitos abandonos, como Bagnaia e Pedro Acosta, com problema mecânico e flagrado mostrando o dedo médio para a sua KTM. No dia em que a Yamaha debutou sua novo moto com motor V4, Quartararo sofreu com a falta de desempenho de sua máquina e mal se segurou entre os dez primeiros. Em termos de talento, talvez apenas Quartararo e Acosta façam frente à Marc Márquez, mas ambos não tem equipamento para enfrentar o espanhol. Cinco anos depois do seu terrível acidente em Jerez, Márquez pode reconquistar o título, mas não será de uma foram qualquer. Será de forma implacável frente aos seus adversários.